NENHUM TRAÇO DA LEI DESAPARECERÁ


“Não penseis que vim destruir a Lei ou os Profetas, não vim destruir mas cumprir, pois amém vos digo: até que passem o céu e a terra, não passará um iota ou traço da Lei, até que tudo se realize. Quem, portanto, violar um desses mínimos mandamentos e, dessa maneira, ensinar os homens, será chamado mínimo no Reino dos Céus; quem, porém, praticar e ensinar este será chamado grande no Reino dos Céus. Por isso vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus” – Evangelho de Mateus, capítulo 5, versículos 17 a 20.

Rica em comentários, estudos profundos e ensinamentos sobre as passagens bíblicas, que compõem a Torá, a tradição judaica, principalmente a exegese rabínica, citavam personagens tais como os Patriarcas que haviam “cumprido” esse ou aquele trecho das escrituras. O objetivo era demonstrar que os mesmos vivenciavam, isto é, cumpriam, as escrituras em suas vidas.

Do mesmo modo que Mateus faz referência ao “iota”, menor letra do alfabeto grego, a tradição rabínica (judaísmo) refere-se ao “yod”, menor letra do alfabeto hebraico. Visto apenas como um jogo gratuito de letras pelos ocidentais, a referência à menor letra ou traço da Lei que não desaparecerá, trata-se do sentimento do Povo de Israel em respeito pelas Escrituras Sagradas. Convictos de que a Torá é inspirada pelas verdades que contém em sua própria literalidade, qualquer dano ao texto representaria uma profanação que ameaça toda a Criação.

Sabemos que o alfabeto hebraico contém diversas letras cuja escrita merece total atenção, uma vez que um pequeno erro, colocando uma curva no traço ou vice-versa (o que chamam de “pontas”), por exemplo, resultaria na “destruição do mundo”. Cabe, no caso, esclarecer que aludida destruição não deve ser tomada ao “pé da letra”. Mas, merece uma reflexão profunda, tendo em vista que os estudiosos estão fazendo clara referência ao “edifício” ideológico contido nos textos sagrados. No exemplo a seguir você poderá ter esta experiência para melhor compreensão.
 
Deuteronômio 6,4: “Escuta, Israel, O Senhor nosso Deus, O Senhor é UM”. Os estudiosos fizeram o seguinte comentário: Se transformares o dalet (ד) em resch (ר), destróis o mundo inteiro. A ideia contida na explicação é que uma mera mudança na “ponta” representada pela “curva” da outra letra NEGARIA O MONOTEÍSMO e se abriria uma porta ao politeísmo. Lendo em hebraico cada significado fica fácil de entender:

אחד = UM                e                 אחר = OUTRO

O erro de grafia leva à modificação da frase e a negação do que o próprio Povo da Bíblia procurava implantar em contraposição ao politeísmo da época (existência de crença em vários deuses), isto é, “Escuta, Israel, o senhor nosso Deus, o senhor é OUTRO”. Em Êxodo 34,14, onde se lê “Não te curvarás perante OUTRO deus”, demonstra a recíproca entre as duas palavras, pois, a confusão com esse “pequeno traço” ou “ponta” da letra levaria a ler: “Não te curvarás perante o Deus UM”.

Sem objetivo de esgotar o tema, notamos que o Cristianismo está repleto de “tradições” que estudadas em comparação com o Judaísmo não são fruto de “mera coincidência”. Citando Jesus e o traço da lei, Mateus demonstra que o Novo Testamento atribuiu um caráter intangível à Torá. Os Padres da Igreja (pais da igreja) também se debruçaram sobre o tema, chegando um deles a interpretar o yod (י) de acordo com seu valor numérico. No alfabeto hebraico as letras também representam números e a menor letra deste alfabeto tem o valor numérico 10. Afraate a interpreta como referência aos dez mandamentos (Apfraate le sage persan. Les Exposés, 2 v., trad. De M.-J. Pierre, Paris, Cerf, Col. Sources Chrétiennes, n. 349 e 359; v. 1, 1989, p. 245-246, nota 27).

Impossível negar que os textos das escrituras foram recebidos pela mediunidade dos profetas. Da mesma forma, impossível negar a influência de tais “médiuns” nestas comunicações. É imprescindível investigar o que é Divino e o que é humano no texto. Lembramos Paulo que nos ensinou que “as verdades são trazidas em vasos de barro” para que a "Gloria seja Divina e não humana". O Apóstolo das “nações” também nos ensinou a “examinar tudo e reter o bem”.

Sugerimos aqui a possibilidade de “olhar” as tradições e os estudos com todas as “verdades” que lá estão contidas e que se perderam na distância do tempo em que foram paulatinamente reveladas até os dias atuais. A Lei mencionada é o conjunto de Leis Divinas Criadas pela Perfeita, Soberana, Boa, Justa, Imutável, Suprema e Única Sabedoria. O próprio Criador não as violenta. Observam-se os ciclos, o tempo e o espaço, a menor violação da Lei provoca o dever de reparação a fim de que a Harmonia da Criação seja restabelecida. Criados perfectíveis não nos resta outra alternativa senão nos conformamos com isto: DEUS NOS QUER AO SEU LADO. Por sintonia e preferência, lei de atração, gravitamos em Direção a Deus, TAL É A LEI!

GÊNESIS, PAULO DE TARSO, JOÃO E NÓS: A CAMINHO DA LUZ

Os antigos referiam-se à Criação usando expressões contendo uma ideia concreta, fazendo referência a evento que ocorreu pela primeira vez ...