ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - PARTE 1


I – ESPIRITISMO E ESPIRITUALISMO (ANFIBOLOGIA) 


Quando de sua elaboração, Allan Kardec não usou palavras como espiritual, espiritualista e espiritualismo ao se referir ao Estudo da Doutrina Espírita, para não multiplicar as numerosas causas de ambiguidade que provocam a confusão das palavras e seus múltiplos sentidos. O espiritualista é aquele que acredita haver em si mesmo alguma coisa além da matéria, mas não afirma crer em Espíritos ou em comunicações com o mundo invisível.

Para os que acreditam em Espíritos e nas comunicações com o mundo invisível, as palavras usadas foram: espírita e espiritismo. Nestas palavras a forma lembra a origem e o sentido radical, com a vantagem de serem perfeitamente compreendidas.

Assim sendo o conteúdo especial de “O Livro dos Espíritos”[1] é a Doutrina Espírita, uma espécie do gênero Espiritualismo, que tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível, cujos adeptos serão os espíritas ou espiritistas, e, por essa razão usa sobre o seu título: Filosofia Espiritualista.

Para bem compreender os comentários feitos por Kardec na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita contida em “O Livro dos Espíritos”, é importante considerar:

   a)    Doutrina: é o conjunto coerente de ideias fundamentais a serem transmitidas, ensinadas, que compõem um sistema filosófico e ou religioso, dentre outros;

    b)    Filosofia: diz-se da investigação da dimensão essencial e ontológica (ser, o que é) do mundo real, que ultrapassa a OPINIÃO IRREFLETIDA DO SENSO COMUM, o qual é cativo da realidade empírica e aparência sensível (materialismo);

     c)     Religião: crença na existência de um poder ou princípio superior, sobrenatural, do qual depende o destino do ser humano e ao qual se deve respeito e obediência.

É importante refletir sobre certos pontos.

    1.      TUDO que não estiver coerente com AS IDEIAS FUNDAMENTAIS transmitidas e ensinadas pela Doutrina Espírita NÃO É ESPIRITISMO.

    2.     TODAS as investigações que importam em OPINIÕES PESSOAIS (senso comum) baseadas na realidade onde vive e sente o ser e que não se prestem à investigação da DIMENSÃO ESSENCIAL do ser e do que ele é NÃO É FILOSOFIA ESPÍRITA.

    3.     TODAS as crenças em existência de seres e princípios sobrenaturais, independentes, desobedientes, que dividam ou se aproximem do poder supremo do eterno DEUS ÚNICO, soberanamente sábio, justo, bom, imaterial, imutável, CRIADOR DO UNIVERSO, NÃO É RELIGIÃO ESPÍRITA.

Eis acima um roteiro para balizar os estudos de quem considera-se espírita. Há uma infinidade de obras, verdadeiros “tratados” que não passam de opiniões, distantes do preconizado pelo Codificador. Examine tudo, retenha o bem, mas, saiba o que “é” e o que não “é”.



[1] KARDEC, Allan. O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Trad. J. Herculano Pires. São Paulo: LAKE, 2013, pag. 25. 


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