ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - PARTE 12

XII -IDENTIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS

"Um fato demonstrado pela observação e confirmado pelos próprios Espíritos é que os Espíritos inferiores apresentam-se muitas vezes com nomes conhecidos e respeitados. Quem pode, portanto, assegurar que os que dizem haver sido Sócrates, Júlio César, Carlos Magno, Fénelon, Napoleão, Washington, etc. tenham realmente animado esses personagens? Essa dúvida existe entre alguns adeptos bastante fervorosos da Doutrina Espírita. Admitem a manifestação dos Espíritos, mas, perguntam que controle podemos ter da sua identidade. Esse controle é de fato bastante difícil de realizar, mas se não pode ser feito de maneira tão autêntica como por uma certidão de registro civil, pode sê-lo por presunção, através de certos indícios.

Este é um tema que, como visto acima, foi muito tratado por Allan Kardec. Na codificação, a identificação dos Espíritos é um assunto muito sério para o Mestre de Lyon. Este mesmo tema é retomado pelo Professor no item II da Introdução ao Evangelho Segundo o Espiritismo quando o assunto é "Autoridade da Doutrina Espírita", cujo subtítulo recebeu o significativo nome: Controle Universal do Ensino dos Espíritos (ESE, Introdução, item II, pgs. 16/22, LAKE, 2014). Aqui, não seria demais lembrar o nosso caríssimo expositor Haroldo Dutra Dias que, estudando esse tema, seguramente nos perguntaria:

PORQUE SERÁ QUE KARDEC COMEÇOU A TRATAR DA AUTORIDADE DA DOUTRINA ESPÍRITA PELO TEMA: CONTROLE UNIVERSAL DO ENSINO DOS ESPÍRITOS?

POR QUAIS MOTIVOS ESSE EDIFÍCIO, PARA TER AUTORIDADE, PRECISA SE FUNDAR NO CONTROLE UNIVERSAL DO ENSINO DOS ESPÍRITOS?

Pretendemos responder estas questões em outros estudos, apesar de dar algumas pistas abaixo.

Lembremos, portanto, em O Livro dos Espíritos, na introdução, parte 12, onde o Codificador trata desse assunto, são ensinadas técnicas e métodos para que as mistificações, mentiras, fraudes ou mesmo o ceticismo sejam afastados, como por exemplo, para o caso de espírito manifestante que animou alguém cuja personalidade na Terra foi conhecida por nós.

O Professor Rivail nos ensina que devem ser consideradas:

a) a linguagem (se é correspondente com perfeição às características que conhecíamos);
b) a fala de coisas particulares (lembrança de casos familiares que somente o interlocutor conhece);
c) revelações inesperadas (passagens que ocorrem nas invocações que convencem o mais incrédulo);
d) a caligrafia (na psicografia, a escrita do médium muda geralmente com o Espírito evocado, reproduzindo-se exatamente a mesma, cada vez que o Espírito se manifesta);
e) assinaturas perfeitamente idênticas;
f) conservação das ideias, pendores e manias que tinham na Terra (quando não se tratar de Espírito completamente desmaterializado, no sentido de que as "coisas materiais" não mais lhe exercem qualquer influência);

Porém, ao nosso sentir, talvez a advertência mais importante para nós do Senhor Hippolyte está nessa frase: "Mas chegamos ao reconhecimento, sobretudo, através de uma multidão de detalhes que somente uma observação atenta e CONTÍNUA pode revelar" (LE, introdução, pg. 43, LAKE, 2013). Quando os "nomes conhecidos" tratam de suas próprias obras, aprovando-as ou condenando-as, outros que se lembram de circunstâncias ignoradas ou pouco conhecidas de suas vidas ou suas mortes, são provas morais de identidade, ÚNICAS QUE SE PODEM INVOCAR TRATANDO-SE DE COISAS ABSTRATAS.

Contudo, na atualidade, observamos a publicação desmedida de obras ditas "mediúnicas" que servem para atender apenas ao materialismo, editoras que não tem seriedade ou compromisso com o Espiritismo, ou, "médiuns" que dizem receber mensagens de determinados Espíritos conhecidos pela maioria, os quais destoam frontalmente de suas ideias originais, como podemos observar de vários que deixaram uma vida e obra para ser investigadas.

Para Espíritos dos quais não dispomos a possibilidade do controle acima, Kardec esclarece que sempre teremos como guia os meios de controle que se referem à linguagem e ao caráter, porque, "seguramente, o espírito de um homem de bem nunca falará como o de um perverso ou imoral" (LE, introdução, pg. 44, LAKE, 2013). Segundo o Codificador, o nome para nada mais serve do que um meio para fixação de nossas ideias. Vale dizer que somos nós, os encarnados que precisamos de nomes e referências e não os Espíritos, salvo aqueles cuja sintonia esteja em acordo com NOSSAS PAIXÕES INFERIORES.

Vale a pena deixar a conclusão desta parte do estudo para o Mestre e Professor Allan Kardec que, assim se manifestou:

"Por fim, é certo que a substituição dos Espíritos pode ocasionar uma porção de enganos, resultar em erros e muitas vezes em mistificações. Esta é uma das dificuldades do Espiritismo prático. MAS JAMAIS DISSEMOS QUE ESTA CIÊNCIA SEJA FÁCIL NEM QUE SE POSSA APRENDÊ-LA BRINCANDO, COMO TAMBÉM NÃO SE DÁ COM QUALQUER OUTRA CIÊNCIA. Nunca será demais repetir que ela exige estudo constante e quase sempre bastante prolongado. Não se podendo provocar os fatos, é necessário esperar que eles se apresentem por si mesmos, e frequentemente eles nos são trazidos pelas circunstâncias em menos pensávamos. PARA O OBSERVADOR ATENTO E PACIENTE OS FATOS SE TORNAM ABUNDANTES, porque ele descobre milhares de nuanças características que lhe parecem como raios de luz. O mesmo se dá com referência às ciências comuns; [...]

E o Codificador conclui com o seu modo objetivo, sucinto, conciso e didático:
[...] enquanto o homem superficial só vê numa flor a sua forma elegante, o sábio descobre verdadeiras maravilhas para o seu pensamento. (LE, introdução, pg. 44, LAKE, 2013).

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