ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – PARTE 15

XV – A LOUCURA E SUAS CAUSAS

 
QUEM É O VERDADEIRO ESPÍRITA?

Segundo Kardec, é aquele que "olha as coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado; elas lhe parecem tão pequenas, tão mesquinhas, em face do futuro que o aguarda; a vida é para ele tão curta, tão fugitiva que as tribulações não lhe parecem mais do que incidentes desagradáveis de uma viagem" (LE, introdução, item XV).
 
Atingimos, nesta altura, um ponto que permitirá a Kardec fazer uma análise lógica e dotada de razão. A frase que inaugura o início da reflexão não poderia ser outra: “Há ainda criaturas que veem perigo por toda parte, em tudo aquilo que não conhecem, não faltando as que tiram conclusões desfavoráveis ao Espiritismo do fato de terem algumas pessoas, que se entregaram a estes estudos, perdido a razão” (LE, introdução, item XV).

Em bom português: se tenho medo, não examino; se não examino, porque tenho medo, não quero que ninguém o faça; Se tenho medo e faço o exame, este é feito sem nenhuma metodologia e apenas superficialmente; as conclusões que tiro são apressadas e induzem aos erros mais rasteiros. 

Devo dizer que vejo isto não fora do Espiritismo, mas, dentro do próprio movimento. A preguiça em estudar seriamente a Codificação e as obras complementares, examinando tudo, retendo o bem, está totalmente impregnada de ideias advindas dos pseudo sábios que pretendem que os “seus sistemas” sejam seguidos. Usam toda sorte de retóricas e sofismas para proclamar “verdades” que não foram ditas e nem escritas por Kardec. Aliás, a insistência de muitos em dizer que Kardec está ultrapassado chega às raias do absurdo. 

Vale repetir Raul Teixeira, se a FILOSOFIA ESPÍRITA está ultrapassada, que apresentem outra que satisfaça como Allan Kardec o fez. Aliás, o próprio Codificador deixou claro que onde a Ciência avançasse e provasse erro no Espiritismo, este voltaria atrás sem nenhum problema. Todavia, como educador, penso que a prova desta superação se faz pela apresentação de uma metodologia científica melhor e superior à de Kardec, uma filosofia melhor e superior ao preconizado por Kardec e uma doutrina com fundamentos que superem o que foi produzido pelos Espíritos na Codificação pelas mãos de Kardec.

É claro que um exame deste item na Introdução de O Livro dos Espíritos aborda uma crítica feita ao Espiritismo, a qual Kardec procura refutar com seriedade: A PRESENÇA DE LOUCOS NO MOVIMENTO ESPÍRITA! Nenhuma diferença do que ocorre com quaisquer outros ramos da ciência. Isto é afirmado pelo Mestre de Lyon.

A forma como Kardec abordava e via as coisas estavam muito além de sua época. Um de seus argumentos para refutar esta crítica é a seguinte: “Como podem os homens sensatos aceitar essa objeção? Não acontece o mesmo com todas as preocupações intelectuais, quando o cérebro é fraco? Conhece-se o número de loucos e maníacos produzidos pelos estudos matemáticos, médicos, musicais, filosóficos e outros? E devemos, por isso, banir tais estudos? O que provam esses efeitos?” 

E não é que a razão sempre andou ao lado do Codificador.... Como exemplo de sua lógica racional podemos citar a história de vida do matemático americano que foi contada no filme "Uma mente brilhante". John Nash sofria de esquizofrenia, como revelou-se na biografia escrita por Sylvia Nasar. Nash recebeu o Prêmio Nobel por sua análise pioneira do conceito de equilíbrio na teoria dos jogos não-cooperativos. Em sua tese de doutorado, defendida em 1950, aos 21 anos, o cientista introduziu a distinção entre jogos cooperativos e jogos não-cooperativos. 

Todos os problemas de saúde atravessados pelo matemático não levaram à extinção ou proposta desta para a Matemática, pois, como afirmou Kardec: “Todas as grandes preocupações intelectuais podem ocasionar a loucura [...]. A loucura tem por causa primária uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna mais ou menos acessível a determinadas impressões”. 

Dr. Inácio Ferreira no livro de sua autoria Psiquiatria em face da Reencarnação, na introdução, onde apresenta os motivos que o levaram a escrever a obra, diz: “Enfim, algumas centenas de obras formidáveis, girando em torno do mesmo assunto, acontecimentos sociais e suas relações com as psicoses, acontecimentos diários que esgotam as resistências da criatura humana colocada em meio dessa agitação que se torna, dia-a-dia, maior, requerendo, esforços inauditos e um trabalho mental contínuo para o estabelecimento de um equilíbrio relativo para o próprio sustento. Em parte estão com a verdade, pois existem as psicoses emocionais e de fadiga, que explodem com intensidade após essas catástrofes circunscritas ou generalizadas. [...] As conclusões, todavia, deixam muito a desejar, pois a causa primordial, por eles ainda desconhecida, [...], ainda continua sendo desprezada pela ciência oficial – A Reencarnação. Ela encerra em si mesmo, essas explicações para todas essas inquietações da ciência que vê, presencia, estuda, investiga [...]”. (FERREIRA, Inácio. Psiquiatria em face da Reencarnação. São Paulo: FEESP, 1988). 

A razão encerrada nas argumentações de Dr. Inácio encontra fundamento na afirmação de Kardec: “Digo, portanto, que o Espiritismo não tem nenhum privilégio neste assunto. E vou mais longe: digo que o Espiritismo bem compreendido é um preservativo da loucura. Entre as causas mais frequentes de superexcitação cerebral devemos contas as decepções, as desgraças, as afeições contrariadas que são também causas mais frequentes do suicídio. 

Adentramos, agora, no ponto crucial: O VERDADEIRO ESPÍRITA. Tantas vezes o Codificador usa tal expressão. Encontramo-la em o próprio Livro dos Espíritos incontáveis vezes, assim como em O Evangelho Segundo o Espiritismo com mensagens a respeito deste e do Verdadeiro Cristão que se confundem.

Então, quem é o Verdadeiro Espírita? Segundo Kardec, é aquele que “olha as coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado; elas lhe parecem tão pequenas, tão mesquinhas, em face do futuro, que o aguarda; a vida é para ele tão curta, tão fugitiva que as tribulações não lhe parecem mais do que incidentes desagradáveis de uma viagem. Aquilo que para qualquer outro produziria violenta emoção, pouco o afeta, pois sabe que as amarguras da vida são provas para o seu adiantamento, desde que sofra sem murmurar, porque será recompensado de acordo com a coragem ao suportá-las. Suas convicções lhe dão uma resignação que o preserva do desespero e consequentemente de uma causa constante de loucura e suicídio”. 

No item comentado hoje em nosso estudo, vemos com clareza que o que Kardec pretendeu foi afastar uma objeção imposta ao Espiritismo, o qual seria segundo os críticos, algo ruim que causa loucura em alguns de seus adeptos e portanto deveria desaparecer. O Codificador lembrou as "metodologias" usadas por outras "seitas" e tratou com bastante sobriedade das funestas consequências a respeito do uso das "figuras" do diabo, bicho-papão e lobisomem, para assustar crianças e torna-las mais ajuizadas (estranho isso, mas, ainda ocorre hoje em dia!!!). O eminente Professor enfatizou que “quando elas deixam de teme-lo ficam piores do que antes”. E não são pouco os casos de epilepsias causadas pelo abalo de cérebros delicados.

Porém, quero pedir aos leitores que observem o quadro todo e me corrijam se estiver incorrendo em erro.

Algo que não pode passar distante de nossos olhos e nossas reflexões é a desconcertante frase com a qual nosso Professor vai encerrar esse tema: “A religião seria bem fraca se, por não usar o medo, seu poder ficasse comprometido. Felizmente assim não acontece. Ela dispõe de outros meios para agir sobre as almas e o Espiritismo lhe fornece os mais eficazes e mais sérios, desde que os saiba aproveitar. Mostra as coisas na sua realidade e com isso neutraliza os efeitos funesto de um temor exagerado.


VOCÊ ACHA MESMO QUE A CODIFICAÇÃO TROUXE PARA A TERRA “OUTRA RELIGIÃO POSITIVA”? Qual é sua opinião sobre isto?


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