ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - PARTE 14

XIV - AS QUESTÕES DE ORTOGRAFIA

Ciente de que a matéria bruta usada nas comunicações pelos Espíritos é a mente do médium, ou, ainda, seu conteúdo (cultura, experiência, condição moral, desprendimento, docilidade, cognição e outros), Kardec respondeu às objeções de alguns céticos quanto às falhas ortográficas de alguns Espíritos da seguinte maneira: 

"Essa ortografia, deve dizer-se, nem sempre é impecável; mas, somente a falta de argumentos pode torná-la objeto de uma crítica séria, com a alegação de que se os Espíritos tudo sabem, devem saber ortografia. Poderíamos opor-lhes numerosos pecados desse gênero cometidos por sábios da Terra, sem que lhes tenha diminuído o mérito. Mas há neste fato uma questão mais grave". (Livro dos Espíritos, introd., item XIV, pg. 46. São Paulo: LAKE, 2013).

O Codificador esclarece que o objetivo da comunicação é transmitir um ensinamento. Para o Espírito o essencial é a ideia e não a forma. O problema não está com os Espíritos nos casos de caligrafias errôneas, mas, na impossibilidade do médium de se comunicar em velocidade compatível. Os Espíritos usam o pensamento para transmitirem suas mensagens, enquanto os encarnados servem-se de formas demoradas e embaraçosas da linguagem humana.

A linguagem humana é insuficiente e imperfeita para exprimir todas as ideias dos Espíritos e isto lhes causa grande inconveniente quando são compelidos a se comunicarem conosco. Por tais motivos, os Espíritos atribuem pouca importância às puerilidades ortográficas, principalmente quando o ensinamento é profundo e sério.

Porém, um fato deve ser observado: Os Espíritos transmitem a mesma mensagem em diversas línguas (a todas compreendem). Sendo necessário observam a correção da linguagem, como acontece quando precisam ditar uma poesia, que poderá ser apreciada pela mais apurada crítica linguística, apesar da ignorância do médium.

André Luiz, pela mediunidade de Francisco Xavier em  "Missionários da Luz", cap. 1, título O Psicografo, descreve um processo de transmissão de mensagem psicográfica:
"[...] Calixto postou-se ao lado do médium, que o recebeu com evidente sinal de alegria. Enlaçou-o com o braço esquerdo e, alçando a mão até o cérebro do rapaz, tocava-lhe o centro da memória com a ponta dos dedos, como a recolher o material de lembranças do companheiro. Pouco a pouco, vi que a luz mental do comunicante se misturava às irradiações do trabalhador encarnado. A zona motora do médium adquiriu outra cor e outra luminosidade. Alexandre aproximou-se da dupla em serviço e colocou a destra sobre o lobo frontal do colaborador humano, como a controlar as fibras inibidoras, evitando, quanto possível, as interferências do aparelho mediúnico". (Brasília: FEB, 2013, pg. 18).

Você sabe quanto complexa é a preparação para transmissão da mensagem? "A operação da mensagem não é nada simples, embora os trabalhadores encarnados não tenham consciência de seu mecanismo intrínseco [...]. Muito antes da reunião que se efetua, o servidor já foi objeto de nossa atenção especial, para que os pensamentos grosseiros não lhe pesem no campo íntimo. Foi convenientemente ambientado e, ao sentar-se aqui, foi assistido por vários operadores de nosso plano. Antes de tudo, as células nervosas receberam novo coeficiente magnético, para que não haja perdas lamentáveis do tigroide (corpúsculos de Nissl), necessário aos processos de inteligência". (Idem, Brasília: FEB, 2013, pg. 18)

Vários processos devem ser realizados junto ao sistema nervoso simpático, central, vago e glândulas suprarrenais do médium, que recebem muita atenção dos dirigentes espirituais da sessão, tendo em vista o seu pleno uso na psicografia. Qualquer crítica que não leva em conta esses inconvenientes não se sustentam. O processo envolvido na psicografia para a transmissão de uma mensagem é mais complexo do que se possa imaginar.

Vale a pena repetir com Kardec: "Para os Espíritos, principalmente para os Espíritos superiores, a ideia é tudo, a forma não é nada. Livres da matéria, sua linguagem é rápida como o pensamento, pois é o próprio pensamento que entre eles se comunica sem intermediários". (Livro dos Espíritos, introd., item XIV, pg. 46. São Paulo: LAKE, 2013).

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