ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - PARTE 16


XVI – A TEORIA MAGNÉTICA E A DO MEIO AMBIENTE


OBJEÇÃO: substantivo feminino, do latim objectio, significa ato de objetar, razão ou argumento apresentado em oposição a uma tese previamente enunciada.




Assevera Allan Kardec que as únicas objeções que merecem esse nome são:
     a)     “Todas as manifestações atribuídas aos Espíritos seriam apenas efeitos magnéticos, onde os médiuns ficariam num estado de sonambulismo acordado, fenômeno conhecido pelos que estudaram o magnetismo”;
     b)     “O médium é fonte das manifestações, mas, em vez de tirá-las de si mesmo, tira-as do meio ambiente; o médium seria uma espécie de espelho refletindo todas as ideias, todos os pensamentos e todos os conhecimentos das pessoas que o cercam”.

Antes de prosseguir, é necessário remeter o leitor ao item XVI de O Livro dos Espíritos, Introdução, para que possa obter mais informações das objeções ora em comentário, pois, nas letras acima estão somente um resumo.

Interessante observar que o Codificador, até o item que dá número ao nosso título, esclarece que até o item XV, apesar de apresentar razões, refutar e comentar opiniões críticas ao Espiritismo, somente no item XV, insisto, é que o mesmo observa que se tratam de observações racionais. Isto é, as objeções contêm teoria racional, com razão e fundamento.

Kardec confessa que estudou o Magnetismo por mais de 35 (trinta e cinco) anos. Como também confessa que é possível explicar muitas manifestações espíritas por esse meio. Ora, qual então será a diferença apontada pelo Professor Rivail?

É que a Ciência Espírita, cuja teoria deve ser estudada por quem se apresenta como Espírita, não é uma Ciência como as demais onde a experimentação é possível. Os Espíritos não estão a serviço do experimentadores, a não ser que o propósito deste seja a partir do plano espiritual, a fim de que alguma orientação ou ensino seja transmitido à Terra. Do contrário, é possível que não haja uma só repetição de qualquer fenômeno pela absoluta desnecessidade, tendo em vista existir apenas e tão somente CURIOSIDADE ou DESEJO EGOÍSTA DE SOLVER PENDÊNCIAS PARTICULARES.

Kardec ensina que a Ciência Espírita é de Observação. Assim, há uma infinidade de fatos em que a participação do médium, a não ser como instrumento passivo, é MATERIALMENTE IMPOSSÍVEL. A advertência é a seguinte: “Vede e observai, porque seguramente ainda não vistes tudo”.

Hippolyte Léon Denizard Rivail considera o seguinte:

1. De onde veio a teoria espírita?

2. É um sistema imaginado por alguns homens para explicar os fatos?

3. Quem a revelou?

PRIMEIRA REFUTAÇÃO:
A revelação da doutrina espírita ocorreu pelos médiuns. Os defensores da teoria magnética exaltam sua lucidez. Afirmam que são eles e não os Espíritos que se manifestam.

Se são possuidores de tal lucidez, porque atribuíram que a 
Revelação Espírita foi efetuada pelos Espíritos? Tais médiuns declararam que não tiraram a verdade de si mesmos. Porque fariam isto se a Revelação Espírita contém preciosos ensinamentos sobre a natureza das inteligências extra-humanas, dotados de lógica e sublimidade. Ou os médiuns são lúcidos ou não são. Se são lúcidos, pode-se confiar na veracidade de suas informações, pois não há contradição e os mesmos estão com a verdade.

Contudo, não é o que ocorre, pois a CONTRADIÇÃO é a tônica. Um mesmo indivíduo fala linguagens diferentes ou exprime alternadamente as coisas mais contraditórias. Não há unidade nas manifestações para um mesmo indivíduo. Ao contrário. A diversidade de manifestações demonstra a diversidade de fontes. Se tais fontes não se encontram no médium, certamente estão fora dele.

SEGUNDA REFUTAÇÃO:
Os adeptos da segunda teoria asseveram que as fontes de manifestações estão fora do médium, pois, encontram-se no meio ambiente. Desta forma, o médium capta pensamentos e conhecimentos de pessoas que o cercam, e, algo dito pelo mesmo seria do conhecimento de ao menos algumas delas.

Um dos princípios da doutrina espírita é: influência exercida pelos assistentes sobre a natureza das manifestações. Contudo, esse princípio é diferente da hipótese de captação do pensamento. Como Kardec adverte, é um erro grave dessa teoria, fruto das conclusões apressadas.

O Espírita não pode incorrer nesse erro grave. Reside aí o perigo para o estudante que pensa tudo explicar sem exame sério e paciente. Incapaz de negar um fenômeno que a ciência comum não explica e não querendo admitir a intervenção dos Espíritos, explicam-no a seu modo. E, como uma ideia infundada carece de outra para, e de outra, e de outra... Dizem que quando a informação não pertence ao meio em que o médium está inserido, a mesma é reflexo de toda a Humanidade, podendo vir até de outras esferas.

Infelizmente estou me deparando com esse mal hábito no meio espírita, tendo que ouvir que existem vários “espiritismos” no Espiritismo (??). Mas, Espiritismo não é um corpo de doutrina, dotada de uma fina filosofia e concebida como Ciência, cuja Revelação pertence aos Espíritos e foi Codificada por Allan Kardec?

Vamos copiar Kardec literalmente: “Não creio que esta teoria encerre uma explicação mais simples e mais provável que a do Espiritismo, pois supõe uma causa bem mais maravilhosa. A ideia de que seres do espaço, em contato permanente conosco, nos comuniquem os seus pensamentos, nada tem que choque mais a razão do que a suposição dessas irradiações universais, vindas de todos os pontos do Universo para se concentrarem no cérebro de um indivíduo”.

TERCEIRA REFUTAÇÃO
I – A teoria sonambúlica e a teoria relativa são frutos de concepções humanas, opiniões individuais. Foram formuladas para explicar um fato;
II – A doutrina dos Espíritos não é uma concepção humana; foi ditada pelas próprias inteligência que se manifestam, quando ninguém a imaginava e opinião geral até mesmo a repelia;
III – As primeiras manifestações não se deram pela escrita ou palavra, mas, por pancadas que correspondiam às letras do alfabeto, formando palavras e frase. Se houve influência do pensamento do médium nas comunicações verbais ou escritas, o mesmo não ocorreu com as pancadas, pois, seu significado não era conhecido previamente.

Os contraditores afirmam que não existem espíritos porque os mesmos não se deixam controlar. Uma observação atenta e séria demonstra que os Espíritos não respondem a perguntas ociosas ou ridículas, não querem entrar na berlinda e se calam ou dizem que só se ocupam de coisas mais sérias, além de somente comparecer em dados momentos, provando que não estão à disposição dos médiuns. E, nesses casos, a vontade do médium nada vale e nada exerce de influência. A assembleia onde estiver não o apoia nesses casos. ENTÃO, AFIRMA KARDEC: “Se, entretanto, ele não cede aos desejos da assembleia, apoiado pela sua própria vontade, é porque obedece a uma influência estranha [...]”.

Desta forma, mostrando a grandeza da Doutrina Espírita, a qual é dotada de uma Teoria Científica, alicerçada sobre dogmas (fundamentos e bases conceituais) e princípios, Allan Kardec afasta as únicas objeções sérias feitas ao Espiritismo até a atualidade, eis que todas as outras concepções não passam de refutações sem a mínima base racional. E conclui: “[...] tanto a ele quanto aos demais e essa influência demonstra com isso a sua independência e a sua individualidade”.

Para Kardec, assim como para o que vai denominar-se ESPÍRITA:

“A razão nos diz que um efeito inteligente deve ter como causa uma força inteligente”. (LE, Prolegômenos).

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