O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 20

III – ATRIBUTOS DA DIVINDADE
IV – PANTEÍSMO

“A inteligência de Deus se revela nas suas obras, como a de um pintor no seu quadro; mas as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou”. (O Livro dos Espíritos, Capítulo I, IV, Panteísmo).
 

Observamos o ser humano, nas suas variadas indagações e proposições, expor ideias que, quando não são simplesmente ridículas do ponto de vista da lógica, beiram os primeiros “movimentos” do pensamento contínuo. Como se deve julgar o poder de uma inteligência? Ora, como ensinou Kardec e tantos outros pensadores respeitáveis ao longo dos séculos: “pelas suas obras”.

Usando o método da comparação, para observar a existência de uma inteligência suprema, tomo como exemplo a minha própria. E, desta forma, observo, por exemplo, a NATUREZA. Nela não consigo “ver” NADA que EU pudesse CRIAR como a NATUREZA PRODUZ.

Segundo nos disseram os Espíritos na questão 9 de O Livro dos Espíritos: “O homem orgulhoso nada admite fora de si, e é por isso que se considera um espírito forte. Pobre ser que um sopro de Deus pode abater”.

Conforme Kardec, “sejam quais forem os prodígios realizados pela inteligência humana, esta inteligência tem também uma causa, e quanto maior for a sua realização, maior deve ser a causa primária. Esta inteligência superior é a causa primária de todas as coisas, qualquer que seja o nome pelo qual o homem a designe”.

Estamos abrindo a discussão dessa semana por estas razões, tendo em vista que, não sei por que motivos fui questionado, acerca de Deus, de Sua Existência, do Seu Poder, entre outras coisas, neste final de semana próximo passado. Destarte, acredito que algumas indagações são improdutivas. Como já aprendemos:  o pior cego é aquele que não quer ver.

Alguém me afirmou, indagando (... existem ... indagações que são afirmações de ideias) se eu não cria que o homem tivesse criado um elemento químico que não existia na natureza, isto é, no seu dizer, algo incriado. Ora, entre espíritas, pediria para que o confrade pesquisasse a obra de Irmão Jacob, cujo título é “Voltei”, psicografia de Francisco Xavier, onde a personagem que foi Frederico Figner, encontra-se com Thomas Edson, o qual esclarece que NENHUMA das invenções lhe pertenciam senão ao próprio Deus, eis que somente as DESCOBRIU. Ou seja, retirou-lhes um véu, algo que as encobriam. Todavia, não se tratava de um confrade. Se o perguntador não reconhece Deus, o que dizer das comunicações dos Espíritos?

Disseram-me, também, que o mundo seria uma imensa obra do acaso. Ou, “cientificamente”, do “Big Bang”. E, em seguida, como se uma questão se relacionasse à outra, perguntaram sobre Deus criando o Mal! Por ora, ficaremos somente na questão que envolve o INCRIADO, o ABSOLUTO, o CRIADOR.

Bem, acredito que não fui nenhum pouco inovador na resposta. Asseverei que, quaisquer hipóteses, nos fazem inferir a existência de uma inteligência superior e, como dito acima, ESTA INTELIGÊNCIA SUPERIOR É A CAUSA PRIMÁRIA DE TODAS AS COISAS, QUALQUER QUE SEJA O NOME PELO QUAL O HOMEM A DESIGNE.

Diante de todo o exposto passamos, então, a indagar: O homem pode compreender a natureza íntima de Deus? Trata-se da questão número 10 de O Livro dos Espíritos.

Allan Kardec, Espírito preparado nas Esferas Superiores para desenvolver seu Ministério na Terra à frente da Codificação Espírita, um Espírito Familiar ao Espírito da Verdade (aquele que "veio como outrora". Podemos inferir é JESUS CRISTO), propõe a questão acima, onde os Espíritos respondem: NÃO. FALTA-LHE, PARA TANTO, UM SENTIDO.

Como Espíritos encarnados na Terra somos dotados de cinco sentidos: tato, olfato, audição, visão e paladar. Ora, se nos falta UM SENTIDO, quando obteremos o mesmo para compreender a NATUREZA ÍNTIMA de Deus e mesmo o mistério da Divindade?

Os Espíritos explicam-nos que somente quando o “[..] espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, TIVER SE APROXIMADO DELA, então a VERÁ E COMPREENDERÁ”.

A Misericórdia Divina conosco tem relação íntima com a NOSSA IGNORÂNCIA. É que Deus e os seus Ministros sabem que “a inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade o homem a confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida que o seu senso moral se desenvolve, seu pensamento penetra melhor o fundo das coisas e ele faz, então, a seu respeito, uma ideia mais justa e mais conforme com a boa razão, embora sempre incompleta”.

Contudo, o bom senso, a razão, nos mostra que podemos ter uma ideia de algumas das perfeições de Deus, à medida que nos elevamos sobre a matéria, e, isto, o fazemos por meio do pensamento. O grande problema daqueles que se julgam uma “grande obra do acaso” é que estão IMANTADOS NA MATÉRIA. Não conseguem desvencilhar do que os seus pobres 05 sentidos se lhes apresenta. Acreditam que TUDO está relacionado com tais sentidos, os quais respondem a todas as indagações.

No Capítulo II do Evangelho Segundo o Espiritismo, item 5, aprendemos que “para aquele que se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é infinita, a vida corporal não é mais do que rápida passagem, uma breve permanência num país ingrato. As vicissitudes e as tribulações da vida são apenas incidentes que ele enfrenta com paciência, porque sabe que são de curta duração e devem ser seguidos de uma situação mais feliz”.

Por outro lado, concentrando os seus pensamentos na vida terrena, incerto do porvir, o ser humano dedica-se inteiramente ao presente, não entrevendo bens mais preciosos que os da terra, portando-se como criança que nada vê além de seus brinquedos e tudo faz para os obter. E, mesmo ante a tal comportamento, vemos a Misericórdia Divina espalhar-se de maneira indizível. DEUS AMA A TODOS NA MESMA INTENSIDADE E DE IGUAL MODO. Ninguém sendo mais ou menos importante na Obra da Criação.

Aprendemos com o Apóstolo Paulo em 1Coríntios, 3:19, que “a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia [...]”. Portanto, não podemos acreditar abranger tudo e devemos compreender que acima da inteligência do ser humano mais inteligente há coisas para as quais nossa linguagem, ideias e sensações, não dispõem de expressões.

Contudo, é importante lembrar o nosso tamanho real quando pensamos em nossas imperfeições e na verdade que Deus não está sujeito a nenhuma vicissitude ou possuir qualquer imperfeição que a imaginação é capaz de conceber. Por tudo isto, Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso e soberanamente justo e bom.

Deus não é resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas, pois, assim seria efeito e não causa; Deus não é resultante de todos os corpos da natureza, todos os seres, todos os globos, os quais constituiriam partes da Divindade, pois, isso é apenas orgulho humano: uma vez não podendo ser Deus, o ser humano que ser ao menos uma parte de Deus;

 

Concluímos com Kardec:  “Não sabemos tudo o que Ele é, mas sabemos aquilo que não pode ser, e este sistema está em contradição com as suas propriedades essenciais, pois confunde criador com a criatura, precisamente como se quiséssemos que uma máquina engenhosa fosse parte integrante do mecânico que a concebeu”.


“A inteligência de Deus se revela nas suas obras, como a de um pintor no seu quadro; mas as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou”.



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