O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 24

– III POVOAMENTO DA TERRA. ADÃO – IV DIVERSIDADE DAS RAÇAS HUMANAS – V PLURALIDADE DOS MUNDOS (Q: 50 a 58)

Muitos missionários se debruçaram sobre as escrituras para lhes dar interpretações consoladoras. Sem dúvida, há uma diversidade de textos, livros e obras ricos em informações, aos quais devemos examinar e reter-lhes a essência reveladora. No entanto, nenhuma outra esboçou a síntese desse conhecimento missionário e esclareceu a palavra legando uma emancipação espiritual a quem tem ouvidos de ouvir e olhos de ver como a Codificação Espírita.

Em nenhum momento Allan Kardec declarou que trazia algo novo, afirmando, por outro lado, em diversas oportunidades, que o Espiritismo existe e está presente desde os primórdios, cuja revelação emancipadora não era, como outrora, personificada em um indivíduo.

Cumprindo a promessa de Jesus Cristo chegou à Terra o CONSOLADOR. Presidido pelo ESPÍRITO DA VERDADE, os Espíritos do Senhor, as virtudes dos céus, um imenso exército se movimentou espalhado como estrelas cadentes sobre toda a superfície da Terra. Seu objetivo: restabelecer o verdadeiro sentido de todas as coisas, dissipando trevas, confundindo orgulhosos, glorificando justos (ESE, prefácio).

Na obra A Gênese, capítulo XI, item 35, Kardec trata da emigração e imigração dos espíritos. No item 38 reporta-se à Raça Adâmica nesses termos: “Segundo o ensino dos Espíritos, é uma dessas grandes imigrações, ou se assim o quisermos, uma dessas colônias de Espíritos. Vindos de outra esfera, que deu nascimento à raça simbolizada na pessoa de Adão, a qual por essa razão é denominada raça adâmica”.

Assim como Jesus disse aos seus apóstolos não vim destruir a lei, os Espíritos, no capítulo I do Evangelho Segundo o Espiritismo, também disseram: NÃO VIM DESTRUIR A LEI. Portanto, ao tratar de Adão e abordar o tema, Kardec, segundo o ensino dos Espíritos, interpreta corretamente o texto bíblico, restabelecendo o seu verdadeiro sentido, dissipando trevas (dissipando dúvidas; explicando os símbolos).

A respeito do povoamento da Terra, bem como sobre Adão, escreveu o Codificador: “[...] As leis da Natureza contradizem a opinião de que os progressos da Humanidade, constatados muito tempo antes de Cristo, se tivessem realizado em alguns séculos, como o teria de ser, se o homem não tivesse aparecido senão depois da época assinalada para a existência de Adão. Alguns, e com muita razão, consideram Adão como um mito ou uma alegoria, personificando as primeiras idades do mundo”.

Na obra A Caminho da Luz, capítulo 2, A vida Organizada, Emmanuel, falando sobre os antepassados do homem, diz: “Onde está Adão com a sua queda do paraíso? Debalde nossos olhos procuram, aflitos, essas figuras legendárias, com o propósito de localizá-las no espaço e no tempo. Compreendemos, afinal, que Adão e Eva constituem uma lembrança dos Espíritos degredados na paisagem obscura da Terra. Como Caim e Abel são dois símbolos para a personalidade das criaturas” (pg. 23).

E, para os que defendem a evolução humana advinda dos símios, o benfeitor prossegue na mesma obra (pg. 24): “Reportando-nos, todavia, aos eminentes naturalistas dos últimos tempos, que examinaram meticulosamente os transcendentes assuntos do evolucionismo, somos compelidos a esclarecer que não houve propriamente uma descida da árvore, no início da evolução humana”.

Sobre as raças adâmicas, Emmanuel, na obra antes referida, no capítulo 3, tratará do sistema de Capela e, a certa altura, sobre Um Mundo em Transições, vai esclarecer: “Há muitos milênios, um dos orbes da Capela, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. As lutas finais de um longo aperfeiçoamento estavam delineadas [...]. Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade, que fizera jus à concórdia perpétua, para a edificação dos seus elevados trabalhos”.

E prossegue: “As grandes comunidades espirituais, diretoras do cosmos, deliberam, então localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores [...] Foi assim que Jesus recebeu, à luz do seu reino de amor e de justiça, aquela turba de seres sofredores e infelizes”.

E tratando dos quatro grandes povos da Terra, principalmente sobre as raças adâmicas, dirá Emmanuel: “As raças adâmicas guardavam vaga lembrança da sua situação pregressa, tecendo o hino sagrado das reminiscências. As tradições do paraíso perdido passaram de gerações a gerações, até que ficassem arquivadas nas páginas da Bíblia. Aqueles seres decaídos e degredados, à maneira de suas vidas passadas no mundo distante da Capela, com o transcurso dos anos, reuniram-se em quatro grandes grupos que se fixaram depois nos povos mais antigos, obedecendo às afinidades sentimentais e linguísticas que os associavam na constelação do Cocheiro. Unidos, novamente, na esteira do tempo, formaram desse modo o grupo dos árias, a civilização do Egito, o povo de Israel e as castas da Índia”.

Aprendemos com Emmanuel na obra A Caminho da Luz que o grupo dos árias compreende os latinos, os celtas, os gregos, os germanos e os eslavos. As mensagens reunidas no que se compreendeu por denominar-se A Bíblia é nada menos que as promessas do Cristo, tendo em vista que as raças adâmicas, isto é, os degregados de Capela, ouviram a palavra do Divino Mestre antes de se estabelecerem no mundo.

Jesus, por sua vez, as fortaleceu no seio das massas por meio de seus missionários e mensageiros e, é por isso, que as epopeias do Evangelho foram previstas e cantadas alguns milênios antes da vinda do sublime Emissário. As vozes bradaram na China milenária e nas profecias do Egito. A pérsia idealizou sua trajetória e a Índia védica conhecia quase toda sua história evangélica. O povo de Israel cantou suas glórias divinas.

Torturados pelo exílio na Terra, a alma orgulhosa dos judeus, inadaptados e revoltados num mundo que não os compreendia, registraram nas páginas do Antigo Testamento suas dores, como é exemplo as lendas sobre a Torre de Babel.

Moisés um médium extraordinário, iniciado e educado aos pés de Termútis, recebe dos emissários do Cristo, no Sinai, os dez sagrados Mandamentos que representam, hoje, a base de toda a justiça no mundo, legando à humanidade, antes de seu desencarne, as tradições no Pentateuco, iniciando a construção da mais elevada ciência religiosa de todos os tempos.
Os livros dos profetas israelitas, saturados de palavras enigmáticas e simbólicas, juntamente com o Antigo Testamento, é um repositório de conhecimentos secretos dos iniciados do povo judeu, que somente os grandes mestres da raça poderiam interpretá-lo fielmente, nas épocas mais remotas.

A par do Evangelho, está o Velho Testamento tocado de clarões imortais para a visão espiritual de todos os corações, que constitui, não obstante a palavra rude e primitiva de Moisés, o grande alicerce do aperfeiçoamento moral do mundo.

No Livro A Gênese vamos encontrar no item 39 da Capítulo XI que “a doutrina que faz originar todo o gênero humano de uma só individualidade, após seis mil anos, não é admissível no estado atual dos conhecimentos. As principais considerações que a contradizem, deduzidas da ordem física e da ordem moral, se resumem nos pontos seguintes. Do ponto de vista fisiológico [...] há diferenças que não são evidentemente efeito do clima [...], os caracteres fisiológicos das raças primitivas são o índice evidente de que elas provêm de tipos especiais. As mesmas considerações existem, pois, para o homem como para os animais, quanto à pluralidade das origens ou troncos. Adão e seus descendentes são representados na Gênese como homens essencialmente inteligentes, pois que desde sua segunda geração constroem cidades, cultivam a terra, trabalham os metais. Seus progressos nas artes e nas ciências são rápidos e duradouros. Não se conceberia que tivessem como descendentes, povos tão numerosos e tão atrasados, de inteligência tão rudimentar, que ainda em nossos dias ombreiam com a animalidade. [...]. Uma diferença tão radical nas aptidões intelectuais e no desenvolvimento moral atestam, como não menos evidência, uma diferença de origem. [...] Sem falar da cronologia chinesa, que remonta, segundo se diz, a trinta mil anos, documentos mais autênticos atestam que o Egito, a Índia e outros países eram povoados e florescentes, pelo menos três mil anos antes da era cristã; mil anos, portanto, depois da criação do primeiro homem, segundo a cronologia bíblica”.

Tecendo sua abordagem acerca da Doutrina dos Anjos Decaídos e do Paraíso Perdido Alla Kardec esclarecerá em A Gênese, item 43 e seguintes do Capítulo XI que “os mundos progridem fisicamente pela elaboração da matéria, e normalmente pela purificação dos Espíritos que o habitam”. A felicidade existirá em razão da predominância do bem sobre o mal, resultado do progresso moral dos Espíritos e, aqueles que, apesar de sua inteligência e de seu saber, perseverarem no mal, em sua revolta contra Deus e suas leis, tornar-se-ão um entrave ao progresso moral posterior, causando permanentes dificuldades ao repouso e felicidade dos bons. É por isso, dizem os Espíritos, são excluídos e enviados a mundos menos adiantados onde expiarão, numa série de existências penosas e duro trabalho, suas faltas passadas e seu endurecimento voluntário.

Diante disto, deduz-se do texto bíblico que, os Espíritos degredados são, no meio de povos ainda na infância da barbárie, anjos ou Espíritos decaídos enviados em expiação, sendo a Terra da qual foram expulsos um paraíso perdido, bem como um lugar de delícias, da qual conservam vaga lembrança intuitiva.

A raça adâmica, dirá Kardec, tem toda a característica de uma raça proscrita, cujos Espíritos que dela fazem parte exilados sobre a Terra, a qual já era povoada por homens primitivos, donde se poderá compreender que terá razão as palavras: “Tirarás teu alimento com o suor de teu rosto”.

Analisando o progresso atual da Terra, cujos labores usam tecnologia e conhecimento científico em quase a totalidade do globo, habitar outro orbe em estado primitivo é, sem dúvida, ser expulso do paraíso de delícias.

E analisando pelo ponto de vista doutrinário espírita, não houvesse a reencarnação, não houvesse ancestrais da figura denominada Adão, supondo que a alma de cada homem fosse criada com o nascimento, qual seria a necessidade de um Salvador? Que finalidade teria a missão do Cristo?

Assim sendo, concluindo esta parte com Allan Kardec: “A doutrina vulgar do pecado original implica, pois, a necessidade de uma relação entre as almas do tempo do Cristo com as do tempo de Adão e, por conseguinte, a reencarnação. (item 46).

Retomando em O Livro dos Espíritos, questiona o Codificador aos Espíritos: A espécie humana começou por um só homem? Podemos saber em que época viveu Adão? (Q. 50/51). Em resposta teremos: Não; aquele que chamais Adão não é o primeiro nem o único a povoar a Terra, todavia, o homem cuja tradição se conservou sob o nome de Adão viveu na época assinalada nas escrituras: cerca de 4 mil anos antes de Cristo. (Os Espíritos confirmam a Gênese mosaica).

Sobre a diversidade das Raças Humanas os Espíritos vão esclarecer que as diferenças físicas e morais que distinguem as raças humanas na Terra advém do clima, da vida e dos hábitos, uma vez que o homem surgiu em muitos pontos do globo e em diversas épocas, causando a diversidade de raças que, aliando-se umas às outras, formaram-se novos tipos. Mas, as diferenças não representam distinção das espécies, eis que todos pertencem à mesma família, como se fosse as variedades de um mesmo fruto. Não há procedência de um mesmo tronco humano, todos os homens são irmãos em Deus, animados pelo espírito e tendendo ao mesmo alvo.

Sobre a pluralidade dos mundos os Espíritos ensinam que o homem terreno está longe de ser o primeiro em inteligência, bondade e perfeição, havendo uma diversidade de mundos povoados de seres vivos concorrendo para o objetivo final da Providência, cuja constituição física não se assemelha em absoluto, pois, as condições de existência dos seres nos diferentes mundos devem ser apropriadas ao meio em que têm de viver. Exemplo disso é a variedade de formas de vida e de habitats no próprio planeta Terra. 

Quanto às diversas Moradas na Casa de Meu Pai, consta do Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo III, que existem, relativamente, mundos superiores e inferiores, sendo alguns primitivos, outros de expiações e provas, os regeneradores, felizes e segue-se, então, à uma infinita progressão. Disse-nos Santo Agostinho em Parias no ano de 1862: “[...] A Terra, seguindo essa lei, esteve material e moralmente num estado inferior ao de hoje, e atingirá, sob esses dois aspectos (moral e material) um grau mais avançado. Ela chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de mundo expiatório a mundo regenerador. Então os homens encontrarão nela a felicidade, porque a lei de Deus a governará”.

Do exposto conclui-se que não há contradição alguma entre a Gênese mosaica e a Codificação Espírita, pois, que esta última vem esclarecer os símbolos e os enigmas daquela. O surgimento da figura de Adão é produto da lembrança dos Espíritos que imigraram de outro orbe para concluírem uma parte de seu processo evolutivo na Terra, assim considerados anjos decaídos, e, por tal motivo, em razão do estado primitivo do planeta quando aqui chegaram, suas lembranças fizeram surgir o que se acostumou a pensar como a existência de um paraíso perdido. Devido à ausência da evolução tecnológica e científica a que estavam acostumados, principalmente no que se refere ao próprio sustento (hoje compramos nossos alimentos em supermercados), vê-se razão na determinação de que teriam que tirar o próprio sustento com o suor do rosto.

Bibliografia:
KARDEC, Allan. A Gênese. Brasília: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Brasília: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Brasília: FEB, 2014.
XAVIER, Francisco C. A Caminho da Luz. Por Emmanuel. Brasília: FEB, 2015.

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