ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS LIVRO PRIMEIRO - IV Capítulo – PRINCÍPIO VITAL - PARTE 26

I – SERES ORGÂNICOS E INORGÂNICOS (Questões: 60 a 67-a)

“Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida; nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atos da vida e apropriados às necessidades da sua conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas. Os seres inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais, a água, o ar, etc.”.


De nosso ponto de vista, pensamos que o Codificador considerava o “fenômeno das mesas girantes” ao formular esse conjunto de questões. Vejamos a questão 66 onde os espíritos esclarecem que “o movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento, não o produz”.

Satisfazia, portanto, às primeiras observações de Allan Kardec que ao ser informado sobre o dito fenômeno afirmou que acreditaria nas opiniões populares de que as “mesas eram interrogadas e falavam” quando lhes provassem que tinha os órgãos necessários para essa ação, tal e qual os seres humanos. Para o Professor Rivail os observadores tomavam um efeito pela causa.

Voltando ao objeto do estudo de hoje, vimos que o primeiro questionamento feito aos Espíritos foi quanto à força que une os elementos materiais nos corpos orgânicos e inorgânicos. Não se falou, ainda, na vida dos elementos orgânicos. A resposta foi que tanto um quanto o outro são regidos por uma Lei Divina: a Lei de Atração. Assim sendo, é importante lembrar que Kardec sempre ao questionar os Espíritos tinha em mente a Ciência e a Filosofia. Nada era aceito cegamente, tudo era estudado sob o crivo da razão.

Neste caso, ao tratar da Lei de Atração, os Espíritos resolviam, de certa maneira, as contradições teóricas até então formuladas. Lembramos, por exemplo, o atomismo, uma filosofia natural que se desenvolveu em várias tradições antigas. Os atomistas teorizaram que a natureza consiste em dois princípios fundamentais: átomo e vazio e vêm em uma variedade infinita de formas e tamanhos, cada uma delas indestrutíveis e imutáveis, cercadas por um vazio onde colidem com os outros ou se reúnem formando arranjos. O aglomerado de diferentes formas, arranjos e posições dão origem a várias substâncias macroscópicas no mundo. Referências ao conceito de atomismo e seus átomos são encontrados na Índia Antiga onde se desenvolveram teorias sobre como se combinavam para formar objetos mais complexos, Grécia Antiga e no Ocidente.

Muito antes de Cristo e da evolução científica atual, diversos espíritos encarnados na Terra perceberam as Leis Naturais (Leis Divinas) e as propagaram conforme o conhecimento lhes permitia. Como está colocado na questão 64, Allan Kardec lembra que o espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. Os Espíritos esclarecem que a União dos elementos materiais nos corpos ocorre pela atração. Depois veremos que atração ocorre pela afinidade.

O que compreender então quando os Espíritos afirmam que a Lei de Atração une tanto elementos orgânicos quanto não orgânicos? Que não há diferença entre a matéria que forma cada um? Que o próprio princípio vital tem fonte nas modificações da matéria universal, não é elemento primitivo e é como o oxigênio e o hidrogênio, procedendo do mesmo princípio?

Lembramos aqui um conceito de Allan Kardec, citado na Obra Evolução em Dois Mundos, indicado pelo autor Espiritual André Luiz: “[...] no conhecimento do perispírito está a chave de inúmeros problemas até hoje insolúveis”. (Livro dos Médiuns – Cap. I, item 54, FEB).

Na mesma obra Evolução em Dois Mundos o benfeitor espiritual Emmanuel, no prefácio, afirma que o corpo espiritual ou perispírito é debatido pela Filosofia e Religião, mas, a humanidade já lhe reconheceu a existência como organismo sutil ou mediador plástico, entre o espírito e o corpo carnal.

André Luiz, autor espiritual desse livro, iniciará o primeiro capítulo falando sobre o plasma divino – o fluído cósmico, que é elemento primordial, onde vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano.

Esclareceu, também, sobre a cocriação no plano maior onde as Inteligências Divinas, sob o comando de Deus, a Ele agregadas em processo de comunhão indescritível, extraem do fluído cósmico as vastas quantidades de energias com que constroem os sistemas da imensidade, como agentes orientadores da Criação excelsa. O mesmo ocorre com as forças atômicas, corpúsculos erguidos sob a irradiação da mente, cuja infinidade de multiplicidade e configuração é de impossível descrição para o autor espiritual. Tais forças se unem sob a pressão de ondas eletromagnéticas, espiritualmente dirigidas pelos arquitetos divinos (Cristos). Tanto no plano microscópico quanto no macroscópico.

Quando se fala sobre o princípio vital no capítulo estudado de O Livro dos Espíritos, não há associação com a inteligência. Fala-se da vida, como um EFEITO PRODUZIDO PELA AÇÃO DE UM AGENTE SOBRE A MATÉRIA. Esse agente sem matéria não é vida. A matéria sem esse agente não poderá viver.

Prestemos atenção na seguinte frase dita pelos Espíritos Codificadores: “É ele (princípio vital) que dá vida a todos os seres, QUE O ABSORVEM E ASSIMILAM”. Portanto, nem toda matéria absorverá e assimilará o princípio vital. Contudo, toda matéria conhecida é derivada do fluído cósmico universal. Com suas infinitas multiplicidades e configurações a formação da matéria é controlada pelas Inteligências Divinas. Destarte, o princípio vital também é unido à matéria pela Lei de Atração, sob a pressão de ondas eletromagnéticas, cujo controle é exercido pelos Arquitetos Divinos.

Interessante para o estudo é a relação mantida da Obra Evolução em Dois Mundos com o Livro dos Espíritos, principalmente no que tange à questão 65, onde a pergunta é: - O princípio vital reside num dos corpos que conhecemos? Resposta: Ele tem como fonte o fluído universal; é o que chamais fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o liame entre o espírito e a matéria.

Lembramos, ainda, que o termo perispírito foi conceituado no item VI da Introdução de O Livro dos Espíritos como "O laço [...] que une o corpo e o Espírito. Uma espécie de envoltório semimaterial".

Aprendemos com André Luiz que o princípio inteligente se desenvolve em dois mundos. Que os reinos mineral, vegetal, animal, humano e angelical são lócus para o estágio do princípio inteligente. Aprendemos na questão 540 de O Livro dos Espíritos que “[...] tudo serve, que tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo. Admirável lei de harmonia [...]”.

O movimento da matéria é o mesmo para todos os seres orgânicos, modificados segundo as espécies e não é vida, pois, a matéria o recebe e não o produz. Por outro lado, o agente vital ou princípio vital também não é vida.

Conclui-se que a VIDA SÓ SURGE A PARTIR DA UNIÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA COM O PRINCÍPIO VITAL, pois, há vitalidade neste antes da união com o corpo, porém, não há vida. Somente esse conjunto e com o funcionamento dos órgãos (corpo) é que desenvolverá a vitalidade (atributo) contida no princípio vital.

Arrematamos com a precisão do Codificador no comentário após a questão 67-a:

“O conjunto de órgãos constitui uma espécie de mecanismo, impulsionado pela atividade íntima ou princípio vital que neles existe. O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo em que o agente vital impulsiona os órgãos, a ação destes entretêm e desenvolve o agente vital, mais ou menos como o atrito produz o calor”.

Referência Bibliográfica:
XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em dois mundos. Pelo Espírito André Luiz. Brasília: FEB, 2013.

Nenhum comentário:

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – PARTE 82

– CAP. IX – INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO – XI – DOS PACTOS – (Questões: 549 a 550) – Paira em torno do Esp...