ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS - PARTE 34

Capítulo I – DOS ESPÍRITOS - VI – ESCALA ESPÍRITA – 

(Questões: 100 a 113)

“[...] perante as forças da Natureza, o homem é um pigmeu, semelhante a cachorrinhos que ladram inutilmente contra tudo que os possa amedrontar”.
(Allan Kardec, RE 1858, Ano I, Janeiro).


No ano de 1858, a Revista Espírita, um Jornal de Estudos Psicológicos, no seu primeiro ano, na segunda edição, precisamente no mês de fevereiro, publica um artigo com o seguinte título: Diferentes Ordens de Espíritos.

Allan Kardec inicia sua dissertação com uma informação muito importante:
“Um ponto capital na Doutrina Espírita é o das diferenças que existem entre os Espíritos, sob o duplo ponto de vista intelectual e moral”. (RE, 1858, pg. 71).

Não menos intrigante é sua afirmação acerca do ensino invariável dos Espíritos quanto às suas diferentes ordens:
“[...] eles não pertencem eternamente à mesma ordem e que, em consequência, essas ordens não constituem espécies distintas. São diferentes graus de desenvolvimento”. (grifo nosso - RE, 1858, pg. 71).

O Codificador informa nesta edição da Revista Espírita que “A classificação dos Espíritos baseia-se no grau de adiantamento deles, nas qualidades que já adquiriram e nas imperfeições de que terão ainda que despojar-se. Esta classificação, aliás, nada tem de absoluta; apenas no seu conjunto cada categoria apresenta caráter definido. De um grau a outro a transição é insensível e, nos limites extremos, os matizes se apagam, como nos reinos da Natureza, nas cores do arco-íris como nos diferentes períodos da vida do homem”. (RE, 1858, pg. 71).

Assim sendo, temos aqui um ponto capital quanto às diversas ordens de Espíritos, pois, nos ensina Allan Kardec que “podem, pois, formar-se maior ou menor número de classes, conforme o ponto de vista donde se considere a questão. Dá-se aqui o que se dá com todos os sistemas de classificação científica, os quais podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais e mais ou menos cômodos para a inteligência.”. (RE, 1858, pg. 72).

Nesse esclarecedor artigo apresenta-se o método científico utilizado para classificação dos Espíritos (RE, 1858, pg. 72). Asseverou Kardec:
“Linieu, Jussieu e Tournefort tiveram cada um o seu método, sem que a Botânica, em consequência, houvesse experimentado qualquer modificação. É que nenhum deles inventou as plantas, nem seus caracteres. Apenas observaram as analogias, segundo as quais formaram os grupos ou classes. Foi assim que também procedemos. Não inventamos os Espíritos, nem seus caracteres; vimos e observamos, julgamo-los pelas suas palavras e atos, depois os classificamos pelas semelhanças. É o que cada um teria feito em nosso lugar”. (grifo nosso - RE, 1858, pg. 72).

Desta afirmativa feita pelo Codificador, somos levados a reproduzir outra referente à qualificação científica dada ao Espiritismo, também contida na RE de 1858, porém, no mês de Janeiro:
“Talvez nos contestem a qualificação de ciência, que damos ao Espiritismo. Certamente não teria ele, em nenhum caso, as características de uma ciência exata, e é precisamente aí que reside o erro dos que os pretendem julgar e experimentar como uma análise química ou um problema matemático; já é bastante que seja uma ciência filosófica. Toda ciência deve basear-se em fatos, mas os fatos, por si sós, não constituem a ciência; ela nasce da coordenação e da dedução lógica dos fatos: é o conjunto de leis que os regem. [...] as observações já são hoje bastante numerosas para nos permitirem deduzir, pelo menos, os princípios gerais, onde começa a ciência”. (RE 1858, pg. 23).

Quando tratarmos de qualquer tema relacionado ao Espiritismo é bom refletir sobre a afirmação do Codificador sobre as invenções que acompanham o progresso do espírito humano:
“Sua causa é tão velha quanto o mundo e os seus efeitos devem ter-se produzido em todas as épocas. O que testemunhamos, hoje, portanto, não é uma descoberta moderna: é o despertar da Antiguidade, desembaraçada do envoltório místico que engendrou as superstições”. (RE 1858, pg. 24).

Advertindo ao nosso leitor que as questões 100 a 113 são elucidativas e muito claras da forma como foram dispostas pelo Codificador que aqui pretendemos trazer outras informações que podem se tornar útil a um estudo sério e aprofundado sobre o tema. É o caso das Diferentes Naturezas das Manifestações. Kardec resumiu as manifestações dos Espíritos classificando-as da seguinte maneira (RE, 1858, pg. 28):
   a)     Ação oculta (inspirações e sugestões de pensamentos, avisos íntimos e a influência sobre acontecimentos);
    b)     Ação patente ou manifestação (pode ser apreciadas de uma maneira qualquer);
   c)      Manifestações físicas ou materiais (se traduzem por fenômenos sensíveis como ruídos, movimento e deslocamento de objetos com a finalidade de chamar a atenção para algo ou convencer da presença);
    d)     Manifestações visuais ou aparições (o Espírito se mostra sob uma forma qualquer diferente da matéria conhecida);
    e)     Manifestações inteligentes (revelam um pensamento mesmo em se tratando de movimento ou ruído, acusando certa liberdade de ação, respondendo a um pensamento ou a uma vontade);
     f)       As comunicações (objetiva trocar ideias entre homens e Espíritos; Estas podem ser frívolas, grosseiras, sérias ou instrutivas).

Todas estas manifestações consideram o grau de elevação dos Espíritos. E, por isso o Codificador instrui:
“Somente pela regularidade e frequência das comunicações é que se pode apreciar o valor moral e intelectual dos Espíritos com os quais nos entretemos, assim como o grau de confiança que merecem. Se é preciso ter experiência para julgar os homens, mais ainda será necessário para julgar os Espíritos”. (RE, 1858, pg. 30).

PROFETAS DE BAAL AO TEMPO DE ELIAS

Sob o título: Médiuns Julgados, ainda na Revista Espírita, aquela que Allan Kardec chamou de Tribuna Livre, vieram, também, importantes elucidações acerca do intercâmbio entre o mundo moral e material.
Certo periódico ofereceu em dada oportunidade uma importância em dinheiro a título de prêmio para a pessoa que, satisfazendo certo número de professores da Universidade de Cambridge, reproduzisse os “fenômenos misteriosos que os espiritualistas afirmavam ser produzidos por meio de agentes denominados médiuns”. (RE, JAN./1858, pg. 49).

Os testes, como depreendemos da Revista Espírita, foram os seguintes:
    1.       Revelação pelo médium de uma palavra confiada apenas aos Espíritos em um quarto vizinho;
    2.      Ler uma palavra inglesa escrita no interior de um livro ou sobre uma folha de papel dobrada;
    3.      Apresentar uma resposta a uma questão que só as inteligências superiores são capazes de fazê-lo;
    4.      Fazer ressoar um piano sem o tocar ou mover-se uma mesa de um só pé sem o auxílio das mãos;
    5.      Apresentar qualquer fenômeno que a comissão pudesse considerar como equivalente às provas propostas, cuja produção fosse por meio de um Espírito ou que implicasse tal intervenção;
    6.      Realizar um fenômeno até então desconhecido pela ciência ou cuja causa não fosse prontamente identificável pela comissão.

Nenhum daqueles que se propuseram executar tais determinações foram felizes. Dessa forma o Codificador enfatizou:
“Essa experiência prova, uma vez mais, da parte de nossos adversários, a absoluta ignorância dos princípios sobre os quais repousam os fenômenos das manifestações espíritas. Entre eles há a ideia fixa de que tais fenômenos devem obedecer à vontade e reproduzir-se com a precisão de uma máquina. Esquecem completamente ou, melhor dizendo, não sabem que a causa deles é inteiramente moral e que as inteligências, que lhes são os agentes imediatos, não obedecem ao capricho de ninguém, sejam médiuns ou outras pessoas. Os Espíritos agem quando e na presença de quem lhes agrada; frequentemente, quando menos se espera é que as manifestações ocorrem com mais vigor, e quando as solicitamos elas não se verificam”. (RE JAN./1858, pg. 50/51).

Desta forma, podemos perceber que entre os Espíritos encarnados e os Espíritos desencarnados há perfeita sintonia, pois, muitos possuem inteligência, mas não possuem elevação moral. Vários são bons, mas, não transformaram o conhecimento em sabedoria. Tais tentativas de controlar a manifestação dos Espíritos provam o quanto é necessário estudar atentamente as sutis diferenças entre as ordens e classificação dos Espíritos. É que lá como cá, regra geral, há os Espíritos que pertencem à segunda e à terceira ordem, mas, não os há, exceto em missão (Jesus Cristo é um exemplo) daqueles da primeira ordem.

Remetemos o principiante espírita às questões 101 a 113 onde apreenderá os caracteres gerais dos Espíritos em suas diversas posições evolutivas, vez que Kardec os classificou em:
- Espíritos Imperfeitos; Impuros; Levianos; Pseudossábios; Neutros; Batedores e Perturbadores; Bons Espíritos; Benévolos; Sábios; Prudentes; Superiores e Espíritos Puros.

Evidenciamos que se todos nós que habitamos a Terra e sofremos a influência da matéria, não alcançamos superioridade intelectual e moral absoluta, certamente não percorremos todos os graus da escala evolutiva e não nos despojamos das impurezas da matéria. Assim sendo, estamos sujeitos a reencarnações sucessivas em corpos perecíveis. Não podemos, portanto, experimentar da prometida Vida Eterna no seio de Deus.

Uma vez mais destacamos que para saber a qual Ordem e Classe estamos pertencendo na atual encarnação:
“Volve ao teu templo interno abandonado
- À mais alta de todas as capelas –
E as respostas mais lúcidas e belas
Hão de trazer-te alegre e deslumbrado.

Ouve o teu coração em cada prece.
Deus responde em ti mesmo e te esclarece
Com a força eterna da consolação”.
Mensagem Fraterna
Auta de Souza (em fragmentos)
(Psic. Francisco C. Xavier)

Numa expressão: CONHEÇA-TE A TI MESMO!

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