O PLANO INIMIGO.... um cavalo de Tróia


Em 1867, por meio de um médium em profundo estado sonambúlico, Kardec ouviu dos espíritos uma longa narrativa profética dos planos traçados para tentar destruir o doutrina espírita. Desde os insultos e ameaças dos púlpitos até a difamação nos órgãos de imprensa, todos os esforços se voltariam contra a doutrina da liberdade. Mas um passo decisivo seria dado, revelou a profecia, quando os inimigos pensaram sobre o Espiritismo:

“Antes que ele não esteja inteiramente realizado, tratemos de desviá-lo em nosso proveito.” (Revista Espírita de 1867, página 167).

O plano estava mudado, ao invés de atacar o espiritismo de fora, imitando o episódio histórico do cavalo de Troia, agora a tentativa seria ataca-lo por dentro, por meio daqueles que participam do movimento de sua divulgação. Vejamos o que os espíritos disseram à Kardec:

“Vereis se formarem reuniões espíritas, cujo objetivo declarado será a defesa da doutrina, e o secreto será a sua destruição; supostos médiuns terão as comunicações de comando apropriadas ao oculto objetivo que se propõem; publicações que, sob o manto do espiritismo, se esforçarão por demoli-lo; doutrinas que lhe emprestarão algumas ideias, mas com o pensamento de suplantá-lo. Eis a luta, a verdadeira luta a ser sustentada, e que será perseguida com obstinação, mas da qual sairá vitorioso o mais forte.” (Idem, ibidem).
Essa profecia de 1867 foi um alerta para o futuro do movimento espírita. Falsas teorias, médiuns fascinados, deturpações e mistificações seriam incorporadas ao discurso das tribunas e letras dos artigos deturpando a mensagem original. [...] Os espíritos superiores avisaram aos participantes do movimento espírita de que seria fundamental seguir as orientações de Kardec na defesa do Espiritismo, como o alerta que o mestre fez em 1865:

 

“É um dever para todos os espíritas sinceros e devotados repudiar e desaprovar abertamente, em seu nome, os abusos de todos os gêneros que poderiam comprometê-la, a fim de não lhes assumir a responsabilidade. Pactuar com esses abusos seria tornar-se cúmplice e fornecer armas aos nossos adversários.” (Revista Espírita de 1865, p.20).


Kardec não entrava em polêmicas pueris, não dedicava seu tempo a tentar convencer quem não combatia o Espiritismo, não respondia cartas anônimas. Investia seu tempo em esclarecer os interessados, aqueles que desejavam compreender mais profundamente essa doutrina. E não fugia do debate quando os pontos fundamentais eram deturpados, ou os meios de comunicação anunciavam inverdades:

“Há polêmica e polêmica; e há uma diante da qual não recuaremos jamais, que é a discussão séria dos princípios que professamos. Entretanto, aqui mesmo há uma distinção a fazer; se não se trata senão de ataques gerais, dirigidos contra a Doutrina, sem outro fim determinado que o de criticar, e da parte de pessoas que têm um propósito de rejeitar tudo o que não compreendem, isso não merece que deles se ocupe.” (Revista Espírita de 1858, p. 199).

No século passado, [...] o filósofo Herculano Pires [...] tal como proposto por Kardec (fez) [...] um alerta consciente [...] na obra Curso Dinâmico de Espiritismo, diante das deturpações e desvios que ele via ocorrer no meio espírita de seu tempo, e, vale lembrar, fazendo eco à profecia de 1867 dada a Kardec que citamos acima:

“Todo espírita consciente de suas responsabilidades humanas e doutrinárias está no dever intransferível de lutar contra essas ondas de poluição espiritual que pesam na atmosfera terrena. Ninguém tem o direito de cruzar os braços em nome de uma falsa tolerância que os levará à cumplicidade. Os próprios e infelizes corifeus e propagadores dessas teorias ridículas são os mais necessitados de socorro. É legítima caridade repelir todas essas fantasias em nome da verdade, mesmo que isso magoe os companheiros iludidos.” (Idem, p. 98).

[...] Veja como Herculano alerta de forma enfática e sem rodeios:

“A tolerância comodista dos que veem o erro e se calam é crime que terá de ser pago no futuro. Quem pactua com o erro para não criar problemas está, sem o saber, enleando-se nas teias sombrias da mentira, compromissando-se com os mentirosos. [...]. Este é o momento grave da evolução terrena em que não podemos esquecer a advertência de Jesus: Seja o teu falar sim, sim; não, não. Multidões de criaturas foram sacrificadas no passado para que a Humanidade se libertasse de seus enganos e pudesse encontrar os caminhos limpos da verdade, ou seja, das coisas reais, verdadeiras, que nos conduzem ao saber e à liberdade. Se trairmos hoje, comodistamente, esses mártires inumeráveis, estaremos conspurcando a dignidade humana, cobrindo de lixo as sendas da verdade abertas pelo Cristo e agora reabertas pelo Espírito da Verdade através de Kardec.” (Idem, ibidem).

[...] Não existem, porém, professores e especialistas no Espiritismo. Não há quem se possa qualificar como tal. Diante da doutrina espírita somos todos estudantes! Todavia, uma divulgação consciente e adequada do Espiritismo só é possível depois de um estudo profundo de toda a obra de Kardec, incluindo seus livros, a coleção da Revista Espírita, além do conhecimento do contexto cultural francês do século 19, para que os artigos e hipóteses apresentadas por Kardec façam sentido hoje, pois os paradigmas das ciências mudaram muito nos últimos 150 anos.

[...] Herculano (Pires) [...] alerta:

“[...] o Espiritismo é o Grande Desconhecido dos próprios espíritas. [...] por causa dessa negligência imperdoável no estudo da doutrina, que os próprios adeptos se transformaram em eficientes instrumentos de combate ao Espiritismo. [...]. Se os espíritas conscientes não se dispuserem a uma tentativa de reconstrução, de reerguimento desse edifício em perigo, ficaremos na condição de nababos que desprezam as suas riquezas por incompetência para geri-las. Temos nas mãos a Ciência Admirável que o Espírito da Verdade propôs a Descartes e mais tarde confiou a Kardec. [...]Nós mesmos abrimos o portal da muralha e recolhemos, alegres e estultos, o Cavalo de Troia em nossa fortaleza inexpugnável.” (Curso Dinâmico de Espiritismo).

Texto adaptado para publicação nesse espaço. Você encontra a íntegra do artigo em: http://revolucaoespirita.com.br/kar...

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO SEGUNDO - PARTE 41


MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – CAPÍTULO III
RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL
 – II – SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO 
(Questões: 154 a 162)

“O abnegado benfeitor Emmanuel, em outra ocasião, questionado sobre o assunto, afirmou que o tempo ideal para a cremação do corpo, desocupado pelo inquilino ou pelo espírito que o habitava é de 72 horas, de vez que, além da chamada morte clínica, o espírito liberado, em muitos casos, ainda está em processo de mudança, retirando aos poucos os remanescentes da sua própria desencarnação”.


Ao encontrarmo-nos em reflexões profundas, na busca de quem somos e para onde vamos, muitos medos nos envolvem. É possível que Allan Kardec tenha sintetizado as angústias humanas na dúvida demonstrada através da questão formulada aos Espíritos Superiores.

O Codificador questiona se na separação entre alma e corpo há dor. Afirmam os Espíritos que NÃO há dor, mas, possíveis sofrimentos, os quais, quando ocorrem consolidam-se em prazer para o Espírito em razão do final de seu exílio.

Mas, é importante que não nos esqueçamos: “[...] a alma se desprende gradualmente e não escapa como um pássaro cativo subitamente libertado. Os dois estados se tocam e se confundem, de maneira que o Espírito se desprende pouco a pouco dos seus liames; estes se soltam e não se rompem”.


O QUE SABEMOS DEPOIS DE KARDEC?
 - O que liga o corpo físico ao Espírito é o perispírito.
- A morte é a destruição do corpo, mas, o perispírito fica intacto.
- Cessada a vida orgânica o corpo separa-se do perispírito.
- Quando o corpo morre o Espírito não se desprende subitamente. A separação é gradual, cuja lentidão é variável, conforme cada indivíduo.
- A demora ocorre para aqueles cuja vida foi toda material e sensual (pode ocorrer em dias, meses ou anos).
- A demora em desligar-se não quer dizer que exista vitalidade ou possibilidade de retorno à vida, mas, somente afinidade em razão à preponderância do Espírito sobre a matéria.
- Atividade intelectual e moral, a elevação de pensamentos é um começo de desprendimento e pode ocorrer mesmo durante a vida corpórea, quando chega a morte o desligamento é quase instantâneo.
- É em razão da afinidade com a matéria que o Espírito experimenta o horror da decomposição.

Aqueles que refutam a Lei da Reencarnação trazem a lume a passagem evangélica que diz: Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo...”. (Hebreus, 9:27).

Os Espíritos Superiores mostram A VERDADE CONTIDA NESTA Carta. Sendo o corpo humano uma veste, uma personalidade única, onde o Espírito “está”, posto que ainda não “é”. Isto é, nesta encarnação “estou” médico (a), engenheiro (a), advogado (a), ou qualquer outra função, mas, também, ESTOU INVESTIDO NA PERSONALIDADE ENCARNADA (hoje sou o Beto, depois que desencarnar eu descobrirei quem sou realmente).

Dizem os Espíritos: “[...] O corpo é uma máquina que o coração põe em movimento. Ele se mantém enquanto o coração lhe fizer circular o sangue pelas veias e para isso não necessita da alma”.

O Estudo sério de O Livro dos Espíritos nos esclarece que os Espíritos que desencarnam tem prazer em voltar ao estado em que é só Espírito, mas, também informa que essa sensação de prazer não é pertinente a todo e qualquer Espírito que desencarna, pois, aqueles que fizeram o mal com o desejo de fazê-lo estarão envergonhados do que fizeram. Para o justo é diferente. Ele sente-se aliviado de um grande peso porque não receia nenhum olhar reprovador.

É com o mesmo critério que se deve entender a afirmação de que o Espírito que retorna ao plano espiritual encontra aqueles com os quais se afeiçoa (os bons sintonizam-se com os bons e os maus sintonizam-se com os maus).

Os Espírito vê muitos que havia perdido o contato, os que estão na erraticidade e os encarnados que vai visitar, e, por fim, nas mortes violentas o desprendimento é mais lento.

Chegamos à conclusão que perdermos o hábito de velar os mortos e os enterrarmos imediatamente após o desenlace, pode perturbá-los, tendo em vista que a grande maioria de nós estamos, de certo modo, com mais afinidade com a matéria do que com o Espírito.

Na Obra “Lições de Sabedoria”, Capítulo 4, que tem o título: Corpo na Transição, suicídio e reencarnação, Marlene Nobre perguntou a Chico Xavier se o espírito sente os efeitos da cremação do corpo físico e quantas horas devemos esperar para efetuar a cremação, cuja resposta foi a seguinte:

“O abnegado benfeitor Emmanuel, em outra ocasião, questionado sobre o assunto, afirmou que o tempo ideal para a cremação do corpo, desocupado pelo inquilino ou pelo espírito que o habitava é de 72 horas, de vez que, além da chamada morte clínica, o espírito liberado, em muitos casos, ainda está em processo de mudança, retirando aos poucos os remanescentes da sua própria desencarnação”.

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO SEGUNDO – PARTE 40

MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL – 
I – A ALMA APÓS A MORTE.
 SUA INDIVIDUALIDADE.  VIDA ETERNA
 (Questões: 149 e 153.a)

Os indivíduos, em todos os tempos, sempre indagaram: Depois da morte, o que acontece? E, dessa forma, respostas foram dadas em meio a teorias diversas. A famosa teoria do TODO UNIVERSAL pretendeu elucidar, todavia, foi analisada na forma e não no fundo.


Questionando os Espíritos Codificadores Allan Kardec trouxe luzes ao assunto. Após a morte do corpo físico o Espírito retorna ao mundo Espiritual, sua verdadeira morada. Aqui na Terra, ao encarnar, o Espírito é um extraterrestre temporariamente habitando um corpo humano.

O Espírito é uma individualidade. Ao desencarnar isso se constata por meio da aparência que ostentou durante a última encarnação. Essa aparência é formada por um fluído extraído da atmosfera do próprio planeta. Sua estrutura plástica recebe o nome de perispírito.

A teoria do TODO UNIVERSAL terá lugar quando se referir ao CONJUNTO DOS ESPÍRITOS, como numa assembleia. A volta do Espírito para esse todo é o retorno de um indivíduo para o conjunto que forma junto às demais individualidades, as quais não perdem essa identidade jamais.

A comprovação da existência das individualidades ocorre pelas comunicações, o intercâmbio obtido pelas mais diversas formas. Cada individualidade mantém sua inteligência e qualidades próprias. A carne é perecível. O Espírito possui vida eterna.

Quando o Espírito puro atingir a perfeita pureza, terá, além da vida eterna, a felicidade eterna. O patrimônio que o Espírito leva é a lembrança do bem ou do mal que tenha realizado. O que fica na Terra, para o Espírito, será cada vez mais fútil à medida que se depura.


O Evangelho Segundo o Espiritismo, no Capítulo III, esclarece sobre os diferentes estados da alma na erraticidade. Erraticidade compreendendo sempre o mundo espiritual. Lá apresentará seu estado feliz ou infeliz. Espíritos culpados ficarão vagando nas trevas enquanto os felizes experimentarão a luz resplandecente. Enquanto o malvado é separado dos seus objetos de afeição e fica sozinho, o justo estará com aqueles a quem ama.

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – PARTE 39



CAPÍTULO II 
ENCARNAÇÃO DOS ESPÍRITOS
- III– MATERIALISMO –

(Questões: 147 e 148)

“Ouve a própria consciência, seja qual for a ideia religiosa a que te filias, e perceberás que nasceste para realizar o melhor”. (Emmanuel, Religião dos Espíritos, pg. 176, Edição FEB).


A queda sempre é humana. O estudo sério não leva o indivíduo ao materialismo. Se pensarmos na expressão de Jesus: “O homem é mais ingênuo que perverso”, certamente compreenderemos a constatação dos Espíritos Superiores sobre o fundo de sua afirmação na questão 148 de O Livro dos Espíritos: “O nada, aliás, os apavora mais do que eles se permitem aparentar, e os espíritos fortes são quase sempre mais fanfarrões do que valentes”.

O materialista, na verdade, possui um vazio que não consegue preencher. Indivíduos de ciência são levados ao materialismo em razão de seu orgulho, presunção e ausência de humildade, pois, creem saber tudo e não são capazes de perceber o óbvio: sua ciência não abarca tudo e a natureza, mais comum do que parece, lhes oculta verdades que não possuem capacidade intelectual e moral para saber.


Na maioria das situações, cientistas materialistas tiram falsas conclusões e consequências de seus estudos, abusando, inclusive, das melhores coisas que podem advir dos mesmos.

Sabemos que hoje, século XXI, existem curas para diversas doenças, remédios que seriam altamente seguros, tratamentos muito mais humanizados, dietas alimentares com qualidade para substituir uma variedade incomensurável de remédios, etc., mas o materialismo é guiado pela ganância e pela ambição. A ausência de amor ao próximo conecta-se à cegueira para as leis de causa e efeito, ação e reação, extraídas do “a cada um segundo suas obras”.

Contudo, o ser humano tem, instintivamente, a convicção de que tudo não se acaba para ele com a vida, apesar de se obstinar contra a ideia da vida futura. Chegado o momento do nivelamento universal, a morte, a alma questiona o que dela será...

Cabe-nos, ante o estado de coisas que observamos em nossos dias atuais, cuja oportunidade a alma, encarnada ou desencarnada, está tendo de mostrar qual é a sua essência, no mais sublime sentido de que “nada ficará oculto”, mantermos a certeza de que, como Espíritas, DEVEMOS REANIMAR NOSSAS ESPERANÇAS VACILANTES E NOS CONDUZIR AO CAMINHO DO BEM, EM RAZÃO DAS PERSPECTIVAS DE FUTURO.

GÊNESIS, PAULO DE TARSO, JOÃO E NÓS: A CAMINHO DA LUZ

Os antigos referiam-se à Criação usando expressões contendo uma ideia concreta, fazendo referência a evento que ocorreu pela primeira vez ...