A VERDADEIRA CARIDADE

No texto “Caridade com os Criminosos”, Elisabeth de França, em Havre, 1862, fala, no item 14, Capítulo XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, sobre a VERDADEIRA CARIDADE. 

Expressões referindo-se à “verdade” surgem no texto 04 (quatro) vezes. O texto aduz sobre perdão, misericórdia, indulgência, benevolência e, também, em IGUALDADE.

Quem são os criminosos? São CRIATURAS DE DEUS, diz o texto. Mas, e os demais? Uns, serão os VERDADEIROS DISCÍPULOS DA DOUTRINA DE DEUS. E tais discípulos são aqueles que praticam A PERFEITA FRATERNIDADE.

Esses discípulos verdadeiros sabem que Deus perdoa e é misericordioso com quem se arrepende dos seus atos, pois, até então, não conheciam a Deus. E para o ignorante será pedido menos, bem menos aos que se pretendem discípulos da Verdade.

Ora, se os criminosos e os infelizes merecem perdão e misericórdia, aqueles que não se julgam nessa condição carecem de INDULGÊNCIA, pois não param de pecar, eis que “há muitas ações que são crimes aos olhos do Deus de pureza, mas que o mundo não considera sequer como faltas leves”. 

Os discípulos verdadeiros, atualmente, praticam virtudes negativas e virtudes positivas:

a) Não julgam seus semelhantes (sejam criminosos e infelizes ou não);

b) Não recusam perdoar e comiserar-se com nenhuma criatura;

c) Dão esmolas acompanhadas de palavras de consolação;

d) São constantemente benevolentes para com o próximo;

e) Sabem que “muitas criaturas não necessitam de esmolas, e que palavras de amor, de consolação e de encorajamento conduzirão ao Senhor”; 

f) Consideram os criminosos como doentes muito necessitados;

g) Oram para esses infelizes dando-lhes assistência espiritual, a fim de que sejam tocados em seus corações e se arrependam de seus atos;

h) Consideram essa alma revoltada e transviada como um irmão que precisa aperfeiçoar-se como todos.

Predizendo a Era Nova Elisabeth de França declara que “aproximam-se os tempos [...] em que a grande fraternidade reinará sobre o globo”. 

Depreendemos do texto que a Terra é uma GRANDE UNIVERSIDADE. Filhos de um mesmo pai os grandes criminosos são, na verdade, instrutores, servem de ensinamento. Seus crimes são praticados devido à sua natureza inferior. Convivendo com eles somos levados à “prática das verdadeiras leis de Deus”. 

A IGUALDADE está na ação: NÃO DESPREZAR A NINGUÉM. Desta maneira TODOS SERÃO FELIZES. 

Portanto, podemos acabar com a onda de violência que parece reinar sobre a Terra. Cabe a cada um de nós PRATICARMOS VERDADEIRAMENTE AS LEIS DE DEUS.

Assim, os ensinamentos advindos da observação e convivência com os grandes criminosos não serão mais necessários. A VIOLÊNCIA CESSARÁ. A fraternidade reinará sobre a Terra.

E os nossos irmãos, que não compreenderam ainda as Leis Divinas, “serão dispersos pelos mundos inferiores, de acordo com suas tendências”. 

SÃO CHEGADOS OS TEMPOS!
Beto Ramos
Uberaba – MG, 31 de Dezembro de 2017.

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO SEGUNDO – PARTE 43

MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – CAPÍTULO IV – PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS
I – DA REENCARNAÇÃO
 II JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO
(Questões: 166 a 171)

“Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois Deus é o autor de todas as coisas. O sábio estuda as leis da matéria, o homem de bem as da alma, e as segue. O homem pode aprofundar tanto nas leis da matéria como nas leis da alma, porém, uma só existência não lhe é suficiente para isso”.
                                    (Questão 617 e 617.a de O Livro dos Espíritos).

Desde que começamos nossas reflexões acerca da Doutrina Espírita percebemos a impossibilidade de estudar as questões abordadas pelo Codificador apenas pelo modo sucessivo. À medida que evoluímos aprendemos que estas se encadeiam e são complementares. Não é saudável fechar questão sobre qualquer tema apenas lendo essa ou aquela resposta. É NECESSÁRIO APREENDER PELO CONJUNTO.

Como exemplo de nossa afirmação temos o tema ora abordado. Neste capítulo os Espíritos tratam da PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS. Quando cumprimos o segundo ensinamento do Espírito da Verdade, instruí-vos!, constatamos que se trata de um pilar da Doutrina Espírita: a vida não acaba com a morte do corpo físico, vige a lei da pluralidade das existências (assim como a pluralidade de mundos habitados).

O primeiro assunto será DA REENCARNAÇÃO. Então, nossa primeira indagação será: POR QUE MOTIVO, PARA QUE EU ME DECLARE ESPÍRITA, DEVO ACEITAR ESSE PILAR- a pluralidade das existências? A resposta será encontrada, também, nas questões 617 e 617.a de O Livro dos Espíritos, uma vez que A REENCARNAÇÃO É UMA LEI NATURAL, UMA LEI DIVINA!

Remetemos o leitor para o Evangelho de Nosso Senhor onde, questionado, o Mestre inesquecível REVELOU: “[...] se não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. [...] se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito. [...] necessário vos é NASCER DE NOVO. O vento sopra onde quer e ouves a sua voz, mas, não sabes de onde vem nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. Jesus – (JOÃO, 3:1-8). 

Insistimos no ensino de Jesus, pois, quando contou a parábola do banquete e do casamento, REVELOU muito sobre a necessidade da reencarnação. Trata-se do meio adequado para aquisição de experiência e depuração.

No entanto, quando nos encarnamos, ou nos preocupamos com trabalho e negócios ou nos voltamos para o mal, como Jesus havia predito: 

[...] Mas, eles não lhes deram atenção e saíram um para o seu campo, outro para os seus negócios. Os restantes, agarrando os servos, maltrataram-nos e os mataram. [...]”. - MATEUS, 22.5. 

Todavia, o PLANO DE DEUS está traçado desde a fundação do mundo. O casamento VAI acontecer e o banquete SERÁ realizado. Nesta parábola Jesus esclarece que muitos foram chamados, poucos os escolhidos, tendo em vista que nem todos tiveram olhos de ver e ouvidos de ouvir.

E, conforme o PLANO TRAÇADO, diz o Mestre: “O banquete de casamento está pronto [...] e reuniram todas as pessoas que puderam encontrar, [...] e a sala do banquete de casamento ficou cheia de convidados”. 

Lembrando que sempre tem alguém que se julga mais poderoso que o Criador, Jesus ensina que a ninguém é dado o direito de burlar as regras, e assim “[...] o rei entrou para ver os convidados, [e] notou ali um homem que não estava usando VESTE NUPCIAL. E lhe perguntou: Amigo, como você entrou aqui sem VESTE NUPCIAL? O homem emudeceu. Então o rei disse aos que serviam: amarrem-lhe as mãos e os pés, e lancem-no para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes”. Jesus (MATEUS, 22:1-14).

Quantos de nós parecemos estar trajando excelente veste (nossa máscara, verniz social, aparências, etc.), mas, ninguém sabe ao certo o que vai ao íntimo. DEUS O SABE! E, nos concede a graça da reencarnação, cujo sentido é adquirirmos a VESTE NUPCIAL – um espírito depurado, perfeito, como perfeito é o Cristo. 

Recordamos André Luiz na Obra Nosso Lar, que chega pensando que ainda era médico. Tenta, inclusive, exercer tal função. Mas, como não se preparou para tal mister espiritualmente, de nada serviu a sua "veste de médico da terra". Desnecessário esclarecer que o mesmo não participou do "banquete".

Após esta introdução não tão breve, voltamos, agora, ao Ensino dos Espíritos que na questão 132 da obra ora estudada esclarecem que a finalidade da encarnação é levar o Espírito à perfeição por meio de expiação ou missão, colocando-o em condições de enfrentar sua parte na obra da Criação, motivo pelo qual toma um aparelho em cada mundo, a fim de nele cumprir as ordens de Deus, progredindo. 

Mas, é importante perceber que:

a) A questão 132 acima ensina que OS PROBLEMAS sofridos pelos Espíritos na existência corporal é EXPIAÇÃO (o que é repetido na questão 167); 

b) Já a questão 166 esclarece que submeter-se a NOVA EXISTÊNCIA com o objetivo de DEPURAR-SE para atingir A PERFEIÇÃO da alma é PROVA (também, na questão 166.a). 

Parece que na atualidade todos aceitam o dogma da reencarnação! SÓ PARECE...

Se esta certeza estivesse presente nas mentes humanas não veríamos tantas ações imediatistas sem considerar a existência do outro. Deparamo-nos com isto nas famílias consanguíneas que não alcançaram a transformação para a constituição de um “lar”. Assim como no trabalho e no templo. NÃO BASTA DIZER QUE ACREDITA EM REENCARNAÇÃO, É NECESSÁRIO AGIR COMO TAL. 

Na obra Opinião Espírita, ditada a Chico Xavier e Waldo Vieira, o capítulo 1, que analisa a questão 919 de O Livro dos Espíritos, traz uma REVELAÇÃO importante: “ESPÍRITA QUE NÃO PROGRIDE DURANTE TRÊS ANOS SUCESSIVOS PERMANECE ESTACIONÁRIO”. 

Na questão 166.a os Espíritos esclarecem que a alma sofre TRANSFORMAÇÃO. Na questão 168 ensinam que a cada nova existência o Espírito dá um passo na senda do progresso. 

Na obra acima citada (Opinião Espírita, cap. 1) podemos seguir um roteiro para buscar diminuir o número de encarnações de que trata a questão 169 de O Livro dos Espíritos:

1. Cuidar da própria paciência, tornando-se mais calmo, afável e compreensivo;

2. Conquistar, nas experiências domésticas, mais alto clima de paz dentro de casa;

3. Colaborar, no templo doutrinário, em qualquer atividade que lhe competir com alegria e otimismo;

4. Trazer o Evangelho nas atitudes e manifestações perante amigos;

5. Tornar-se capaz de sacrificar-se se dispondo a servir voluntariamente;

6. Desapegar-se, livrando-se dos desejos materiais e posses terrestres;

7. Em lugar do “eu”, “meu” e “minha”, usar intensamente os pronomes NÓS, NOSSO E NOSSA.

8. Trabalhar para tornar cada vez mais raros aqueles instantes de tristeza ou de cólera surda que somente são conhecidos por ti;

9. Diminuir os pequenos remorsos ocultos no recesso do íntimo;

10. Dissipar antigas desavenças e aversões, superando os lapsos crônicos de desatenção e negligência;

11. Estudar mais profundamente a DOUTRINA QUE PROFESSAR;

12. Entender melhor a função da dor, auxiliando aos necessitados com mais abnegação;

13. Orar verdadeiramente e buscar evoluir os ideais;

14. Consolidar a fé raciocinada com mais segurança;

15. Ter o verbo mais indulgente, os braços mais ativos e as mãos mais abençoadoras;

16. Trabalhar ativamente no plano mental para estar, de fato, mais alegre e feliz intimamente;

17. Sopesar a própria existência espontaneamente e em regime de paz sem precisar de o fazer sob o impacto da dor;

18. Tornar cada dia uma realização da cota de responsabilidade rumo à Vida Espiritual, valorizando a oportunidade e a graça da reencarnação;

19. Utilizar o tempo, a saúde e as oportunidades de fazer o bem, trazendo a consciência tranquila do dever realizado;

20. Valer-se do corpo humano para reconsiderar diretrizes e desfazer enganos.

Não nos esqueçamos: 

a) Todos nós temos muitas existências e os que dizem o contrário pretendem manter os outros na mesma ignorância em que se encontra;

b) Após deixar um corpo (morte biológica), o Espírito reencarnará em NOVO corpo;

c) A reencarnação, por Justiça Divina, possibilita o melhoramento progressivo da humanidade;

d) O número de reencarnações é ilimitado, o progresso é quase infinito, as encarnações são sucessivas, e após a última encarnação a alma se torna Espírito bem-aventurado (Espírito puro);

e) O dogma da reencarnação se funda sobre a Justiça de Deus, pois, por sua Misericórdia Infinita, DEUS sempre deixa a seus filhos uma PORTA ABERTA AO ARREPENDIMENTO;

f) Após a encarnação DEUS, soberanamente JUSTO, não priva suas criaturas da FELICIDADE ETERNA que carece do melhoramento e da perfeição, assim como não os “elege”, após uma encarnação aparentemente “feliz”, a um céu de delícias para glutões e ociosos. 

Concluímos com Allan Kardec, no comentário acerca da JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO: 

“[...] Não estaria de acordo com a equidade, nem segundo a bondade de Deus, castigar para sempre aqueles que encontram obstáculos ao seu melhoramento, independentemente de sua vontade, no próprio meio em que foram colocados. Se a sorte do homem fosse irrevogavelmente fixada após sua morte, Deus não teria pesado as ações de todos na mesma balança e não os teria tratado com imparcialidade. A doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o homem muitas existências sucessivas, É A ÚNICA QUE CORRESPONDE À IDEIA DA JUSTIÇA DE DEUS, COM RESPEITO AOS HOMENS DE CONDIÇÃO MORAL INFERIOR; a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, pois oferece-nos o meio de resgatarmos os nossos erros através de novas provas. A RAZÃO ASSIM NOS DIZ, E É O QUE OS ESPÍRITOS NOS ENSINAM [...]”.

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO SEGUNDO – PARTE 42



MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – CAPÍTULO III
 – RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL – 
 III – PERTURBAÇÃO ESPÍRITA – 
  (Questões: 163 a 165)


“Qualidades morais e virtudes excelsas não são meras fórmulas verbalistas. São forças vivas. Sem a posse delas, é impraticável a ascensão do espírito humano”. (Gúbio, Libertação, pg. 35, FEB, 2014)



Retomando nossas observações acerca de O Livro dos Espíritos, detemo-nos no tema perturbação espírita. Em verdade, o Codificador questiona os Espíritos Superiores quanto à tomada de consciência ou sua ausência após a alma deixar o corpo físico.

Assim, na obra Libertação, ditada por André Luiz a Chico Xavier (FEB, 2014, pg. 35), nós encontramos o mentor Gúbio, prestativo, respondendo ao Espírito Elói acerca da intervenção do Eterno para sanar desarmonias nos seguintes termos:

“Personalidades vulgares apegam-se à salvaguarda de recursos exteriores e neles centralizam os sentimentos mais nobres, prendendo-se a fantasias inúteis... Encarcera-se-lhes, então, a mente na insegurança, na fragilidade, no pavor. O choque da morte imprime-lhes tremendos conflitos à organização perispirítica, veículo destinado às suas próprias manifestações no círculo novo de matéria diferente a que foram arrebatados, e, após perderem abençoados anos no campo didático da esfera carnal, enredadas em conflitos deploráveis, erram aflitas, exânimes e revoltadas.”

Noutra obra, também ditada por André Luiz, o benfeitor Aulus responde ao Espírito Hilário quanto ao mesmo tema:

Sabemos que a morte não é milagre. Cada qual desperta, depois do túmulo, na posição espiritual que procurou para si...” (Nos Domínios da Mediunidade, FEB, 2014, pg. 149).

Por fim, Emmanuel, na obra que leva o seu nome, ditada a Chico Xavier, afirma no capítulo denominado Necessidade do Esforço Próprio: “Em desencarnando, não entra o Espírito na posse de poderes absolutos. A morte significa apenas uma nova modalidade de existência, que continua, sem milagres e sem saltos”. (Emmanuel, FEB, 2016, pg. 23).

O leitor amigo deve estar questionando qual a relação destas citações com o tema perturbação Espírita... Nossa reflexão inicia-se com a resposta dos Espíritos à questão 163, em que, informa-se que os Espíritos ficam perturbados por algum tempo. Dependendo de sua elevação (questão 164) será a duração maior ou menor para cada Espírito. É necessária a depuração da alma para que haja o desprendimento mais rápido da matéria.

Importante lembrar que MORTE é uma coisa e DESENCARNAÇÃO é outra. Ainda que utilizemos os termos para um mesmo evento. No entanto, não se trata de inovação, mas, apenas de compreensão do fato. É que a morte significa a extinção do tônus vital no corpo biológico. A desencarnação, compreendemos como o desprendimento dos espíritos daqueles laços que o une à matéria. Nesse caso, faz todo sentido compreender da lição dos Espíritos que devemos nos depurar para um desprendimento mais rápido, e que tal depuração decorre da elevação moral do espírito.

Então, naturalmente, que os Espíritos não possuindo qualidades morais, presos às fantasias inúteis, e, ainda, não tendo a morte o condão de promover saltos na natureza, haverá um verdadeiro choque que ocasionará conflitos diversos. Daí decorrendo, portanto, a perturbação espírita após o Espírito deixar o corpo. E, nesse conflito, o Espírito vendo, ouvindo e pensando não reconhecerá imediatamente que não mais é contado no mundo dos vivos.

Destarte, quanto mais depurado, mais rápido é o reconhecimento do desprendimento; Quanto mais impura é a consciência (voltada às paixões de ordem material/carnal), mais tempo conservará a impressão da matéria. Pensamos que, dentre outras razões, esta também será uma que leva à obsessão, uma vez que sem o veículo carnal não haverá como o Espírito “saciar” suas paixões menores.

O Codificador ainda questionou qual é a influência que o CONHECIMENTO DO ESPIRITISMO exerce sobre o maior ou menor tempo de perturbação espírita. Os Espíritos concluem que se trata de uma GRANDE influência, porém, A MAIOR INFLUÊNCIA É A PRÁTICA DO BEM E A PUREZA DE CONSCIÊNCIA. Não basta conhecer, tem que praticar.

São esclarecedores os comentários de Allan Kardec quanto a esse fenômeno. Diz o mestre que no princípio, após a morte, tudo é confuso, pois, o Espírito sente-se como se tivesse saído de um SONO PROFUNDO, procurando compreender a situação.

A Lucidez de ideias e as memórias do passado surgem à medida que a matéria deixa de exercer influência sobre o Espírito. Por outro lado, a ausência de lucidez assemelha-se a um denso nevoeiro que, aos poucos, tende a dissipar-se, mas, enquanto o nevoeiro não passa, todos os pensamentos ficam turvos (confusos).

Esta confusão ou perturbação tem duração variável entre os Espíritos, podendo durar dias, meses ou anos (lembramos que André Luiz – Obra Nosso Lar – ficou por 08 anos aproximadamente experimentando esta confusão mental).

Para que a confusão ou perturbação dure um tempo menor é necessário que o Espírito tenha identificação com a vida futura, bem como da própria posição evolutiva (segundo a escala espírita).

A crença religiosa onde o Espírito não reconhece a vida futura, a reencarnação e está preso a dogmas produzidos por uma fé cega, não será uma valiosa amiga para auxiliá-lo nesse processo.

O caráter do indivíduo e o gênero de morte são fatores que terão influência na perturbação espírita após a morte. Os tipos de morte que causam excessiva perturbação são: suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos e etc.

Quando o indivíduo morre há surpresa e espanto, pois, não acredita estar morto e sustenta, teimosamente, que não morreu. Busca pessoas de sua afeição, tenta se comunicar com as mesmas e não compreende porque não o ouvem. Vê o próprio corpo, sabe que é o próprio corpo, mas, não compreende porque estão separados. Esse processo durará até a COMPLETA desmaterialização.

O fato de “SE VER” num corpo semelhante ao que deixou na Terra, cuja natureza é ETÉREA, o qual ainda não teve tempo de verificar, JULGA-O sólido e compacto como o físico (que foi deixado após a morte). Somente quando tem percepção do fato verifica que não pode tocá-lo. Nas mortes coletivas, por exemplo, os mortos nem sempre se reveem imediatamente; cada um vai para o seu lado ou só se preocupa com aqueles que lhe interessam.

O Homem de bem não sofre com a morte, tem um despertar tranquilo; O contrário ocorre com aquele que não possui consciência pura.

Conclusão
O CONHECIMENTO dos princípios e postulados espíritas auxiliam em grande parte aqueles espíritos que desencarnam. Porém, a perturbação espírita terá lugar após a morte, mesmo para estes, tendo em vista que o fato está atrelado à posição evolutiva de cada um e à pureza ou não de consciência. Espíritos que tem conhecimento do homem espiritual, mas, agem como homens físicos, terão as mesmas senão maiores perturbações, pois, lembrando Jesus: “muito será pedido àquele que muito tem”.

NÃO BASTA CONHECIMENTO dos princípios e postulados espíritas, DEVE-SE PRATICÁ-LO. A doutrina espírita não foi preconizada para espíritas não praticantes (A bandeira é: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO).

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – parte

CAPÍTULO VIII EMANCIPAÇÃO DA ALMA IV LETARGIA, CATALEPSIA, MORTE APARENTE (Questões: 421 a 424) Neste item do capí...