ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS LIVRO SEGUNDO – PARTE 47

MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS - CAPÍTULO IV – PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS
VI – SEXO NOS ESPÍRITOS (Questões: 200 a 202)

Iniciando nossa reflexão, podemos perceber, JÁ NO TÍTULO, que o Codificador Allan Kardec quando nos introduz no tema, anuncia: SEXO NOS ESPÍRITOS.     Portanto, trata-se de indicação da maior importância, tendo em vista que o Mestre de Lyon (usando a expressão em francês) não utilizou o termo: Sexo DOS Espíritos.[1]

Antes, é necessário esclarecer ao leitor a diferença entre SEXO e GÊNERO, sem o que podemos confundir a mensagem do texto codificado. Importa saber que sexo e gênero possuem diferenças fundamentais. O primeiro, do ponto do vista biológico, diz respeito a feminino masculino, isto é, apresenta a categoria biológica. Gênero, por sua vez, diz respeito aos papeis sociais, uma distinção sociológica entre homem mulheros quais mudam no espaço e no tempo, tendo em vista que diferenças são construídas ou descontruídas a fim de atingir a igualdade social.

Passemos, então, à análise da PREPOSIÇÃO usada pelo Codificador. Lembrando que preposição pode se referir ao tempo e ao espaço, além de estabelecer relações diversas, tais como:
                 1.       Autoria (Este quadro de Picasso é lindo);
                 2.      Especialidade (Ele é perito em aviação);
                 3.      Lugar (Eles estiveram em Uberaba);
                 4.      Origem (Este pacote veio de Uberlândia);
                 5.      Posse (Estes discos são dos meus tios);
                 6.      Tempo (Ela chegará em quinze minutos).

Eliminamos, para argumentar, os números 1,2 e 6, face as relações que estabelecem. Restam os números 3,4 e 5. Vimos que Kardec não usou a preposição que indicaria posse (número 5). Finalmente, temos os números 3 e 4, que se referem à lugar e origem. Vejamos.

Na questão 200, o Codificador pergunta: Os Espíritos têm sexo? Em português ter é um verbo transitivo direto que indica posse, propriedade, gozo ou usufruto. Neste caso, percebemos que, conforme o título e a pergunta, Allan Kardec primeiro busca eliminar o sentido de posse. Assimilemos a resposta dos Espíritos Codificadores:
-­ Não como entendeis, porque os sexos dependem da constituição orgânica. Há entre eles amor e simpatia*, mas, baseados na afinidade de sentimentos.
(*nós não entendemos o que é amor e simpatia...).

Assim sendo, aprendemos que os Espíritos ensinaram que o sexo é analisado pelo ponto de vista biológico, orgânico e se trata de uma apresentação morfológica do corpo humano (podemos, até, compreender que os Espíritos Superiores não disseram que os Espíritos não possuem sexo, afirmaram, todavia, que não temos condições de compreender: não como entendeis...).

Na questão 201, onde o questionamento refere-se à possibilidade do Espírito que animou o corpo de um homem poder animar o corpo de uma mulher, numa nova existência e vice-versa, o Codificador ainda está analisando a questão pelo ponto de vista biológico (corpo de homem / corpo de mulher). Assim, aqui se considera a apresentação morfológica do corpo físico, naquilo que define o feminino e o masculino (leia o texto de Emmanuel abaixo).

Por fim, na questão 202, o assunto tratará da preferência reencarnatória (no corpo de homem ou no corpo de mulher?). E estamos pensando que alcança, inclusive, a questão do livre-arbítrio*, tendo em vista que o próprio Codificador comenta que “cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais, e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens”.
(**Ora, a escolha morfológica resta relativizada neste tocante.)

Veja que conforme nossa explicação introdutória, neste tópico parece que o Codificador está equivocando-se com aspectos biológicos e sociais. Porém, nada é o que parece!

É preciso remontar aos séculos 18 e 19, pelo menos, para reconhecermos como a mulher era tratada pela sociedade. Era função de a Igreja castrar a sexualidade feminina, usando como contraponto a ideia do homem superior ao qual cabia o exercício da autoridade. Todas as mulheres carregavam o peso do pecado original e, desta forma, deveriam ser vigiadas de perto e por toda a vida. Até o século XVII só se reconhecia o modelo de sexo masculino. A mulher era concebida como um homem invertido e inferior, desta forma, entendida como um sujeito menos desenvolvido na escala da perfeição metafísica. No século XIX a mulher passa para o lugar de “inverso do homem ou sua forma complementar”. Basta ler livros acadêmicos do período para encontrar referência a “homem” quando se queria dizer “ser humano”.

Na verdade, ao tempo da Codificação, ser “mulher” era a um só tempo referir-se ao feminino do ponto de vista biológico e, também, uma posição social, portanto, faz sentido Allan Kardec dizer que “encarnar-se homens ou mulheres” seria oportunidade para experimentar uma posição social para progredir e adquirir novas experiências.

É também importante compreender que a morfologia (ou categoria) do ponto de vista biológico indicaria, também, a distinção sociológica entre homem e mulher, conforme depreendemos do ensino dos Espíritos.

É natural este tema trazer muitas indagações e suscitar diversas controvérsias, mas, pensamos que Emmanuel nos trouxe, em 07/08/1959, uma bela página para reflexão quando comentou a questão 201:

“[...] Quase sempre, os que chegam ao além-túmulo sexualmente depravados, depois de longas perturbações, renascem no mundo, tolerando moléstias insidiosas, quando não se corporificam em desesperadora condição inversiva, amargando pesadas provas como consequências dos excessos delituosos a que se renderam. À maneira de doentes difíceis, no leito de contenção, padecem inibições obscuras ou envergam sinais morfológicos em desacordo com as tendências masculinas ou femininas em que ainda estagiam no elevado tentame de obstar a própria queda em novos desmandos sentimentais”.
[2]

Terminamos nossa reflexão sem buscar comentar o fragmento do texto escrito. Acreditamos que a mensagem fala por si mesma. Todavia, para extirpar quaisquer dúvidas acerca da condição inversiva, as palavras seguir são esclarecedoras (ouvidos de ouvir e olhos de ver):

"Tendo Neves formulado consulta sobre os homossexuais, Felix demonstrou que inúmeros Espíritos reencarnam em condições inversivas, seja no domínio de lides expiatórias ou em obediência a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam. Referiu ainda que homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, como são suscetíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação, aditando que a alma reencarna, nessa ou naquela circunstância, para melhorar e aperfeiçoar-se, e nunca sob a destinação do mal, o que nos constrange a reconhecer que os delitos, sejam quais sejam, em quaisquer posições, correm por nossa conta".
[3]




[1] Informamos que nossa opinião esposada aqui usa como instrumento para pesquisa a 70ª Edição (Fev./2013) da Obra O Livro dos Espíritos, traduzida da língua francesa para a língua portuguesa por José Herculano Pires.
[2] XAVIER, Francisco C. Religião dos Espíritos. Espírito Emmanuel. Capítulo 53. Título: sexo e amor (FEB, 2014).
[3] XAVIER, Francisco C. Sexo e Destino. Espírito André Luiz. Capítulo 9. Pg. 280. (FEB, 2013).

TEMPOS DIFÍCEIS



TEMPOS DIFÍCEIS

Recapitulando...

Em 2017 vimos surgir, com extrema contundência, a divulgação de possíveis crimes de assédio sexual e moral, abuso sexual e estupros. Dentre os investigados, ao menos 69 (sessenta e nove) figuras públicas. Várias da indústria do entretenimento nos Estados Unidos, incluindo, também, políticos (um é ex-presidente dos EUA). Não esqueçamos o caso Lewinski, uma ex-estagiária da Casa Branca.

Recordemos o famoso escândalo que recebeu o apelido de “mensalão”, anos 2005 e 2006, referente à corrupção no Congresso Nacional. Em março do ano de 2014 deflagrou-se a chamada Operação Lava Jato, que se encontra em andamento, cujo objetivo é apurar um esquema de lavagem de dinheiro público que movimentou bilhões de reais em propina.

Denúncias de abuso sexual de menores por clérigos membros da Igreja Católica onde houve acusações nos Estados Unidos e no mundo, dentre os quais citamos os países: Portugal, Alemanha, Austrália, Espanha, Bélgica, França, Reino Unido, Irlanda e Canadá. Movimento que culminou, em 2013, coma a criação pelo Vaticano de uma comissão especial para proteção dos menores vítimas de abusos sexuais e de combate aos casos de pedofilia no clero.

Em 2017, o Ministério Público de Portugal abriu investigação para apurar uma suposta rede de tráfico internacional de crianças envolvendo determinada igreja evangélica do Brasil com atividades naquele país, cujo inquérito ficou a cargo do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa. 

Temos, no Espiritismo Mundial, a questão envolvendo o livro A Gênese de Allan Kardec, onde, de um lado, pesquisadores empenhados em manter a palavra genuína do Codificador empreendem o esforço que lhes cabe na empreitada e, de outro lado, confrades preocupados com a possível desunião dos espíritas em razão da possível “polêmica”. Todos, ao seu turno, com excelentes motivações. 

Não se preocupe, pois, [...] não existe nada escondido que não venha a ser revelado, ou oculto que não venha a ser conhecido. (Lucas, cap. 12, versículo 2). 

SERMÃO PROFÉTICO DE JESUS

No Sermão profético de Jesus encontraremos uma frase muito propícia aos tempos atuais: 

“Haverá rumores de guerra, nação contra nação, haverá fome, pestes e tremores de terra; [...] sereis levados ao tribunal por minha causa [...] irmão entregará irmão à morte, e o pai ao filho”. 

Os meios de comunicação nos trazem dia a dia os rumores de conflitos bélicos envolvendo as chamadas potências e aqueles que buscam esse título penalizando a própria população. As delações não parece ser prenúncio da previsão “irmãos entregando irmãos”? O Caso Odebrecht não parece remeter à parte que fala do “pai ao filho” do Sermão?

O relatório The State of Food Security and Nutrition in the World 2017 (conjunto de condições da segurança alimentar e nutrição no mundo) prevê que um dos desafios da humanidade será garantir que, em 2050, com uma população estimada em 10 bilhões de pessoas, que todos tenham o que comer. Em 2017, em todo o mundo, 815 milhões de pessoas passavam fome. Esse relatório foi apresentado na ONU e demonstrou que a grande maioria dos famintos (489 milhões de pessoas) vive em países afetados por conflitos e quase 122 milhões de crianças menores de cinco anos com atrasos no crescimento (75% delas) vivem nesses locais.

Ainda, na área da saúde, lembramos o que tem assolado o mundo e não menos no Brasil, ebola, HIV, hepatite, gripe suína, dengue, malária, meningite e febre amarela, dentre outros, esses os conhecidos e divulgados.

TEMPOS DIFÍCEIS

Na obra Justiça e Amor, psicografia de Raul Teixeira, ditada pelo Espírito Camilo, encontramos a seguinte página: “São tempos difíceis e definidores esses tempos atuais. São oportunidades para que as almas encarnadas na Terra possam escolher de que lado anelam ficar, se na luz, se nas sombras”. 

OS TEMPOS SÃO CHEGADOS

Na segunda parte do livro Obras Póstumas, a mensagem intitulada REGENERAÇÃO DA HUMANIDADE, traz a revelação dos Espíritos conforme se lê abaixo, referente aos tempos chegados:

“E como se a destruição não caminhasse com bastante rapidez, ver-se-ão os suicídios multiplicarem-se numa proporção inaudita, até entre crianças. Jamais se terá visto tão grande número de loucos, pobres desgraçados, que são riscados, antes da morte, do número dos viventes. São estes os verdadeiros sinais dos tempos! E tudo isto se realizará pelo encadeamento de circunstâncias, sem que, como já dissemos, sejam derrogadas, nem de leve, as leis da natureza”.

A Organização Mundial da Saúde diz que a cada 40 (quarenta) segundos, uma pessoa se suicida em algum lugar do mundo. Tanto países pobres (com altas taxas) quanto países ricos e desenvolvidos fazem parte da chocante estatística.

QUAL A PARTE QUE ME CABE NESTE LATIFÚNDIO?

Na obra Entrega-se a Deus, ditada pelo Espírito Joana de Ângelis a Divaldo Franco, encontraremos o alerta: “Mede-se a grandeza de um cidadão pelos esforços que empreende para melhorar-se, trabalhando em favor de uma futura sociedade mais justa e mais feliz”. 

O livro Transição Planetária, ditada pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, reporta-se no capítulo 19 à reconstrução da Nova Terra e a felicidade dos seus habitantes no futuro, processo que está em franco desenvolvimento em toda parte, mas, que há necessidade de vigilância quanto aos inimigos do Bem que habitam os guetos espirituais inferiores que urdem ataques e tramam vinganças.

Esclarece-nos o benfeitor que ninguém está à mercê do mal, exceto quando se permite a tal vinculação. Alerta-nos quanto à fascinação e subjugação iniciadas discretamente, roubando o discernimento de muitos e permitindo o aproveitamento das debilidades ainda persistentes na natureza humana.

Revela-nos o benfeitor que tais entidades trabalham pela desunião dos companheiros de lide espiritual, maledicência e calúnias bem divulgadas, como se estivessem trabalhando para senhores diferentes e não para Jesus. (reflita sobre o movimento espírita e o momento atual).

SIGAMOS COM ALLAN KARDEC, O CODIFICADOR DA DOUTRINA DOS ESPÍRITOS 

“Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face em todas as épocas da humanidade”. (se somos espíritas, estaremos unidos e não divididos! independentemente de religião, pois, o verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão são uma e a mesma coisa - E.S.E.). 

Jesus combateu o farisaísmo veementemente. Principalmente o fato de não haver entre eles a comunhão entre discurso e ação.

Analisando séria e detidamente seus ensinamentos, toda ocasião era oportunidade de evangelizar espíritos. Movia-se sempre na direção do amor e da caridade incondicional.

Combateu a discriminação das mulheres, discriminação pela profissão (caso dos pastores, por exemplo) e pugnava pela união verdadeira dos indivíduos. Ensinou o verdadeiro teor do sacrifício (longe de se tratar dos holocaustos e ofertas de animais sacrificados, rituais meramente exteriores).

Ao viver o mandamento amai ao próximo como a si mesmo, demonstrou não haver condição para determinar quem era “o próximo” (não vamos encontrar que ele se refere somente a pessoas, por exemplo).

Portanto, sigamos cada um no posto onde estamos colocados pelo próprio Mestre, executando a tarefa determinada sem o desejo de promoção pessoal, transformando palavras em ações, descendo dos púlpitos para usarmos o “rodo, a vassoura e o pano de chão”.

Os tempos chegaram, façamos luz ao nosso redor. A separação dos bodes e das ovelhas é atribuição daquele que foi constituído pastor assalariado na propriedade do verdadeiro e único Senhor – DEUS.

A evolução é coletiva e acontece na velocidade do passo daquele que é mais lento!

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO SEGUNDO – PARTE 46


MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO IV – PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS

V – SORTE DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE

(Questões: 197 a 199-a)



Certamente, bastará lançar na “barra de pesquisas” e você encontrará comentários reprovando obras sérias. Em uma variedade o exame é realizado por pseudossábios (existem entre desencarnados, mas há uma infinidade encarnada entre nós). Infelizmente, afirma que o que dizem se apoia na Codificação.

Interessante ressaltar que, recentemente, observei um comentário desse nível onde o próprio Kardec é chamado de mentiroso e enganador (não foi dito com tais palavras, mas, para um bom entender...) e, pasmem, a refutação se deu através da comparação de mensagem aposta no Livro dos Médiuns e no Evangelho Segundo o Espiritismo.

Todavia, os analistas de plantão esqueceram de verificar nas outras obras da Codificação (aliás, a maioria diz que são cinco, e na verdade no máximo leem duas, quando isto ocorre. Estudo sério nem pensar.).

Várias mensagens receberam alterações, nome de espíritos autores modificados, resumos feitos, troca de texto da mensagem de lugar. TUDO, COMO É DE FÁCIL PERCEPÇÃO, FICOU PARA NOSSA ANÁLISE. Allan Kardec não escondeu nada. Não escondeu suas dúvidas, suas angústias. Aliás, o Codificador escreveu a seguinte frase em O Evangelho Segundo o Espiritismo:

"Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade."

Será possível que alguém que nos transmite um ensino dessa grandeza e magnitude, estava preocupado com os DETRATORES DO ESPIRITISMO. Certamente que não, por isto, TODO O MATERIAL QUE FOI UTILIZADO POR ALLAN KARDEC PARA A CODIFICAÇÃO ESTÁ DEVIDAMENTE PUBLICADO. Tudo tem um propósito.

Voltando ao estudo da semana, temas referentes a espíritos que animam corpos de crianças não ficaram impunes aos comentários dos pseudossábios. Vejamos os elementos trazidos para estudo, eis que assunto tão espinhoso não pode ser declarado como encerrado.

Sem muito esforço encontramos afirmações sobre a inexistência de “crianças” no mundo espiritual. Se a questão 199-a for lida sem a devida atenção e a seriedade necessária é possível pensar que a criança que morre em tenra idade nem fica errante no plano espiritual, uma vez que os Espíritos afirmaram que recomeçam uma nova existência.

Todavia, as questões 197 a 199-a tratam da sorte das crianças após a morte. O assunto abordado pelos Espíritos Superiores, pensamos, é quanto as penas eternas e as delícias do paraíso. Céu ou inferno para crianças mortas em tenra idade, bem como da Justiça Divina e a Bondade Suprema do Criador. 

Buscando demonstrar que ainda estamos longe de conhecer todas as leis que regem o mundo espiritual, com o apoio das revistas espíritas vamos encontrar a seguinte dissertação:

“Todos nós, sem exceção, mais cedo ou mais tarde atingiremos o termo fatal da vida; nenhuma força nos poderá subtrair a essa necessidade, eis o que é positivo. As preocupações do mundo muitas vezes nos desviam o pensamento daquilo que se passa além-túmulo; quando, porém, chega o momento supremo, poucos são os que não se perguntam em que se transformarão, pois a ideia de deixar a existência sem possibilidade de retorno tem algo que corta o coração”. (Allan Kardec, RE Abr/1859).

É sobre a sorte, isto é, o que ocorrerá após a morte do indivíduo que o Codificador faz referência na Revista Espírita. Dentre várias dúvidas, será recorrente pensarmos na forma (imagem, característica, aparência, etc.) que o Espírito se apresentará após a morte, e, neste sentido é oportuno conhecer o comentário a seguir:

“Para compreender o fato, não se deve perder de vista o que a esse respeito já dissemos sobre a forma aparente dos Espíritos. Essa forma depende do perispírito, cuja natureza, essencialmente flexível, presta-se a todas as modificações que lhe queira dar o Espírito”. (Allan Kardec, RE Jan/1859). Veja a resposta à questão 150-a de O Livro dos Espíritos, que vamos trabalhar ao final.

Abaixo apresentamos nossas dúvidas em forma de perguntas e buscamos solvê-las por meio dos textos extraídos das Revistas Espíritas consultadas.

1. O que de fato ocorre quando o indivíduo morre?

“Deixando o envoltório material, o Espírito leva consigo o seu invólucro etéreo, que constitui outra espécie de corpo. Em seu estado normal, esse corpo tem a forma humana, mas não calcada traço a traço sobre o que deixou, especialmente quando o abandonou há algum tempo. Nos primeiros instantes que se seguem à morte, e enquanto ainda existe um laço entre as duas existências, maior é a semelhança.” (Allan Kardec, RE Jan/1859).

2. Por que alguns Espíritos não modificam desde já sua aparência (logo que morrem), mas, a mantém como era em vida?

“(...) Despojado do corpo terreno, o Espírito conserva toda a sua vontade e uma liberdade de pensar bem maior que quando vivo; tem susceptibilidades que dificilmente compreendemos; aquilo que muitas vezes nos parece simples e natural o magoa e lhe desagrada; uma pergunta imprópria o choca e o fere”; (Allan Kardec, RE Jan/1859).

3. Se sua vontade e liberdade de pensar aumentam, como entender que ainda conserva traços da expressão corporal que tinha enquanto vivo?

“Extinguindo-se as forças vitais, o Espírito se desprende do corpo no momento em que cessa a vida orgânica; mas a separação não é brusca ou instantânea [e] nem sempre é completa no instante da morte. Já sabemos que entre o Espírito e o corpo há um laço semimaterial que constitui um primeiro envoltório: é esse laço que não se quebra subitamente e, enquanto perdura, fica o Espírito num estado de perturbação comparável ao que acompanha o despertar. Muitas vezes duvida de sua morte; sente que existe, vê-se e não compreende que possa viver sem o corpo, do qual se percebe separado; os laços que ainda o prendem à matéria o tornam acessível a certas sensações, que toma como sensações físicas. Não é senão quando se acha completamente livre que o Espírito se reconhece: até então não percebe a sua situação” (Allan Kardec, RE Abr/1859).

4. Então esse corpo fluídico é como o corpo de carne, apenas sendo mais sutil?

O envoltório semimaterial do Espírito constitui uma espécie de corpo de forma definida, limitada e análoga à nossa. Mas esse corpo não tem os nossos órgãos e não pode sentir todas as nossas impressões. Entretanto, percebe tudo quanto percebemos: a luz, os sons, os odores, etc. Por nada terem de material, nem por isso essas sensações deixam de ser menos reais; têm, até, algo de mais claro, de mais preciso, de mais sutil, porque lhe chegam sem intermediário, sem passar pela fieira dos órgãos que as enfraquecem. A faculdade de perceber é inerente ao Espírito: é um atributo de todo o seu ser; as sensações lhe chegam de todas as partes, e não por canais circunscritos.” (Allan Kardec, RE Abr/1859). 

5. Então o aumento da vontade e da liberdade, bem como, a clareza e a precisão que chegam aos sentidos faz com que o Espírito se perturbe?

“É essa nova maneira de sentir que o Espírito não compreende no início, da qual só aos poucos se dá conta. Aqueles cuja inteligência é ainda muito atrasada não a compreendem de forma alguma e sentiriam muita dificuldade em descrevê-la: absolutamente como entre nós os ignorantes veem e se movem, sem saber como e por que”. (Allan Kardec, RE Abr/1859). 

6. Como explicar essa perturbação?

“[...] quanto mais felizes são os Espíritos elevados, tanto maior sofrimento experimentam os inferiores. Entretanto, esses sofrimentos se expressam como angústias que, embora nada tenham de físico, nem por isso são menos pungentes; eles têm todas as paixões e todos os desejos que tinham em vida – falamos dos Espíritos inferiores – e seu castigo é não os poder satisfazer”. (Allan Kardec, RE Abr/1859). 

7. Como se dá essa perturbação na mente do Espírito desencarnado?

“Nesse estado, suas ideias são sempre vagas e confusas; de alguma sorte a vida corporal se confunde com a vida espírita e ele ainda não as pode separar em seu pensamento. [...] Apenas quando ele se encontra completamente desmaterializado é que o passado se desdobra à sua frente, como algo impreciso, saindo de um nevoeiro. [...] Mas a esta causa deve juntar-se outra, não menos preponderante [...] o estado do Espírito, como Espírito, varia extraordinariamente na razão do grau de sua elevação e pureza [...] quanto menos esclarecido, tanto mais limitado é o seu horizonte”. (Allan Kardec, RE Abr/1859).

Podemos afirmar que a Doutrina Espírita ensina evitar o espírito de sistema. O Livro dos Espíritos mostra diversas situações em que os Espíritos Superiores nos declararam sua impossibilidade de tudo nos dizer, pois, nem tudo nos pode ser esclarecido. Assim, quanto aos espíritos recém-desencarnados, o caráter e a elevação moral parece ser o fundamental. Vejamos o ensino abaixo extraído da revista espírita:

“Então alguns Espíritos retornariam crianças? Não; o Espírito realmente adulto não volta atrás, como o rio não remonta à sua fonte. Mas a idade do corpo não é absolutamente um índice da idade do Espírito. Como é necessário que todos os Espíritos que se encarnam passem pela infância corporal, resulta que em corpos de crianças se encontram, forçosamente, Espíritos adiantados. Ora, se esses Espíritos morrem prematuramente, revelam sua superioridade desde que se despojaram de seu envoltório”. (Allan Kardec, RE Mar/1868).

Aquele estudante espírita desavisado, louco para vencer a disputa do “ponto de vista”, logo diria: aí está a prova de que o Espírito não se apresenta “do outro lado” como criança. Ledo engano! Com bastante atenção, prosseguimos na leitura (é importante estudar até o final da lição) :

“Pela mesma razão, um Espírito jovem, espiritualmente falando, NÃO PODENDO CHEGAR À MATURIDADE NO CURSO DE UMA EXISTÊNCIA, que é menos que uma hora em relação à vida do Espírito, um corpo adulto pode encerrar um Espírito criança, pelo caráter e pelo desenvolvimento moral”. (Allan Kardec, RE Mar/1868) – grifos nosso. (Nota: O Codificador falou em "Espíritos Crianças" quanto ao caráter e desenvolvimento moral, em razão de sermos todos criados simples e ignorantes. Faz todo sentido).

Assim sendo, qual será a aparência daquele Espírito que não possui, ainda, pelo caráter, um desenvolvimento moral e DESENCARNA ENQUANTO AINDA CRIANÇA? Mas, o astuto respondedor, certamente está dizendo: a afirmação anterior não diz que o Espírito que morre criança prossegue criança. (Também nós NÃO afirmamos isso. Estamos tratando de aparência e do patrimônio - a verdadeira propriedade - que o Espírito leva consigo ao desencarnar).

Desta maneira, é muito oportuno voltarmos à questão 150, 150-a e 150-b de O Livro dos Espíritos. Nelas o Codificador questiona acerca da individualidade da alma, ausência de corpo material e o que a alma "leva" deste mundo.

Importante notar as respostas dos Espíritos Codificadores, pois, para a ausência de corpo material o espírito manterá um corpo fluídico que representará SUA ÚLTIMA APARÊNCIA, ou melhor a APARÊNCIA QUE TINHA EM SUA ÚLTIMA ENCARNAÇÃO. Portanto, sendo o Espírito um indivíduo, leva consigo lembranças doces ou amargas, segundo o emprego que tenha dado à vida. Para ter uma compreensão correta precisa ter consciência do que é fútil e foi deixado na Terra.

Temos, portanto, as respostas às indagações. Lembremos o questionamento principal: Tem Espírito de criança no mundo espiritual? RESPOSTA AFIRMATIVA! Tem Espírito de criança no mundo espiritual. Não estamos afirmando que há "espíritos crianças". Veja a respostas dos Espíritos Superiores e acompanhe a análise.

Qual é a aparência que uma criança tem, corporalmente falando, quando morre nessa fase? Quais são as lembranças que ela tem? Que julgamento pode fazer acerca das coisas fúteis deixadas na Terra? A primeira questão podemos responder: aparência de criança, mas, as demais depende do patrimônio moral, do grau evolutivo do espírito. Portanto, lembremos, também, as questões já estudadas 163 e 164 que nos esclarecem:

"deixando o corpo a alma NÃO tem consciência imediata de si mesma, pois, ela fica perturbada por algum tempo e, essa perturbação não ocorre para os Espíritos no mesmo grau e pelo mesmo tempo, já que DEPENDE DA ELEVAÇÃO DE CADA UM. Aquele que já está depurado SE RECONHECE QUASE IMEDIATAMENTE, PORQUE SE DESPRENDEU DA MATÉRIA DURANTE A VIDA CORPÓREA, enquanto O HOMEM CARNAL, CUJA CONSCIÊNCIA NÃO É PURA, CONSERVA POR MUITO TEMPO MAIS A IMPRESSÃO DA MATÉRIA".
 
O Espírito Pascal, em Genebra, 1860, ensina que o indivíduo possui apenas o que se destina ao uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Eis o que ele traz e leva consigo. Lacordaire, comunicando em Constantina, 1863, afirmou: vosso apego aos bens terrenos é um dos mais fortes entraves ao vosso adiantamento moral e espiritual. (Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI, itens 9 e 14).

Não pode ser mais clara a informação. Basta ter olhos de ver ou, mais, querer ver!

Esperamos que a análise acima possa suprir deficiências em outros discursos. Contudo, para aqueles que carecem de PROVAS EXTRAÍDAS NA CODIFICAÇÃO, vejamos uma evocação na Sociedade Espírita de Paris onde o Espírito, mesmo invisível para os presentes, à exceção do médium clarividente Sr. Adrien, se apresenta com um corpo fluídico de um menino de 12 anos, conforme segue:

“O Sr. Adrien o viu sob o aspecto de um menino de dez a doze anos: bela cabeça, cabelos negros e ondulados, olhos negros e vivos, tez pálida, boca zombeteira, caráter leviano, mas bondoso. O Espírito disse não saber muito bem por que o evocavam. Nosso correspondente, que estava presente à reunião, disse que eram exatamente esses os traços pelos quais a mocinha em várias circunstâncias o descreveu”. (Allan Kardec, RE Jan/1859).

Vejam que a descrição do médium é a de um corpo humano (olhos, boca, cabeça, cabelos, cor, etc.). E, prosseguindo, ao Espírito foram efetuadas as perguntas que seguem. Pedimos que o nosso leitor tire as suas próprias conclusões quanto ao Espírito cuja aparência é de criança (que parece estar “crescendo” no mundo espiritual):

“1. Ouvimos contar a história de tuas manifestações numa família de Bayonne e desejaríamos fazer-te algumas perguntas. Resp. – Fazei-as e eu responderei. Mas fazei logo, pois estou com pressa e quero ir embora. 2. Onde apanhaste o dinheiro que davas à menina? Resp. Tirei da bolsa dos outros. Bem compreendeis que eu não iria me divertir a cunhar moedas. Tomo daqueles que podem dar. 3. Por que te ligaste àquela garota? Resp. – Grande simpatia. 4. É verdade que foste seu irmão, que morreu com quatro anos de idade? Resp. – Sim. 5. Por que eras visível a ela e não à sua mãe? Resp. – Minha mãe deve estar privada de ver-me, mas minha irmã não tinha necessidade de castigo. Aliás, foi com permissão especial que lhe apareci. 6. Poderias explicar como te tornas visível ou invisível à vontade? Resp. Não sou bastante elevado e estou muito preocupado com o que me atrai para responder a essa pergunta”. (Allan Kardec, RE Jan/1859).

Percebemos na entrevista efetuada pelo Codificador que o Espírito morreu aos 4 anos de idade e agora "aparentava" ter entre 10 e 12 anos (tanto na visão do médium como da irmã da criança morta). Para aqueles que buscam o estudo sério, remetemos à coleção de livros que tratam da “vida no mundo espiritual” [1], principalmente naquele que nos esclarece sobre a “evolução em dois mundos”, além dos que tratam das crianças desencarnadas em tenra idade por diversos motivos (assassinatos, abortos, acidentes, etc.).

Não somos donos da verdade, mas, as informações acima devem ser estudadas pelos que consideravam se tratar de questão já "fechada". Temos que o Espírito que morre volta a ser Espírito (ou seja, retorna ao mundo dos Espíritos), porém, conserva a aparência de criança quando tenha desencarnado em tenra idade e, desde que ainda esteja vinculado à vida material MENTALMENTE falando.

Pensamos que em face da riqueza de informações, bem como de sua TOTAL consonância com a Codificação, as obras trazidas do mundo espiritual pela psicografia bendita de Chico Xavier a DESENVOLVE [2].

Neste aspecto, vimos, também, que as Revistas Espíritas trazidas à colação corroboram o item V da Capítulo IV do Livro Segundo de O Livro dos Espíritos, vez que os Espíritos, tendo vivido muitas outras existências, encarnam-se e podem morrer quando ainda crianças, e, em razão de suas maiores experiências, serem mais adiantadas do que Espíritos que animam pessoas adultas (neste caso, conforme sua elevação moral, podem se reconhecer Espíritos mais imediatamente e sofrer a perturbação em menor escala).

Não há relação entre o adiantamento do espírito e a idade do corpo humano que a alma anima. Poderá se tratar tanto de um Espírito Superior como Mediano ou Inferior, conforme se nos apresenta a Escala Espírita (Q-100). O fato de morrer quando criança não habilita o Espírito ao “paraíso” nem a condena às penas do "inferno". Repito: tudo tem a ver com seu patrimônio moral, sua elevação moral.

São vários os motivos que podem justificar a interrupção de uma vida na infância, sendo comum tratar-se de complemento de outra existência interrompida antes do tempo devido (como ocorre com os espíritos de suicidas). Poderá, também, ser prova ou expiação para os pais, como no caso de pais que promoveram aborto numa existência e poderão experimentar a perda de um filho muito desejado noutra e em tenra idade (temas estes, constantes da codificação, que demonstram o liame psíquico dos Espíritos com a matéria).

Finalmente, referindo-nos à questão 199-a, os Espíritos Codificadores responderam que o Espírito de uma criança morta recomeça uma nova existência. Pensamos que os Espíritos foram objetivos na resposta dizendo: A MORTE ENCERRA UMA EXISTÊNCIA E A PRÓXIMA SE INICIA JÁ NO PLANO ESPIRITUAL (para se construir um prédio, primeiramente elabora-se um projeto!). Podemos constatar essa verdade desenvolvida na Obra de André Luiz: Evolução em Dois Mundos (FEB Editora).

Insistimos! a sorte das crianças após a morte considerada na codificação refere-se não ao corpo ou à aparência do Espírito, mas, sobre a JUSTIÇA DIVINA, onde se refutou penas eternas e paraíso de delícias. Um estudo da obra O Céu e o Inferno – a justiça divina segundo o espiritismo, de Allan Kardec, poderá auxiliar na compreensão do tema.

[1] LIVROS QUE COMPÕEM A COLEÇÃO VIDA NO MUNDO ESPIRITUAL:
 1. NOSSO LAR
2. OS MENSAGEIROS
3. MISSIONÁRIOS DA LUZ
4. OBREIROS DA VIDA ETERNA
5. NO MUNDO MAIOR
6. LIBERTAÇÃO
7. ENTRE A TERRA E O CÉU
8. NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE
9. AÇÃO E REAÇÃO
10. EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS
11. MECANISMOS DA MEDIUNIDADE
12. SEXO E DESTINO
13. E A VIDA CONTINUA...


[2] XAVIER, Francisco Cândido. "Coleção Vida no Mundo Espiritual. 13 Livros ditados pelo Espírito André Luiz. Brasília-DF: Editora FEB, diversos anos.

GÊNESIS, PAULO DE TARSO, JOÃO E NÓS: A CAMINHO DA LUZ

Os antigos referiam-se à Criação usando expressões contendo uma ideia concreta, fazendo referência a evento que ocorreu pela primeira vez ...