ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS LIVRO SEGUNDO – PARTE 50


MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO IV – IX – IDEIAS INATAS –CAPÍTULO V – PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS
 - (Questões: 218 a 222)
Pela memória podemos aferir o próprio valor. Segundo Emmanuel, a faculdade de recordar é o agente que nos premia ou nos pune ante os acertos e os desacertos da vida.[1] O grande (e verdadeiro) Tribunal, a cujo juízo somos submetidos depois da morte, é com certeza, o da consciência, erigido por meio do remorso e da aflição.

A memória imperecível é sempre o espelho que nos retrata o passado[2]. Mas, questionará você acerca do véu que nos encobre quando encarnados. Todavia, impõe reconhecer que sempre temos vagas lembranças ou ideias inatas. Tais ideias representam o conjunto de conhecimentos adquiridos em cada existência.

Dois pontos importantes precisam ser observados:
     a) Durante a encarnação a individualidade possui intuição dos conhecimentos anteriormente adquiridos que lhe constituem patrimônio imperecível;
    b) Quando liberto da matéria sempre recordará dos conhecimentos adquiridos em existências anteriores.

ESPÍRITO DE SEQUÊNCIA E CONEXÃO ENTRE AS EXISTÊNCIAS

Se estivermos corretos no raciocínio, as existências sucessivas não possuem intima conexão. As posições ocupadas pelo Espírito não são, via de regra, semelhantes, tampouco iguais. Entre as existências o Espírito progride naquilo que se convencionou chamar de erraticidade. Esclarecemos que o termo erraticidade significa: o estado em que se encontra o espírito entre duas encarnações. Neste estado o Espírito aguarda a próxima encarnação que ocorrerá em situações e posições, podendo interferir nelas ou não, dependendo de sua elevação moral, cujo controle está sob a égide do Cristo e de Seus Ministros. Sobre a evolução do Espírito, André Luiz traz uma obra psicografada por Chico Xavier, cujo título é Evolução em Dois Mundos.

O progresso anterior do Espírito não se faz presente na sua consciência, sobretudo as lembranças de encarnações anteriores. Mas, esse progresso e lembranças se expressarão por meio de faculdades extraordinárias, donde que, mesmo sem estudo prévio, os indivíduos encarnados parecerão ter intuição de certos conhecimentos, tais como línguas, cálculos, etc. Embora troque de “vestimenta” (corpo físico), o Espírito não muda, é sempre o mesmo Espírito que em uma encarnação poderá animar o corpo de um homem, noutra de uma mulher, será senhor numa existência, escravo em outra, rico, pobre, negro, branco, etc.

O Espírito vem à Terra para progredir, para melhorar-se. Dessa maneira sua posição social vai variar e suas inclinações serão diferentes entre uma existência e outra. O costume de uma nova posição poderá afetar tais inclinações. Por isso, a identificação do Espírito é dificultosa. Esse processo durará até que Espírito sofra uma melhora ou aperfeiçoamento notável que mudará seu caráter completamente, de mau passa a ser bom. Mas, enquanto isto não ocorre, uma faculdade pode adormecer ou pode perder-se, desde que o Espírito queira exercer outra que não tenha relação com ela ou quando desonrou tal faculdade. Todavia, ficará em estado latente e reaparecerá mais tarde.

Mesmo no estado de selvagem, enquanto encarnado, o indivíduo tem sentimento instintivo da existência de Deus e pressente vida futura, pois são lembranças conservadas daquilo que sabia como Espírito antes de encarnar. O Orgulho poderá abafar esse germe, mas, nunca destruí-lo.

Algumas crenças presentes em todos os povos e que são relativas à doutrina espírita são frutos da lembrança que o Espírito tem, uma vez que essa doutrina é tão antiga quanto o mundo. Ela é encontrada em toda parte, fato que corrobora para sua veracidade. Assim, o Espírito encarnado, conservando a intuição do seu estado de Espírito, tem a consciência do mundo Espiritual. O que atrapalha a consciência total são os preconceitos e a ignorância misturada com a superstição.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS

O dogma da reencarnação não é uma invenção moderna. Tampouco Pitágoras é o criador do sistema de metempsicose, a qual tomou dos filósofos indianos e dos meios egípcios, onde existia desde épocas cuja memória não mais existe.

A metempsicose era a ideia da transmigração da alma de um homem para um animal. A Doutrina Espírita mostra a grande diferença com a reencarnação, uma vez que os Espíritos Superiores não admitem de maneira absoluta que o Espírito possa retrogradar. Desta forma, a reencarnação ocorrerá sempre em corpos humanos. Dessa forma, apresenta-se a pluralidade das existências de um ponto de vista racional, conforme as leis progressivas da natureza e em harmonia com a sabedoria do Criador.


A nova existência está sob o controle do Espírito, isto é, segundo as obras que tiverem feito numa existência poderão ser felizes ou infelizes na outra. A sucessão de existências anteriores e progressivas explica porque os indivíduos trazem, ao nascer, a intuição do que já haviam adquirido. São mais ou menos adiantados, segundo o número de existências porque passaram ou conforme estejam mais ou menos distanciados do ponto de partida.

O dogma da reencarnação explica racionalmente que cada um será recompensado segundo o seu verdadeiro merecimento, e ninguém é excluído da felicidade suprema, a que pode aspirar, sejam quais forem os obstáculos que encontre no seu caminho.

A doutrina da pluralidade das existências é a única a explicar aquilo que, sem ela, é inexplicável. É consoladora e está conforme a Justiça Divina, sendo para o homem a tábua de salvação que Deus lhe concedeu na sua infinita misericórdia.

Para estudo acerca do tema reencarnação remetemos o leitor ao Evangelho de Mateus, Capítulo XVII e ao Evangelho de João, Capítulo III, aos quais sugerimos o exame à luz da doutrina espírita para um melhor esclarecimento.




[1] XAVIER, Francisco Cândido. Religião dos Espíritos. Ditado por Emmanuel. Brasília: FEB, 2014, Cap. 4.
[2] Idem.

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