ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – PARTE 51


MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS -CAPÍTULO VI
– VIDA ESPÍRITA 
I – ESPÍRITOS ERRANTES

– (Questões: 223 a 233)



Quando há referência ao tema – espíritos errantes – percebe-se certa confusão com o termo usado pelos Espíritos. Nesse sentido, pensamos iniciar a reflexão buscando elucidar, segundo os próprios Espíritos, o que se compreende pela expressão: espíritos errantes.

Na questão 226 de O Livro dos Espíritos o Codificador provoca interessante resposta que define o que se quer dizer com a aludida expressão. Pergunta-se se é possível dizer que todos os espíritos não encarnados são errantes. E a resposta é bem simples, portanto, afastando qualquer confusão acerca da compreensão que se deve aduzir do tema. Afirmam os Espíritos:
- ERRANTES SÃO OS ESPÍRITOS QUE DEVEM REENCARNAR-SE, UMA VEZ QUE O SEU ESTADO É TRANSITÓRIO. Já, os Espíritos Puros não são errantes, pois, seu estado é definitivo.
Trata-se, pois, de um ESTADO DO ESPÍRITO. O espírito é errante porque ainda não atingiu o estado definitivo e precisa reencarnar-se novamente.

Lembrando o Evangelho de João, capítulo 3, versículo 8º, vemos que Jesus trata do mesmo tema, quando afirma: “O vento sopra onde quer, você escuta o seu som, mas não sabe de onde vem, nem para onde vai; assim ocorre com todos os nascidos do Espírito”.

Allan Kardec está questionando acerca do que ocorre com a alma após a separação do corpo (223). Respondendo, os Espíritos dizem que alguns podem reencarnar imediatamente, mas, a maioria aguarda a oportunidade em intervalos mais ou menos longos (quem podem durar algumas horas ou milhares de séculos. (224-a)).

A expressão usada pelos espíritos quando afirmam que a alma nesses intervalos é conhecida como Espírito errante, nada tem a ver com o ERRO que conhecemos, mas, do desconhecimento do momento em que terá a nova oportunidade que deseja e aguarda (224).

Explicando de um modo bem compreensível, dizem os Espíritos que a erraticidade é um estado da alma – Espírito livre da matéria. Existem Espíritos errantes de todos os graus. A encarnação é um estado transitório. Estar livre da matéria é um estado normal do Espírito. Mas, o Espírito que precisa reencarnar ainda não atingiu seu estado definitivo, o que ocorrerá quando chegar a Espírito Puro (225 e 226).

Quanto ao tempo em que a alma ficará errante (isto é, aguardando nova oportunidade para reencarnar), os Espíritos ensinam que será consequência do livre-arbítrio (escolhas). Estas escolhas podem ter sido corretas ou erradas, quando poderão suportar punição advinda da transgressão às Leis Divinas (ver questão 231), ou, podem pedir e obter anuência para reencarnar mais tarde a fim de estudar na condição de Espírito, o que não poderiam fazer com proveito na condição de encarnado (224-b).

Na explicação do Codificador vemos que não resta nenhuma dúvida quanto ao significado de espírito errante. Segundo Allan Kardec (explicação à questão 226) “no tocante ao estado, podem ser encarnados, que quer dizer ligados a um corpo; errantes, ou desligados do corpo material e esperando uma nova encarnação para se melhorarem. Espíritos puros, ou perfeitos e não tendo mais necessidade da encarnação”.

PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO – INSTRUÇÃO DOS ESPÍRITOS ERRANTES
Na condição de almas que aguardam nova oportunidade de reencarnar os Espíritos estudam seu passado, buscando meios de elevação. Veem e observam o que se passa nos lugares onde percorrem; escutam o que indivíduos esclarecidos falam, bem como ouvem os conselhos de Espíritos mais elevados. Nesse conjunto forma ideias que ainda não possuíam.

Quanto mais se eleva mais o Espírito deixa as más paixões e tanto mais pensa no bem. Espíritos ainda inferiores conservam as más paixões.

Há uma psicosfera que envolve o espírito que desencarna. Quanto mais atraído pelas paixões materiais, mais complexo é o processo de abandono dos maus desejos. Todas as coisas más estão impregnadas nesta atmosfera. As visões da verdade surgem em flashes.

O progresso do Espírito ocorre nos dois planos. No estado errante ele absorve novas ideias e é na existência corpórea que as colocará em prática. Será feliz ou infeliz segundo os seus méritos (suas obras). Se conservar os germes das más paixões sofrerá. Mais desmaterializados (isto é, desprendidos de paixões materiais, tais como alimentação, sexualidade, vinculação a bens materiais e etc.) serão mais felizes.

Uma indagação muito interessante pode ser traduzida assim: o desencarne (a morte) dá ao espírito o livre acesso a qualquer lugar no plano espiritual (erraticidade)? (232).

O Espírito que deixa o corpo ainda está ligado à matéria e pertence ao mundo em que viveu ou a um mundo do mesmo grau. Para que isto não ocorra tem que ter se elevado durante sua vida (é esse o objetivo de toda encarnação – a elevação). Em alguns casos pode obter o direito de visitar mundos superiores na condição de estranho a fim de desejar melhorar-se para ser digno da felicidade que neles é desfrutada e nele poder habitar.

Os espíritos inferiores não podem visitar livremente os mundos superiores, mas, os espíritos superiores vão frequentemente a mundos inferiores com o propósito de ajudá-los a progredir. São guias que orientam os espíritos inferiores, os quais não estão entregues a si mesmos.

CONCLUSÃO:
No estudo de hoje aprendemos um pouco mais acerca do que quer dizer a expressão espírito errante. Vimos também que os planos são solidários, assim como o Criador não desampara sua criação, pois oferece guias que auxiliam no progresso coletivo. Percebemos que a felicidade ou a infelicidade depende de nossas obras e nossa vinculação à matéria (se conservamos ou não as más paixões). O propósito da encarnação é o aprimoramento, a evolução do espírito. Há aquisição de conhecimento na condição de espírito errante, mas ideia nova só é colocada em prática na condição de espírito encarnado. Espírito encarnado é aquele ligado a um corpo físico. Errante é o estado do espírito desligado do corpo de carne que aguarda nova oportunidade de encarnar. Espírito Puro é aquele que não tem mais necessidade de encarnação.

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