"DESLIGAR OS APARELHOS"

Sabe-se que vários pacientes estão ligados a diversas máquinas que os mantém vivos. A certa altura os seus responsáveis são colocados diante da questão: desligar os aparelhos? 

Para todos os seres orgânicos a morte é um destino inevitável. No Livro dos Espíritos a causa da morte é a exaustão dos órgãos, o esgotamento do fluído vital, cuja quantidade não é a mesma para todos os seres orgânicos (Q-68 e comentário). Assim, somos levados a refletir sobre a finalidade da encarnação: levar os Espíritos à perfeição por meio dos problemas da vida corporal (para uns expiação, para outros missão) e tornar o Espírito apto a enfrentar sua parte na obra da criação (LE, Q-132). 

Cada Espírito encarnado é único, possuindo desígnios que somos incapazes de conhecer. No processo evolutivo a finalidade da reencarnação é permitir a expiação aos Espíritos e, dessa forma, promover o melhoramento progressivo da humanidade. Justiça Divina (LE, Q-167). E nessa situação demasiado complexa verificamos que todos os seres vivos possuem instinto de conservação, qualquer que seja o seu grau de inteligência (LE, Q-702), cuja finalidade é preservar a vida porque esta é necessária ao aperfeiçoamento dos seres (LE, Q-703).

Conforme noticiou a rede de TV americana CBS, Trenton McKinley, 13 anos, estava em coma em um hospital do Alabama (EUA) após grave acidente com um reboque de automóvel ocorrido na cidade de Mobile. O garoto sofreu fraturas no crânio e foi diagnosticado que nunca se recuperaria, pois teve falência dos rins, parada cardíaca, passou por várias cirurgias e passou 15 minutos sem sinais vitais na mesa de cirurgia.

Diante disto a família se deparou com a questão: DESLIGAR OS APARELHOS? Os médicos ainda disseram o garoto era compatível com outras crianças, que precisavam de transplantes. Os pais, junto dos médicos, concluíram que tudo que foi possível fazer para salvá-lo havia sido feito e decidiram pela doação dos órgãos, autorizando o procedimento. Contudo, no dia do último teste para determinar o desligamento dos aparelhos, os sinais vitais de Trenton Mckinley tiveram um pico e o teste foi cancelado. O menino recobrou totalmente sua consciência e teve a oportunidade de contar à emissora de TV que bateu no chão e o reboque caiu por cima de sua cabeça, depois disso ele não se lembrou de mais nada.

Muitos vão se socorrer, ante a ausência de explicações, em MILAGRES. Allan Kardec, tratando dos milagres e previsões na obra A Gênese, item 15 do Capítulo XIII, emitiu a seguinte OPINIÃO ESPÍRITA apoiada no raciocínio: “[...] os milagres não são necessários para a glória de Deus; nada no Universo se afasta das leis gerais".

Concluindo: "Deus não faz milagres, porque, sendo suas leis perfeitas, ele não tem necessidades de derrogá-las. Se se trata de fatos que não compreendemos, É QUE AINDA NOS FALTAM OS CONHECIMENTOS NECESSÁRIOS”.

O foco do caso em apreciação dos confrades não situa na questão de ser ou não ser milagre, mas, noutra: DESLIGAR O APARELHO QUE MANTÉM O SER HUMANO VIVO INTERESSA A QUEM? A Deus não é. Este nos revelou a ciência em benefício da humanidade. O homem é que dela faz mau uso.

Refletindo sobre o diagnóstico médico recordamos que os profissionais são credores de nosso profundo respeito. Todavia, precisamos nos curvar à lição espírita: ainda nos faltam conhecimentos necessários.

A questão não é somente desligar os aparelhos. Se o homem deve procurar prolongar a própria vida para cumprir sua tarefa na terra, motivo pelo qual possui o instinto de conservação que o sustenta em suas provas (LE, Q-730), é necessário voltar os olhos para dentro de si mesmo e descobrir o próprio tamanho na imensa obra da criação.

Não temos direito nenhum sobre a vida de nosso semelhante. Será que os aparelhos não deveriam continuar ligados até que os órgãos e o próprio fluído vital sejam exauridos? Essa é nossa proposta!

Recordemos o que os Espíritos Superiores esclareceram sobre a pena de morte: “quando os homens forem mais esclarecidos a pena de morte será completamente abolida na Terra. Mas, essa época ainda está MUITO LONGE da humanidade terrestre” (LE, Q-760). Além disto, a pena de morte “é um crime e os que o fazem são responsáveis por esses assassinatos” (LE, Q-765).

Finalmente, e ainda desejando que o tema sofra as reflexões merecidas, nos referimos sobre a Lei de Destruição cujo objetivo é a regeneração dos seres, quando do questionamento do Codificador acerca dos motivos pelos quais ao lado dessa lei Deus coloca os meios de preservação e conservação da vida, em que os Espíritos Superiores responderam: “Há um tempo para tudo. Toda destruição antecipada entrava o desenvolvimento do princípio inteligenteOs meios de preservação e conservação evitam a destruição antes do tempo necessário” (LE, Q-729).

Ora, aqueles que autorizam o desligamento dos aparelhos e aqueles que os desligam não estão aplicando uma pena de morte ao seu semelhante?

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