ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS - EDIÇÃO ESPECIAL


PENA DE MORTE E ABORTO PROVOCADO
LIVRO SEGUNDO, CAPÍTULO VII E LIVRO TERCEIRO, CAPÍTULO VII

– (Questões: 760 e 358)

Hoje, especialmente, pedimos licença para os nossos amigos que acompanham o Estudo da Doutrina Espírita com comentários às questões de O Livro dos Espíritos de modo sequencial, para nos atermos a duas questões que reputamos de importância para o movimento espírita.

Começamos pela obra O ESPIRITISMO EM SUA MAIS SIMPLES EXRESSÃO – Resumo dos Ensinamentos dos Espíritos, por Allan Kardec, tradução de Joaquim da Silva Sampaio Lobo, onde o Codificar ensina: “30. O Espiritismo não é uma nova luz, mas uma luz mais ampla, porque surgiu de todos os pontos do globo graças àqueles que viveram. Tornando evidente o que fora até então obscuro, põe fim às interpretações errôneas e deverá reunir todos os homens em uma só crença, porque há somente um Deus e suas leis são as mesmas para todos. Marca, afinal, a fase dos tempos preditos pelo Cristo e pelos profetas”.

Ora, se o espiritismo deverá reunir todos os indivíduos é porque estes ainda não estão reunidos. Daí a necessidade de conhecer o Espiritismo, estudar o Espiritismo, VIVENCIAR o Espiritismo e divulgar o Espiritismo. Kardec, nessa obra, item seguinte, ainda esclarece que a Terra é afligida por males e esses são causados pelos indivíduos, cuja causa é o orgulho, o egoísmo e todas as más paixões. No contato com os seus vícios os homens se tornam RECIPROCAMENTE INFELIZES E CASTIGAM-SE UNS AOS OUTROS.

Mas, ainda, importa lembrar que o Mestre de Lyon no item 27 dessa obra esclarece que Deus, apesar de ter gravado sua lei na consciência dos indivíduos, achou conveniente “formulá-la de maneira explícita. Primeiramente, enviou Moisés. Mas as leis de Moisés eram apropriadas aos homens de seu tempo; só lhes falou da vida terrena, das penas e recompensas temporais. Veio, a seguir, o Cristo, para COMPLETAR a lei de Moisés com um ensinamento mais elevado: a pluralidade das existências, a vida espiritual, as penas e recompensas morais. Moisés conduziu pelo temor; Cristo, pelo amor e pela caridade”.

No item 32 da Obra diz que o egoísmo e o orgulho parecem ser inerentes ao coração dos seres humanos, os quais trilharam o caminho do mal, atendendo aos próprios vícios e por isso foram EXILADOS NA TERRA. Termina esse item esclarecendo que “Por meio do Espiritismo, Deus vem fazer um DERRADEIRO apelo à prática da lei ensinada pelo Cristo: a lei do amor e da caridade”.

Então, qual é o OBJETO DO ESPIRITISMO? Segundo o Codificador, item 35 da obra acima: “[...] MELHORAR OS HOMENS, NO QUE CONCERNE AO SEU PROGRESSO MORAL E INTELECTUAL”.

E, refletindo sobre isso, é possível pensar que Allan Kardec, apresentando um RESUMO dos ensinamentos dos Espíritos, isto é, numa interpretação e síntese de alguns pontos, separaria os “Bodes e as Ovelhas”, por assim dizer, no que concerne a SER ESPÍRITA? Nossa resposta é positiva, pois, quanto ao Espírita, o Codificador declarou:

“36. O VERDADEIRO ESPÍRITA NÃO É O QUE CRÊ NAS COMUNICAÇÕES, MAS O QUE PROCURA APROVEITAR OS ENSINAMENTOS DOS ESPÍRITOS. DE NADA ADIANTA CRER, SE SUA CRENÇA NÃO O FAZ DA SEQUER UM PASSO NA SENDA DO PROGRESSO, E NÃO O TORNA MELHOR PARA O PRÓXIMO”.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo VI, item 5, o Espírito da Verdade apresentará: “Espíritas: amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. TODAS AS VERDADES SE ENCONTRAM NO CRISTIANISMO; os erros que nele se enraizaram são de origem humana;[...]”.

Questionamos, se objetivo do Espiritismo é melhorar e progredir a alma que se encontra em processo evolutivo; se o Espírita verdadeiro é aquele QUE PROCURA APROVEITAR OS ENSINAMENTOS DOS ESPÍRITOS, tornando-se MELHOR PARA O PRÓXIMO; Onde se encaixa na Doutrina Espírita ou aquele que se diz Espírita se o mesmo defende PENA DE MORTE e ABORTO?

Buscar explicar o questionamento por meio de palavras afastando o espírito que as vivificam, somente trará à tona as velhas questões de meras teologias. Todavia, lembramos que o médium de Deus é um só: JESUS. O Mesmo que declarou: “Homens fracos, que vos limitais às trevas de vossa inteligência, não afastei a tocha que a clemência divina vos coloca nas mãos, para iluminar a vossa rota e vos reconduzir, crianças perdidas, ao regaço de vosso Pai” (ESSE, Cap. VI, item 5).

Portanto, desconsiderar o Cristo que é AMOR E CARIDADE é impossível. Pensar diferente é perfeitamente compreensível, pois, Deus concede a cada um o Livre Arbítrio e a ninguém é dado o direito de violá-lo. Evolução é processo e se desenvolve em ciclos, não há saltos. Mas, precisamos recordar uma grande lição de Allan Kardec, que consta do item 6 da obra O Que É o Espiritismo, Capítulo II, Noções Elementares sobre Espiritismo: “[...] O Espiritismo NÃO É responsável pelos que compreendem mal ou o praticam às avessas, da mesma forma que a poesia não responsável por aqueles que fazem maus versos”.

De acordo com o Codificador, impossível basear-se em obras ditas espíritas que defendem o contrário, pois que existem obras excêntricas, incompletas, ridículas e cheias de erros. O Espiritismo não pode ser julgado apenas pela aparência, mas, deve ser estudado, pois, somente assim se pode saber o que o Espiritismo admite e o que rejeita, bem como o que repudia em nome da razão e da experiência (obra citada, item 6, cap. II).

Feitas essas considerações importantes e necessárias para o desenvolvimento da ideia a se apresentar, vamos a O Livro dos Espíritos. A questão 760 trata da pena de morte e do seu desaparecimento da legislação humana.

Segundo Kardec há algum progresso social face algumas restrições impostas a essa pena. É um avanço. Os Espíritos Codificadores, ao seu turno assinalam que a supressão da pena de morte é um progresso da humanidade.

Nesse capítulo vemos que o direito de preservar sua própria vida, na aplicação da lei de conservação, é questionado por Kardec aos Espíritos, principalmente no caso da eliminação de um membro perigoso da sociedade. É preciso ler a resposta que vamos escrever na íntegra:
“- HÁ OUTROS MEIOS DE SE PRESERVAR DO PERIGO, SEM MATAR. É NECESSÁRIO, ALIÁS, ABRIR AO CRIMINOSO E NÃO FECHAR A PORTA DO ARREPENDIMENTO”.

Quanto ao tema, somos esclarecidos de que cometemos EXCESSOS em razão da IGNORÂNCIA e o fazemos em nome da JUSTIÇA. Isto é, a pena de morte existe em razão de que não evoluímos no que respeita à compreensão do que é justo ou injusto. A pena de Talião (que é o princípio da pena de morte) é a JUSTIÇA DE DEUS. É Deus quem a aplica e isso vale para todos os encarnados na Terra. Somos naquilo em que pecamos e todo o que faz sofrer o seu semelhante estará numa situação em que sofrerá o mesmo.

Para os defensores da pena de morte a expressão “perdoai aos vossos inimigos” no ensino de Jesus não passa de letra perdida. Não esqueça, todavia, que o perdão que pedimos a Deus está na medida do perdão com que houvermos perdoado. Quem aplica a pena de morte está longe de compreender Deus. Todos os que matam, mandam matar ou defendem a morte alheia serão responsáveis por esses assassinatos.

Finalmente, quanto à aplicação da pena de morte, vemos também, o Capítulo II do Livro Segundo de O Livro dos Espíritos, que trata do Aborto Provocado. Questionados sobre as consequências do aborto para o Espírito, os Espíritos responderam que se trata de uma existência nula e a recomeçar.

Se há crime no aborto provocado em qualquer época da concepção os Espíritos Superiores advertem: “Há sempre crime quando se transgrida a lei de Deus. A mãe ou qualquer pessoa cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento [...]”.

E concluem os Espíritos Codificadores a Allan Kardec sobre esse ato e sua consequência para o Espírito que busca a reencarnação: “[...] porque isso É IMPEDIR A ALMA DE PASSAR PELAS PROVAS DE QUE O CORPO DEVIA SER O INSTRUMENTO”.

Ficam, assim, nossas colocações para reflexão sobre essas duas questões de O Livro dos Espíritos.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. (Trad. José Herculano Pires). São Paulo: LAKE, 2013.
KARDEC, Allan. Iniciação Espírita. (Trad. Joaquim S. S. Lobo e Cairbar Schutel). Distrito Federal: EDICEL, 2013.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. (Trad. José Herculano Pires). São Paulo: LAKE, 2013.

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