ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – PARTE 58


MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS  – 
CAPÍTULO VI – VIDA ESPÍRITA
 IX – COMEMORAÇÃO DOS MORTOS. FUNERAIS

– (Questões: 320 a 329) –

“Senhor Jesus!
Enquanto nossos irmãos na Terra se consagram hoje à lembrança dos mortos-vivos que se desenfaixaram da carne, oramos também pelos vivos-mortos que ainda se ajustam à teia física...”

Emmanuel, Religião dos Espíritos.
Cap. 77, Oração no dia dos mortos.


O Capítulo VI, Livro Segundo, que trata da Vida Espírita, no item IX irá se referir à comemoração dos mortos e funerais. Observamos neste tópico que as indagações giram em torno do sentimento e do liame dos desencarnados com encarnados. Refere-se, também, à felicidade e infelicidade. Percebe-se que a morte não reduz sentimentos e que a gratidão consola, traz felicidade. Mecanismo da interpendência e intercessão.

Esse dia é denominado no Brasil como dia de finados. Ocasião em que nosso pensamento convida os Espíritos para nos visitarem. É necessário lembrar que todas as vezes que nosso pensamento for direcionado a qualquer Espírito, o estaremos chamando para nosso encontro.

Na ocasião de comemoração dos mortos tal comparecimento é uma atenção dispensada com fraternidade aos amigos cujo sentimento de fraternidade é real. O indiferente não atrai atenção dos Espíritos. Se pudessem ser vistos pelos olhos físicos sua forma será aquela em que os amigos conheceram em vida.

Os Espíritos Superiores também ensinam que é o coração que atrai os desencarnados. Se o sentimento por eles não mais existe na Terra passam a se ocupar com o Universo que se lhes descortina pela frente.

Entre a visita ao túmulo e uma prece há grande diferença. A visita é ato exterior. Isto é, mostra que o vivo está pensando no morto. Mas, para o Espírito “é a PRECE que SANTIFICA o ATO DE LEMBRAR” (LE, Q-323 e 823). A lembrança deve ser comandada pelo sentimento puro e verdadeiro. O desejo de perpetuar a própria memória nos monumentos fúnebres, por exemplo, é um derradeiro ato de orgulho daquele que deixa de envergar a veste carnal, assim como, quando o monumento é erguido por parentes, que, na verdade, estão honrando a si mesmos, por amor-próprio, por consideração ao mundo e PARA EXIBIÇÃO DE RIQUEZA.

Os Espíritos Codificadores ensinam na resposta à questão 823-a da obra que estudamos que a lembrança de um ser querido não é menos durável porque o pobre tem somente uma flor para colocar na tumba do que se foi. E o mais importante: O MARMORE NÃO SALVA DO ESQUECIMENTO AQUELE QUE FOI INÚTIL NA TERRA.

Aprendemos aqui que a afeição dos Espíritos por certos lugares prova inferioridade moral. O Espírito elevado não se compraz com um pedaço de terra. O Espírito Superior sabe que SUA ALMA SE REUNIRÁ AOS QUE AMA, MESMO QUE OS OSSOS ESTEJAM SEPARADOS.

Os ensinamentos dos Espíritos Codificadores, todavia, não visam que os encarnados passem a não dar qualquer importância aos seus despojos, próprios ou de familiares. Quando vem de um costume piedoso demonstra testemunho de simpatia entre os que se amam. Por não ser importante para os Espíritos é útil para os encarnados, pois concentra melhor suas recordações.

A lição para nossa reforma interior, além do que foi explanado acima, pode ser extraída da resposta à questão 326, pois, durante nossa vida corpórea é necessário se desvencilhar de quaisquer laços com as paixões materiais, principalmente quanto a esperanças depositadas nos outros (gratidão, reconhecimento, deferência, etc.).

Aquele que não trabalha para superar esses arrastamentos materiais, conservando os preconceitos do mundo, sofrerá consequências após a morte. Ou ficará demasiado feliz e satisfeito com honras materiais tributadas, o que o prenderá por mais tempo à Terra, ou o abandono lhe causará grandes tormentos e desgostos.

O Espírito poderá assistir ou não o seu enterro. Depende do seu desprendimento dos arrastamentos da matéria. Se ainda estiver perturbado não o assistirá. Quando o assistir sua satisfação com a presença de pessoas dependerá do sentimento que as levaram até aquele local.

Na maioria das vezes Deus permite que o Espírito assista a divisão dos bens que deixou na Terra. Trata-se de oportunidade para aprendizado. A evolução ocorre em dois mundos e não cessa nenhum instante. Todo momento é importante para se aprender algo mais. Nesta ocasião tem condições de conhecer melhor cada sentimento que move os seus herdeiros. Todavia, nascer, morrer, renascer, é uma Lei Divina. Chegará o momento de cada um de nós, INCLUSIVE DOS HERDEIROS.

Conclusão:
Este item do capítulo buscou mostrar o sentimento que nos move com relação ao respeito instintivo do ser humano pelos mortos. Tratando-se de uma Lei Natural – toda matéria impregnada com fluído vital morrerá -, todos os povos da Terra sempre demonstraram tal respeito. ISTO É EFEITO DA INTUIÇÃO INATA DA EXISTÊNCIA DA VIDA FUTURA, sem o qual tal respeito não teria sentido.

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – PARTE 57

MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – CAPÍTULO VI – VIDA ESPÍRITA 
 VIII – LEMBRANÇA DA EXISTÊNCIA CORPÓREA 
– (Questões: 304 – 319) –

Referente ao tema central das questões em estudo, lembrança da existência corpórea, buscaremos considerar algumas informações úteis extraídas dos ensinamentos dos Espíritos Superiores, a saber:

a) A maioria dos Espíritos espanta-se com a vida espírita ao reentrar no mundo dos espíritos; Esse é o efeito do primeiro momento e da perturbação que se segue ao despertar do espírito após a morte do corpo físico;

b) A situação dos Espíritos e sua maneira de ver as coisas variam ao infinito, na razão do grau de desenvolvimento moral e intelectual;

c) Para Espíritos elevados a pátria é sempre o Universo; Para os Espíritos da Terra a pátria é o local onde possuem um maior numero de pessoas simpáticas, visto que se unem por sintonia e preferência;

d) Os Espíritos que lastimam os gozos terrenos e sofrem por isso são aqueles cuja natureza ainda é impura; Espíritos elevados preferem a felicidade eterna que só se encontra na condição de Espírito;

e) O que atrai esse ou aquele espírito para perto de nós É O PENSAMENTO, nunca objetos;

f) O corpo, para um espírito que busca a purificação, mais desmaterializado, menos preso às paixões terrenas, é uma veste imprópria que incomoda e o embaraça, a qual vê, quase sempre, com indiferença, algo sem importância; O espírito menos elevado que se importa com as coisas terrenas poderá reconhecer os ossos e outras coisas que tenham lhe pertencido; TUDO DEPENDE DA ELEVAÇÃO MORAL E INTELECTUAL;

g) A lembrança dos sofrimentos suportados na última existência, frequentemente conservada, serve para o Espírito avaliar a felicidade que pode desfrutar como Espírito.

À medida que o Espírito se desmaterializa, isto é, se torna desapegado de coisas terrenas, paixões inferiores e se desprende dos laços com a matéria, sofrerá grandes modificações de suas ideias. Mesmo os que permanecem muito tempo com as mesmas ideias, pouco a pouco a influência da matéria diminui e isto lhes oferece uma visão mais clara sobre tudo. Dessa maneira, então, procura melhorar. Tem sempre o desejo, a vontade e o livre arbítrio agindo e sendo respeitados pela providência.

Como uma grande escola, a Terra serve aos Espíritos em conformidade com seu grau de desenvolvimento moral e intelectual, ou seja:

1. Espíritos de ordem elevada geralmente fazem na Terra estações de curta duração; Comparada às grandezas do infinito, o que aqui se faz é bastante mesquinho; Aquilo a que atribuímos maior importância são coisas muito pueris e não lhes oferece atração, salvo quando tenham sido convocados para auxiliar no progresso da humanidade;

2. Espíritos de ordem intermediária passam mais frequentemente na Terra, embora considerem as coisas de maneira mais elevada do que durante a encarnação; Já conseguem distinguir a importância da vida espírita e da vida material;

3. Espíritos vulgares são os alunos matriculados na escola, em tempo integral e ainda no “Jardim da Infância Espiritual”; Constituem a massa da população ambiente do mundo invisível; Conservam as mesmas tendências que tinham quando encarnados, as mesmas ideias e gostos; Intrometem-se nas nossas reuniões, em nossos negócios, nas diversões, tomando parte mais ou menos ativa conforme seu caráter; Como não podem satisfazer seus desejos e paixões sentem prazer acompanhando aqueles que se entregam a estas mesmas paixões, excitando-as nas pessoas cuja afinidade de pensamentos os atraíram; Entre eles existem alguns mais sérios que buscam ver e observar com a finalidade de se instruir e se aperfeiçoar.

Considerando as questões de sintonia e preferência, elevação moral e intelectual, bem como desprendimento dos gozos e paixões materiais, o Espírito, tendo vivido muitas vezes recorda-se do que foi. A lembrança não ocorre de imediato, mas, pouco a pouco. Para isso é necessário que o Espírito fixe atenção nessa lembrança.

Há, todavia, um filtro, pois, esta lembrança ocorre na razão das consequências que acarretam para sua situação de Espírito. Há circunstâncias que não têm importância, não têm utilidade e não vale a pena lembrar, assim, ele não o faz. Pode lembrar-se até dos mínimos detalhes, desde que tenha alguma utilidade. Entendemos que essa utilidade será a ELEVAÇÃO MORAL E INTELECTUAL DO ESPÍRITO.

É possível que o Espírito se lembre de outras existências, desde que esta influencie no seu estado presente. Lembranças sem interesse caem no esquecimento, assim como aquelas referente às primeiras existências como Espírito. É importante atentar que alguns espíritos que acabam de deixar a Terra podem não se lembrar de nomes de pessoas que amavam ou detalhes que parecem importantes para os encarnados. O Espírito irá se lembrar dos fatos principais que o ajudam a se melhorar.

Notamos que a lembrança da vida corpórea proporciona ao Espírito ver e compreender melhor a finalidade da vida terrestre do que quando estava encarnado. Auxilia a compreender a necessidade de purificação própria e que CADA EXISTÊNCIA PERMITE SE LIVRAR DE ALGUMAS IMPUREZAS. Isto é, não há encarnação sem proveito. Quanto mais desmaterializado estiver, menos importância atribuirá às coisas materiais.

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – PARTE 56

MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS –
CAPÍTULO VI – VIDA ESPÍRITA –
 VII – RELAÇÕES SIMPÁTICAS E ANTIPÁTICAS DOS ESPÍRITOS – 
METADES ETERNAS

– (Questões: 291 – 303.a) –


Pathos é uma palavra grega que significa paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento, assujeitamento, sentimento e doença.
O conceito filosófico criado por Descartes para designar tudo o que se faz ou acontece de novo é geralmente chamado pelos filósofos de pathos. Esse conceito está ligado ao padecer, pois o que é passivo de um acontecimento sofre ou suporta este, pois, não existe pathos senão na mobilidade, na imperfeição.
Esse termo grego foi transliterado para as línguas neolatinas e anglo-saxãs como patiapata e pato, os quais foram usados como prefixos (início) ou sufixos (término) na composição de muitas terminologias também conceituais.
A palavra foi bastante utilizada por Friedrich Nietzsche. Um exemplo é a obra Genealogia da Moral.
Em O Livro dos Espíritos, tratando das relações entre os Espíritos, veremos o uso das expressões SIMPÁTICAS e ANTIPÁTICAS. Podemos definir a simpatia como a afinidade moral, similitude no sentir e no pensar que aproxima duas ou mais pessoas e a relação entre pessoas que, tendo afinidades, se sentem espontaneamente atraídas entre si. Ao seu turno, a antipatia será a aversão espontânea, irracional, gratuita por (alguém ou algo), malquerença, repulsão, que poderá expressar-se por um comportamento.
Sempre que tratarmos desse tema, pensamos, é importante ter em mente a resposta dada pelos Espíritos Codificadores acerca do que chamaremos de sintonia e preferência, pois, “semelhante atrai semelhante” (Q-260). Veja, também, a resposta à questão 466 sobre Espíritos que incitam ao mal: [...] quando más influências agem sobre ti, é tu que as chamas, pelo desejo do mal, porque os Espíritos inferiores vêm em teu auxílio no mal, quando tens a vontade de cometê-lo; [...] também haverá outros que tratarão de influenciar-te para o bem, o que faz que se reequilibre a balança e te deixe senhor de ti.
Ainda, tratando deste tema relacionado à afeição (simpatia), veremos que o item V do Capítulo IX do Livro Segundo de O Livro dos Espíritos também se debruça sobre o tema, que é retomado quando se fala em Espíritos Simpáticos no item seguinte.

Pois bem, verifica-se como se trata de um tema amplamente debatido pelos Espíritos Superiores. No item ora estudado compreenderemos que os laços que unem os Espíritos são mais fortes quando despojados do corpo. É que o envoltório carnal expõe o Espírito aos problemas relacionados com as paixões (diríamos arrastamentos). O corpo humano é um imã, por assim dizer, para fazer crer existir uma ligação onde esta não passa de “atração”.

Outro fato importante é que a aversão é um sentimento pertencente a espírito inferior, também chamado de Espírito IMPURO. Todas as amizades e afastamentos são provocados por Espíritos inferiores. O que nos liga a estes, como afirmamos acima é a sintonia e a preferência. Para nos afastarmos deles é necessário mudar de faixa vibratória, isto é, fechar a porta que abrimos por meio de nossas paixões inferiores.

Todo ressentimento, animosidade e dissenção que mantemos uns com os outros, mesmo após o desencarne, comprova nossa inferioridade ou ausência de purificação. Não se trata de involução, mas, estacionamento. Tudo que separa os Espíritos advém de interesses materiais. Desta forma, todos os sentimentos de aversão que cultivamos e nutrimos uns pelos outros é sinal de que somos materialistas, ainda que nos afirmemos Espíritas.

Todas as más ações que praticamos são obstáculos à que nos afeiçoemos. Daí a necessidade das inúmeras encarnações para que o amor verdadeiro tome lugar da antipatia. A partir do momento em que os Espíritos se afeiçoam não mais se enganam, tornando inalterável o sentimento, pois, este se torna puro. A felicidade tão almejada encontra aí o seu manancial. O amor puro será a sua fonte. Trata-se de afeição sólida quando provém de Espíritos Puros (Q-296).

Conforme aprendemos com o item 18 do Capítulo IV de O Evangelho Segundo o Espiritismo vamos compreender que os laços de família se fortalecem pela reencarnação e, conforme a resposta contida na Questão 297 de O Livro dos Espíritos, a afeição de dois seres mantidas na Terra prosseguirá no mundo dos Espíritos, porquanto se baseia numa verdadeira simpatia.

Todavia, não se podem confundir tais afeições com aquelas de ordem somente físicas (paixões, atrações, sensualidade, etc.), pois, estas cessam com suas causas. Isto é, se o que atrai é uma sensação de ordem corporal (física), com a morte do corpo não há mais que se falar em “afeição” (que na verdade era somente uma atração física – Q-297).

Em se tratando de relações simpáticas ou antipáticas entre os Espíritos, outro tema importante é a questão das almas que se encontram. Não há nenhuma união particular e fatal entre duas almas. As uniões existem, mas, é necessário considerar o grau ocupado. A que ordem pertence o Espírito. Quanto mais perfeitos, mais unidos.

A discórdia é humana e a concórdia é espiritual.

Se não existem almas destinadas umas às outras, também não existem as chamadas metades eternas. Se fosse o contrário, como respondido na Questão 299, o Espírito que não estivesse unido à sua metade estaria incompleto. O Espírito é uma individualidade única.

Reflexões importantes:

a) Todos os Espíritos que já atingiram a perfeição estão unidos entre si;
b) Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, não tem mais a mesma simpatia pelos que ficam;
c) Os Espíritos não se completam, podem nutrir simpatia ou concordância de tendências, instintos, mas, cada um é uma individualidade e a mantém sempre; Não há complementaridade;
d) A afinidade necessária para a simpatia perfeita consiste na IGUALDADE DOS GRAUS DE ELEVAÇÃO;

Há, todavia, em nosso estudo de hoje que se fazer a seguinte consideração:
A simpatia inalterável existe entre Espíritos Puros e para ser perfeita é necessária a igualdade dos graus de elevação, mas, quando os Espíritos estão evoluindo, os liames de simpatia podem deixar de existir quando um Espírito é preguiçoso, isto é, quer ficar estacionado enquanto o outro deseja elevar-se.

Informamos ao nosso leitor que o Espírito Emmanuel ao tratar do tema metades eternas na obra O Consolador, conforme nota ali contida, deixou sua resposta em consonância com o exposto nas questões em comentário.

Percebemos no estudo de hoje que nossas afeições têm muito a dizer sobre nosso grau evolutivo. Emmanuel na Obra Mediunidade e Sintonia, no prefácio ditado em 02.01.1986, afirmou:
“Parafraseando o antigo provérbio “Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, concluiremos que basta a pessoa explicar onde repetidamente está para sabermos que objetivos ela procura e basta notarmos com quem anda para que saibamos com quem essa mesma pessoa deseja se parecer”.

Diríamos nós: Diga-me o que pensa e saberei com quem tu andas!

GÊNESIS, PAULO DE TARSO, JOÃO E NÓS: A CAMINHO DA LUZ

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