ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – CAPÍTULO VI – VIDA ESPÍRITA –



– VII – RELAÇÕES SIMPÁTICAS E ANTIPÁTICAS DOS ESPÍRITOS 

METADES ETERNAS

– (Questões: 291 – 303.a) –


Pathos é uma palavra grega que significa paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento, assujeitamento, sentimento e doença.
O conceito filosófico criado por Descartes para designar tudo o que se faz ou acontece de novo é geralmente chamado pelos filósofos de pathos. Esse conceito está ligado ao padecer, pois o que é passivo de um acontecimento sofre ou suporta este, pois, não existe pathos senão na mobilidade, na imperfeição.
Esse termo grego foi transliterado para as línguas neolatinas e anglo-saxãs como patiapata e pato, os quais foram usados como prefixos (início) ou sufixos (término) na composição de muitas terminologias também conceituais.
A palavra foi bastante utilizada por Friedrich Nietzsche. Um exemplo é a obra Genealogia da Moral.
Em O Livro dos Espíritos, tratando das relações entre os Espíritos, veremos o uso das expressões SIMPÁTICAS e ANTIPÁTICAS. Podemos definir a simpatia como a afinidade moral, similitude no sentir e no pensar que aproxima duas ou mais pessoas e a relação entre pessoas que, tendo afinidades, se sentem espontaneamente atraídas entre si. Ao seu turno, a antipatia será a aversão espontânea, irracional, gratuita por (alguém ou algo), malquerença, repulsão, que poderá expressar-se por um comportamento.
Sempre que tratarmos desse tema, pensamos, é importante ter em mente a resposta dada pelos Espíritos Codificadores acerca do que chamaremos de sintonia e preferência, pois, “semelhante atrai semelhante” (Q-260). Veja, também, a resposta à questão 466 sobre Espíritos que incitam ao mal: [...] quando más influências agem sobre ti, é tu que as chamas, pelo desejo do mal, porque os Espíritos inferiores vêm em teu auxílio no mal, quando tens a vontade de cometê-lo; [...] também haverá outros que tratarão de influenciar-te para o bem, o que faz que se reequilibre a balança e te deixe senhor de ti.
Ainda, tratando deste tema relacionado à afeição (simpatia), veremos que o item V do Capítulo IX do Livro Segundo de O Livro dos Espíritos também se debruça sobre o tema, que é retomado quando se fala em Espíritos Simpáticos no item seguinte.

Pois bem, verifica-se como se trata de um tema amplamente debatido pelos Espíritos Superiores. No item ora estudado compreenderemos que os laços que unem os Espíritos são mais fortes quando despojados do corpo. É que o envoltório carnal expõe o Espírito aos problemas relacionados com as paixões (diríamos arrastamentos). O corpo humano é um imã, por assim dizer, para fazer crer existir uma ligação onde esta não passa de “atração”.

Outro fato importante é que a aversão é um sentimento pertencente a espírito inferior, também chamado de Espírito IMPURO. Todas as amizades e afastamentos são provocados por Espíritos inferiores. O que nos liga a estes, como afirmamos acima é a sintonia e a preferência. Para nos afastarmos deles é necessário mudar de faixa vibratória, isto é, fechar a porta que abrimos por meio de nossas paixões inferiores.

Todo ressentimento, animosidade e dissenção que mantemos uns com os outros, mesmo após o desencarne, comprova nossa inferioridade ou ausência de purificação. Não se trata de involução, mas, estacionamento. Tudo que separa os Espíritos advém de interesses materiais. Desta forma, todos os sentimentos de aversão que cultivamos e nutrimos uns pelos outros é sinal de que somos materialistas, ainda que nos afirmemos Espíritas.

Todas as más ações que praticamos são obstáculos à que nos afeiçoemos. Daí a necessidade das inúmeras encarnações para que o amor verdadeiro tome lugar da antipatia. A partir do momento em que os Espíritos se afeiçoam não mais se enganam, tornando inalterável o sentimento, pois, este se torna puro. A felicidade tão almejada encontra aí o seu manancial. O amor puro será a sua fonte. Trata-se de afeição sólida quando provém de Espíritos Puros (Q-296).

Conforme aprendemos com o item 18 do Capítulo IV de O Evangelho Segundo o Espiritismo vamos compreender que os laços de família se fortalecem pela reencarnação e, conforme a resposta contida na Questão 297 de O Livro dos Espíritos, a afeição de dois seres mantidas na Terra prosseguirá no mundo dos Espíritos, porquanto se baseia numa verdadeira simpatia.

Todavia, não se podem confundir tais afeições com aquelas de ordem somente físicas (paixões, atrações, sensualidade, etc.), pois, estas cessam com suas causas. Isto é, se o que atrai é uma sensação de ordem corporal (física), com a morte do corpo não há mais que se falar em “afeição” (que na verdade era somente uma atração física – Q-297).

Em se tratando de relações simpáticas ou antipáticas entre os Espíritos, outro tema importante é a questão das almas que se encontram. Não há nenhuma união particular e fatal entre duas almas. As uniões existem, mas, é necessário considerar o grau ocupado. A que ordem pertence o Espírito. Quanto mais perfeitos, mais unidos.

A discórdia é humana e a concórdia é espiritual.

Se não existem almas destinadas umas às outras, também não existem as chamadas metades eternas. Se fosse o contrário, como respondido na Questão 299, o Espírito que não estivesse unido à sua metade estaria incompleto. O Espírito é uma individualidade única.

Reflexões importantes:

a) Todos os Espíritos que já atingiram a perfeição estão unidos entre si;
b) Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, não tem mais a mesma simpatia pelos que ficam;
c) Os Espíritos não se completam, podem nutrir simpatia ou concordância de tendências, instintos, mas, cada um é uma individualidade e a mantém sempre; Não há complementaridade;
d) A afinidade necessária para a simpatia perfeita consiste na IGUALDADE DOS GRAUS DE ELEVAÇÃO;

Há, todavia, em nosso estudo de hoje que se fazer a seguinte consideração:
A simpatia inalterável existe entre Espíritos Puros e para ser perfeita é necessária a igualdade dos graus de elevação, mas, quando os Espíritos estão evoluindo, os liames de simpatia podem deixar de existir quando um Espírito é preguiçoso, isto é, quer ficar estacionado enquanto o outro deseja elevar-se.

Informamos ao nosso leitor que o Espírito Emmanuel ao tratar do tema metades eternas na obra O Consolador, conforme nota ali contida, deixou sua resposta em consonância com o exposto nas questões em comentário.

Percebemos no estudo de hoje que nossas afeições têm muito a dizer sobre nosso grau evolutivo. Emmanuel na Obra Mediunidade e Sintonia, no prefácio ditado em 02.01.1986, afirmou:
“Parafraseando o antigo provérbio “Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, concluiremos que basta a pessoa explicar onde repetidamente está para sabermos que objetivos ela procura e basta notarmos com quem anda para que saibamos com quem essa mesma pessoa deseja se parecer”.

Diríamos nós: Diga-me o que pensa e saberei com quem tu andas!

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