GÊNESIS, PAULO DE TARSO, JOÃO E NÓS: A CAMINHO DA LUZ


Os antigos referiam-se à Criação usando expressões contendo uma ideia concreta, fazendo referência a evento que ocorreu pela primeira vez em determinado ponto no tempo. Isto induz a pensar que, mesmo para eles, havia o antes a esse "ponto" e o "depois".

Conforme WALTON, MATTHEWS E CHAVALAS (Comentários Bíblico Atos - Antigo Testamento, 2003, pg. 27), "o relato da criação não tem a pretensão de apresentar uma explicação científica moderna sobre a origem de todos os fenômenos naturais, e sim abordar os aspectos mais práticos da criação que cercam nossas experiências de vida e sobrevivência".

Sabe-se que as teorias primitivas a respeito da Criação tinham a Terra como o "centro do universo". Referindo-se à criação do planeta, aludiam à criação do "mundo". A Ciência, possuiu dados, estudos e informações confiáveis para infirmar essa teoria.

O Antigo Testamento, conjunto de livros que se convencionou designar-se por Bíblia, tem origem na Torah Hebraica. O texto hebraico é: Bereshit Bara Elohim et Hashamayim veet haaretz (transliteração)Em boa tradução: No princípio os deuses formaram os céus e a terra. (a expressão Elohim significa deuses e Bara dá ideia de formar, moldar e plasmar).

No Evangelho de João aprendemos que no Princípio referido no Livro de Gênesis havia o Verbo (Palavra) de Deus, que se identificava com Deus por ser o próprio Deus. Verbo Criador que continha VIDA: a LUZ DOS HOMENS.

Neste texto uma importante revelação: A LUZ VERDADEIRA QUE VENCE TREVAS ESTAVA NO MUNDO QUE FOI FEITO POR ELE, MAS O MUNDO NÃO O RECONHECEU. VEIO PARA O QUE ERA SEU E OS SEUS NÃO O RECEBERAM. (Jo 1:1-11).

João está dizendo que Jesus, a vida contida no Verbo de Deus, Sabedoria e Amor, "FEZ" O MUNDO. Superamos aqui a ideia de que Deus encarna-se. Jesus é Criação de Deus. Assim como todos os demais elementos da Criação Jesus FAZ PARTE da Criação e é um Espírito de hierarquia elevada cujo grau evolutivo estamos longe de alcançar.

Paulo de Tarso escreveu em Colossenses (1:12-17): "Dando graças ao Pai, que nos tornou dignos de participar da herança dos santos no reino da luz. Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado, em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito sobre toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos sejam soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste".

Ficaríamos por aqui, somente com a "conclusão" do Apóstolo dos Gentios. Mas, destacamos a consonância com o texto joanino e as revelações do mundo espiritual que merecem sua reflexão:
a) Onde está estabelecido o Reino do Filho amado de Deus?
b) Quais eram os direitos e deveres dos primogênitos para aquele povo que escreveu a Bíblia?
c) O que significa o fato da afirmação paulina de que Jesus "criou" todas as coisas?
d) O que significa a expressão: "ele é antes de tudo".
(tire suas próprias conclusões).

No Capítulo 1 do Livro A CAMINHO DA LUZ, com o título A GÊNESE PLANETÁRIA, encontramos uma elucidação para concluirmos o artigo.

"Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma comunidade de Espíritos puros e eleitos pelo Senhor supremo do universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias". (Elohim?).

"Essa comunidade de seres angélicos e perfeitos, DA QUAL É JESUS UM DOS MEMBROS DIVINOS, ao que nos foi dado saber, apenas se reuniu, NAS PROXIMIDADES DA TERRA, para solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos".

"A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem no tempo e no espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico,[...]". (Criação?)

"[...] e a segunda, quando se decidia a vida do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal do seu Evangelho de amor e redenção" (pág. 13)". (Luz do Verbo que se tornou carne?)

Há nos textos bíblicos tesouros incontáveis, mas, é necessário que a Fé não seja cega, mas, raciocinada.

Outras informações podem ser colhidas, também, na Obra Evolução em Dois Mundos, especialmente no Capítulo 1.

Fontes para estudo:
Bíblia do Peregrino (Paulus).
Bíblia de Jerusalém (Paulus).
Torá - A lei de Moisés (Séfer).
Comentários Bíblico Atos (Atos).
A Caminho da Luz (FEB).

RETRATO DE UMA SOCIDADE ENFERMA




Abra o Jornal, impresso ou eletrônico. As notícias referem-se a polêmicas por diferenças de opiniões. Ofensas em razão do desrespeito recíproco ao direito de livre manifestação do pensamento. Uma ferrenha disputa pelo lugar de “dono da verdade”. Animosidade traduzida em suas piores consequências: fratricídios, parricídios, infanticídios, feminicídios, homicídios, suicídios e tantos outros nomes atribuídos ao ato de “matar”.

Quando a falta de amor não termina assim, em trágicas mortes, ocasiona uma infinidade de doenças. NOSSA SOCIEDADE ESTÁ DOENTE E A DOENÇA MOSTRA SUA CARA! SUA PIOR FACE... Quem deve administrar não administra; quem deve ensinar não ensina; quem deve julgar não julga; quem deve segurança não se desincumbe; quem deve educar não educa; Parafraseando Roberto e Erasmo: todos perdidos nos pensamentos poluídos pela falta de amor! A sociedade “esqueceu” seus deveres... Diante disto voltam a pulular teorias hobbesianas para dizer o mínimo. “Doentes” se reconhecendo “médicos” afirmam ter “cura” e “patenteiam” “remédios infalíveis”. (muitas aspas e metáforas).

Sem receita, observo. A origem dos males tem sede em nós mesmos. Queremos ser donos, verdadeiros proprietários, dos indivíduos que nos rodeiam. Queremos ser servidos em lugar de servir. Queremos falar em lugar de ouvir. Queremos ser compreendidos em lugar de compreender. Queremos receber sem nada oferecer.

Na sociedade dos “donos da verdade” o que temos? Indivíduos de difícil trato, impulsivos de pavio curto que explodem ante uma opinião diferente, não economizam palavras ofensivas, são intolerantes e não fazem qualquer rodeio para aviar uma ofensa. Em todo campo são fanáticos. Intransigentes, não vivem e não permitem uma convivência pacífica. Nessa faixa de vibração se desculpam na “cegueira pela raiva que lhe fizeram” e cometem as piores atrocidades contra outros e a si mesmos.

Seria cômodo apontar o dedo, mas, assim somos todos. Não atendidos apresentamos o pior em nós. Nada a ver com “lado" animal, eles são superiores. Em verdade, cada criatura com os sentimentos que lhe caracterizam a vida íntima emite raios específicos e vive na onda espiritual com que se identifica (Emmanuel).*

Estamos certos que não basta à criatura apegar-se à existência humana, mas precisa saber aproveitá-la dignamente; que os passos do cristão, em qualquer escola religiosa, devem dirigir-se verdadeiramente ao Cristo, e que, em nosso campo doutrinário, precisamos, em verdade, do Espiritismo e do Espiritualismo, mas, muito mais, de Espiritualidade (Emmanuel).*

*Nos Domínios da Mediunidade e Nosso Lar (prefácio).

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS - PARTE 60


– CAPÍTULO VII – VOLTA DO ESPÍRITO À VIDA CORPORAL

II – UNIÃO DA ALMA E DO CORPO

(Questões: 344 a 360)

Ensinam os Espíritos Superiores que a união da alma com o corpo (a encarnação) inicia-se na concepção (ação ou efeito de gerar (ou ser gerado) um ser vivo, em consequência da fusão do espermatozoide com o óvulo; fecundação, geração). Essa união do Espírito que “habitará” o corpo físico ocorre por meio de um “laço fluídico” que se torna cada vez mais apertado até o instante do nascimento com vida.

Após a designação do Espírito para determinado corpo físico, nenhum outro Espírito poderá substituí-lo. Porém, os laços que ligam o Espírito ao corpo ainda são fracos e podem se romper pela vontade do Espírito que recua diante da prova escolhida. A criança, então, não nasce com vida.

No caso do corpo designado morrer antes de se verificar o nascimento, o Espírito escolhe outro. Também poderão ocorrer mortes prematuras em razão das imperfeições da matéria. As mortes prematuras são provas para os pais. Crianças que não são vitais no seio materno poderão ser prova para os pais ou para o próprio Espírito. O ser não tem consciência plena da existência e a morte do corpo com poucos dias de nascido é não tem importância quase nenhuma ao Espírito reencarnante.

Quando o Espírito tem conhecimento prévio de que o corpo não tem probabilidade de viver e, por isso, escolhe-o, significa que está fugindo à prova. A encarnação de um Espírito que falha por qualquer motivo não é suprida imediatamente por outra encarnação. O Espírito precisa de tempo para nova escolha, salvo quando a reencarnação cumpre determinação anterior.

Após a encarnação o Espírito não lastima a escolha do gênero da reencarnação, pois, não tem consciência desta. Na condição de encarnado poderá achar que a carga está pesada demais, considerando-a superior às próprias forças, e, fraquejando, recorrer ao suicídio.

Considerando a resposta à questão 351 (LE) compreendemos que entre a concepção e o nascimento o Espírito não goza de todas as faculdades, uma vez que NÃO ESTÁ ENCARNADO, apenas ligado ao corpo. O feto não possui, propriamente falando, uma alma, a qual existe fora dele, mas, está ligado à alma que virá possuir. A PARTIR DO INSTANTE DA CONCEPÇÃO, O ESPÍRITO COMEÇA A SER TOMADO DE PERTURBAÇÃO.

Trata-se da ADVERTÊNCIA que iniciará NOVA EXISTÊNCIA CORPÓREA. Essa perturbação inicia-se na concepção e vai até o nascimento. Nesse período a perturbação é um PROCESSO IDÊNTICO AO DE UM ESPÍRITO ENCARNADO DURANTE O SONO. Suas ideias e a lembrança do passado se apagam em razão da encarnação. Todavia, voltando ao estado de Espírito tais lembranças voltarão pouco a pouco.

A nova existência não confere ao Espírito recobrar a plenitude de suas faculdades. À medida que os órgãos desenvolvem-se vai aprendendo a servir-se dos instrumentos de que dispõe. Trata-se de processo lento semelhante a alguém que acorda e se vê em uma situação diferente da véspera.

No útero a vida passa pelas fases da planta que vegeta e do animal. O ser possui vida vegetal e animal. O nascimento somente se completa com a vida espiritual. Pensamos se tratar da união da alma com o corpo. O SER HUMANO, ASSIM DESIGNADO, É AQUELE QUE AO NASCER TEM ENCARNADO EM SI UM ESPÍRITO (356-b, LE).

Uma vez mais lembramos que o aborto provoca a nulificação de uma existência para o Espírito, a qual terá que RECOMEÇAR. Sempre que o aborto for provocado, EM QUALQUER PERÍODO DA GESTAÇÃO, estar-se-á IMPEDINDO UMA ALMA DE PASSAR PELAS PROVAS A QUE SERVIRIA DE INSTRUMENTO O CORPO QUE ESTAVA SE FORMANDO. Portanto, o aborto provocado é crime. É uma vida que estará sendo tirada antes do nascimento. Trata-se de uma transgressão à Lei de Deus. (358, LE). Somente se cogita em sacrificar a criança cujo nascimento coloca em perigo de vida sua mãe.

O feto merece a mesma atenção que se dispensa ao corpo da criança que viveu algum tempo. Trata-se de desígnios do Criador quando uma obra sua não se completa e a ninguém é lícito julgar esses desígnios. TODA A CRIAÇÃO MERECE RESPEITO, mesmo as que julgamos incompletas.

CONHEÇA SUA BÍBLIA: AS DUAS NAÇÕES


No Livro de Gênesis, Antigo Testamento, encontramos a história de Rebeca. Grávida, preocupada, numa sociedade primitiva, foi consultar o Senhor, afinal Rebeca era estéril havia vinte anos. O Senhor, atendendo-a, disse: "Duas nações estão em seu ventre [...] Mas o mais velho servirá ao mais novo" (Capítulo 25, versículo 23). As traduções que conhecemos hoje (século XXI) no Brasil sempre apresentam a última frase do versículo com a frase acima: "o mais velho servirá ao mais novo".
Todavia, a Torah, matéria-prima para todo erudito e tradutor, que dá origem ao que conhecemos como Bíblia, não foi escrita e muito menos ensinada em Língua Portuguesa. Aliás, naquele tempo não havia língua portuguesa, não havia portugueses e muito menos Portugal.
A Lei, tanto oralmente quanto quando foi escrita, usou a língua hebraica. No hebraico essas palavras que originaram a tradução mencionada não são tão claras e apresentam ambiguidade considerável: v’rav ya’avod tzair (וְרַב יַעֲבֹד צָעִיר).
O que se sabe é que em hebraico não há clareza sobre qual seria a palavra usada na frase para expressar o objeto e qual seria aquela para o sujeito. É que o texto pode ser interpretado em ambos os sentidos.

Parece que ficou muito confuso, mas, é possível esclarecer. NÃO HÁ NENHUMA MANEIRA DE DETERMINAR QUEM SERVIRÁ A QUEM. TALVEZ PODERIA SER O MAIS NOVO A SERVIR AO MAIS VELHO.
Emmanuel na obra A Caminho da Luz, ditada a Chico Xavier, (FEB, 1939), no capítulo em que relata sobre o Judaísmo e o Cristianismo afirma que “[..] o Antigo Testamento é um repositório de conhecimentos secretos, dos iniciados do povo judeu, e que somente os grandes mestres da raça poderiam interpretá-lo fielmente, nas épocas mais remotas”.
No capítulo 7, denominado O Povo de Israel, afirma que eminentes estudiosos buscaram penetrar os obscuros segredos contidos no Antigo Testamento aproximando-se da realidade com referência às interpretações, não conseguindo, todavia, solucionar os vastos problemas que as suas expressões oferecem.
E, afirma o benfeitor na página 59 da 3ª impressão da 38ª edição: “Os livros dos profetas israelitas estão saturados de palavras enigmáticas e simbólicas, constituindo um monumento parcialmente decifrado da ciência secreta dos hebreus. [...] É por isso que, a par do Evangelho, está o Velho Testamento tocado de clarões imortais, para a visão espiritual de todos os corações”.
Chamamos sua atenção para a importância de uma leitura da Torá em hebraico. Não se trata de violar sua consciência, menos ainda sua crença. Mas, convidamos para que o texto seja lido, pelo menos, junto com o texto hebraico.

É que os tradutores, constatando a ambiguidade do texto, bem como e a complexidade da língua hebraica, acabam (e não quer dizer que seja má-fé) traduzindo o texto conforme seus conceitos.
Nesse caso, sobram duas escolhas: ou se compreende a Bíblia conforme a interpretação teológica de tais tradutores ou é possível descobrir a Bíblia Hebraica, buscando as próprias respostas às perguntas levantadas pela Torá. E, para tanto, é possível contar com excelentes cursos feitos, inclusive, pela internet, isto é, à distância.

Podemos recomendar um que pensamos ter atendido às nossas expectativas: ISRAEL INSTITUTE OF BIBLICAL STUDIES, parceira acadêmica da THE HEBREW UNIVERSITY OF JERUSALEM. Achou complicado? Então segue o endereço: https://israelbiblicalstudies.com/pt/

XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz. Pelo Espírito Emmanuel. Brasília: FEB, 1939.

LEIS NATURAIS OU DIVINAS


Ao estudarmos o Livro de Êxodo, capítulo 15, a partir do versículo 22, que nos relata a PRIMEIRA ETAPA dos Israelitas no Deserto de Sur, algumas lições podem ser extraídas quando feita uma leitura à luz do espiritismo, precisamente, quando se trata de FÉ RACIOCINADA.

Caminhando no deserto sem encontrar água por três dias, quando a encontram não serve para consumo, vez que era amarga, salobra. Os israelitas então protestam a Moisés questionando o que beberiam,  pois estavam com sede.

Moisés clama ao Senhor, que lhe mostra uma planta com a qual realiza verdadeiro tratamento químico daquela água salobra transformando-a em água potável e boa para consumo. Após isto, parte do versículo 25 é assim descrito: “Aí lhes deu leis e mandamentos, e os pôs à prova...”.

Podemos refletir que o incidente das águas é uma maneira de ver como, diante de um obstáculo ou uma privação, o indivíduo reagirá. Nesse caso, Israel reage com MURMURAÇÃO. Essa reação mostra claramente a verdadeira natureza daquele povo sob a provação.

Israel, nos textos bíblicos, representa o tipo humano, portanto, nos servem de exemplo e advertência conforme 1 Co 10:11. A verdade é que a humanidade terrestre, diante das provações da vida, antes de agradecer a oportunidade, primeiro, murmura.

Interessa-nos raciocinar sobre a passagem seguinte quando Moisés dia ao povo:


“Se obedeceis ao Senhor, vosso Deus, fazendo o que ele aprova, obedecendo a seus mandamentos e cumprindo suas leis, não vos enviarei as doenças que enviei aos egípcios, porque eu sou o Senhor que te cura”.

A bênção de Deus depende de como vamos nos comportar diante das leis. O que são estas leis? Trata-se da vontade revelada de Deus. Mas, como podemos usar o Espiritismo para avançar nesse tema? Em O Livro dos Espíritos encontramos um interessante capítulo que trata da Lei Divina ou Natural. 

Respondendo à questão 614 os Espíritos Superiores ensinam que se deve entender por Lei Natural a Lei de Deus. Mas, esclarecem que a Lei Natural: “É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta”.

Na questão 617 deixa-se claro que TODAS AS LEIS DA NATUREZA SÃO LEIS DIVINAS. Todas as Leis Divinas estão gravadas na consciência humana (621). Resta-nos, então, pensar sobre a passagem acima a partir destas premissas:

a) Moisés quando usou uma planta para neutralizar a salinidade da água não usou mágica, místico ou maravilhoso, muito menos “um milagre”, aplicou uma Lei Natural. A química, como ciência, fornece instrumentos e ferramentas necessárias para compreensão desse processo; TODO O CONHECIMENTO HUMANO ADQUIRIDO É REVELAÇÃO DIVINA!

b) Como obedecer a Deus e fazer o que Ele aprova para fins de não adoecer o corpo? Como receber a cura relatada no versículo?

- Usamos alguns exemplos práticos para a compreensão da verdade revelada no versículo 22 do capítulo 15 de Êxodo. Em nossa constituição física, nos órgãos do corpo humano, temos, por exemplo, o estômago. Ele tem tamanho e capacidade. Quando não respeitados esse tamanho e capacidade em razão de arrastamentos que acontecem, geralmente, pela vontade não freada do indivíduo, ocorrem as reações naturais que os excessos cometidos provocam. Isto sujeita o indivíduo a sofrer uma infinidade de males. 

De outro lado, cumprida a Lei Divina ou Natural em face da capacidade de tamanho do estômago, o indivíduo já estará CURADO antecipadamente de grande quantidade de doenças.

O mesmo ocorre para todos os demais excessos ou pela falta do dever de cuidado que é necessário observar. Conforme o Espiritismo:

“Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: as leis físicas, cujo estudo pertence ao domínio da Ciência. As outras dizem respeito especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas suas relações com Deus e com seus semelhantes. Contém as regras da vida do corpo, bem como as da vida da alma: são as leis morais” (Q-633 do LE).

Quando Moisés advertiu o seu povo, apresentava-lhes um guia seguro, pois, como no exemplo acima, comer em excesso faz mal e esse limite ou medida nos é dado por Deus. Ao exceder a azia e a má-digestão é a punição imediata. A lei natural traça o limite para as necessidades humanas. O sofrimento é a pena por infringi-lo.

Em toda situação há uma voz interna que carece ser ouvida em todas as circunstâncias a fim de evitarem-se males maiores.

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – PARTE 59

MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS - CAPÍTULO
VII - VOLTA DO ESPÍRITO À VIDA CORPORAL
I – PRELÚDIO DA VOLTA
(Questões: 330 a 343)

A reencarnação é mais que um princípio espírita, é uma Lei de Deus. Tal qual acontece com a morte que é uma necessidade da vida corporal, a reencarnação é uma necessidade da vida espírita. Do mesmo modo que se dá com a morte, o Espírito pressente que se aproxima o momento de sua reencarnação, ignorando, todavia, quando isso se dará (exatamente).


Observando nossa sociedade, verifica-se que há pessoas que não pensam em reencarnação, ou não a aceitam, ou, sequer a compreendem. O mesmo ocorre com os Espíritos. E tal compreensão ou não está relacionada com o grau de adiantamento. O certo é que muitos não tem certeza alguma do futuro que os aguarda, e isto é uma punição.

A questão da reencarnação considera, geralmente, o livre-arbítrio do Espírito. Ele poderá apressá-la por meio de um desejo poderoso, assim como afastá-la quando, diante da prova, recua. Entre os Espíritos existem os covardes e os indiferentes. O processo reencarnatório é sempre o meio eficaz que possibilita ao Espírito evoluir. É na condição de encarnado que, arrependido, poderá expiar, sofrer provas e evoluir auxiliando a Obra da Criação do ponto de vista em que se encontra. Os covardes e os indiferentes, ao recuarem diante da prova ou ficar indiferente ao processo da reencarnação, não passam de doentes que recusam a tomar os seus remédios. As imperfeições são buriladas quando o Espírito assume um corpo físico em conformidade com a Lei da Reencarnação.

Nenhum Espírito fica indefinidamente numa condição de Espírito errante. O próprio Espírito sentirá a necessidade de progredir, de se elevar. A perfeição é o destino de todos. O progresso é uma Lei Divina. Para unir-se a um corpo o Espírito é sempre designado. Após escolher o gênero de prova que irá submeter-se pede para reencarnar. Não sabe ainda qual será o corpo ao qual irá unir-se, mas, Deus que tudo vê e sabe, antecipadamente vê e sabe que determinado Espírito se unirá a um tal corpo.

Conforme ensinam os Espíritos Superiores, o Espírito pode escolher o corpo, imperfeições do mesmo, a fim de que tudo o auxilie a superar as provas a que estará se submetendo, vencendo os obstáculos. Isto não é um processo que ocorre com todos os Espíritos. A todos, por outro lado, faculta-se solicitar este ou aquele corpo. Essa questão é desenvolvida na obra Os Missionários (Chico Xavier, FEB), onde André Luiz juntamente com o Espírito Manassés explicam como ocorre esse processo no Plano Espiritual. Nesta obra explica-se que os Espíritos mais elevados não escolhem corpos belos e que existem aqueles que são os chamados completistas (a compreensão deste assunto elucida-se com a leitura do livro ora citado).

Para aqueles que discordam que há uma Providência Divina no controle de TODA A CRIAÇÃO, a questão 336 de O Livro dos Espíritos é clara em afirmar: NADA SE CRIA SEM QUE A CRIAÇÃO PRESIDA UM DESÍGNIO. Portanto, mesmo que no momento da ligação entre o Espírito e o Corpo, o Espírito se recuse à união, aquela criança que está designada a nascer com vida terá uma alma que a ela se ligara, pois, isso DEUS PROVERÁ. Mas, a recusa do Espírito reencarnante lhe causará muitos e maiores sofrimentos. Mais do que aqueles que não tentam prova alguma.

Com relação à relativização do arbítrio humano, isto é, a escolha não é tão livre conforme se prega, os Espíritos respondem na questão 337 que DEUS IMPORÁ A UM ESPÍRITO A UNIÃO COM DETERMINADO CORPO, principalmente quando o Espírito NÃO ESTÁ APTO A PROCEDER À ESCOLHA COM CONHECIMENTO DE CAUSA. Constranger um Espírito a se unir a determinado corpo será uma expiação, uma vez que a posição que ocupará no mundo será um instrumento de castigo.

Tudo no Plano Espiritual está sob a égide de hierarquia e organização, portanto, mesmo que diversos Espíritos tenham pedido para se unir a determinado corpo que está destinado a nascer, DEUS JULGARÁ QUAL É O MAIS CAPAZ DE DESEMPENHAR A MISSÃO A QUE A CRIANÇA SE DESTINA. Lembramos, neste tópico, que Jesus em sua passagem na Terra disse que FOI O PAI QUE O ENVIOU. É importante ficar claro que o ESPÍRITO É PREVIAMENTE DESIGNADO PARA A TAREFA (encarnar nesse ou naquele corpo).

A encarnação é muito mais penosa para o Espírito que a morte do corpo físico. Na morte o Espírito é liberto da escravidão a que o corpo o submete. Na encarnação ele entra na escravidão. Além do mais, a ENCARNAÇÃO para o ESPÍRITO é como UMA TRAVESSIA PERIGOSA a que se submete o VIAJANTE. Ele não sabe qual será o resultado da JORNADA. Sabe, por outro lado que as provas de sua nova existência o farão avançar ou o retardará.

Novamente remetemos o leitor ao livro Os Missionários, pois, o capítulo 13 traz a história da reencarnação de Segismundo. Observe que há um perfeito desenvolvimento da resposta dada pelos Espíritos Superiores à questão 342. Dependendo da esfera que o Espírito pertença poderá contar ou não com a afeição que outros lhe devotem. Nesse caso, os que lhe amam o acompanhará até o derradeiro instante, animando-o e até mesmo lhe seguindo os passos pela próxima reencarnação. Frequentemente os Espíritos amigos vêm nos visitar em sonhos, como fazemos com aqueles que estão encarcerados nas prisões.

XAVIER, Francisco Cândido. Os Missionários. Pelo Espírito André Luiz. Brasília: FEB, 2013.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. São Paulo: LAKE, 2013.

GÊNESIS, PAULO DE TARSO, JOÃO E NÓS: A CAMINHO DA LUZ

Os antigos referiam-se à Criação usando expressões contendo uma ideia concreta, fazendo referência a evento que ocorreu pela primeira vez ...