ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – PARTE 59

MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS - CAPÍTULO
VII - VOLTA DO ESPÍRITO À VIDA CORPORAL
I – PRELÚDIO DA VOLTA
(Questões: 330 a 343)

A reencarnação é mais que um princípio espírita, é uma Lei de Deus. Tal qual acontece com a morte que é uma necessidade da vida corporal, a reencarnação é uma necessidade da vida espírita. Do mesmo modo que se dá com a morte, o Espírito pressente que se aproxima o momento de sua reencarnação, ignorando, todavia, quando isso se dará (exatamente).


Observando nossa sociedade, verifica-se que há pessoas que não pensam em reencarnação, ou não a aceitam, ou, sequer a compreendem. O mesmo ocorre com os Espíritos. E tal compreensão ou não está relacionada com o grau de adiantamento. O certo é que muitos não tem certeza alguma do futuro que os aguarda, e isto é uma punição.

A questão da reencarnação considera, geralmente, o livre-arbítrio do Espírito. Ele poderá apressá-la por meio de um desejo poderoso, assim como afastá-la quando, diante da prova, recua. Entre os Espíritos existem os covardes e os indiferentes. O processo reencarnatório é sempre o meio eficaz que possibilita ao Espírito evoluir. É na condição de encarnado que, arrependido, poderá expiar, sofrer provas e evoluir auxiliando a Obra da Criação do ponto de vista em que se encontra. Os covardes e os indiferentes, ao recuarem diante da prova ou ficar indiferente ao processo da reencarnação, não passam de doentes que recusam a tomar os seus remédios. As imperfeições são buriladas quando o Espírito assume um corpo físico em conformidade com a Lei da Reencarnação.

Nenhum Espírito fica indefinidamente numa condição de Espírito errante. O próprio Espírito sentirá a necessidade de progredir, de se elevar. A perfeição é o destino de todos. O progresso é uma Lei Divina. Para unir-se a um corpo o Espírito é sempre designado. Após escolher o gênero de prova que irá submeter-se pede para reencarnar. Não sabe ainda qual será o corpo ao qual irá unir-se, mas, Deus que tudo vê e sabe, antecipadamente vê e sabe que determinado Espírito se unirá a um tal corpo.

Conforme ensinam os Espíritos Superiores, o Espírito pode escolher o corpo, imperfeições do mesmo, a fim de que tudo o auxilie a superar as provas a que estará se submetendo, vencendo os obstáculos. Isto não é um processo que ocorre com todos os Espíritos. A todos, por outro lado, faculta-se solicitar este ou aquele corpo. Essa questão é desenvolvida na obra Os Missionários (Chico Xavier, FEB), onde André Luiz juntamente com o Espírito Manassés explicam como ocorre esse processo no Plano Espiritual. Nesta obra explica-se que os Espíritos mais elevados não escolhem corpos belos e que existem aqueles que são os chamados completistas (a compreensão deste assunto elucida-se com a leitura do livro ora citado).

Para aqueles que discordam que há uma Providência Divina no controle de TODA A CRIAÇÃO, a questão 336 de O Livro dos Espíritos é clara em afirmar: NADA SE CRIA SEM QUE A CRIAÇÃO PRESIDA UM DESÍGNIO. Portanto, mesmo que no momento da ligação entre o Espírito e o Corpo, o Espírito se recuse à união, aquela criança que está designada a nascer com vida terá uma alma que a ela se ligara, pois, isso DEUS PROVERÁ. Mas, a recusa do Espírito reencarnante lhe causará muitos e maiores sofrimentos. Mais do que aqueles que não tentam prova alguma.

Com relação à relativização do arbítrio humano, isto é, a escolha não é tão livre conforme se prega, os Espíritos respondem na questão 337 que DEUS IMPORÁ A UM ESPÍRITO A UNIÃO COM DETERMINADO CORPO, principalmente quando o Espírito NÃO ESTÁ APTO A PROCEDER À ESCOLHA COM CONHECIMENTO DE CAUSA. Constranger um Espírito a se unir a determinado corpo será uma expiação, uma vez que a posição que ocupará no mundo será um instrumento de castigo.

Tudo no Plano Espiritual está sob a égide de hierarquia e organização, portanto, mesmo que diversos Espíritos tenham pedido para se unir a determinado corpo que está destinado a nascer, DEUS JULGARÁ QUAL É O MAIS CAPAZ DE DESEMPENHAR A MISSÃO A QUE A CRIANÇA SE DESTINA. Lembramos, neste tópico, que Jesus em sua passagem na Terra disse que FOI O PAI QUE O ENVIOU. É importante ficar claro que o ESPÍRITO É PREVIAMENTE DESIGNADO PARA A TAREFA (encarnar nesse ou naquele corpo).

A encarnação é muito mais penosa para o Espírito que a morte do corpo físico. Na morte o Espírito é liberto da escravidão a que o corpo o submete. Na encarnação ele entra na escravidão. Além do mais, a ENCARNAÇÃO para o ESPÍRITO é como UMA TRAVESSIA PERIGOSA a que se submete o VIAJANTE. Ele não sabe qual será o resultado da JORNADA. Sabe, por outro lado que as provas de sua nova existência o farão avançar ou o retardará.

Novamente remetemos o leitor ao livro Os Missionários, pois, o capítulo 13 traz a história da reencarnação de Segismundo. Observe que há um perfeito desenvolvimento da resposta dada pelos Espíritos Superiores à questão 342. Dependendo da esfera que o Espírito pertença poderá contar ou não com a afeição que outros lhe devotem. Nesse caso, os que lhe amam o acompanhará até o derradeiro instante, animando-o e até mesmo lhe seguindo os passos pela próxima reencarnação. Frequentemente os Espíritos amigos vêm nos visitar em sonhos, como fazemos com aqueles que estão encarcerados nas prisões.

XAVIER, Francisco Cândido. Os Missionários. Pelo Espírito André Luiz. Brasília: FEB, 2013.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. São Paulo: LAKE, 2013.

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