JESUS FALAVA DO AMOR A DEUS

“Para bem compreender certas passagens do Evangelho, é necessário conhecer o valor de muitas palavras que são frequentemente empregadas nos textos, e que caracterizam o estado dos costumes e da sociedade judia naquela época (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Notícias Históricas, item III, Introdução).

Desde cedo, conforme aprendemos nos Evangelhos da Boa Nova, Jesus demonstrava profundo conhecimento dos Profetas e da Lei. Nascido Judeu pertencia à cultura de sua época e dela fazia uso nas suas pregações, na convivência e na vivência do Evangelho.

O Codificador do Espiritismo possuía esse conhecimento e não “colocou a luz embaixo da cama”. Legou ao Espírita, já na Introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo uma lição fundamental para, afinal, a FÉ SER RACIOCINADA. Vejamos um exemplo:

Em Lucas 14:26, Jesus, tratando sobre o que custa ser discípulo, usa palavras aparentemente estranhas. Diz o Mestre:

"Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe [...], não pode ser meu discípulo".

Afirmaria, então, o Professor de Lyon: “Essas palavras, não tendo para nós o mesmo sentido, foram quase sempre mal interpretadas, gerando algumas incertezas. A compreensão da sua significação explica também o verdadeiro sentido de certas máximas, que á primeira vista parecem estranhas”. (ESSE, Introdução, item III, parte final).

Basta uma investigação sobre essas palavras ditas por Jesus e “biografadas” em Lucas 14:26 que o estudante encontrará 
diferentes interpretações. Algumas veem nelas a anulação do quarto mandamento constante do Deuteronômio 5:16 e do Livro de Êxodo 20:12 “Honra teu pai e tua mãe”.

Vamos seguir o conselho de Allan Kardec?

Pois bem. As palavras de Jesus podem ser compreendidas quando ouvidas em sintonia com Deuteronômio 33:8-10. Este capítulo trata das bênçãos de Moisés sobre os israelitas antes de morrer. Nos versículos mencionados a bênção é:

“Para Levi. Para teus leais, os tumim e urim. Tu os puseste à prova em Massa, os desafiaste em Meriba; disse a seus pais: “Não vos obedeço”; a seus irmãos: “Não vos reconheço”; a seus filhos: “Não vos conheço”. Cumpriram teus mandatos e guardaram tua aliança, ensinarão teus mandamentos a Jacó e tua lei a Israel”;

Segundo Luís Alonso Shökel (Bíblia do Peregrino, Paulus), Tumin e Urim são instrumentos das sortes oraculares. O Ofício de Levi é instruir na lei, mas, nem todas as tradições lhes reconhecem funções sacerdotais.

Portanto, os sacerdotes, a fim de cumprirem suas funções, em PRIMEIRO LUGAR COLOCAM A ALIANÇA COM DEUS, SENDO FIEIS À SUA LEI E AOS SEUS MANDAMENTOS ENSINANDO-OS AO POVO DE ISRAEL.

No cumprimento desse mister, quando há conflito entre QUEM AMAR, se aos pais, aos irmãos ou aos filhos ou A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS, não há conflito. Cumprem os mandamentos e guardam a aliança, ensinando os mandamentos e a lei. Numa palavra: não há acordo e nem vista grossa para com os parentes e familiares. A LEI DE DEUS ESTÁ PARA SER CUMPRIDA.

Algumas traduções, quanto a Levi e o respeito de seu pai e sua mãe, trazem a seguinte afirmação: “Não tenho consideração por eles”. Quer dizer que Levi não reconheceu seus irmãos e não conhece os próprios filhos porque ele guardou a tua palavra e observou a tua aliança

Agora, conhecendo o texto do Antigo Testamento acima e fazendo comparação com o texto de Lucas 14:26 é fácil notar que Jesus não revoga o quarto mandamento e nem tampouco contradiz a Torá. Pelo contrário, Jesus conhecia as afirmações contraditórias da Torah que eram resolvidas quando considerado um mandamento em relação ao outro.

Como na linguagem jurídica, na atualidade do direito constitucional, quando os princípios constitucionais colidem, utiliza-se a razoabilidade e a ponderação para confrontá-los, sendo que uns sujeitam-se a outros.

Na linguagem simbólica Levi é o povo que tem amor pela palavra de Deus e que superam o amor familiar.

A lição de Jesus em Lucas 14:26 é sobre a existência de hierarquia entre os mandamentos, onde todos sujeitam-se ao Primeiro e Maior Mandamento: AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS. Esse, portanto, o custo do discipulado. Carece abnegação, renúncia e entrega total. Foi, portanto, este o ensinamento de Jesus quando pronunciou aquelas palavras: O discípulo observa a Lei, cumpre os Mandamentos e ensina por meio de exemplos; acima de tudo AMA A DEUS.

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