LEIS NATURAIS OU DIVINAS


Ao estudarmos o Livro de Êxodo, capítulo 15, a partir do versículo 22, que nos relata a PRIMEIRA ETAPA dos Israelitas no Deserto de Sur, algumas lições podem ser extraídas quando feita uma leitura à luz do espiritismo, precisamente, quando se trata de FÉ RACIOCINADA.

Caminhando no deserto sem encontrar água por três dias, quando a encontram não serve para consumo, vez que era amarga, salobra. Os israelitas então protestam a Moisés questionando o que beberiam,  pois estavam com sede.

Moisés clama ao Senhor, que lhe mostra uma planta com a qual realiza verdadeiro tratamento químico daquela água salobra transformando-a em água potável e boa para consumo. Após isto, parte do versículo 25 é assim descrito: “Aí lhes deu leis e mandamentos, e os pôs à prova...”.

Podemos refletir que o incidente das águas é uma maneira de ver como, diante de um obstáculo ou uma privação, o indivíduo reagirá. Nesse caso, Israel reage com MURMURAÇÃO. Essa reação mostra claramente a verdadeira natureza daquele povo sob a provação.

Israel, nos textos bíblicos, representa o tipo humano, portanto, nos servem de exemplo e advertência conforme 1 Co 10:11. A verdade é que a humanidade terrestre, diante das provações da vida, antes de agradecer a oportunidade, primeiro, murmura.

Interessa-nos raciocinar sobre a passagem seguinte quando Moisés dia ao povo:


“Se obedeceis ao Senhor, vosso Deus, fazendo o que ele aprova, obedecendo a seus mandamentos e cumprindo suas leis, não vos enviarei as doenças que enviei aos egípcios, porque eu sou o Senhor que te cura”.

A bênção de Deus depende de como vamos nos comportar diante das leis. O que são estas leis? Trata-se da vontade revelada de Deus. Mas, como podemos usar o Espiritismo para avançar nesse tema? Em O Livro dos Espíritos encontramos um interessante capítulo que trata da Lei Divina ou Natural. 

Respondendo à questão 614 os Espíritos Superiores ensinam que se deve entender por Lei Natural a Lei de Deus. Mas, esclarecem que a Lei Natural: “É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta”.

Na questão 617 deixa-se claro que TODAS AS LEIS DA NATUREZA SÃO LEIS DIVINAS. Todas as Leis Divinas estão gravadas na consciência humana (621). Resta-nos, então, pensar sobre a passagem acima a partir destas premissas:

a) Moisés quando usou uma planta para neutralizar a salinidade da água não usou mágica, místico ou maravilhoso, muito menos “um milagre”, aplicou uma Lei Natural. A química, como ciência, fornece instrumentos e ferramentas necessárias para compreensão desse processo; TODO O CONHECIMENTO HUMANO ADQUIRIDO É REVELAÇÃO DIVINA!

b) Como obedecer a Deus e fazer o que Ele aprova para fins de não adoecer o corpo? Como receber a cura relatada no versículo?

- Usamos alguns exemplos práticos para a compreensão da verdade revelada no versículo 22 do capítulo 15 de Êxodo. Em nossa constituição física, nos órgãos do corpo humano, temos, por exemplo, o estômago. Ele tem tamanho e capacidade. Quando não respeitados esse tamanho e capacidade em razão de arrastamentos que acontecem, geralmente, pela vontade não freada do indivíduo, ocorrem as reações naturais que os excessos cometidos provocam. Isto sujeita o indivíduo a sofrer uma infinidade de males. 

De outro lado, cumprida a Lei Divina ou Natural em face da capacidade de tamanho do estômago, o indivíduo já estará CURADO antecipadamente de grande quantidade de doenças.

O mesmo ocorre para todos os demais excessos ou pela falta do dever de cuidado que é necessário observar. Conforme o Espiritismo:

“Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: as leis físicas, cujo estudo pertence ao domínio da Ciência. As outras dizem respeito especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas suas relações com Deus e com seus semelhantes. Contém as regras da vida do corpo, bem como as da vida da alma: são as leis morais” (Q-633 do LE).

Quando Moisés advertiu o seu povo, apresentava-lhes um guia seguro, pois, como no exemplo acima, comer em excesso faz mal e esse limite ou medida nos é dado por Deus. Ao exceder a azia e a má-digestão é a punição imediata. A lei natural traça o limite para as necessidades humanas. O sofrimento é a pena por infringi-lo.

Em toda situação há uma voz interna que carece ser ouvida em todas as circunstâncias a fim de evitarem-se males maiores.

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