O PAÍS MAIS CATÓLICO DO MUNDO É, TAMBÉM, O MAIS ESPÍRITA?


Segundo o Anuário Pontifício do Vaticano do ano de 2017, onde aparecem as estatísticas mais recentes do catolicismo no mundo, o Brasil (dados de 2015), é o país que tem o maior número de católicos com 172,2 milhões, ocupando no "ranking" o primeiro lugar.

Conforme afirmou Wallace Rodrigues (coordenador editorial da Revista Internacional do Espiritismo e do Jornal O Clarim, autor e tradutor de diversas obras, pesquisador dos Evangelhos de Jesus) no ano de 1973: "[..] se o Brasil é o país mais espírita do mundo, o Estado de São Paulo é o Estado mais espírita do Brasil...".

Estas afirmativas sustentam-se até hoje? Houve alguma mudança?

A década de 70 do século passado prodigalizou o interesse de homens de ciências que vieram ao Brasil para estudar o fenômeno espírita, a ciência espírita e alguns espíritas em especial, dentre eles: José Arigó e Francisco C. Xavier. Uma infinidade de pesquisadores com interesses voltados para a Parapsicologia como ciência passaram por terras brasileiras, alguns, inclusive, transferindo residência.

É fato notório que durante certo tempo, ainda no século passado, grupos numerosos se reuniam em seminários, congressos e uma infinidade de encontros para, verdadeiramente e com boa vontade, estudar, pesquisar, analisar e dialogar SEM AGRESSÕES sobre temas que, até o advento da Codificação Espírita, eram impostos ao vulgo e somente discutidos interna corporis. Reuniões como estas somente se viam em Universidades, Centros Universitários e Faculdades.

Esse interesse ainda se mantém? É possível afirmar que existem discussões sobre temas variados na atualidade do movimento espírita brasileiro? Atualmente as discussões ocorrem de forma verdadeira, com boa vontade e com diálogos não agressivos?

Sabemos que o Espiritismo difere das demais religiões porque caminha com as ciências sem artigos de fé ou dogmas impostos sob qualquer ameaça de penas eternas.

O que é o Espiritismo?

Nas palavras de Wallace Rodrigues: "o Espiritismo é, essencialmente, algo para ser discutido e não para ser pregado" [1]Ou, numa palavra: FÉ RACIOCINADA. Pensamos que ao analisar os problemas do ser, do destino e da dor, antes de fazer prevalecer pontos de vista, o Espiritismo nos reclama extrair consequências morais para condução de nossas vidas e não das vidas alheias.

Um grande legado de Allan Kardec é o seu exemplo. No melhor entendimento de que a Revista Espírita era um átrio onde havia debate, mas, não disputas, o convencimento se fazia com opiniões discordantes, mas, serenas. As injunções e críticas não eram as usuais. Era importante pensar, raciocinar e refletir. Vencer o debate não era o objetivo. No melhor da aliança da ciência com a religião o Espiritismo disse, em suma: onde a ciência avançar e mostrar o erro do espiritismo, este voltará atrás sem qualquer problema para a unidade da doutrina.

No Brasil do século passado percebia-se que nos debates envolvendo o JOVEM ESPIRITISMO as pessoas haviam lido, haviam estudado. Como filosofia, ciência e religião, o Espiritismo instigava os adeptos e não adeptos a conhecerem-no, valendo-se de recursos que, ainda na afirmação de Wallace, repetindo Kardec: empurravam gentilmente a criatura a "enfrentar a razão face a face, em todos os tempos da Humanidade".

Estamos no século XXI ou revivendo o pior de séculos anteriores ao século XIX?

Remontando à Codificação Espírita, aprendemos que a flama do Espiritismo é: fora da caridade não há salvação. A caridade que pensamos para nossa reflexão é a caridade moral.

Estamos contemplando uma época singular:

a) Expositores acusados por isto e aquilo em razão do seu carisma em reunir público em torno de si;
b) Outros tantos acusados de se auto promoverem esquecendo a doutrina;
c) Já lemos e ouvimos que o Espírito Emmanuel seria, na opinião desses críticos, um pseudo-sábio;
d) Muitos criticando abertamente Francisco Cândido Xavier e sua obra;
e) Muitos até não aceitam que Francisco era apenas Chico, ou, como ele não se cansava de afirmar: um cisco;
f) Há uma infinidade de "patrulheiros" pensando que possuem direito a permitir o que esse ou aquele confrade PODE ou NÃO PODE dizer;
g) Eventos acontecendo para reunir prosélitos em torno de uma ideia que nada tem a ver com a Doutrina Espírita, formando grêmios distintos e fomentando a dissenção;
h) Se alguém pesquisa e traz o produto do trabalho para crítica é logo taxado de "vendedor de livro", ou, o que é pior, está querendo "destruir" o espiritismo.

Quem não deseja participar desse tipo de cruzada começa a dizer que é espírita não praticante (isto não existe, o espiritismo é eminentemente prático, pois, a caridade é o amor em ação).

Pequenos que somos, não por "querência", mas, por constatação, ousamos indagar:

1) O Espiritismo é ou não é uma ciência?
2) O Espiritismo é ou não é filosofia?
3) O Espiritismo é ou não é religião?

Não importa se as respostas vão considerar que se tratam de aspectos ou que envolvem questões transcendentais, etc.

Se estes três itens recebem respostas positivas, os debates precisam e devem ocorrer para nossa própria evolução. As revelações não acontecem todas de uma vez. A misericórdia divina nos possibilita o que o Evangelho de João tratou de "graça por graça" (Jo 1:16) e Pastorino nos esclareceu: 

"Deus não faz acepção de pessoas. Dá tudo a todos igualmente. Mas cada um recebe de acordo com sua capacidade receptiva, com sua evolução. [...] Sem dúvida, a cada passo que damos, aumentamos nossa capacidade evolutiva, ao que corresponde um acréscimo da manifestação divina em nós: a cada aumento do recipiente corresponde um pouco mais de conteúdo. Assim conosco: todos nós recebemos DE SUA PLENITUDE, mas GRAÇA POR GRAÇA" [2].

Se estivemos certos (e não pretendemos ser proprietários da verdade) o Espiritismo possui uma feição elevada e não é sem razão que o grande Leon Denis asseverou na introdução da obra No Invisível, que o espiritismo será o que dele fizerem os espíritas [3]. Ao contato da humanidade as mais altas verdades às vezes se desnaturam e obscurecem. Podem constituir-se fonte de abusos. A gota de chuva, conforme o lugar onde cai, continua sendo pérola ou se transforma em lodo.

Qual o propósito dos eventos que envolvem o Espiritismo na atualidade?

Sabemos que no concerto das eras cada geração tem o seu papel. As pessoas são atores utilizando o livre arbítrio relativo. É assim que em nosso século precisamos de grandes encontros, congressos, seminários e jornadas para aproveitar e não olvidar de toda possibilidade na procura de soluções para os problemas da dor, do destino e do ser, neste manancial que nos oferece o Espiritismo.

Com diversidade de ideias, com muitos debates, pesquisas e investigações, mas JUNTOS. Todos trabalhando para Jesus, oportunizando para que Ele opere em cada um de nós. Então, pensamos, estaremos a serviço da Doutrina Espírita.

Você, amigo (a) leitor (a), pode surpreender-se com tantas perguntas e a carência de respostas. O propósito não foi lançar anátema, mas, recordar:

"A cada um segundo SUAS obras, pois, a lei Divina está gravada na consciência e as revelações foram confiadas a certos indivíduos, cabendo-nos avaliar se são falsos ou verdadeiros profetas" [4].

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE!

E, assim, surgiu a Codificação Espírita.

[1] XAVIER, Francisco Cândido. Segue-me!. Ditada pelo Espírito Emmanuel. Prefácio de Wallace L. V. Rodrigues. Casa Editora O Clarim.
[2] PASTORINO, Carlos Torres. Revista Sabedoria do Evangelho. 1º Volume. Rio de Janeiro, 1964.
[3] DENIS, Léon. No Invisível. FEB: Brasília.
[4] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. São Paulo: LAKE (Questões 621 a 633).

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