ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – PARTE 67

CAPÍTULO VIII

– EMANCIPAÇÃO DA ALMA

II – VISITAS ESPÍRITAS ENTRE VIVOS

– (Questões: 413 a 418) –


Um tema muito interessante foi objeto de questionamento feito por Allan Kardec aos Espíritos Codificadores:

"Haveria duas existências, propriamente falando, quando o Espírito se emancipasse da alma, isto é, no repouso do corpo físico, por exemplo?".

Os Espíritos esclarecem que o corpo cede lugar à alma.

Compreendemos que o ensinamento aqui nos esclarece que durante o tempo em que o corpo físico não está em repouso, este controla a alma em grande parte.

Consequência do ensino anterior (a encarnação para o Espírito é como estar em uma prisão), em nosso entendimento os Espíritos, conforme o ensino dos Espíritos, não há duas existências, mas, duas fases desta. Não há uma vida de maneira dupla.

Para os que se recordam das experiências vividas durante o sono, nada há do que se espantar. Os Espíritos visitam-se mutuamente. Sendo parte de uma família muito maior (na pátria espiritual) é comum que visitemos, durante o sono, amigos, parentes, conhecidos e demais pessoas que podem nos ser úteis. Ocorrências comuns e de muita frequência.

Esses encontros podem gerar ideias (Q-415), que parecerão surgir espontaneamente, mas, não passam de resultado das conversas entre Espíritos. Se a ideia não vem de maneira imediata ao acordar, virá no momento oportuno, pois, o Espírito se lembra sempre (Q-410-a).

Já ouvimos muitos confrades dizerem que basta comandar a si mesmo, antes de dormir, que deseja, por exemplo: estudar no plano espiritual. Feito isto, o Espírito seguiria para cumprir o determinado pelo pensamento no estado de vigília.

Todavia, não é assim que ocorre o processo. Estamos longe de comandar o Espírito desperto. Não comandamos nem os nossos desejos primários.

Quando o Espírito se liberta da matéria ocorrem as hipóteses a seguir, as quais não esgotam o assunto:

1. Para aqueles que são elevados, a vida material não lhe interessa.

2. Alguns chegam a passar de maneira totalmente diferente da vida física a vida espiritual.

3. Outros usam a existência espiritual para se entregarem a paixões inferiores.

4. Pode ocorrer de o Espírito fazer algo que foi desejado no seu estado de vigília, todavia, essa NÃO É A RAZÃO DETERMINANTE.

Por fim, conclui-se que os Espíritos encarnados, durante o sono, podem se reunir em assembleias, em face de laços de amizades antigos (existências anteriores) ou novos (existência atual), cujas ideias absorvidas em suas conversações são trazidas como intuição ao acordarem (quase sempre ignorando a fonte).

Por exemplo, quando se julga que um amigo está morto, como Espírito pode-se encontra-lo e saber como está. Não havendo a imposição necessária em crer-se que havia morrido, terá um pressentimento de que vive (o contrário também), em razão das conversações com o mesmo.

Estude O Livro dos Espíritos e aproprie-se da Consolação oferecida pela Doutrina dos Espíritos.

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS - PARTE 66


– CAPÍTULO VIII –

EMANCIPAÇÃO DA ALMA

I – O SONO E OS SONHOS

(Questões: 400 a 412)


Conforme o materialismo, na teoria do conhecimento de Thomas Hobbes, os sonhos são causados por perturbações de alguma parte (interna) do corpo que provocam sonhos diversos para perturbações diversas. Os sonhos são o reverso das imaginações despertas.

Para Hobbes, fora da mente há apenas matéria em movimento, como feixes de luzes desorganizados. Captados os feixes, a mente organiza os dados e cria um mundo artificial através da linguagem. Da mesma forma que esse mundo ilusório individual é criado pela mente, coletivamente é possível criar um mundo comum, tais como uma comunidade, a sociedade civil organizada ou o Estado.

Compreendo que esse materialismo afirma que TUDO NÃO PASSA DE ILUSÃO. É que o mundo criado é ARTIFICIAL (uma verdadeira Matrix). Tal teoria mostra-nos uma vez mais o acerto da Doutrina dos Espíritos, pois, o elemento material só pode ser compreendido quando considerado o elemento espiritual. Daí a importância da Filosofia Espiritualista, na qual insere-se o Espiritismo, conforme afirmações de Allan Kardec.

E aqui não há nenhum fanatismo religioso. É somente a detecção de que o materialismo não conseguiu superar o degrau da sensação. Considerando o elemento espiritual o Espiritismo contribui para superar a teoria acima e explicar o que são os sonhos.

Primeiramente é necessário considerar o que é o corpo humano. Trata-se de um locus onde o Espírito encontra-se preso. Seu desejo é livrar-se o quanto antes deste cárcere. Diferente da matéria grosseira que necessita de períodos de descanso para repouso, o Espírito jamais está inativo.

Portanto, é durante o sono que o Espírito encarnado emancipa-se, isto é, se coloca em relação mais direta com os outros Espíritos (encarnados ou desencarnados). Já aprendemos que o Espírito, quando encarna, liga-se ao corpo físico por meio de laços que vão uni-los pelo tempo necessário à duração da referida encarnação.

Durante o sono esses laços são afrouxados (por assim dizer). Então, assenhoreando-se de faculdades que ficam “adormecidas” quando o corpo está ativo (acordado), o Espírito adquire maior potencialidade para se comunicar com os demais Espíritos.

Destarte, o sono liberta a alma parcialmente do corpo e o ser experimenta o estado em que fica permanentemente depois que morre. Durante o período em que o Espírito desliga-se da matéria é possível que viaje para conversar e se instruir, inclusive trabalhar. Outros podem buscar velhas afeições e gozos mais inferiores do que experimenta quando está em vigília (corpo físico alerta).

Durante o sono o Espírito sempre se coloca em relação com o mundo dos Espíritos e, por isso, aqueles que vêm para cumprir missões concordam em encarnar no mundo inferior, pois, podem retemperar-se na fonte do bem para não falirem. Trata-se de uma porta aberta por Deus para esses Espíritos, como um recreio após o trabalho. O sonho, portanto, É A LEMBRANÇA DO QUE O ESPÍRITO VIU DURANTE O SONO.

Todavia, como nem sempre há sonhos, é sinal de que nem sempre há lembrança do que ocorreu na emancipação do Espírito nessa situação. É sinal, também, que não há um pleno desenvolvimento das faculdades do Espírito. Havendo sonhos de vários tipos, é necessário esclarecer que maus Espíritos também se aproveitam dos sonhos para atormentar almas fracas e sintonizadas com tendências inferiores. Chegará o momento em que se vulgarizarão sonhos como os de Joana D’arc e de Jacó, pois, trata-se de recordações do que ocorre no plano espiritual quando o Espírito estiver emancipado no período de repouso do corpo físico.

Compreendida as exposições acima, é importante mencionar que Allan Kardec, comentando a Questão 402 de O Livro dos Espíritos, refutou a Teoria do Conhecimento de Thomas Hobbes quanto aos sonhos, pois, na sua explicação fica clara a consideração do elemento espiritual, transcendo apenas e tão somente o corpo físico. Caso em que se compreende a existência de sonhos estranhos e confusos. O Codificador afirma:

“[...] Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeados de coisas do mundo atual, é que forma esses conjuntos estranhos e confusos, que nenhum sentido ou ligação parecem ter. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos. É como se a uma narração se truncassem frases ou trechos ao acaso. Reunidos depois, os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam”.

Da mesma forma, os Espíritos refutam a teoria materialista, uma vez que o corpo, pesado e grosseiro, possui dificuldades de conservar impressões recebidas pelo Espírito, porque não chegam por intermédio de órgãos corporais. Conclui-se, portanto que, toda teoria que afasta o elemento espiritual tem dificuldades para externar quaisquer explicações relacionadas aos problemas do ser, do destino e da dor.

Sepultando a teoria do conhecimento hobbesiana afirmam os Espíritos que numa variedade e diversidade de sonhos A IMAGINAÇÃO NENHUMA PARTE TOMOU NA OCORRÊNCIA, pois, muito do que se deu com certeza de realidade não passou em nenhuma hipótese pela mente quando em vigília.

Os Espíritos Superiores ensinam que os sonhos não se prestam para adivinhações e predições. Durante o sono a alma continua sofrendo influência da matéria, isto é, não está totalmente liberta. Desta forma, as preocupações do estado de vigília, as ideias terrenas, podem resultar em dar ao sonho a aparência daquilo que se teme ou do que se deseja. Esta afirmação poderá ser constatada por nós à medida que quando acordados, havendo uma ideia fixa sobre qualquer situação ou uma preocupação forte, TUDO O QUE VEMOS SE NOS MOSTRA LIGADO A ESSA IDEIA. Nessa situação o sonho não será um guia confiável.

Nossos julgamentos e deduções, por sua vez, não devem ser levados em conta quando nos depararmos com pessoas conhecidas agindo de modo que pareça não condizer com o que pensamos delas. Não podemos perscrutar, conhecer o íntimo de cada ser. Sendo objetivo da encarnação a reforma íntima, que passa pelo conhecimento de si mesmo e o autoburilamento, algo que estamos longe de alcançar, que dirá da ideia que temos dos outros.

O Espírito emancipa-se a qualquer instante onde o corpo lhe conceda uma trégua. Havendo prostração das forças vitais o Espírito se desprende. A sonolência ou o simples torpor poderá nos trazer imagens de sonhos. Em tais momentos é possível ouvir frases inteiras quando os sentidos começam a entorpecer-se. Quase sempre é um Espírito que pretende se comunicar. Noutras ocasiões é possível VER (E NÃO IMAGINAR) imagens distintas, figuras com mínimas particularidades.

Ideias que nos pareçam excelentes, mas, que nos apagam da memória e que mesmo com esforços não ficam retidas na memória, podem dizer respeito somente ao mundo dos Espíritos ou, que na ocasião oportuna voltarão como inspiração para o momento. De outro lado, é possível que o Espírito tenha exata ideia do que se passou e, como é o caso do pressentimento da ocasião da morte, por exemplo, algumas pessoas preveem com grande exatidão a data em que virão a morrer.

Finalmente, o Espírito que se acha preso ao corpo também poderá causar-lhe cansaço físico se, como Espírito liberto por ocasião do período de sono, houver realizado muitas atividades. Estude O Livro dos Espíritos e aproprie-se da Consolação oferecida pela Doutrina dos Espíritos.

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – PARTE 65

CAPÍTULO VII – RETORNO À VIDA CORPORAL –

VII – SIMPATIAS E ANTIPATIAS TERRENAS 

VIII ESQUECIMENTO DO PASSADO

– (Questões: 386 a 399) –


Algumas respostas dos Espíritos Superiores, quando lidas, mas, não meditadas, podem aparentar alguma estranha ao leitor. Todavia, lembramos que as Obras que compõem Espiritismos constituem um corpo de Doutrina, daí designar-se CODIFICAÇÃO. Faz sentido os ensinamentos não se contradizerem.

É o caso da questão 386. Os Espíritos esclarecem que dois seres podem ser atraídos, mas, não se reconhecerem, mesmo os que se conheceram e se amaram em outra existência. Importa lembrar que o que atrai um Espírito a outro são: sintonia e preferência.

Esse é o conteúdo da resposta à questão 387, pois, dois Espíritos afins se procuram naturalmente, mesmo que não se houvessem conhecido em existências corpóreas. Os seres pensantes da Criação possuem ligações ainda desconhecidas para a Ciência humana. Muitas respostas, segundo os Espíritos Superiores encontram-se no MAGNETISMO, cuja ciência servirá de norte para novas descobertas futuras, quando se compreenderá melhor.

Espíritos antipáticos se repelem. Para tanto não há necessidade de qualquer comunicação. Por antipatias não se deve reconhecer que os Espíritos são de natureza má. Apenas lhes falta similitude do modo de pensar. As antipatias se apagam à medida que os Espíritos evoluem. Portanto, a antipatia é sinal de inferioridade.

Ensino importante é aquele em que os Espíritos nos esclarecem sobre o processo de antipatias: um Espírito sente-se mau quando perante alguém que o possa julgar e desmascarar; a percepção de que será desaprovado importa no afastamento que pode se transformar em ódio, inveja e o desejo de fazer o mal.

O bom Espírito sente repulsa pelo mau porque sabe que não será compreendido, por não haver entre eles similitude de sentimentos. Todavia, seguro de sua superioridade não sente ódio, inveja ou qualquer sentimento inferior. Apenas se contenta em evitar o mau Espírito, do qual tem pena Recordamos, nesse caso, o ensinamento contido no Evangelho Segundo o Espiritismo onde para perdoar o inimigo não importa que se deva nutrir pelo mesmo o mesmo amor que se devota a um amigo. O que o Superior faz é pagar o mal com o bem.

O Espírito encarnado não possui lembrança de seu passado. Ao retornar para a pátria espiritual, após o período mais ou menos longo de perturbação, lentamente recobrará as lembranças do passado (tudo isto já foi estudado antes, portanto, não se pode deixar de aliar um conhecimento com o outro).

No lugar das lembranças do passado o Espírito conta com a assistência dos Espíritos-guias, da intuição e das tendências instintivas. Tudo isto provém do fato de que o Espírito a cada nova existência está mais inteligente. Lembre-se: o Espírito não retrograda. Poderá haver estacionamento, mas, o Espírito evolui tanto quanto encarnado como em Espírito (nos dois planos).

As tendências instintivas, segundo Allan Kardec, são lembranças do passado gravadas na consciência e que representam o desejo de não mais cometer os mesmos erros. Trata-se de advertências que dizem: RESISTA!

As lembranças do passado para os Espíritos inferiores são, na maioria, INFELIZES. Assim, é nos mundos superiores, em que lembranças infelizes não afetam os Espíritos, não haverá o esquecimento do passado. Nos mundos inferiores as lembranças infelizes agravariam as infelicidades atuais. Lembranças de nossas personalidades anteriores poderiam nos causar extraordinária humilhação ou exaltar o nosso orgulho. O que temos, portanto, é o suficiente para evoluirmos: a voz da consciência e as tendências instintivas.

Se atualmente, em conformidade com o que aprendemos das antipatias, sem conhecimento do passado já nutrimos repulsa por aqueles que não comungam mesmos pendores, imaginemos se nos fosse possível lembrar os atos pessoais alheios, principalmente os mais desagradáveis e voltados para nós ou para quem amamos.

REVELAÇÕES SOBRE EXISTÊNCIAS ANTERIORES: não são comuns. Os que dizem o contrário estão equivocados. É o que se extrai da resposta à questão 395 de O Livro dos Espíritos. O indivíduo humano ainda não possui o caráter divino do Espírito Perfeito. O próprio Deus se revela aos poucos.

Raramente reais possíveis lembranças que os Espíritos alegam ter enquanto encarnados não passam de ilusões das quais se devam tomar todo o cuidado para evitar uma imaginação extremamente excitada. As lembranças ocorrem à medida que o corpo é menos material. A lembrança do passado é mais clara para os que habitam MUNDOS DE ORDEM SUPERIOR (Q-397 – LE).

TENDÊNCIAS INSTINTIVAS E O SEU ESTUDO: o conhecimento de si mesmo, o estudo das tendências instintivas da ideia, ATÉ CERTO PONTO, das faltas cometidas pelo Espírito no passado. TODAVIA, é necessário SEMPRE considerar os avanços e as resoluções que tomou quando estava na pátria espiritual antes do reencarne. A EXISTÊNCIA ATUAL PODE SER MUITO MELHOR DO QUE A ANTERIOR.

No dizer de José Herculano Pires, em nota à questão 398 do LE: “as pessoas que tanto se interessam por saber o que foram em vidas anteriores devem prestar atenção a estes itens”. Pelo estudo de suas tendências atuais, NÃO ESQUECENDO O PROGRESSO QUE DEVEM TER REALIZADO, teriam uma ideia do que fizeram.

RECORDE: o espírito está evoluindo. Portanto, não caracterize um Espírito Superior por um Espírito Inferior que gostaríamos que estivesse em degrau acima (às vezes somente em razão de com ele ter convivido).

PROBLEMAS DA VIDA PRESENTE (expiação e provas para o futuro) INDUZ O GÊNERO DE EXISTÊNCIA ANTERIOR (não indica QUEM FOI o espírito): o Espírito é punido naquilo em que pecou, porém, não se trata de uma regra absoluta. As provas sofridas se referem tanto ao futuro quanto ao passado.

Este é um capítulo fantástico para os “estudiosos” de reencarnações passadas e deve ser SEMPRE considerado quando alguém for “apontado” como sendo esse ou aquele Espírito.

Estude e viva.

ORGANIZAÇÃO DO ESPIRITISMO




Principalmente quando o tema é caridade, é comum percebermos várias divagações referentes a diferentes temas. Quem nunca ouviu opiniões acerca do ingresso de confrades nos grupos?


Pois bem, hoje traremos para o leitor qual o legado de Allan Kardec quanto à formação dos grupos espíritas. Estudando a Revista Espírita de Dezembro de 1861 verifica-se que o Codificador tratou do tema. Lúcido, ponderado, firme, mas, sempre alicerçado em razões cujo propósito é preservar a Doutrina Espírita. Passemos a palavra para Allan Kardec.

1. [...] A princípio isolados, os adeptos hoje se surpreendem com o seu número; e como a similitude das ideias inspira o desejo de aproximação, procuram reunir-se e fundar sociedades. Assim, de todas as partes nos pedem instruções a respeito, manifestando o desejo de se unirem à Sociedade central de Paris. É, pois, chegado o momento de nos ocuparmos do que se pode chamar a organização do Espiritismo. O Livro dos Médiuns (2ª edição) contém observações importantes sobre a formação das Sociedades espíritas, às quais remetemos os interessados, rogando-lhes que meditem cuidadosamente. [...].

2. [...] Todos os dias recebemos cartas de pessoas que [...] perguntam o que podem fazer na ausência de médiuns e de coparticipantes do Espiritismo. [...] é muito simples. Para começar, podem trabalhar por conta própria, impregnando-se da doutrina pela leitura e meditação das obras especiais; quanto mais se aprofundarem, mais verdades consoladoras descobrirão confirmadas pela razão. [...] Em razão de sua própria posição, têm uma bela e importante missão a cumprir: a de espalhar a luz em seu redor. [...] Aos que fossem detidos pelo medo pueril do que os outros pensariam deles, nada temos a dizer, nenhum conselho a dar. Mas aos que têm a coragem da sua opinião, que estão acima das mesquinhas considerações mundanas, diremos que o que têm a fazer se limita a falar abertamente do Espiritismo, sem afetação, como de uma coisa muito simples e muito natural, sem a pregar e, sobretudo, sem buscar nem forçar convicções, nem fazer prosélitos a qualquer preço. O Espiritismo não deve ser imposto; vem-se a ele porque dele se necessita, e porque dá o que não dão as outras filosofias. [...] há pessoas que perguntarão: “O que é isto?” Apressai-vos, então, em satisfazê-las, proporcionando-lhes explicações conforme a natureza das disposições que nelas encontrardes. [...].

3. Falemos agora da organização do Espiritismo nos centros já numerosos. O aumento incessante dos adeptos demonstra a impossibilidade material de constituir-se numa cidade, sobretudo, numa cidade populosa, uma sociedade única. Além do número, há a dificuldade das distâncias que, para muitos, é um obstáculo. Por outro lado, é sabido que as grandes reuniões são menos favoráveis às belas comunicações e que as melhores são obtidas nos pequenos grupos. É, pois, na multiplicação dos grupos particulares que devemos concentrar os nossos esforços. Ora, como dissemos, vinte grupos de quinze a vinte pessoas obterão mais e farão mais pela propaganda do que uma sociedade única de quatrocentos membros. Os grupos se formam naturalmente pela afinidade de gostos, sentimentos, hábitos e posição social; todos ali se conhecem e, como são reuniões privadas, tem-se liberdade de número e de escolha dos que nela são admitidos.

4. [...] Cada grupo naturalmente é dirigido pelo chefe da casa, ou por aquele que para isso for designado; não há, a bem dizer, dirigente oficial, porque tudo se passa em família. O dono da casa, como tal, tem toda autoridade para manter a boa ordem. [...].

5. [...]. 6. [...].
7. Admitida, pois, em princípio a formação dos grupos, resta o exame de várias questões importantes. A primeira de todas é a uniformidade na doutrina. Essa uniformidade não seria mais bem garantida por uma sociedade compacta, pois os dissidentes sempre teriam facilidade de se retirar, formando grupo à parte. Quer a sociedade seja una ou fracionada, a uniformidade será a consequência natural da unidade de base que os grupos adotarem. Será completa em todos os que seguirem a linha traçada em O Livro dos Espíritos e em O Livro dos Médiuns. Um contém os princípios da filosofia da ciência; o outro, as regras da parte experimental e prática. Estas obras estão escritas com bastante clareza, de modo a não ensejar interpretações divergentes, condição essencial de toda doutrina nova. [...]. Podemos, pois, sem presunção, recomendar o seu estudo e prática às diversas reuniões espíritas, e isto com tanto mais razão quanto são as únicas, até o momento, em que a ciência é tratada de maneira completa. Todas as que foram publicadas sobre a matéria não abordaram senão alguns pontos isolados da questão. Aliás, não temos a menor pretensão de impor nossas ideias; nós as emitimos por ser um direito nosso. Aqueles a quem elas convêm as adotam; os outros as rejeitam, por ser também um direito que lhes assiste. [...].

8. O segundo ponto é a constituição dos grupos. Uma das primeiras condições é a homogeneidade, sem a qual não haveria comunhão de pensamentos. Uma reunião não pode ser estável, nem séria, se não há simpatia entre os que a compõem; e não pode haver simpatia entre pessoas que têm ideias divergentes e que fazem oposição surda, quando não aberta. Longe de nós dizermos com isso que se deva abafar a discussão; ao contrário, recomendamos o exame escrupuloso de todas as comunicações e de todos os fenômenos. Fique, pois, bem entendido, que cada um pode e deve externar a sua opinião; mas há pessoas que discutem para impor a sua, e não para se esclarecer. É contra o espírito de oposição sistemático que nos levantamos; contra as ideias preconcebidas, que não cedem nem mesmo perante a evidência. Tais pessoas incontestavelmente são uma causa de perturbação, que é preciso evitar. A este respeito, as reuniões espíritas estão em condições excepcionais. O que elas requerem acima de tudo é o recolhimento. Ora, como estar recolhido se, a cada momento, somos distraídos por uma polêmica acrimoniosa? Se, entre os assistentes, reina um sentimento de azedume e quando sentimos à nossa volta seres que sabemos hostis e em cuja fisionomia se lê o sarcasmo e o desdém por tudo quanto não concorde inteiramente com eles?

9. Traçamos o caráter das principais variedades de espíritas em O Livro dos Médiuns, nº 28. Sendo tal distinção importante para o assunto que nos ocupa, julgamos dever lembrá-la. Pode-se pôr em primeira linha os que creem pura e simplesmente nas manifestações. Para eles o Espiritismo não passa de uma ciência de observação, uma série de fatos mais ou menos curiosos; a filosofia e a moral são acessórios de que pouco se ocupam e de cujo alcance nem mesmo desconfiam. Nós os chamamos espíritas experimentadores. Vêm a seguir os que veem no Espiritismo algo mais que simples fatos; compreendem o seu alcance filosófico; admiram a moral dele decorrente, mas não a praticam; extasiam-se ante as belas comunicações, como diante de um sermão eloquente, que ouvem, mas não aproveitam. A influência sobre o seu caráter é insignificante ou nula; em nada mudam seus hábitos e não se privariam de um único prazer: o avarento é sempre avarento, o orgulhoso sempre cheio de si mesmo, o invejoso e o ciumento sempre hostis. Para eles a caridade cristã é apenas uma bela máxima e os bens deste mundo os arrastam na sua estima sobre os do futuro. São os espíritas imperfeitos. Ao lado destes há outros, mais numerosos do que se pensa, que não se limitam a admirar a moral espírita, mas que a praticam e a aceitam em todas as suas consequências. Convencidos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar estes curtos instantes para marchar na via do progresso, esforçando-se por fazer o bem e reprimir as más inclinações; suas relações são sempre seguras, porque sua convicção os afasta de todo mau pensamento. Em tudo a caridade é sua regra de conduta. São os verdadeiros espíritas, ou, melhor, os espíritas cristãos.

10. Se bem compreendido o que precede, compreender-se-á também que um grupo formado exclusivamente por elementos desta última classe estaria em melhores condições, porque entre pessoas que praticam a lei de amor e de caridade é que se pode estabelecer uma séria ligação fraternal. Entre homens para quem a moral não passa de uma teoria, a união não seria durável; como não impõem nenhum freio ao orgulho, à ambição, à vaidade e ao egoísmo, não o imporão também às suas palavras; quererão ser os primeiros, quando deveriam humilhar-se; irritar-se-ão com as contradições e não terão nenhum escrúpulo em semear a perturbação e a discórdia. Entre verdadeiros espíritas, ao contrário, reina um sentimento de confiança e de recíproca benevolência; sentem-se à vontade nesse meio simpático, ao passo que há constrangimento e ansiedade num ambiente heterogêneo.

11. Isto faz parte da natureza das coisas e nada inventamos a respeito. Daí se segue que, na formação dos grupos, deve-se exigir a perfeição? Seria simplesmente absurdo, porque exigir o impossível e, neste ponto, ninguém poderia pretender dele fazer parte. Tendo como objetivo a melhoria dos homens, o Espiritismo não vem recrutar os que são perfeitos, mas os que se esforçam em o ser, pondo em prática o ensino dos Espíritos. O verdadeiro espírita não é o que alcançou a meta, mas o que deseja seriamente atingi-la. Sejam quais forem os seus antecedentes, será bom espírita desde que reconheça suas imperfeições e seja sincero e perseverante no propósito de emendar-se. Para ele o Espiritismo é uma verdadeira regeneração, porque rompe com o passado; indulgente para com os outros, como gostaria que fossem para consigo, de sua boca não sairá nenhuma palavra malevolente nem ofensiva contra ninguém. Aquele que, numa reunião, se afastasse das conveniências, não só provaria falta de civilidade e de urbanidade, mas falta de caridade; aquele que se melindrasse com a contradição e pretendesse impor a sua pessoa ou as suas ideias, daria prova de orgulho. Ora, nem um nem outro estariam no caminho do verdadeiro Espiritismo cristão. Aquele que pensa ter uma opinião mais justa fará que os outros a aceitem melhor pela persuasão e pela doçura; o azedume, de sua parte, seria um péssimo negócio.

12. A simples lógica demonstra, pois, a quem quer que conheça as leis do Espiritismo, quais os melhores elementos para a composição dos grupos verdadeiramente sérios, e não vacilamos em dizer que são os que exercem maior influência na propagação da doutrina. [...].

13. Acabamos de indicar a melhor composição dos grupos. [...]. Às vezes nos deixamos dominar pelas circunstâncias, mas é na eliminação dos obstáculos que devemos concentrar todos os nossos cuidados. Infelizmente, quando criamos um grupo, somos muito pouco rigorosos na escolha, porque, antes de tudo, queremos formar um núcleo. Para nele ser admitido basta, na maioria das vezes, um simples desejo ou uma adesão qualquer às ideias mais gerais do Espiritismo. Só mais tarde é que percebemos ter facilitado em demasia a admissão.

14. Num grupo sempre há elementos estáveis e flutuantes. O primeiro é composto de pessoas assíduas, que formam a base; o segundo, das que são admitidas temporária e acidentalmente. É essencial prestar escrupulosa atenção no que respeita à composição do elemento estável; neste caso, não se deve hesitar em sacrificar a quantidade pela qualidade, porque é ele que dá impulso e serve de regulador. O elemento flutuante é menos importante, porque sempre se é livre para modificá-lo à vontade. Não se deve perder de vista que as reuniões espíritas, como, aliás, todas as reuniões em geral, haurem as forças de sua vitalidade na base sobre a qual se assentam; neste particular, tudo depende do ponto de partida. Aquele que tem a intenção de organizar um grupo em boas condições deve, antes de tudo, assegurar-se do concurso de alguns adeptos sinceros, que levem a doutrina a sério e cujo caráter, conciliador e benevolente, seja conhecido. Formado esse núcleo, ainda que de três ou quatro pessoas, estabelecer-se-ão regras precisas, seja para as admissões, seja para a realização das sessões e para a ordem dos trabalhos, regras às quais os recém vindos terão de se conformar. Essas regras podem sofrer modificações conforme as circunstâncias, mas há algumas que são essenciais.

15. Sendo a unidade de princípios um dos pontos importantes, não pode existir naqueles que, não tendo estudado, não podem ter opinião formada. Assim, a primeira condição a impor, caso não queiramos ser interrompidos a cada instante por objeções ou perguntas ociosas, é o estudo prévio. A segunda é uma profissão de fé categórica e uma adesão formal à doutrina de O Livro dos Espíritos, além de outras condições especiais julgadas convenientes. Isto quanto aos membros titulares e dirigentes. Para os assistentes, que geralmente vêm para adquirir um pouco mais de conhecimento e de convicção, pode-se ser menos rigoroso; todavia, como há os que poderiam causar perturbação com observações despropositadas, é importante assegurar-se de suas disposições. Faz-se necessário, acima de tudo e sem exceção, afastar os curiosos e quem quer que seja atraído por motivo frívolo.

16. A ordem e a regularidade dos trabalhos são coisas igualmente essenciais. Consideramos de grande utilidade abrir cada sessão pela leitura de algumas passagens de O Livro dos Médiuns e de O Livro dos Espíritos. Por esse meio, ter-se-ão sempre presentes na memória os princípios da ciência e os meios de evitar os escolhos encontrados a cada passo na prática. Assim, a atenção será fixada sobre uma porção de pontos, que muitas vezes escapam numa leitura particular e poderão ensejar comentários e discussões instrutivas, das quais os próprios Espíritos poderão participar. Não menos importante é recolher e passar a limpo todas as comunicações obtidas, por ordem de datas, com indicação do médium que serviu de intermediário. Esta última menção é útil para o estudo do gênero da faculdade de cada um. Mas muitas vezes acontece que se perde de vista estas comunicações, que assim se tornam letra morta; isto desencoraja os Espíritos que as tinham dado, com vistas à instrução dos assistentes. É necessário, pois, fazer uma coleta especial das mais instrutivas e proceder à sua releitura de vez em quando. Frequentemente essas comunicações são de interesse geral e não são dadas pelos Espíritos apenas para a instrução de alguns ou para serem relegadas aos arquivos. Assim, é útil que, para a publicidade, sejam levadas ao conhecimento de todos. [...].

17. [...], nossas instruções destinam-se exclusivamente aos grupos formados de elementos sérios e homogêneos; aos que querem seguir a rota do Espiritismo moral, visando o progresso de cada um, fim essencial e único da doutrina; enfim, aos que nos querem aceitar por guia e levar em conta os conselhos de nossa experiência. É incontestável que um grupo formado nas condições que indicamos funcionará com regularidade, sem entraves e de maneira proveitosa. O que um grupo pode fazer, outros também o podem. [...].

18. [...].
19. [...] tudo isto é de execução muito simples e sem burocracia; [...] tudo depende [...] da composição dos grupos primitivos. Se formados de bons elementos, serão outras tantas boas raízes que darão bons frutos. Se, ao contrário, forem formados de elementos heterogêneos e antipáticos, de espíritas duvidosos, mais preocupados com a forma do que com o fundo, que consideram a moral como parte acessória e secundária, há que se esperar polêmicas irritantes, que a nada levam, pretensões pessoais, atritos de susceptibilidades e, em consequência, conflitos precursores da desorganização. [...].

20. Talvez digam que essas restrições severas sejam um obstáculo à propagação. Isto é um equívoco. Não imagineis que, abrindo a porta ao primeiro que surgisse, estaríeis fazendo mais prosélitos; a experiência aí está para provar o contrário. Seríeis assaltados pela multidão dos curiosos e dos indiferentes, que ali viriam como a um espetáculo. Ora, os curiosos e os indiferentes são um estorvo, e não auxiliares. Quanto aos incrédulos, seja por sistema, seja por orgulho, por mais que lho mostreis, não tratarão disso senão com zombaria, porque não o compreenderão e não querem dar-se ao trabalho de compreender. Já o dissemos, e nunca repetiríamos em demasia: a verdadeira propagação, aquela que é útil e proveitosa, é feita pelo ascendente moral das reuniões sérias. [...]. Sede, pois, sérios, em toda a acepção da palavra e as pessoas sérias virão a vós: são os melhores propagadores, porque falam com convicção e tanto pregam pelo exemplo, quanto pela palavra.

21. [...]
22. Dissemos no começo que diversos círculos espíritas pediram para se unir à Sociedade de Paris; utilizaram até mesmo a palavra filiar-se. A respeito faz-se necessária uma explicação. A Sociedade de Paris foi a primeira a ser regularizada e legalmente constituída. Por sua posição e pela natureza de seus trabalhos, teve uma grande parte no desenvolvimento do Espiritismo e, em nossa opinião, justifica o título de Sociedade Iniciadora, que lhe deram certos Espíritos. Sua influência moral se fez sentir longe e, embora restrita, numericamente falando, tem consciência de ter feito mais pela propaganda do que se tivesse aberto as portas ao público. Formou-se com o único objetivo de estudar e aprofundar a ciência espírita. Para isto não necessita de um auditório numeroso, nem de muitos membros, pois sabe muito bem que a verdadeira propaganda é feita pela influência dos princípios; como não é movida por nenhum interesse material, um excedente numérico ser-lhe-ia mais prejudicial do que útil. [...] A palavra filiação seria, pois, imprópria, porque suporia de sua parte uma espécie de supremacia material, à qual ela absolutamente não aspira, e que teria mesmo inconvenientes. Como Sociedade iniciadora e central, pode estabelecer com os outros grupos ou sociedades relações puramente científicas, limitando-se aí o seu papel; não exerce nenhum controle sobre essas sociedades, que em nada dependem dela e ficam inteiramente livres para se constituírem como bem o entenderem, sem ter de prestar contas a ninguém, e sem que a Sociedade de Paris tenha que se imiscuir no que for em seus negócios. [...]

23. [...]
24. [...]. Sabe-se que os Espíritos, não possuindo todos a soberana ciência, podem considerar certos princípios de seu ponto de vista pessoal e, conseqüentemente, nem sempre estarão de acordo. O melhor critério da verdade está naturalmente na concordância dos princípios ensinados sobre diversos pontos, por Espíritos diferentes e por meio de médiuns estranhos uns aos outros. Desse modo foi composto O Livro dos Espíritos. Mas ainda restam muitas questões importantes a serem resolvidas desta maneira, cuja solução terá mais autoridade quando obtida por grande maioria. [...] Existe um grande número de obras antigas e modernas, nas quais se encontram testemunhos mais ou menos diretos em favor das ideias espíritas. Uma coleção desses testemunhos seria muito preciosa, [...].

25. No estado atual das coisas está é a única organização possível do Espiritismo. Mais tarde as circunstâncias poderão modificá-la, mas nada dever ser feito intempestivamente; [...] Disseram, por pura maldade, que queríamos fazer escola no Espiritismo. E por que não teríamos esse direito? [...] Mas aos olhos de certa gente aí está o nosso erro, pois não nos perdoam por havermos chegado primeiro que eles e, sobretudo, por havermos triunfado. Que seja, pois, uma escola, [...]: Escola do Espiritismo Moral, Filosófico e Cristão; e a ela convidamos todos os que têm por divisa amor e caridade. Aos que aderirem a esta bandeira, todas as nossas simpatias; o nosso concurso jamais faltará.

Allan Kardec


Revista Espírita*. Dezembro / 1861. Organização do Espiritismo.

* (o texto reproduziu as partes que o autor compreende necessárias para o espaço e conhecimento, ficando a investigação das partes omitidas a cargo do leitor).

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – PARTE 64




CAPÍTULO VII – RETORNO À VIDA CORPORAL

VI – INFÂNCIA


(Questões: 379 a 385)



No estudo de hoje vamos refletir com Allan Kardec e os Espíritos Superiores acerca do Espírito que retorna à vida corporal no período da infância. O Codificador pergunta se o Espírito que anima o corpo de uma criança é tão desenvolvido quanto o de um adulto. Os Espíritos respondem: "pode até ser mais, SE MAIS PROGREDIU".

Tratando-se de variáveis, pensemos juntos: pode até ser menos, SE MENOS PROGREDIU. Vemos no cotidiano os dois lados da moeda. Percebemos diferenças no hábito alimentar, na economia dos bens duráveis, e na manifestação da personalidade, inclusive quanto ao conhecimento das verdades espirituais.

Todavia, toda encarnação precede um período de perturbação que o Espírito só gradualmente o dissipa. O Espírito tem a inteligência limitada enquanto a idade não amadurece a razão. Os órgãos da inteligência desenvolvem-se gradualmente até chegar ao ponto de dar a intuição própria de um adulto ao Espírito que o anima.

Chamamos atenção para a questão 381 desta obra estudada. Muitos apressados a leem e buscam refutar obras sérias que atestam a existência de infância espiritual. Pedimos aos amigos observar que os Espíritos respondem que:

1. É desejável (assim tem que ser não significa: assim é) que o Espírito retome seu vigor, pois, o que o aprisiona é o invólucro corporal;

2. O Espírito NÃO READQUIRE LUCIDEZ ENQUANTO NÃO SE COMPLETA A SEPARAÇÃO DESSE ENVOLTÓRIO, isto é, enquanto não seja rompido o laço entre eles.

Pedimos vênia para a nossa contribuição com o tema. A separação do envoltório e o rompimento do laço que une Espírito e Corpo somente acontece quando o Espírito não mais é atraído pelas PAIXÕES MATERIAIS. Precisa ter progredido (Q-379).

A ligação com a matéria se rompe quando evoluímos moralmente. A ausência de lucidez (falta de conhecimento, inexistência de sabedoria, perturbação após a morte) provocará no Espírito a incompreensão de seu desencarne, bem como sua condição de Espírito, e, certamente, continuará pensando que é uma criança.

Lado outro, encontramos em breves pesquisas na rede de computadores diversas afirmações de que Allan Kardec nunca evocou Espirito de crianças e que não há evocação de crianças na evocação.

Pensamos, todavia, que a Codificação começa nas Revistas Espíritas. Assim, indicamos o estudo da Revista Espírita de Janeiro de 1859, onde Allan Kardec reproduz testemunho acerca do Louquinho de Bayonne.

Para os que afirmam o contrário, o Espírito da criança foi evocado e a ele feitas 11 perguntas. Presente na reunião o médium Sr. Adrien que descreveu o Espírito: “[...] aspecto de um menino de dez a doze anos: bela cabeça, cabelos negros e ondulados, olhos negros e vivos, tez pálida, boca zombeteira, caráter leviano, mas bondoso. O Espírito disse não ser muito bem por que o evocavam”. Presente na reunião o correspondente disse que eram exatamente os mesmos traços que sua irmã que o viu em várias circunstâncias (como Espírito) o descreveu.

Ora, o que depreender dessa evocação de Allan Kardec ao Espírito de uma criança (RE Jan/1859)?

Que tudo depende do progresso moral. Veja que a criança evocada tem boca zombeteira e caráter leviano. Em uma das perguntas o Espírito-Criança responde que desencarnou com 04 anos de idade.

Estude a Revista Espírita! Esse acervo faz parte da Codificação. Evitaria muita contenda desnecessária.

Sobre o Espírito na infância corporal podemos depreender que:
a) O Espírito não se sente constrangido no corpo de criança, pois, é um processo natural, conforme a Lei Divina. Trata-se de um período em que o Espírito repousa;

b) A infância corporal torna o Espírito dócil aos ensinamentos daqueles que vão lhe auxiliar no seu adiantamento contribuindo com seu processo educativo;

c) Na adolescência as mudanças que se operam indicam que o Espírito está retomando a natureza que lhe é própria; Finalmente, uma importante utilidade verifica-se na infância: "Os Espíritos só entram na vida corporal para se aperfeiçoarem, para se melhorarem. A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores".

Estude o Livro dos Espíritos e veja mais informações trazidas nesse capítulo.