ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS - PARTE 66


– CAPÍTULO VIII –

EMANCIPAÇÃO DA ALMA

I – O SONO E OS SONHOS

(Questões: 400 a 412)


Conforme o materialismo, na teoria do conhecimento de Thomas Hobbes, os sonhos são causados por perturbações de alguma parte (interna) do corpo que provocam sonhos diversos para perturbações diversas. Os sonhos são o reverso das imaginações despertas.

Para Hobbes, fora da mente há apenas matéria em movimento, como feixes de luzes desorganizados. Captados os feixes, a mente organiza os dados e cria um mundo artificial através da linguagem. Da mesma forma que esse mundo ilusório individual é criado pela mente, coletivamente é possível criar um mundo comum, tais como uma comunidade, a sociedade civil organizada ou o Estado.

Compreendo que esse materialismo afirma que TUDO NÃO PASSA DE ILUSÃO. É que o mundo criado é ARTIFICIAL (uma verdadeira Matrix). Tal teoria mostra-nos uma vez mais o acerto da Doutrina dos Espíritos, pois, o elemento material só pode ser compreendido quando considerado o elemento espiritual. Daí a importância da Filosofia Espiritualista, na qual insere-se o Espiritismo, conforme afirmações de Allan Kardec.

E aqui não há nenhum fanatismo religioso. É somente a detecção de que o materialismo não conseguiu superar o degrau da sensação. Considerando o elemento espiritual o Espiritismo contribui para superar a teoria acima e explicar o que são os sonhos.

Primeiramente é necessário considerar o que é o corpo humano. Trata-se de um locus onde o Espírito encontra-se preso. Seu desejo é livrar-se o quanto antes deste cárcere. Diferente da matéria grosseira que necessita de períodos de descanso para repouso, o Espírito jamais está inativo.

Portanto, é durante o sono que o Espírito encarnado emancipa-se, isto é, se coloca em relação mais direta com os outros Espíritos (encarnados ou desencarnados). Já aprendemos que o Espírito, quando encarna, liga-se ao corpo físico por meio de laços que vão uni-los pelo tempo necessário à duração da referida encarnação.

Durante o sono esses laços são afrouxados (por assim dizer). Então, assenhoreando-se de faculdades que ficam “adormecidas” quando o corpo está ativo (acordado), o Espírito adquire maior potencialidade para se comunicar com os demais Espíritos.

Destarte, o sono liberta a alma parcialmente do corpo e o ser experimenta o estado em que fica permanentemente depois que morre. Durante o período em que o Espírito desliga-se da matéria é possível que viaje para conversar e se instruir, inclusive trabalhar. Outros podem buscar velhas afeições e gozos mais inferiores do que experimenta quando está em vigília (corpo físico alerta).

Durante o sono o Espírito sempre se coloca em relação com o mundo dos Espíritos e, por isso, aqueles que vêm para cumprir missões concordam em encarnar no mundo inferior, pois, podem retemperar-se na fonte do bem para não falirem. Trata-se de uma porta aberta por Deus para esses Espíritos, como um recreio após o trabalho. O sonho, portanto, É A LEMBRANÇA DO QUE O ESPÍRITO VIU DURANTE O SONO.

Todavia, como nem sempre há sonhos, é sinal de que nem sempre há lembrança do que ocorreu na emancipação do Espírito nessa situação. É sinal, também, que não há um pleno desenvolvimento das faculdades do Espírito. Havendo sonhos de vários tipos, é necessário esclarecer que maus Espíritos também se aproveitam dos sonhos para atormentar almas fracas e sintonizadas com tendências inferiores. Chegará o momento em que se vulgarizarão sonhos como os de Joana D’arc e de Jacó, pois, trata-se de recordações do que ocorre no plano espiritual quando o Espírito estiver emancipado no período de repouso do corpo físico.

Compreendida as exposições acima, é importante mencionar que Allan Kardec, comentando a Questão 402 de O Livro dos Espíritos, refutou a Teoria do Conhecimento de Thomas Hobbes quanto aos sonhos, pois, na sua explicação fica clara a consideração do elemento espiritual, transcendo apenas e tão somente o corpo físico. Caso em que se compreende a existência de sonhos estranhos e confusos. O Codificador afirma:

“[...] Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeados de coisas do mundo atual, é que forma esses conjuntos estranhos e confusos, que nenhum sentido ou ligação parecem ter. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos. É como se a uma narração se truncassem frases ou trechos ao acaso. Reunidos depois, os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam”.

Da mesma forma, os Espíritos refutam a teoria materialista, uma vez que o corpo, pesado e grosseiro, possui dificuldades de conservar impressões recebidas pelo Espírito, porque não chegam por intermédio de órgãos corporais. Conclui-se, portanto que, toda teoria que afasta o elemento espiritual tem dificuldades para externar quaisquer explicações relacionadas aos problemas do ser, do destino e da dor.

Sepultando a teoria do conhecimento hobbesiana afirmam os Espíritos que numa variedade e diversidade de sonhos A IMAGINAÇÃO NENHUMA PARTE TOMOU NA OCORRÊNCIA, pois, muito do que se deu com certeza de realidade não passou em nenhuma hipótese pela mente quando em vigília.

Os Espíritos Superiores ensinam que os sonhos não se prestam para adivinhações e predições. Durante o sono a alma continua sofrendo influência da matéria, isto é, não está totalmente liberta. Desta forma, as preocupações do estado de vigília, as ideias terrenas, podem resultar em dar ao sonho a aparência daquilo que se teme ou do que se deseja. Esta afirmação poderá ser constatada por nós à medida que quando acordados, havendo uma ideia fixa sobre qualquer situação ou uma preocupação forte, TUDO O QUE VEMOS SE NOS MOSTRA LIGADO A ESSA IDEIA. Nessa situação o sonho não será um guia confiável.

Nossos julgamentos e deduções, por sua vez, não devem ser levados em conta quando nos depararmos com pessoas conhecidas agindo de modo que pareça não condizer com o que pensamos delas. Não podemos perscrutar, conhecer o íntimo de cada ser. Sendo objetivo da encarnação a reforma íntima, que passa pelo conhecimento de si mesmo e o autoburilamento, algo que estamos longe de alcançar, que dirá da ideia que temos dos outros.

O Espírito emancipa-se a qualquer instante onde o corpo lhe conceda uma trégua. Havendo prostração das forças vitais o Espírito se desprende. A sonolência ou o simples torpor poderá nos trazer imagens de sonhos. Em tais momentos é possível ouvir frases inteiras quando os sentidos começam a entorpecer-se. Quase sempre é um Espírito que pretende se comunicar. Noutras ocasiões é possível VER (E NÃO IMAGINAR) imagens distintas, figuras com mínimas particularidades.

Ideias que nos pareçam excelentes, mas, que nos apagam da memória e que mesmo com esforços não ficam retidas na memória, podem dizer respeito somente ao mundo dos Espíritos ou, que na ocasião oportuna voltarão como inspiração para o momento. De outro lado, é possível que o Espírito tenha exata ideia do que se passou e, como é o caso do pressentimento da ocasião da morte, por exemplo, algumas pessoas preveem com grande exatidão a data em que virão a morrer.

Finalmente, o Espírito que se acha preso ao corpo também poderá causar-lhe cansaço físico se, como Espírito liberto por ocasião do período de sono, houver realizado muitas atividades. Estude O Livro dos Espíritos e aproprie-se da Consolação oferecida pela Doutrina dos Espíritos.

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