A HABITAÇÃO DOS ESPÍRITOS INFERIORES

Sabemos, conforme a Escala Espírita, que os Espíritos encarnados e desencarnados classificam-se segundo o grau de desenvolvimento, as qualidades adquiridas e imperfeições de que ainda não se livraram.
Em 1858 Allan Kardec abordou esse tema na Revista Espírita. Naquela oportunidade o Codificador não havia inserido a Décima Classe dos Espíritos componentes da Terceira Ordem da Escala, que trata das caraterísticas predominantes dos Espíritos Inferiores. Contudo, a Terceira ordem é composta pelos Espíritos Impuros, Levianos, Pseudossábios, Neutros e os Batedores e Perturbadores. (LE, Q-100/106).
Segue abaixo, conforme seus estudos psicológicos, uma dissertação de Allan Kardec sobre o tema. Esse texto encontra-se na RE-Mar/1858 onde o leitor poderá estudar e melhor refletir sobre o assunto.
Afirma o Codificador:
“O mundo dos Espíritos compõe-se das almas de todos os humanos desta Terra e de outras esferas, despojadas dos liames corporais; do mesmo modo, todos os humanos são animados por Espíritos neles encarnados.
Há, pois, solidariedade entre esses dois mundos: os homens terão as qualidades e as imperfeições dos Espíritos aos quais estão unidos. Os Espíritos serão mais ou menos bons ou maus, conforme os progressos que hajam feito durante sua existência corporal. Estas poucas palavras resumem toda a doutrina.
Como os atos dos homens são o produto de seu livre-arbítrio, carregam a marca da perfeição ou da imperfeição do Espírito que os provoca. Ser-nos-á, pois, muito fácil fazer uma ideia do estado moral de um mundo qualquer, conforme a natureza dos Espíritos que o habitam; de algum modo poderíamos descrever sua legislação, traçar o quadro de seus costumes, de seus usos e de suas relações sociais.
Suponhamos, então, um globo habitado exclusivamente por Espíritos da Nona Classe, por Espíritos Impuros, e para lá nos transportemos pelo pensamento.
Nele veremos todas as paixões liberadas e sem freio; o estado moral no mais baixo grau de embrutecimento; a vida animal em toda a sua brutalidade; nada de laços sociais, porquanto cada um só vive e age por si e para satisfazer seus grosseiros apetites; o egoísmo ali reina como soberano absoluto, arrastando no seu cortejo o ódio, a inveja, o ciúme, a cupidez e o assassínio*.
Passemos agora a uma outra esfera, onde se encontram Espíritos de todas as classes da terceira ordem: Espíritos impuros, levianos, pseudo-sábios, neutros. Sabemos que o mal predomina em todas as classes dessa ordem; porém, sem ter o pensamento do bem, o do mal decresce à medida que se afastam da última classe.
O egoísmo é sempre o móvel principal das ações, mas os costumes são mais suaves, a inteligência mais desenvolvida; o mal aí está um pouco disfarçado, enfeitado, dissimulado.
Essas próprias qualidades dão origem a outro defeito: o orgulho, pois as classes mais elevadas são suficientemente esclarecidas para terem consciência de sua superioridade, mas não o bastante para compreenderem aquilo que lhes falta; daí sua tendência à escravização das classes inferiores ou das raças mais fracas, que mantêm sob o seu jugo.
Não possuindo o sentimento do bem, só têm o instinto do eu, pondo a inteligência em proveito da satisfação das paixões. Se numa tal sociedade dominar o elemento impuro, este aniquilará o outro; caso contrário, os menos maus procurarão destruir seus adversários; em todos os casos haverá luta, luta sangrenta, de extermínio, porque são dois elementos que têm interesses opostos.
Para proteger os bens e as pessoas, serão necessárias leis; mas essas leis serão ditadas pelo interesse pessoal e não pela justiça; é o forte que as fará, em detrimento do fraco.
Esperamos que o presente texto possa servir para uma série de reflexões, mormente em face dos tormentosos acontecimentos que ocorrem no planeta Terra e em nosso País. Onde chegaremos com as dissidências causadas em razão de nossas imperfeições? Que faremos para que a vitória seja do bem?
Sentimo-nos na obrigação de advertir que para bem se compreender a Doutrina Espírita, um estudo sério das Revistas Espíritas é sempre atual e necessário. Todos os temas que foram objeto da Codificação encontram-se devidamente investigados na Revista Espírita.
(*) Verifique a notícia que consta na Obra Francisco de Assis, ditada pelo Espírito Miramez a João Nunes Maia, no capítulo "Uma Cidade Estranha", onde há uma referência à cidade denominada "A Cruzada".

Nenhum comentário:

EDITORIAL

POLÍTICA E ESPIRITISMO Beto Ramos [i] Tornou-se lugar comum ouvir, diante das mais diferentes pessoas, que “política e religião ...