PRÁTICAS ESTRANHAS


Olá pessoal,

É possível que você já tenha ouvido: "as religiões são caminhos diferentes que levam ao mesmo Deus". O fundo filosófico dessa afirmativa não só está correto, como está em acordo com o que nos ensina o Livro dos Espíritos.

Somos todos regidos pela Lei do Progresso, portanto, tendo todos o mesmo ponto de partida, isto é, a criação como Espíritos simples e ignorantes, tendemos a um mesmo fim: a perfeição. Como ensina o Codificador do Espiritismo Allan Kardec: os seres criados para exercerem a função de administradores da obra da criação são perfectíveis. 

Contudo, termos ciência dessas verdades não nos permite concordar com a enxertia de práticas estranhas à simplicidade que vige na base da Doutrina Espírita. Sendo todas as religiões boas e respeitáveis, não é lícito que situações e personalidades sejam indebitamente lisonjeadas pela suposta capacidade de beneficiar as construções do Espiritismo.

Quem defende a enxertia de práticas estranhas e a lisonja a situações e personalidades age em desacordo com as próprias decisões que toma nas questões mais comezinhas da lógica da vida. Como ensina o benfeitor Emmanuel "não existem caminhos que não sejam viáveis e todos podem conduzir a determinado ponto do mundo. Contudo, somente os viajores irresponsáveis escolherão perlustrar atalhos perigosos e desfiladeiros obscuros, espinheiros e charcos, no dédalo de aventuras marginais, ao longo da estrada justa".

Traduzindo, Emmanuel diz que é irresponsabilidade escolher o caminho escuro, sem pavimento, perigoso e incerto quando temos uma via iluminada, pavimentada, segura, cujo destino é conhecido. Ou, que entre a água de fonte pura e cristalina você não escolherá aquela salobra de fonte duvidosa.

Quanto a questões que envolvem princípios espíritas, lembremo-nos que a Terra é a um só tempo: escola, hospital e penitenciária. Identificar quem é quem no processo reencarnatório, se não é impossível, ainda não foi desvelada outra fórmula que não seja a falível dedução pelo raciocínio humano.

A ordem se mantém pela vigilância. Em O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, Capítulo XXIII, item 239, ensinam os Espíritos: "Já dissemos que muito mais graves são as consequências da fascinação. Efetivamente, graças à ilusão que dela decorre, o Espírito conduz o indivíduo de quem ele chegou a apoderar-se, como faria com um cego, e pode levá-lo a aceitar as doutrinas mais estranhas, as teorias mais falsas, como se fossem a única expressão da verdade. Ainda mais, pode levá-lo a situações ridículas, comprometedoras e até perigosas".

Conforme o pesquisador e escritor espírita Paulo Henrique de Figueiredo, encontramos o Magnetismo, considerado a ciência coirmã do Espiritismo, segundo afirma o próprio Allan Kardec: "O Espiritismo liga-se ao Magnetismo por laços íntimos (essas duas ciências são solidárias uma com a outra [...] Os Espíritos sempre preconizaram o Magnetismo, seja como meio curativo, seja como causa primeira de uma multidão de coisas; eles defendem sua causa e vêm prestar-lhe apoio contra seus inimigos" (RE, 1858, pg. 188).

Ainda que louváveis os objetivos que levaram o grupo espírita a se desviar da simplicidade dos princípios espíritas, ficamos com a orientação de Emmanuel:

"Reflitamos nisso e compreenderemos que assegurar a simplicidade dos princípios espíritas nas casas doutrinárias, para que as suas atividades atinjam a meta da libertação espiritual da Humanidade, não é fanatismo e nem rigorismo de espécie alguma. [...]. Em Doutrina Espírita [...] não podemos aceitar tudo e nem abraçar tudo, a fim de podermos estar certos".

E você já teve alguma experiência com Casas "Espíritas" que não seguem a Codificação e promovem um verdadeiro sincretismo?

Fonte bibliográfica:
  • KARDEC, Allan. Livro dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. (PDF-FEB)
  • FIGUEIREDO. Paulo Henrique de. Revolução Espírita - a teoria esquecida de Allan Kardec. São Paulo - SP: MAAT, 2016.
  • XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Opinião Espírita. Ditado pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. Capítulo 25. Práticas Estranhas. Catanduva-SP: Boa Nova Editora, 2009.

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