LIVRO DOS ESPÍRITOS - PARTE 89


– O LIVRO DOS ESPÍRITOS – 
– LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS – 
– CAPÍTULO I – A LEI DIVINA OU NATURAL –
 II  CONHECIMENTO DA LEI NATURAL

(Questões 619 a 628)


Chama a nossa atenção a resposta dos Espíritos sobre os meios de conhecimento da Lei Divina proporcionada por Deus. Nela há uma questão fundamental que devemos observar: trata-se da diferença entre CONHECIMENTO e COMPREENSÃO. Em primeiro lugar, dizem os Espíritos, TODOS podem conhecer a Lei de Deus. Isto quer dizer que NEM TODOS a conhecem.

Note que o Espírito é criado simples e ignorante. Partiu daquilo que conhecemos como princípio inteligente. Nesse sentido, o conhecimento é adquirido à medida que a inteligência é desenvolvida. Numa expressão mais simples: algo é conhecido quando o indivíduo volta sua atenção para o objeto do conhecimento. E, nesse caso, é preciso lembrar que, dotado do livre-arbítrio, o qual também se desenvolve (Q, 262, LE), a liberdade para fazer escolhas e sofrer suas consequências é, também, processo gradual – não há saltos na natureza. Daí resulta que poderá haver conhecimento sem que exista a compreensão.

Vejamos a resposta dos Espíritos à questão 262.a de O Livro dos Espíritos. Um espírito que, por inferioridade ou má vontade, não está apto a COMPREENDER o que lhe seria mais proveitoso, poderá sofrer uma imposição de existência que lhe sirva de adiantamento. Trata-se do fato de que a Lei Divina deve ser cumprida, portanto, haverá conhecimento, mas, não a compreensão dos motivos pelos quais elas devem ser aplicadas. A existência encarnatória é fruto da Misericórdia Divina, oportunidade de aprendizado, melhora e reparação. Nesses casos, a experiência nos mostra que muitos Espíritos sabem (conhecem) essa Lei, mas, não a compreendem, pois, reputam a Deus a qualidade de carrasco que castiga e não de Pai que educa.

Quanto à compreensão das Leis Divinas, há um determinismo, isto é, TODOS A COMPREENDERÃO, pois, é necessário que o progresso se realize. No entanto, o processo é gradativo. Cada Espírito determina o tempo (o quando), pois, Deus não viola a consciência individual.

A diferença capital entre conhecimento e compreensão tem lugar no Estudo, na pesquisa. Afirmam os Espíritos que aqueles que se ocupam em COMPREENDER a Lei de Deus são os seres humanos de bem. Enquanto o Espírito não alcança esse “degrau” pode ter conhecimento, mas, não possui compreensão, pois, essa última requer elevação do senso moral.

Há em cada um de nós uma luta. Um conflito. A compreensão da Lei Divina depende do grau de perfeição que o indivíduo tenha atingido. Quando o Espírito encarna conserva a lembrança da Lei Divina como lembrança intuitiva, o que causa o esquecimento são as más tendências, as imperfeições, as paixões, por assim dizer. Todavia, todos possuem a Lei Divina gravada na consciência (Q. 621, LE).

Pense numa escola. Quantos de nós ao adquirirmos o conhecimento de determinadas informações, equações, etc., não julgamos que são “conhecimentos desnecessários”, que “não vamos usar isso nunca”? Assim acontece com o Espírito que passa por sucessivos processos reencarnatórios. Pelo acúmulo de informações e experiências é necessário que sejamos lembrados da importância de muito do que conhecemos. Isto ocorre com as Leis Divinas, gravadas em nossa consciência, que precisam, de tempos em tempos, ser lembradas. Eis o motivo das REVELAÇÕES DIVINAS.

Chegamos, portanto, aos reveladores. Deus outorgou a certos indivíduos a missão de revelar sua lei. Mas, nem todos que trataram do tema foram emissários enviados. Esse é o verdadeiro exemplo daquele que CONHECE, mas, NÃO COMPREENDE. Conhecendo a informação, porém, não a compreendendo, viram um meio de lograr enriquecimento, adquirir poder, entre outras tantas paixões humanas. São os que o Cristo chamou de FALSOS CRISTOS e FALSOS PROFETAS. Aqueles que vieram com a MISSÃO DE REVELADORES, inspirados por Deus, são Espíritos superiores que encarnaram justamente para tal mister.

E, nesse caso, é importante lembrar as características do VERDADEIRO PROFETA são: um ser humano de bem, inspirado por Deus, que pode ser conhecido por suas palavras e ações, que não mente e somente ensina a verdade. (Q. 623 e 624, LE).

Para uma comparação segura Deus nos ofereceu o TIPO MAIS PERFEITO para nos servir de MODELO E GUIA (modelo para copiar e guia para seguir no caminho), trata-se de JESUS (Q. 625, LE). Nenhuma de suas instruções eram apenas leis humanas ou tinham como objetivo servir a paixões e, menos ainda, para dominar os seres humanos. Seu objetivo: instruir o Espírito a atingir a verdadeira pureza para ver, compreender Deus e O auxiliar no processo de co-criação no plano maior (Vós sois deuses, podeis fazer o que Eu faço e muito mais, disse-nos Jesus).

Toda a história do gênero humano sempre apresentou indivíduos que meditaram sobre a sabedoria, compreenderam as Leis Divinas e as ensinaram. Ensinos certamente incompletos, mas, que prepararam o terreno para a chegada de Jesus. Notadamente, as Leis Divinas estão gravadas na Natureza e à disposição de todos os que quiseram conhecê-las e desejaram buscá-las. Lembremos que muitas regras mencionadas no ensino de Jesus não eram novas, mas, elementos que constituíam a doutrina moral de todos os povos.

E, nesse contexto, qual é a utilidade do ensinamento dos Espíritos (afirmamos tanto que o Espiritismo é a terceira revelação, não é mesmo?), se Jesus nos ensinou as verdadeiras Leis de Deus? Por ser um ensino muito alegórico, em forma de parábolas, difícil de se compreender por muitos daquela época e, com certeza, na atualidade, o Espiritismo veio explicar e desenvolver essas leis, a fim de torná-las compreensíveis e disseminar sua prática na Terra (Q. 627, LE).

A missão dos Espíritos é despertar, com ensinos claros e precisos, a fim de que NINGUÉM possa mais interpretar as Leis de Deus ao sabor de suas paixões e nem falsear o sentido de uma LEI QUE É TODA AMOR E CARIDADE.

Concluímos com O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Q. 628:

“Jamais houve um tempo em que Deus permitisse ao homem receber comunicações tão completas e tão instrutivas como as que hoje lhe são dadas”.

Advertência dos Espíritos:

1)     “[...] nenhum antigo sistema filosófico, nenhuma tradição, nenhuma religião a negligenciar, porque TODOS encerram germes de GRANDES VERDADES, que embora pareçam contraditórias entre si, espalhadas que se acham entre acessórios sem fundamento, são hoje muito fáceis de coordenar, GRAÇAS A CHAVE QUE VOS DÁ O ESPIRITISMO DE UMA INFINIDADE DE COISAS QUE ATÉ AQUI VOS PARECIAM SEM RAZÃO, E CUJA REALIDADE É VOS AGORA DEMONSTRADA DE MANEIRA IRRECUSÁVEL.
2)     Não deixeis de tirar temas de estudo desses materiais. SÃO ELES MUITO RICOS E PODEM CONTRIBUIR PODEROSAMENTE PARA VOSSA INSTRUÇÃO.

Estude e Viva!

Uberaba – MG, 29 de Novembro de 2019.
Beto Ramos

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