ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - PARTE 3

III – A DOUTRINA E SEUS CONTRADITORES [1]

As contradições apontadas para a Doutrina Espírita, decorrentes de uma observação incompleta dos fatos e de um julgamento formado com muita ligeireza e precipitação, foram:

Movimento das mesas ou “fenômeno das mesas girantes”

Fato cuja repetição foi observada primeiramente na América (eis que a História prova que o mesmo remonta à mais alta Antiguidade[2]) produziu-se acompanhando de ruídos solitários, golpes desferidos sem causa aparentemente conhecida e provocou muita incredulidade, o que foi superado pela multiplicidade das experiências. Todavia, em razão de que os fenômenos não estavam sujeitos à vontade e expectativa de serem produzidos constantemente, muitos concluíram pela negativa. Mas, as mesas continuaram a se mover.

Tais fenômenos, assim como aqueles da química e da eletricidade, estão subordinados a determinadas condições e não se produzem fora delas. Fatos novos podem e devem exigir novas leis. Para conhece-las é necessário estudar as circunstâncias em que os fatos se produzem. Tal estudo é realizado por meio de observação perseverante, atenta e bastante prolongada.

Fraudes

Pode-se muito bem brincar um instante, mas, indefinidamente torna-se devastador e cansativa para o mistificador como para o mistificado. Seria o caso, então, de algo que se propaga como fraude em todo o mundo, entre pessoas sérias, veneráveis e esclarecidas, o que seria tão extraordinário como o próprio fenômeno.

CARACTERES DA DOUTRINA ESPÍRITA E DO "ESPÍRITA", SEGUNDO EMMANUEL [3]

Características gerais

A Doutrina Espírita exige fidelidade, explica os fenômenos mediúnicos em que toda religião se baseia, é guia na solução dos problemas do destino e da dor e exonera do pavor ilusório do inferno que persiste somente na consciência culpada.

O Espiritismo descerra a continuidade da vida após a morte, estabelece a caridade incondicional como simples dever e abraça os Espíritos infelizes, vendo neles criaturas humanas desencarnadas em outras faixas de evolução.

A Religião dos Espíritos permite-se o livre exame com sentimento livre de compressões dogmáticas, para que a fé contemple a razão face a face, elucidando a todos sobre a colheita da plantação que tenhamos lançado à vida, sem qualquer privilégio na Justiça Divina, oferecendo a chave para a verdadeira interpretação do Evangelho.

Aviso do benfeitor espiritual

Porque a Doutrina Espírita é em si a liberalidade e o entendimento, há quem julgue seja ela obrigada a misturar-se com todas as aventuras marginais e com todos os exotismos, sob pena de fugir aos impositivos da fraternidade que veicula. Dignifica, assim, a Doutrina que te consola e liberta, vigiando-lhe a pureza e a simplicidade, para que não colabores, sem perceber, nos vícios da ignorância e nos crimes do pensamento.

“Espírita” deve ser o teu caráter, mesmo que te sintas em reajuste depois da queda. “Espírita” deve ser a tua conduta, mesmo que estejas em duras experiências. “Espírita” deve ser o nome do teu nome, mesmo que respires em aflitivos combates consigo mesmo. “Espírita deve ser o claro adjetivo de tua instituição, mesmo que, por isso, te faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres. DOUTRINA ESPÍRITA QUER DIZER DOUTRINA DO CRISTO. E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoamento moral em todos os mundos. Guarda-a, pois, na existência como sendo a tua responsabilidade mais alta, porque dia virá em que serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas.[4]

Comentário 

Basta um pequeno "olhar" ao redor que vamos nos deparar com os contraditores da doutrina espírita. Dentro desta então, basta pequena observação. A contradição pode estar sentada ao seu lado!

Sem nenhuma vocação para a crítica infundada à crença alheia, é necessário esclarecer que muitos "espíritas" creem em imagens de barro, veneram retratos, atribuem qualquer tipo de "força sobrenatural" a objetos, muitos acreditando nos denominados "feitiços".

É bom que fique claro: CADA UM ACREDITA NO QUE QUISER. O problema é que o indivíduo passa a "enxertar" no Espiritismo uma série de "sistemas" que não passam no exame mais superficial da Codificação.

Muito se poderia argumentar sobre o tema, por diversos ângulos de abordagem inclusive, mas, é sempre melhor ouvir os ensinamentos dos irmãos mais velhos, assim, com a palavra Emmanuel [5]:

"Muitos discípulos, nas várias escolas cristãs, entregaram-se a perquirições teológicas, transformando os ensinos do Senhor em relíquia morta dos altares de pedra; no entanto, espera o Cristo venhamos todos a converter-lhe o Evangelho de amor e sabedoria em companheiro da prece, em livro escolar no aprendizado de cada dia, em fonte inspiradora de nossas mais humildes ações no trabalho comum e em código de boas maneiras no intercâmbio fraternal.  [...] sabemos que o labor do aprendiz fiel constitui-se de adoração e trabalho, de oração e esforço próprio".

Certamente importa lembrar o diálogo de Jesus com a Mulher Samaritana onde Ele a ensina que a verdadeira adoração a Deus é em Espírito e em Verdade. Sabendo, ainda, como ensinaram o Apóstolo Paulo, Estevão e o Profeta Isaias: Deus não habita em templos de pedra.

[1] KARDEC, Allan. O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Trad. J. Herculano Pires. São Paulo: LAKE, 2013, pg. 27.
[2] XAVIER, Francisco C. RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS. Pelo Espírito Emmanuel. Brasília-DF: FEB, 2015, pag. 151-153.
[3] XAVIER, Francisco C. RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS. Pelo Espírito Emmanuel. Brasília-DF: FEB, 2015, pag. 233-236.
[4] XAVIER, Francisco C. RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS. Pelo Espírito Emmanuel. Brasília-DF: FEB, 2015, pag. 235-236.

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