O LIVRO DOS ESPÍRITOS - PARTE 32



- IV – PERISPÍRITO – 

(Questões: 93 a 95)

“Limita-se o Espiritismo a admitir o mundo invisível como hipótese e como meio de explicação? Não, porquanto seria explicar o desconhecido pelo desconhecido”. (Revista Espírita, 1862, pg. 400).


“O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá. [...] Uma questão complexa requer, pra ser esclarecida, perguntas preliminares ou complementares. Quem quer adquirir uma ciência deve estuda-la de maneira metódica, começando pelo começo e seguindo o encadeamento de ideias”. (Livro dos Espíritos. São Paulo: LAKE, 2013, p. 39).


Nossa reflexão de hoje será sobre o PERISPÍRITO. Todavia, as questões 93 a 95 de O Livro dos Espíritos são muito objetivas e esclarecem acerca do tema sem deixar quaisquer dúvidas. Assim, pedimos vênia para relembrar algumas questões que foram colocadas por Allan Kardec na Revista Espírita.


Nos dias 15 e 29 de novembro de 1861, o Senhor Emile Deschanel publicou dois artigos a respeito de O Livro dos Espíritos onde argumentou que “a doutrina espírita se refuta por si mesma, basta expô-la. Não é nem espiritual nem espiritualista, ao contrário, está fundada sobre o mais grosseiro materialismo” (FIGUEIREDO, SÃO PAULO, MAAT, 2016, pg. 318/319). Essa acusação foi efetuada por seu autor após citar diversas descrições do corpo espiritual reproduzidos em O Livro dos Espíritos, esforçando-se por provar que o perispírito deve ser de matéria.


Diante dessa acusação Kardec responde:


“[...] mas é exatamente o que dizemos com todas as letras! [...] o corpo espiritual não é senão um envoltório independente do espírito. Onde ele viu que tenhamos dito que é o perispírito que pensa? Ele não quer o perispírito, seja; mas que nos diga como pode explicar a ação do espírito sobre a matéria sem intermediário? [...] explicamos assim um fato até então inexplicado e, certamente, somos menos materialistas do que aqueles que pretendem que é o próprio espírito que se transforma em matéria para se fazer ver e agir”. (Revista Espírita, 1861, pg. 48).


No ano de 1862 o espiritismo foi novamente acusado, agora, de materializar a alma, que segundo a religião seria puramente imaterial. Retomando o tema, Allan Kardec esclareceu que tal acusação partia de um estudo incompleto e superficial, pois, o espiritismo jamais definiu a natureza da alma, que escapa às nossas investigações, explicando que:


“Nunca disse que o perispírito constitui a alma: a palavra perispírito diz positivamente o contrário, uma vez que especifica um envoltório ao redor do espírito. A doutrina espírita não tira nada à imaterialidade da alma, só lhe dá dois envoltórios em lugar de um durante a vida corpórea, e um depois da morte do corpo, o que é, não uma hipótese, mas um resultado da observação, e com a ajuda desse envoltório ela faz conceber melhor a individualidade e explicar melhor sua ação sobre a matéria” (Revista Espírita, 1862, pg. 239).


Portanto, conforme Kardec, o perispírito não se confunde com o Espírito.


Paulo Henrique de Figueiredo afirma que “[...] o conceito de perispírito tem origem na observação experimental da ciência dos espíritos e foi transmitido a nós pelo ensinamento dos espíritos superiores, portanto, não é uma hipótese filosófica, teológica ou mesmo mística”. (Revolução Espírita, São Paulo, MAAT, 2016, pg. 319).


Finalmente, o Codificador elucida cristalinamente a questão acerca do assunto explicando que:


“[...] os Espíritos são revestidos de um envoltório vaporoso, formando para eles um verdadeiro corpo fluídico, ao qual damos o nome de perispírito, e cujos elementos são colhidos do fluido universal ou cósmico, princípio de todas as coisas. Quando o Espírito se une a um corpo, aí vive com seu perispírito, que serve de ligação entre o Espírito propriamente dito e a matéria corporal; é o intermediário das sensações percebidas pelo Espírito. [...] Mas, o perispírito não está confinado no corpo, como numa caixa; por sua natureza fluídica, ele irradia para o exterior e forma em torno do corpo uma espécie de atmosfera, como o vapor que dele se desprende”. (Revista Espírita, 1862, pg. 487).


Avançado um pouco com o tema em questão, o Codificador faz importante observação acerca do perispírito, sua natureza fluídica e esta atmosfera criada com o vapor desprendido pelo mesmo. Uma vez que poderá ser um vapor impregnado de qualidades ou de enfermidades, como se pode depreender do texto a seguir:


“[...] o vapor liberado de um corpo enfermiço é igualmente insalubre, acre e nauseabundo, o que infecta o ar dos lugares onde se reúnem muitas pessoas doentes. Assim como esse vapor é impregnado das qualidades do corpo, o perispírito é impregnado de qualidades, isto é, do pensamento do Espírito, e irradia tais qualidades em torno do corpo”.


Salientamos, finalmente, que o assunto PERISPÍRITO tem um vasto campo de estudo para os Espíritas, posto que, quando falamos em atmosfera psíquica, mundo mental, entre outros, não podemos esquecer-nos do instrumento de irradiação de nossas qualidades e enfermidades.

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