ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO SEGUNDO – PARTE 43

MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – CAPÍTULO IV – PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS
I – DA REENCARNAÇÃO
 II JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO
(Questões: 166 a 171)

“Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois Deus é o autor de todas as coisas. O sábio estuda as leis da matéria, o homem de bem as da alma, e as segue. O homem pode aprofundar tanto nas leis da matéria como nas leis da alma, porém, uma só existência não lhe é suficiente para isso”.
                                    (Questão 617 e 617.a de O Livro dos Espíritos).

Desde que começamos nossas reflexões acerca da Doutrina Espírita percebemos a impossibilidade de estudar as questões abordadas pelo Codificador apenas pelo modo sucessivo. À medida que evoluímos aprendemos que estas se encadeiam e são complementares. Não é saudável fechar questão sobre qualquer tema apenas lendo essa ou aquela resposta. É NECESSÁRIO APREENDER PELO CONJUNTO.

Como exemplo de nossa afirmação temos o tema ora abordado. Neste capítulo os Espíritos tratam da PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS. Quando cumprimos o segundo ensinamento do Espírito da Verdade, instruí-vos!, constatamos que se trata de um pilar da Doutrina Espírita: a vida não acaba com a morte do corpo físico, vige a lei da pluralidade das existências (assim como a pluralidade de mundos habitados).

O primeiro assunto será DA REENCARNAÇÃO. Então, nossa primeira indagação será: POR QUE MOTIVO, PARA QUE EU ME DECLARE ESPÍRITA, DEVO ACEITAR ESSE PILAR- a pluralidade das existências? A resposta será encontrada, também, nas questões 617 e 617.a de O Livro dos Espíritos, uma vez que A REENCARNAÇÃO É UMA LEI NATURAL, UMA LEI DIVINA!

Remetemos o leitor para o Evangelho de Nosso Senhor onde, questionado, o Mestre inesquecível REVELOU: “[...] se não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. [...] se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito. [...] necessário vos é NASCER DE NOVO. O vento sopra onde quer e ouves a sua voz, mas, não sabes de onde vem nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. Jesus – (JOÃO, 3:1-8). 

Insistimos no ensino de Jesus, pois, quando contou a parábola do banquete e do casamento, REVELOU muito sobre a necessidade da reencarnação. Trata-se do meio adequado para aquisição de experiência e depuração.

No entanto, quando nos encarnamos, ou nos preocupamos com trabalho e negócios ou nos voltamos para o mal, como Jesus havia predito: 

[...] Mas, eles não lhes deram atenção e saíram um para o seu campo, outro para os seus negócios. Os restantes, agarrando os servos, maltrataram-nos e os mataram. [...]”. - MATEUS, 22.5. 

Todavia, o PLANO DE DEUS está traçado desde a fundação do mundo. O casamento VAI acontecer e o banquete SERÁ realizado. Nesta parábola Jesus esclarece que muitos foram chamados, poucos os escolhidos, tendo em vista que nem todos tiveram olhos de ver e ouvidos de ouvir.

E, conforme o PLANO TRAÇADO, diz o Mestre: “O banquete de casamento está pronto [...] e reuniram todas as pessoas que puderam encontrar, [...] e a sala do banquete de casamento ficou cheia de convidados”. 

Lembrando que sempre tem alguém que se julga mais poderoso que o Criador, Jesus ensina que a ninguém é dado o direito de burlar as regras, e assim “[...] o rei entrou para ver os convidados, [e] notou ali um homem que não estava usando VESTE NUPCIAL. E lhe perguntou: Amigo, como você entrou aqui sem VESTE NUPCIAL? O homem emudeceu. Então o rei disse aos que serviam: amarrem-lhe as mãos e os pés, e lancem-no para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes”. Jesus (MATEUS, 22:1-14).

Quantos de nós parecemos estar trajando excelente veste (nossa máscara, verniz social, aparências, etc.), mas, ninguém sabe ao certo o que vai ao íntimo. DEUS O SABE! E, nos concede a graça da reencarnação, cujo sentido é adquirirmos a VESTE NUPCIAL – um espírito depurado, perfeito, como perfeito é o Cristo. 

Recordamos André Luiz na Obra Nosso Lar, que chega pensando que ainda era médico. Tenta, inclusive, exercer tal função. Mas, como não se preparou para tal mister espiritualmente, de nada serviu a sua "veste de médico da terra". Desnecessário esclarecer que o mesmo não participou do "banquete".

Após esta introdução não tão breve, voltamos, agora, ao Ensino dos Espíritos que na questão 132 da obra ora estudada esclarecem que a finalidade da encarnação é levar o Espírito à perfeição por meio de expiação ou missão, colocando-o em condições de enfrentar sua parte na obra da Criação, motivo pelo qual toma um aparelho em cada mundo, a fim de nele cumprir as ordens de Deus, progredindo. 

Mas, é importante perceber que:

a) A questão 132 acima ensina que OS PROBLEMAS sofridos pelos Espíritos na existência corporal é EXPIAÇÃO (o que é repetido na questão 167); 

b) Já a questão 166 esclarece que submeter-se a NOVA EXISTÊNCIA com o objetivo de DEPURAR-SE para atingir A PERFEIÇÃO da alma é PROVA (também, na questão 166.a). 

Parece que na atualidade todos aceitam o dogma da reencarnação! SÓ PARECE...

Se esta certeza estivesse presente nas mentes humanas não veríamos tantas ações imediatistas sem considerar a existência do outro. Deparamo-nos com isto nas famílias consanguíneas que não alcançaram a transformação para a constituição de um “lar”. Assim como no trabalho e no templo. NÃO BASTA DIZER QUE ACREDITA EM REENCARNAÇÃO, É NECESSÁRIO AGIR COMO TAL. 

Na obra Opinião Espírita, ditada a Chico Xavier e Waldo Vieira, o capítulo 1, que analisa a questão 919 de O Livro dos Espíritos, traz uma REVELAÇÃO importante: “ESPÍRITA QUE NÃO PROGRIDE DURANTE TRÊS ANOS SUCESSIVOS PERMANECE ESTACIONÁRIO”. 

Na questão 166.a os Espíritos esclarecem que a alma sofre TRANSFORMAÇÃO. Na questão 168 ensinam que a cada nova existência o Espírito dá um passo na senda do progresso. 

Na obra acima citada (Opinião Espírita, cap. 1) podemos seguir um roteiro para buscar diminuir o número de encarnações de que trata a questão 169 de O Livro dos Espíritos:

1. Cuidar da própria paciência, tornando-se mais calmo, afável e compreensivo;

2. Conquistar, nas experiências domésticas, mais alto clima de paz dentro de casa;

3. Colaborar, no templo doutrinário, em qualquer atividade que lhe competir com alegria e otimismo;

4. Trazer o Evangelho nas atitudes e manifestações perante amigos;

5. Tornar-se capaz de sacrificar-se se dispondo a servir voluntariamente;

6. Desapegar-se, livrando-se dos desejos materiais e posses terrestres;

7. Em lugar do “eu”, “meu” e “minha”, usar intensamente os pronomes NÓS, NOSSO E NOSSA.

8. Trabalhar para tornar cada vez mais raros aqueles instantes de tristeza ou de cólera surda que somente são conhecidos por ti;

9. Diminuir os pequenos remorsos ocultos no recesso do íntimo;

10. Dissipar antigas desavenças e aversões, superando os lapsos crônicos de desatenção e negligência;

11. Estudar mais profundamente a DOUTRINA QUE PROFESSAR;

12. Entender melhor a função da dor, auxiliando aos necessitados com mais abnegação;

13. Orar verdadeiramente e buscar evoluir os ideais;

14. Consolidar a fé raciocinada com mais segurança;

15. Ter o verbo mais indulgente, os braços mais ativos e as mãos mais abençoadoras;

16. Trabalhar ativamente no plano mental para estar, de fato, mais alegre e feliz intimamente;

17. Sopesar a própria existência espontaneamente e em regime de paz sem precisar de o fazer sob o impacto da dor;

18. Tornar cada dia uma realização da cota de responsabilidade rumo à Vida Espiritual, valorizando a oportunidade e a graça da reencarnação;

19. Utilizar o tempo, a saúde e as oportunidades de fazer o bem, trazendo a consciência tranquila do dever realizado;

20. Valer-se do corpo humano para reconsiderar diretrizes e desfazer enganos.

Não nos esqueçamos: 

a) Todos nós temos muitas existências e os que dizem o contrário pretendem manter os outros na mesma ignorância em que se encontra;

b) Após deixar um corpo (morte biológica), o Espírito reencarnará em NOVO corpo;

c) A reencarnação, por Justiça Divina, possibilita o melhoramento progressivo da humanidade;

d) O número de reencarnações é ilimitado, o progresso é quase infinito, as encarnações são sucessivas, e após a última encarnação a alma se torna Espírito bem-aventurado (Espírito puro);

e) O dogma da reencarnação se funda sobre a Justiça de Deus, pois, por sua Misericórdia Infinita, DEUS sempre deixa a seus filhos uma PORTA ABERTA AO ARREPENDIMENTO;

f) Após a encarnação DEUS, soberanamente JUSTO, não priva suas criaturas da FELICIDADE ETERNA que carece do melhoramento e da perfeição, assim como não os “elege”, após uma encarnação aparentemente “feliz”, a um céu de delícias para glutões e ociosos. 

Concluímos com Allan Kardec, no comentário acerca da JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO: 

“[...] Não estaria de acordo com a equidade, nem segundo a bondade de Deus, castigar para sempre aqueles que encontram obstáculos ao seu melhoramento, independentemente de sua vontade, no próprio meio em que foram colocados. Se a sorte do homem fosse irrevogavelmente fixada após sua morte, Deus não teria pesado as ações de todos na mesma balança e não os teria tratado com imparcialidade. A doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o homem muitas existências sucessivas, É A ÚNICA QUE CORRESPONDE À IDEIA DA JUSTIÇA DE DEUS, COM RESPEITO AOS HOMENS DE CONDIÇÃO MORAL INFERIOR; a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, pois oferece-nos o meio de resgatarmos os nossos erros através de novas provas. A RAZÃO ASSIM NOS DIZ, E É O QUE OS ESPÍRITOS NOS ENSINAM [...]”.

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