O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 63



CAPÍTULO VII – RETORNO À VIDA –

– CORPORAL – V – IDIOTISMO E LOUCURA –

 – (Questões: 371 a 378) –

Olá amigos e amigas, é sempre bom lembrar que as digressões que fazemos não têm o condão de apresentar verdades, uma vez que estamos em busca daquela que liberta sempre. Tenham sempre em mente que escrevemos apenas o fruto de algumas reflexões. E, estas, devem ser consideradas no nível da relatividade, pois, somos resultado da influência do meio, daquilo que lemos, de nossos conceitos e preconceitos. Portanto, o que nos parece, hoje, claro e cristalino, amanhã poderá estar demasiadamente turvo. Destarte, seguindo esse caminho que possibilita o diálogo fraterno, uma vez que com os “donos da verdade” não há meios de apresentarem-se opiniões divergentes, vamos, agora, enfrentar os temas a seguir onde o Mestre Rivail tratou em O Livro dos Espíritos usando termos que usualmente, no século XXI, não lançamos mão.

É que a oligofrenia designa os casos em que há déficit de inteligência. Todavia, a sociedade preconceituosa (estou falando de todos nós) contribuiu para tornar pejorativo aquilo que, inicialmente, era um avanço histórico. Quando os termos debilidade, imbecilidade e idiotia foram criados, substituíram a crença de que haviam indivíduos amaldiçoados ou possuídos pelo demônio. Ao longo do tempo, como afirmado, tornamos o avanço em meio de dificultar a inclusão social de pessoas que apresentavam tais patologias e, hoje, os organismos internacionais e as associações como APAE e UNICEF recomendam o uso de terminologias como: “pessoas portadoras de necessidades especiais”  ou “excepcionais”.

A psiquiatria utiliza o termo idiotia para designar os portadores do menor grau de desenvolvimento intelectual. Curioso é saber que a palavra idiota, do grego idiótes, designava somente o homem privado, cuja finalidade era diferenciá-lo do homem de estado naquela sociedade. Tratava-se da “pessoa leiga, sem habilidade profissional”, opondo-se àqueles que realizavam algum trabalho especializado. O idiota, originalmente, se dedicava a assuntos particulares e não se ocupava dos assuntos de ordem pública, como não exercia nenhum cargo público na sociedade grega primitiva.

Além dos significados acima, atualmente, e de forma pejorativa (depreciativa), o termo passou a caracterizar pessoas simples, ignorantes e sem educação convencional. 
A loucura, atualmente, relaciona-se com o desequilíbrio mental. Manifesta-se nos indivíduos que se caracterizam pela percepção distorcida da “realidade”, perda de autocontrole, alucinações, comportamentos considerados anormais e absurdos. Relaciona-se, também, com a demência, que consiste na ausência ou perda de funções cognitivas.

Como a intenção aqui é provocar o leitor, o desejável é buscar informações adequadas, balizadas, principalmente, advindas de especialistas, quando for estudar o tema especificamente.
Feitas estas considerações, lembramos que O Livro dos Espíritos foi redigido por Allan Kardec no século XIX, década de 50, e, portanto, o Codificador o escreveu como “um homem de seu tempo”. Não podemos, assim, ter preconceitos com os termos usados nestas questões, pois, por óbvio, não havia quaisquer intenções preconceituosas. RECORDE-SE: estamos no século XXI.

Começamos pelas afirmações dos Espíritos Superiores:

a) Os portadores dessas deficiências NÃO POSSUEM ALMAS DE NATUREZA INFERIOR, e que são, frequentemente, mais inteligentes do que se pensa usualmente;
b) Possuem insuficiência dos meios de que dispõem para se comunicar e sofrem. Esse mesmo sofrimento ocorre, por exemplo, com a pessoa acometida da mudez (que não é louco ou idiota, mas, não consegue falar para se comunicar);
c) Esses seres vivem em corpos que sofrem constrangimentos, sujeitos a impossibilidade de manifestar-se por meio de órgãos não desenvolvidos ou defeituosos. Em sua encarnação estão em expiação ou punição por faltas anteriores;

É importante o esclarecimento dos Espíritos Superiores, pois, admitindo-se que se trata de Espíritos inteligentes em corpos defeituosos, compreendemos que os órgãos do corpo físico exercem muita influência sobre a MANIFESTAÇÃO das faculdades do Espírito. Todavia, os órgãos físicos não são a sede de tais faculdades, isto é, NÃO AS PRODUZEM. Um bom exemplo dado pelos Espíritos Codificadores toma o corpo humano como um instrumento musical defeituoso usado por um excelente músico. O resultado não será uma boa música. Assim é o corpo humano defeituoso, com limitações, usado por Espíritos inteligentes.

O período que o Espírito passa preso ao corpo físico portador de deficiências é expiação pelo abuso que cometeu no uso de certas faculdades. Pela falta cometida estas faculdades ficam suspensas por certo tempo. Por exemplo, na encarnação passada o Espírito era um “gênio”, mas, desprovido de superioridade moral. Não estando a superioridade intelectual na razão daquela, os abusos cometidos ensejam ao Espírito o “cárcere” no corpo com entraves para manifestação do cérebro (assim como ocorre com as demais expiações que se apresentam fisicamente nos coxos, os cegos, os surdos, etc.).

Para a maioria dos Espíritos que se encontram nessas situações o conhecimento de suas limitações consistem na expiação. O órgão que preside os efeitos da inteligência e da vontade é parcialmente ou inteiramente atacado ou modificado. O Espírito tem a seu serviço somente órgãos incompletos ou alterados. A expiação consiste na perturbação que o espírito tem perfeita consciência por si mesmo ou no foro íntimo, mas QUE NÃO TEM QUALQUER CONTROLE, pois, está em curso o processo.

É certo que o CORPO ESTÁ DESORGANIZADO E NÃO O ESPÍRITO. O que é necessário esclarecer refere-se à influência que a matéria exerce sobre o Espírito. Desta forma, quando esse fica enclausurado durante muito tempo sendo impressionado pela alteração dos órgãos pelos quais se manifesta, o Espírito somente se livrará dessa influência APÓS A COMPLETA SEPARAÇÃO DE TODA IMPRESSÃO MATERIAL. Não é o desligamento do corpo e do espírito com a morte, mas, de elevação moral que afasta as impressões da matéria. Após a morte o Espírito ainda poderá ressentir-se dos efeitos dos constrangimentos por que passou, como alguém que acorda e leva algum tempo para libertar-se dos efeitos do sono em que mergulhara.

A loucura que leva ao suicídio é ocasionada pela busca do Espírito em se libertar. Vê-se, também, por esse ângulo, que não há o controle racional da vontade, pois, haverá expiação por essa falta também. Após a morte o Espírito levará um tempo para retomar a consciência. Quanto mais tempo passou como louco na matéria, mais longamente durará o constrangimento depois da morte.

Não deixe de estudar O Livro dos Espíritos.

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