O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 72



 EMANCIPAÇÃO DA ALMA –

 – VII DUPLA VISTA – 
(Questões: 447 a 454-a)

É possível que o indivíduo, quando acordado, também experimente que seu espírito fique liberto do corpo, de modo a ver, ouvir e sentir além dos limites dos sentidos comuns (visão, audição, tato, olfato e gustação). Esse fenômeno é chamado de dupla vista.
 
Os indivíduos percebem as coisas até onde o perispírito puder estender a sua ação. Allan Kardec, explicando esse fenômeno, esclarece que pela vista ordinária é como se fosse uma espécie de miragem. Modifica-se o estado físico e os olhos ficam como que vagos, do tipo “olhando sem ver”. A fisionomia demonstra uma espécie de exaltação.

Os órgãos da visão podem estar abertos ou fechados que a dupla vista (visão a imagem à distância) persiste. Para os que possuem essa faculdade se afigura natural como a visão comum o é. Tanto que a consideram como um atributo normal. Após essa lucidez passageira segue-se o esquecimento até que a lembrança desapareça por completo, como ocorre com os sonhos.

Não é uma faculdade que se apresenta da mesma maneira nos indivíduos. Há sempre a influência moral do ser. Pode ocorrer como uma sensação confusa até à percepção clara e nítida das coisas presentes ou ausentes.

A dupla vista possui diferentes graus. Em estado rudimentar dá a algumas pessoas perspicácia e segurança nos seus atos e mais desenvolvida desperta pressentimentos. No estágio mais avançado poderá mostrar acontecimentos do passado ou em vias de acontecer.


É importante ter em mente que:


    a) Sonambulismo natural e artificial, o êxtase e a dupla vista, são variedades ou modificações de uma mesma causa (a emancipação da alma);

    b) Assim como os sonhos, são fenômenos naturais e existiram de todos os tempos, desde a mais alta Antiguidade;

  c) Neles se encontram uma infinidade de fatos que os preconceitos fizeram passa por sobrenaturais.


Allan Kardec, na Obra A Gênese (original de 1868), no Capítulo XV, Os Milagres do Evangelho, no item 5, reporta o fenômeno da DUPLA VISTA que ocorreu com a entrada de Jesus em Jerusalém, o beijo de Judas, a pesca miraculosa, a vocação de Pedro, André, Jacó Tiago, João e Mateus, em que afirma o seguinte:


“Esses fatos nada têm de surpreendente quando se conhece o poder da dupla vista, e a causa muito natural dessa faculdade. Jesus a possuía ao supremo grau e pode-se dizer que ela era seu estado norma, o que atestam um grande número de atos de sua vida e o que explica, atualmente, os fenômenos magnéticos e o Espiritismo”.


Afirma o Codificador que muitas passagens do Evangelho atestam o fenômeno quando é dito:

“Mas Jesus, conhecendo seus pensamentos, lhe diz...”. E arremata: “como podia ele conhecer esses pensamentos se não fosse pela irradiação fluídica que os transmitia, assim como pela visão espiritual que lhe permitia ler o foro íntimo dos indivíduos?”.


Desta forma, hoje, possuindo o conhecimento acerca dos fenômenos da dupla vista, bem como da própria faculdade que possuem alguns indivíduos de verificarem em si mesmos a emancipação da alma, em vigília ou dormindo, é importante meditar acerca da afirmação do Mestre lionês:


“[...] quando se crê que um pensamento está profundamente sepultado no recôndito da alma, não suspeitamos levar conosco um espelho que o reflete, um revelador na própria irradiação fluídica que está impregnada dele. Se víssemos o mecanismo do mundo invisível que nos rodeia, as ramificações desses fios condutores do pensamento, que vinculam todos os seres inteligentes, corporais e incorpóreos, os eflúvios fluídicos carregados das impressões do mundo moral, que atravessam o espaço como correntes de ar, ficaríamos menos surpresos diante de certos efeitos que a ignorância atribui ao acaso”. (A Gênese, Livro Segundo, Cap. XV, Os Milagres do Evangelho).


Sobre o pensamento remetemos o leitor à Obra Pensamento e Vida, ditada por Emmanuel a Francisco Cândido Xavier, edição da Federação Espírita Brasileira.


Fontes:

KARDEC, Allan. A Gênese (Original, 1868).

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.

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