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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

ESTUDO DO LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 108 -

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA

- O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 108 - 

- LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS – 

- CAPÍTULO VI – LEI DE DESTRUIÇÃO – 

- II FLAGELOS DESTRUIDORES – 

(Questões 737 a 741)

O tema do presente capítulo 6 do Livro Terceiro é LEI DE DESTRUIÇÃO. Partindo desse princípio é preciso refletir sobre as mensagens trazidas em cada indagação feita aos Espíritos. Nesse item 2, acerca de flagelos destruidores, o questionamento considera a expressão traduzida por castigo.

Mas, de fato, é esta a expressão empregada no original em francês por Allan Kardec aos Espíritos Superiores? Tanto na primeira edição do Livro dos Espíritos de 1857 quanto na segunda, aumentada, de 1860, vamos encontrar:

a) 372. Dans quel but Dieu frappe-t-il l’humanité par des fléaux destructeurs? 

b) 737. Dans quel but Dieu frappe-t-il l'humanité par des fléaudestructeurs?

Duas expressões saltam aos olhos. Como afirmado, a primeira delas, que vamos nos deter nesse preâmbulo é a que foi traduzida por CASTIGO. Nesse caso, identificando a palavra original, vamos encontrar DUAS expressões (uma com acento no 'e' e outra sem acento)

I) - frappé; II) frappe; as duas seguidas de -t-il para expressar Ele (esclarecendo que o acento intensifica o significado e modifica o tempo de passado para presente).

No item I 
acima, onde a palavra francesa possui acento no 'e', encontramos os seguintes significados: bateu, atacou, golpeou, atingiu. Em nossa rápida pesquisa NÃO ENCONTRAMOS a expressão com o significado CASTIGOU.

No item II acima, onde a palavra francesa NÃO possui acento no 'e', vamos encontrar o significado arrasa. Em nossa rápida pesquisa NÃO ENCONTRAMOS a expressão com o significado CASTIGA.

Frisamos que o acento na letra 'e' mudou o tempo da expressão e no lugar de 'bateu" passou-se para 'arrasa'. 

A nosso ver a intensificação da significação não muda o sentido original. Portanto, ao estudar esse item 2, denominado flagelos destruidores, vamos considerar o sentido comum da expressão e, em um primeiro momento, a tradução será:

1. Com que fim Deus atinge a humanidade com “flagelos” destruidores?

Deixamos a expressão flagelos entre aspas. É que essa palavra, também, pode ser traduzida por "pragas". É preciso compreender que "flagelos" é um sentido comum que se lhe aplica, mas, há a alternativa "pragas". Destarte, a pergunta poderia, também, ser traduzida por:

2. Com que fim Deus atinge a humanidade com pragas destruidoras?

No primeiro caso teríamos um sentido geral e no segundo um sentido específico, pois, toda praga é um flagelo, mas, nem todo flagelo é uma praga. Pedimos atenção para o fato de que DEUS NÃO CASTIGA A HUMANIDADE. 

Considerar um ataque de Deus CONTRA a humanidade é ir contra aos seus atributos já apreendidos em nossos estudos, ou seja, Sua Soberana Bondade e Justiça.

Outra questão importante que gostaríamos de registrar é que o Codificador usa para expressar a expressão que traduzimos por castigo (mas, que o sentido correto é, na origem, punição) é
châtiment (que vamos buscar referência na Questão 263 de O Livro dos Esíritos), onde temos exemplo do Francês:

263. L'Esprit fait-il son choix immédiatement après la mort? Non, plusieurs croient à l'éternité des peines; on vous l'a dit: c'est un châtiment.

Feitas essas considerações importantes, mostramos que, mesmo diante de O Livro dos Espíritos, é preciso ter cuidado com as palavras, isto é, NOS ENTENDERMOS QUANTO AS PALAVRAS, para buscar o fundo e não a forma nas mensagens, eis que a letra mata. Aqui, buscamos sempre o espírito que vivifica.

A finalidade de sermos batidos por pragas destruidoras tem relação direta com a necessária destruição do velho para surgir o novo, ou, melhor dizendo, para a regeneração moral dos Espíritos. Compreender, também, que a matéria é perecível, mas, o Espírito é imortal.

Cada existência nova adquirida é uma nova oportunidade de atingir um novo grau de perfeição. Devemos, portanto, julgar a finalidade desses eventos segundo a visão do Espírito e não do ponto de vista pessoal. É certo que todo evento danoso causa imediato prejuízo. Mas, nesse prisma, estamos condicionando o Espírito ao desapego a coisas puramente materiais.

A finalidade de todos os transtornos imediatos vistos do ponto de vista humano é fazer com as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.

Em substituição ao pensamento escatológico sobre o tema flagelos destruidores recordemos que o Espírito foi dotado do livre-arbítrio, dos meios para conhecer o bem e o mal e progredir. Porém, em razão dessa mesma variável, isto é, da livre escolha, a maioria não avança. Os eventos naturais vem bater o orgulho e o egoísmo do Espírito e o faz sentir sua própria fraqueza. Portanto, na realidade, o que é atingido, batido e arrasado não é o Espírito, mas, o orgulho e o egoísmo.

Na questão 738.a uma IMPORTANTE informação precisa ser destacada. Refere-se à DIFERENÇA entre o ponto de vista do Espírito encarnado e o ponto de vista do Espírito desencarnado. Vinculado à matéria o ser humano relaciona tudo a SEU CORPO. Porém, do ponto de vista espiritual a vida do corpo é um QUASE NADA. Os Espíritos assim consideram em razão do tempo de vida na matéria (encarnação). O Espírito sabe que o sofrimento na matéria é fugaz, passageiro. TUDO FAZ PARTE DE UM ENSINAMENTO QUE SERÁ IMPORTANTE PARA O FUTURO.

O corpo humano não passa de “disfarce” sob o qual o Espírito aparece no mundo. Entre pragas e flagelos, os corpos físicos são apenas vestes. O que vale, de fato, são as lições. A morte faz parte da Lei de Destruição, portanto, lei natural. Chegada a hora da partida a lei se cumprirá. Entre as pragas ou flagelos uma coletividade de Espíritos retorna ao mundo verdadeiro; pelas causas comuns volta menor número.

A utilidade de certos eventos é a modificação no estado físico de certas regiões, o que é visto de modo mais imediato. Porém, os grandes resultados serão sentidos pelas gerações futuras. São, na verdade, provas que proporcionam aos seres humanos exercitarem sua inteligência, paciência e resignação diante das Leis Divinas. Do mesmo modo que tais eventos, também, proporcionam o desenvolvimento de sentimentos de abnegação, desinteresse próprio e do amor ao próximo. Por isso afirmamos no princípio que os verdadeiros inimigos combatidos nesses eventos são o egoísmo e o orgulho. 

É bom ter em mente uma lição importante: muitos flagelos são consequência da imprevidência humana, no que se refere ao coletivo. Conhecendo os flagelos, é possível pela experiência preveni-los, desde que sejam profundamente pesquisadas suas causas. Porém, há entre esses males que atingem a humanidade muitos que são agravados pela indolência do Espírito encarnado. 

Desde que estamos encarnados e submetidos a provas e expiações individuais, bem como aquelas que têm o caráter coletivo, além do fato de que o principal objetivo da encarnação é colocar o Espírito em condições de assumir sua parte na Obra da Criação em razão do conhecimento amealhado que o leva à perfeição, haverá os ciclos naturais e os eventos de natureza geral vinculados às Leis Divinas, os quais fogem ao controle humano. Como afirmado, os ser humano, conhecendo-os, poderá minimizar seus efeitos. Até o momento tem ocorrido o contrário na maioria dos casos. Mas, progredir, evoluir, decorre de Lei Divina, portanto, vai ocorrer. 

Por hoje é só. Nós nos encontraremos no próximo estudo. Até lá! 

Este post foi atualiza em Uberaba – MG no dia 06 de setembro de 2020 por Beto Ramos

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