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sexta-feira, 23 de julho de 2021

O QUE MOVE O SER HUMANO?

O livre-arbítrio é incompatível com a 'fatalidade', como vulgarmente é compreendida. Assim sendo, o Espiritismo repele, veementemente, a afirmação de que 'os atos humanos praticados, assim o foram, porque estavam escritos'. A escolha, como se fosse um dom ou dádiva divina, está presente no que se refere à reencarnação do Espírito. Isto é, ele pode escolher como prova e expiação, uma existência em que se sentirá arrastado para o crime, seja em razão do meio em que estiver situado, seja pelas circunstâncias supervenientes.

O fato é que o Espírito será sempre livre para agir como quiser. É preciso compreender que o livre-arbítrio existe e está presente sempre, isto é:

a) No estado de Espírito, com a escolha da existência das provas;

b) No estado corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que VOLUNTARIAMENTE está submetido.

Nesse caso, a reencarnação é a oportunidade em que o Espírito vai se educar. Essa educação consiste no seu trabalho para combater suas más tendências. A dúvida é: se depende do Espírito, porque esse processo é lento? Responderemos que, como em todo trabalho, no campo da educação do Espírito há resultados eficientes, como não.

Para colher bons resultados deve o Espírito se basear no estudo aprofundado de sua natureza moral. Deve estudar o que compõe o seu caráter, a sua personalidade. Ao mesmo tempo, é preciso que investigue e conheça quais são as leis que regem a natureza moral. Traduzindo, o Espírito deve estudar como se adquire uma imperfeição e como se despoja dela, pois, adquirir conhecimento, modificá-los e aprimorá-los decorrem da Lei de Progresso.

Uma observação importante é que nem tudo que parece ser uma qualidade boa é realmente e nem tudo que aparenta imperfeição o é, vez que existem qualidades que desconhecemos.

A evolução do Espírito compreende aprimorar sua inteligência pela instrução, o que lhe permite conhecer as leis que regem a matéria. Tanto que, à medida que a humanidade progride constata-se o progresso da inteligência humana. Podemos, então, dizer que pela instrução o Espírito adquire e aprimora o conhecimento.

No caso da natureza moral, é preciso que o ser humano se reconheça Espírito, entenda que existem leis sob as quais se submete nesse estado. Assim, o conhecimento, agora esclarecido, será transformado em sabedoria pelo EspíritoÉ que, nesse processo, o Espírito busca o saber, estuda a formação do seu caráter, investiga e domina todas as influências a que está sujeito.

Outro ponto a destacar é que o desenvolvimento do senso moral é mais lento do que o intelectual, no entanto, à medida que o Espírito vai conhecendo aquele conjunto de leis que rege a natureza moral, passará moldá-lo, modificá-lo, como modificado foi, e é, a inteligência pela instrução.

Desligado da matéria, em estado errante, o Espírito faz a escolha de suas futuras existências corpóreas. Essa escolha é feita segundo o grau de perfeição que tenha atingido. É NISTO QUE CONSISTE O SEU LIVRE-ARBÍTRIO. Essa é a expressão de sua liberdade, sua autonomia.

Ao reencarnar o Espírito mantém essa faculdade e não há anulação do livre-arbítrio. É preciso, pois, saber o que acontece após o reencarne. Se no estado errante faz-se a escolha das futuras existências corpóreas, nesse estado o Espírito sofre influência da matéria. Sob essa influência é que suportará ou sucumbirá nas provas que ele mesmo escolheu. Deus e os bons Espíritos devem ser invocados sempre para que assistam aos Espíritos em provas e expiações nas novas existências.

Uma questão crucial para compreender esse assunto é que sem o livre-arbítrio o homem não tem culpa do mal, nem mérito no bem. Destacamos que o livre-arbítrio é desenvolvido pelo Espírito, visto que é criado simples e ignorante. Vontade, por assim dizer, é sinônimo de liberdade. Por isso é que Deus julga a intenção.

Aquele que culpa o próprio organismo por suas faltas abdica da razão e da sua condição de humanidade, beirando a animalidade. Não ocorre o mesmo quando é o bem que é praticado, isto é, não atribui mérito aos próprios órgãos pela ação. Essas equações intelectivas prova que a espécie humana possui o privilégio da liberdade de pensar.

Portanto, o Espiritismo explica que não há fatalidadecomo vulgarmente é entendida: supondo uma decisão prévia e irrevogável de todos os acontecimentos da vida, qualquer que seja sua importância. Se fosse assim o ser humano equivaleria a uma máquina desprovida de vontade. A razão indica que a inteligência de nada serviria se o ser humano fosse dominado em todos os seus atos pelo "destino". Essa doutrina representa a destruição da liberdade. É que não haveria mal, crime ou virtude, o que seria negar a Lei do Progresso.

Mas, a fatalidade existe é preciso compreendê-la. O Espírito reencarna e ocupa uma posição na Terra, onde desempenha funções como consequência do gênero de existência que escolheu no estado de Espírito errante (prova, missão ou expiação). A fatalidade é que sofrerá todos os problemas dessa existência e todas as tendências boas ou más que lhe são inerentes, depende do Espírito encarnado, por sua vontade, ceder ou não a essas tendências. Os detalhes dos acontecimentos dependem DAS CIRCUNSTÂNCIAS QUE ELE MESMO PROVOQUE, com seus atos, e sobre os quais podem influir os Espíritos, por meio dos pensamentos que lhe sugerem.

A fatalidade reside nos acontecimentos que se apresentam ao Espírito durante a existência corporal e são consequências da escolha do gênero de existência que fez. Poder-se-ia afirmar que se trata de uma 'fatalidade relativa', pois os resultados dos acontecimentos dependem de novas escolhas que, fincadas na prudência, podem alterar o curso das coisas.

O livre-arbítrio, segundo o Espiritismo, é pleno. Ao ceder a qualquer sugestão exterior praticando o mal, possui total responsabilidade. Caso suas más tendências tivessem como causa sua organização física ou sua própria natureza teria dificuldade em lutar e resistir. Segundo a Doutrina Espírita, o Espírito tem o poder de resistir, pois, não há qualquer arrastamento que lhe seja inexorável. Por sua vontade pode comandar seus desejos, fechar os ouvidos à voz oculta que o solicita para o mal no seu íntimo, como pode não escutar a voz material de qualquer pessoa que lhe fale.

Cabe ao próprio Espírito fazer as boas escolhas e fechar sua porta ao que lhe importuna intimamente. Muitos agem pelo impulso por não voltar seus esforços para a educação moral e, dessa maneira, não coloca sua vontade em ação. A vontade esclarecida escuta, julga e escolhe livremente entre dois conselhos. Vale dizer que o ser humano traz em si as qualidades e os defeitos que possuía como Espírito.

Todas as faltas cometidas tem origem nas imperfeições do Espírito que ainda não atingiu a superioridade moral que lhe está assegurada, mas, nem por isso tem menos livre-arbítrio. É por meio do seu uso que o Espirito avança no desenvolvimento do senso moral e é por meio da vida corpórea que expurga suas imperfeições passando pelas provas.

Na existência corporal o Espírito trava uma luta com suas imperfeições. São as imperfeições que o tornam mais suscetível às sugestões de outros Espíritos encarnados ou não, os quais, imperfeitos como ele mesmo, buscam fazê-lo sucumbir na batalha que empreende. Vencendo se eleva. Fracassando continua a ser quem era (nem melhor, nem pior) e terá que recomeçar daquele ponto, podendo, inclusive, se demorar muito tempo na condição em que se encontra. A depuração fortalece moralmente o Espírito, diminui suas fraquezas e o torna menos acessível às solicitações dos maus Espíritos, que se afastam dele.

Por último, a Terra é um dos mundos menos adiantados e nela se encontram mais Espíritos maus que bons. É por isso que vemos tanta perversidade à nossa volta. Cada um que cumpra o seu papel, no seu próprio proveito para, se elevando, ir para um mundo onde o bem reina inteiramente e onde nos lembremos de nossa permanência por aqui como, apenas, um tempo de exílio.


Uberaba-MG, 23 de Julho de 2021.
Beto Ramos.

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