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terça-feira, 13 de julho de 2021

RESUMO DA LEI MORAL DE PROGRESSO


No capítulo 8 do Livro Terceiro de O Livro dos Espíritos vamos encontrar a Lei Moral do Progresso. Como é a marcha do progresso, se o estado natural é mesma coisa que lei natural, sobre povos degenerados, civilização e progresso da legislação humana, bem como a influência do Espiritismo no progresso são temas tratados nesse amplo e profundo capítulo de livro.

Uma confusão comum é pensar que estado natural e lei natural são a mesma coisa. Porém, tratam-se de duas questões diferentes, pois, o estado natural é o estado primitivo. A lei natural é agente do progresso da humanidade. Nesse sentido, o progresso humano requer que o estado natural seja superado, isto é, o Espírito humano progride ao passo que sai do estado primitivo e passa para o que chamamos civilização.

Estado natural é ponto de partida da humanidade, isto é, onde começa o seu desenvolvimento intelectual e moral. O ser humano é perfectível, traz em si todas as potencialidades para o seu melhoramento. Não é destinado a viver perpetuamente em estado algum. Tudo, portanto, é transitório. A lei natural é a lei divina e, nesse sentido, rege a natureza humana. Progredindo o ser humano a compreende melhor, pois, passa a praticá-la.

No processo de progresso há um período em que se experimenta a felicidade do bruto, uma vez que falta compreensão do que é desconhecido. Essa felicidade primária, no entanto, é a mesma que vive o animal. Porém, isso não condiz com a lei natural. Não podendo voltar ao estado natural, ou melhor, não retrogradando, o ser humano deve progredir sem cessar.

O progresso é uma condição da natureza humana, uma lei natural, e ninguém poderá a ela se opor. O progresso é força viva, pode ser retardado, mas, nunca impedido. Toda força contrária ao progresso é por ele derrubada. Isso sempre se dará até que a humanidade terrestre harmonize as suas leis com a justiça divinda. Essa quer para todos o bem e não admite que nenhuma lei seja feita para proteger o forte em prejuízo do fraco.

O conhecimento é revelação divina. A humanidade se esclarece pela força das circunstâncias. As revoluções morais são lentas, mas, ocorrem, pois, carecem de tempo para ocupar a ideias das massas. Tudo é produto de séculos. Mas, chegado o tempo, explodem e o edifício dos preconceitos anteriores caem. É que surgem novas necessidades e novas aspirações. Por vezes, o que parece é que há desordem e confusão, que interesses materiais são atingidos. Mas, tudo é momentâneo e basta elevar o pensamento acima do interesse pessoal para verificar que do mal Deus faz surgir o bem, em conformidade com suas leis naturais.

O progresso ocorre por duas maneiras: intelctual e moral. Todavia, não caminham juntas. O progresso intelectual recebe os maiores estímulos. Já o moral, nem tanto. O ideal seria que estivessem na mesma velocidade. Contudo, é sempre importante olhar para a história e verificar que os costumes sociais de alguns séculos anteriores para constatar o progresso moral ocorrido. A experiência prova que a humanidade é moralmente perfectível. Esse processo é lento, pois, primeiro vem o conhecimento, depois as escolhas e, mais tarde, o progresso moral por meio das escolhas corretas.

O caminhar do progresso, da melhora, ocorre por meio dos indivíduos que se esclarecem e arrastam os demais. Por isso que sempre surgem pessoas que dão impulso no progresso da humanidade. Sempre se verificou, em várias ocasiões, que em alguns anos a sociedade avançou muitos séculos. Nesse aspecto, é preciso ressaltar a justiça da reencarnação. Pela pluralidade das existências, o direito à felicidade é sempre o mesmo para todos, porque ninguém é deserdado do progresso. A solidariedade entre a pluralidade de mundos habitados permite que Espíritos que já atingiram o progresso auxiliem aqueles que estão mais atrasados. Esses, também, podem ir a outros mundos para absorver o que falta na sua marcha ascendente.

A barbaridade de outros séculos não subsiste na maioria dos povos encarnados na Terra atualmente, apesar de se verificar, isoladamente, alguns indícios desse estado primitivo. Quando todos os povos estiverem no mesmo nível quanto ao sentimento do bem, a Terra só abrigará os Bons Espíritos. Assim, o planeta viverá uma união fraterna e todo o progresso alcançado servirá a todas as gerações e a todos os Espíritos.

À medida que a civilização se aperfeiçoa faz cessar alguns dos males que engendrou. E esses males desaparecem com o progresso moral. Um povo para ser considerado civilizado é aquele onde se encontra menos egoísmo, cupidez, orgulho; onde os costumes são mais intelectuais e morais do que materiais; onde exista mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; onde os preconceitos de casta e de nascimento são menos enraizados, pois, esses prejuízos são incompatíveis com o verdadeiro amor do próximo.

Nessa civilização as leis não consagram nenhum privilégio e são as mesmas para o último como para o primeiro; a justiça se exerce com o mínimo de parcialidade, o fraco sempre encontra apoio contra o forte; Alí a vida do ser humano, suas crenças e suas opiniões são melhor respeitadas; há menos infelizes e, por fim, todos os que são de boa vontade estão seguros de que não lhes irá faltar o necessário.

Sob a influência de suas paixões, o ser humano criou direitos e deveres que não se conformam às leis divinas. Essa é imutável, as leis humanas são transitórias, variáveis e progressivas. Foi a lei humana e não a de Deus que outorgou direito ao mais forte.

Vimos, portanto que as ideias se transformam com o tempo e não subitamente; elas se enfraquecem entre as sucessivas gerações. Muitas desaparecem com o tempo. Princípios novos surgem com indivíduos imbuídos de novas ideias, a exemplo do que ocorreu com o paganismo e as novas ideias religiosas. O Espiritismo surge como essa alavanca que combaterá a incredulidade e construirá uma nova sociedade, mais fraterna, igual e solidária. O mérito do progresso, no entanto, não advirá de prodigíos, mas por meio da razão.

Uberaba-MG, 13 de Julho de 2021.
Beto Ramos.


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