ESCLARECIMENTOS SOBRE A PRÁTICA ESPÍRITA

- por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns.

Destinado a facilitar para os que se dedicam ao Espiritismo e pretendem entrar em contato com os Espíritos, o Livro dos Médiuns é o fruto de longos e laboriosos estudos promovidos por Allan Kardec sob a direção do Espírito da Verdade com especial cuidado pelos Espíritos por meio de grande número de observações e instruções do mais alto interesse, aos quais coube a tarefa de rever a obra, aprová-la e/ou modificá-la à vontade. Destarte, conforme afirma o Codificador o livro “é, em grande parte, obra deles”.

Verificamos em um detido exame que é de suma importância observar os esclarecimentos feitos por Allan Kardec logo na Introdução de O Livro dos Médiuns, conforme colacionamos abaixo:

Na introdução de O Livro dos Médiuns Allan Kardec, referindo-se à comunicação com os Espíritos, afirmou que errado andaria quem julgasse que, para tornar-se perito no assunto, bastaria aprender apor os dedos numa mesa para fazê-la girar ou pegar um lápis para escrever”.

Segundo o Codificador “as dificuldades e desilusões encontradas na prática espírita decorrem da ignorância dos princípios doutrinários”, pois, não há receita universal infalível para fazer médiuns, e, “embora cada qual já traga em si mesmo os germes das qualidades necessárias, essas qualidades se apresentam em graus diversos e o seu desenvolvimento depende de causas estranhas a vontade humana”.

Adverte Allan Kardec que “a prática espírita é difícil, apresentando escolhos que somente um estudo sério e completo pode prevenir. [...] São coisas com as quais não se deve brincar e acreditamos que seria inconveniente pô-las ao alcance de qualquer estouvado que inventasse conversar com os mortos”.

“[...] as experiências feitas com leviandade, sem conhecimento de causa, provocam péssimas impressões nos principiantes ou pessoas mal-preparadas, tendo o inconveniente de dar uma ideia bastante falsa do mundo dos Espíritos, favorecendo a zombaria e dando motivos a críticas quase sempre bem fundadas”

O progresso do Espiritismo “vem [...], desde alguns anos, mas, seu maior progresso se verifica depois que entrou no rumo filosófico [...]. Esforçando-nos por sustentá-lo nesse terreno, estamos certos de conquistar adeptos mais úteis do que através de manifestações levianas. Temos a prova disso todos os dias pelo número de adeptos resultante da simples leitura de O LIVRO DOS ESPÍRITOS”.

Uma bela conclusão de Allan Kardec esclarece que O Livro dos Espíritos e o Livro dos Médiuns são obras, a um só tempo, complementares e até certo ponto independentes:

“Depois da exposição do aspecto filosófico da ciência espírita em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, damos nesta obra a sua parte prática [...]. Essas duas obras, embora se completem, são até certo ponto independentes uma da outra. [...] O LIVRO DOS ESPÍRITOS [...] contém os princípios fundamentais, sem os quais talvez seja difícil a compreensão de algumas partes desta obra”.

É sempre importante lembrar que conclusões apressadas, sem a análise criteriosa de TODAS as afirmações de Allan Kardec, observadas em seu conjunto, podem levar a afirmações equivocadas ou a conclusões que não coadunam com a Teoria Espírita.
Estude e Viva!

LIVRO DOS ESPÍRITOS - PARTE 89


– O LIVRO DOS ESPÍRITOS – 
– LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS – 
– CAPÍTULO I – A LEI DIVINA OU NATURAL –
 II  CONHECIMENTO DA LEI NATURAL

(Questões 619 a 628)


Chama a nossa atenção a resposta dos Espíritos sobre os meios de conhecimento da Lei Divina proporcionada por Deus. Nela há uma questão fundamental que devemos observar: trata-se da diferença entre CONHECIMENTO e COMPREENSÃO. Em primeiro lugar, dizem os Espíritos, TODOS podem conhecer a Lei de Deus. Isto quer dizer que NEM TODOS a conhecem.

Note que o Espírito é criado simples e ignorante. Partiu daquilo que conhecemos como princípio inteligente. Nesse sentido, o conhecimento é adquirido à medida que a inteligência é desenvolvida. Numa expressão mais simples: algo é conhecido quando o indivíduo volta sua atenção para o objeto do conhecimento. E, nesse caso, é preciso lembrar que, dotado do livre-arbítrio, o qual também se desenvolve (Q, 262, LE), a liberdade para fazer escolhas e sofrer suas consequências é, também, processo gradual – não há saltos na natureza. Daí resulta que poderá haver conhecimento sem que exista a compreensão.

Vejamos a resposta dos Espíritos à questão 262.a de O Livro dos Espíritos. Um espírito que, por inferioridade ou má vontade, não está apto a COMPREENDER o que lhe seria mais proveitoso, poderá sofrer uma imposição de existência que lhe sirva de adiantamento. Trata-se do fato de que a Lei Divina deve ser cumprida, portanto, haverá conhecimento, mas, não a compreensão dos motivos pelos quais elas devem ser aplicadas. A existência encarnatória é fruto da Misericórdia Divina, oportunidade de aprendizado, melhora e reparação. Nesses casos, a experiência nos mostra que muitos Espíritos sabem (conhecem) essa Lei, mas, não a compreendem, pois, reputam a Deus a qualidade de carrasco que castiga e não de Pai que educa.

Quanto à compreensão das Leis Divinas, há um determinismo, isto é, TODOS A COMPREENDERÃO, pois, é necessário que o progresso se realize. No entanto, o processo é gradativo. Cada Espírito determina o tempo (o quando), pois, Deus não viola a consciência individual.

A diferença capital entre conhecimento e compreensão tem lugar no Estudo, na pesquisa. Afirmam os Espíritos que aqueles que se ocupam em COMPREENDER a Lei de Deus são os seres humanos de bem. Enquanto o Espírito não alcança esse “degrau” pode ter conhecimento, mas, não possui compreensão, pois, essa última requer elevação do senso moral.

Há em cada um de nós uma luta. Um conflito. A compreensão da Lei Divina depende do grau de perfeição que o indivíduo tenha atingido. Quando o Espírito encarna conserva a lembrança da Lei Divina como lembrança intuitiva, o que causa o esquecimento são as más tendências, as imperfeições, as paixões, por assim dizer. Todavia, todos possuem a Lei Divina gravada na consciência (Q. 621, LE).

Pense numa escola. Quantos de nós ao adquirirmos o conhecimento de determinadas informações, equações, etc., não julgamos que são “conhecimentos desnecessários”, que “não vamos usar isso nunca”? Assim acontece com o Espírito que passa por sucessivos processos reencarnatórios. Pelo acúmulo de informações e experiências é necessário que sejamos lembrados da importância de muito do que conhecemos. Isto ocorre com as Leis Divinas, gravadas em nossa consciência, que precisam, de tempos em tempos, ser lembradas. Eis o motivo das REVELAÇÕES DIVINAS.

Chegamos, portanto, aos reveladores. Deus outorgou a certos indivíduos a missão de revelar sua lei. Mas, nem todos que trataram do tema foram emissários enviados. Esse é o verdadeiro exemplo daquele que CONHECE, mas, NÃO COMPREENDE. Conhecendo a informação, porém, não a compreendendo, viram um meio de lograr enriquecimento, adquirir poder, entre outras tantas paixões humanas. São os que o Cristo chamou de FALSOS CRISTOS e FALSOS PROFETAS. Aqueles que vieram com a MISSÃO DE REVELADORES, inspirados por Deus, são Espíritos superiores que encarnaram justamente para tal mister.

E, nesse caso, é importante lembrar as características do VERDADEIRO PROFETA são: um ser humano de bem, inspirado por Deus, que pode ser conhecido por suas palavras e ações, que não mente e somente ensina a verdade. (Q. 623 e 624, LE).

Para uma comparação segura Deus nos ofereceu o TIPO MAIS PERFEITO para nos servir de MODELO E GUIA (modelo para copiar e guia para seguir no caminho), trata-se de JESUS (Q. 625, LE). Nenhuma de suas instruções eram apenas leis humanas ou tinham como objetivo servir a paixões e, menos ainda, para dominar os seres humanos. Seu objetivo: instruir o Espírito a atingir a verdadeira pureza para ver, compreender Deus e O auxiliar no processo de co-criação no plano maior (Vós sois deuses, podeis fazer o que Eu faço e muito mais, disse-nos Jesus).

Toda a história do gênero humano sempre apresentou indivíduos que meditaram sobre a sabedoria, compreenderam as Leis Divinas e as ensinaram. Ensinos certamente incompletos, mas, que prepararam o terreno para a chegada de Jesus. Notadamente, as Leis Divinas estão gravadas na Natureza e à disposição de todos os que quiseram conhecê-las e desejaram buscá-las. Lembremos que muitas regras mencionadas no ensino de Jesus não eram novas, mas, elementos que constituíam a doutrina moral de todos os povos.

E, nesse contexto, qual é a utilidade do ensinamento dos Espíritos (afirmamos tanto que o Espiritismo é a terceira revelação, não é mesmo?), se Jesus nos ensinou as verdadeiras Leis de Deus? Por ser um ensino muito alegórico, em forma de parábolas, difícil de se compreender por muitos daquela época e, com certeza, na atualidade, o Espiritismo veio explicar e desenvolver essas leis, a fim de torná-las compreensíveis e disseminar sua prática na Terra (Q. 627, LE).

A missão dos Espíritos é despertar, com ensinos claros e precisos, a fim de que NINGUÉM possa mais interpretar as Leis de Deus ao sabor de suas paixões e nem falsear o sentido de uma LEI QUE É TODA AMOR E CARIDADE.

Concluímos com O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Q. 628:

“Jamais houve um tempo em que Deus permitisse ao homem receber comunicações tão completas e tão instrutivas como as que hoje lhe são dadas”.

Advertência dos Espíritos:

1)     “[...] nenhum antigo sistema filosófico, nenhuma tradição, nenhuma religião a negligenciar, porque TODOS encerram germes de GRANDES VERDADES, que embora pareçam contraditórias entre si, espalhadas que se acham entre acessórios sem fundamento, são hoje muito fáceis de coordenar, GRAÇAS A CHAVE QUE VOS DÁ O ESPIRITISMO DE UMA INFINIDADE DE COISAS QUE ATÉ AQUI VOS PARECIAM SEM RAZÃO, E CUJA REALIDADE É VOS AGORA DEMONSTRADA DE MANEIRA IRRECUSÁVEL.
2)     Não deixeis de tirar temas de estudo desses materiais. SÃO ELES MUITO RICOS E PODEM CONTRIBUIR PODEROSAMENTE PARA VOSSA INSTRUÇÃO.

Estude e Viva!

Uberaba – MG, 29 de Novembro de 2019.
Beto Ramos

SEGUNDA JORNADA ESPÍRITA DE UBERABA - JESUBE 2019




Nos dias 15, 16 e 17.11.2019 aconteceu na cidade de Uberaba – MG a SEGUNDA JORNADA ESPÍRITA. O evento, de elevado nível de organização, contou com as presenças de André Luís Iesi Sobreiro, Anete Guimarães, Antônio César Perri de Carvalho, Hyago Manieri Lima, Paulo Henrique de Figueiredo e Rafael Papa.

A JESUBE, evento que inova junto ao movimento espírita de Uberaba e região, é produzido no formato de JORNADA. Os encontros acontecem em vários dias e conta com atividades diversas. Além das tradicionais palestras, a Jornada Espírita permite a integração entre expositores, oradores e participantes em atividades colaborativas. 


O público não só recebe informações importantes, mas, também, tem a possibilidade de fazer questionamentos e proposições para os oradores espíritas que coordenam as atividades em Oficinas de Trabalho.

O último dia é reservado para um encontro com os expositores e o público, onde se realiza uma RODA DE PROSA ESPÍRITA com perguntas e respostas.


A SEGUNDA JORNADA ESPÍRITA DE UBERABA – JESUBE, neste ano de 2019, contou com 03 (três) oficinas de trabalho.

A JUVENTUDE JESUBE reuniu-se durante 02 (duas) manhãs, nos dias 15 e 16 e teve a oportunidade de apresentar o resultado de suas atividades culminando com palestra de Hyago Manieri LimaA madureza reuniu-se nas tardes dos dias 15 e 16 com a Oficina conduzida por Paulo Henrique de Figueiredo e Anete Guimarães.

Paulo Henrique trabalhou o tema AUTONOMIA, trazendo o resultado de pesquisas com informações inéditas para o movimento espírita, uma vez que se constatou a adulteração da Obra A Gênese de Allan Kardec. 

Como enfatizou Paulo Figueiredo: “Estamos vivenciando uma oportunidade incrível da restauração da palavra original de Allan Kardec, que nunca mais será adulterada”.



Anete Guimarães trabalhou o tema ALIANÇA DA CIÊNCIA COM A RELIGIÃO.




Os oradores que coordenaram atividades em Oficinas de Trabalho trouxeram palestras que continham informações complementares aos temas dirigidos nas oficinas.


Paulo Figueiredo tratou do tema de sua atual obra: AUTONOMIA – A HISTÓRIA JAMAIS CONTADA NO ESPIRITISMO.




Anete Guimarães abordou o tema central da JESUBE: “O QUE O CRISTO ESPERA DE NÓS...”.








Antônio César Perri de Carvalho falou sobre CHICO XAVIER, O HOMEM, A OBRA E AS REPERCUSSÕES.






Rafael Papa em brilhante exposição mostrou que ELE SENTE FOME – PARTE DO VERSÍCULO DA FIGUEIRA SECA. 






André Sobreiro abordou os ASPECTOS MORAIS DA LEI DE DESTRUIÇÃO e Hyago Manieri advertiu a todos que os Espíritas devem atentar para SEXUALIDADE E RESPEITO.


Todo o evento contou com transmissão simultânea para o Brasil e o mundo pelas lentes e o grandioso trabalho realizado pela equipe RAETV liderada pelo dedicado profissional JOSÉ APARECIDO DOS SANTOS.




O evento contou com lançamentos de Livros conduzidos pela Livraria UNIVERSO ESPÍRITA. Também colaborou com a JESUBE 2019: Fraternidade Sem Fronteiras, Instituto Costurando com Amor, equipe do SOS PRECES de Belo Horizonte e BAZAR DA CASA ESPÍRITA DE CÁRITAS. Todos os dias foram regados ao melhor atendimento e, também, custo/benefício, com deliciosos alimentos servidos pela LANCHONETE CÁRITAS em parceria com ARTES BOLOS.

Todo o evento foi realizado no Cine Teatro Municipal Vera Cruz, onde a JESUBE 2019 recebeu apoio integral de toda a equipe de funcionários e colaboradores do Teatro e da Fundação Cultural de Uberaba. O cenário é produto de trabalho colaborativo com o empréstimo de vasos de plantas naturais da empresa FLORICULTURA TULIPA, quadros e vasos de plantas naturais pela Livraria Academia do Pensamento, vasos de plantas cedidos pelo senhor Carlos Freitas, tecidos cedidos pelo Instituto Revelare e móveis cedidos pela empresa NBC MÓVEIS. A decoração foi cortesia da empresa SONHO ENCANTADO.

Foram, também, parceiros desta JESUBE 2019, além dos patrocínios registrados nos panfletos e cartazes, as empresas: CAFÉ DO PRODUTOR, BENDITA VEGANA E SAVETUR TURISMO E VIAGENS.


A empresa HAVANA PALACE HOTEL II patrocinou as hospedagens, com direito a delicioso café da manhã, dos oradores que vieram prestigiar o evento com suas presenças. Já o expositor e orador espírita do Instituo Revelare, voluntário Hyago Manieri Lima, foi hospedado, pelo segundo ano consecutivo, em apartamento cedido pela colaboradora voluntária do Instituto Revelare Juliana Balduíno.

A Comissão Organizadora da JESUBE 2019 registrou perante a redação do ESPIRITISMONEWS o agradecimento a todos os que contribuíram direta ou indiretamente para a realização do evento.



CÂMARA MUNICIPAL APROVA PROJETO DE DOAÇÃO E DESAFETAÇÃO DE ÁREA PARA O PROJETO CARITAS


MUNICÍPIO BENEFICIA POPULAÇÃO UBERABENSE COM DOAÇÃO DE ÁREA




Foto: ESPIRITISMONEWS (Instituto Revelare)

Em sessão plenária da Câmara de Vereadores do Município de Uberaba, que ocorreu no dia 29.10.2019, foi levado à apresentação, exame, discussão e votação, projeto de lei de iniciativa do Poder Executivo propondo doação e desafetação de área para a Associação Humanitária dos Direitos Sociais, conhecido na cidade de Uberaba e Região como "Projeto Cáritas".

Colocado o projeto em discussão o Vereador Cleomar "Barbeirinho" defendeu que, inicialmente, parte da área havia sido doada para a Associação dos Moradores do Bairro de Lourdes requerendo subsídios legais para informar os moradores daquela região quanto à iniciativa do executivo.

Tomando a palavra o Vereador Almir Silva pediu escusas aos pares para fazer a defesa do Projeto de Lei de autoria do executivo (que já havia sido defendido pela liderança do Prefeito, Vereador Rubério dos Santos) com o que chamou "discurso reto" e sem meias palavras declarando: "quem ganhará com esse projeto de lei são os moradores do bairro de Lourdes, pois, o local está abandonado há mais de 06 (seis) anos, e, que em visita em loco testemunhou que a área não atendia os objetivos legais de associação de moradores, porque o espaço era usado como moradia e o que encontrou foi muito lixo e feno." O Vereador finalizou sua fala declarando-se favorável ao projeto enaltecendo a relevância do trabalho social do Grupo Caritas.

O Vereador Ismar Marão efetuou os questionamentos legais necessários, mas, ressaltando a relevância desse projeto de Lei, e, antes da votação iniciar, esclareceu, por sua experiência na direção do plenário da Câmara que o Projeto de Lei seria aprovado. Ao final da sessão, conforme a previsão do Presidente daquela casa, houve aprovação unânime sendo 14 (quatorze) votos favoráveis de 14 (quatorze) possíveis.

O próximo passo é a construção da sede da instituição que, nas palavras do Vice-Prefeito João Gilberto Riposatti é "exemplo de cidadania e tem feito a diferença, somando às ações da Prefeitura através dos projetos sociais que desenvolve".

A redação do ESPIRITISMONEWS parabeniza ao GRUPO CÁRITAS nas pessoas dos queridos Sebastião e da Tia Eliana pela conquista juntamente com toda a sua comunidade de colaboradores.



OPÇÃO SEXUAL, REPRESSÃO RELIGIOSA, TENDÊNCIA SUICIDA - PRECONCEITO MATA!



SUICÍDIO É COISA SÉRIA E A VIDA DOS OUTROS MAIS AINDA...





Rodrigo Westermann, foto reprodução/instagram



“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que emprega para domar as suas inclinações más.”



Aquele que se debruça sobre a Doutrina Espírita, desde cedo aprende que há clareza em seus ensinos. Não paira nenhuma dúvida, a clareza é sua essência. É nesse sentido que se percebe que a Ciência Espírita poderia ser dividida em duas partes:

- a material que somente requer olhos que observem; e,
- a moral que requer certo grau de sensibilidade para enxergar o infinito rompendo com pendores e hábitos.

Ora, neste caso, é necessário possuir inteligência fora do comum para compreender o Espiritismo? O item 4 do capítulo XVII d’O Evangelho Segundo o Espiritismo responde que NÃO. Alguns, chamados gênios, nada compreendem dessa doutrina, ao mesmo tempo que inteligências ditas vulgares apreendem com precisão seus mais delicados nuances.

Apesar da clareza dessas palavras, constata-se no Movimento Espírita, enquanto colegiado de pessoas simpáticas à doutrina e outros mais assíduos que buscam realizar tarefas para além da frequência em casas em busca do chamado “passe”, que pouco ou nenhum esforço tem sido feito para domar as inclinações más. É que os mesmos preconceitos milenares constatados noutros grupos reunidos em torno da "fé" são constatados, também, nesse Movimento.

Daí resulta que o indivíduo se constitui em verdadeiro obstáculo à missão do Espiritismo: esclarecer e consolar. Para esse mister é imperativo que o espírita não possua quaisquer resquícios de preconceitos. Dado importante, pois, aquilo que considero certo ou errado é preciso, antes, passar pelo crivo da razão e da lógica, além de ser lastreado no ensino dos Espíritos Superiores.

Diz o já citado item 4: Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral”. O problema grave está no que EU ENTENDO POR ADIANTAMENTO MORAL e o que OS ESPÍRITOS SUPERIORES ENSINAM COMO ADIANTAMENTO MORAL.

Para sanar esse impasse temos a baliza (Livro dos Espíritos, Q - 625), o modelo e o guia de qualquer ato, palavra ou pensamento é sempre JESUS. Fazendo tudo como se fosse para Ele e questionando sempre como ELE resolveria as questões sobre as quais temos que escolher um caminho, a resposta é bastante clara: O BEM É O CAMINHO.

Vamos pensar, então, sobre opção sexual, repressão religiosa e tendências suicidas. Não sendo o Espiritismo a religião do futuro, é certo que será o futuro das religiões, porque antes de tudo, é ciência e filosofia. Abordaremos, com o respeito que nos cumpre, um fato concreto. Nossa reflexão será sobre o relato de Rodrigo Westermann.

Trata-se do sobrinho-neto de conhecido pastor religioso. Rodrigo se declara gay. A intenção aqui não é questionar a posição do pastor ou sua opção religiosa. Divergimos, mas, respeitamos. Rodrigo é modelo, pertence a uma tradicional família evangélica que tem entre seus componentes um conhecido líder protestante, que atua politicamente e possui discurso divergente daquele travado entre Jesus e a mulher adúltera.

Importa-nos, todavia, a experiência de Rodrigo que disse ao colunista Léo Dias do UOL[1]: 

“Sofri muito por ser gay em família evangélica, passei por depressão, e, apesar de nunca ter pensado em me matar, sei que muitos pensam nisso todos os dias. Espero ter voz, fazer barulho para poder ajudar quem passa por isso”.

Destacamos que nessas breves palavras Rodrigo reuniu: opção sexual, intolerância religiosa e suicídio. O Espiritismo, possuindo a certeza e a resposta para a pergunta para onde iremos? precisa gritar nessa hora: A VIDA NÃO CESSA; O PROGRESSO É CONTÍNUO; AS EXISTÊNCIAS SÃO VÁRIAS; SUICÍDIO NÃO É SOLUÇÃO, É PROBLEMA.

Rodrigo também tem fala registrada na coluna de Felipe Carvalho (marie claire)[2]: Queria dizer às pessoas que passam por algo parecido não se sentirem só porque quando a família nos julga e machuca diariamente parece que a gente não tem nada, nem ninguém. Mas nós temos sim, a Deus e a nós mesmo.

Em sua conta no Instagram Rodrigo fez um depoimento relatando parte de sua experiência:

Cresci apanhando e ficando de castigo por tudo, inclusive por estar com sono às 7 da manhã e não querer ir na igreja. Ok! serviu como disciplina, me considero uma pessoa bem disciplinada. Mas esse suposto cuidado de vocês poderia ter me levado a tantos lugares ou mesmo me tirado a vida. Com 13 anos entrei em coma alcoólico por 2 dias depois de inúmeras doses de insulina acordei do nada, um milagre de um Deus que me ama como eu sou, é claro, segui bebendo e muito e sim eu tinha apenas 13 anos. Prometi mil vezes mudar, arrumei namoradas de mentira, fugi de casa, apanhei mais muitas vezes”. 

Nossa sociedade se mostra muito primitiva. Veja que até o próprio Rodrigo aceita que agressões físicas na infância seria algo positivo. Que lhe proporcionou "disciplina". Não! tal característica é espiritual. Sabemos que o preconceito, preocupação com “o que a sociedade vai dizer”, intolerância religiosa, homofobia, dentre várias outras imperfeições morais (sim, o "moralista" é o mais imperfeito) estão presentes em todos os círculos religiosos. 

A Doutrina Espírita é um manancial pouco estudado, pouco divulgado. Com seus princípios assentados sobre a igualdade perante Deus, fraternidade e solidariedade, é possível mudarmos o curso da história humana. Registre-se que no planejamento espiritual para a vinda do Espiritismo à Terra, conforme assembleia ocorrida no dia 31.12.1799, quando era preparada a encarnação do Espírito que assumiria a personalidade de Allan Kardec (capítulo 28, Cartas e Crônicas, Irmão X) foi revelado pelo Espírito da Verdade:

O Espiritismo tem a tarefa de preparar o 3º milênio do Cristianismo na Terra e inaugurar a ERA ESPÍRITA CRISTÔ.

Nos encontramos em plena Era Espírita Cristã. Portanto, quem não está ao lado do Cristo, está contra Ele. O manual de instruções é Seu Evangelho. Não aquele manipulado pelos poderes humanos que, ladeando política e religião, sempre deturparam a mensagem divina para alimentar as guerras fratricidas. Os seres humanos de bem, aqueles que são BENEVOLENTES PARA COM TODOS, aqueles que PERDOAM AS OFENSAS, aqueles que são INDULGENTES COM AS IMPERFEIÇÕES ALHEIAS, verdadeiros espíritas, porque verdadeiros cristãos, são chamados à tarefa.

SUICÍDIO É COISA SÉRIA E A VIDA DOS OUTROS MAIS AINDA...

Respeitemo-nos uns aos outros!

A MISSÃO DE ALLAN KARDEC

ALLAN KARDEC E O CONSOLADOR 
Falar sobre o Codificador do Espiritismo e sua missão não é tarefa fácil. Implica trazer muita informação. O espaço exíguo e o tempo do leitor, cada vez mais escasso, não favorecem a importância do relato. Apesar disso, buscaremos ser fiel à grandeza e à superioridade desse Espírito.

Pode-se pensar que basta restringir o relato a dados biográficos de Allan Kardec, algo dizer sobre o Consolador, citar algumas obras que falam sobre sua missão e, em tese, concluir. Porém, há nuances que precisam do devido destaque.

Esse é nosso objetivo.


CONTEXTO DA MISSÃO NA HISTÓRIA
A análise da história das nações permite entrever os laços eternos que ligam todas as gerações nos surtos evolutivos do planeta (A Caminho da Luz, Cap. 25). Modificou-se o palco das civilizações com profundas renovações de seus cenários, mas, os atores são os mesmos. Os encontros são atos da grande peça que se traduz nas lutas purificadoras marchando rumo à perfeição do modelo e guia da humanidade.

Depois dos primórdios da humanidade chegou o tempo em que a maioridade espiritual foi proclamada pela sabedoria da Grécia e pelas organizações romanas. A vinda do Cristo era aguardada. Seu Evangelho seria a eterna mensagem do Céu suficiente para ligar o homem a Deus. Era chegada a hora da assimilação do homem espiritual, no que se refere aos ensinamentos divinos.

Em meio ao progresso na cultura, artes e ciências, desce à Terra o Governador Espiritual do Planeta deixando sua mensagem imorredoura. Depois da passagem do Cristo na personalidade de Jesus e do regresso ao plano invisível de seus auxiliares, que reencarnaram para glorificar os tempos apostólicos, o assédio das trevas avassalou o coração dos homens. Três séculos se passam desde a santa lição e surgem a falsidade e a má-fé desvirtuando seus princípios, adaptando-a as conveniências dos poderes políticos do mundo, favorecendo doutrinas de violência oficializada.

Neste cenário Jesus envia novamente emissários para reencarnação no orbe. E como aconteceu no período dos Profetas que advertiam quanto aos desvios da lei, os discípulos mais queridos do Cristo também são trucidados pelas multidões delinqüentes, pelos carrascos e infelizmente capitulam diante da ignorância, sendo obrigados a aguardar o distante porvir.

A mensagem evangélica dilatava a esfera da liberdade humana em virtude de sua maturidade para entendimento das verdades da existência. Mas, o ser humano preferiu estacionar seu espírito nos surtos de progresso. Foi assim que Espírito e Matéria marcharam juntos pela horizontalidade do conhecimento sem verticalizarem-se para a Sabedoria Divina.

Enquanto o Alto espera solidariedade e fraternidade entre todos os continentes, motivo pelo qual permite o surto tecnológico e o avanço das ciências ampliando o conceito de civilização, os homens criam doutrinas de isolamento e se preparam para extermínio e destruição, não sobrando nenhum dos séculos conhecidos sem guerras fratricidas. Em nome do Evangelho todo tipo de barbárie e absurdos foram praticados nos países ditos cristãos. O ocidente, na realidade, não se cristianizou como ensina Emmanuel em A Caminho da Luz.

Todavia, conforme a Lei Divina, todo ciclo tem seu final e sempre chega o tempo do reajustamento dos valores humanos. Dolorosas expiações coletivas são o prelúdio da época dos últimos “ais” do Apocalipse.

Não há um caminho para o bem.
O bem é o único caminho para toda a humanidade.

O CONSOLADOR PROMETIDO E O AMBIENTE PARA SUA CHEGADA
O Evangelho de João, que apresenta o Cristo na sua feição espiritual e a missão de Consolador do Seu Evangelho, no Capítulo 14, versículos 15 a 17 e 26, contém valiosas informações, principalmente predições de Jesus sobre a deturpação dos Seus ensinamentos, ocasião em que se compromete a pedir ao Pai que envie outro Consolador, o qual ficaria eternamente entre a humanidade (não falava de pessoas senão de uma Doutrina).

Sabendo dos laços eternos que unem as gerações em seus surtos de progresso, Jesus esclareceu que muito mais havia para se aprender, sendo a missão do novo Consolador ensinar todas as coisas e, também, lembrar os Seus ensinos.

E eis que como ocorreu no século do Imperador Augusto, conhecido como protetor das artes e das letras, preparando mentes e corações para a chegada do Evangelho de Jesus no mundo, com o Espiritismo não foi diferente. Antes do efetivo trabalho do Codificador, o mundo experimentaria uma renovação do ambiente para sua chegada. Esse período conhecido como ILUMINISMO observou:
- Verdadeira revolução científica e cultural
- Renovação de concepções sociais (Deus, alma, homem, moral, ética e razão foram objetos de estudos das cadeiras universitárias)
- Abolição da escravatura
- Reprovação do tráfico de homens livres
- Debates sobre capital e trabalho pelas ciências sociais.
- Revolução industrial.

Contudo, nesse ambiente psicológico que era preparado, uma lacuna era bastante aparente: não havia forças morais capazes de solucionar e elucidar o espírito humano cansado de palavras e carente de valores.

O Espiritismo, explicando o absurdo das teorias igualitárias absolutas, cooperaria na restauração do verdadeiro progresso humano enquadrando o socialismo nos postulados cristãos, concluindo que a única renovação apreciável é a interior. O Espiritismo representa esse valor moral, preenchendo a lacuna aberta pelas igrejas.

Sem dar qualquer salto, lentamente, o Espiritismo transforma, esclarece corações, renova a perspectiva espiritual e prepara as criaturas para o futuro. Sua tarefa assenta-se em dois pilares:
      a)    Levantar o véu sobre os mistérios que envolvem o problema do ser e do destino; e,
     b)   Atribuir causa justa e fim útil a todos as dores;

Por isto, o Espiritismo vem realizar o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba de onde vem, para onde vai e por que está na Terra, atraindo-o para os verdadeiros princípios da lei de Deus, consolando pela fé e pela esperança.

O HOMEM: PROFESSOR RIVAIL
O Codificador do Espiritismo nasceu em Lyon, França, no dia 03.10.1804, com o nome de Hipolyte Léon Denizard Rivail (mas, há controvérsia sobre a ordem dos nomes). Era de família Católica e seu pai foi Magistrado. Estudou Ciências e Filosofia. Seus estudos foram realizados na escola de Pestalozzi (Castelo de Yverdon, Suíça). Rivail foi ativo propagador da pedagogia (método de ensino) de Pestalozzi assumindo papel de destaque, pois, influenciou o ensino na França e na Alemanha.

Com 14 anos de idade ensinava colegas criando cursos gratuitos. Bacharelou-se aos 18 anos em Ciências e Letras. Foi excelente tradutor de obras de educação e moral para a língua alemã com destaque para o autor François Fénelon, pelas quais era mais atraído. Conhecia muito bem os idiomas: francês, alemão, inglês, neerlandês, italiano e espanhol.

Participou de várias sociedades acadêmicas. Como pedagogo lutou pela democratização do ensino público. De 1835 a 1840, matinha cursos de: química, física, anatomia, astronomia, entre outros. Como pedagogo, foi professor das seguintes matérias: química, matemática, astronomia, física, fisiologia, retórica, anatomia e francês. Teve um manual de aritmética e um quadro que contava a história da frança através de imagens, ambos de sua autoria, adotados por décadas pelas escolas francesas.

Foi casado com Amélie Gabrielle Boudet desde 06.02.1832. Faleceu em Paris, França, no dia 31.03.1869. Essa foi uma parte da trajetória do Espírito que se encarnou na Terra como o Professor Rivail, mestre de Lyon. Mas, ele também foi o Codificador do Espiritismo. E é essa parte de sua vida que nos interessará sobremaneira. Mas, sempre haverá um Espírito por detrás das qualidades e missão humanas.

O ESPÍRITO MISSIONÁRIO
Conforme o relato do capítulo 28 da obra “Cartas e Crônicas”, ditada pelo Espírito “Irmão X” ao médium Francisco Cândido Xavier, aconteceu no dia 31.12.1799 no plano espiritual uma grande assembléia que reuniu Espíritos sábios e benevolentes em torno de um grande conclave (nome que se dá a reunião em que se escolhe o novo pontífice – chefe de colégio apostólico).

Antigas personalidades da Roma Imperial com a igreja e o exército trazendo seus representantes. Múltiplos representantes das Américas, Grécia, Israel, Inglaterra, Alemanha, China e Índia. Filósofos hindus, teólogos budistas, sacrificadores dos templos olímpicos, continuadores de Maomé. Também foram convocadas forças da ciência e da cultura.

Na reunião deliberou-se que Espíritos de velhos batalhadores do progresso reencarnariam. Outros tantos atuariam no projeto a partir do plano espiritual apoiando e guiando os reencarnados. Muitas presenças de destaque como: Sócrates, Platão, Aristóteles, Apolônio de Tiana, Orígenes, Hipócrates, Agostinho, Fénelon, Giordano Bruno, Thomás de Aquino, São Luís de França, Vicente de Paulo, Joana D’arc, Teresa D’ávila, Catarina de Siena, Bossuet, Spinoza, Erasmo, Milton, Cristovão Colombo, Guttemberg, Galileu, Pascal, Swedemborg e Dante Alighieri.

Além de vários anônimos, a assembléia também congregou Espíritos de ordem inferior, dentre eles, Voltaire e Rousseau. Em desdobramento espiritual participa desse conclave, com o amparo de esclarecidos mensageiros, a figura de Napoleão. Em sua comitiva estavam: Beethoven, Ampére, Fulton, Faraday, Goethe, Dalton, Pestalozzi e Pio VII.

Segundo descreve o Espírito “Irmão X”, aquele que se encarnaria como Allan Kardec chega por uma estrada de luz vinda dos planos superiores, parecendo abrir uma ponte levadiça, em meio a inúmeras Estrelas Resplendentes que somente ao tocar o solo do local da assembléia é que forma imagens humanas, nimbados de claridade celestial.

Com um olhar magnânimo esse Espírito exercia atração sobre os demais, emanando imensa doçura leva Napoleão às lágrimas, que em sua presença joga-se aos seus pés, sendo imediatamente erguido (há ligação espiritual entre essas duas figuras). Após a chegada deste Espírito Superior todos ouvem UMA VOZ que fala com energia e doçura, ao mesmo tempo forte e veludosa. A Voz dirige-se a Napoleão e diz: ouve a VERDADE que te fala em meu Espírito!

Chamando aquele Espírito Superior que chegava dos planos ainda mais superiores por mensageiro (designação dada pelos hebreus para os anjos), a Voz o denomina “Apóstolo da Fé” e “Pontífice da Luz”. Essa mensagem revela que Napoleão é a reencarnação de Júlio César, que foi Imperador romano, com uma nova oportunidade de compromisso perante o Evangelho. Sua missão: garantir paz e segurança para o Codificador do Espiritismo.

Conforme esclarece aquela Voz o Espiritismo tem a tarefa de preparar o 3º milênio do Cristianismo na Terra e inaugurar a ERA ESPÍRITA CRISTÃ. Antes de prosseguir é importante informar ao leitor qual a ligação histórica entre Napoleão e o Espírito que mais tarde reencarnaria na personalidade de Rivail (Allan Kardec).

Recordaremos que depois de encarnado para cumprir sua missão, conforme seu próprio relato, certa noite Rivail comparece a uma reunião a convite do Sr. Baudin que o conheceu na casa da Sra. Planemaison. Na ocasião o espírito guia dos Baudin saúda o professor dizendo: Salve, caro pontífice, três vezes salve!

O Sr. Baudin, envergonhado, explica a Rivail que Zéfiro (nome do Guia) era muito espirituoso e tinha costume de brincar com os visitantes. Então cordialmente, Rivail responde: Minha bênção apostólica, prezado filho! No entanto, Zéfiro, esclarece que sua saudação era respeitosa e feita a um verdadeiro pontífice, revelando que Professor havia sido um grande chefe druida no tempo da invasão da Gália pelo Imperador Júlio César. Os druidas eram sacerdotes do povo celta, etnia que habitava na antiga Europa.

Registram os livros de história que o Imperador Júlio César invadiu a Gália (atual França) no Século 58 a.C. e denominou os celtas locais de gauleses. Segundo Zéfiro, nessa época, ele e Rivail estavam ali reencarnados como druidas. Júlio César perseguiu duramente o seu povo porque insuflavam a resistência ao domínio romano. Segundo relato do próprio Imperador, foi na Gália que ele viveu a mais árdua de suas campanhas.

Os celtas eram um povo muito avançado. Acreditavam numa Divindade única, não admitiam templos, suas cerimônias eram ao ar livre, criam na imortalidade da alma, na reencarnação, no livre-arbítrio, na lei de causa e efeito, na evolução espiritual, na inexistência de penas eternas, nas esferas espirituais, etc., e na proteção dos Espíritos superiores. Para sua cultura um celta não morria. A morte era apenas um ponto no meio da estrada.

No final do Século I a.C. quase todos os domínios celtas estavam submetidos a Roma. O nascente Catolicismo romano perseguiu os sacerdotes celtas fazendo-os desaparecer. Roma teria vencido caso não existisse a reencarnação, mas, Allan Kardec retorna no Século XIX para continuar seu trabalho no campo científico, filosófico e, porque não dizer, no religioso. Assim, se explica a superioridade hierárquica espiritual de Kardec sobre Napoleão (Júlio César), a relação existente e a emoção diante do Pontífice da Luz, como o designou o Espírito da Verdade (Cartas e Crônicas).

MISSÃO DO CODIFICADOR – DIFÍCIL E COMPLEXA
A história francesa, sobretudo quanto à Revolução (1789), mostra que a França atraiu para si dolorosas provações coletivas. Muitos Espíritos desencarnados nesse período foram conduzidos ao Brasil pelo Espírito Joana D’arc, cumprindo determinações do Governador Espiritual do Orbe (ver A Caminho da Luz).

A misericórdia divina é presença constante por meio do esclarecimento. Sempre é bom lembrar a milenar advertência: ter ouvidos de ouvir e olhos de ver. Mas, a natureza humana em sua sabedoria, como alertou-nos o Apóstolo Paulo, é loucura para Deus.

E, como é possível observar, o contexto que antecede a chegada d’O Consolador no Orbe remonta à própria história do Cristianismo primitivo. Jesus Cristo prediz que Sua mensagem seria deturpada e, por isso, compromete-se a promover a restauração da mensagem original (Evangelho de João).

Conta-nos o Espírito Emmanuel na Obra A Caminho da Luz que a “ação de Bonaparte, invadindo as searas alheias com o seu movimento de transformação e conquistas, fugindo à finalidade de missionário da reorganização do povo francês, compeliu o mundo espiritual a tomar enérgicas providências contra o seu despotismo e vaidade orgulhosa”.

“Aproximavam-se os tempos em que Jesus deveria enviar ao mundo o Consolador, de acordo com as suas auspiciosas promessas. Apelos ardentes são dirigidos ao Divino Mestre, pelos gênios tutelares dos povos terrestres. Assembléias numerosas se reúnem e confraternizam nos espaços, nas esferas mais próximas da Terra".

“Um dos mais lúcidos discípulos do Cristo baixa ao planeta, compenetrado de sua missão consoladora, e, dois meses antes de Napoleão Bonaparte sagrar-se imperador, obrigando o papa Pio VII a coroá-lo na igreja de Notre Dame, em Paris, nascia Allan Kardec, aos 3 de outubro de 1804, com a sagrada missão de abrir caminho ao Espiritismo, a grande voz do Consolador prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus-Cristo”.

Em sua missão de esclarecimento e consolação, o Codificador foi acompanhado de vários companheiros e colaboradores, cuja ação regeneradora manifestou-se em todos os departamentos da atividade intelectual do século XIX. O progresso da tipografia interessou todos os núcleos de trabalho humano, nascendo bibliotecas circulantes, revistas e numerosos jornais. As comunicações com o telégrafo e as vias férreas estabelecem intercâmbio direto entre os povos. O avanço da literatura e da ciência (afastada da religião) intensifica as comodidades da civilização.

Diante de todo o ambiente preparado para as Luzes do Consolador, seria necessário alguém com espírito de método, organização e pujante inteligência para concentrar tantos materiais diferentes e transformá-los, para, em seguida espalhar sobre as almas desejosas de conhecer e de amar. O Espírito detentor dessas qualidades foi Allan Kardec. Incisivo, conciso, profundo, que sabia agradar e fazer-se compreender trazendo a mensagem consoladora em linguagem simples e elevada ao mesmo tempo, de um lado distanciada do estilo familiar e de outro das obscuridades da metafísica.

Registre-se que o trabalho de Rivail não é cego. Em 30 de abril de 1856, em casa do Sr. Roustan, pela médium Mlle. Japhet, Allan Kardec recebe a primeira revelação da missão a desempenhar. E, em 12 de abril de 1860, na casa do Sr. Dehan, sendo médium o Sr. Croset, a missão foi novamente confirmada em uma comunicação espontânea, obtida na sua ausência.

Sua tarefa cresceria sempre em trabalho e responsabilidades. Lutas incessantes contra obstáculos, emboscadas e perigos de toda sorte. A cada passo esse enérgico trabalhador se elevava à altura dos acontecimentos, que nunca o surpreenderam. Durante onze anos, na Revista Espírita ele afrontou todas as tempestades, todos os ciúmes que não lhe foram poupados.

Os Espíritos Superiores afirmaram-lhe que a missão dos reformadores é cheia de obstáculos e perigos. A missão de Allan Kardec seria a mais rude de todas, pois, deveria agitar e transformar o mundo inteiro. Sua missão não seria somente publicar um livro, dois livros, dez livros, e ficar tranqüilo em casa; Seria preciso se mostrar em meio ao conflito. Por isso o Codificador foi objeto de terríveis ódios, implacáveis inimigos, calúnias, traição dos mais dedicados, fadiga, impugnação e desnaturação das suas melhores instruções.

Em luta constante, sustentada com o sacrifício do próprio repouso, da tranqüilidade, da saúde e da vida, Allan Kardec enfrentou espinhos, agudas pedras e serpentes. Essa seria a principal tarefa do Codificador do Espiritismo. E, para tais missões não seria bastante somente inteligência, mas, antes de tudo, humildade, modéstia e desinteresse, únicas armas que abatem os orgulhosos e os presunçosos.

Para lutar contra os homens, é necessária coragem, perseverança e firmeza inquebrantáveis, prudência e tato para conduzir as coisas a propósito e não lhes comprometer o sucesso por medidas ou palavras intempestivas. Um missionário tem devotamento e abnegação, além de estar sempre pronto a todos os sacrifícios.

A TAREFA DO GRANDE MISSIONÁRIO 
SÓ DEPENDE DELE MESMO!

A missão de Kardec seria dar voz aos espíritos que se manifestariam por todo o Globo. Ministros de Deus e os agentes de Sua vontade vinham instruir e esclarecer os homens, abrindo a nova era para a regeneração da Humanidade. O Livro dos Espíritos foi o primeiro passo. Foi escrito por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores, que estabeleceram os fundamentos de uma filosofia racional, isenta dos preconceitos do espírito de sistema. Todo seu conteúdo é expressão do pensamento deles e tudo foi por eles examinado. Competiu a Allan Kardec ordenar e distribuir metodicamente as matérias, elaborar as notas, a forma de algumas partes da redação e publicá-los.

Caso prosseguisse em sua carreira pedagógica, o Codificador poderia viver feliz, honrado e tranqüilo, com fortuna reconstruída por seu trabalho perseverante e pelo brilhante êxito que lhe havia coroado seus esforços. Mas sua missão o chamava a uma tarefa mais onerosa, a uma obra maior, que ele sempre se mostrou à altura da missão gloriosa que lhe estava reservada. Advertido por amigos da Espiritualidade de que a ele se atribuía, em nome do Senhor, a elevada missão de codificar os princípios espíritas, destinados a mais ampla reforma religiosa, pusera mãos ao trabalho, sem cogitar de sacrifícios. E adotando o sistema de perguntas e respostas, conseguiria vasta colheita de esclarecimento e de luz.

Apesar da elevada hierarquia moral e espiritual, que reconhecemos neste trabalho, o Codificador não estava isento de falhas. Deus não viola consciência. Como lhe afirmaram os próprios Espíritos Superiores, Allan Kardec esteve sujeito ao êxito na missão, adquirindo o reconhecimento da posteridade, escalando horizontes mais altos da vida, quanto poderia se perder, sujeitando-o a sombrias aflições.

CONCLUSÃO:
Buscamos trazer aqui apenas um pouco do que foi possível colher sobre o exemplo desse Grande Espírito Missionário, cujo compromisso com Deus foi executado com fidelidade, caminho do qual não se desviou, renunciando-se a si mesmo, para que a mensagem do Consolador prometido por Jesus restaura-se o ensino do Divino Mestre, trazendo outros e novos ensinamentos para esclarecimento daqueles que buscam a reforma interior. Destacamos que Allan Kardec seguiu o exemplo daquele mais puro Espírito que já se encarnou no plano terrestre, que, segundo Emmanuel (O Consolador), evolui direto a Deus.

Uberaba – MG, 23 de Outubro de 2019

ESCLARECIMENTOS SOBRE A PRÁTICA ESPÍRITA

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