O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 85





LIVRO SEGUNDO 

– CAPÍTULO XI – OS TRÊS REINOS [1]

I – OS MINERAIS E AS PLANTAS

II – OS ANIMAIS E O HOMEM

– (Questões: 585 a 610) –


No aspecto material, segundo sua natureza, os seres são classificados em orgânicos e inorgânicos. Quanto ao aspecto moral é possível classificá-los em 04 graus distintos:
     a) REINO MINERAL: matéria inerte (possui força mecânica).
     b) REINO VEGETAL; matéria inerte (possui força mecânica e vitalidade).
    c) REINO ANIMAL: matéria inerte (possui vitalidade e inteligência instintiva limitada). Há consciência da própria existência e individualidade.
  d) SER HUMANO: matéria inerte (possui força mecânica, vitalidade, inteligência especial indefinida). Há consciência do seu futuro, a percepção das coisas extramateriais e o conhecimento de Deus.

Consciência relaciona-se com pensamento. As plantas, apesar de receberem impressões físicas da ação sobre a matéria, não tem percepções (não há sensação, nem dor).

NA NATUREZA NADA É SEMELHANTE, mas, TUDO SE LIGA e TUDO É TRANSIÇÃO. Algumas plantas podem experimentar movimentos analógicos sem ter vontade. O ser humano experimenta esse tipo de movimento nas funções digestivas e circulatórias (a natureza é laboratório e lugar de estágio para o princípio inteligente).

Os humanos são seres à parte na Criação (em sentido especial do termo). Desse modo, em razão de seu livre-arbítrio, tanto podem descer abaixo dos animais quanto podem elevar-se muito alto (moralmente falando). Há entre os seres humanos e os animais as seguintes diferenças:
     1. Aos animais a natureza lhes deu, no físico, tudo que necessitam;
    2. Os seres humanos precisam usar a inteligência para prover suas necessidades;
   3. O corpo do homem se destrói como o dos animais, mas, SEU ESPÍRITO tem um DESTINO que só ele pode compreender (mas, os animais possuem alvos que devem atingir);
   4. Só o ESPÍRITO HUMANO é completamente livre; As almas dos animais são dirigidas. A DIFERENÇA FUNDAMENTAL ENTRE SERES HUMANOS E ANIMAIS ESTÁ NO PENSAMENTO DE DEUS;
   5. Os animais agem por instinto, mas, alguns também agem por uma VONTADE DETERMINADA (vontade de agir e atos combinados); Agem para satisfazer suas necessidades físicas e prover sua conservação; Não criam, não melhoram, nem  pioram (sempre farão a mesma coisa - no sentido de ajuda ao progresso);
   6. O ser humano conserva o aprendizado. O animal abandonado a si próprio não tardará a voltar aos limites traçados pela natureza, por mais adestrado que tenha sido;
    7. Há linguagem limitada entre os animais (sem palavras) pela qual se comunicam. Suas ideias também são limitadas às próprias necessidades. Todos possuem modos e meios de se prevenir e exprimir as sensações que experimentam. Trata-se de uma linguagem instintiva e limitada. O ser humano é perfectível e se presta a todas as concepções da sua inteligência.

Há nos animais uma inteligência que lhes dá certa LIBERDADE DE AÇÃO, pois, há neles um PRINCÍPIO INDEPENDENTE DA MATÉRIA e que sobrevive ao corpo. Esse PRINCÍPIO pode ser chamado ALMA. Mas, é, ainda, inferior à humana. Entre animais e seres humanos há uma distância comparável à distância entre a humanidade e Deus.

A ALMA DOS ANIMAIS NÃO POSSUI CONSCIÊNCIA DE SI MESMA. É uma vida inteligente em estado latente. Não tem livre-arbítrio. Após a destruição do corpo a ALMA DO ANIMAL fica em um ESTADO ERRANTE, mas, NÃO É UM ESPÍRITO ERRANTE. O principal atributo do Espírito é a consciência de si mesmo.

Desencarnado, a alma do animal já utilizada rapidamente, não dispondo de tempo para pôr-se em relação com outras criaturas. Os animais também estão submetidos à Lei de Progresso. Progridem pela força das coisas e não se sujeitam à expiação.

TUDO SE ENCADEIA NA NATUREZA. Os liames dessa cadeia não podem ser compreendidos pelos seres humanos no estado atual (grau evolutivo). O entendimento chegará quando se livrar do orgulho e da ignorância. É então que verá claramente e entenderá a obra de Deus. TUDO NA NATUREZA SE HARMONIZA PELAS LEIS GERAIS, QUE NÃO SE AFASTAM DA SABEDORIA DO CRIADOR.

O ser humano não tem duas almas. O corpo tem seus instintos, que resultam na sensação dos órgãos. Há, no entanto, DUPLA NATUREZA: animal e espiritual. Pelo corpo o ser humano participa da natureza dos animais e dos seus instintos; e, pela ALMA, da natureza dos ESPÍRITOS.

VAMOS DEIXAR BEM CLARO: A ALMA DO ANIMAL NÃO PODE HABITAR UM CORPO HUMANO E VICE-VERSA. O princípio inteligente que constitui as almas dos animais vem do ELEMENTO INTELIGENTE UNIVERSAL. 

A alma do ser humano, na origem, assemelha-se à infância da vida corpórea; sua inteligência desponta e ela ensaia para a vida; A PRIMEIRA FASE DO ESPÍRITO é cumprida numa SÉRIE DE EXISTÊNCIAS que PRECEDEM O PERÍODO que denominamos HUMANIDADE.

A ALMA HUMANA passou por uma elaboração que a eleva sobre a dos brutos (é preciso  compreender isto e e agir à altura), uma vez que FOI O PRINCÍPIO INTELIGENTE DOS SERES INFERIORES DA CRIAÇÃO. E é assim que TUDO SE ENCADEIA NA NATUREZA e tende à unidade. Nesses seres que o homem desconhece, o PRINCÍPIO INTELIGENTE SE ELABORA, SE INDIVIDUALIZA, pouco a pouco e ENSAIA para vida. Eis a figura desse processo: 
PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO PRINCÍPIO INTELIGENTE
GERMINAÇÃO
PREPARAÇÃO
TRANSFORMAÇÃO

Tornando-se Espírito, o princípio inteligente está apto a iniciar-se no período chamado HUMANIDADE. Terá consciência do seu futuro, do mal e da responsabilidade de seus atos. Pode-se figurar o seu ciclo da seguinte forma:
CICLO DO PERÍODO MILENAR DO ESPÍRITO NA FASE DE HUMANIDADE
INFÂNCIA
ADOLESCÊNCIA
JUVENTUDE
MADUREZA

No período de humanidade do Espírito, a Terra não é o ponto de partida. Em geral o ciclo começa em mundos inferiores. Essa regra não é absoluta. Podem haver Espíritos cujo ponto de partida foi nesse orbe.

CONCLUSÃO: A distinção da RAÇA HUMANA em relação aos demais reinos é que se trata da ESPÉCIE ESCOLHIDA POR DEUS para conhecê-Lo. É por isto que passou, como princípio inteligente, por todos os estágios evolutivos nos reinos da natureza.

[1] Consultar a obra EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, ditada por André Luiz a Waldo Vieira e a Francisco C. Xavier.

JOSÉ E SEUS DOIS PAIS: O CASAMENTO LEVIRATO



COMPREENDENDO A GENEALOGIA DE JOSÉ (e de Jesus)
(Compatibilizando os textos de Mateus 1:1-17 e Lucas 3:23-38 [3])
O cético usa essa suposta incompatibilidade para criticar textos bíblicos, outros para criarem sistemas, muitos para apresentar teorias carentes de fundo histórico ou fonte fidedigna. Questões que nos parecem à primeira vista irreconciliáveis podem facilmente ser compreendidas quando há estudo do contexto judaico. Antes, mostraremos em imagem para que você possa melhor compreender a informação:
Examinando a Lei, no Capítulo 25 de Deuteronômio, versículos 5 e seguintes, encontramos a regra aplicada e devidamente usada tanto no relato de Mateus como no relato de Lucas. Ambos estão em conformidade com a Lei. Como afirmado, basta analisar o contexto e contradições que parecem irreconciliáveis são devidamente esclarecidas.

Em verdade, José é filho de Jacó como é filho de Eli. Neste caso, além de observar a genealogia é necessário observar o que diz a Lei: “Se dois irmãos viverem juntos e um deles morrer sem filhos, a viúva não sairá de casa para casar-se com um estranho; seu cunhado se casará com ela e cumprirá com ela os deveres legais do cunhado; o primogênito ao nascer continuará o nome do irmão morto, e assim não se apagará o nome dele em Israel”. Trata-se de dever legal, pois, naquele tempo quem conhecia o filho, conhecia o pai, na forma: nome, filho de (nome do pai). Desta maneira, Israel não veria o nome do que morreu apagado da história. Havia pena para o cunhado que não cumprisse a Lei, conforme versículos 7 a 11.

E foi assim que, segundo AKHLAT[1]:

“Mattan, o filho de Eliezer - cuja descendência era da família de Salomão - tomou uma esposa cujo nome era Astha (ou Essetha) e por ela gerou Jacob naturalmente. Mattan morreu e Melchi - cuja família descendia de Natã, filho de Davi - levou-a para esposa e gerou naturalmente a Eli (ou Heli); portanto, Jacó e Heli são irmãos (os filhos) de (uma) mãe. Eli teve uma esposa e morreu sem filhos. E Jacó tomou-a por mulher, para suscitar descendência a seu irmão, segundo o mandado da lei; e ele gerou por ela José, que era o filho de Jacó segundo a natureza, mas o filho de Heli segundo a lei; Assim, qualquer que seja o escolhido, seja de acordo com a natureza ou de acordo com a lei, Cristo é considerado filho de Davi. Além disso, é certo saber que Eliezer gerou dois filhos, Mattan e Jotão. Mattan gerou Jacó, e Jacó gerou a José; Jotão gerou Zadoque, e Zadoque gerou a Maria. A partir disso, fica claro que o pai de José e o pai de Maria eram primos”[2].

Falamos, então, do CASAMENTO LEVIRATO. Não há, portanto, nenhuma discrepância na linhagem de José, que é facilmente explicada quando se conhece o contexto judaico – (Deut. 25:5): uma viúva sem filhos deveria casar-se com o irmão de seu falecido marido, e o primogênito de tal casamento continuaria o nome do irmão falecido. Quando estiver lendo Mateus e Lucas para fins de estudos, lembre-se: o pai biológico de José foi Jacó, que realmente o “gerou” (como está escrito em Mateus), enquanto seu pai legal foi Eli (como informado em Lucas). 




[1]AKHLAT, Salomão. Livro da Abelha, Capítulo XXXIII, Gerações Messiânicas.
[2] O autor parece que também pesquisa a suposta contradição entre Mateus e Lucas, trazendo uma solução lógica, razoável e com bom senso. Considerando a distância temporal que se tem dos fatos é possível admitir a hipótese.
[3] MORRIS, Leon L. Lucas - Introdução e comentário. Trad. Gordon Chown. Série Cultura Bíblia - Ed. Vida Nova. (Nota 14: The Ante-Nicene Fathers [reimpressão norte-americana da edição de Edimburgo - sem data], remissão a 220 d.C., pg. 96).

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 84


LIVRO SEGUNDO – CAPÍTULO X – OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS – (Questões: 558 a 584-a) –
As missões de que podem ser encarregados os Espíritos errantes são tão variadas que seria impossível descrevê-las, uma vez que existem aquelas que o encarnado não pode compreender. Os Espíritos executam a vontade de Deus e não é possível penetrar os seus desígnios.

Os Espíritos Superiores trabalham para a harmonia do Universo, executando a vontade de Deus, do qual são os ministros. Aqui é importante compreender que estamos falando de Espíritos Puros. É uma ocupação contínua (“meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também”- João 5:17), mas não é penosa, uma vez que não estão sujeitos à fadiga corpórea nem às angústias da necessidade. Espíritos Superiores não falham nas suas missões. Os Espíritos Inferiores também tem deveres a cumprir e desempenham papel útil no Universo, pois, a importância das missões está relacionada com a capacidade e a elevação do Espírito, todavia, podendo falir, caso isto ocorra deverá reiniciar a tarefa e somente depois do êxito é que sofrerá as consequências do mal que causou.

O conhecimento do Espírito é adquirido pela experiência. Todos devem habitar em toda parte e adquirir o conhecimento de todas as coisas. Todos os planos do Universo devem ser percorridos por todos os Espíritos onde desempenharão todas as funções a estes inerentes. Há um tempo para cada coisa (Eclesiastes), portanto, há os que cumprem hoje o seu destino neste mundo, assim como outros já o cumpriram noutras eras, seja sobre a Terra, na água ou no ar, etc. Cada Espírito percorre os diferentes degraus da escala evolutiva a fim de se aperfeiçoar. Deus não deu o conhecimento a NENHUM Espírito sem que este houvesse trabalhado em detrimento de outros que só o adquirem laborando. DEUS É BOM, MAS, É JUSTO. Trata-se do que se pode chamar de DIVINO EQUILÍBRIO.

Os Espíritos puros não se entregam à ociosidade perpétua. Não há aposentadoria no plano espiritual. Ocupam-se, ao contrário, de receber as ordens de Deus e transmiti-las por todo o Universo, velando pela sua execução. Já aprendemos que para os Espíritos o pensamento é tudo (conforme item XIII da Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita de O Livro dos Espíritos), pois eles vivem pelo pensamento. Suas ocupações são incessantes, porém, totalmente diferentes das ocupações materiais dos encarnados. Essa atividade contínua é para eles uma satisfação ou prazer moral.

Segundo Allan Kardec, “as missões dos Espíritos tem sempre o bem por objeto. Seja como Espírito, seja como homens, são encarregados de ajudar o progresso da humanidade, dos povos, ou dos indivíduos num círculo de ideias mais ou menos largo, mais ou menos especial, de preparar as vias para certos acontecimentos, de velar pela realização de certas coisas. Alguns tem missões mais restritas e de certa maneira pessoais ou inteiramente locais, como de assistir os doentes, os agonizantes, os aflitos, de velar pelos que estão sob a sua proteção de guias, de dirigi-los pelos seus conselhos ou pelos bons pensamentos que lhes sugerem. Pode-se dizer que há tantos gêneros de missões quantas as espécies de interesses a resguardar, seja no mundo físico ou no mundo moral. O Espírito se adianta segundo a maneira porque desempenha a sua tarefa”.

Os Espíritos encarnados têm ocupações inerentes à sua existência corporal. No estado errante ou de desmaterialização, suas ocupações são proporcionais ao seu grau de adiantamento. Uns percorrem os mundos, instruindo-se e preparando-se para uma nova encarnação[1]. Outros, mais avançados, ocupam-se do progresso dirigindo os acontecimentos e sugerindo pensamentos favoráveis; assistem aos homens de gênio que concorrem para o adiantamento da Humanidade. Outros se encarnam com uma missão de progresso. Outros tomam à sua tutela indivíduos, famílias, aglomerações humanas, cidades e povos dos quais se tornam anjos da guarda, gênios protetores e Espíritos familiares. Outros, enfim, presidem aos fenômenos da Natureza, dos quais são os agentes diretos. Os Espíritos comuns se imiscuem nas ocupações e divertimentos dos homens. Os Espíritos impuros ou imperfeitos esperam, em sofrimentos e angústias, o momento em que praza a Deus conceder-lhes os meios de se adiantarem. Se fazem o mal é pelo despeito de ainda não poderem gozar do bem”.

Em matéria de tarefas e missões, os Espíritos são recompensados segundo suas obras, o bem que desejou fazer e a orientação de suas intuições.

Quando nos referimos a esse assunto, é mister reconhecer que muitos encarnados arvoram-se em pseudo-detentores de “tarefas missionárias”, colocando-se não só acima da lei, mas, como se estas fossem material descartável imprestáveis à reciclagem. É oportuna a lição de Emmanuel[2] que vaticinou: “Podem surgir criminosos de todas as procedências, gerando reações populares pelos delitos em que estejam incursos, mas enquanto existirem juízes compreensivos e humanos, destacar-se-á o instituto correcional por cidadela do bem, onde as vítimas da sombra retornem de novo à luz”.

Nunca será demais registrar: “A prova antecipa o resgate, a luta anuncia a vitória e a dificuldade encerra a lição”. (Emmanuel, obra citada).




[1] Você encontrará vários exemplos de como decorre o processo de instrução do Espírito André Luiz em uma diversidade de lugares onde colhe o aprendizado e o condensa em informações, as quais produzem a coleção Vida no Mundo Espiritual, começando pela Obra Nosso Lar (dentre outras).
[2] Religião dos Espíritos. Capítulo 62 – Ao sol do amor, pg. 171-173. Ditado ao médium Francisco C. Xavier.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS - PARTE 83


– CAP. IX – INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO 

– XII – PODER OCULTO, TALISMÃS, FEITICEIROS 

– XIII – BENÇÃO E MALDIÇÃO – 

                                                                     – (Questões: 551 a 557) –

Deus NÃO permite que um indivíduo MAU com o AUXÍLIO de um MAU ESPÍRITO faça MAL ao seu próximo. Há pessoas dotadas de grande poder magnético e dele podem fazer mau uso quando o seu próprio Espírito é mau. Em razão da sintonia e preferência atraem maus Espíritos. Mas, o pretenso poder mágico só existe na imaginação de pessoas supersticiosas, ignorantes das verdadeiras leis da Natureza.

O único efeito de fórmulas e práticas com que certas pessoas pensam controlar os Espíritos é o de se tornarem ridículas. Todas as fórmulas ditas mágicas não passam de CHARLATANICES.

NÃO HÁ NENHUMA PALAVRA SACRAMENTAL, SIGNO CABALÍSTICO OU TALISMÃ QUE TENHA QUALQUER AÇÃO SOBRE OS ESPÍRITOS. Estes só são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais (“para os Espíritos o pensamento é tudo”, cf. Q-100 do LE, in Observações Preliminares).

As denominadas conjurações feitas conforme signos, palavras bizarras ou por certos atos indicados por alguns Espíritos são feitas como forma de zombaria e de abuso da credulidade dos que se prestam à aplicar tais “fórmulas”.

Objetos podem ajudar a dar direção ao pensamento daquele que deseja atrair um Espírito. Todavia, é necessário observar a NATUREZA do Espírito atraído por esse “talismã”. Quem é crédulo o bastante para crer na “virtude” de um “talismã” possui um objetivo mais material que moral. Porém, tanto no objetivo material quanto no moral, trata-se de uma prova da ESTREITEZA E FRAQUEZA DE IDEIAS do indivíduo crédulo e, portanto, serão atraídos para sua companhia os Espíritos imperfeitos e zombadores.

Certas pessoas que tenham desenvolvido o PODER MAGNÉTICO, quando possuem sentimento puro e o ardente desejo de fazer o bem, poderão chegar ao nível do DOM DE CURAR pelo SIMPLES CONTATO. Apesar desta verdade, é sempre necessário desconfiar de estórias cobertas de fantasias e entusiasmo contadas por pessoas crédulas que em tudo vêem o maravilhoso. Muitos relatos são efetuados por interesseiros que exploram o crédulo em benefício próprio. É necessário julgar sempre a intenção daquele que se julga possuir o dom de curar.

Quanto às bênçãos e maldições é necessário compreender de uma vez por todas que DEUS NÃO ESCUTA UMA MALDIÇÃO INJUSTA, sendo sempre culpável aos “olhos de Deus” aquele que a pronuncia. No processo evolutivo apresentamos as tendências opostas do bem e do mal. Assim, momentaneamente é possível haver influência sobre a matéria. Em todo caso nada ocorre sem a permissão de Deus.

Portanto, se alguma ocorrência tenha semelhança daquilo que se compreenda por "maldição", é, na verdade, acréscimo a uma prova que o indivíduo tenha de sofrer. Nem as bênçãos e nem as maldições podem desviar a Providência do caminho da Justiça. A JUSTIÇA DIVINA NÃO FERE O AMALDIÇOADO SE ELE NÃO FOR MAU E SUA PROTEÇÃO NÃO COBRE QUEM NÃO A MEREÇA.

No próximo encontro estudaremos o Capítulo X de O Livro dos Espíritos: OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 82


– CAP. IX – INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO

– XI – DOS PACTOS

– (Questões: 549 a 550) –


Paira em torno do Espiritismo uma pecha de sobrenatural. É bem verdade que aquele que não o estudou com seriedade dá asas a tal ideia. Notadamente, algo muito concreto e evidente na pesquisa de Allan Kardec é que nada há de sobrenatural no Espiritismo. A relação que se estabelece com os Espíritos de seres humanos que já morreram pertence ao campo das Leis Naturais. É natural comunicar-se com Espíritos.

Portanto, o modo em que se concebeu a ideia dos pactos, como algo entre forças demoníacas, não prospera na Doutrina Espírita, cujos ensinos repousam sobre a lógica e a razão. Vale lembrar a afirmativa feita pelo Codificador: fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade (folha de rosto do Evangelho Segundo o Espiritismo).

Os Espíritos Superiores, no entanto, explicam como ocorre o cometimento de ações más por aqueles que o desejam. Quem busca atormentar alguém chama Espíritos inferiores com os quais se sintoniza para servi-lo na empreitada (pensamento). Do mesmo modo, tais Espíritos esperam o concurso em contrapartida (um ajuste tácito).

Tal situação decorre da Lei de Atração. O desejo de alguém de cometer o mal atrai o auxílio de Espíritos inferiores que querem cometer o mal, mas precisam do encarnado para atingir o objetivo. Desta maneira é possível compreender o denominado “pacto”. Como explica Kardec: “O pacto, no sentido comum atribuído a essa palavra, é uma alegoria que figura uma natureza má simpatizando com Espíritos malfazejos”.

Quanto às estórias sobre “venda da alma a Satanás” em troca de favores, há mais um ensino no sentido moral do que verdade tomada ao pé da letra. Quem busca obter favores de Espíritos para fins puramente materiais e sem propósito no bem está se rebelando contra as Leis Divinas e sofrerá as consequências disso na vida futura. Contudo, não há condenação perpétua ao sofrimento. Após resgatar suas faltas o Espírito prossegue na jornada evolutiva.

Portanto, não existem pactos demoníacos, mas em razão do fato de que alguns se ligam à matéria e aos gozos terrenos, os quais não existem no mundo dos Espíritos, estabelece-se uma dependência entre encarnados e Espíritos impuros no regime de reciprocidade. Esse pacto tácito, que acontece em razão das simpatias, afinidades, semelhanças de gostos e paixões, é que conduz à perdição. Mas, sempre é possível romper esse laço com o auxílio dos Bons Espíritos. É necessário para o rompimento desse ajuste (ou ligação entre Espíritos inferiores) uma vontade firme. Desejo genuíno de renovação no bem.

Estude e Viva.

“Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade”. (Evangelho Segundo o Espiritismo).

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 81




– X – OS ESPÍRITOS DURANTE COMBATES


– (Questões: 541 a 548) –


Na questão 459 do LE aprendemos que os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e sobre as nossas ações. É neste sentido que devemos compreender as disposições trazidas pelo codificador a respeito desta influência durante combates.

Não se pode esquecer que o Livro dos Espíritos constitui um sistema onde não se pode apreender as informações isoladamente. Por exemplo, na questão 260 aprendemos que semelhante atrai semelhante. Da mesma forma, na questão 484, vimos que os bons Espíritos simpatizam com homens de bem ou os suscetíveis de se melhorar e os Espíritos inferiores com os homens viciosos ou que se podem viciar-se. Daí o seu apego, resultante da semelhante de sensações.

Desta maneira é possível compreender o ensino dos Espíritos quando esclarecem que há Espíritos que assistem e amparam cada uma das forças em luta estimulando sua coragem (541). Todavia, não há que se confundir numa guerra a questão da justiça e o partido que tomam Espíritos a favor do lado errado. Como mencionado, há Espíritos que somente buscam discórdia, destruição e injustiça (a justiça pouco importa).

A participação dos Espíritos nas guerras inclui a influência sobre os comandantes na concepção dos planos de campanha e em todas as outras. Contudo, os encarnados possuem o seu livre-arbítrio e o raciocínio para distinguir uma decisão acertada de outra errada, sofrendo as consequências desta ou daquela decisão.

Os Espíritos dos combatentes que morrem em combate podem continuar se interessando pela guerra ou não. Todavia, após a morte o Espírito jamais se mostra calmo, podendo, inclusive, continuar a odiar e perseguir os inimigos. Somente quando as ideias se acalmam é que vê que a animosidade não tem mais razão de ser. Tudo ocorre conforme o seu caráter.

O Espírito que desencarna apenas perde a ligação com o corpo que se manifesta no plano físico. Portanto, ainda continua ouvindo perfeitamente a batalha.

Algo importante salientar é que os Espíritos que morrem em confronto, na maioria das vezes, não têm consciência da morte no mesmo instante. Somente quando começa a retomar a consciência é que se verifica o início do seu desenlace. Essa separação, o desprendimento lhe parece natural e não produz efeito desagradável.

Concluímos que, em qualquer ocasião, para encarnados e desencarnados, semelhante atrai semelhante, sendo que os bons sintonizam-se com os bons e os maus com os maus.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 80



CAP. IX – INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO –

IX – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE OS FENÔMENOS DA NATUREZA

– (Questões: 536 a 540) –

Segundo o ensinamento dos Espíritos não há acaso. Nada acontece sem a permissão de Deus. Isto quer dizer que todos os grandes fenômenos da Natureza estão vinculados à imutabilidade das Leis Divinas. É assim que podemos compreender que o objetivo dos fenômenos naturais é, freqüentemente, RESTABELECER O EQUILÍBRIO DAS FORÇAS FÍSICAS DA NATUREZA.

Nesse contexto evidencia-se que os Espíritos exercem influência sobre os elementos para agitá-los, acalmar ou dirigir. Portanto, o controle de tudo é a Vontade Divina, mas, Deus não atua por ação direta. Em todos os graus de escala dos mundos possui seus agentes.

Na obra O Consolador, ditada por Emmanuel a Francisco C. Xavier, na questão de número 3, o benfeitor Espiritual esclarece que os prepostos de Jesus espalham-se por todos os setores do trabalho humano e, em todos os tempos, cooperam com o homem no seu esforço de aperfeiçoamento;

Apesar de estar longe da verdade, há fundamento na Mitologia dos antigos sobre os “deuses” (Espíritos) estarem encarregados dos ventos, raios, vegetação, etc. Tais Espíritos não habitam precisamente a Terra. Todavia, tempo chegará e será lícito compreendermos melhor a explicação desses fenômenos.

Estando distribuídos entre os diversos graus da evolução espiritual, os Espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza são seres que foram encarnados ou ainda o serão. Esse grau evolutivo relaciona-se com o papel a ser exercido. Se mais ou menos material ou inteligente. Os Espíritos que executam as coisas materiais são sempre de uma ordem inferior (entre os Espíritos como entre os encarnados). Alguns atuam com conhecimento de causa e outros não. Alguns agem em razão de seu livre-arbítrio e outros por impulso instintivo e irrefletido.

O fenômeno da tempestade, por exemplo, tem na sua produção a participação de massas inumeráveis de Espíritos. A atuação de cada ser possui um objetivo providencial para a harmonia geral da Criação. Os Espíritos mais atrasados são úteis ao conjunto.

No encadeamento das coisas os Espíritos mais atrasados, enquanto agem ensaiando para a vida, antes de terem plena consciência de seus atos e de seu livre arbítrio, agem sobre certos fenômenos na condição de agentes sem o saberem. Quando desenvolvem a inteligência comandam e dirigem as coisas do mundo material. Evoluindo, mais tarde, poderão dirigir as coisas do mundo moral.

É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo. Admirável LEI DE HARMONIA, de que NOSSO ESPÍRITO LIMITADO NÃO PODE ABRANGER O CONJUNTO.

Da Obra “A Caminho da Luz”, ditada por Emmanuel a Francisco C. Xavier, gostaríamos de citar a introdução do Capítulo 1 que trata da Comunidade de Espíritos Puros que dirigem o nosso Sistema Solar:
“Rezam as tradições do mundo espiritual que n direção de todos os fenômenos do nosso sistema, existe uma comunidade de Espíritos puros e eleitos pelo Senhor supremo do universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias”.

O Planeta Terra, em seus primeiros dias, é exemplo da atuação dos Espíritos nos fenômenos da Natureza, uma vez que na obra mencionada indaga Emmanuel:
“Que força sobre-humana pôde manter o equilíbrio da nebulosa terrestre, destacada do núcleo central do sistema, conferindo-lhe um conjunto de leis matemáticas, dentro das quais se iam manifestar todos os fenômenos inteligentes e harmônicos de sua vida, por milênios e milênios?”

Sobre esse grande laboratório planetário diz o benfeitor:
“Laboratório de matérias ignescentes, o conflito das forças telúricas e das energias físico-químicas opera as grandiosas construções do teatro da vida, no imenso cadinho onde a temperatura se eleva, por vezes, a 2000 graus de calo, como se a matéria colocada num forno, incandescente, estivesse sendo submetida aos mais diversos ensaios, para examinar-se a sua qualidade e possibilidades na edificação da nova escola dos seres. As descargas elétricas, em proporções jamais vistas da humanidade, despertam estranhas comoções no grande organismo planetário, cuja formação se processa nas oficinas do Infinito”.

Ao final desse capítulo, na mesma obra, Emmanuel fala sobre o Divino Escultor – o Verbo na criação terrestre:
“[...] com suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopo de sua Misericórdia sobre o bloco de matéria informe, que a sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas. [...] Com os seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples de matéria, cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda a parte no universo galáxico. [...] Fez a pressão atmosférica adequada ao homem, antecipando-se ao seu nascimento no mundo, no curso dos milênios; estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera onde se harmonizam os fenômenos elétricos da existência planetária, e edificou as usinas de ozone a 40 e 60 quilômetros de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares, manipulando-lhes a composição precisa à manutenção da vida organizada do orbe. Definiu todas as linhas de progresso da humanidade futuro, engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das atividades planetárias”.

Vê-se, deste modo, que existem Leis e que não há um controle místico ou extraordinário de fenômenos naturais. Todos obedecem à harmonia das Leis Divinas. O equilíbrio respeita leis matemáticas dentro das quais se manifestam os fenômenos inteligentes e harmônicos da vida. Portanto, TODOS NA CRIAÇÃO SÃO UTEIS AO CONJUNTO (LE – Q-540).

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 85

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