EDITORIAL



POLÍTICA E ESPIRITISMO
Beto Ramos[i]

Tornou-se lugar comum ouvir, diante das mais diferentes pessoas, que “política e religião não se discutem”. Dois erros se encontram presentes nesta afirmação. A primeira delas é que, quando ao lado da “política” se acrescenta o espiritismo, há profundo desconhecimento acerca da Doutrina Espírita.

Segundo o Codificador do Espiritismo, quando se trata de Doutrina Espírita, há duplo aspecto. É importante estudar a obra “O que é o Espiritismo”, de autoria de Allan Kardec, e apreender o ensinamento daquele que se constituiu no “intérprete” do Ensino dos Espíritos Superiores, a quem foi conferido o dever de Codificar o seu conteúdo dispondo-o metodologicamente em obras devidamente organizadas por temas, assuntos, capítulos, etc. Naquela obra Kardec explica se o Espiritismo é ou não uma religião.

Outro erro se mostra pelo desconhecimento de que a POLÍTICA terrestre é acompanhada pelo plano espiritual. Vejam-se notícias em Cartas Crônicas (Irmão X), A Caminho da Luz (Emmanuel), Crônicas de Além Túmulo (Humberto de Campos), Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (mesmo autor).

Importa, ainda, trazer a lume para onde o Alto direciona o pensamento político. Poderíamos traduzi-lo dizendo: fraternidade e solidariedade. Mas, alguns vão dar de ombros e “fazer de conta” que não compreenderam. Então, leia parte do que está registrado na obra A Caminho da Luz (psicografia de Chico Xavier):

“O Espiritismo [...] ensina a fraternidade legítima dos homens e das pátrias, das famílias e dos grupos, ALARGANDO AS CONCEPÇÕES DA JUSTIÇA ECONÔMICA E CORRIGINDO O ESPÍRITO EXALTADO DAS IDEOLOGIAS EXTREMISTAS. Nestes tempos dolorosos em que as mais penosas transições se anunciam ao espírito do homem, SÓ O ESPIRITISMO PODE REPRESENTAR O VALOR MORAL ONDE SE ENCONTRE O APOIO NECESSÁRIO À EDIFICAÇÃO DO PORVIR. Enquanto os utopistas da reforma exterior se entregam à tutela dos ditadores impiedosos [...] em suas sinistras aventuras revolucionárias, prossegue ele, o Espiritismo, sua obra educativa junto das classes intelectuais e das massas anônimas e sofredoras, PREPARANDO O MUNDO DE AMANHÃ COM AS LUZES IMORREDOURAS DA LIÇÃO DO CRISTO.” (pgs. 193/194).



[i] Professor universitário, advogado e expositor espírita. Escreve toda segunda-feira para o Editorial do ESPIRITISMONEWS.

PAULO DE TARSO - O FILME NA SUA CASA ESPÍRITA!

PAULO DE TARSO E A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO PRIMITIVO


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ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - PARTE 88



– O LIVRO DOS ESPÍRITOS – 
– LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS – 
– CAPÍTULO I – A LEI DIVINA OU NATURAL –
 I  CARACTERES DA LEI NATURAL

– (Questões 614 a 618 – continuação...) –

Segundo o ensino dos Espíritos Superiores o único caminho que conduz à felicidade humana é fazer ou não fazer conforme a Lei Natural. Toda infelicidade ocorre em vista do afastamento humano desta Lei. Não há o como confundir: a Lei Natural É a Lei Divina. Como o próprio Deus a Lei Divina é eterna e imutável. O ser humano está em constante mutação. Conforme ensina o Apóstolo Paulo há identidade de origem e natureza divina para todas as Leis do Universo. É importante afirmar que não há confusão quando se reafirma esse princípio, pois, AS LEIS DE DEUS SÃO UMA COISA E DEUS MESMO É OUTRA. Não devemos confundir DEUS COM A PRÓPRIA NATUREZA.

As Leis de Deus são perfeitas, pois, são elas que conferem a harmonia que regula o Universo material e o Universo moral. As Leis de Deus são, desde sempre, para toda a eternidade. Sendo DEUS O AUTOR DE TODAS AS COISAS, TODAS AS LEIS DA NATUREZA SÃO LEIS DIVINAS. Tanto as Leis da Matéria quanto as Leis da Alma. O sábio estuda as primeiras e o homem de bem as segundas (E AS SEGUE).

Para conhecer, aprofundar e compreender TODAS as Leis Morais e Materiais o Espírito precisa encarnar várias vezes. Segundo os Espíritos Superiores, sem fechar questão, mas, respondendo com base na razão, as Leis Divinas devem ser apropriadas à natureza de cada mundo e proporcionais ao grau de adiantamento dos seres que os habitam.

Finalmente, a título de exemplo, entre as Leis Divinas encontramos aquelas que regulam as relações da matéria bruta: são as leis físicas; e seu estudo pertence ao domínio da Ciência; outras concernem ao ser e às suas relações com Deus e com seus semelhantes. Compreendem as regras da vida do corpo e as da vida da alma: são as leis morais.

Estude e Viva!
Beto Ramos. Uberaba - MG, 07 de Outubro de 2019.

BEM MAIS QUE “PARTIR O PÃO”




"Se não há refeição, não há Torá; e se não há Torá, não há refeição”
(Avot 3:17).

Muitos cristãos supõem que as palavras “partir o pão” se referem à comunhão. Eles imaginam os crentes se reunindo para receber uma pequena fatia de pão e tomar um pouco de vinho, como é feito hoje nas igrejas. Lucas, no entanto, está descrevendo os lares de Jerusalém do primeiro século, não uma igreja cristã moderna: os primeiros crentes realmente faziam refeições juntos! Ele deixa ainda mais claro adiante: “Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria” (Atos 2:46).

SEM REFEIÇÃO, SEM ESCRITURAS
No entanto, essas refeições não eram apenas eventos sociais. O estudo das Escrituras tem sido sempre o elemento central da vida judaica e todas as áreas da vida tinham que estar ligadas a este estudo. Portanto, Lucas nos diz que ao fazerem as refeições juntos, os primeiros crentes se dedicavam ao ensino dos apóstolos. 

O CONTEXTO JUDAICO
Compartilhar refeições sempre foi uma parte importante da vida judaica. Os crentes faziam refeições juntos, revezando-se para receber uns aos outros. Na tradição judaica, era sempre o anfitrião quem proferia a benção tradicional e partia o pão no início da refeição.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS - PARTE 87



LEIS NATURAIS OU DIVINAS

O Livro dos Espíritos traz interessante capítulo que trata da Lei Divina ou Natural. Na questão 614 os Espíritos Superiores respondem o que se entende por Lei Natural: trata-se da Lei de Deus. Segundo ensinam a Lei Natural “é a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta”.

Para ilustrar essa ideia, buscamos no Livro de Êxodo, capítulo 15, a partir do versículo 22, um relato sobre a 1.ª etapa dos Israelitas no deserto de Sur. Algumas lições podem ser extraídas à luz do espiritismo, da fé raciocinada. Conta-se que que aquele povo estava caminhando no deserto por três dias em busca de água. Quando afinal a encontram a mesma não servia para consumo. Era amarga, salobra. Os israelitas então protestam a Moisés questionando o que beberiam, pois estavam com sede.

Moisés, então, clamou ao Senhor, que lhe mostrou uma planta. Realizou-se, portanto, verdadeiro tratamento químico daquela água salobra, que foi transformada em água potável, boa para consumo. Depois deste verdadeiro "fenômeno" o versículo 25 relata: “aí lhes deu leis e mandamentos, e os pôs à prova...”.

Refletindo no incidente das águas, percebe-se que diante do obstáculo ou da privação, o indivíduo reagiu. A murmuração de Israel demonstra o seu sofrimento e, claramente, a natureza do ser humano diante da provação. Conforme 1 Co 10:11 a humanidade diante das provações da vida lamenta. Todavia, pensamos, trata-se da Lei de Causa e Efeito. Vejamos o que Moisés diz ao povo:

“Se obedeceis ao Senhor, vosso Deus, fazendo o que ele aprova, obedecendo a seus mandamentos e cumprindo suas leis, não vos enviarei as doenças que enviei aos egípcios, porque eu sou o Senhor que te cura”.

Apesar da distância no tempo que temos das palavras do Profeta, vemos que o indivíduo é livre para alcançar o que ele chamou de bênçãos de Deus. Isto é, depende do nosso comportamento diante das leis. Todavia, durante muitas gerações somos levados a interpretar que tais leis seriam aquelas exteriores onde seu "cumprimento" depende de rituais (também exteriores). O Espiritismo revelando o processo de evolução do ser (instinto, inteligência, senso moral, vontade) mostra que erramos por séculos na interpretação (preocupamos com a forma e não com o fundo).

Certamente cumprir as Leis de Deus, obedecer ao Senhor e fazer o que Ele aprova, obedecendo Seus mandamentos está em acordo com as Leis Morais e, portanto, é preciso saber o que é a Lei Divina ou Natural. Sem dúvida, é a vontade revelada de Deus. Voltemos, então, ao ensino dos Espíritos.

A questão 617 esclarece que TODAS AS LEIS DA NATUREZA SÃO LEIS DIVINAS. E, TODAS as Leis Divinas estão gravadas na consciência humana (621). Á medida que o ser evolui por meio das várias experiências na várias existências e em uma variedade de mundos vai acessando as Lei Divinas gravadas em sua consciência, de onde forma o senso moral, uma vez que ao ser criado por Deus simples e ignorante, também o foi com NULIDADE MORAL.

a) O que podemos depreender da passagem bíblica usada em nosso exemplo?
- Moisés quando usou uma planta para neutralizar a salinidade da água não usou mágica, místico ou maravilhoso, muito menos “um milagre”, aplicou uma Lei Natural. A química, como ciência, fornece instrumentos e ferramentas necessárias para compreensão desse processo;

b) Como obedecer a Deus e fazer o que Ele aprova para fins de não adoecer o corpo? Como receber a cura relatada a partir do versículo 22 do capítulo 15 de Êxodo?
Veja a constituição física humana, principalmente os órgãos do corpo humano. Observe o estômago. Ele tem tamanho e capacidade. Entre outras coisas, quando não respeitados esse tamanho e capacidade ocorrem as reações naturais que os excessos cometidos provocam, sujeitando o indivíduo a sofrer uma infinidade de males. Cumprir a Lei Divina ou Natural nesse caso é respeitar a capacidade e tamanho do estômago. Feito isto o indivíduo estará CURADO antecipadamente de grande quantidade de doenças que essa falta acarreta. Para todos os demais excessos ou falta do dever de cuidado a regra é a mesma.

Conforme ensina Allan Kardec: “Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: as leis físicas, cujo estudo pertence ao domínio da Ciência. As outras dizem respeito especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas suas relações com Deus e com seus semelhantes. Contém as regras da vida do corpo, bem como as da vida da alma: são as leis morais” (Q-633 do LE).

Quando Moisés advertiu o seu povo, apresentava-lhes um guia seguro, pois, como no exemplo acima, comer em excesso faz mal e esse limite ou medida nos é dado por Deus. Ao exceder a azia e a má-digestão é a punição imediata. A lei natural traça o limite para as necessidades humanas. O sofrimento é a pena por infringi-lo. Em toda situação há uma voz interna que carece ser ouvida em todas as circunstâncias a fim de evitarem-se males maiores.

Ao tratar desse tema, sem qualquer caráter absoluto, dividiu-se a Lei de Deus em 10 partes, a qual pode ser seguida sem espírito de sistema. São elas: lei de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a de justiça, amor e caridade.

Estude e Viva!
Uberaba - MG, 11 de setembro de 2019
Beto Ramos

O Evangelho segundo o Espiritismo não incluído no “Pacto Áureo”


Antonio Cesar Perri de Carvalho (*) 


Estudos e entrevistas que realizamos ao longo de alguns anos nos estimularam à elaboração do livro União dos espíritas. Para onde vamos? (Ed. EME, 2018)1 e, mais recentemente, à preparação da palestra de abertura do Encontro promovido pela União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo para comemoração - nos dias 20 e 21 de outubro de 2018 -, dos 70 anos do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita (São Paulo, 1948). 2,.3.

Os Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita 4 contém riquíssimo material de estudo e propositivo elaborado por notáveis líderes espíritas vinculados ao movimento espírita de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e do antigo Distrito Federal.

Como repercussão das teses aprovadas houve rejeição por parte da direção da Federação Espírita Brasileira da época.

Todavia, vários dos protagonistas do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, por estarem no Rio de Janeiro participando do Congresso da CEPA, repentinamente, foram recebidos pelo presidente da FEB. E num dia e meio, sem prévia preparação aconteceu a reunião que ficou conhecida como a Grande Conferência Espírita do Rio de Janeiro, também chamado “Acordo de Cavalheiros” e cognominado por Lins de Vasconcellos como “Pacto Áureo” e se constituiu no Acordo de Unificação do Movimento Espírita Brasileiro.

Na oportunidade, o presidente da FEB Wantuil de Freitas, em nome da Diretoria da FEB, apresentou outra proposição, contendo dezoito itens, sintetizando os princípios sobre os quais poderiam assentar-se a União e a Unificação do Movimento Espírita, além de detalhamento de providências complementares para o funcionamento do Acordo. 1, 5.

O Acordo foi assinado no dia 5/10/1949 na sede da FEB, “ad referendum” das Entidades cujos dirigentes estavam presentes, pois essa reunião não havia sido planejada e mesmo porque o tempo da reunião foi extremamente exíguo para se tratar de temas tão complexos.

Pelas reações ocorridas em São Paulo logo após o evento, e por declarações de alguns protagonistas, sabe-se que prevaleceu um gesto de boa vontade, mas com a expectativa de um futuro aprimoramento do documento. 1, 5.

Esse aprimoramento ou revisão que não ocorreu, faz falta com vistas ao atendimento do cenário atual do movimento espírita.

A primeira questão a ser levantada é sobre o Artigo 1o do “Pacto Áureo”: “Cabe aos Espíritas do Brasil por em prática a exposição contida no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de maneira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo”.

E o outro relacionado à fundamentação, é que apenas no Artigo 12o citam-se duas obras de Allan Kardec: “As Sociedades componentes do Conselho Federativo Nacional são completamente independentes. A ação do Conselho só se verificará, aliás, fraternalmente, no caso de alguma Sociedade passar a adotar programa que colida com a doutrina exposta nas obras: O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, e isso por ser ele, o Conselho, o orientador do Espiritismo no Brasil”.

A citação do livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, desde aquela época gerou controvérsias. Independentemente do conteúdo da obra há várias especulações ligadas ao fato de que se trata da única obra psicográfica de Francisco Cândido Xavier que faz citação nominal de um autor não aceito pela ampla maioria dos espíritas brasileiros. 1

Aí surgem indagações óbvias: Por que os proponentes do Acordo de união que foram participar do 2º Congresso da CEPA levando a tese “Prevalência do Espiritismo Religioso”, e a própria FEB deixariam de citar o livro O evangelho segundo o espiritismo, a obra espírita mais lida e comercializada no Brasil? Por que no citado Acordo não estão relacionadas todas as Obras Básicas de Allan Kardec? 1

Fato digno de nota é que Francisco Cândido Xavier, não podendo comparecer ao citado Congresso Brasileiro enviou mensagem assinada pelo espírito Emmanuel com o título: "Em nome do Evangelho", incluída nos Anais do Congresso. 1, 2, 3, 4, 5.

À vista disso consideramos que no caso de uma revisão do "Pacto Áureo" ou na elaboração de um acordo de união novo, e sem nenhum juízo do conteúdo geral do livro, seja removida a referência à obra Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho, bem como de apenas duas obras do Codificador, substituindo pela citação completa das Obras Básicas de Allan Kardec. 1, 2, 3.

Pelo menos em tempos mais recentes seria uma total incoerência, pois até nas recomendações de Estatutos para os centros espíritas, em geral, há a indicação como Artigo 1º, por exemplo:

“O Centro Espírita... fundado em..., neste Estatuto designado “Centro”, é uma organização religiosa, com duração indeterminada e sede na cidade de..., no endereço..., e que tem por objeto e fins: I – o estudo, a prática e a difusão do Espiritismo em todos os seus aspectos, com base nas obras de Allan Kardec, que constituem a Codificação Espírita”. 1.

Depois de analisar o “Pacto Áureo” item a item em nosso livro União dos espíritas. Para onde vamos?, concluímos:

“Em nosso entendimento e experiência, com os apontamentos acima expressos, o texto do “Pacto Áureo” está superado. Imaginemos um dirigente que, ao ler o citado documento, resolva colocar em prática “ao pé da letra” o que está definido em seus artigos. O “Pacto Áureo” é um importante referencial histórico, mas não é mais aplicável na atualidade”. 1, 2, 3.

Mesmo considerando-se várias ações encetadas pelo CFN da FEB para se divulgar Allan Kardec, como a Campanha Comece pelo Começo, aprovada em novembro de 2014, não se pode olvidar que o “Pacto Áureo”, com a questão doutrinária que destacamos e vários itens defasados, ainda é uma norma vigente. Há necessidade de se rediscutir e se refazer o “Pacto Áureo”!

Referências:
1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. União dos espíritas. Para onde vamos? 1.ed. Capivari: Ed. EME. 2018. 144p.
2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. 70 ANOS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE UNIFICAÇÃO ESPÍRITA – HISTÓRICO. Texto da palestra em edição digital: http://www.usesp.org.br/Associacao/Documentos; Depois clique em DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA, que contém o arquivo: Palestra - Comemorações dos 70 anos do 1o CBUE.
3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. 70 ANOS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE UNIFICAÇÃO ESPÍRITA – HISTÓRICO. Vídeo. Link: https://www.youtube.com/watch?v=oZVb7MfxejQ
4) Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita. São Paulo: USE. 191p. Edição em versão digital AEC/USE: http://www.usesp.org.br/Associacao/Documentos; Depois clique em DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA, que contém o arquivo: Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita.
5) Monteiro, Eduardo Carvalho; D’Olivo, Natalino. USE - 50 anos de unificação. São Paulo: USE. 1997. 335p.
(*) Foi presidente da USE-SP e da FEB.

Extraído de: http://grupochicoxavier.com.br/o-evangelho-segundo-o-espiritismo-nao-incluido-no-pacto-aureo/

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 86

CAPÍTULO XI - OS TRÊS REINOS
III - METEMPSICOSE
(Questões: 611 a  613) –

Para nos situarmos quanto ao assunto de hoje  (metempsicose) é importante buscar a compreensão do vulgo, a qual é baseada no que foi difundido por algumas RELIGIÕES, isto é, que se trata do movimento cíclico por meio do qual um mesmo espíritoapós a morte do antigo corpo em que habitava, retorna à existência materialanimando sucessivamente a estrutura física de vegetais, animais ou seres humanos (sic).

Na FILOSOFIA encontramos a proposta de doutrina que professa a crença acima descrita, a qual foi difundida pelo misticismo especulativo do orfismo pitagorismo. Sabe-se que foi adotada pelas correntes do empedoclismo, platonismo e neoplatonismo. Além disto, existem concepções semelhantes encontradas nas religiões como budismo ou o hinduísmo.

O Codificador, em razão da resposta contida na questão 540 de O Livro dos Espíritos, que tratou sobre a comunhão da origem dos seres vivos no princípio inteligente, questionou os Espíritos Superiores se não seria dita comunhão a consagração da doutrina da metempsicose.

Ao responder os Espíritos afirmaram que apesar da possibilidade das origens comuns duas coisas podem não se assemelhar em nada mais tarde. Para explicarem melhor usaram o exemplo da semente e da árvore.

A luminosidade intensa da explicação dos Espíritos ocorre quando afirmam textualmente: “No momento em que o princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito e entrar no período de humanidade, não tem mais relação com o seu estado primitivo e não é mais a alma dos animais, como a árvore não é a semente”. É o início da resposta seguinte.

Os Espíritos não RETROGRADAM, isto é, não há INVOLUÇÃO, mas, progresso, EVOLUÇÃO. Esclarecem que do animal no ser humano somente as paixões que nascem da matéria e os instintos de conservação inerente a esta. Sendo o corpo uma dádiva para ser o veículo de experiência e progresso do Espírito no mundo material, sua conservação é lei natural.

Mas, o Codificador pergunta diretamente aos Espíritos sobre a possibilidade de o Espírito que animou um corpo humano encarnar-se em um animal, no que os Espíritos afirmam categoricamente: ISSO SERIA RETROGRADAR, E O ESPÍRITO NÃO RETROGRADA.

Várias perguntas podem ser levantadas em relação ao tema do capítulo comentado, porém a que se coloca em elevada relevância é: qual é a origem do Espírito? Onde está o seu ponto de partida? Mas, a sabedoria de Allan Kardec nos convida a refletir sobre sua afirmativa: isso é um mistério que seria inútil procurar [...].

Deixa-nos, todavia, sua opinião sobre o que é mais importante: a sobrevivência do Espírito, a conservação de sua individualidade após a morte, sua faculdade de progredir, seu estado feliz ou infeliz proporcional ao seu adiantamento e todas as verdades morais que são a consequência desse princípio.

Conclui Allan Kardec dizendo: “Quanto às relações misteriosas existentes entre o homem e os animais, isso, repetimos, está nos segredos de Deus, como muitas outras coisas cujo conhecimento atual nada importa para o nosso adiantamento e sobre os quais seria inútil nos determos”.

Estude as obras da Codificação Espírita e as Revistas Espíritas.
Estude e Viva!

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POLÍTICA E ESPIRITISMO Beto Ramos [i] Tornou-se lugar comum ouvir, diante das mais diferentes pessoas, que “política e religião ...