- ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO- CAP. IX – PARTE 73



INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO -

- I PENETRAÇÃO DO NOSSO PENSAMENTO PELOS ESPÍRITOS -

- (Questões: 456 a 458) -

Estamos sozinhos ou rodeados por Espíritos?

No estudo de hoje vamos verificar que possuímos uma relação íntima com os Espíritos, mesmo sem que tenhamos a real noção de como isso acontece. Será que é possível ocultar nossos pensamentos mais secretos ou dissimulá-los para os Espíritos?

Pois bem!
Para aqueles que acreditam que estamos sozinhos e que não há vida após a morte, ou, que há vida após a morte, mas, que após sua ocorrência os Espíritos não mais se preocupam com os laços terrenos, não temos uma notícia boa.

Conforme ensina O Livro dos Espíritos, estamos INCESSANTEMENTE rodeados por Espíritos. Conforme os laços terrenos que mantiveram, suas ideias e suas preocupações, os Espíritos podem várias coisas para as quais somente devem dirigir suas atenções. Portanto, MUITOS PENSAMENTOS que acreditamos estarem ocultos no mais profundo de nosso ser, são PLENAMENTE CONHECIDOS pelos que já não possuem um veículo físico.

Infelizmente para muitos encarnados, NENHUM PENSAMENTO OU ATO PODEM SER DISSIMULADOS PARA OS ESPÍRITOS. Mesmo aquele que se julga escondido e longe do alcance de pessoas, tem ao seu redor uma multidão de espíritos, observando atentamente, desde que digam respeito a coisas que a eles interessam.

De um lado, aqueles Espíritos inferiores que são levianos riem das pequenas intervenções maldosas que provocam no mundo corpóreo dos encarnados e zombam das impaciências demonstradas no cotidiano. De outro, os Espíritos sérios lamentam as trabalhadas praticadas e buscam ajudar e socorrer no que for necessário e possível.

Desta forma, aprendemos no item I, questões 456 a 458 de O Livro dos Espíritos que NOSSO PENSAMENTO É INVADIDO PELOS ESPÍRITOS, portanto, nada fica oculto. No próximo estudo vamos estudar a INFLUÊNCIA OCULTA DOS ESPÍRITOS SOBRE NOSSAS AÇÕES E PENSAMENTOS.

Até lá.

O CORPO, O ESPIRITISMO E AS DOENÇAS!

 


Olá amigos e amigas, bem vindos,

Hoje, quando acordei, fiz uma oração de agradecimento e fiquei pensando nessa dádiva: o meu corpo. Me lembrei da célebre afirmação: "mente sã, corpo são". Agradeci a saúde e a possibilidade de mais um dia.


/>


Me recordei da força do pensamento e o quanto ainda o desconhecemos e, por isto, não temos controle das suas possibilidades criadoras. Veio à mente de inopino, um texto do Espírito Irmão X, pela psicografia de Chico Xavier, em Cartas e Crônicas, onde, no Capítulo 4, fala sobre o Treino para a Morte. O nosso Amigo conta que o tormento número 1, partindo do seu ponto de vista, é o CEMITÉRIO QUE TRAZEMOS NA BARRIGA.

Mas, nesta bela comunicação, esse grande espírito também se reporta a outras questões como o abuso do fumo, das bebidas, dos narcóticos e do sexo, entre outros. É fascinante notar como as comunicações dos Espíritos Emmanuel, André Luiz e Humberto de Campos (Irmão X), além de outros, encaixam-se umas às outras, mas, com nuances característicos. Enquanto André Luiz se reporta ao aspecto científico, Humberto de Campos se refere ao aspecto sociológico, sendo que Emmanuel se encarrega do aspecto religioso e filosófico. Cada um por sua vez enfrenta temas diversos com bastante segurança e tranquilidade.

Por isso, não tive como não refletir sobre os Capítulos 34 de 35 da Obra Conduta Espírita ditada por André Luiz ao médium Waldo Vieira em que trata dos mesmos assuntos referidos acima por Irmão X, cujo ditado foi a Chico Xavier. Médiuns e espíritos diferentes, mas, o mesmo tema, mesma preocupação e mesma profundidade (Controle Universal das Comunicações Espíritas?).

Sem dúvida, o corpo é a primeira e a mais importante dádiva que o encarnado recebe de Deus para sua jornada terrena. Perante o Corpo, título do capítulo 34, temos advertências do benfeitor espiritual para o cuidado com a higiene pessoal, cuidado com tóxicos, narcóticos, alcoólicos e drogas de quaisquer natureza, porque são maneiras de praticar suicídio voluntário e lento.

Conhecer os limites do organismo físico e conter os abusos de suas energias inclusive a sexual, que é bênção divina para renovação do corpo e da alma, também é uma maneira de cultivar o respeito ao corpo e ao espírito.

Os alimentos, ah! os alimentos, aqui também André Luiz não deixa por menos, aconselha evitar comer em excesso, ingerir condimentos e excitantes sistematicamente, incluindo, também a pressa que temos para nos alimentar acompanhada pela ausência de serenidade. Não se pode esquecer, ainda, que outra forma peculiar de suicídio voluntário é a ingestão de alimentos em excesso.

O ar livre, a água pura, o sol e até a vestimenta com decência e limpeza são maneiras de nutrir o corpo e a alma, a fim de garantir equilíbrio e bem estar. Alguém poderá dizer que há fanatismo ou fundamentalismo quando o conselho se refere à vestimenta. Todavia, como pensamento é força criadora e vivemos, ainda, em meio a seres primitivos, vários degraus evolutivos se encontrando para experiências diversas, cautela com as próprias ações é, sem dúvida, um bom conselho. Mas, o livro desse benfeitor espiritual inicia com sua declaração que ele respeita o livre arbítrio de todos e que a obra constitui-se em lembretes e não "voz de comando".

Ao final desse capítulo 34, André Luiz nos recorda que "na Terra, cada Espírito recebe o corpo de que precisa", portanto, desprezá-lo, por mais torturado que seja, é rebeldia infundada. Quanto às doenças, o nosso proceder inicia-se com a recordação de que são provas necessárias para o ser. O capítulo 35 nos convida à confiança, à fé, à resignação, o bom senso e à razão.

Para toda cura, o medicamento exige dosagem certa.

O pensamento é uma força que tanto elabora quanto extingue muitos distúrbios orgânicos e psíquicos.

A intensidade do sofrimento varia conforme a confiança em Deus.

A medicina humana é composta por missionários e obreiros que não devem ser preteridos por médicos desencarnados.

A doença pertinaz é mecanismo de purificação da alma e, assim como a intensidade da febre é medida pelo termômetro, a da fé é medida pela enfermidade. Em ambos os casos, seja na plena saúde do vaso físico quanto na enfermidade do mesmo, as nossas atitudes devem voltar-se ao Criador.

Então é isso. Essa foi a reflexão que iniciou o nosso dia. Deixo para vocês as remissões do Evangelho feitas pelo amigo querido André Luiz:

"Glorificar, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus". (Paulo - I Coríntios, 6:20).

"Vinte a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Jesus - Mateus, 11:28).

Fontes bibliográficas:
XAVIER, Francisco Cândido. Cartas e Cronicas. Ditada por Irmão X (FEB Editora). 
VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita. Ditada por André Luiz (FEB Editora).

PRÁTICAS ESTRANHAS


Olá pessoal,

É possível que você já tenha ouvido: "as religiões são caminhos diferentes que levam ao mesmo Deus". O fundo filosófico dessa afirmativa não só está correto, como está em acordo com o que nos ensina o Livro dos Espíritos.

Somos todos regidos pela Lei do Progresso, portanto, tendo todos o mesmo ponto de partida, isto é, a criação como Espíritos simples e ignorantes, tendemos a um mesmo fim: a perfeição. Como ensina o Codificador do Espiritismo Allan Kardec: os seres criados para exercerem a função de administradores da obra da criação são perfectíveis. 

Contudo, termos ciência dessas verdades não nos permite concordar com a enxertia de práticas estranhas à simplicidade que vige na base da Doutrina Espírita. Sendo todas as religiões boas e respeitáveis, não é lícito que situações e personalidades sejam indebitamente lisonjeadas pela suposta capacidade de beneficiar as construções do Espiritismo.

Quem defende a enxertia de práticas estranhas e a lisonja a situações e personalidades age em desacordo com as próprias decisões que toma nas questões mais comezinhas da lógica da vida. Como ensina o benfeitor Emmanuel "não existem caminhos que não sejam viáveis e todos podem conduzir a determinado ponto do mundo. Contudo, somente os viajores irresponsáveis escolherão perlustrar atalhos perigosos e desfiladeiros obscuros, espinheiros e charcos, no dédalo de aventuras marginais, ao longo da estrada justa".

Traduzindo, Emmanuel diz que é irresponsabilidade escolher o caminho escuro, sem pavimento, perigoso e incerto quando temos uma via iluminada, pavimentada, segura, cujo destino é conhecido. Ou, que entre a água de fonte pura e cristalina você não escolherá aquela salobra de fonte duvidosa.

Quanto a questões que envolvem princípios espíritas, lembremo-nos que a Terra é a um só tempo: escola, hospital e penitenciária. Identificar quem é quem no processo reencarnatório, se não é impossível, ainda não foi desvelada outra fórmula que não seja a falível dedução pelo raciocínio humano.

A ordem se mantém pela vigilância. Em O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, Capítulo XXIII, item 239, ensinam os Espíritos: "Já dissemos que muito mais graves são as consequências da fascinação. Efetivamente, graças à ilusão que dela decorre, o Espírito conduz o indivíduo de quem ele chegou a apoderar-se, como faria com um cego, e pode levá-lo a aceitar as doutrinas mais estranhas, as teorias mais falsas, como se fossem a única expressão da verdade. Ainda mais, pode levá-lo a situações ridículas, comprometedoras e até perigosas".

Conforme o pesquisador e escritor espírita Paulo Henrique de Figueiredo, encontramos o Magnetismo, considerado a ciência coirmã do Espiritismo, segundo afirma o próprio Allan Kardec: "O Espiritismo liga-se ao Magnetismo por laços íntimos (essas duas ciências são solidárias uma com a outra [...] Os Espíritos sempre preconizaram o Magnetismo, seja como meio curativo, seja como causa primeira de uma multidão de coisas; eles defendem sua causa e vêm prestar-lhe apoio contra seus inimigos" (RE, 1858, pg. 188).

Ainda que louváveis os objetivos que levaram o grupo espírita a se desviar da simplicidade dos princípios espíritas, ficamos com a orientação de Emmanuel:

"Reflitamos nisso e compreenderemos que assegurar a simplicidade dos princípios espíritas nas casas doutrinárias, para que as suas atividades atinjam a meta da libertação espiritual da Humanidade, não é fanatismo e nem rigorismo de espécie alguma. [...]. Em Doutrina Espírita [...] não podemos aceitar tudo e nem abraçar tudo, a fim de podermos estar certos".

E você já teve alguma experiência com Casas "Espíritas" que não seguem a Codificação e promovem um verdadeiro sincretismo?

Fonte bibliográfica:
  • KARDEC, Allan. Livro dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. (PDF-FEB)
  • FIGUEIREDO. Paulo Henrique de. Revolução Espírita - a teoria esquecida de Allan Kardec. São Paulo - SP: MAAT, 2016.
  • XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Opinião Espírita. Ditado pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. Capítulo 25. Práticas Estranhas. Catanduva-SP: Boa Nova Editora, 2009.

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – CAPÍTULO VIII – PARTE 72


 EMANCIPAÇÃO DA ALMA –

 – VII DUPLA VISTA – 
(Questões: 447 a 454-a)

É possível que o indivíduo, quando acordado, também experimente que seu espírito fique liberto do corpo, de modo a ver, ouvir e sentir além dos limites dos sentidos comuns (visão, audição, tato, olfato e gustação). Esse fenômeno é chamado de dupla vista.
 
Os indivíduos percebem as coisas até onde o perispírito puder estender a sua ação. Allan Kardec, explicando esse fenômeno, esclarece que pela vista ordinária é como se fosse uma espécie de miragem. Modifica-se o estado físico e os olhos ficam como que vagos, do tipo “olhando sem ver”. A fisionomia demonstra uma espécie de exaltação.

Os órgãos da visão podem estar abertos ou fechados que a dupla vista (visão a imagem à distância) persiste. Para os que possuem essa faculdade se afigura natural como a visão comum o é. Tanto que a consideram como um atributo normal. Após essa lucidez passageira segue-se o esquecimento até que a lembrança desapareça por completo, como ocorre com os sonhos.

Não é uma faculdade que se apresenta da mesma maneira nos indivíduos. Há sempre a influência moral do ser. Pode ocorrer como uma sensação confusa até à percepção clara e nítida das coisas presentes ou ausentes.

A dupla vista possui diferentes graus. Em estado rudimentar dá a algumas pessoas perspicácia e segurança nos seus atos e mais desenvolvida desperta pressentimentos. No estágio mais avançado poderá mostrar acontecimentos do passado ou em vias de acontecer.

É importante ter em mente que:

    a) Sonambulismo natural e artificial, o êxtase e a dupla vista, são variedades ou modificações de uma mesma causa (a emancipação da alma);
    b) Assim como os sonhos, são fenômenos naturais e existiram de todos os tempos, desde a mais alta Antiguidade;
  c) Neles se encontram uma infinidade de fatos que os preconceitos fizeram passa por sobrenaturais.

Allan Kardec, na Obra A Gênese (original de 1868), no Capítulo XV, Os Milagres do Evangelho, no item 5, reporta o fenômeno da DUPLA VISTA que ocorreu com a entrada de Jesus em Jerusalém, o beijo de Judas, a pesca miraculosa, a vocação de Pedro, André, Jacó Tiago, João e Mateus, em que afirma o seguinte:

“Esses fatos nada têm de surpreendente quando se conhece o poder da dupla vista, e a causa muito natural dessa faculdade. Jesus a possuía ao supremo grau e pode-se dizer que ela era seu estado norma, o que atestam um grande número de atos de sua vida e o que explica, atualmente, os fenômenos magnéticos e o Espiritismo”.

Afirma o Codificador que muitas passagens do Evangelho atestam o fenômeno quando é dito:

“Mas Jesus, conhecendo seus pensamentos, lhe diz...”. E arremata: “como podia ele conhecer esses pensamentos se não fosse pela irradiação fluídica que os transmitia, assim como pela visão espiritual que lhe permitia ler o foro íntimo dos indivíduos?”.

Desta forma, hoje, possuindo o conhecimento acerca dos fenômenos da dupla vista, bem como da própria faculdade que possuem alguns indivíduos de verificarem em si mesmos a emancipação da alma, em vigília ou dormindo, é importante meditar acerca da afirmação do Mestre lionês:

“[...] quando se crê que um pensamento está profundamente sepultado no recôndito da alma, não suspeitamos levar conosco um espelho que o reflete, um revelador na própria irradiação fluídica que está impregnada dele. Se víssemos o mecanismo do mundo invisível que nos rodeia, as ramificações desses fios condutores do pensamento, que vinculam todos os seres inteligentes, corporais e incorpóreos, os eflúvios fluídicos carregados das impressões do mundo moral, que atravessam o espaço como correntes de ar, ficaríamos menos surpresos diante de certos efeitos que a ignorância atribui ao acaso”. (A Gênese, Livro Segundo, Cap. XV, Os Milagres do Evangelho).

Sobre o pensamento remetemos o leitor à Obra Pensamento e Vida, ditada por Emmanuel a Francisco Cândido Xavier, edição da Federação Espírita Brasileira.

Fontes:
KARDEC, Allan. A Gênese (Original, 1868).
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.

ESPIRITUALIDADE (*)



O ser humano é um espírito encarnado na Terra para adquirir valores da experiência própria.

Segundo nossas ilusões, na oficina terrestre ou na escola planetária, corremos o risco de não valorizar o trabalho ou o ensino, ficando aprisionados no abismo infernal ou estacionados no purgatório.

Conscientes de que somos colocados pelo Senhor nos lugares que ocupamos, é imperioso cuidar das necessidades próprias e lembrar que o Orbe é uma oficina sagrada, para evitar pagar o preço dos terríveis enganos do coração.

A existência humana não é fim, é oportunidade.

A meta é atingir o Cristo latente m cada um.

O ser é aluno em aprendizado.

As relações, o livro de estudo.

No Curso da Elevação Própria, o diploma é de Espírito Superior.

Corpo humano? Apenas o uniforme escolar.

Espiritualismo? Uma filosofia.

Espiritismo? Uma doutrina.

Espiritualidade? aplicação das nossas infinitas potencialidades a serviço do Bem.

(*) Texto adaptado por inspiração no prefácio de Emmanuel ao Livro Nosso Lar, cujo título é “Novo Amigo”.

Uberaba – Minas Gerais, 05 de Janeiro de 2019.
Beto Ramos

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – PARTE 71



– CAPÍTULO VIII –

– EMANCIPAÇÃO DA ALMA 

 – VI ÊXTASE –

(Questões: 439 a 446)


A alma (Espírito Encarnado) poderá emancipar-se (desprender-se ou libertar-se, por assim dizer, por algum tempo, do corpo físico) através, também, do êxtase, que é um sonambulismo mais apurado, uma vez que a alma do extático é mais independente.


Diz-se “mais independente” em razão da compreensão mais clara do mundo espiritual que o extático tem. Ele vê e compreende o que vê no plano espiritual. Essa sensação lhe desperta o desejo de permanecer no mundo espiritual.

A independência tratada neste tópico não chega a ser um “trânsito livre” para o Espírito no plano espiritual. Há lugares que o extático não tem acesso, pois, disto depende o grau de depuração do Espírito. É possível que experimente uma sensação de felicidade que mova a se esforçar para romper os laços que o prendem ao planeta.

É por tal motivo que o extático não pode ser abandonado a si mesmo durante o transe. Corre-se risco de morte. É necessário ter atenção para estimular o Espírito do extático a retornar ao mundo material em que ainda deve atuar, fazendo-o ver que romper os laços por vontade própria e causar a morte do corpo físico será a maneira que NÃO LHE PERMITIRÁ FICAR NO LUGAR ONDE SE VÊ. Aguardar o termo certo da experiência terrena é o único caminho para retornar ao lugar onde teve a sensação de felicidade plena.

Para lidar-se com as informações transmitidas pelo extático é preciso lógica, razoabilidade e bom-senso. O extático age sob a influência de ideias terrenas, vê as coisas à sua maneira, exprime-se na linguagem conforme seus preconceitos e ideias em que foi criado, ou, ainda, pode exprimir-se conforme os preconceitos de quem está orientando o trabalho. Sabendo disto fica fácil compreender que o extático poderá errar.

Não é permitido aos seres tudo conhecer. Existem mistérios que são impenetráveis para o homem. Aquele que quiser penetrar para além desses limites será abandonado às suas próprias ideias, ou, o que é pior, se tornar joguete de Espíritos enganadores que se aproveitarão para fasciná-lo.

A experiência dos fenômenos de sonambulismo e de êxtase abre uma porta para antever a vida passada e a vida futura. Deste modo é possível encontrar nestes fenômenos, desde que seriamente estudados, a solução de mais de um mistério que o ser humano busca penetrar somente por meio da razão (considerada a ciência puramente material). Quem estuda tais fenômenos com boa-fé e livre de preconceitos, certamente não pode ser materialista nem ateu.

EXISTEM ESPÍRITOS?


NOÇÕES PRELIMINARES PARA ESTUDO DO ESPIRITISMO


 Antes de aceitarmos qualquer discussão espírita, temos de nos assegurar se o interlocutor admite a base sobre a qual está todo o edifício do Espiritismo, qual seja: a existência de Deus e da Alma. Não nos cabe forçar essa crença, eis que a vontade é individual e autônoma.

Para tanto, a esses interlocutores, são necessárias algumas perguntas iniciais para delimitar o campo da discussão, quais sejam:
 a) Crê em Deus?
    b) Crê na existência da Alma?
    c) Crê na sobrevivência da Alma após a morte?

Tais questões devem obter respostas positivas, sem as quais seria inútil prosseguir numa discussão comparável a tentar demonstrar as propriedades da luz a um cego que não admitisse a existência da luz.


EXISTEM ESPÍRITOS?
1.Os Espíritos não são seres a parte na criação e sua existência decorre, necessariamente, do fato de haver um princípio inteligente no Universo, além da matéria.

 2.O Espiritualismo em geral nos oferece a demonstração teórica dogmática da existência, sobrevivência e individualidade da alma, o que o Espiritismo demonstrou pelos experimentos.

 3. Pelo método indutivo do raciocínio, partindo da premissa que a alma existe e sua individualidade permanece após a morte, tem-se:
a) Ao separar-se do corpo a alma não conserva as propriedades materiais, portanto, sua natureza é diferente da corpórea;
b) Sendo feliz ou sofredora, a alma possui consciência própria e não é um ser inerte do qual nada valeria sua existência;
c) Se há consciência vai para algum lugar, que, segundo a crença comum é o Céu ou o Inferno, mas, o Espiritismo não é compatível com essa teoria;
d) O Céu ou o Inferno deveria estar circunscrito em algum lugar, mas, no Universo não há como conceituar alto e baixo, uma vez que os orbes são redondos, os astros giram e o alto e baixo se revezam de tempo em tempo, sendo desconhecido o infinito do espaço que possui distâncias incomensuráveis;
e) A razão não admite a inutilidade do infinito, que leva a crer serem os demais mundos também habitados;
f) A doutrina da localização das almas e os dados das ciências não concordam entre si, o que conduz a uma doutrina mais lógica que lhes dá o espaço infinito, isto é, todo um mundo invisível que nos envolve e no meio do qual vivemos rodeados por elas.

 4. A ideia das penas e recompensas, uma vez que as almas não vão para locais determinados, é absurda. Ao contrário de penarem ou gozarem em determinado lugar, carregam no seu íntimo a felicidade ou a desgraça, pois, a sorte de cada uma depende de sua condição moral.

 5. O progresso das almas depende dos esforços que fazem para melhorarem e, depois das provas necessárias, podem atingir os graus mais elevados. Portanto, os anjos, mensageiros de Deus, são almas humanas que chegaram ao grau supremo e todos podem chegar até lá através da Boa Vontade.

 6. Essas almas purificadas, chegadas ao grau supremo, são incumbidas por Deus de zelar pela execução de seus desígnios em todo o Universo.

 7. Com isto, ter uma condição útil e aceitável após a morte é uma teoria mais atraente que a inutilidade perpétua da contemplação eterna.

OS DEMÔNIOS
 8. São almas das criaturas más, ainda não depuradas, mas, que podem chegar como as outras, ao estado de pureza. Tal situação está em pleno acordo com a Justiça e Bondade de Deus e em conformidade com a razão, a lógica e o bom-senso.

ESPÍRITOS
 9. As almas são os Espíritos encarnados revestidos do invólucro corporal (corpo de carne), enquanto que os Espíritos que povoam o Universo infinito também são almas humanas, mas, desprovidas (despojadas) da roupagem material (corpo de carne).

 10. Admitir-se a existência das almas é o mesmo que admitirem-se os Espíritos. Estando as almas por toda parte, os Espíritos também estão. Negar um é negar o outro.

AÇÃO SOBRE A MATÉRIA / MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS
 11. Os Espíritos não são seres abstratos, vagos e indefinidos. Na sua união com o corpo, o Espírito é o elemento principal da união, pois é o ser pensante e que sobrevive à morte.

 12. O corpo é um acessório do Espírito, um invólucro, uma roupagem que abandona depois de usar.

 13. Além do envoltório material, o Espírito possui outro, semimaterial, que o liga ao primeiro. 

 14. Na morte o Espírito abandona o corpo, mas, não o segundo envoltório, que é chamado de perispírito.

 15. O perispírito, que tem a mesma forma humana do corpo, é uma espécie de corpo fluídico, vaporoso, invisível para o sentido humano quando se encontra em seu estado normal, mas, possui ainda algumas propriedades da matéria.

 16. O Espírito é um ser limitado e circunscrito, ao qual falta ser visível e palpável para assemelhar-se às criaturas humanas.

 17. Como os demais fluídos rarefeitos, tal qual a eletricidade, o Espírito, constituído de uma substância sutil e dirigido pela vontade, é uma força motriz que age sobre a matéria.

 18.O Espírito encarnado age sobre a matéria do seu corpo dirigindo-lhe os movimentos corporais.

 19. Como o mudo serve-se de uma pessoa que fala para fazer-se compreender, assim o Espírito desencarnado serve-se de outro corpo, em acordo com o Espírito nele encarnado, para manifestar o seu pensamento.

  20. Partindo-se do princípio da existência da alma e sua sobrevivência após a morte, considera-se que o ser pensante durante a vida terrena continua pensando após a morte; Pensa naqueles que amou e deseja se comunicar com eles; Está por toda parte e ao nosso lado, comunicando-se conosco.

 21. O Espírito age sobre a matéria inerte por intermédio de seu corpo fluídico, assim como age sobre a matéria de um ser vivo, inclusive, dirigindo-lhe a mão para fazê-lo escrever, além de lhes responder questões pela transmissão do pensamento.

 Fonte:
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. (Primeira Parte, Noções Preliminares, Capítulo I - Existem Espíritos?).  LAKE: São Paulo, 2013.

- ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO- CAP. IX – PARTE 73

INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO - - I PENETRAÇÃO DO NOSSO PENSAMENTO PELOS ESPÍRITOS - - (Questões: 456 a 458) - ...