ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO - PARTE 76




CAP. IX – INTERVENÇÃO DOS

 ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO –

– IV CONVULSIONÁRIOS –


(Questões: 481 a 483) –



Após nossas considerações sobre incorporação em conformidade com o Livro dos Espíritos e com o Livro dos Médiuns, onde, segundo as palavras de Allan Kardec, o primeiro contém TODA a Doutrina Espírita e o segundo, seu complemento, contém a parte prática onde foi desenvolvida a Ciência, é importante esclarecer: conforme o Codificador, o Espiritismo como ciência estuda as relações que se podem estabelecer entre os Espíritos e como filosofia as consequências morais destas relações.

Portanto, ao tecermos considerações sobre a Doutrina Espírita, estamos balizando nosso raciocínio sobre as afirmações feitas pelo próprio Mestre de Lyon, sempre tendo em mente todas as instruções feitas pelo Espírito Erasto.

Hoje vamos observar o item destinado aos Convulsionários. Recordamos que este termo se refere àquele que tem ou simula convulsões, mas, também foi termo usado para designar os fanáticos franceses jansenistas do começo do séc. XVIII, aos quais a exaltação religiosa causava convulsões.

Conforme o Livro dos Espíritos os indivíduos chamados convulsionários produzem fenômenos, os quais os Espíritos desempenham papel muito importante, à semelhança do mesmo papel que desempenham no magnetismo, primeira fonte de tais fenômenos.

A informação importante que os Espíritos Codificadores revelam é que tais fenômenos sofrem a participação de Espíritos POUCO ELEVADOS, pois, os superiores não perdem tempo com essas coisas. Conclui-se que tais fenômenos são pouco elevados como o são os Espíritos.

Questão relevante para o período que atravessamos é a de número 482, a qual trata do chamado efeito simpático. Talvez poderíamos chamá-lo de “efeito manada”. No caso dos convulsionários e dos nervosos trata-se de sua súbita expansão a toda uma população.

Este fato acontece em razão de que os indivíduos em crise estão numa espécie de estado sonambúlico desperto, provocado pela influência que exercem uns sobre os outros. Eles são ao mesmo tempo, magnetizadores e magnetizados, SEM O SABER.

São numerosos os exemplos de comunicação entre os indivíduos, que ocorrem em razão de simpatia entre os mesmos. Na atualidade ocorre o mesmo. Espíritos simpáticos, encarnados e desencarnados, comunicam reciprocamente os pensamentos e agem da mesma forma, pois, estão sintonizados na mesma freqüência vibratória. É assim que condutas praticadas por Espíritos inferiores produzem os escândalos em situações semelhantes e em sequência. São efeitos simpáticos.

Finalmente, a insensibilidade física. Para alguns é um efeito magnético sobre o sistema nervoso como ocorre quando são ministradas no organismo certas substâncias. Noutros se trata da exaltação do pensamento que enfraquece ou retira a sensibilidade do corpo, caso em que o Espírito que está fortemente preocupado com uma coisa e o corpo não sente, não ouve e não vê.

Em o Livro dos Médiuns encontram-se informações sobre convulsionários, assim como na própria Revista Espírita.

Até nosso próprio encontro!

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO - PARTE 75



CAPÍTULO IX – INTERVENÇÃO

DOS ESPÍRITOS NO MUNDO 

CORPÓREO –

– III POSSESSOS –


(Questões: 473 a 480)


Hoje trataremos de uma delicada questão que permeia a prática espírita. É comum ouvir que o médium está incorporado. Em que pese o sentido que queira se atribuir a esta expressão, é necessário apresentar alguns esclarecimentos, conforme o ensinamento dos Espíritos Codificadores.

A expressão incorporar, tendo em vista a origem latina do vocábulo, pode induzir a pensar conforme sua significação, ou seja: in é expressão latina que significa em e corpore que significa corpo. Em português, incorporar significa dar ou tomar corpo; revestir-se de uma forma material; integrar-se um elemento a um conjunto; inserir-se; juntar-se; introduzir-se.

Pois bem, resta saber se a Codificação Espírita apresenta uma possibilidade conforme os significados acima. E é nesse sentido que Allan Kardec irá questionar os Espíritos:

“Pode um Espírito momentaneamente revestir-se do invólucro de uma pessoa viva, quer dizer, introduzir-se num corpo animado e agir em substituição ao Espírito que nele se encontra encarnado?

Vemos que várias expressões que são sinônimas de incorporar estão presentes nesta questão (473 do LE). A resposta dos Espíritos é a seguinte:

“O Espírito não entra num corpo como entra numa casa; ele se assimila a um Espírito encarnado que tem os seus mesmos defeitos e as suas mesmas qualidades, para agir conjuntamente; mas é sempre o Espírito encarnado que age como quer sobre a matéria de que está revestido. Um Espírito não pode substituir-se ao que se acha encarnado, porque o Espírito e o corpo estão ligados até o tempo marcado para o termo da existência material.”

Portanto, não há possessão, isto é, coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo. A alma poderá se encontrar na dependência de outro Espírito e se ver subjugada ou obsedada. Nestes casos, a VONTADE do subjugado está de alguma forma PARALISADA. A dominação, todavia, não ocorre por acaso, mas, em razão da participação do que sofre, seja por sua fraqueza ou por seu desejo. O possesso sempre poderá afastar os maus Espíritos e se livrar da dominação quando tiver vontade firme de se libertar.

Os Espíritos ensinam que epiléticos e loucos carecem de tratamento médico, pois, não são possessos.

Intercessão de terceiros para fazer cessar uma subjugação só é possível quando este é um “homem de bem”, que possua coração puro. Somente assim é possível afastar os Espíritos imperfeitos e atrair os bons Espíritos. Esse concurso é necessário quando o subjugado tem prazer na dependência do mau Espírito, que satisfaz seus gostos e desejos.

Nenhuma fórmula de exorcismo tem qualquer eficácia sobre os maus Espíritos. Os que levam essas fórmulas a sério são motivos de riso, bem como da obstinação dos maus Espíritos na possessão. Por outro lado, os que sofrem com Espíritos obsessores, mas, que são animados de boas intenções, podem se livrar destes por simples ações:
    a) Não dar atenção às sugestões dos maus Espíritos;
    b) Mostrar-lhes que perdem seu tempo;
   c) Usar a prece conjuntamente com todas as ações necessárias para afastar os maus Espíritos.

Nos Evangelhos encontramos expressões que retratam a “expulsão de demônios”. Segundo os Espíritos Superiores é necessário refletir no sentido que se emprega a tal expressão. Assim, depende da interpretação. Um mau Espírito que subjuga um indivíduo e tem sua influência destruída, pode se afirmar que ele foi verdadeiramente expulso. Uma doença, caso seja atribuída a um demônio, quando for curada, dir-se-á que o mau Espírito foi expulso. A verdade ou a falsidade de cada coisa que se diz relaciona-se com o sentido que se dá à palavra. A alegoria não é realidade. Muitas verdades parecem absurdas quando se olha a forma e não o fundo.

E você ainda pensa que há INCORPORAÇÃO?

Estas foram nossas considerações de hoje.
Até o próximo encontro.

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– II INFLUÊNCIA OCULTA

 DOS ESPÍRITOS SOBRE

OS NOSSOS PENSAMENTOS

E AS NOSSAS AÇÕES – (Q-459 a 472) –


De ordinário são os Espíritos que nos dirigem!


Conhecida expressão no meio espírita, é uma resposta sobre a influência dos Espíritos em nossos pensamentos e ações. Há em cada ser uma luta: são os pensamentos contraditórios. Uns oriundos de nós mesmos, outros emanados dos espíritos. São duas ideias que se combatem.

Pensamentos sugeridos são como uma voz que fala em nosso interior. Os pensamentos próprios são os que ocorrem no primeiro impulso. Para a tomada de decisão não é necessário de quem partiu o pensamento. É muito mais útil agir sempre se decidindo pelo bem. Do contrário, escolhendo o mau, aumenta a responsabilidade.

A melhor baliza é agir sempre pelo bem, tendo em vista que a velha crença de que o primeiro impulso é sempre bom supera-se com o conhecimento espírita. Os pensamentos de cada espírito, encarnado ou não, segue seu grau evolutivo (a natureza do espírito encarnado: se bom ou mau).

Sugestões maléficas provêm de espíritos inferiores. Espíritos bons não aconselham senão o bem. Os Espíritos inferiores induzem ao mal em razão de fazer e ver os outros sofrerem, tendo, nesses casos, inveja daqueles seres mais felizes. Mas, é sempre bom lembrar que os sofrimentos experimentados são os que decorrem da própria ordem inferior a que o espírito em sofrimento pertence, bem como por seu distanciamento do Criador.

A verdade é que NÃO É DEUS que permite que os Espíritos sejam influenciados por outros. Isto decorre do grau de inferioridade a que o espírito pertence. A evolução espiritual acontece por meio de experiências por que passam os espíritos, a fim de que progridam na ciência do infinito.

O conhecimento do mal ocorre quando o espírito descobre que existem outras soluções no bem. Passa, então, a possuir a opção entre seguir um ou outro caminho. Até então, não passam de experiências. Quando o Espírito passa a ter vontade de praticar o mal atrai os Espíritos inferiores que vêm em seu auxílio para sua prática. É o que se chama de SINTONIA e PREFERÊNCIA. Como a influência dos Espíritos é permanente, da mesma forma que há os que induzem na prática do mal, há, também, aqueles que buscam influenciar para a prática do bem, a fim de que a balança fique equilibrada. CABE AO ESPÍRITO ENCARNADO DECIDIR QUAL CONSELHO SEGUIRÁ.

Para se afastar dos Espíritos que induzem ao mal é o bastante mudar o pensamento e o sentimento, pois, os Espíritos Inferiores desencarnados são atraídos em razão da sintonia e preferência do Espírito Inferior encarnado. Com a modificação da sintonia os Espíritos maus são afastados, mas, ficam observando até que surja oportunidade de retornarem. A forma de neutralizá-los será praticar o bem e colocar toda a confiança em Deus.

Em contato com os Espíritos é necessário desconfiar daqueles que excitam as más paixões, exaltando o orgulho, pois, suas ações são voltadas para atacar as fraquezas humanas. São as chamadas tentações que induzem à prática do mal.

Não há Espíritos que tenham recebido missão de fazer o mal. Os Espíritos se reúnem em “famílias”, “grupos”, “graus”, “ordens”, que refletem semelhantes pensamentos e sentimentos. Por isto, todo mau espírito é atraído pela vontade, sintonia e preferência.

Após nossos contatos com os Espíritos após o sono é possível experimentar, na maioria das vezes, sentimentos diversos, tais como angústia, ansiedade ou satisfação, dentre outros, que não decorrem tão somente por disposições físicas.

É importante que o Espírito encarnado descubra quais são os desejos próprios, suas paixões, e suas ambições, pois, além das circunstâncias que os Espíritos Inferiores aproveitam, também provocam a ocorrência destas circunstâncias. Seu método é usar o objeto da ambição daquele que está sendo atacado. Este, por sua vez, será influenciado por Espíritos Bons. Nesse caso, possuirá escolha entre o bem e o mal caminho.

E então, você já sabia sobre a influência dos Espíritos sobre nossas ações? Realmente, são eles que nos dirigem mesmo. Cabe a cada um de nós afastarmos as más influências por meio da modificação da sintonia e da preferência que acontece quando o pensamento e o sentimento é voltado para o bem e sua prática.

Abraços, e até o próximo tema!

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INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO -

- I PENETRAÇÃO DO NOSSO PENSAMENTO PELOS ESPÍRITOS -

- (Questões: 456 a 458) -

Estamos sozinhos ou rodeados por Espíritos?

No estudo de hoje vamos verificar que possuímos uma relação íntima com os Espíritos, mesmo sem que tenhamos a real noção de como isso acontece. Será que é possível ocultar nossos pensamentos mais secretos ou dissimulá-los para os Espíritos?

Pois bem!
Para aqueles que acreditam que estamos sozinhos e que não há vida após a morte, ou, que há vida após a morte, mas, que após sua ocorrência os Espíritos não mais se preocupam com os laços terrenos, não temos uma notícia boa.

Conforme ensina O Livro dos Espíritos, estamos INCESSANTEMENTE rodeados por Espíritos. Conforme os laços terrenos que mantiveram, suas ideias e suas preocupações, os Espíritos podem várias coisas para as quais somente devem dirigir suas atenções. Portanto, MUITOS PENSAMENTOS que acreditamos estarem ocultos no mais profundo de nosso ser, são PLENAMENTE CONHECIDOS pelos que já não possuem um veículo físico.

Infelizmente para muitos encarnados, NENHUM PENSAMENTO OU ATO PODEM SER DISSIMULADOS PARA OS ESPÍRITOS. Mesmo aquele que se julga escondido e longe do alcance de pessoas, tem ao seu redor uma multidão de espíritos, observando atentamente, desde que digam respeito a coisas que a eles interessam.

De um lado, aqueles Espíritos inferiores que são levianos riem das pequenas intervenções maldosas que provocam no mundo corpóreo dos encarnados e zombam das impaciências demonstradas no cotidiano. De outro, os Espíritos sérios lamentam as trabalhadas praticadas e buscam ajudar e socorrer no que for necessário e possível.

Desta forma, aprendemos no item I, questões 456 a 458 de O Livro dos Espíritos que NOSSO PENSAMENTO É INVADIDO PELOS ESPÍRITOS, portanto, nada fica oculto. No próximo estudo vamos estudar a INFLUÊNCIA OCULTA DOS ESPÍRITOS SOBRE NOSSAS AÇÕES E PENSAMENTOS.

Até lá.

O CORPO, O ESPIRITISMO E AS DOENÇAS!

 


Olá amigos e amigas, bem vindos,

Hoje, quando acordei, fiz uma oração de agradecimento e fiquei pensando nessa dádiva: o meu corpo. Me lembrei da célebre afirmação: "mente sã, corpo são". Agradeci a saúde e a possibilidade de mais um dia.


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Me recordei da força do pensamento e o quanto ainda o desconhecemos e, por isto, não temos controle das suas possibilidades criadoras. Veio à mente de inopino, um texto do Espírito Irmão X, pela psicografia de Chico Xavier, em Cartas e Crônicas, onde, no Capítulo 4, fala sobre o Treino para a Morte. O nosso Amigo conta que o tormento número 1, partindo do seu ponto de vista, é o CEMITÉRIO QUE TRAZEMOS NA BARRIGA.

Mas, nesta bela comunicação, esse grande espírito também se reporta a outras questões como o abuso do fumo, das bebidas, dos narcóticos e do sexo, entre outros. É fascinante notar como as comunicações dos Espíritos Emmanuel, André Luiz e Humberto de Campos (Irmão X), além de outros, encaixam-se umas às outras, mas, com nuances característicos. Enquanto André Luiz se reporta ao aspecto científico, Humberto de Campos se refere ao aspecto sociológico, sendo que Emmanuel se encarrega do aspecto religioso e filosófico. Cada um por sua vez enfrenta temas diversos com bastante segurança e tranquilidade.

Por isso, não tive como não refletir sobre os Capítulos 34 de 35 da Obra Conduta Espírita ditada por André Luiz ao médium Waldo Vieira em que trata dos mesmos assuntos referidos acima por Irmão X, cujo ditado foi a Chico Xavier. Médiuns e espíritos diferentes, mas, o mesmo tema, mesma preocupação e mesma profundidade (Controle Universal das Comunicações Espíritas?).

Sem dúvida, o corpo é a primeira e a mais importante dádiva que o encarnado recebe de Deus para sua jornada terrena. Perante o Corpo, título do capítulo 34, temos advertências do benfeitor espiritual para o cuidado com a higiene pessoal, cuidado com tóxicos, narcóticos, alcoólicos e drogas de quaisquer natureza, porque são maneiras de praticar suicídio voluntário e lento.

Conhecer os limites do organismo físico e conter os abusos de suas energias inclusive a sexual, que é bênção divina para renovação do corpo e da alma, também é uma maneira de cultivar o respeito ao corpo e ao espírito.

Os alimentos, ah! os alimentos, aqui também André Luiz não deixa por menos, aconselha evitar comer em excesso, ingerir condimentos e excitantes sistematicamente, incluindo, também a pressa que temos para nos alimentar acompanhada pela ausência de serenidade. Não se pode esquecer, ainda, que outra forma peculiar de suicídio voluntário é a ingestão de alimentos em excesso.

O ar livre, a água pura, o sol e até a vestimenta com decência e limpeza são maneiras de nutrir o corpo e a alma, a fim de garantir equilíbrio e bem estar. Alguém poderá dizer que há fanatismo ou fundamentalismo quando o conselho se refere à vestimenta. Todavia, como pensamento é força criadora e vivemos, ainda, em meio a seres primitivos, vários degraus evolutivos se encontrando para experiências diversas, cautela com as próprias ações é, sem dúvida, um bom conselho. Mas, o livro desse benfeitor espiritual inicia com sua declaração que ele respeita o livre arbítrio de todos e que a obra constitui-se em lembretes e não "voz de comando".

Ao final desse capítulo 34, André Luiz nos recorda que "na Terra, cada Espírito recebe o corpo de que precisa", portanto, desprezá-lo, por mais torturado que seja, é rebeldia infundada. Quanto às doenças, o nosso proceder inicia-se com a recordação de que são provas necessárias para o ser. O capítulo 35 nos convida à confiança, à fé, à resignação, o bom senso e à razão.

Para toda cura, o medicamento exige dosagem certa.

O pensamento é uma força que tanto elabora quanto extingue muitos distúrbios orgânicos e psíquicos.

A intensidade do sofrimento varia conforme a confiança em Deus.

A medicina humana é composta por missionários e obreiros que não devem ser preteridos por médicos desencarnados.

A doença pertinaz é mecanismo de purificação da alma e, assim como a intensidade da febre é medida pelo termômetro, a da fé é medida pela enfermidade. Em ambos os casos, seja na plena saúde do vaso físico quanto na enfermidade do mesmo, as nossas atitudes devem voltar-se ao Criador.

Então é isso. Essa foi a reflexão que iniciou o nosso dia. Deixo para vocês as remissões do Evangelho feitas pelo amigo querido André Luiz:

"Glorificar, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus". (Paulo - I Coríntios, 6:20).

"Vinte a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Jesus - Mateus, 11:28).

Fontes bibliográficas:
XAVIER, Francisco Cândido. Cartas e Cronicas. Ditada por Irmão X (FEB Editora). 
VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita. Ditada por André Luiz (FEB Editora).

PRÁTICAS ESTRANHAS


Olá pessoal,

É possível que você já tenha ouvido: "as religiões são caminhos diferentes que levam ao mesmo Deus". O fundo filosófico dessa afirmativa não só está correto, como está em acordo com o que nos ensina o Livro dos Espíritos.

Somos todos regidos pela Lei do Progresso, portanto, tendo todos o mesmo ponto de partida, isto é, a criação como Espíritos simples e ignorantes, tendemos a um mesmo fim: a perfeição. Como ensina o Codificador do Espiritismo Allan Kardec: os seres criados para exercerem a função de administradores da obra da criação são perfectíveis. 

Contudo, termos ciência dessas verdades não nos permite concordar com a enxertia de práticas estranhas à simplicidade que vige na base da Doutrina Espírita. Sendo todas as religiões boas e respeitáveis, não é lícito que situações e personalidades sejam indebitamente lisonjeadas pela suposta capacidade de beneficiar as construções do Espiritismo.

Quem defende a enxertia de práticas estranhas e a lisonja a situações e personalidades age em desacordo com as próprias decisões que toma nas questões mais comezinhas da lógica da vida. Como ensina o benfeitor Emmanuel "não existem caminhos que não sejam viáveis e todos podem conduzir a determinado ponto do mundo. Contudo, somente os viajores irresponsáveis escolherão perlustrar atalhos perigosos e desfiladeiros obscuros, espinheiros e charcos, no dédalo de aventuras marginais, ao longo da estrada justa".

Traduzindo, Emmanuel diz que é irresponsabilidade escolher o caminho escuro, sem pavimento, perigoso e incerto quando temos uma via iluminada, pavimentada, segura, cujo destino é conhecido. Ou, que entre a água de fonte pura e cristalina você não escolherá aquela salobra de fonte duvidosa.

Quanto a questões que envolvem princípios espíritas, lembremo-nos que a Terra é a um só tempo: escola, hospital e penitenciária. Identificar quem é quem no processo reencarnatório, se não é impossível, ainda não foi desvelada outra fórmula que não seja a falível dedução pelo raciocínio humano.

A ordem se mantém pela vigilância. Em O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, Capítulo XXIII, item 239, ensinam os Espíritos: "Já dissemos que muito mais graves são as consequências da fascinação. Efetivamente, graças à ilusão que dela decorre, o Espírito conduz o indivíduo de quem ele chegou a apoderar-se, como faria com um cego, e pode levá-lo a aceitar as doutrinas mais estranhas, as teorias mais falsas, como se fossem a única expressão da verdade. Ainda mais, pode levá-lo a situações ridículas, comprometedoras e até perigosas".

Conforme o pesquisador e escritor espírita Paulo Henrique de Figueiredo, encontramos o Magnetismo, considerado a ciência coirmã do Espiritismo, segundo afirma o próprio Allan Kardec: "O Espiritismo liga-se ao Magnetismo por laços íntimos (essas duas ciências são solidárias uma com a outra [...] Os Espíritos sempre preconizaram o Magnetismo, seja como meio curativo, seja como causa primeira de uma multidão de coisas; eles defendem sua causa e vêm prestar-lhe apoio contra seus inimigos" (RE, 1858, pg. 188).

Ainda que louváveis os objetivos que levaram o grupo espírita a se desviar da simplicidade dos princípios espíritas, ficamos com a orientação de Emmanuel:

"Reflitamos nisso e compreenderemos que assegurar a simplicidade dos princípios espíritas nas casas doutrinárias, para que as suas atividades atinjam a meta da libertação espiritual da Humanidade, não é fanatismo e nem rigorismo de espécie alguma. [...]. Em Doutrina Espírita [...] não podemos aceitar tudo e nem abraçar tudo, a fim de podermos estar certos".

E você já teve alguma experiência com Casas "Espíritas" que não seguem a Codificação e promovem um verdadeiro sincretismo?

Fonte bibliográfica:
  • KARDEC, Allan. Livro dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. (PDF-FEB)
  • FIGUEIREDO. Paulo Henrique de. Revolução Espírita - a teoria esquecida de Allan Kardec. São Paulo - SP: MAAT, 2016.
  • XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Opinião Espírita. Ditado pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. Capítulo 25. Práticas Estranhas. Catanduva-SP: Boa Nova Editora, 2009.

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – PARTE 72



 EMANCIPAÇÃO DA ALMA –

 – VII DUPLA VISTA – 
(Questões: 447 a 454-a)

É possível que o indivíduo, quando acordado, também experimente que seu espírito fique liberto do corpo, de modo a ver, ouvir e sentir além dos limites dos sentidos comuns (visão, audição, tato, olfato e gustação). Esse fenômeno é chamado de dupla vista.
 
Os indivíduos percebem as coisas até onde o perispírito puder estender a sua ação. Allan Kardec, explicando esse fenômeno, esclarece que pela vista ordinária é como se fosse uma espécie de miragem. Modifica-se o estado físico e os olhos ficam como que vagos, do tipo “olhando sem ver”. A fisionomia demonstra uma espécie de exaltação.

Os órgãos da visão podem estar abertos ou fechados que a dupla vista (visão a imagem à distância) persiste. Para os que possuem essa faculdade se afigura natural como a visão comum o é. Tanto que a consideram como um atributo normal. Após essa lucidez passageira segue-se o esquecimento até que a lembrança desapareça por completo, como ocorre com os sonhos.

Não é uma faculdade que se apresenta da mesma maneira nos indivíduos. Há sempre a influência moral do ser. Pode ocorrer como uma sensação confusa até à percepção clara e nítida das coisas presentes ou ausentes.

A dupla vista possui diferentes graus. Em estado rudimentar dá a algumas pessoas perspicácia e segurança nos seus atos e mais desenvolvida desperta pressentimentos. No estágio mais avançado poderá mostrar acontecimentos do passado ou em vias de acontecer.


É importante ter em mente que:


    a) Sonambulismo natural e artificial, o êxtase e a dupla vista, são variedades ou modificações de uma mesma causa (a emancipação da alma);

    b) Assim como os sonhos, são fenômenos naturais e existiram de todos os tempos, desde a mais alta Antiguidade;

  c) Neles se encontram uma infinidade de fatos que os preconceitos fizeram passa por sobrenaturais.


Allan Kardec, na Obra A Gênese (original de 1868), no Capítulo XV, Os Milagres do Evangelho, no item 5, reporta o fenômeno da DUPLA VISTA que ocorreu com a entrada de Jesus em Jerusalém, o beijo de Judas, a pesca miraculosa, a vocação de Pedro, André, Jacó Tiago, João e Mateus, em que afirma o seguinte:


“Esses fatos nada têm de surpreendente quando se conhece o poder da dupla vista, e a causa muito natural dessa faculdade. Jesus a possuía ao supremo grau e pode-se dizer que ela era seu estado norma, o que atestam um grande número de atos de sua vida e o que explica, atualmente, os fenômenos magnéticos e o Espiritismo”.


Afirma o Codificador que muitas passagens do Evangelho atestam o fenômeno quando é dito:

“Mas Jesus, conhecendo seus pensamentos, lhe diz...”. E arremata: “como podia ele conhecer esses pensamentos se não fosse pela irradiação fluídica que os transmitia, assim como pela visão espiritual que lhe permitia ler o foro íntimo dos indivíduos?”.


Desta forma, hoje, possuindo o conhecimento acerca dos fenômenos da dupla vista, bem como da própria faculdade que possuem alguns indivíduos de verificarem em si mesmos a emancipação da alma, em vigília ou dormindo, é importante meditar acerca da afirmação do Mestre lionês:


“[...] quando se crê que um pensamento está profundamente sepultado no recôndito da alma, não suspeitamos levar conosco um espelho que o reflete, um revelador na própria irradiação fluídica que está impregnada dele. Se víssemos o mecanismo do mundo invisível que nos rodeia, as ramificações desses fios condutores do pensamento, que vinculam todos os seres inteligentes, corporais e incorpóreos, os eflúvios fluídicos carregados das impressões do mundo moral, que atravessam o espaço como correntes de ar, ficaríamos menos surpresos diante de certos efeitos que a ignorância atribui ao acaso”. (A Gênese, Livro Segundo, Cap. XV, Os Milagres do Evangelho).


Sobre o pensamento remetemos o leitor à Obra Pensamento e Vida, ditada por Emmanuel a Francisco Cândido Xavier, edição da Federação Espírita Brasileira.


Fontes:

KARDEC, Allan. A Gênese (Original, 1868).

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.

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