ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – PARTE 82


– CAP. IX – INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO

– XI – DOS PACTOS

– (Questões: 549 a 550) –


Paira em torno do Espiritismo uma pecha de sobrenatural. É bem verdade que aquele que não o estudou com seriedade dá asas a tal ideia. Notadamente, algo muito concreto e evidente na pesquisa de Allan Kardec é que nada há de sobrenatural no Espiritismo. A relação que se estabelece com os Espíritos de seres humanos que já morreram pertence ao campo das Leis Naturais. É natural comunicar-se com Espíritos.

Portanto, o modo em que se concebeu a ideia dos pactos, como algo entre forças demoníacas, não prospera na Doutrina Espírita, cujos ensinos repousam sobre a lógica e a razão. Vale lembrar a afirmativa feita pelo Codificador: fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade (folha de rosto do Evangelho Segundo o Espiritismo).

Os Espíritos Superiores, no entanto, explicam como ocorre o cometimento de ações más por aqueles que o desejam. Quem busca atormentar alguém chama Espíritos inferiores com os quais se sintoniza para servi-lo na empreitada (pensamento). Do mesmo modo, tais Espíritos esperam o concurso em contrapartida (um ajuste tácito).

Tal situação decorre da Lei de Atração. O desejo de alguém de cometer o mal atrai o auxílio de Espíritos inferiores que querem cometer o mal, mas precisam do encarnado para atingir o objetivo. Desta maneira é possível compreender o denominado “pacto”. Como explica Kardec: “O pacto, no sentido comum atribuído a essa palavra, é uma alegoria que figura uma natureza má simpatizando com Espíritos malfazejos”.

Quanto às estórias sobre “venda da alma a Satanás” em troca de favores, há mais um ensino no sentido moral do que verdade tomada ao pé da letra. Quem busca obter favores de Espíritos para fins puramente materiais e sem propósito no bem está se rebelando contra as Leis Divinas e sofrerá as consequências disso na vida futura. Contudo, não há condenação perpétua ao sofrimento. Após resgatar suas faltas o Espírito prossegue na jornada evolutiva.

Portanto, não existem pactos demoníacos, mas em razão do fato de que alguns se ligam à matéria e aos gozos terrenos, os quais não existem no mundo dos Espíritos, estabelece-se uma dependência entre encarnados e Espíritos impuros no regime de reciprocidade. Esse pacto tácito, que acontece em razão das simpatias, afinidades, semelhanças de gostos e paixões, é que conduz à perdição. Mas, sempre é possível romper esse laço com o auxílio dos Bons Espíritos. É necessário para o rompimento desse ajuste (ou ligação entre Espíritos inferiores) uma vontade firme. Desejo genuíno de renovação no bem.

Estude e Viva.

“Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade”. (Evangelho Segundo o Espiritismo).

HAROLDO DUTRA DIAS - HOMENAGEM A ALLAN KARDEC NO SENADO FEDERAL'

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– X – OS ESPÍRITOS DURANTE COMBATES


– (Questões: 541 a 548) –


Na questão 459 do LE aprendemos que os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e sobre as nossas ações. É neste sentido que devemos compreender as disposições trazidas pelo codificador a respeito desta influência durante combates.

Não se pode esquecer que o Livro dos Espíritos constitui um sistema onde não se pode apreender as informações isoladamente. Por exemplo, na questão 260 aprendemos que semelhante atrai semelhante. Da mesma forma, na questão 484, vimos que os bons Espíritos simpatizam com homens de bem ou os suscetíveis de se melhorar e os Espíritos inferiores com os homens viciosos ou que se podem viciar-se. Daí o seu apego, resultante da semelhante de sensações.

Desta maneira é possível compreender o ensino dos Espíritos quando esclarecem que há Espíritos que assistem e amparam cada uma das forças em luta estimulando sua coragem (541). Todavia, não há que se confundir numa guerra a questão da justiça e o partido que tomam Espíritos a favor do lado errado. Como mencionado, há Espíritos que somente buscam discórdia, destruição e injustiça (a justiça pouco importa).

A participação dos Espíritos nas guerras inclui a influência sobre os comandantes na concepção dos planos de campanha e em todas as outras. Contudo, os encarnados possuem o seu livre-arbítrio e o raciocínio para distinguir uma decisão acertada de outra errada, sofrendo as consequências desta ou daquela decisão.

Os Espíritos dos combatentes que morrem em combate podem continuar se interessando pela guerra ou não. Todavia, após a morte o Espírito jamais se mostra calmo, podendo, inclusive, continuar a odiar e perseguir os inimigos. Somente quando as ideias se acalmam é que vê que a animosidade não tem mais razão de ser. Tudo ocorre conforme o seu caráter.

O Espírito que desencarna apenas perde a ligação com o corpo que se manifesta no plano físico. Portanto, ainda continua ouvindo perfeitamente a batalha.

Algo importante salientar é que os Espíritos que morrem em confronto, na maioria das vezes, não têm consciência da morte no mesmo instante. Somente quando começa a retomar a consciência é que se verifica o início do seu desenlace. Essa separação, o desprendimento lhe parece natural e não produz efeito desagradável.

Concluímos que, em qualquer ocasião, para encarnados e desencarnados, semelhante atrai semelhante, sendo que os bons sintonizam-se com os bons e os maus com os maus.

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – PARTE 80



CAP. IX – INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO –

IX – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE OS FENÔMENOS DA NATUREZA

– (Questões: 536 a 540) –

Segundo o ensinamento dos Espíritos não há acaso. Nada acontece sem a permissão de Deus. Isto quer dizer que todos os grandes fenômenos da Natureza estão vinculados à imutabilidade das Leis Divinas. É assim que podemos compreender que o objetivo dos fenômenos naturais é, freqüentemente, RESTABELECER O EQUILÍBRIO DAS FORÇAS FÍSICAS DA NATUREZA.

Nesse contexto evidencia-se que os Espíritos exercem influência sobre os elementos para agitá-los, acalmar ou dirigir. Portanto, o controle de tudo é a Vontade Divina, mas, Deus não atua por ação direta. Em todos os graus de escala dos mundos possui seus agentes.

Na obra O Consolador, ditada por Emmanuel a Francisco C. Xavier, na questão de número 3, o benfeitor Espiritual esclarece que os prepostos de Jesus espalham-se por todos os setores do trabalho humano e, em todos os tempos, cooperam com o homem no seu esforço de aperfeiçoamento;

Apesar de estar longe da verdade, há fundamento na Mitologia dos antigos sobre os “deuses” (Espíritos) estarem encarregados dos ventos, raios, vegetação, etc. Tais Espíritos não habitam precisamente a Terra. Todavia, tempo chegará e será lícito compreendermos melhor a explicação desses fenômenos.

Estando distribuídos entre os diversos graus da evolução espiritual, os Espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza são seres que foram encarnados ou ainda o serão. Esse grau evolutivo relaciona-se com o papel a ser exercido. Se mais ou menos material ou inteligente. Os Espíritos que executam as coisas materiais são sempre de uma ordem inferior (entre os Espíritos como entre os encarnados). Alguns atuam com conhecimento de causa e outros não. Alguns agem em razão de seu livre-arbítrio e outros por impulso instintivo e irrefletido.

O fenômeno da tempestade, por exemplo, tem na sua produção a participação de massas inumeráveis de Espíritos. A atuação de cada ser possui um objetivo providencial para a harmonia geral da Criação. Os Espíritos mais atrasados são úteis ao conjunto.

No encadeamento das coisas os Espíritos mais atrasados, enquanto agem ensaiando para a vida, antes de terem plena consciência de seus atos e de seu livre arbítrio, agem sobre certos fenômenos na condição de agentes sem o saberem. Quando desenvolvem a inteligência comandam e dirigem as coisas do mundo material. Evoluindo, mais tarde, poderão dirigir as coisas do mundo moral.

É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo. Admirável LEI DE HARMONIA, de que NOSSO ESPÍRITO LIMITADO NÃO PODE ABRANGER O CONJUNTO.

Da Obra “A Caminho da Luz”, ditada por Emmanuel a Francisco C. Xavier, gostaríamos de citar a introdução do Capítulo 1 que trata da Comunidade de Espíritos Puros que dirigem o nosso Sistema Solar:
“Rezam as tradições do mundo espiritual que n direção de todos os fenômenos do nosso sistema, existe uma comunidade de Espíritos puros e eleitos pelo Senhor supremo do universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias”.

O Planeta Terra, em seus primeiros dias, é exemplo da atuação dos Espíritos nos fenômenos da Natureza, uma vez que na obra mencionada indaga Emmanuel:
“Que força sobre-humana pôde manter o equilíbrio da nebulosa terrestre, destacada do núcleo central do sistema, conferindo-lhe um conjunto de leis matemáticas, dentro das quais se iam manifestar todos os fenômenos inteligentes e harmônicos de sua vida, por milênios e milênios?”

Sobre esse grande laboratório planetário diz o benfeitor:
“Laboratório de matérias ignescentes, o conflito das forças telúricas e das energias físico-químicas opera as grandiosas construções do teatro da vida, no imenso cadinho onde a temperatura se eleva, por vezes, a 2000 graus de calo, como se a matéria colocada num forno, incandescente, estivesse sendo submetida aos mais diversos ensaios, para examinar-se a sua qualidade e possibilidades na edificação da nova escola dos seres. As descargas elétricas, em proporções jamais vistas da humanidade, despertam estranhas comoções no grande organismo planetário, cuja formação se processa nas oficinas do Infinito”.

Ao final desse capítulo, na mesma obra, Emmanuel fala sobre o Divino Escultor – o Verbo na criação terrestre:
“[...] com suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopo de sua Misericórdia sobre o bloco de matéria informe, que a sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas. [...] Com os seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples de matéria, cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda a parte no universo galáxico. [...] Fez a pressão atmosférica adequada ao homem, antecipando-se ao seu nascimento no mundo, no curso dos milênios; estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera onde se harmonizam os fenômenos elétricos da existência planetária, e edificou as usinas de ozone a 40 e 60 quilômetros de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares, manipulando-lhes a composição precisa à manutenção da vida organizada do orbe. Definiu todas as linhas de progresso da humanidade futuro, engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das atividades planetárias”.

Vê-se, deste modo, que existem Leis e que não há um controle místico ou extraordinário de fenômenos naturais. Todos obedecem à harmonia das Leis Divinas. O equilíbrio respeita leis matemáticas dentro das quais se manifestam os fenômenos inteligentes e harmônicos da vida. Portanto, TODOS NA CRIAÇÃO SÃO UTEIS AO CONJUNTO (LE – Q-540).

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – PARTE 82

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