ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO - PARTE 78


CAPÍTULO IX – INTERVENÇÃO 

DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO

– VI – ANJOS DA GUARDA, 

ESPÍRITOS PROTETORES, FAMILIARES

OU SIMPÁTICOS – (Q-489 a 521) –


GLOSSÁRIO

MAU ESPÍRITO: é um espírito imperfeito ou perverso que se liga ao individuo com o fim de desviá-lo do caminho do bem. Age pelo seu próprio impulso e não em virtude de uma missão. Sua vinculação ocorre em razão do acesso mais fácil que encontra. O indivíduo é livre para ouvi-lo ou repeli-lo.

ESPÍRITO FAMILIAR: o Espírito familiar é antes de tudo o amigo da casa.

ESPÍRITOS SIMPÁTICOS: são os que atraímos a nós por afeições particulares e uma certa semelhança de gostos e de sentimentos, tanto no bem como no mal. A duração de suas relações é quase sempre subordinada às circunstâncias.

BOM ESPÍRITO (bom gênio ou irmão espiritual): são Espíritos que se ligam a um indivíduo em particular, para protegê-lo.

ANJO DA GUARDA: Espírito protetor de ordem elevada, cuja missão é conduzir o seu protegido pelo bom caminho, ajudá-lo com os seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições e sustentar sua coragem nas provas da vida. 

ESPÍRITO PROTETOR
Ligado ao indivíduo desde o seu nascimento até sua morte, o Espírito protetor geralmente segue-o, após a desencarnação, na vida espírita. Sendo as existências corpóreas não mais que fases bem curtas da vida do Espírito é comum que o Espírito protetor siga seu tutelado através de numerosas experiências reencarnatórias.

Aquele que aceitou a tarefa de proteger um indivíduo é obrigado a velar pelo mesmo. Todavia, pode escolher os seres que lhe são simpáticos para esse mister. De modo que para alguns é um prazer realizar a tarefa, para outros uma missão ou dever.

Ao se ligar a uma pessoa o Espírito não renuncia a proteger outros indivíduos, mas o faz de maneira mais geral. Isso não quer dizer que está fatalmente ligado ao ser confiado à sua guarda, sendo necessário cumprir outras missões, será substituído por outros na tarefa.

Os pensamentos do indivíduo são conhecidos intimamente pelos Espíritos protetores. Como são seus conselheiros, acontece de se afastarem quando seus conselhos não são ouvidos. Todavia, o indivíduo não é completamente abandonado, pois, o Espírito protetor sempre se faz ouvir. É o ser, portanto, quem os afasta, pois preferem submeter-se à influência dos Espíritos inferiores, vez que fecha os ouvidos aos Espíritos protetores.

Por outro lado, é possível estabelecer contato com eles tão intimamente como o fazem os melhores amigos. Em cada ação ou pensamento, ao afastar os preconceitos e as segundas intenções, o indivíduo sofrerá a influência benévola do seu protetor, independente da distância em que estiver do mesmo.

Os Espíritos que exercem essa tarefa possuem faculdades que não podem ainda ser compreendidas, além de conservarem sua ligação com seus tutelados. Certa doutrina conhecida os denominou “anjos da guarda”.

O CONSOLADOR – anjos e eleitos
Emmanuel, na questão 277,  teceu esclarecimentos sobre os chamados “anjos” e os “eleitos”. Disse o benfeitor espiritual que:
“[...] a palavra “anjo” deve designar  somente as entidades que já se elevaram ao plano superior; plenamente redimidas, onde são “escolhidos” na tarefa sagrada d’Aquele cujas palavras não passarão. O “eleito”, porém, é aquele que se elevou para Deus em linha reta, sem as quedas que nos são comuns, sendo justo  afirmar que o  orbe terrestre só  viu  um eleito, que é Jesus Cristo. A compreensão do  homem, todavia, em se tratando de angelitude, generalizou  a definição, estendendo­-a a todas as almas virtuosas e boas, nos bastidores da sua literatura, o que se justifica, entendendo­-se que a palavra “anjo” significa “mensageiro”.

VEÍCULO DE TRANSMISSÃO DO PENSAMENTO
Não há nada de espantoso no contato e na comunicação, bem como a salutar influência desses Espíritos protetores sobre os indivíduos pelos quais velam. Para exercício de suas tarefas eles usam, como ensina Kardec, o fluído universal que liga todos os mundos e os torna solidários. Esse fluído é o veículo de transmissão do pensamento, assim como o ar é o veículo de transmissão do som.

A ação dos Espíritos protetores é oculta e não ocorrem de maneira ostensiva. Vale dizer: o protegido não sabe quando a assistência está ocorrendo. O Objetivo é que o indivíduo aja por si mesmo para adiantar-se. O progresso ocorre pela aquisição de experiência.

SENTIMENTOS
A relação entre Espíritos protetores e protegidos é intensa. Os primeiros sentem-se felizes quando os últimos estão no bom caminho ou CHORAM QUANDO OS SEUS CONSELHOS SÃO DESPREZADOS. São expressões dos sentimentos de ESPÍRITOS SUPERIORES DE ORDEM ELEVADA.

O Espírito protetor felicita-se com o sucesso de seu protegido, mas, não é responsabilizado em caso contrário, uma vez que fez o que dele dependia. O protegido que segue um mau caminho faz sofrer o seu protetor. Este lamenta. Mas, sua aflição não é um sentimento conforme o que sente o encarnado em evolução. O Espírito superior sabe que há remédio para o mal (O TEMPO: o que hoje não se fez amanhã se fará).

RELAÇÃO ENTRE OS ESPÍRITOS (protetores e tutelados) 
Nem todos os Espíritos protetores são conhecidos de seus tutelados. Para sua evocação pouco importa o nome. Qualquer pedido feito, mesmo em nome de algum outro Espírito pelo qual se sinta simpatia ou afeição, será atendido pelo Espírito protetor. Os bons Espíritos são irmãos e se assistem mutuamente.

Os Espíritos que comparecem usando nomes comuns, conhecidos, são, por vezes, Espíritos simpáticos daquele cujo nome lança mão e, muitas vezes, é em nome deles que vêm ao encontro do protegido. Sabendo que os encarnados “precisam” de nomes, então usam nomes. Na vida Espírita será possível reconhecer o Espírito protetor. Em muitos casos estes já são conhecidos antes da encarnação.

ASSISTÊNCIA E PROTEÇÃO
A proteção supõe certo grau de elevação, aquisição de virtudes e poder maior concedido por Deus. Um pai que protege um filho (espíritos da classe média) pode ser assistido por um Espírito mais elevado. Para ser Espírito protetor é necessário ocupar uma posição evolutiva que permita sempre inteira liberdade de ação.

O progresso de um Espírito familiar segue o do Espírito protegido. Assim, é possível sempre que um Espírito possa assistir outro que lhe é inferior. Os progressos adquiridos favorecem a ambos. Os Espíritos encarnados nos mundos onde a existência é material estão impossibilitados de devotar-se inteiramente a outro o assistindo pessoalmente. Assim, caso estivesse assistindo a um Espírito e depois venha a encarna-se, será imediatamente substituído por outro.

Há circunstâncias que a ação do Espírito protetor não é necessária junto ao protegido. Chega, também, um momento em que o protegido torna-se capaz de guiar-se sozinho. MAS, ESTA ÚLTIMA SITUAÇÃO NÃO ACONTECE NA TERRA.

SINTONIA E PREFERÊNCIA
Na senda que conduz a Deus é o livre-arbítrio quem atrai a responsabilidade, pois a Lei é de ação e reação, de causa e consequência. O Espírito não retrograda. De modo que O BOM ESPÍRITO JAMAIS FARÁ O MAL. Outros até podem lhes tomar o lugar e causar o mal ao indivíduo. Todavia, isso somente ocorrerá por culpa desse último.

A fraqueza, o desleixo e o orgulho dão força aos maus Espíritos que se “apoderam” daqueles indivíduos que não lhes opõem resistência. Além dos Espíritos protetores, os maus Espíritos também buscam se vincular aos indivíduos. Não se trata de uma ligação, mas, de desejo de ser escutado. Seu objetivo é desviar o ser do bom caminho. Trava-se uma luta entre o bem e o mau, onde o vencedor será aquele a cujo domínio o indivíduo se entregar.

Os indivíduos estão propensos à assistência tanto dos bons espíritos quanto dos maus. Em geral, o que os vinculam são os interesses, a similitude de pensamentos e de sentimentos (no bem como no mal). A simpatia entre os Espíritos decorrem de seu caráter.

Entre os Espíritos protetores não existe quaisquer deles que busquem proteger o orgulho das raças. Os Espíritos evoluídos são desprovidos das paixões que conhecemos. Os maus Espíritos usam da fascinação para subjugarem outros Espíritos, podendo até unirem-se em grupos para a prática nefanda, e, neste caso, servem-se tanto de outros espíritos encarnados quanto desencarnados.

Os Espíritos reúnem-se conforme suas preferências. Semelhante atrai semelhante. São as tendências, o caráter que atrai ou afasta um Espírito. Espíritos imperfeitos se afastam dos que os repelem e disso resulta que o aperfeiçoamento moral individual ou coletivo tende a afastar os maus Espíritos e atrair os bons.

ESPÍRITOS PROTETORES DAS MASSAS, COSTUMES DE UM POVO E O CARÁTER DA POPULAÇÃO OCULTA
As sociedades, as cidades, as nações, possuem uma direção superior no plano espiritual. Neste caso, conforme o grau de adiantamento das massas como dos indivíduos será o grau de elevação do Espírito guia.

Entre os povos, as causas de atração dos Espíritos são os costumes, os hábitos, o caráter dominante, as leis, sobretudo porque o caráter da nação se reflete nas suas leis. Quando reina a justiça é que os seres estão combatendo a influência dos maus Espíritos.

Quando se consagra a injustiça os bons Espíritos se tornam minoria e os maus para afluem em massa para disseminar más influências, causa das dolorosas provações do porvir. Conforme se estuda o costume de um povo é possível fazer ideia da população oculta que se imiscui nos seus pensamentos e ações.


REFERÊNCIAS:

O LIVRO DOS ESPÍRITOS, LAKE, 2013. Trad. José Herculano Pires
O CONSOLADOR, FEB, 2013. Emmanuel / Chico Xavier

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO - PARTE 77

CAP. IX – INTERVENÇÃO DOS
ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO

V – AFEIÇÃO DOS ESPÍRITOS
POR CERTAS PESSOAS

(Questões: 484 a 488.a)

Tanto no plano material quanto no espiritual, os Espíritos se reúnem por afinidade. Trata-se do que em Espiritismo conhece-se pelo nome de SINTONIA E PREFERÊNCIA. Todo espírito, encarnado ou não, possui MEDIUNIDADE. Conforme define o Espírito Emmanuel (Mediunidade e Sintonia – prefácio) a "mediunidade é força mental, talento criativo da alma, capacidade de comunicação e de interpretação do espírito, imã no próprio ser", enfatizando que "sintonia é acordo mútuo".

Portanto, falar sobre “afeições dos Espíritos por certas pessoas” é o mesmo que atração entre espíritos que se sintonizam nas mesmas preferências. As entidades promovem verdadeiro “acordo mental” por gostarem das mesmas coisas. Então formam famílias ou bandos, dependendo da disposição mental. Emmanuel, parafraseando antigo provérbio, declara: “Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és” (obra citada).

Em O Livro dos Espíritos, na questão 484, aprendemos que os bons Espíritos simpatizam com os homens de bem ou passíveis de melhora e os Espíritos inferiores com os homens viciosos ou que podem se viciar. O apego mútuo resulta da semelhança de sensações.

Esses laços têm origens distintas:

    1.   Na afeição verdadeira que nada tem de carnal; ou
    2.  Não há afeição, mas, lembranças de paixões humanas.

Os Espíritos NÃO são indiferentes aos nossos infortúnios e prosperidade. Conforme a questão 486, além de fazer todo bem possível para seus afeiçoados, os bons Espíritos ficam felizes com as alegrias de seus tutelados, mas, se afligem quando, nas dores, rejeitamos as provas (que são como remédios para nossas imperfeições).

É importante saber que os Espíritos possuem um ponto de vista mais justo de todos os problemas que afligem seus tutelados. Todavia, se ocupam dos males morais. O egoísmo e o coração endurecido é a origem de todos os males que os Espíritos (encarnados e desencarnados) enfrentam. O orgulho e a ambição criam males imaginários.

As tribulações da vida corporal, assim como esta, são transitórias. Sua função é conduzir o Espírito a um estado melhor.  Existem problemas que afetam somente as ideias mundanas e outros cujas causas são morais e que distanciam do estado melhor (progresso). Enquanto os bons Espíritos se ocupam em reerguer a coragem de seus tutelados, os inferiores procuram lhes incitar o desespero.

Conforme o grau evolutivo em que se encontram, os parentes e amigos já desencarnados protegem aqueles que deixaram na Terra. São sensíveis às suas aflições, mas, esquecem aqueles os esquecem.

Verifica-se, enfim, que a questão gira em torno das escolhas, das preferências. Assim, trazemos para sua reflexão a mensagem do benfeitor espiritual Emmanuel na obra “Mediunidade e Sintonia”, cujo título é “Examina o Teu Desejo”, onde ensina:

“Cada pessoa é instrumento vivo dessa ou daquela realização, segundo o tipo de luta a que se subordina. ‘Acharás o que buscas’ – ensina o Evangelho, e podemos acrescentar – ‘farás o que desejas’. [...] Observa o próprio rumo para que não te surjam problemas de companhia. Desce à animalidade e encontrarás extensa multidão daqueles que te acompanham com propósitos escuros na retaguarda. Eleva-te no aperfeiçoamento próprio e caminharás de espírito bafejado pelo concurso daqueles pioneiros da evolução que te precederam na jornada de luz, guiando-te as aspirações para as vitórias da alma. Examina os teus desejos e vigia os próprios pensamentos, porque onde situares o coração aí a vida te aguardará com as asas do bem ou com as algemas do mal”.

E, para terminar, citamos o item 227 do Capítulo XX de O Livro dos Médiuns que traz curiosa e importante afirmação:

“[...] Ora, os bons têm afinidade com os bons e os maus com os maus [...].

Leia o texto, estude as questões, deixe seu comentário e contribua para nosso progresso mútuo.

Até nosso próprio encontro!

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO - PARTE 76




CAP. IX – INTERVENÇÃO DOS

 ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO –

– IV CONVULSIONÁRIOS –


(Questões: 481 a 483) –



Após nossas considerações sobre incorporação em conformidade com o Livro dos Espíritos e com o Livro dos Médiuns, onde, segundo as palavras de Allan Kardec, o primeiro contém TODA a Doutrina Espírita e o segundo, seu complemento, contém a parte prática onde foi desenvolvida a Ciência, é importante esclarecer: conforme o Codificador, o Espiritismo como ciência estuda as relações que se podem estabelecer entre os Espíritos e como filosofia as consequências morais destas relações.

Portanto, ao tecermos considerações sobre a Doutrina Espírita, estamos balizando nosso raciocínio sobre as afirmações feitas pelo próprio Mestre de Lyon, sempre tendo em mente todas as instruções feitas pelo Espírito Erasto.

Hoje vamos observar o item destinado aos Convulsionários. Recordamos que este termo se refere àquele que tem ou simula convulsões, mas, também foi termo usado para designar os fanáticos franceses jansenistas do começo do séc. XVIII, aos quais a exaltação religiosa causava convulsões.

Conforme o Livro dos Espíritos os indivíduos chamados convulsionários produzem fenômenos, os quais os Espíritos desempenham papel muito importante, à semelhança do mesmo papel que desempenham no magnetismo, primeira fonte de tais fenômenos.

A informação importante que os Espíritos Codificadores revelam é que tais fenômenos sofrem a participação de Espíritos POUCO ELEVADOS, pois, os superiores não perdem tempo com essas coisas. Conclui-se que tais fenômenos são pouco elevados como o são os Espíritos.

Questão relevante para o período que atravessamos é a de número 482, a qual trata do chamado efeito simpático. Talvez poderíamos chamá-lo de “efeito manada”. No caso dos convulsionários e dos nervosos trata-se de sua súbita expansão a toda uma população.

Este fato acontece em razão de que os indivíduos em crise estão numa espécie de estado sonambúlico desperto, provocado pela influência que exercem uns sobre os outros. Eles são ao mesmo tempo, magnetizadores e magnetizados, SEM O SABER.

São numerosos os exemplos de comunicação entre os indivíduos, que ocorrem em razão de simpatia entre os mesmos. Na atualidade ocorre o mesmo. Espíritos simpáticos, encarnados e desencarnados, comunicam reciprocamente os pensamentos e agem da mesma forma, pois, estão sintonizados na mesma freqüência vibratória. É assim que condutas praticadas por Espíritos inferiores produzem os escândalos em situações semelhantes e em sequência. São efeitos simpáticos.

Finalmente, a insensibilidade física. Para alguns é um efeito magnético sobre o sistema nervoso como ocorre quando são ministradas no organismo certas substâncias. Noutros se trata da exaltação do pensamento que enfraquece ou retira a sensibilidade do corpo, caso em que o Espírito que está fortemente preocupado com uma coisa e o corpo não sente, não ouve e não vê.

Em o Livro dos Médiuns encontram-se informações sobre convulsionários, assim como na própria Revista Espírita.

Até nosso próprio encontro!

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO - PARTE 75



CAPÍTULO IX – INTERVENÇÃO

DOS ESPÍRITOS NO MUNDO 

CORPÓREO –

– III POSSESSOS –


(Questões: 473 a 480)


Hoje trataremos de uma delicada questão que permeia a prática espírita. É comum ouvir que o médium está incorporado. Em que pese o sentido que queira se atribuir a esta expressão, é necessário apresentar alguns esclarecimentos, conforme o ensinamento dos Espíritos Codificadores.

A expressão incorporar, tendo em vista a origem latina do vocábulo, pode induzir a pensar conforme sua significação, ou seja: in é expressão latina que significa em e corpore que significa corpo. Em português, incorporar significa dar ou tomar corpo; revestir-se de uma forma material; integrar-se um elemento a um conjunto; inserir-se; juntar-se; introduzir-se.

Pois bem, resta saber se a Codificação Espírita apresenta uma possibilidade conforme os significados acima. E é nesse sentido que Allan Kardec irá questionar os Espíritos:

“Pode um Espírito momentaneamente revestir-se do invólucro de uma pessoa viva, quer dizer, introduzir-se num corpo animado e agir em substituição ao Espírito que nele se encontra encarnado?

Vemos que várias expressões que são sinônimas de incorporar estão presentes nesta questão (473 do LE). A resposta dos Espíritos é a seguinte:

“O Espírito não entra num corpo como entra numa casa; ele se assimila a um Espírito encarnado que tem os seus mesmos defeitos e as suas mesmas qualidades, para agir conjuntamente; mas é sempre o Espírito encarnado que age como quer sobre a matéria de que está revestido. Um Espírito não pode substituir-se ao que se acha encarnado, porque o Espírito e o corpo estão ligados até o tempo marcado para o termo da existência material.”

Portanto, não há possessão, isto é, coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo. A alma poderá se encontrar na dependência de outro Espírito e se ver subjugada ou obsedada. Nestes casos, a VONTADE do subjugado está de alguma forma PARALISADA. A dominação, todavia, não ocorre por acaso, mas, em razão da participação do que sofre, seja por sua fraqueza ou por seu desejo. O possesso sempre poderá afastar os maus Espíritos e se livrar da dominação quando tiver vontade firme de se libertar.

Os Espíritos ensinam que epiléticos e loucos carecem de tratamento médico, pois, não são possessos.

Intercessão de terceiros para fazer cessar uma subjugação só é possível quando este é um “homem de bem”, que possua coração puro. Somente assim é possível afastar os Espíritos imperfeitos e atrair os bons Espíritos. Esse concurso é necessário quando o subjugado tem prazer na dependência do mau Espírito, que satisfaz seus gostos e desejos.

Nenhuma fórmula de exorcismo tem qualquer eficácia sobre os maus Espíritos. Os que levam essas fórmulas a sério são motivos de riso, bem como da obstinação dos maus Espíritos na possessão. Por outro lado, os que sofrem com Espíritos obsessores, mas, que são animados de boas intenções, podem se livrar destes por simples ações:
    a) Não dar atenção às sugestões dos maus Espíritos;
    b) Mostrar-lhes que perdem seu tempo;
   c) Usar a prece conjuntamente com todas as ações necessárias para afastar os maus Espíritos.

Nos Evangelhos encontramos expressões que retratam a “expulsão de demônios”. Segundo os Espíritos Superiores é necessário refletir no sentido que se emprega a tal expressão. Assim, depende da interpretação. Um mau Espírito que subjuga um indivíduo e tem sua influência destruída, pode se afirmar que ele foi verdadeiramente expulso. Uma doença, caso seja atribuída a um demônio, quando for curada, dir-se-á que o mau Espírito foi expulso. A verdade ou a falsidade de cada coisa que se diz relaciona-se com o sentido que se dá à palavra. A alegoria não é realidade. Muitas verdades parecem absurdas quando se olha a forma e não o fundo.

E você ainda pensa que há INCORPORAÇÃO?

Estas foram nossas considerações de hoje.
Até o próximo encontro.

- ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO - PARTE 74


– II INFLUÊNCIA OCULTA

 DOS ESPÍRITOS SOBRE

OS NOSSOS PENSAMENTOS

E AS NOSSAS AÇÕES – (Q-459 a 472) –


De ordinário são os Espíritos que nos dirigem!


Conhecida expressão no meio espírita, é uma resposta sobre a influência dos Espíritos em nossos pensamentos e ações. Há em cada ser uma luta: são os pensamentos contraditórios. Uns oriundos de nós mesmos, outros emanados dos espíritos. São duas ideias que se combatem.

Pensamentos sugeridos são como uma voz que fala em nosso interior. Os pensamentos próprios são os que ocorrem no primeiro impulso. Para a tomada de decisão não é necessário de quem partiu o pensamento. É muito mais útil agir sempre se decidindo pelo bem. Do contrário, escolhendo o mau, aumenta a responsabilidade.

A melhor baliza é agir sempre pelo bem, tendo em vista que a velha crença de que o primeiro impulso é sempre bom supera-se com o conhecimento espírita. Os pensamentos de cada espírito, encarnado ou não, segue seu grau evolutivo (a natureza do espírito encarnado: se bom ou mau).

Sugestões maléficas provêm de espíritos inferiores. Espíritos bons não aconselham senão o bem. Os Espíritos inferiores induzem ao mal em razão de fazer e ver os outros sofrerem, tendo, nesses casos, inveja daqueles seres mais felizes. Mas, é sempre bom lembrar que os sofrimentos experimentados são os que decorrem da própria ordem inferior a que o espírito em sofrimento pertence, bem como por seu distanciamento do Criador.

A verdade é que NÃO É DEUS que permite que os Espíritos sejam influenciados por outros. Isto decorre do grau de inferioridade a que o espírito pertence. A evolução espiritual acontece por meio de experiências por que passam os espíritos, a fim de que progridam na ciência do infinito.

O conhecimento do mal ocorre quando o espírito descobre que existem outras soluções no bem. Passa, então, a possuir a opção entre seguir um ou outro caminho. Até então, não passam de experiências. Quando o Espírito passa a ter vontade de praticar o mal atrai os Espíritos inferiores que vêm em seu auxílio para sua prática. É o que se chama de SINTONIA e PREFERÊNCIA. Como a influência dos Espíritos é permanente, da mesma forma que há os que induzem na prática do mal, há, também, aqueles que buscam influenciar para a prática do bem, a fim de que a balança fique equilibrada. CABE AO ESPÍRITO ENCARNADO DECIDIR QUAL CONSELHO SEGUIRÁ.

Para se afastar dos Espíritos que induzem ao mal é o bastante mudar o pensamento e o sentimento, pois, os Espíritos Inferiores desencarnados são atraídos em razão da sintonia e preferência do Espírito Inferior encarnado. Com a modificação da sintonia os Espíritos maus são afastados, mas, ficam observando até que surja oportunidade de retornarem. A forma de neutralizá-los será praticar o bem e colocar toda a confiança em Deus.

Em contato com os Espíritos é necessário desconfiar daqueles que excitam as más paixões, exaltando o orgulho, pois, suas ações são voltadas para atacar as fraquezas humanas. São as chamadas tentações que induzem à prática do mal.

Não há Espíritos que tenham recebido missão de fazer o mal. Os Espíritos se reúnem em “famílias”, “grupos”, “graus”, “ordens”, que refletem semelhantes pensamentos e sentimentos. Por isto, todo mau espírito é atraído pela vontade, sintonia e preferência.

Após nossos contatos com os Espíritos após o sono é possível experimentar, na maioria das vezes, sentimentos diversos, tais como angústia, ansiedade ou satisfação, dentre outros, que não decorrem tão somente por disposições físicas.

É importante que o Espírito encarnado descubra quais são os desejos próprios, suas paixões, e suas ambições, pois, além das circunstâncias que os Espíritos Inferiores aproveitam, também provocam a ocorrência destas circunstâncias. Seu método é usar o objeto da ambição daquele que está sendo atacado. Este, por sua vez, será influenciado por Espíritos Bons. Nesse caso, possuirá escolha entre o bem e o mal caminho.

E então, você já sabia sobre a influência dos Espíritos sobre nossas ações? Realmente, são eles que nos dirigem mesmo. Cabe a cada um de nós afastarmos as más influências por meio da modificação da sintonia e da preferência que acontece quando o pensamento e o sentimento é voltado para o bem e sua prática.

Abraços, e até o próximo tema!

- ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO - PARTE 73



INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO -

- I PENETRAÇÃO DO NOSSO PENSAMENTO PELOS ESPÍRITOS -

- (Questões: 456 a 458) -

Estamos sozinhos ou rodeados por Espíritos?

No estudo de hoje vamos verificar que possuímos uma relação íntima com os Espíritos, mesmo sem que tenhamos a real noção de como isso acontece. Será que é possível ocultar nossos pensamentos mais secretos ou dissimulá-los para os Espíritos?

Pois bem!
Para aqueles que acreditam que estamos sozinhos e que não há vida após a morte, ou, que há vida após a morte, mas, que após sua ocorrência os Espíritos não mais se preocupam com os laços terrenos, não temos uma notícia boa.

Conforme ensina O Livro dos Espíritos, estamos INCESSANTEMENTE rodeados por Espíritos. Conforme os laços terrenos que mantiveram, suas ideias e suas preocupações, os Espíritos podem várias coisas para as quais somente devem dirigir suas atenções. Portanto, MUITOS PENSAMENTOS que acreditamos estarem ocultos no mais profundo de nosso ser, são PLENAMENTE CONHECIDOS pelos que já não possuem um veículo físico.

Infelizmente para muitos encarnados, NENHUM PENSAMENTO OU ATO PODEM SER DISSIMULADOS PARA OS ESPÍRITOS. Mesmo aquele que se julga escondido e longe do alcance de pessoas, tem ao seu redor uma multidão de espíritos, observando atentamente, desde que digam respeito a coisas que a eles interessam.

De um lado, aqueles Espíritos inferiores que são levianos riem das pequenas intervenções maldosas que provocam no mundo corpóreo dos encarnados e zombam das impaciências demonstradas no cotidiano. De outro, os Espíritos sérios lamentam as trabalhadas praticadas e buscam ajudar e socorrer no que for necessário e possível.

Desta forma, aprendemos no item I, questões 456 a 458 de O Livro dos Espíritos que NOSSO PENSAMENTO É INVADIDO PELOS ESPÍRITOS, portanto, nada fica oculto. No próximo estudo vamos estudar a INFLUÊNCIA OCULTA DOS ESPÍRITOS SOBRE NOSSAS AÇÕES E PENSAMENTOS.

Até lá.

O CORPO, O ESPIRITISMO E AS DOENÇAS!

 


Olá amigos e amigas, bem vindos,

Hoje, quando acordei, fiz uma oração de agradecimento e fiquei pensando nessa dádiva: o meu corpo. Me lembrei da célebre afirmação: "mente sã, corpo são". Agradeci a saúde e a possibilidade de mais um dia.


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Me recordei da força do pensamento e o quanto ainda o desconhecemos e, por isto, não temos controle das suas possibilidades criadoras. Veio à mente de inopino, um texto do Espírito Irmão X, pela psicografia de Chico Xavier, em Cartas e Crônicas, onde, no Capítulo 4, fala sobre o Treino para a Morte. O nosso Amigo conta que o tormento número 1, partindo do seu ponto de vista, é o CEMITÉRIO QUE TRAZEMOS NA BARRIGA.

Mas, nesta bela comunicação, esse grande espírito também se reporta a outras questões como o abuso do fumo, das bebidas, dos narcóticos e do sexo, entre outros. É fascinante notar como as comunicações dos Espíritos Emmanuel, André Luiz e Humberto de Campos (Irmão X), além de outros, encaixam-se umas às outras, mas, com nuances característicos. Enquanto André Luiz se reporta ao aspecto científico, Humberto de Campos se refere ao aspecto sociológico, sendo que Emmanuel se encarrega do aspecto religioso e filosófico. Cada um por sua vez enfrenta temas diversos com bastante segurança e tranquilidade.

Por isso, não tive como não refletir sobre os Capítulos 34 de 35 da Obra Conduta Espírita ditada por André Luiz ao médium Waldo Vieira em que trata dos mesmos assuntos referidos acima por Irmão X, cujo ditado foi a Chico Xavier. Médiuns e espíritos diferentes, mas, o mesmo tema, mesma preocupação e mesma profundidade (Controle Universal das Comunicações Espíritas?).

Sem dúvida, o corpo é a primeira e a mais importante dádiva que o encarnado recebe de Deus para sua jornada terrena. Perante o Corpo, título do capítulo 34, temos advertências do benfeitor espiritual para o cuidado com a higiene pessoal, cuidado com tóxicos, narcóticos, alcoólicos e drogas de quaisquer natureza, porque são maneiras de praticar suicídio voluntário e lento.

Conhecer os limites do organismo físico e conter os abusos de suas energias inclusive a sexual, que é bênção divina para renovação do corpo e da alma, também é uma maneira de cultivar o respeito ao corpo e ao espírito.

Os alimentos, ah! os alimentos, aqui também André Luiz não deixa por menos, aconselha evitar comer em excesso, ingerir condimentos e excitantes sistematicamente, incluindo, também a pressa que temos para nos alimentar acompanhada pela ausência de serenidade. Não se pode esquecer, ainda, que outra forma peculiar de suicídio voluntário é a ingestão de alimentos em excesso.

O ar livre, a água pura, o sol e até a vestimenta com decência e limpeza são maneiras de nutrir o corpo e a alma, a fim de garantir equilíbrio e bem estar. Alguém poderá dizer que há fanatismo ou fundamentalismo quando o conselho se refere à vestimenta. Todavia, como pensamento é força criadora e vivemos, ainda, em meio a seres primitivos, vários degraus evolutivos se encontrando para experiências diversas, cautela com as próprias ações é, sem dúvida, um bom conselho. Mas, o livro desse benfeitor espiritual inicia com sua declaração que ele respeita o livre arbítrio de todos e que a obra constitui-se em lembretes e não "voz de comando".

Ao final desse capítulo 34, André Luiz nos recorda que "na Terra, cada Espírito recebe o corpo de que precisa", portanto, desprezá-lo, por mais torturado que seja, é rebeldia infundada. Quanto às doenças, o nosso proceder inicia-se com a recordação de que são provas necessárias para o ser. O capítulo 35 nos convida à confiança, à fé, à resignação, o bom senso e à razão.

Para toda cura, o medicamento exige dosagem certa.

O pensamento é uma força que tanto elabora quanto extingue muitos distúrbios orgânicos e psíquicos.

A intensidade do sofrimento varia conforme a confiança em Deus.

A medicina humana é composta por missionários e obreiros que não devem ser preteridos por médicos desencarnados.

A doença pertinaz é mecanismo de purificação da alma e, assim como a intensidade da febre é medida pelo termômetro, a da fé é medida pela enfermidade. Em ambos os casos, seja na plena saúde do vaso físico quanto na enfermidade do mesmo, as nossas atitudes devem voltar-se ao Criador.

Então é isso. Essa foi a reflexão que iniciou o nosso dia. Deixo para vocês as remissões do Evangelho feitas pelo amigo querido André Luiz:

"Glorificar, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus". (Paulo - I Coríntios, 6:20).

"Vinte a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Jesus - Mateus, 11:28).

Fontes bibliográficas:
XAVIER, Francisco Cândido. Cartas e Cronicas. Ditada por Irmão X (FEB Editora). 
VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita. Ditada por André Luiz (FEB Editora).

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO - PARTE 78

CAPÍTULO IX – INTERVENÇÃO  DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO – VI – ANJOS DA GUARDA,  ESPÍRITOS PROTETORES, FAMILIARES OU ...