IDEOLOGIA DE GÊNERO




Convite à reflexão!





Tratando-se de uma expressão usada para defender a ideia de que os gêneros são construções sociais, valendo dizer: NÃO EXISTE HOMEM E NÃO EXISTE MULHER e nem há gênero "masculino" ou "feminino", os defensores destas ideias afirmam: HÁ UM ESPECTRO QUE PODE SER LIVREMENTE ESCOLHIDO PELO INDIVÍDUO.

Fundados na hipótese que os seres humanos nascem iguais, Masculino e Feminino é produto histórico-cultural, IMPOSTOS PELA SOCIEDADE por força do CONTRATO SOCIAL, um pacto, trato ou contrato, intangível. Numa palavra: se é costume pode e “deve” ser modificado.

Vejamos a sua opinião:

- Como você interpreta a palavra gênero?
- Tem-na como sinônimo do sexo atribuído ao ser?
- Pensa no órgão sexual do indivíduo?
- E, mais, quando você fala sobre gênero pensa como a criança nasceu, isto é, se com pênis é masculino, se com vagina é feminino?

É importante saber que a ideologia de gênero defende a identidade de gênero, isto é, nascer com esse ou aquele órgão sexual não identifica o ser, de imediato, como mulher ou como homem. Essa identidade será definida do modo como o indivíduo se reconhecer: homem, mulher, ambos ou nenhum dos gêneros. Resumindo: o que determinará a identidade de gênero é o modo visto, sentido e percebido pelo próprio indivíduo e, finalmente, pela forma que o mesmo indivíduo pretenda ser reconhecido pelos outros.

Existe a defesa de que a identidade de gênero poderá ser medida em diferentes graus de masculinidade ou feminilidade, podendo mudar no decorrer da vida, isto é, NADA ESTÁ DEFINIDO DURANTE A VIDA, TUDO PODERÁ MUDAR, POIS É DE ACORDO COM O DESEJO DO INDIVÍDUO.

Desse modo, pensamos, a “ideologia de gênero” diz que gênero não existe. TUDO É PROJEÇÃO DO QUE A SOCIEDADE PRODUZIU COMO CULTURA E EXPECTATIVA TÍPICA DO COMPORTAMENTO DO INDIVÍDUO. Diz mais, QUE O COMPORTAMENTO TÍPICO, MASCULINO OU FEMININO, NÃO PRECISA ESTAR LIGADO AO SEXO, À FORMA FÍSICA, POIS TUDO É A MENTE.
Nesta doutrina confunde-se identidade de gênero e orientação sexual, pois fazem sua correlação. Todavia, é possível perceber que preferência sexual e gênero são coisas distintas. Cada indivíduo é resultado das próprias escolhas, em razão do LIVRE ARBÍTRIO.

Acreditamos tratar-se de uma correlação proposital de temas. É que a biologia ensina que o gênero é limitado. Desta forma, para combater a ciência, unem-se dois temas. De um lado, sendo a orientação sexual produto de uma escolha individual sujeita à mudança, os defensores da ideologia permitem-se afirmar que o gênero é ilimitado. É então que atacam as ciências biológicas.
Vamos indagar quais são nossas necessidades como humanidade terrestre refletindo se a ideologia de gênero funda-se no “amai-vos, uns aos outros, como Eu vos amei”?

Se a resposta é positiva, Jesus combateu os costumes sociais da época e não se comportava como um homem de seu tempo!

Todavia, parece-nos que a resposta é negativa, uma vez que a história mostra uma individualidade humana comportando-se como alguém que nasceu em família judaica, circuncidado, participante das festas judaicas, profundo conhecedor das sagradas escrituras, cujo propósito foi ensinar como incluir o próximo, respeitando seus limites e diferenças, sem modificar-se a si mesmo.

Jesus não se tornou publicano ou mesmo se prostituiu ao incluir todos esses em sua própria família (naquele tempo, comer e sentar à mesa, compartilhar alimento, indicava acolhimento de natureza familiar). Jesus não era preconceituoso, amou-nos e ama-nos a todos de modo igual sem praticar ou se comportar como nós. Vamos pensar sobre isso.

É preciso deixar de ser preconceituoso, promovendo uma sociedade justa e solidária que acolhe pessoas, seja quem for, como pensa ou se comporte. O pobre deve ser tratado bem como os ricos. Patrão e empregado devem ser indivíduos que se preocupam e se protegem mutuamente. Cor de pele não pode passar do limite em que há só uma pigmentação diferente. Ponto! Podemos eleger estas premissas como necessidades atuais da humanidade terrestre?
As preferências que digam respeito ao próprio indivíduo sem ferir o outro, devem ser totalmente respeitadas. Idoso e obeso merecem respeito. A moda não deve ditar regras de beleza, pois, isso mata pessoas.
É sério mesmo, a discussão é sobre algo que VISIVELMENTE, MORFOLOGICAMENTE, demonstra diferença? Não há nada proveitoso nisto! Por outro lado, suas preferências, suas ideias, e o que você faz da sua própria vida, isto sim, deve ser objeto de todo o meu profundo respeito. Não sinto suas dores e não estou debaixo de sua pele, por isso devo amá-lo como irmão. Por isso, caso você deseja ser corrupto, egoísta, vaidoso, arrogante, ladrão, assassino, pedófilo, entre outros vícios, devo estar de acordo com suas ideias?
Questionamos: somos iguais ou diferentes? Precisamos de igualdade ou de respeito? 

Precisamos aprender a olhar para outro com amor sentido do fundo da alma ou vamos IMPOR ideias? 

A expressão: ou pensa como eu ou lhe corto a cabeça; é uma atitude Cristã? Ou, lado outro, é se comportar como reacionário e radical? Qual o propósito disto? Com quem anelamos, com a luz ou com as trevas?
Falando tanto de gênero e sua significação, é bom lembrar que a ideologia significando uma ideia ou algo ideal, externando pensamentos, doutrinas e visões de mundo, teve seu conceito trabalhado por Karl Marx, o qual o ligou a sistemas teóricos que tratavam de política, moral e sociedade impostos pela classe dominante, cujo propósito seria manter os poderosos no controle da sociedade, pois detinham o patrimônio e o grande capital.
Analisando a obra desse pensador vemos que ele oferecia trocar uma ideologia por outra. Manteria-se o controle social. Somente o poder de controlar trocaria de mãos. Nos regimes comunistas que postularam seguir a ideologia de Karl Marx, os resultados foram despotismo, ditaduras, cujo  grupos dominantes usufruíam do produto que mais combateram: A CONCENTRAÇÃO DA RIQUEZA.
Se você descobrisse que o “idealizador” dessa “ideologia” tinha a “ideia” de atacar e destruir o núcleo familiar (que só poderia ser feito por meio da destruição moral) tinha esse objetivo, cuja regra principal era de que os fins justificam os meios, você continuaria defendendo-o?
Finalmente, esclarecemos que a cada pai e a cada mãe será tomada conta perante o Criador, que lhes confiou filhos para amar e educar. Desta maneira, lembramos que cada um é responsável pelos próprios atos, a partir do momento em que tem capacidade mental para assunção de tais responsabilidades.
Após esta argumentação desejaríamos que as obras abaixo mencionadas fossem consultadas pelos Espíritas, cujo propósito é verificar se ideologia de gênero pode mesmo ser defendida pelo Espiritismo. Citamos obras pouco estudadas pelo movimento espírita, uma delas é considerada densa em razão dos assuntos abordados e linguagem científica apresentada.
APARECIMENTO DO SEXO:
“[...] as primeiras sensações do sexo apareceram com algas marinhas providas não só de células masculinas e femininas que nadam, atraídas uma para as outras, mas também de um esboço de epiderme sensível, que podemos definir como região secundária de simpatias genésicas[1]” (pg. 41).
 “[...] Decorridas longas faixas de tempo, em que bactérias e células são experimentadas em reprodução assexuada, eis que determinado grupo apresenta no íntimo da própria constituição qualidades magnéticas positivas e negativas que lhe são desfechadas pelos orientadores espirituais encarregados do progresso devido ao planeta. Pressente a evolução animal em vésperas de nascer...[2]” (pg. 49).
Depreendemos que nossa morfologia foi criada para apresentar o masculino e feminino? Que na evolução experimentados qualidades positivas e negativas? Que esta evolução é controlada por Espíritos Superiores?
DIFERENCIAÇÃO DOS SEXOS:
 Como se iniciou a diferenciação dos sexos?Os princípios espirituais, nos primórdios da organização planetária, traziam, na constituição que lhes era própria, a condição que poderemos nomear por “teor de força”, expressando qualidades predominantes ativas ou passivas. E entendendo-se que a evolução é sempre sustentada pelas Inteligências Superiores, em movimentação ascendente, desde as primeiras horas da reprodução sexuada começou, sob a direção delas, a formação dos órgãos masculinos e femininos que culminaram morfologicamente nas províncias genésicas do homem e da mulher da atualidade. Não podemos esquecer, porém, que o trabalho evolutivo no aperfeiçoamento fisiológico das criaturas terrestres ainda não foi terminado, prosseguindo, como é natural, no espaço e no tempo. Quanto à perda dos característicos sexuais, estamos informados de que ocorrerá, espontaneamente, quando as almas humanas tiverem assimilado todas as experiências necessárias à própria sublimação, rumando, após milênios de burilamento, para a situação angélica, em que o indivíduo deterá todas as qualidades nobres inerentes à masculinidade e à feminilidade, refletindo em si, nos degraus avançados da perfeição, a glória divina do Criador[3]” (págs. 199/200).
Indagamos se foi detectado pelo leitor atento e sério que:
1.                       Ao sermos criados já expressávamos qualidades ativas ou passivas (tem um ou)?
2.                      A evolução é sempre sustentada por Inteligências Superiores, e, portanto, nossa inteligência inferior pode estar em sentido contrário?
3.                       Órgãos masculinos e femininos foram formados sob a direção das Inteligências Superiores?
4.                      O trabalho evolutivo neste ponto ainda não está terminado, e deve prosseguir no espaço e no tempo?
5.                      Perderemos características sexuais de homem e de mulher apenas quando nossa moral for a de um anjo?
6.                      Que se trata um processo de MILÊNIOS de melhora interior?
7.                      A masculinidade e a feminilidade possuem qualidades nobres que devemos dominar?
Quanto a esta última indagação feita sobre a referência às qualidades nobres acerca da masculinidade e à feminilidade, remetemos o leitor à questão 192 de O Livro dos Espíritos onde Allan Kardec indagou aos Espíritos sobre a manutenção de uma conduta perfeita para vencer numa vida todos os graus evolutivos, donde os Espíritos superiores responderam:
- Não, pois o que o homem julga perfeito está longe da perfeição; há qualidades que ele desconhece e nem pode compreender.
É saudável refletir sobre essa resposta acerca de nossos julgamentos, desconhecemos mais que conhecemos ou compreendemos. É importante ter cuidado com as ideologias que propagamos.
GESTAÇÃO E DETERMINAÇÃO DO SEXO – CONSEQUÊNCIAS IMPREVISÍVEIS NA ORGANIZAÇÃO MORAL DAS CRIATURAS
“- Como devemos encarar a possibilidade de a ciência humana patrocinar a determinação do sexo no início da gestação? – Compreendendo-se que nos vertebrados o desenho gonodal se reveste de potencialidades bissexuais no começo da formação, é claramente possível a intervenção da ciência terrestre na determinação do sexo na primeira fase da vida embrionária, contudo, importa considerar que semelhante ingerência na esfera dos destinos humanos traria consequências imprevisíveis à organização moral entre as criaturas, porque essa atuação indébita se verificaria apenas no campo morfológico, impondo talvez inversões desnecessárias e imprimindo graves complicações ao foro íntimo de quantos fossem submetidos a tais processos de experimentação, positivamente contrários à inteligência da vida que reflete a sabedoria de Deus[4]” (pg.213).
Fica claro que qualquer ingerência nos destinos humanos podem trazer consequências imprevisíveis à organização moral entre as criaturas? Estamos pensando na moral ou no desejo de relação em sexo livre? Isto é uma e a mesma coisa? Esse tema serve tanto para aborto como para ideologia de gênero, pois, ingerências na esfera dos destinos humanos trazem consequências imprevisíveis à organização moral das criaturas.
SEDE REAL DO SEXO E EXPRESSÃO
 “A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa. E o instinto sexual, por isso mesmo, traduzindo amor em expansão no tempo, vem das profundezas, para nós ainda inabordáveis, da vida, quando agrupamentos de mônadas celestes se reuniram magneticamente umas às outras para a obra multimilenária da evolução, ao modo de núcleos e elétrons na tessitura dos átomos, ou dos sóis e dos mundos nos sistemas macrocósmicos da Imensidade[5]” (pg. 144).
Percebe-se que ninguém foge do fato de que o sexo está na mente da entidade espiritual e não está na apresentação morfológica e que a atração entre seres ocorre por meio do magnetismo para que a obra da evolução prossiga.
- Mas, quem dita a regra?  Seria o indivíduo que sofrerá as consequências das Leis de Ação e Reação, Causa e Efeito?
“[...] O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime, não obstante reconhecermos que a maioria das consciências encarnadas permanece seguramente ajustada à sinergia mente-corpo, em marcha para mais vasta complexidade de conhecimento e emoção[6]” (pg. 145).
Atente para o que André Luiz adverte: as consciências encarnadas estão ajustas à sinergia mente-corpo, cujo propósito e caminhar na complexidade do conhecimento e da emoção. Sendo assim, deve-se conhecer que existem diferenças ou mentir que é tudo igual? Qual conhecimento obtenho quando a verdade é escondida e camuflada, quanto tempo perco?
“Compreendemos, pois, que o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual, e consequentemente no corpo físico, por santuário criativo de nosso amor perante a vida, e, em razão disso, ninguém escarnecerá dele, desarmonizando-lhe as forças, sem escarnecer de desarmonizar a si mesmo[7](pg. 149).
Acerca do respeito às pessoas e ao santuário representado pelo corpo físico, tratado por Jesus nas escrituras como Templo onde Deus habita em nós, recordamos, então, uma consulta formulada por Neves a Félix, ocorrida no plano espiritual, trazidas a nosso conhecimento em razão de obra mediúnica ditada pelo Espírito André Luiz, cuja íntegra reproduzimos abaixo:
“Tendo Neves formulado consulta sobre os homossexuais, Félix demonstrou que inúmeros Espíritos reencarnam em condições inversivas, seja no domínio de lides expiatórias ou em obediência a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por obediência a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam. Referiu ainda que homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, como são suscetíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação, aditando que a alma reencarna, nessa ou naquela circunstância, para melhorar e aperfeiçoar-se, e nunca sob a destinação do mal, o que nos constrange a reconhecer que os delitos, sejam quais sejam, em quaisquer posições correm por nossa conta. À vista disso, destacou que nos foros da Justiça divina, em todos os distritos da Espiritualidade superior, as personalidades humanas tachadas por anormais são consideradas tão carecentes de proteção quanto as outras que desfrutam a existência garantida pelas regalias da normalidade, segundo a opinião dos homens, observando-se que as faltas cometidas pelas pessoas de psiquismo julgado anormal são examinadas no mesmo critério aplicado às culpas das pessoas tidas por normais, notando-se, ainda, que, em muitos casos, os desatinos das pessoas supostas por normais são consideravelmente agravados, por menos justificáveis perante acomodações e primazias que usufruem, no clima estável da maioria[8]”. (pg. 280).
Sobre indagação de André Luiz acerca dos preceitos e preconceitos vigentes na Terra, Felix deu a seguinte resposta:
“[...] Os homens não podem efetivamente alterar, de chofre, as leis morais em que se regem, sob pena de precipitar a Humanidade na dissolução, entendendo-se que os Espíritos ainda ignorantes ou animalizados, por enquanto em maioria no seio de todas as nações terrestres, estão invariavelmente decididos a usurpar liberalidades prematuras para converter os valores sublimes do amor em criminalidade e devassidão. [...] No mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições normais quanto em condições julgadas anormais, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana, reparando-se as injustiças assacadas, há séculos, contra aqueles que renascem sofrendo particularidades anômalas, porquanto a perseguição e a crueldade com que são batidos pela sociedade humana lhes impedem ou dificultam a execução dos encargos que trazem à existência física, quando não fazem deles criaturas hipócritas, com necessidade de mentir incessantemente para viver, sob o Sol que a Bondade divina acendeu em benefício de todos[9]”. (pg. 281)
Em conclusão, esclarecendo que o propósito é levar o leitor à reflexão acerca da ideologia de gênero, da identidade de gênero, do espiritismo, da característica consoladora e acolhedora do espiritismo e das casas espíritas, bem como do instituto da família, pedimos ao Espírito Emmanuel que nos fale acerca dessa importante associação existente na Terra constituída por laços corporais, as quais são frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e se dissolvem moralmente, já na existência atual (item 8, cap. XIV, Evangelho Segundo o Espiritismo). Diz Emmanuel:

FAMÍLIA[10]

De todas as associações existentes na Terra – excetuando naturalmente a humanidade – nenhuma talvez mais importante em sua função educadora e regenerativa: a constituição da família [...] na qual dois seres se conjugam, atendendo ao vínculo do afeto, surge o lar, garantindo os alicerces da civilização. Por meio do casal aí estabelecido funciona o princípio da reencarnação, consoante as Leis divinas, possibilitando o trabalho executivo dos mais elevados programas de ação do mundo espiritual.
Por intermédio da paternidade e da maternidade, o homem e a mulher adquirem mais amplos créditos da vida superior. [...] É natural que as inteligências domiciliadas nas esferas superiores se consagrem a resguardar e guiar aqueles companheiros de experiência, volvidos à reencarnação para fins de progresso e burilamento. [...] A família terrestre é formada, assim de agentes diversos, porquanto nela se reencontram, comumente, afetos e desafetos, amigos e inimigos, pra os ajustes e reajustes indispensáveis ante as leis do destino.
[...] O clã familiar evolve incessantemente para mais amplos conceitos de vivência coletiva, sob os ditames do aperfeiçoamento geral, conquanto se erija sempre em educandário valioso da alma. Temos, dessa forma, no instituto doméstico uma organização de origem divina, em cujo seio encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação do mundo melhor.

Temos a obrigação de respeitar, incluir, afastar preconceitos, acolher, amparar, compartilhar, proteger, mas, acima de tudo, esclarecer, ensinar e educar. A Doutrina Espírita é acolhedora, consoladora e esclarecedora. Recebe, protege, mas, não compactua. O Espiritismo preconiza a Moral Cristã. Pensemos nisto!



[1] XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. Ditado por André Luiz. Brasília: FEB, 2013.
[2] XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. Ditado por André Luiz. Brasília: FEB, 2013.
[3] XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. Ditado por André Luiz. Brasília: FEB, 2013.
[4] XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. Ditado por André Luiz. Brasília: FEB, 2013.
[5] XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. Ditado por André Luiz. Brasília: FEB, 2013.
[6] XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. Ditado por André Luiz. Brasília: FEB, 2013.
[7] XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. Ditado por André Luiz. Brasília: FEB, 2013.
[8] XAVIER, Francisco Cândido. Sexo e Destino. Ditado por André Luiz. Brasília: FEB, 2013.
[9] XAVIER, Francisco Cândido. Sexo e Destino. Ditado por André Luiz. Brasília: FEB, 2013.
[10] XAVIER, Francisco Cândido. Vida e Sexo. Ditado por Emmanuel. Brasília: FEB, 2015 (capítulo 2).

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS LIVRO SEGUNDO – PARTE 50


MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO IV – IX – IDEIAS INATAS –CAPÍTULO V – PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS
 - (Questões: 218 a 222)
Pela memória podemos aferir o próprio valor. Segundo Emmanuel, a faculdade de recordar é o agente que nos premia ou nos pune ante os acertos e os desacertos da vida.[1] O grande (e verdadeiro) Tribunal, a cujo juízo somos submetidos depois da morte, é com certeza, o da consciência, erigido por meio do remorso e da aflição.

A memória imperecível é sempre o espelho que nos retrata o passado[2]. Mas, questionará você acerca do véu que nos encobre quando encarnados. Todavia, impõe reconhecer que sempre temos vagas lembranças ou ideias inatas. Tais ideias representam o conjunto de conhecimentos adquiridos em cada existência.

Dois pontos importantes precisam ser observados:
     a) Durante a encarnação a individualidade possui intuição dos conhecimentos anteriormente adquiridos que lhe constituem patrimônio imperecível;
    b) Quando liberto da matéria sempre recordará dos conhecimentos adquiridos em existências anteriores.

ESPÍRITO DE SEQUÊNCIA E CONEXÃO ENTRE AS EXISTÊNCIAS

Se estivermos corretos no raciocínio, as existências sucessivas não possuem intima conexão. As posições ocupadas pelo Espírito não são, via de regra, semelhantes, tampouco iguais. Entre as existências o Espírito progride naquilo que se convencionou chamar de erraticidade. Esclarecemos que o termo erraticidade significa: o estado em que se encontra o espírito entre duas encarnações. Neste estado o Espírito aguarda a próxima encarnação que ocorrerá em situações e posições, podendo interferir nelas ou não, dependendo de sua elevação moral, cujo controle está sob a égide do Cristo e de Seus Ministros. Sobre a evolução do Espírito, André Luiz traz uma obra psicografada por Chico Xavier, cujo título é Evolução em Dois Mundos.

O progresso anterior do Espírito não se faz presente na sua consciência, sobretudo as lembranças de encarnações anteriores. Mas, esse progresso e lembranças se expressarão por meio de faculdades extraordinárias, donde que, mesmo sem estudo prévio, os indivíduos encarnados parecerão ter intuição de certos conhecimentos, tais como línguas, cálculos, etc. Embora troque de “vestimenta” (corpo físico), o Espírito não muda, é sempre o mesmo Espírito que em uma encarnação poderá animar o corpo de um homem, noutra de uma mulher, será senhor numa existência, escravo em outra, rico, pobre, negro, branco, etc.

O Espírito vem à Terra para progredir, para melhorar-se. Dessa maneira sua posição social vai variar e suas inclinações serão diferentes entre uma existência e outra. O costume de uma nova posição poderá afetar tais inclinações. Por isso, a identificação do Espírito é dificultosa. Esse processo durará até que Espírito sofra uma melhora ou aperfeiçoamento notável que mudará seu caráter completamente, de mau passa a ser bom. Mas, enquanto isto não ocorre, uma faculdade pode adormecer ou pode perder-se, desde que o Espírito queira exercer outra que não tenha relação com ela ou quando desonrou tal faculdade. Todavia, ficará em estado latente e reaparecerá mais tarde.

Mesmo no estado de selvagem, enquanto encarnado, o indivíduo tem sentimento instintivo da existência de Deus e pressente vida futura, pois são lembranças conservadas daquilo que sabia como Espírito antes de encarnar. O Orgulho poderá abafar esse germe, mas, nunca destruí-lo.

Algumas crenças presentes em todos os povos e que são relativas à doutrina espírita são frutos da lembrança que o Espírito tem, uma vez que essa doutrina é tão antiga quanto o mundo. Ela é encontrada em toda parte, fato que corrobora para sua veracidade. Assim, o Espírito encarnado, conservando a intuição do seu estado de Espírito, tem a consciência do mundo Espiritual. O que atrapalha a consciência total são os preconceitos e a ignorância misturada com a superstição.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS

O dogma da reencarnação não é uma invenção moderna. Tampouco Pitágoras é o criador do sistema de metempsicose, a qual tomou dos filósofos indianos e dos meios egípcios, onde existia desde épocas cuja memória não mais existe.

A metempsicose era a ideia da transmigração da alma de um homem para um animal. A Doutrina Espírita mostra a grande diferença com a reencarnação, uma vez que os Espíritos Superiores não admitem de maneira absoluta que o Espírito possa retrogradar. Desta forma, a reencarnação ocorrerá sempre em corpos humanos. Dessa forma, apresenta-se a pluralidade das existências de um ponto de vista racional, conforme as leis progressivas da natureza e em harmonia com a sabedoria do Criador.


A nova existência está sob o controle do Espírito, isto é, segundo as obras que tiverem feito numa existência poderão ser felizes ou infelizes na outra. A sucessão de existências anteriores e progressivas explica porque os indivíduos trazem, ao nascer, a intuição do que já haviam adquirido. São mais ou menos adiantados, segundo o número de existências porque passaram ou conforme estejam mais ou menos distanciados do ponto de partida.

O dogma da reencarnação explica racionalmente que cada um será recompensado segundo o seu verdadeiro merecimento, e ninguém é excluído da felicidade suprema, a que pode aspirar, sejam quais forem os obstáculos que encontre no seu caminho.

A doutrina da pluralidade das existências é a única a explicar aquilo que, sem ela, é inexplicável. É consoladora e está conforme a Justiça Divina, sendo para o homem a tábua de salvação que Deus lhe concedeu na sua infinita misericórdia.

Para estudo acerca do tema reencarnação remetemos o leitor ao Evangelho de Mateus, Capítulo XVII e ao Evangelho de João, Capítulo III, aos quais sugerimos o exame à luz da doutrina espírita para um melhor esclarecimento.




[1] XAVIER, Francisco Cândido. Religião dos Espíritos. Ditado por Emmanuel. Brasília: FEB, 2014, Cap. 4.
[2] Idem.

ALLAN KARDEC – SEM PRECONCEITO!

Com a reencarnação, desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. De todos os argumentos invocados contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher à lei do mais forte, nenhum há que prime, em lógica, ao fato material da reencarnação. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza o princípio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade”. (A Gênese, cap. I, item 36, p. 42-43. Vide também Revista Espírita, 1867, p. 373.).

Recentemente li uma crítica a Allan Kardec em relação a um suposto artigo de sua lavra onde, o “estudioso” compreendeu que o Codificador é racista. Todavia, melhor sorte não restará ao indivíduo, eis que lhe faltou o cuidado de analisar o objetivo do referido artigo. Refiro-me àquele que foi subintitulado por PERFECTIBILIDADE DA RAÇA NEGRA.

Na Revista Espírita de Abril de 1862, Allan Kardec começou sua proposta com as seguintes frases:

“A raça negra é perfectível? Segundo algumas pessoas, esta questão é julgada e resolvida negativamente. Se assim é, e se esta raça é votada por Deus a uma eterna inferioridade, segue-se que é inútil nos preocuparmos com ela e que devemos nos limitar a fazer do negro uma espécie de animal doméstico, preparado para a cultura do açúcar e do algodão. Entretanto a Humanidade, tanto quanto o interesse social, requer um exame mais cuidadoso. É o que tentaremos fazer. Mas como uma conclusão desta gravidade, num ou noutro sentido, não pode ser tomada levianamente e deve apoiar-se em raciocínio sério, pedimos permissão para desenvolver algumas considerações preliminares, que nos servirão para mostrar, mais uma vez, que o Espiritismo é a única chave possível de uma multidão de problemas, insolúveis com o auxílio dos dados atuais da Ciência”.

A introdução demonstra claramente que, de imediato, Allan Kardec DEMONSTRA que pensar que essa ou aquela raça não é perfectível fere os postulados básicos do Espiritismo o qual é a única chave possível para uma multidão de problemas insolúveis. Por outro lado, declara, textualmente, que desenvolverá considerações preliminares. Seu objetivo é demonstrar que a resposta para indagações da humanidade estão contidas no Espiritismo. PRINCIPALMENTE AQUELES QUE OS DADOS ATUAIS DA CIÊNCIA NÃO PERMITEM SOLUCIONAR.

Kardec declara que usará a frenologia para servir de PONTO DE PARTIDA. Ponto de partida para trazer ideias e posições sobre as quais o Espiritismo irá se debruçar e criticar.

Dito isto, é bom que se lembre: o ano do artigo é 1862 e o pensamento difundido era o da frenologia.

Do ponto de vista Espírita, É IMPORTANTE QUE SE SAIBA O QUE SE DEPREENDE POR PERFECTIBILIDADE, vejamos:

Livro dos Espíritos, Questão 132 (Encarnação dos Espíritos; Finalidade da Encarnação).

Questionou-se aos Espíritos Superiores qual é a finalidade da encarnação dos Espíritos, os quais responderam: Deus a impõe com o fim de lavá-los à perfeição: para uns é uma expiação; para outros, uma missão. Mas, para chegar a essa perfeição, eles devem sofrer todas as vicissitudes da existência corpórea: nisto é que está a expiação. A encarnação tem ainda outra finalidade, que é a de pôr o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da Criação. É para executá-la que ele TOMA UM APARELHO EM CADA MUNDO, em harmonia com a matéria essencial do mesmo, a fim de nele cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. E dessa maneira, concorrendo para a obra geral também progredir.

Se bem compreendemos o que os Espíritos responderam, O ESPÍRITO TOMA UM APARELHO (corpo físico) e cumpre com tal aparelho as ordens de Deus. É necessário tomar um corpo físico para sofrer todo tipo de problema da existência corpórea e ficar em condições, durante a evolução, de se tornar um auxiliar de Deus.

Parece que não há menção que somente o aparelho dessa ou daquela cor que possibilita ao Espírito evoluir com o fito de chegar à perfeição.

Contudo, esses “estudantes” atrapalhados que não buscam auxiliar no progresso geral, mas, pelo contrário, só fazem demonstrar realmente qual é o grau que ocupam na escala espírita, deveriam se ater à verdade e à razão. É que uma leitura rápida da questão 133 da mesma obra já demonstraria o absurdo que é dizer que o Codificador era racista. Os Espíritos Superiores revelam que todos os Espíritos, foram criados SIMPLES E IGNORANTES e se instruem através das lutas e atribulações da vida corporal. DEUS QUE É JUSTO, NÃO PODIA FAZER FELIZ UNS, SEM PENAS E SEM TRABALHOS, E POR CONSEGUINTE MÉRITO.

Ficaremos por aqui com as explicações sobre a perfectibilidade. Não há ofensa a esta ou aquela pessoa. A PERFECTIBILIDADE É UM PRINCÍPIO ESPÍRITA. Nós, sem exceção, encarnamos (tomamos um aparelho em cada mundo) para evoluir e chegar à PERFECTIBILIDADE. É leviano qualquer comentário contrário ao que postula a própria Doutrina. Querer que o seu Codificador “diga” algo diferente, fruto de ilações dos pseudossábios, que não tem a honorabilidade necessária para tratar de assunto tão sério é antifraternos e descaridoso. São religiosos sem religiosidade. Para estes pouco importa se vão iniciar uma luta entre irmãos.

Fazendo suas considerações sobre a frenologia o Codificador escreve:

Das saliências do crânio a frenologia conclui o volume do órgão, e do volume do órgão conclui o desenvolvimento da faculdade. Tal é, em breves palavras, o princípio da ciência frenológica. Embora o nosso objetivo não seja desenvolvê-la aqui, ainda são necessárias algumas palavras quanto ao modo de apreciação. Enganar-se-ia redondamente quem acreditasse poder deduzir o caráter absoluto de uma pessoa pela simples inspeção das saliências do crânio”.

Este texto onde o Professor fala sobre os princípios frenológicos não demonstra que o mesmo se opõe a tal princípio? Allan Kardec declara que não se pode deduzir o caráter absoluto por característica externa. Ao menos, em nossa análise textual é o que quer dizer.

Sobre isto sua posição é clara: “As faculdades se contrabalançam reciprocamente, se equilibram, se corroboram ou se atenuam umas às outras, de tal sorte que, para julgar um indivíduo, é preciso levar em conta o grau de influência de cada uma, em razão do seu desenvolvimento, depois pesar na balança o temperamento, o meio, os hábitos e a educação”.

Mas, se não bastasse compreender o pensamento filosófico acima antecipado, bem como objetivo do artigo que é demonstrar que o Espiritismo considera TODOS IRMÃOS, IGUAIS E SEM DIFERENÇA PERANTE DEUS, o Codificador escreve: Basta isto para mostrar que as observações frenológicas práticas apresentam grande dificuldade e repousam sobre considerações filosóficas, que não estão ao alcance de todos”.

Após a observação supra sobre as dificuldades apresentadas pela dita ciência, cujos postulados Kardec discordara pontualmente, em seguida a questão é analisada sobre outro ponto de vista. É que havia divisão entre os próprios frenologistas (materialistas e espiritualistas). Os primeiros consideravam o corpo como uma máquina da qual o pensamento era secretado como as glândulas salivares secretam a saliva. Esta teoria Kardec chamou de monstruosidade. Os últimos, cuja doutrina declarara que o pensamento á atributo da alma e não do cérebro, postulam que as aptidões desenvolvem os órgãos necessários para externar a faculdade. E, então, é que Allan Kardec esclarece: TRATA-SE DE UMA IDEIA INCOMPLETA. Enquanto dizem que o indivíduo, por exemplo, tem o órgão da poesia por que é poeta, não esclarece por que outro indivíduo educado nas mesmas condições não se tornou poeta (o que serve para todas as demais aptidões). Ou seja, a questão central é: POR QUE É POETA? E é aí que entra a chave encontrada somente no Espiritismo.

Apesar de extenso, pedimos vênia para citar a explicação de Kardec de modo mais abrangente, vejamos:

“Com efeito, se a alma fosse criada ao mesmo tempo que o corpo, a do sábio do Instituto seria tão nova quanto a do selvagem. Então, por que há na Terra selvagens e membros do Instituto? Direis que depende do meio em que vivem. Seja. Dizei, então, por que homens nascidos nos meios mais ingratos e mais refratários tornam-se gênios, ao passo que outros, que recebem a Ciência desde a infância, são imbecis? Os fatos não provam à evidência que há homens instintivamente bons ou maus, inteligentes ou estúpidos? É preciso, pois, que haja na alma um germe. De onde vem ele? Pode dizer-se razoavelmente que Deus os fez de todos os tipos, uns chegando sem esforço e outros nem sequer com um trabalho obstinado? Seria isso justiça e bondade? Evidentemente, não. Uma única solução é possível: a preexistência da alma, sua anterioridade ao nascimento do corpo, o desenvolvimento adquirido conforme o tempo vivido e as várias migrações percorridas. Unindo-se ao corpo, a alma traz, pois, o que adquiriu, suas qualidades boas ou más. Daí as predisposições instintivas, de onde se pode dizer com certeza que aquele que nasceu poeta já cultivou a poesia; que o que nasceu músico cultivou a música; o que nasceu celerado, já foi mais celerado. Tal é a fonte das faculdades inatas que produzem, nos órgãos afetados à sua manifestação, um trabalho interior, molecular, que provoca o seu desenvolvimento”.

Rogamos que cada leitor possa buscar na Revista Espírita em comento e buscar retirar da mesma as próprias conclusões. Assim, seria inviável apenas copiar e colar todos os argumentos tecidos por Allan Kardec que não mostrou em momento algum que essa ou aquela raça é, A SEU VER, inferior. Todavia, o Codificador QUESTIONOU O PENSAMENTO DIVERSO QUE ERA VIGENTE À SUA ÉPOCA. Vale dizer, Allan Kardec buscava modificar o pensamento vigente acerca das raças. Trata-se de um excerto de 1862. Lembremos que no Brasil a escravidão foi abolida aos 13.05.1888.

Colacionamos o que Kardec disse acerca de nossos irmãos:

Diz-se a respeito dos negros escravos: “São seres tão brutos, tão pouco inteligentes, que seria trabalho perdido querer instrui-los. É uma raça inferior, incorrigível e profundamente incapaz”. A teoria que acabamos de dar permite encará-los sob outra luz. Na questão do aperfeiçoamento das raças, deve-se sempre levar em conta dois elementos constitutivos do homem: o elemento espiritual e o elemento corporal. É preciso conhecer um e outro, e só o Espiritismo nos pode esclarecer sobre a natureza do elemento espiritual, o mais importante, por ser o que pensa e que sobrevive, enquanto o elemento corporal se destrói”.

Não se pode declarar que se trata da opinião de Kardec o que se dizia dos negros naquela época. Por outro lado, o Espiritismo, conforme escreve o Codificador, encara a questão sobre outra luz. Isto é, à luz da questão 132 e 133 de O Livro dos Espíritos, pois, somente alguém que desconhece os postulados espíritas poderia ser tão leviano de dizer que o Mestre de Lyon seria um escravagista. O que está expresso é que é preciso conhecer os dois elementos constitutivos do homem (espiritual e corporal), pois, o espírito é o mais importante, POIS O ELEMENTO CORPORAL SE DESTRÓI. Para quem sabe ler... Allan Kardec disse em pleno ano de 1862: POUCO IMPORTA A COR DO CORPO. Esse elemento corporal se destrói.

Do ponto de vista histórico, a opinião de Allan Kardec expressara cultura e pensamento vigente. Do ponto de vista científico, como vimos, é o mesmo Kardec quem dirá que não há elementos positivos para considerar a opinião dos frenólogos da época, seja materialista ou espiritualista.

Alguém certamente dirá, mas, ao final de seu artigo na Revista de 1862, ora citado, o Codificador expressa uma opinião que o coloca em situação de descrédito. Todavia, é o mesmo Allan Kardec que, deixando para nós o referido artigo, escreverá em 1868:

“Hoje creem e sua fé é inabalável, porque assentada na evidência e na demonstração, e porque satisfaz à razão. [...] Tal é a fé dos espíritas, e a prova de sua força é que se esforçam por se tornarem melhores, domarem suas inclinações más e porem em prática as máximas do Cristo, OLHANDO TODOS OS HOMENS COMO IRMÃOS, SEM ACEPÇÃO DE RAÇAS, DE CASTAS, NEM DE SEITAS, perdoando aos seus inimigos, retribuindo o mal com o bem, a exemplo do divino modelo”. (KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1868. 1ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. p. 28, janeiro de 1868.).

Esse mesmo homem disse também:

“Nós trabalhamos para dar a fé aos que em nada creem; para espalhar uma crença que os torna melhores uns para os outros, que lhes ensina a perdoar aos inimigos, a se olharem como irmãos, sem distinção de raça, casta, seita, cor, opinião política ou religiosa; numa palavra, uma crença que faz nascer o verdadeiro sentimento de caridade, de fraternidade e deveres sociais”. (KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1863 – 1. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. – janeiro de 1863.).

“O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus”. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 3, p. 348.).

Em Nota ao capítulo XI, item 43, do livro A Gênese, o Codificador explica QUAL ER A METODOLOGIA nas exposições pessoais que fazia acerca dos diversos pontos controversos vigentes naquela sociedade europeia de então, podendo de tal explicação deduzir-se o que procurou fazer com o tema ora em debate:

“Quando, na Revista Espírita de janeiro de 1862, publicamos um artigo sobre a “interpretação da doutrina dos anjos decaídos”, APRESENTAMOS ESSA TEORIA COMO SIMPLES HIPÓTESE, SEM OUTRA AUTORIDADE AFORA A DE UMA OPINIÃO PESSOAL CONTROVERSÍVEL, porque nos faltavam então elementos bastantes para uma afirmação peremptória. Expusemo-la a título de ensaio, tendo em vista provocar o exame da questão, decidido, porém, a abandoná-la ou modificá-la, se fosse preciso. Presentemente, essa teoria já passou pela prova do controle universal. Não só foi bem aceita pela maioria dos espíritas, como a mais racional e a mais concorde com a soberana justiça de Deus, mas também foi confirmada pela generalidade das instruções que os Espíritos deram sobre o assunto. O mesmo se verificou com a que concerne à origem da raça adâmica”. (A Gênese, cap. XI, item 43, Nota, p. 292.).

Buscando uma exegese, vemos que Allan Kardec não precisou que sua teoria acerca das raças tivesse passado pelo crivo do controle universal, valendo dizer: concordância com o ensino dos Espíritos. Quanto ao mais, o estudioso sério não poderá declarar que o Codificador concordava com diversos aspectos apresentados pelas chamadas ciências.

Lado outro, avaliava as conclusões desses eminentes pesquisadores à luz da revelação dos Espíritos, onde encontrou explicações que apontam para leis sábias e supremas, razão pela qual afirmou que o Espiritismo permite “resolver os milhares de problemas históricos, arqueológicos, antropológicos, teológicos, psicológicos, morais, sociais, etc.” (Revista Espírita, 1862, p. 401).

As leis universais do amor, da caridade, da imortalidade da alma, da reencarnação, da evolução constituindo novos parâmetros para a compreensão do desenvolvimento dos grupos humanos por todo o planeta possibilitou concluir-se que “o corpo deriva do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. Entre os descendentes das raças apenas há consanguinidade”. (O Livro dos Espíritos, item 207, p. 176.).

O Mestre e Lyon ainda escreveu na (Revista Espírita, 1861, p. 432.) que “[...] o Espiritismo, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na Criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, faz com que desapareçam, naturalmente, todas as distinções estabelecidas entre os homens, conforme as vantagens corporais e mundanas, sobre as quais só o orgulho fundou as castas e os estúpidos preconceitos de cor”.

Pensamos que tudo que Allan Kardec escreveu durante seu ministério à frente da Codificação tem profundo cunho pedagógico. Ao contrário de muitos que não aprendem com os próprios erros, com os erros dos outros e não se permitem evoluir ideias, pensamentos e teorias, que ficam presos a “pontos de vista eternos”, aqueles que afirmam: ninguém muda a MINHA opinião; Allan Kardec se esmerou na lição. Vejamos o que ele escreveu acerca do mesmo tema no ano de 1867 (cinco anos depois):

“Os privilégios de raças têm sua origem na abstração que os homens geralmente fazem do princípio espiritual, para considerar apenas o ser material exterior. Da força ou da fraqueza constitucional de uns, de uma diferença de cor em outros, do nascimento na opulência ou na miséria, da filiação consanguínea nobre ou plebeia, concluíram por uma superioridade ou uma inferioridade natural. Foi sobre este dado que estabeleceram suas leis sociais e os privilégios de raças. Deste ponto de vista circunscrito, são consequentes consigo mesmos, porquanto, não considerando senão a vida material, certas classes parecem pertencer, e realmente pertencem, a raças diferentes. Mas se se tomar seu ponto de vista do ser espiritual, do ser essencial e progressivo, numa palavra, do Espírito, preexistente e sobrevivente a tudo cujo corpo não passa de um invólucro temporário, variando, como a roupa, de forma e de cor; se, além disso, do estudo dos seres espirituais ressalta a prova de que esses seres são de natureza e de origem idênticas, que seu destino é o mesmo, que todos partem do mesmo ponto e tendem para o mesmo objetivo; QUE A VIDA CORPORAL NÃO PASSA DE UM INCIDENTE, UMA DAS FASES DA VIDA DO ESPÍRITO, NECESSÁRIA AO SEU ADIANTAMENTO INTELECTUAL E MORAL; que em vista desse avanço o Espírito pode sucessivamente revestir envoltórios diversos, nascer em posições diferentes, chega-se à consequência capital da igualdade de natureza e, a partir daí, à igualdade dos direitos sociais de todas as criaturas humanas E À ABOLIÇÃO DOS PRIVILÉGIOS DE RAÇAS. Eis o que ensina o Espiritismo. Vós que negais a existência do Espírito para considerar apenas o homem corporal, a perpetuidade do ser inteligente para só encarar a vida presente, repudiais o único princípio sobre o qual é fundada, com razão, a igualdade de direitos que reclamais para vós mesmos e para os vossos semelhantes”. (Revista Espírita, 1867, p. 231.)

Não perca a oportunidade de aprender com quem tem a competência de ensinar:

Com a reencarnação, desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. De todos os argumentos invocados contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher à lei do mais forte, nenhum há que prime, em lógica, ao fato material da reencarnação. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza o princípio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade”. (A Gênese, cap. I, item 36, p. 42-43. Vide também Revista Espírita, 1867, p. 373.).

É importante não esquecer, o que, aliás, NENHUM ESPÍRITA PODE PENSAR EM CONTRÁRIO: Allan Kardec não era santo, deus ou infalível. O Professor Rivail ERA UM HOMEM ENCARNADO NA TERRA e sujeito a muitas vicissitudes. Neste sentido, importa esclarecer que ele sabia apenas o que vários autores contavam a respeito dos africanos, reduzidos ao embrutecimento e escravizados impiedosamente. E, com base nos informes dos pesquisadores Europeus que descreviam a África negra é Allan Kardec buscou o debate acerca da questão. Muito bem evoluída como acima mostrada (um pensamento pouco equivocado que concluiu ao se completar pela total e ampla igualdade das raças, pois, são os mesmos Espíritos que encarnam brancos ou negros).

Destarte, aprendemos com Kardec em todo o conjunto da Codificação Espírita o mais absoluto respeito à diversidade humana. O Espírita sincero, verdadeiro Cristão, não possui preconceitos dede cor, etnia, sexo, crença, condição econômica, social ou moral.

Estude Kardec, estude o Espiritismo, espalhe o bem e a paz na Terra. Extrair “conceitos” equivocados sem a observação do conjunto é leviano, desrespeitoso e antifraternos. Sem dúvida, NÃO É ATITUDE DE UM CRISTÃO!

ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – parte

CAPÍTULO VIII EMANCIPAÇÃO DA ALMA IV LETARGIA, CATALEPSIA, MORTE APARENTE (Questões: 421 a 424) Neste item do capí...