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terça-feira, 25 de maio de 2021

YVERDON-LES-BAINS: RIVAIL E PESTALOZZI SE ENCONTRAM

 

Fonte: Internet (Google). Representação do exército de Napoleão no frio.

3ª PARTE

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No ano de 1812 os franceses invadem a Rússia com mais de seiscentos mil homens. O exército lutava contra um inverno rigoroso, um longo caminho de volta e o seu desabastecimento de provisões. Chegou a perder cerca de quatrocentos mil homens.

Com o enfraquecimento do exército, em 1814, seus inimigos ficaram animados a invadir a França. E é assim que Prússia, Rússia, Reino Unido e Áustria formam uma aliança e levam a guerra para o solo francês. Ain é um dos departamentos invadidos, pois, havia o objetivo inimigo de tomar a cidade de Lyon.

Mas, o bravo povo de Bresse forma uma resistência contra os austríacos, prendendo e matando alguns. Em retaliação o burgo é saqueado pelos austríacos. Logo que Paris foi tomada, Napoleão abdicou do poder. A família de Rivail, aflita, sofria com a guerra que tomou as ruas de sua cidade. Hippolyte contava, então, com a idade de 11 anos. Jeane-Louise, sua mãe, havia perdido um casal de filhos e experimentou uma gravidez de grande risco para ter o terceiro filho.


Temerosa, portanto, Jeane-Louise, junto a Rivail, que agora era tudo para sua mãe, tomam a estrada para a Suíça e na cidade de Yverdon, cantão de Vaud, chegam no Castelo onde funcionava o Instituto de Pestalozzi.

Ali estudavam cerca de cento e cinquenta alunos, cuja metade era constituída de estrangeiros, dentre os quais franceses, ingleses, brasileiros e estadunidenses. Verdadeira mistura de línguas e culturas.

No instituto havia o grupo de alunos que podiam pagar pelos estudos e o grupo que estudaria de graça. O pagamento dos primeiros permitia o estudo dos demais. Jeanne considerou que sua família tinha condição de pagar. Para tanto, no ano de 1815 colocou um imóvel à venda, o que custearia as despesas com a educação de Rivail.

A vida dos alunos em Yverdon era dotada de grande liberdade, portas do castelo abertas e o clima de uma verdadeira família. O período de aulas era de dez horas diárias e cada aula era ministrada no prazo de uma hora, seguida de intervalo.

As atividades, regadas de recreações, desenvolviam-se em práticas, como natação, ginástica, jardinagem e outros trabalhos manuais. No período noturno, entre dezenove e vinte horas, havia uma aula livre, onde os alunos correspondiam com os pais, desenhavam ou adiantavam seus deveres.

O estudo de geografia ocorria durante caminhas pelos campos e montanhas. A botânica consistia no estudo de plantas nos lugares onde nasciam. As datas festivas integravam os alunos à sociedade. Também havia aulas de canto, sempre presentes durantes os recreios e passeios.

A pedagogia de Pestalozzi nem de longe copiava Santo Agostinho. Não havia qualquer modalidade de castigo ou recompensas. Nada era obtido por meio de coação ou medo. A disciplina era conquista da afeição e do dever sincero. Fruto do amor com o qual todos eram recebidos. As crianças aprendiam e se desenvolviam pelo próprio interesse.

No castelo de Yverdon, sob a orientação de Pestalozzi, todos os jovens aprendiam por meio de suas próprias descobertas. Aprendiam a aprender, como também a ensinar. Os próprios alunos tornavam-se educadores. Como relata o próprio Pestalozzi: "obrigado a instruir sozinho, sem outros para ajudar naquela tarefa, aprendi a arte do ensino mútuo" (SOËTARD, 2010). Havia naquela escola, portanto, a verdadeira liberdade de pensar.

Compreender a pedagogia de Pestalozzi e sua influência no homem em que se transformaria Rivail não é tão difícil. Uma das citações presentes no meio espírita é que toda análise deve passar pelo crivo da razão, da lógica e do bom-senso. A base do ensino de Pestalozzi passava por essa ideia. Ante a gama de percepções que chegam ao aprendiz pelos sentidos, tudo de maneira caótica e desconexa, a conquista da informação e sua apreensão pela memória é uma conquista da lógica e da razão.

Não adianta obrigar ninguém a aprender nada. Decorar e memorizar sem que seja uma conquista do trabalho lógico da razão não é sinônimo de conhecimento. As informações permanecerão amontoadas na memória e a pergunta "qual a utilidade" ficará sem resposta.

Para Pestalozzi, o esforço, a observação e a meditação permitem que a descoberta seja fruto do trabalho pessoal do aluno de aprender a apreender. Esse processo considera a intuição como fundamento do conhecimento e da instrução. Seria uma espécie de visão mental; a faculdade de ver ou discernir mentalmente aquilo que não se pode perceber por meio dos sentidos.

Conforme FIGUEIREDO (Maat, 2016) "a educação de Pestalozzi certamente foi responsável por Rivail adquirir a prática da investigação aliada à liberdade de pensamento, recursos fundamentais para sua futura carreira como pedagogo que também o qualificavam adequadamente para a sua liderença frente ao espiritismo".

Sobre o castelo que abrigou o Instituto de Pestalozzi, vale a pena salientar que, depois do ano de 1838, passou a abrigar uma escola pública, com a criação de novas salas de aula, erguendo-se paredes e divisórias, janelas adicionais, que mudaram a fachada do castelo. 

Depois do ano de 1950, essas salas de aula foram gradualmente abandonadas. Em 1974 saíram as últimas classes. Restaurou-se a estrutura medieval do castelo, que hoje é um centro cultural que abriga um museu regional, um teatro e várias salas de conferências, bem como a mais antiga biblioteca pública da Suiça (1763).

A formação de Rivail continua, pois, são várias as influências que recebeu na sua formação. Mas, esta é outra história.

Uberaba-MG, 25 de maio de 2021.
Beto Ramos

Fontes: Além das citadas, também, wikipedia.


segunda-feira, 24 de maio de 2021

INFÂNCIA E INFLUÊNCIA DO MEIO NA OBRA DE RIVAIL - O EDUCADOR

Fonte: Internet (Google). Castelo de Yverdon.

2ª PARTE

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A vila de Saint-Denis era um local muito visitado e os seus próprios moradores gostavam de passear por aquela região. Não deveria ser diferente com a família Rivail, pois, a beleza natural rodeava o seu lar.

Burg-en-Bresse possuia grandes construções que ostentavam valor turístico e histórico. O real monastério de Brou, então Igreja de Brou, foi uma destas construções mais visitadas de toda a França naquela época.

Praças, fontes, hospital e hotéis, como o Marron de Meillonnas (de 1770) são destaques na pequena, mas, aconchegante região central da localidade. As crianças viviam em meio aos animais, esquilos, doninhas, ouriços e outros, assim como aves. O pica-pau era morador comum.

Para os ávidos dos detalhes e estudiosos da história do espiritismo, a informação a seguir é preciosa. O burgo, ou unidade administrativa francesa onde cresceu o pequeno Rivail, leva Bresse em seu nome. Trata-se de um termo da cultura celta que significa lama, argila.

Conta-se que no ano de 1817, quando, então, seria construída uma prisão na cidade, o castelo dos duques de Saboia foi demolido. Entre as suas fundações foi localizado um monumento dos druidas, onde destacava-se um círculo de grandes pedras onde dolmens se apoiavam.

Sabemos que Rivail escolheu um antigo nome druida para usar como pseudônimo em suas obras: Allan Kardec. Quem acaso visite o túmulo onde repousam os restos mortais do Codificador do Espiritismo, certamente, verá uma imitação daquele monumento encontrado em Burg-en-Bresse.

No campo da cultura, a cidade possuia um belo teatro, vasta e rica biblioteca e, também, um colégio. Esse último, fundado em 1649, foi conduzido por jesuítas e, mais tarde, por professores leigos. A partir de 1801, o físico Ampere figurou entre eles, alí permanecendo por alguns anos.

Aquela pequena localidade abrigou a Sociedade Imperial de Emulação de Ain, criada em 1783, cujo objetivo era lidar com literatura, ciências, agricultura, belas artes e história. Dotada de jornal, oferecia prêmios e possuia coleções valiosas, sendo, inclusive, consultada pelo governo do departamento. Rivail, em 1818, seria nomeado membro correspondente dessa sociedade.

Em uma de suas obras, cujo título é Plano para melhoria da Educação Pública da França, no ano de 1828, aos 24 anos de idade, Rivail relata o que ele considerava uma educação ideal. Eis uma informação que poucos espíritas conhecem e que está relacionada com a teoria espírita que viria a lume a partir da década de 50 daquele século.

O ambiente de aprendizado deveria ser uma bela região, que proporcionaria vida campestre unida à ocupações sérias, onde o aprendiz teria aula de historia natural do campo. A instrução ocorreria por meio de conversações e durante passeios pelo campo. O educador levaria seus alunos em viagens para estudo. Eles próprios experimentariam o contato com os costumes dos povos visitando lugares históricos.

Percebe-se que Rivail estava falando de sua infância e da influência que recebeu do meio em sua obra. O educador descrevia nada menos que sua infância em Burg-en-Bress.

Sua pedagogia direciona o educador para proporcionar às crianças, desde cedo, ideias sobre história natural, física e química. Coisas como estátuas, quadros, plantas, animais e fenômenos da natureza que poderiam testemunhar, até mesmo uma pedra, interessam ao universo do educando. A atenção da criança está desperta. Por suas perguntas é possível tirar partido de sua inteligência e com ela lidar convenientemente para torná-lo autonômo. Não seria outra a proposta do espiritismo.

Pelas ideias depositadas em sua obra como educador francês é possível perceber a influência e as características de sua terra natal na sua formação acadêmica. Em 1834, Rivail escreveu que é importante fixar a atenção da criança sobre o que se passa à sua volta, a fim de que ela perceba o que vê, o que ouve e o que faz. Forçando-a a pensar, tudo será natural e terá explicações simples, tudo se compreendendo através da razão.

O educador, portanto, idealizava uma postura autônoma para a criança, a fim de que estivesse pronta para exercer a crítica diante de qualquer área. Estimulada à aquisição do conhecimento, sempre que estiver diante de evidências novas, por estar sempre pronta a aprender, a criança manteria sempre uma mente aberta. 

Rivail (1834) desejou, ainda, que a criança conheça o movimento dos astros e que seu espírito penetre no espaço e, assim, ela não será indiferente a tudo que maravilha o seu olhar, como fazem os brutos. Não acreditará em almas do outro mundo, nem em fantasmas, não acreditará em ledores de sorte, não verá no movimento dos astros qualquer presságio de funestos acontecimentos, enfim, seu espírito se alargará contemplando o espaço imenso e sem limites.

Bem antes de tornar-se o Codificador do Espiritismo, Rivail já apresentava ideias lúcidas sobre algo que poderíamos chamar: um estilo de vida.

(Continua)

Uberaba-MG, 24 de maio de 2021.

Beto Ramos


Bibliografia:

FIGUEIREDO, Paulo Henrique. Revolução Espírita - A teoria esquecida de Allan Kardec. São Paulo (SP): Maat, 2016.

sábado, 22 de maio de 2021

A VIDA NO CAMPO DE RIVAIL NO "MAISON DE MAITRE" EM SAINT-DENIS-LES-BOURG



Fonte: Imagens da internet (Google). Casas onde viveu Vitor Hugo, na França.

1ª PARTE

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Conforme narra FIGUEIREDO (Maat, 2016), o pequeno RIVAIL passou sua infância numa localidade chamada Saint-Denis-les-Bourg, que ficava no ambiente rural de Bourg-en-Bresse. Nesse lugar residiam, aproximadamente, 600 (seiscentos) moradores. Por sua importância, contava com sua própria Igreja.

No século 19 havia casas com uma arquitetura toda particular. Eram as chamadas 'Maison de Maitre'. Típicas da época, essas casas eram muito grandes. Nelas residiam advogados, médicos e outros integrantes da elite rural.

Essas casas possuiam grandes janelas na sua fachada e eram construídas com mais de um andar e a maoiria possuia 03 (três). A porta central ficava diante de pequeno lance de escadas na entrada. O acesso à propriedade era feito transpondo um enorme portão de ferro forjado.

Propriedades como esta possuiam várias salas, lavanderia, estábulos para animais, pátio, jardim, área para crias e para plantios, além de vários terrenos à sua volta. Do ponto de vista do morador dessa casa era possível ver extensas pradarias amarelas, ampla planície, plantações de trigo e outros grãos, principal produto da economia local da época.

Jeane-Louise Duhamel, a Senhora Rivail, conforme publicação do Journal de l'Ain, n. 56, de 10 de maio de 1826, colocava a casa onde morava com sua mãe para alugar, descrevendo-a aos interessados.

A vila de Saint-Denis ficava no centro de um grande bosque, cortado por diversos riachos ladeados por salgueiros formando veios tortuosos por onde se podia caminhar, pisando em pedras e saltando os trechos estreitos. Muita sombra, pescaria abundante, jardins regados pelo rio Veyle e o barulho característico dos moinhos movidos pelo rio servindo às moendas de trigo. Imagine o jovem Rivail crescendo no meio dessa paisagem.

Uma pequena cidade, cheia de história, teve no famoso astrônomo francês Lalande, nativo de Bourg, um grande fomentador da cultura. Além da diversão, Rivail tinha um ambiente de extraordinária oportunidade para aprender.

O lugar, de clima difícil, muito frio em certas épocas do ano, também tinha um calor abafado característico nos demais períodos. Por vezes, a cidade era coberta por denso nevoeiro. Seus habitantes, camponeses tradicionais, eram generosos de coração, mas muito desconfiados dos que chegavam para visitas à cidade.

Entre personalidades famosas que visitaram a cidade ao longo da história vamos encontrar a nobreza, reis e imperadores. Francisco I, Henry IV, Napoleão Bonaparte, Charlex X, o Duque de Orleans e Napoleão III caminharam pelas ruas de Bresse.

(Continua)

Uberaba-MG, 22 de maio de 2021.

Beto Ramos

sexta-feira, 21 de maio de 2021

O DUELO - ESTUDO DO LIVRO DOS ESPÍRITOS

 

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – 

 LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS –

 CAPÍTULO VI – LEI DE DESTRUIÇÃO –

 VI - DUELO –

(Questões 757 a 759-a)


O duelo era uma disputa entre duas pessoas. Seu cunho, sem sombra de dúvidas, era eminentemente emocional. Havia um confronto, um combate. Dizia-se que sua causa era motivada por ofensa a honra, desavenças entre indíviduos, até mesmo entre familiares, ou disputas entre facções e grupos.

Os duelos caracterizavam-se pelo uso de armas de fogo, confrontos físicos diversos, bem como por uso de facas, espadas, etc., e, também, pela presença de "padrinhos" (ou assessores dos duelistas). Para tal, designava-se um "juiz imparcial", que obedeceria as regras previamente pactuadas.

Apesar da bárbara prática, os duelos foram mais comuns do que se imagina. Tem-se notícia de sua ocorrência mesmo no século 20, por volta do ano de 1925. Há notícia de que havia legislação tolerante com o duelo no Uruguai até a década de 1980.

O Espiritismo, cujo advento no mundo moderno ocorre no século 19, tem questões acerca desse tema e que merecem a reflexão sobre essa prática bárbara, mas, historicamente, atual.

Para os Espíritos que versaram sobre o assunto, trata-se de um costume absurdo, dígno dos bárbaros (povos primitivos) e se constiui em um verdadeiro assassínio, pois, está ausente a consideração de ser caso de legítima defesa. Para os Espíritos é uma prática ridícula.

Do ponto de vista daquele que sabe que irá sucumbir na disputa, o duelo constitui-se em suicídio voluntário. Quando as chances são iguais, consitui para no suicídio quanto para o outro em assassinato. Em ambos os casos está presente a culpa, visto o deliberado propósito dos duelistas. O resultado do duelo não é proveitoso para ninguém: duelistas e sociedade.

Longe de se tratar de questões que envolvem honra, para os Espíritos o que se vê é o orgulho e vaidade imperando, e estas são duas chagas da humanidade. Quanto aos usos e costumes, isto é, como a sociedade encara a hipótese, por exemplo de recusa, a qual constituiria para o desafiado um ato de covardia, mostra sinal de inferioridade da mesma.

Esse ponto de vista comprova que aquela sociedade está atrasada no aspecto moral e intelectual. O verdadeiro ponto de honra para a humanidade, e que precisa ser compreendido, está acima das paixões terrenas, pois, as faltas de cada um não se repara ceifando vidas.

Reconhecer a culpa em caso de erro e perdoar em caso de ofensa (principalmente quando se sabe ter razão) é sinal de progresso moral e intelectual. Eis a meta que a humanidade terrestre deve mirar.

Uberaba - MG, 18 de maio de 2021.
Beto Ramos.

A HISTÓRIA DO ESPIRITISMO, DA FRANÇA E DE KARDEC, EM CERTA MEDIDA, SE CONFUDEM










3ª PARTE

Retomando a história da família do codificador, encontraremos sua mãe dedicando-se ao lar e seu pai assumindo funções militares como promotor militar e Juiz de Paz. Nas suas funções Jean Rivail tinha que acompanhar os destacamentos militares. Quando necessário, deveria convocar um Tribunal, onde se estabelecia formalmente a acusação aos réus no campo de guerra.

A Revolução prosseguia e acirrava-se a rivalidade entre Girondinos e Jacobinos. Nesta disputa, vencem os Jacobinos. Covardemente, começam a matar os adversários implantando a ditadura.

O pai de Jeanne, avô de Hippolyte Rivail, é preso e depois executado no dia 16/03/1794. Contava , então, com 53 anos. Seu marido, Jean-Baptiste Rivail, também é preso. Assim como o Sr. Duhamel, Rivail pai foi acusado de conspiração.

Foi condenado à morte. No entanto, evocou o decreto de 28 de Pluviôse. Por essa lei deveria ser julgado em sua terra natal. Foi mandado preso de volta a Burge-en-Bresse e solto dois meses depois (em 29/04/1794) junto aos demais inocentes.

Nessa ocasião contou-se 16 (dezesseis) mil mortes pela guilhotina em toda a França; As prisões, 500 (quinhentas) mil; Mas, após um ano de matança, o pesçoco de Robespierre é reclamado. Foi guilhotinado em 28/07/1794.

Charlotte Bochard, a Sra. Duhamel, foi autorizada pelo Estado a receber do espólio sequestrado de seu marido a soma de 600 (seiscentas) mil libras por ano; Assim, ela foi morar com seu irmão, o tio-avô de Hippolyte, François Duhamel. A casa, que também abrigava seus parentes, ficava numa pequena aldeia rural denominada Saint-Denis-les-Bourg, contígua à Bourg-en-Bresse. O lugar era lindo, havia lagos, florestas e extensas plantações.

Passado o terror, chega o inverno rigoroso trazendo junto a fome, desemprego, aumento de preços, indigência e falta de alimentos. Nessa época ascendia o jovem Napoleone Di Buonaparte, que guerreava pela França e conquistou a Itália. Luxo e cargos públicos para as ricas casas. No entanto, faltava pão ao povo.

A família Rivail recebia no ano de 1796 o primogênito Auguste Claude Joseph François; em agosto de 1799 chegava uma menina, Marie-Françoise Charlotte Eloise; irmãos do Codificador.

Nesse ano de 1799 Napoleão passou a governar por uma ditadura e foi nomeado primeiro-cônsul; A revolução era, então, encerrada. Todavia, os problemas dos subúrbios não foram solucionados.

O ano de 1804 será marcante. Jean Rivail, pai do codificador do espiritismo, é requisitado em suas funções militares. Jeanne-Louise, grávida pela terceira vez, contando com seus 30 anos de idade e precisando de cuidados médicos especiais, estava em um estabelecimento de águas minerais artificiais na cidade de Lyon, na Rua Sala, 74, à margem do rio Ródano. Era um local que atendia casos de saúde.

Aos 03/10/1804, Jeanne-Louise trazia ao mundo Hippolyte Léon Denizard Rivail, ao qual se dedicaria de corpo e alma nas próximas décadas. O batismo do menino aconteceu na cidade de Lyon.

Em 1807 Napoleão estava próximo de tornar os povos da Europa um só povo e Paris a capital do mundo. Mas, o ditador queria mais. Com um exército de 25 mil homens estacionados na Espanha, Napoleão queria invadir Lisboa e determinou que o exército continuasse a marcha. Os mapas de Napoleão estavam desatualizados. Faltavam as indicações das montanhas e de obstáculos quase instransponíveis. O pai do pequeno Rivail estava entre os homens que integravam esse exército.

Frio e chuva pioram, os equipamentos ficam presos e faltam provisões. Os soldados iam morrendo um a um. Sem qualquer resistência de Portugal, chegaram apenas 10 (dez) mil homens. Contudo, testemunharam a estratégia da Corte Portuguesa: os navios partiram levando a família real para o Brasil.

Ningúem soube o destino do pai do pequeno Rivail. Desaparecido, foi dado como morto em 1807. Seu filho contava com apenas 03 (três) anos de idade.

A brava Jeanne, sem esquecer os filhos que perdeu, dedicaria sua vida ao pequenino Rivail e investiria todo o seu amor, força e posses para educá-lo. E é assim que a história da França e do Espiritismo se entrelaçam. Sem dúvida, a mãe daquele que viria a ser o Kardec foi fundamental para edificar solidamente sua personalidade. Mas, esta é outra história.


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Uberaba-MG, 25 de maio de 2021.

Beto Ramos.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

A HISTÓRIA DO ESPIRITISMO, DA FRANÇA E DE KARDEC, EM CERTA MEDIDA, SE CONFUDEM


2ª PARTE

A origem da cidade de Bourg-en-Bresse é Celta. Foi uma das cidadelas mais fortes da Idade Média, tanto pelo relevo quanto militar.

A família Duhamel residia no prédio onde Benôit exercia a função de "préfet". Era uma mansão de fachada alta, arquitetura simples, grande sala de estar, escritórios e amplos jardins. Lá também ficavam os arquivos municipais.

Jean Rivail, esposo de Jeanne, e Benôit, seu pai, eram federalistas e Girondinos, os quais votavam em Paris. Vamos percebendo que os pais e os avós maternos do futuro codificador do Espiritismo eram personalidades importantes na política francesa, como também, tinham posses. Pode-se afirmar que seus familires faziam parte da nobreza da época.

O pai de Jeanne, mãe de Rivail, teve importante papel na Revolução Francesa, pois defendia os valores democráticos, a difusão dos princípios constitucionais e o esclarecimento da população.

Para os Girondinos a Revolução era a oportunidade de regenerar a sociedade pela educação. Suas propostas eram de longo prazo. Teorias muito bem estabelecidas, sendo Mesmer, inclusive, um dos seus pensadores, propunham cidadãos autônomos com a capacidade de avaliar e corrigir as leis. Todo esse processo se daria pela educação e a melhora gradativa: a cada geração; no fim seria uma sociedade mais justa.

É possível antever na França revolucionária os precursores do pensamento Espírita, isto é, da Teoria Espírista da Moral autônoma e do livre-arbítrio, tendo a aquisição do conhecimento como sua pedra angular.

Entre os Giorondinos havia vários discípulos de Mesmer, os quais divulgavam sua ciência por toda a França. Para seus adeptos, contrários à Medicina oficial da época (com procedimentos da idade média), as doenças eram provenientes de um desequilíbrio do organismo por causas físicas e morais.

Mesmer considerava saúde a completa ordem de todas as funções do organismo; a doença, portanto, era a desarmonia. Para combate-la e devolver a harmonia ao corpo deveria-se usar todos os recursos, tais como: alimentação, hábitos, estado emocional e o esforço da ação do médico pelos passes. Desta forma, quem retoma a harmonia é o próprio organismo do paciente com seus mecanismos naturais de recuperação.

A ideia central é que o Universo é responsável pelo equilíbrio das Leis Naturais, pela saúde e pelo mundo moral; O que o pensamento de Mesmer tem a ver com a política? Veja:

"A excessiva desigualdade (de riquezas, força e poder) contribui para a desarmonia coletiva". Ele estava falando das desigualdades sociais. Dai, o fato de ser um dos importantes teóricos do processo de mudança preconizado pelos Girondinos. É que no centro de sua teoria está que toda desigualdade somente pode ser modificada por meio da educação.

Contudo, nenhuma dessas ideias interessavam aos tiranos liderados por Robespierre, o qual implantou o terror por menos de uma ano; sua "lógica" e esforço resumia-se em eliminar os inimigos.

(Continua...)

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Uberaba-MG, 17 de maio de 2021.

Beto Ramos.

sábado, 15 de maio de 2021

A HISTÓRIA DO ESPIRITISMO, DA FRANÇA E DE KARDEC, EM CERTA MEDIDA, SE CONFUDEM






1ª PARTE

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Allan Kardec é um pseudônimo, isto é, um nome escolhido pelo codificador do Espiritismo para assinar as obras que foram editadas a partir do ensino dos Espíritos. Rivail, seu verdadeiro nome, teve na educação a obra de sua vida; todos os instantes dela foram empregados a meditar sobre isto; sua felicidade estava em encontrar novos métodos ou descobrir novas verdades, meios, portanto, para edificar sua obra.

Desde o primeiro Luís, na França, até o o décimo-sexto, foram mil anos de reinado (FIGUEIREDO, MAAT, 2016). A revolução francesa, iniciada em 1789, proclama a república em 1792. Robespierre, com sua sanha sanguinária, junto dos Jacobinos, pediram a cabeça do rei sem julgamento.

Os Girondinos, outro grupo, formado por notáveis e legalistas que fizeram a revolução, acreditavam nas ideias de liberdade. Seu lema era lutar para mudar a lei e não fazer justiça fora dela e, assim, respeitar as boas leis. Além disso, esse partido francês acreditava na educação e na igualdade de oportunidades para todos como instrumento de reforma social.

Em meio à sede de sangue pela cabeça do rei, Thomas Paine (VINCENT, 1989) afirmou que o rei não merecia a morte. O seu argumento era que a monarquia, como sistema, devia ser o foco do julgamento. Acaso o rei tivesse nascido fora dela, recebesse educação advinda de pessoas estimáveis e vivesse ao redor de vizinhança amável, não teria sido um homem mau.

Jacobinos e Girondinos se enfrentavam. O ódio crescia e a febre revolucionária contagiava a todos. A guilhotina, por sua vez, ceifava dezenas de milhares de vidas. Bem próximo, a vida continuava como se nada estivesse ocorrendo.


A população francesa, preocupada em não morrer de fome, pouco entendia acerca das novais leis vindas de Paris. O casamento, por exemplo, que precisava da bênção da igreja, por um decreto tinha essa realidade modificada. Bastava um aviso no edifício da Câmara com o anúncio do enlace matrimonial e a apresentação do casal perante a autoridade municipal que tudo estava resolvido.

Chegamos, então, ao dia 05.02.1793. Aos 19 anos, a senhorita Jeanne-Louise Duhamel experimentava a alegria do dia de seu casamento. O Pai da noiva, senhor Benôit Marie Duhamel, um advogado e revolucionário exercia um encargo público, comparável hoje a um governador.

O Estado francês, no ano de 1790, possuia 89 unidades administrativas, as denominadas comunas, que eram administradas por conselhos municipais (ou geral), eleitos a cada seis anos. O Departamento governado por Benôit era Ain, cuja capital era Bourg-en-Bresse. As atividades do governador, entre outras, era promover reuniões com militares e políticos, além de discursar ao povo. O pai de Jeanne, portanto, viajava muito.

Charlotte Bochard era a mãe da noiva e quem organizava o casamento que receberia convidados importantes, entre os quais generais de brigada e dirigentes revolucionários. A família da noiva vivia em Ain, no Ródano - Alpes e chegaram ali fugindo dos ataques católicos em 1717, vindos da baixa Normandia. Eram os chamados huguenotes.

O feliz noivo era um senhor de 34 anos, Jean-Baptiste Antoine Rivail. Trabalhava em causas judiciárias. No ano de 1793 foi nomeado pelo conselho executivo do comitê de salvação pública como Promotor Militar e Juiz de Paz. Seus pais eram falecidos.

Após o casamento, o casal passaria a residir a 180 quilômetros distantes de Ain, em Belley.

(Continua...)

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Uberaba-MG, 15 de maio de 2021.

Beto Ramos.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

OBRAS PÓSTUMAS É UM LIVRO FUNDAMENTAL DO ESPIRITISMO?


Em 1890 os "sucessores" de Allan Kardec na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas publicaram um livro denominado Obras Póstumas. Segundo Herculano Pires, essa obra foi publicada 22 anos depois da última obra de Kardec - A Gênese, com a qual ele encerrou a Codificação. 

Nem todos os textos, como é possível observar, são inéditos. A maioria já havia sido publicada na Revista Espírita de 1869, após o desencarne de Kardec. Herculano Pires, inclusive, reclamou que a obra foi publicada tardiamente e isso se constituiu, na sua opinião, em descuido pelos sucessores com o acervo histórico.

Chama atenção o fato de que nosso ilustre filósofo denominou o conteúdo daquela obra como um testamento doutrinário de Kardec. Parece que o pressuposto principal para dita afirmação seria a confiança de Herculano Pires na honestidade da publicação do conteúdo da mesma.

Mas, o que é necessário ficar claro é que o livro é uma reunião de vários textos, constituindo-se numa coletânea de temas distintos, tais como música, prece e etc. Nesse caso, o que se fez foi um ajuntamento de textos diversos. Tudo isso nos leva a algumas reflexões:
  • A reunião dos textos publicados nessa obra seguiram o método e a pedagogia de Kardec?
  • O Codificador publicaria aqueles textos segundo a ordem e os títulos que receberam?
  • A natureza da obra é histórica ou doutrinária?
  • Se os textos já existiam quando Kardec estava vivo, por qual motivo não as publicou?
  • Os textos seriam publicados na forma como produzida ou sofreriam correções do Codificador?

Outra questão importante cinge-se no fato de que foi descoberto texto original que difere do conteúdo publicado nesse livro, como se pode verificar no Projeto Cartas de Kardec (FEAL e TV MUNDO MAIOR). Resta, portanto, definir o que é e quais são as obras fundamentais do espiritismo para, então, verificar a idoneidade da afirmação de que Obras Póstumas seria um livro fundamental do espiritismo.

Para definir a expressão obra fundamental recorremos ao dicionário o qual explica que obra é uma expressão que pode ser usada como o conjunto de uma produção, ao seu turno, fundamental significa tudo aquilo que tem caráter essencial, determinante e indispensável. Portanto, uma obra fundamental é como uma pedra angular, o alicerce e a base que sustentará todo o edifício de conhecimento construído.

Allan Kardec deixou instruções muito claras de como fundar uma biblioteca espírita ao editar o catálogo racional das obras. De partida, apresenta quais são as OBRAS FUNDAMENTAIS DA DOUTRINA ESPÍRITA. Nesse quadro destaca e explica cada obra enumerando-as na seguinte ordem:
  1. Livro dos Espíritos (parte filosófica);
  2. O Livro dos Médiuns (parte experimental);
  3. O Evangelho Segundo o Espiritismo (parte moral);
  4. O Céu e Inferno (contendo exemplos dos Espíritos no mundo espiritual e na Terra);
  5. A Gênese - Os Milagres e As Predições Segundo o Espiritismo;
  6. O Que é o Espiritismo (introdução e conhecimento do mundo dos Espíritos);
  7. O Espiritismo na Sua Expressão Mais Simples;
  8. Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas;
  9. Caráter da Revelação Espírita e Viagem Espírita em 1862.
  10. Coleção Revista Espírita a partir de 1858.

Vimos que não há nenhuma remissão a qualquer publicação póstuma sobre o que é preciso conhecer como princípios e postulados espíritas e, ao que parece, o Codificador julgou ter publicado todas as obras necessárias à constituição de uma biblioteca espírita, denominando o acervo de catálogo racional.

Julgamos que Obras Póstumas NÃO É um livro fundamental do Espiritismo em face das razões expostas, portanto, a obra não presta-se a fundamentar qualquer opinião contrária ao que foi revisado, corrigido e publicado pelo autor das obras fundamentais: Allan Kardec.

Uberaba-MG, 10 de maio de 2021.
Beto Ramos.

terça-feira, 4 de maio de 2021

O ESPIRITISMO É DEÍSTA?


Há uma disseminação muito grande entre o denominado movimento espírita de que Espíritismo é religião. No entanto, parece haver total desconhecimento da Doutrina Espírita. De partida deixamos claro, ao nosso sentir, que o que caracteriza uma religião é ser ela teísta. O Espíritismo, por sua vez, é deísta. Vamos tentar mostrar isso nas obras fundamentais do Espiritismo.

Antes, porém, vamos nos entender quanto às palavras: DEÍSMO é uma posição filosófica que acredita na criação do universo por uma inteligência superior (que pode ser Deus, ou não). A crença nesta inteligência ocorre por meio da razão, do livre pensamento e da experiência pessoal.

Começaremos, então, pela primeira pergunta feita por Kardec aos Espíritos Superiores: "Que é Deus?". A resposta é muito conhecida: "Deus é a inteligência suprema, CAUSA PRIMÁRIA de todas as coisas".

O Espiritismo difere, portanto, dos elementos comuns das religiões TEÍSTAS, uma vez que o seu ponto de partida não é uma revelação direta, ou tradição. A primeira revelação (Moisés) é baseada em profecias e tradição; A segunda centraliza-se na pessoa de Jesus e é narrada pelos Evangelistas.

Importante salientar que em prolegômenos (O Livro dos Espíritos) Kardec esclarece: "Este livro é o compêndio dos seus ensinamentos. Foi escrito por ordem e sob ditado dos Espíritos superiores para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos prejuízos do espírito de sistema". Assim, não há nenhuma possibilidade de que o seu conteúdo seja comparado à profecias ou meras narrativas.

O Espiritismo sofre importante influência filosófica.  Vejamos a primeira questão posta por Allan Kardec, como acima demonstrado. A influência, portanto, se constata, quando comparamos essas questões com o "Demiurgo" (artesão divino ou princípio criador do universo) do filósofo grego Platão.  Não é curioso que a existência de um Criador ou Organizador do Universo É A PRIMEIRA CAUSA DA FILOSOFIA DEÍSTA?

Na filosofia deísta é possível verificar que seu adepto está inclinado a afirmar a existência de um princípio criador e que não nega a realidade de um mundo completamente regido pelas leis naturais e físicas. Estudando as obras espíritas fundamentais constataremos exatamente isso. Além do mais, o deísta não pratica nenhuma religião.

É possível perguntar: o que é uma filosofia racional livre dos prejuízos do espírito de sistema? Trata-se, pois, de uma filosofia deísta.

Na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo pode ser constatado como o Espiritismo trata as revelações, os escritos sagrados e as escrituras bíblicas. Kardec é muito sóbrio quando declara que estas devem ser estudadas.

Naquela obra, inclusive, vamos encontrar o curioso título de item: ALIANÇA DA CIÊNCIA COM A RELIGIÃO. Logo, temos a informação que o Espiritismo veio para ser o traço de ligação entre uma e outra. Além do mais, na questão 627 de O Livro dos Espíritos, esses demonstram que seu objetivo é trazer informações racionais, sem alegorias.

Os deístas acreditam que as ideologias religiosas devem reconciliar e não contradizer as evidências científicas em detrimento dos ensinos bíblicos. É o que depreendemos no Espiritismo quando percebemos que religião e ciência são duas alavancas do progresso, uma vez que sua fonte é a mesma: Deus.

Um princípio fundamental do DEÍSMO é que Deus criou tudo: o visível e o invisível; o mundo físico e o espiritual. Temos no Espiritismo, principalmente em O Livro dos Espíritos, a confirmação dessas verdades, trazidas em bases racionais.

O deísmo não acredita na existência de um Deus providencialista, portanto, Ele não interfere no mundo de maneira evidente como sugerem as religiões teístas. Essa confirmação está contida na obra A Gênese, onde teremos capítulos especiais tratando de Deus, da providência e da natureza das revelações.

O DEÍSMO não toma posição sobre o que é o criador, nem tem como princípio encontrá-lo. O deísmo não prega a necessidade de revelações divinas como o fazem as religiões. O Espiritismo, ao seu turno explica racionalmente o que é e para que servem essas revelações.

Para o deísta, não há nenhuma dependência da existência ou não de revelação das escrituras ou do testemunho de outras pessoas para crer. É o mesmo que se dá com o Espiritismo. Não se viola consciência. O Espiritismo se funda na autonomia do Espírito, no seu livre-arbítrio e na sua evolução conforme a Lei do Progresso. Essa evolução ocorre a partir da aquisição de conhecimentos. A cada um segundo suas obras mesmo.

A filosofia deísta tem posição contraria ao fideísmo encontrado em muitos ensinamentos, tais como o Cristianismo, Islamismo e Judaísmo, onde parte-se do princípio que a crença deve ser cega. O Espiritismo ensina uma crença baseada na razão, lógica e bom-senso. Ao contrário de dogmas incontestáveis, tudo deve ser aceito como resultado de processos intelectivos de cada indivíduo, sendo, cada um, livre para crer ou não.

Os deístas tipicamente também rejeitam certos eventos religiosos, tais como cultos, profecias, etc., uma vez que não atendem ao critério da racionalidade, base principiológica do DEÍSMO. 

Quando estudamos a obra O QUE É O ESPIRITISMO, uma das primeiras lições de Kardec é que todas as religiões podem se encontrar em torno deste, devendo afastar exatamente cultos, entre outras práticas que só interessam aos partidários desta ou daquela religião.

A maioria dos deístas que analisam as religiões organizadas em torno das revelações divinas e livros sagrados as interpretam como produto da mente humana, não como fontes de autoridade. Todavia, podem ser aceitas como inspiração moral e ética.

Veja que na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo Kardec trata o Evangelho de Jesus dividindo-o em 05 (cinco) partes, sendo que uma delas é exatamente esta: um código moral incontestável.

Os deístas dizem que o maior presente do universo para a humanidade não é a religião, mas "a capacidade de raciocinar". Seria outro o pensamento espírita? Parece que o conteúdo doutrinário espírita não deixa dúvidas quanto a esse presente legado pela causa primária de todas as coisas para toda a humanidade.

Uberaba-MG, 04 de Maio de 2021.
Beto Ramos.

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