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segunda-feira, 10 de maio de 2021

OBRAS PÓSTUMAS É UM LIVRO FUNDAMENTAL DO ESPIRITISMO?


Em 1890 os "sucessores" de Allan Kardec na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas publicaram um livro denominado Obras Póstumas. Segundo Herculano Pires, essa obra foi publicada 22 anos depois da última obra de Kardec - A Gênese, com a qual ele encerrou a Codificação. 

Nem todos os textos, como é possível observar, são inéditos. A maioria já havia sido publicada na Revista Espírita de 1869, após o desencarne de Kardec. Herculano Pires, inclusive, reclamou que a obra foi publicada tardiamente e isso se constituiu, na sua opinião, em descuido pelos sucessores com o acervo histórico.

Chama atenção o fato de que nosso ilustre filósofo denominou o conteúdo daquela obra como um testamento doutrinário de Kardec. Parece que o pressuposto principal para dita afirmação seria a confiança de Herculano Pires na honestidade da publicação do conteúdo da mesma.

Mas, o que é necessário ficar claro é que o livro é uma reunião de vários textos, constituindo-se numa coletânea de temas distintos, tais como música, prece e etc. Nesse caso, o que se fez foi um ajuntamento de textos diversos. Tudo isso nos leva a algumas reflexões:
  • A reunião dos textos publicados nessa obra seguiram o método e a pedagogia de Kardec?
  • O Codificador publicaria aqueles textos segundo a ordem e os títulos que receberam?
  • A natureza da obra é histórica ou doutrinária?
  • Se os textos já existiam quando Kardec estava vivo, por qual motivo não as publicou?
  • Os textos seriam publicados na forma como produzida ou sofreriam correções do Codificador?

Outra questão importante cinge-se no fato de que foi descoberto texto original que difere do conteúdo publicado nesse livro, como se pode verificar no Projeto Cartas de Kardec (FEAL e TV MUNDO MAIOR). Resta, portanto, definir o que é e quais são as obras fundamentais do espiritismo para, então, verificar a idoneidade da afirmação de que Obras Póstumas seria um livro fundamental do espiritismo.

Para definir a expressão obra fundamental recorremos ao dicionário o qual explica que obra é uma expressão que pode ser usada como o conjunto de uma produção, ao seu turno, fundamental significa tudo aquilo que tem caráter essencial, determinante e indispensável. Portanto, uma obra fundamental é como uma pedra angular, o alicerce e a base que sustentará todo o edifício de conhecimento construído.

Allan Kardec deixou instruções muito claras de como fundar uma biblioteca espírita ao editar o catálogo racional das obras. De partida, apresenta quais são as OBRAS FUNDAMENTAIS DA DOUTRINA ESPÍRITA. Nesse quadro destaca e explica cada obra enumerando-as na seguinte ordem:
  1. Livro dos Espíritos (parte filosófica);
  2. O Livro dos Médiuns (parte experimental);
  3. O Evangelho Segundo o Espiritismo (parte moral);
  4. O Céu e Inferno (contendo exemplos dos Espíritos no mundo espiritual e na Terra);
  5. A Gênese - Os Milagres e As Predições Segundo o Espiritismo;
  6. O Que é o Espiritismo (introdução e conhecimento do mundo dos Espíritos);
  7. O Espiritismo na Sua Expressão Mais Simples;
  8. Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas;
  9. Caráter da Revelação Espírita e Viagem Espírita em 1862.
  10. Coleção Revista Espírita a partir de 1858.

Vimos que não há nenhuma remissão a qualquer publicação póstuma sobre o que é preciso conhecer como princípios e postulados espíritas e, ao que parece, o Codificador julgou ter publicado todas as obras necessárias à constituição de uma biblioteca espírita, denominando o acervo de catálogo racional.

Julgamos que Obras Póstumas NÃO É um livro fundamental do Espiritismo em face das razões expostas, portanto, a obra não presta-se a fundamentar qualquer opinião contrária ao que foi revisado, corrigido e publicado pelo autor das obras fundamentais: Allan Kardec.

Uberaba-MG, 10 de maio de 2021.
Beto Ramos.

2 comentários:

  1. Caro Beto, só com o tempo é que me cheguei à mesma conclusão que vc "a obra não presta-se a fundamentar qualquer opinião contrária ao que foi revisado, corrigido e publicado pelo autor das obras fundamentais". Ultimamente não a tenho citado muito, quando ocorre de fazê-lo, procuro deixar claro que não é uma obra publicada por Allan Kardec.

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    1. Caríssimo amigo Paulo Neto, gradíssimo pesquisador e orador espírita. Grato pelo seu comentário. Também levei um bom tempo para externar publicamente essa opinião. Apesar de ter formulado o raciocínio há algum tempo, agora foi a hora de escrever algo sobre o tema para suscitar um debate respeitoso. Abraços.

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