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domingo, 15 de novembro de 2020

AÇÃO E REAÇÃO: a crítica sem juízo crítico

 



"Sim - afirmava-nos o instrutor Druso, sabiamente - o estudo da situação espiritual da criatura humana após a morte do corpo não pode ser relegado a plano secundário".
(Ação e Reação, Cap. 1, Luz nas Sombras, pg. 11, FEB, 2013)


A crítica, como sabemos, é a habilidade ou capacidade de julgar. Para formar um juízo crítico, seja nas áreas de produção artística, literária ou científica, bem como de costumes e comportamentos, é necessário promover uma ação. Trata-se da atividade de examinar e avaliar minuciosamente o objeto sobre o qual será formado o juízo crítico.

Não é incomum, hoje em dia, nos depararmos com juízo crítico acerca de obras mediúnicas produzidas por intermédio do médium Francisco Cândido Xavier, notadamente aquelas da lavra de dois Espíritos: Emmanuel e André Luiz. Se a crítica é algo inevitável, o que, infelizmente, tornou-se algo bastante comum é o que ocorre com a fonte (integrantes do movimento espírita) desse juízo crítico.

Adiantamos que não há qualquer problema referente às críticas. O problema está na ação crítica. Você entenderá melhor a seguir quando define-se o que é a crítica. Vejamos.

A crítica é a arte, habilidade e capacidade do "crítico" que AGE de modo a examinar e avaliar minuciosamente o objeto sobre o qual está formando juízo. Partindo dessa premissa percebe-se que os críticos espíritas estão falhando no seu mister. Vamos observar um exemplo.

É comum se encontrar críticos da Obra "Ação e Reação" (FEB, 1956). Afirma-se que há "erro doutrinário" do Espírito autor, uma vez que não haveria referência a AÇÃO E REAÇÃO nas Obras Codificadas. Argumenta-se que seria lei que rege a matéria. Não é improdutivo citarmos a missão dos Espíritos Codificadores mencionada na questão n. 627 de O Livro dos Espíritos, verbis:
"[...] Estamos encarregados de preparar o Reino de Deus anunciado por Jesus, e por isso é necessário que ninguém possa INTERPRETAR A LEI DE DEUS ao sabor de suas paixões NEM FALSEAR O SENTIDO DE UMA LEI QUE É TODA AMOR E CARIDADE".

Já que, a partir dessa citação e do nosso tema central em comentário, percebe-se que falamos da Filosofia Espírita. E, nesse sentido, tratando da regra do bem e do mal, aprendemos na questão 632 (LE) com o ensino dos Espíritos que a regra da boa conduta (definição de Moral, segundo o Espiritismo) determina observar-se o que disse Jesus, ou seja, "vede o que quereríeis que vos fizesse ou não".

No campo das críticas sem critérios, mesma esteira da observação anterior, afirma-se, também, que não há no mundo espiritual regiões inferiores ou os chamados círculos de purgação. Mas, como vimos acima, o Espiritismo centraliza TODA SUA FILOSOFIA NA MORAL DE JESUS.

Alguns estudiosos, nos parece, "esquecem-se" que a Lei de Ação e Reação está contida num de ensinos Jesus, inclusive, repetido por Santo Agostinho na Questão 1009 de O Livro dos Espíritos, que pedimos vênia para recordar:

"A Cada Um Segundo Suas Obras!"

Esta máxima repetida pelo Espírito daquele que foi um dos pais da igreja, presente na Codificação e bastante festejado pelo Espírito Erasto em O Evangelho Segundo o Espiritismo, esta precedida pela seguinte afirmativa:

"[...] não é sublime a justiça unida à bondade que faz A DURAÇÃO DAS PENAS DEPENDER DOS ESFORÇOS DO CULPADO PARA SE MELHORAR?[...]"

Em nossa singela análise vamos encontrar, no ano de 1957, algumas páginas escritas por Emmanuel por intermédio do médium Xavier que serve de prefácio ao livro Ação e Reação da lavra de André Luiz por intermédio do mesmo médium. Aliás, outra acusação é que tais obras não podem servir de fonte de estudo, tendo em vista que não passaram pelo crivo do Controle Universal do Ensino dos Espíritos.

Como um parênteses recordamos que o Controle Universal é metodologia para filtrar o ENSINO DOS ESPÍRITOS. Portanto, aquilo que venha informar sobre elementos e informações contidos na codificação precisam guardar relação de lógica e bom-senso. Mas, a lógica, razão e bom-senso não é patrimônio do intérprete julgador. É preciso, antes, reconhecer a própria falibilidade e as ideias preconcebidas. Outro elemento importante: o intérprete julgador deve ser um profundo conhecedor da Doutrina Espírita conforme a opinião de terceiros e não fruto de opinião pessoal, o que poderia ser reconhecido como "orgulho" ou "prepotência".

Para nossa reflexão, adiantamos, não somos profundos conhecedores da Doutrina Espírita, mas, profundos postulantes da posição, sendo certo que buscamos adquirir esse conhecimento cotidianamente. Feitas estas considerações, voltemos ao dito prefácio onde aquele Espírito, ao nosso sentir, diz o seguinte:

1. A consciência se atira ou se lança (no sentido de imaginar ou delinear) em regiões inferiores; Trata-se de uma região além do corpo físico. O objetivo dessa ocorrência é proporcionar ao Espírito compreender a importância da existência na carne; A consciência culpada do Espírito compreenderá que a Justiça Divina ou as Leis Divinas são infalíveis (posto que imutáveis).

2. Assim é que aquele que procede mal no círculo da carne CRIA o próprio inferno exterior. São os desvarios de conduta que geram culpa consciencial. As ações, refletindo cada indivíduo, são praticadas e reconhecidas pela consciência. Destarte, o mal procedimento reconhecido pela consciência é que promove o afastamento do Espírito que se lança nessas regiões inferiores QUE A PROPRIA MENTE CRIOU. Essa criação iniciou-se a partir das ações cruéis e deprimentes praticadas pelo Espírito ainda na carne. Trata-se de todo um universo íntimo plasmado pelo próprio Espírito.

3. Quanto à ideia de punir, bastando um estudo superficial do direito penal, reconhecemos que vigiar e punir são pensamentos e sentimentos inerentes ao tecido social humano, cujo propósito é manter a orde jurídica entre os indivíduos. AS POPULAÇÕES QUE DESENCARNAM LEVAM CONSIGO ESSAS IDEIAS. Ocorre, todavia, que a ideia Espírita tem um conceito ainda mais amplo dessa ordem no que diz respeito às Leis Divinas.

4. Essa ampliação relaciona-se intrinsicamente com o esclarecimento da criatura que, tanto quanto maior, mais responsabilidades exige do Espírito. As leis, portanto, são RESOLUÇÕES das próprias consciências esclarecidas cuja culpa RECLAMA REPARAÇÃO DOS ERROS.

5. Os princípios da Codificação mostra que o caminho a seguir é aquele trilhado por Jesus, conforme os Evangelhos, SEM O QUAL NÃO HÁ PROGRESSO. Destarte, OS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS SÃO DISCIPLINADORES DA LIBERDADE.

6. É dessa forma que se compreende a REENCARNAÇÃO como uma oportunidade de estágio para recapitulação das experiências e a DOUTRINA ESPÍRITA como a revivescência do Evangelho de Jesus, cujo propósito é que o Espírito possa REGENERAR o próprio destino, isto é, MUDAR DE ROTA e TOMAR NOVAS RESOLUÇÕES.

Recordando o Capítulo 5 da Obra O Céu e O Inferno, cujo título é O Purgatório, Allan Kardec ensina que o Espírito se purga em mundos de expiação, situação que o planeta Terra experimenta, sendo o estado feliz ou infeliz da alma, também, uma morada na casa do Pai (Cap. 3, Evangelho Segundo o Espiritismo). Vamps aprender na Obra A Gênese que os planetas possuem suas populações de Espíritos encarnados e desencarnados, o que, por sua vez, concorda com a mesma informação na Obra O Céu e o Inferno.

Se bem compreendemos o objetivo da obra prefaciada por Emmanuel, temos que as sombras do ontem são as possibilidades do hoje com vistas à preparação do amanhã. Agir no mal ou no bem é uma escolha do Espírito. Qualquer ação do Espírito provocará uma reação, cuja consequência será o resultado daquela escolha, nos precisos termos do ensino de Jesus, O Cristo!

Estude e Viva.

Uberaba - MG, 15 de Novembro de 2020.

Beto Ramos

sábado, 14 de novembro de 2020

OS SÁBIOS E PRUDENTES PROCURAVAM JESUS À NOITE


 

“Naquele tempo, respondendo, disse Jesus: Graças te dou a ti, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e prudentes, e as revelaste aos simples e pequeninos.” (Mt, 11:25).



Os simples e pequeninos de algumas traduções bíblicas como os pobres de Espírito de outras possuem o sentido de humildes. Ao seu turno, sábios e prudentes, que seriam aqueles mais aptos a “entender” mais facilmente, pois, possuiam a ciência.

Todavia, foram os primeiros e não os segundos que compreenderam o propósito do ensino de Jesus, isto é, o seu conteúdo e a sua mensagem (E. S. E., cap. 7, itens 7.8).

O Espiritismo, baseado no ensino dos Espíritos Superiores, indica Jesus como modelo e guia da humanidade terrestre (L.E., Q. 625). Todavia, ter Jesus como modelo e guia importa não envaidecer com o próprio conhecimento, o saber mundano, nem se orgulhar de negar o poder supremo do Criador.

O seguidor de Jesus não trata Deus como igual e nem o rejeita. Recordamos que Allan Kardec ensina: “[...] na antiguidade, sábio era sinônimo de sabichão. Assim, Deus lhes deixa a busca dos segredos da Terra, e revela os do Céu aos humildes que se inclinam perante Ele” (E. S. E., cap. 7, itens 7.8).

O estudioso das escrituras perceberá, no caso do Novo Testamento, ao examinar os Evangelhos, que os sábios que procuraram Jesus, o fizeram à noite. Indagamos por qual motivo e buscaremos tecer considerações a respeito. Nesse sentido, a nossa hipótese: Muitos procuraram a Jesus à noite! Por que não o fizeram de dia?

O dia, no mundo, pensamos, é comparável a ideia de uma claridade que, ao contrário de ser realmente a Luz, na verdade, é o reflexo do egoísmo, vaidade e orgulho humanos. Criamos a aparência de claridade, mas, que não se sustenta, pois, logo essas pretensas luzes se apagam. São efêmeras. Ainda estamos adquirindo conhecimento, que só ocorre no contato com a experiência. Fazemos escolhas ante ao que pensamos ser certo ou errado, justo ou injusto.

Mas, quem é capaz de afirmar que tomou as decisões corretas ante as Leis Divinas? Tornando cada um ao seu tamanho verdadeiro, vendo-se inferiores em razão da pretensa luz que se apagou, veem-se diante da verdade: ao seu redor há uma completa escuridão. É então que procuram Jesus. Durante o dia não o viram em razão do seu orgulho e egoísmo (que cega, ofusca a visão), pois, julgaram-se maiores, imaginaram seu conhecimento maior que o do Criador. Buscaram aplausos humanos.

Por que agora o veem em meio a essa noite tão escura? É que a obscuridade do conhecimento humano é vencida pela Sabedoria do Mestre, cuja Luz brilha intensamente dia e noite. O conhecimento de Jesus não é efêmero. Não é Supremo, mas, sua Sabedoria permite-lhe estar nos segredos de Deus, pois, o vê e o compreende.

Um filósofo da antiguidade disse: “só sei que nada sei”. Sem a soberba humana, certamente, enxergava tão bem de dia quanto de noite.

Desde os tempos mais remotos “a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras; quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as obras sejam manifestas, porque feitas em Deus” (Jo 3:19-21).

Uberaba-MG, 14 de novembro de 2020.
Beto Ramos

terça-feira, 13 de outubro de 2020

VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO! Entende o que lês quando interpreta a expressão "vós"?

 

“Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa”. Jesus - (Mateus, 5:14-15)

 

Allan Kardec, ao escrever a Introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo, no item I - Objetivo da Obra - irá apontar: "Muitas passagens do Evangelho, da Bíblia, e dos autores sagrados em geral são ininteligíveis, e muitas mesmo parecem absurdas, por falta da chave que nos dê o seu verdadeiro sentido".

O Codificador explicará que essa chave está toda no Espiritismo e que para encontrá-la é preciso estudar seriamente a Doutrina. Além do mais, deixa claro que o Espiritismo se encontra em toda parte, na Antiguidade, e em todas as épocas da humanidade. Em tudo há os seus traços, motivo pelo qual abre horizontes para o futuro ao mesmo tempo em que lança luzes sobre mistérios do passado.

Depois de tratar da Autoridade da Doutrina dos Espíritos, no item III, ainda na Introdução do Evangelho, antes de um pequeno vocabulário, vamos nos deparar com a advertência que nos serve de bússola para a reflexão a seguir:

"Para bem se compreender certas passagens dos Evangelhos, é necessário conhecer o valor de muitas palavras que são frequentemente empregadas nos textos, e que caracterizam o estado DOS COSTUMES E DA SOCIEDADE JUDIA NAQUELA ÉPOCA. Essas palavras não tendo para nós o mesmo sentido, foram quase sempre mal interpretadas, gerando algumas incertezas. A compreensão da sua significação explica também o verdadeiro sentido de certas máximas, que à primeira vista parecem estranhas".

Iniciamos o nosso texto com dois versículos do Capítulo 5 do Evangelho de Mateus que reporta às mensagens proferidas por Jesus no seu famoso Sermão do Monte.

Segundo os estudiosos as figuras masculinas e femininas estão presentes e em perfeito equilíbrio no ministério de Jesus. Vinte séculos após o primeiro, não nos causa surpresa a equiparação dos gêneros, afinal de contas, recordando a Constituição Federal (aqui do Brasil), no seu 5º artigo, todos são iguais perante a lei e não é permitida discriminação de qualquer natureza.

Contudo, não era assim no primeiro século. Para a cultura judaica causou perplexidade e surpresa o discurso de Jesus onde ele faz uso de exemplos do mundo dos homens e do mundo das mulheres. Naquela cultura o status da mulher era diferente do que é hoje na maior parte do mundo civilizado. Além do mais, o publico de Jesus era, na sua maioria, constituído de Fariseus e Escribas. Seria uma ofensa de Jesus aos homens que constituíam a maioria de seu público?

O Livro dos Espíritos, nas Leis Morais, traz várias respostas dos Espíritos Codificadores sobre a Lei de Igualdade (recorde que o trabalho dessa plêiade de Espíritos foi presidido pelo Espírito de Verdade). Jesus trazia, já naquela época, há dois mil anos, toda sorte de exemplos que induziam aquela cultura a refletir sobre o papel e a importância de cada indivíduo no tecido social. Era assim com homens e com mulheres.

No Sermão do Monte, ao exclamar a famosa frase: "Vós sois a luz do mundo", em verdade não é um dito direcionado aos homens ou aos discípulos tão somente. Isto seria apequenar a lição do Mestre. Na verdade, se considerarmos a cultura da época, eram os homens que construíam as cidades. Mas, há outra imagem que está ilustrada na mensagem de Jesus. Recorde-se que naquela sociedade judaica eram as mulheres quem tinham a tarefa de promover a manutenção da casa, como, por exemplo, o preparo de alimentos, mas, havia outra que não pode ser esquecida: as candeias (lamparinas ou lâmpadas) proviam a ILUMINAÇÃO DA CASA e essa era uma tarefa das mulheres: manter a luz acesa. Até hoje, para aquela cultura, essa ainda é tarefa da mulher (acendem velas no Shabat).

Considere toda a tecnologia usada pelos homens para as suntuosas construções e não se esqueçam que cada um deles teve sua inteligência iluminada por uma mulher, no seu lar, sendo essa a representação da importância de todos os indivíduos encarnados na Terra, sem distinção. Recorde, ainda, que LUZ, nas escrituras, significa: ESCLARECIMENTO.

Jesus já mostrava a igualdade e a importância dos indivíduos desde as primeiras palavras do Seu Ministério.

Estude e Viva.

Uberaba - MG, 13 de Outubro de 2020.

Beto Ramos.

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AÇÃO E REAÇÃO: a crítica sem juízo crítico

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