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terça-feira, 2 de março de 2021

A CASA ESPÍRITA, O MÉDIUM E A MEDIUNIDADE

É comum ler e ouvir muita coisa sobre casa espírita, médium e mediunidade. Se existem os escritos e exposições sublimes, há muito que não se aproveita, mas, que se apresentam com uma roupagem aparentemente requintada. O fim não se justifica pelo meio. É preciso esclarecer.

O Espiritismo não vem substituir NENHUMA religião. Não é o seu propósito tornar-se religião. Sobre isso o Codificador muita vez manifestou-se. Em momento algum afirmou o contrário, isto é, que teria modificado a sua opinião sobre o tema. Ao contrário, nas suas explanações sobre esse assunto, uma de suas afirmativas mais presentes é: o Espiritismo NÃO possui casta sacerdotal e nem culto. Essa última acepção nos leva a reconhecer que se não há culto, também não há templo sagrado.

Contudo, em tom dissonante de Allan Kardec, o que não falta é espírita afirmando que a casa espírita é um templo sagrado; que médiuns e centros espíritas necessitam-se mutuamente; que a Doutrina Espírita sem prática mediúnica "ficaria incompleta". Colocam em risco, com tais afirmações, até mesmo a restauração moral da humanidade.

Será mesmo que a Codificação trata da questão de modo tão umbilical? Isto é, que médium e casa espírita são fundamentais para existência da Doutrina Espírita? Será que o Ensino dos Espíritos vedam o exercício da mediunidade na intimidade, isto é, no lar próprio ou alheios?

Quando Allan Kardec teceu comentários acerca da comunhão de pensamentos e do tamanho das reuniões nas sociedades, qual era mesmo o seu objetivo? O que diz o Livro dos Médiuns a respeito? Afirmou Kardec, alguma vez, que médium e "casa espírita" estão interconectados e dependentes mutuamente?

Gostaríamos de consignar alguns dos esclarecimentos do Codificador acerca das reuniões:

1. Objetivo: permitir que seus participantes se esclareçam, mediante a permuta de ideias, pelas questões e observações que se façam, das quais todos aproveitam; ou seja, LOCAL DE ESTUDOS.

2. Tipos de reuniões: frívolas, experimentais e instrutivas.

2.1. Frívolas - busca produzir fatos para satisfazer a curiosidade (quantos não vão às sessões de psicografias apenas para satisfazer esse tipo de interesse íntimo?).

2.2. Experimentais - tem por objeto produzir manifestações físicas (carecem de uma direção com método e prudência para alcançar melhores resultados); Isto é, Kardec esclarece que para essas exige-se conhecimento, o que só vem por intermédio de estudos.

2.3. Instrutivas - o objetivo é haurir o verdadeiro ensino; Melhor dizendo, Kardec mostra que o DEVER DO ESPÍRITA É AMEALHAR CONHECIMENTO POR MEIO DO ESTUDO.

3. Condições para reuniões sérias: os assistentes devem estar em condições propícias; cogitar de coisas úteis; observar atentantamente para estudar os fatos; pesquisar as causas, verificar o que é possível comprovar e o que não é; Portanto, as reuniões sérias são verdadeiros laboratórios para estudo e prática do Espiritismo e não da mediunidade.

4. Utilidade: aperfeiçoamento de médiuns de manifetações inteligentes, conscientes de sua falibilidade; ocasião para o médium obter conhecimento doutrinário para evitar erros; lugar onde o médium obtem opinião de pessoas mais esclarecidasque podem apanhar os matizes delicados acerca da inferioridade do Espírito comunicante.

Percebemos vários pontos importantes nesses apontamentos, porém, não encontramos VEDAÇÃO a que o médium possa obter comunicações em particular. Muito ao contrário, o Codificador incentiva que tais comunicações obtidas sejam examinadas por terceiros nas mesmas condições do item 4 acima.

Já ouvimos e lemos que reuniões íntimas (isto é, no lar) não devem ser realidadas. Repetimos: não é uma advertência de Kardec. Imaginemos a seguinte situação: em determinada casa o médium não encontra as condições necessárias dos demais participantes em relação ao recolhimento, bons pensamentos, busca da reforma moral, etc. Enquanto que no seu lar, no conforto dos seus estudos solitários e silenciosos, possa se recolher, meditar e encontrar o ambiente necessário para a obtenção de uma excelente comunicação de um Espírito Superior. Após ter recebida a mensagem, conforme as instruções de Allan Kardec, leva-a para seus companheiros de reuniões na casa espírita, o que se deve fazer? JOGAR FORA?

Para que não seja uma reflexão demasiado longa, vamos terminar esse texto com uma dissertação de Kardec, item 332, 2ª Parte, Capítulo 29 de O Livro dos Médiuns:

"Sendo o recolhimento e a comunhão dos pensamentos as condições essenciais a toda reunião séria, fácil é de compreender-se que o número excessivo dos assistentes constitui uma das causas mais contrárias à homogeneidade. Não há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número e bem se concebe que cem pessoas, suficientemente concentradas e atentas, estarão em melhores condições do que estariam dez, se distraídas e barulhentas. Mas, também é evidente que, quanto maior for o número, tanto mais difícil será o preenchimento dessas condições. Aliás, é fato provado pela experiência que os círculos íntimos, de poucas pessoas, são sempre mais favoráveis às belas comunicações, pelos motivos que vimos expender".

Uma boa advertência é: não criemos dogmas onde Kardec não os criou. Aos que adoram os dogmas, pensamos, basta os princípios básicos da Doutrina Espírita: Deus, imortalidade da alma, comunicabilidade com os Espíritos, reencarnação e evolução contínua e progressiva dos Espíritos.

A casa espírita que você frequenta trabalha, estuda, medita, divulga e aplica esses princípios na prática diária?

Fonte: O Livro dos Médiuns. São Paulo: LAKE, 2013.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

SUA OPINIÃO É SUA OPINIÃO. EU RESPEITO, MAS, ELA NÃO PASSA DISSO: A SUA OPINIÃO

Convite à reflexão.

MARAVILHOSAMENTE, a sociedade contemporânea vive uma era em que a informação é alcançada das maneiras mais rápidas e eficazes. Chega uma informação, várias pessoas se dispõem a divulgá-la e defendê-la de forma, por vezes, educada, outras nem tanta. Uma informação aparentemente comprovada, não mais que imediatamente, é derrubada ou, ao menos, colocada em dúvida.

Sobre tantos temas, o que se percebe é a busca de "comprovações" que defendam os próprios pontos de vista. Sob o manto de uma pretensa caridade ou numa demonstração de completa ausência de urbanidade, o estudo verdadeiro e profundo é deixado de lado. Cada um, ao seu modo, busca ser "seguido" e não filiar-se a uma ideia. Alguém se propõe a um trabalho e logo surgem inimigos/adversários que esvaziam a latrina mental e gritam: "quer aparecer"; "quer desunir"; "quer destruir".

Ora, vejamos: SUA OPINIÃO É SUA OPINIÃO. EU RESPEITO, MAS, ELA NÃO PASSA DISSO: A SUA OPINIÃO. Conviva com isso. Aceite e viva bem, melhor e mais feliz. O conhecimento é construído, passa por um processo de elaboração mental. Para Espíritos imortais, isso não acontece numa única encarnação. O processo passa por sucessivas encarnações.

Allan Kardec afirmou, ao criar a Revista Espírita, "debateremos, não disputaremos". Será útil introjectar e agir, verdadeiramente, conforme o fundo do pensamento que está no âmago dessa mensagem, lida e propagada por muitos (talvez, nem tanto), mas, que até aqui não tornou-se uma badeira para os Espíritas.

Uberaba - MG, 24 de fevereiro de 2021.

Beto Ramos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

CHEGOU A HORA PORQUE MORREU OU MORREU PORQUE CHEGOU A HORA?

Muito se tem falado, inclusive em berço espírita, que nossos queridos irmãos e irmãs acometidos do mal pandêmico que assola o país e o mundo, ao sucumbirem à COVID-19, morreram porque "chegou a hora". Por essa linha de raciocínio é possível concluir, então, que há destino ou karma (também carma). O Espiritismo valida essa teoria?

O Livro dos Espíritos nos proporciona campo para agudas reflexões. De acordo com o fatalismo compreende-se pelo vocábulo fatalidade a qualidade daquilo que é fatal, isto é, destino que não se pode alterar. Pois bem, pretendemos pensar a respeito.

Vejamos, então, a questão 851 da obra mencionada. Kardec questionou os Espíritos sobre a existência ou não da fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme o sentido acima exposto. Na verdade, o Codificador desejou saber se existem ACONTECIMENTOS predeterminados. Incluiu na sua indagação, em caso de resposta positiva, o que seria do livre-arbitrio?

A resposta objetiva foi que a fatalidade existe UNICAMENTE pela ESCOLHA QUE O ESPÍRITO FEZ DESTA OU DAQUELA PROVA que sofrerá ao reencarnar.

Aprendemos que o Espírito institui a si mesmo uma espécie de destino. Ora, é preciso ter em mente o significado de destino e de uma espécie de destino. Na questão mencionada os Espíritos Superiores vão conceituar essa espécie de destino. Nada mais é que A CONSEQUÊNCIA DA POSIÇÃO EM QUE O ESPÍRITO VIER A ESTAR COLOCADO.

Vamos interpretar? Segundo o MEIO EM QUE O ESPÍRITO REENCARNA, tendo escolhido o GÊNERO DE PROVAS, sujeita-se às CIRCUNSTÂNCIAS que tal gênero irá lhe proporcionar. Nesse meio existem pessoas, coisas e provas morais que o Espírito experimentará. Se no meio existem situações alheias à vontade do Espírito, tais como as que dependam de decisões de terceiros, a reencarnação sob determinado gênero de provas, de certa maneira, traçará uma rota evolutiva.

Todavia, é preciso lembrar que NINGUÉM está fadado (isto é, fatalmente) a essa mesma rota. São infinitas as opções de escolhas que faremos ao longo do desenvolvimento daquele gênero de provas anteriormente escolhido (no chamado planejamento reencarnatório).

Ainda assim, até mesmo as escolhas não estarão livres de certas amarras que vão relativizar o livre-arbítrio do Espírito. Isso não significa que se deva lançar qualquer situação que seja à conta do destino. Não sabemos quais são as provas escolhidas pelo Espírito, o que é ou não consequência de suas faltas, além do que as ideias exatas ou falsas que fará das coisas o levará a atingir ou errar seu alvo. Para tanto, considera-se, também, o caráter de cada um e sua posição social, dentre outros fatores.

Atribuir o que ocorre ao Espírito encarnado à conta da sorte ou destino é um meio de fugir ao dever de refletir sobre as próprias ações e suas consequências. Voltemos ao tema principal: A MORTE. O que há de fatal nisso?

Segundo a teoria Espírita, FATAL é somente O INSTANTE DA MORTE. Saber disso faz toda a diferença. Chegou a hora porque morreu ou morreu porque chegou a hora? Não é um jogo de palavras. A resposta é: chegou a hora porque morreu!

Se essa hora NÃO chegou, a morte somente ocorrerá quando as LEIS DIVINAS forem violadas. Disto resulta que é possível e desejável que o ESPÍRITO lance mão de todas as precauções possíveis para evitar uma morte que o esteja ameaçando. Para uma reflexão desejável, o leitor não deve comparar a onisciência e onipotência do Criador, que tudo sabe sobre suas criaturas, com a ideia de destino.

Todos os perigos que cercam o Espírito encarnado mostra-lhe o quão fraco e frágil é uma existência. Segundo o ensino dos Espíritos é preciso sempre examinar a causa e a natureza dos perigos. Quase sempre são consequências de faltas cometidas, isto é, da negliência no cumprimento de um dever. O Espírito, sabendo o gênero de provas que escolheu, sabe quais são os perigos a que está exposto e que lutas terá que sustentar para evitá-los.

Se assim não fosse, o que dizer daqueles que afrontam perigos, que visam o autoextermínio ou que amealham todo tipo de vício? De resto, é preciso compreender com profundidade: a fatalidade, verdadeiramente, só existe quanto ao MOMENTO em que o ESPÍRITO deverá APARECER e DESAPARECER do mundo em que escolheu para reencarnar.

Voltando à questão pandêmica é preciso refletir: o Espírito poderia afastar um fato como a morte pela COVID-19? Nem tudo que sucede ao Espírito ESTÁ ESCRITO como se costuma dizer. Os acontecimentos são consequências de atos praticados por livre vontade, sem o qual o acontecimento não teria se dado. Recorde-se de muitos que sucumbiram a esse mal por pura negligência ou imprudência.

Outra questão que vem de encontro a essa reflexão é que a humanidade carece de grandes dores, fatos importantes e capazes de influir-lhe moralmente. São úteis à sua depuração. Sua finalidade é apenas de instrução. A reencarnação e tudo o que nela ocorre é um processo pedagógico. Tudo é instrução para o Espírito.

Nesse grande laboratório planetário promove-se muitas experimentações, muitas experiências. A culpa não é de Deus e nenhum acontecimento deve ser creditado à conta do Destino. É bom que a humanidade aprenda nesse processo a assumir sua responsabilidade como ente coletivo.

É imperativo compreender que, pela ação da vontade, até mesmo acontecimentos que deveriam verificar-se, podem ser altarados. As condições para tanto são: a alteração deve ser cabível, estar em conformidade com as leis naturais e na sequência do gênero de vida escolhida pelo Espírito. A todos é facultado IMPEDIR O MAL, sobretudo aquele que possa concorrer para a produção de um maior.

Se a fatalidade, como compreendida no princípio desse texto, realmente existisse, aquele que em vida cometesse um assassínio saberia que escolheu uma existência fadada a cometer esse crime. ISSO NÃO OCORRE. O Espírito que escolhe uma vida de lutas sabe que poderá sentir o desejo de matar alguém, mas, não sabe se irá ceder, pois, tem a deliberação de infringir as leis Divinas ou não. Numa palavra, se soubesse que mataria alguém, estaria PREDESTINADO ao crime.

TUDO RESULTA SEMPRE DA VONTADE E DO LIVRE-ARBÍTRIO. Saber escolher faz toda a diferença. Não há ninguém predestinado ao sofrimento, como não há ninguém nascido sob uma boa estrela. Em Espiritismo temos uma lição importante: "é tolice tomar tudo ao pé da letra".


Beto Ramos

Uberaba-MG, 22 de fevereiro de 2021.


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A CASA ESPÍRITA, O MÉDIUM E A MEDIUNIDADE

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