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segunda-feira, 26 de julho de 2021

FATALIDADE E LIVRE-ARBÍTRIO

Por que nós fazemos o que fazemos?

Há uma lei de regência das ações humanas?

Os atos humanos só foram praticados porque estavam escritos?

Segundo sua definição léxica fatalidade diz respeito ao destino que NÃO se pode evitar. Vulgarmente a palavra é usada para definir um acontecimento cruel, uma desgraça. Na origem etmológica da palavra, fatalidade vem do latim 'fatalitas', que provém do francês 'fatalité', cujo significado é 'necessidade do destino'. Especulamos se, nessa origem, o que se tentava era dar alguma resposta para algo cuja lei de regência era desconhecida ou, do contrário, não compreendida.

Filosoficamente, no que tange às ações humanas, encontraremos, em contraposição, a expressão 'livre-arbítrio', cuja ideia é significar a possibilidade de decidir, isto é, fazer uma escolha em função da própria vontade, onde a escolha é isenta de qualquer condicionante, motivo ou causa determinante.

A ciência filosófico-espírita tem no livre-arbítrio um princípio espírita, pois, sua teoria é fundada na autonomia moral do Espírito. Portanto, nas questões relativas à vida física, a fatalidade, vulgarmente compreendida, é incompatível com a ideia de livre-arbítrio. Não é concebível a ideia que os atos humanos foram praticados porque estavam escritos.

Considerando o Espírito um ser complexo, dotado de pontencialidades ou faculdades que "despertam" à medida que o mesmo progride e, também, evolui, constata-se que a escolha é uma dessas potencialidades. A aptidão para escolher surgirá à medida que conhecimentos são acumulados pelo Espírito.

Se por meio da instrução o Espírito estimula sua faculdade de inteligência, ocasião em que conhece as leis que regem a matéria e aprimora o seu conhecimento, por meio do esclarecimento o conhecimento aprimorado se transforma em sabedoria, e, como consequência, o senso moral não é mais mistério ou mero acaso. A sabedoria proporciona ao Espírito conhecer as leis que regem a natureza moral, o que lhe permite moldar e modificar o senso moral.

Para isso o Espírito reencarna e ocupa uma posição na Terra, onde desempenha fuções como consequência do gênero de existência que escolheu no estado de Espírito errante. Por isso, é fundamental saber que:
I. No estado errante o Espírito faz a escolha das existências futuras e das provas que deseja sofrer;
II. No estado corpóreo, seu livre-arbítrio lhe faculta ceder ou resistir aos arrastamentos a que voluntariamente se submeteu em razão da escolha do gênero de provas e da existência.

O Espírito, então, está sujeito a ser atraído para o crime ou para fazer o bem, sendo importante saber que há nisso duas condicionantes:
a. O meio em que estiver situado;
b. As circunstâncias supervenientes.

Desse modo, compreendendo a reencarnação como oportunidade, o Espírito:
1. Poderá combater suas más tendências com os conhecimentos que adquiriu ou irá adquirir;
2. Deverá estudar o que compõe o seu caráter, sua personalidade;
3. Deverá investigar e conhecer as leis que regem a natureza moral.

Podemos resumir isso no processo em que o Espírito:
- Estuda como se adquire uma imperfeição e como dela se livra;
- Por que faço algo desse jeito e não de outro?
- Aprende como adquirir, modificar e aprimorar o conhecimento segundo a Lei do Progresso.

Segundo o Espiritismo o livre-arbítrio é pleno. O Espírito tem poder de resistir a qualquer influência e nada é inexorável. Pela vontade comanda os desejos e lhe cabe fazer boas escolhas ou atender às más sugestões. As sucessivas reencarnações proporcionam ao Espírito esclarecer sua vontade. A VONTADE ESCLARECIDA escuta, julga e escolhe livremente entre dois conselhos.

Trazendo em si todas as qualidades e imperfeições que possuía como Espírito, o ser humano comete faltas em razão dessas, pois, ainda não atingiu superioridade moral. Isso não quer dizer que o livre-arbítrio é menor. Aliás, é essa faculdade que faz com que o avance no desenvolvimento do senso moral e é por meio da existência corporal que expurga suas imperfeições passando pelas provas. Ocasião em que trava uma luta íntima contra suas próprias imperfeições.

Experimentando provas e expiações, o Espírito que vence suas imperfeições se eleva, mas aquele que fracassa continua a ser quem era (nem melhor, nem pior) e terá que RECOMEÇAR do ponto onde sucumbiu. Nessa situação é possível que ainda demore muito tempo para vencer o obstáculo.

O Espiritismo aconselha que cada um cumpra o seu papel, no seu próprio proveito para, se elevando, ir para um mundo onde o bem reina inteiramente e onde se lembre de sua permanência na Terra, apenas, como um tempo de exílio.

Uberaba-MG, 26 de julho de 2021
Beto Ramos

sexta-feira, 23 de julho de 2021

O QUE MOVE O SER HUMANO?

O livre-arbítrio é incompatível com a 'fatalidade', como vulgarmente é compreendida. Assim sendo, o Espiritismo repele, veementemente, a afirmação de que 'os atos humanos praticados, assim o foram, porque estavam escritos'. A escolha, como se fosse um dom ou dádiva divina, está presente no que se refere à reencarnação do Espírito. Isto é, ele pode escolher como prova e expiação, uma existência em que se sentirá arrastado para o crime, seja em razão do meio em que estiver situado, seja pelas circunstâncias supervenientes.

O fato é que o Espírito será sempre livre para agir como quiser. É preciso compreender que o livre-arbítrio existe e está presente sempre, isto é:

a) No estado de Espírito, com a escolha da existência das provas;

b) No estado corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que VOLUNTARIAMENTE está submetido.

Nesse caso, a reencarnação é a oportunidade em que o Espírito vai se educar. Essa educação consiste no seu trabalho para combater suas más tendências. A dúvida é: se depende do Espírito, porque esse processo é lento? Responderemos que, como em todo trabalho, no campo da educação do Espírito há resultados eficientes, como não.

Para colher bons resultados deve o Espírito se basear no estudo aprofundado de sua natureza moral. Deve estudar o que compõe o seu caráter, a sua personalidade. Ao mesmo tempo, é preciso que investigue e conheça quais são as leis que regem a natureza moral. Traduzindo, o Espírito deve estudar como se adquire uma imperfeição e como se despoja dela, pois, adquirir conhecimento, modificá-los e aprimorá-los decorrem da Lei de Progresso.

Uma observação importante é que nem tudo que parece ser uma qualidade boa é realmente e nem tudo que aparenta imperfeição o é, vez que existem qualidades que desconhecemos.

A evolução do Espírito compreende aprimorar sua inteligência pela instrução, o que lhe permite conhecer as leis que regem a matéria. Tanto que, à medida que a humanidade progride constata-se o progresso da inteligência humana. Podemos, então, dizer que pela instrução o Espírito adquire e aprimora o conhecimento.

No caso da natureza moral, é preciso que o ser humano se reconheça Espírito, entenda que existem leis sob as quais se submete nesse estado. Assim, o conhecimento, agora esclarecido, será transformado em sabedoria pelo EspíritoÉ que, nesse processo, o Espírito busca o saber, estuda a formação do seu caráter, investiga e domina todas as influências a que está sujeito.

Outro ponto a destacar é que o desenvolvimento do senso moral é mais lento do que o intelectual, no entanto, à medida que o Espírito vai conhecendo aquele conjunto de leis que rege a natureza moral, passará moldá-lo, modificá-lo, como modificado foi, e é, a inteligência pela instrução.

Desligado da matéria, em estado errante, o Espírito faz a escolha de suas futuras existências corpóreas. Essa escolha é feita segundo o grau de perfeição que tenha atingido. É NISTO QUE CONSISTE O SEU LIVRE-ARBÍTRIO. Essa é a expressão de sua liberdade, sua autonomia.

Ao reencarnar o Espírito mantém essa faculdade e não há anulação do livre-arbítrio. É preciso, pois, saber o que acontece após o reencarne. Se no estado errante faz-se a escolha das futuras existências corpóreas, nesse estado o Espírito sofre influência da matéria. Sob essa influência é que suportará ou sucumbirá nas provas que ele mesmo escolheu. Deus e os bons Espíritos devem ser invocados sempre para que assistam aos Espíritos em provas e expiações nas novas existências.

Uma questão crucial para compreender esse assunto é que sem o livre-arbítrio o homem não tem culpa do mal, nem mérito no bem. Destacamos que o livre-arbítrio é desenvolvido pelo Espírito, visto que é criado simples e ignorante. Vontade, por assim dizer, é sinônimo de liberdade. Por isso é que Deus julga a intenção.

Aquele que culpa o próprio organismo por suas faltas abdica da razão e da sua condição de humanidade, beirando a animalidade. Não ocorre o mesmo quando é o bem que é praticado, isto é, não atribui mérito aos próprios órgãos pela ação. Essas equações intelectivas prova que a espécie humana possui o privilégio da liberdade de pensar.

Portanto, o Espiritismo explica que não há fatalidadecomo vulgarmente é entendida: supondo uma decisão prévia e irrevogável de todos os acontecimentos da vida, qualquer que seja sua importância. Se fosse assim o ser humano equivaleria a uma máquina desprovida de vontade. A razão indica que a inteligência de nada serviria se o ser humano fosse dominado em todos os seus atos pelo "destino". Essa doutrina representa a destruição da liberdade. É que não haveria mal, crime ou virtude, o que seria negar a Lei do Progresso.

Mas, a fatalidade existe é preciso compreendê-la. O Espírito reencarna e ocupa uma posição na Terra, onde desempenha funções como consequência do gênero de existência que escolheu no estado de Espírito errante (prova, missão ou expiação). A fatalidade é que sofrerá todos os problemas dessa existência e todas as tendências boas ou más que lhe são inerentes, depende do Espírito encarnado, por sua vontade, ceder ou não a essas tendências. Os detalhes dos acontecimentos dependem DAS CIRCUNSTÂNCIAS QUE ELE MESMO PROVOQUE, com seus atos, e sobre os quais podem influir os Espíritos, por meio dos pensamentos que lhe sugerem.

A fatalidade reside nos acontecimentos que se apresentam ao Espírito durante a existência corporal e são consequências da escolha do gênero de existência que fez. Poder-se-ia afirmar que se trata de uma 'fatalidade relativa', pois os resultados dos acontecimentos dependem de novas escolhas que, fincadas na prudência, podem alterar o curso das coisas.

O livre-arbítrio, segundo o Espiritismo, é pleno. Ao ceder a qualquer sugestão exterior praticando o mal, possui total responsabilidade. Caso suas más tendências tivessem como causa sua organização física ou sua própria natureza teria dificuldade em lutar e resistir. Segundo a Doutrina Espírita, o Espírito tem o poder de resistir, pois, não há qualquer arrastamento que lhe seja inexorável. Por sua vontade pode comandar seus desejos, fechar os ouvidos à voz oculta que o solicita para o mal no seu íntimo, como pode não escutar a voz material de qualquer pessoa que lhe fale.

Cabe ao próprio Espírito fazer as boas escolhas e fechar sua porta ao que lhe importuna intimamente. Muitos agem pelo impulso por não voltar seus esforços para a educação moral e, dessa maneira, não coloca sua vontade em ação. A vontade esclarecida escuta, julga e escolhe livremente entre dois conselhos. Vale dizer que o ser humano traz em si as qualidades e os defeitos que possuía como Espírito.

Todas as faltas cometidas tem origem nas imperfeições do Espírito que ainda não atingiu a superioridade moral que lhe está assegurada, mas, nem por isso tem menos livre-arbítrio. É por meio do seu uso que o Espirito avança no desenvolvimento do senso moral e é por meio da vida corpórea que expurga suas imperfeições passando pelas provas.

Na existência corporal o Espírito trava uma luta com suas imperfeições. São as imperfeições que o tornam mais suscetível às sugestões de outros Espíritos encarnados ou não, os quais, imperfeitos como ele mesmo, buscam fazê-lo sucumbir na batalha que empreende. Vencendo se eleva. Fracassando continua a ser quem era (nem melhor, nem pior) e terá que recomeçar daquele ponto, podendo, inclusive, se demorar muito tempo na condição em que se encontra. A depuração fortalece moralmente o Espírito, diminui suas fraquezas e o torna menos acessível às solicitações dos maus Espíritos, que se afastam dele.

Por último, a Terra é um dos mundos menos adiantados e nela se encontram mais Espíritos maus que bons. É por isso que vemos tanta perversidade à nossa volta. Cada um que cumpra o seu papel, no seu próprio proveito para, se elevando, ir para um mundo onde o bem reina inteiramente e onde nos lembremos de nossa permanência por aqui como, apenas, um tempo de exílio.


Uberaba-MG, 23 de Julho de 2021.
Beto Ramos.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

A FORÇA MORAL DO ESPIRITISMO ESTÁ NO ESCLARECIMENTO


A moral, como REGRA DA BOA CONDUTA, isto é, FAZER O BEM PARA TODOS, é desenvolvida à medida que o ser abandona o PERSONALISMO. Advindo de persona, pessoa ou indivíduo, é o personalismo, também pensado como individualismo, que desenvolve o EGOÍSMO.

Autoproteção, autopreservação, autopiedade, entre outras, são derivações dessa imperfeição moral. Nesse contexto, a imperfeição se mostra por meio de uma característica singular do personalista: superestimar a si mesmo em detrimento dos outros.

Destacamos que tudo isso decorre da autonomia do indivíduo. Há um processo contínuo de evolução, de aquisição de conhecimento. Uma de suas fase é o autoconhecimento, elemento principal do esclarecimento. É no esclarecimento que se encontra presente a força moralizadora da Doutrina dos Espíritos. Para isso, o Espiritismo oferece a base formadora e que sustenta todo esse edifício denominado esclarecimento.

Deus, imortalidade da Alma, evolução perpétua e contínua do Espírito (ser), livre-arbítrio, reencarnação e comunicabilidade entre e com os Espíritos formam essa base.

1. Há um Criador. Essa compreensão nos esclarece qual o tamanho, posição e hierarquia ocupada pelo Espírito na obra da Criação;

2. O Espírito é imortal; Isto é, não foi criado para a morte ou para uma única existência;

3. Em razão de que a Alma é imortal, sua educação e seu progresso é contínuo e perpétuo; A aquisição de conhecimento é como que uma lei natural;

4. Nesse processo, o Espírito evolui fazendo escolhas segundo os conhecimentos que adquiriu;

5. As escolhas fazem parte do processo de esclarecimento e evolução do Espírito. Portanto, é preciso que existam possibilidades para se fazer NOVAS escolhas, ocasião em que o que foi aprendido seja colocado em prática por meio das tentativas, dos erros e dos acertos, corrigindo e progredindo. Essas oportunidades não ficam restritas a uma única existência, elas são sucessivas, muitas, milhares. Trata-se da reencarnação.

6. No processo de aprendizado, da aquisição do conhecimento, o ser não está desemparado, nem entregue à si mesmo (ou à própria sorte, diriam alguns); Há Espíritos por toda parte. Entre eles há solidariedade. Os Espíritos se comunicam e querem o fazer para, de alguma forma, ajudar que não se cometa os mesmos erros. Por isso, por meio das comunicações com os Espíritos, é possível aprender pela observação. Constata-se, assim, que existem Espíritos felizes, infelizes e endurecidos. É por aí que se constatam, também, as consequências geradas pelas imperfeições morais dos Espíritos e o reflexo das qualidades adquiridas e que foram colocadas em prática proporcionando um progresso mais rápido ao ser.

Tudo isto, NESTA ETAPA DA EVOLUÇÃO, pode se resumir da seguinte maneira:
  • Conhecimento de si mesmo;
  • Porque está na Terra;
  • O que veio fazer na Terra;
  • Para onde irá após a vida na Terra

Uberaba-MG, 21 de Julho de 2021
Beto Ramos


terça-feira, 20 de julho de 2021

EDUCAÇÃO MORAL SEGUNDO O ESPIRITISMO


 

Educar é dar a alguém os cuidados necessários ao PLENO DESENVOLVIMENTO de sua PERSONALIDADE. Dar ensino, instruir e transmitir o saber são sinônimos de EDUCAR.

Quem transmite, transmite alguma coisa. No caso dos cuidados necessários para o pleno desenvolvimento da personalidade humana sabemos que o ato passa por um processo: a educação.

Quando o assunto é educação moral segundo o Espiritismo, é cabível questionar:

1. O Espiritismo educa?

2. O que a Doutrina Espírita define como moral?

Pesquisando nas obras produzidas por Allan Kardec, especialmente em O Evangelho Segundo o Espiritismo, iremos nos deparar com tópicos onde o seu autor denominou de instruções dos Espíritos. Encontramos, também, em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec tratando do ensino dos Espíritos.

Portanto, deduz-se que o Espiritismo educa por meio do ensino dos Espíritos, isto é, de suas instruções. Resta saber, então, quais assuntos e/ou temas são objeto do ensino e das instruções dos Espíritos.

Trata-se da Doutrina Espírita, ou seja, um conjunto de comportamentos que, tornados hábitos pelo indivíduo, o levam a VIVER BEM.

No entanto, a racionalização, coisa diferente de racionalidade, levará a diversas indagações que desvirtuam o sentido objetivo que se pretende atingir. Para manter o intérprete no curso, esclarecemos que as comunicações destacadas por Allan Kardec sobre Espíritos Felizes, Infelizes e Endurecidos, demonstram que o modo como cada um conduziu suas encarnações pretéritas REPERCUTEM na VIDA ESPIRITUAL.

Trata-se, pois, das CONSEQUÊNCIAS DE NATUREZA MORAL. Por isso é imperativo definir MORAL SEGUNDO O ESPIRITISMO. Isso nos permite compreender a educação moral segundo o Espiritismo. Em O Livro dos Espíritos, o ensino dos Espíritos Superiores não deixa dúvida: "a moral é definida como regra da boa conduta".

Nesse caso, se conduz bem aquele que sabe definir e fazer diferença entre o bem e o mal. O bem é fazer TUDO tendo como OBJETIVO o BEM DE TODOS. Fazer tudo para o bem de todos é observar a LEI DE DIVINA. O bem é tudo que está conforme a Lei de Deus e o mal é tudo que infringe essa Lei.

No plano da educação moral segundo o Espiritismo é preciso levar em conta dois pontos cruciais: o livre-arbítrio e a autonomia do Espírito. Nesse caso, o ser humano ANTES DE TUDO precisa CRER em DEUS, isto é, compreender seus atributos, sua perfeição. Chegado a esse ponto, é preciso QUERER SABER.

Para saber, isto é, para CONHECER, todo indivíduo possui a faculdade da INTELIGÊNCIA e é ela quem permite discernir o bem do mal. É preciso destacar que esse discernimento está sempre em relação com o acervo de conhecimento adquirido pelo Espírito.

Por fim, alguém poderia dizer: "Mas, mesmo com a inteligência e o aprendizado é possível ERRAR, uma vez que tudo está correlacionado com o conhecimento adquirido".

Em O Livro dos Espíritos há resposta objetiva e categórica a esse sofisma: de forma alguma. Há uma receita infalível presente na cultura da humanidade há vários milênios. Trata-se da regra do BEM PROCEDER:

"Fazer ao outro o que gostaria que o outro lhe fizesse e não fazer ao outro o que não gostaria que o outro lhe fizesse".

E, agindo assim, alguém poderia dizer: eis o cumprimento de toda a lei e os profetas.


Uberaba-MG, 20 de Julho de 2021.
Beto Ramos

segunda-feira, 19 de julho de 2021

CRÍTICA DE ALLAN KARDEC À CIÊNCIA ECONÔMICA

Os incautos militantes da sanha em tornar o Espiritismo neutro, como se não contivesse teoria e formasse um grande corpo de Doutrina, defendem questões que beiram o ridículo.

Allan Kardec, comentando sobre a Lei de Caridade, citada pelos Espíritos na resposta às questões 685 e 685.a de O Livro dos Espíritos, curiosamente, fala sobre o trabalho, o emprego e o direito ao repouso na velhice.

Ultimamente, o Brasil experimentou a edição de um conjunto regras e normas que parecem destoar daquilo que lemos e compreendemos ser o pensamento de Allan Kardec.

É nesse sentido que compartilhamos a integra DA NOTA DE ALLAN KARDEC:

"Não basta se diga ao homem que lhe corre o dever de trabalhar. É preciso que aquele que tem de prover à sua existência por meio do trabalho encontre em que se ocupar, o que nem sempre acontece. Quando se generaliza, a suspensão do trabalho assume as proporções de um flagelo, qual a miséria. A ciência econômica procura remédio para isso no equilíbrio entre a produção e o consumo. Esse equilíbrio, porém, dado seja possível estabelecer-se, sofrerá sempre intermitências, durante as quais não deixa o trabalhador de ter que viver. Há um elemento, que se não costuma fazer pesar na balança e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. Considerando-se a aluvião de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de espantar as consequências desastrosas que daí decorrem? Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos penosamente os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Esse o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, o penhor da segurança de todos”.


Apesar da obviedade da dissertação, lembramos que os imprevidentes e os desordeiros que não possuem senão a educação dos livros (por vezes nem esta) citados por Kardec são os condutores da ciência econômica e da política que aplica o pensamento econômico conforme a ideologia política, amplamente demostrada na prática que desconhecem a mencionada Lei de Caridade. Por último, para quem não compreendeu, a expressão bem-estar significa: bem-estar social, principalmente quando acompanhada da expressão "garantia da segurança de todos".

Trata-se de um grande convite à reflexão!


Uberaba-MG, 19 de Julho de 2021.
Beto Ramos

sexta-feira, 16 de julho de 2021

APONTAMENTOS SOBRE O MONOTEÍSMO HEBRAICO

Fonte: Google Imagens internet.

O povo hebreu experimentou escravidão, dispersão e exílio. Entre os anos 586 a 538 a.C. foram, aproximadamente, 48 anos de cativeiro e exílio na Babilônia. Conta-se que no século 1 a.C., cerca de cinco milhões de judeus viviam longe da Palestina. Quatro milhões viviam sob a égide do Império Romano. 

Restabelecido no século 6 a.C., o Estado judeu durou mais de 600 anos, mas curiosamente sempre sob a tutela estrangeira. De acordo com a historiografia ele foi totalmente destruído pelos romanos entre os anos 135/136 de nossa era.

Dispersos pelo mundo, o povo judeu se reuniu novamente com a criação do Estado de Israel em 1948, ou seja, após, mais ou menos, 1812 anos. E nessa situação experimentou o que se pode chamar de dupla cidadania, pois viviam submetidos às normas da Torah e, também, ao direito não judeu, uma vez que se constituíam em minoria nos países que habitavam.

Tal situação reclamava se fizesse uma escolha: viver em isolamento e mantendo o nacionalismo sagrado ou ser assimilados abandonando sua identidade cultural. Ao longo do tempo o contato com outras culturas suprimiu, de fato, a dimensão jurídica dos preceitos religiosos sob os quais nasceu o chamado povo de Deus.

O sistema ético da Torah não apresentava diferença entre direito, ética e prática ritual. Para esse sistema legal havia um termo genérico que englobava todo o sistema de leis e observâncias no judaísmo: halakha.

A halakha, termo rabínico reduzido para TRADIÇÃO, não se discute, diferentemente dos argumentos (“din”). Para bem se compreender o significado da tradição para o povo hebreu, basta verificar qual a abrangência do termo halakha: orientação, hábito, costume, modo de agir e práticas (engloba o pessoal, o social, o nacional, relações exteriores e observâncias no judaísmo).

A ética dessa cultura de raízes profundamente religiosas apresenta uma relação, um pacto ou uma aliança com Deus. Mas não qualquer Deus. YHWH é um Rei, um legislador; um soberano de uma sociedade política. Não ‘somente’ o Criador do mundo, mas, o soberano absoluto do povo.

Essa ética absoluta e totalizante compara-se ao próprio Deus que impõe Sua imagem (perfeição e santidade) como modelo de vida. O ponto fundamental nessa relação é que não se trata de uma simples proposta de dogmas de fé reclamando a adesão dos fieis; Trata-se da proclamação de normas imperativas de conduta de observância escrupulosa na vida cotidiana.

A palavra TORAH, traduzida vulgarmente por LEI, em sua compreensão profunda significa ENSINAMENTO. Todavia, não é qualquer ensino, mas aquele que não admite contestação, cujo caráter é normativo.

No pacto, que possui caracteres de uma convenção constitucional, visto que dá nascimento um verdadeiro Estado (compreendendo povo, território e governo), o povo se constitui naqueles com os quais se estabeleceu a aliança. Através de Moisés, Deus propõe um conjunto de regras, que é aceito sob a forma ritual.

Trata-se de uma aliança desigual, o que caracteriza e representa bem os costumes da época onde eram comuns guerras, invasões, lutas e surgiam dominados e dominadores. O povo da aliança seria o vassalo, isto é, súditos do Rei (Deus), que fazia a promessa de proteção, a qual não poderia em nenhuma hipótese ser reclamada. O Soberano não podia ser instado no cumprimento do pacto.

A aliança entre Israel e Deus, representada por Moisés, possui todas as características do tratado desigual (característico daqueles tempos). Tudo era condicionado ao comportamento do súdito. Assim sendo, a circuncisão poderia ser considerada como sinal da promessa divina, mas não condição de sua existência. Essa dependia sempre da CONDUTA DO SÚDITO.

Uma última observação importante é que as expressões Reino dos Céus ou Reino de Deus não são encontradas naqueles antigos livros religiosos, porém, é muito fácil entender porque, ao falar com o seu povo, Jesus era compreendido quando mencionava tais expressões. É que elas se harmonizam completamente com a ideia de um 'Deus Soberano e Legislador de uma Sociedade Política'.

Uberaba-MG, 16 de julho de 2021.
Beto Ramos

Fonte Bibliográfica:
COMPARATO, Fábio Konder. Ética: direito, mora e religião no mundo moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

terça-feira, 13 de julho de 2021

RESUMO DA LEI MORAL DE PROGRESSO


No capítulo 8 do Livro Terceiro de O Livro dos Espíritos vamos encontrar a Lei Moral do Progresso. Como é a marcha do progresso, se o estado natural é mesma coisa que lei natural, sobre povos degenerados, civilização e progresso da legislação humana, bem como a influência do Espiritismo no progresso são temas tratados nesse amplo e profundo capítulo de livro.

Uma confusão comum é pensar que estado natural e lei natural são a mesma coisa. Porém, tratam-se de duas questões diferentes, pois, o estado natural é o estado primitivo. A lei natural é agente do progresso da humanidade. Nesse sentido, o progresso humano requer que o estado natural seja superado, isto é, o Espírito humano progride ao passo que sai do estado primitivo e passa para o que chamamos civilização.

Estado natural é ponto de partida da humanidade, isto é, onde começa o seu desenvolvimento intelectual e moral. O ser humano é perfectível, traz em si todas as potencialidades para o seu melhoramento. Não é destinado a viver perpetuamente em estado algum. Tudo, portanto, é transitório. A lei natural é a lei divina e, nesse sentido, rege a natureza humana. Progredindo o ser humano a compreende melhor, pois, passa a praticá-la.

No processo de progresso há um período em que se experimenta a felicidade do bruto, uma vez que falta compreensão do que é desconhecido. Essa felicidade primária, no entanto, é a mesma que vive o animal. Porém, isso não condiz com a lei natural. Não podendo voltar ao estado natural, ou melhor, não retrogradando, o ser humano deve progredir sem cessar.

O progresso é uma condição da natureza humana, uma lei natural, e ninguém poderá a ela se opor. O progresso é força viva, pode ser retardado, mas, nunca impedido. Toda força contrária ao progresso é por ele derrubada. Isso sempre se dará até que a humanidade terrestre harmonize as suas leis com a justiça divinda. Essa quer para todos o bem e não admite que nenhuma lei seja feita para proteger o forte em prejuízo do fraco.

O conhecimento é revelação divina. A humanidade se esclarece pela força das circunstâncias. As revoluções morais são lentas, mas, ocorrem, pois, carecem de tempo para ocupar a ideias das massas. Tudo é produto de séculos. Mas, chegado o tempo, explodem e o edifício dos preconceitos anteriores caem. É que surgem novas necessidades e novas aspirações. Por vezes, o que parece é que há desordem e confusão, que interesses materiais são atingidos. Mas, tudo é momentâneo e basta elevar o pensamento acima do interesse pessoal para verificar que do mal Deus faz surgir o bem, em conformidade com suas leis naturais.

O progresso ocorre por duas maneiras: intelctual e moral. Todavia, não caminham juntas. O progresso intelectual recebe os maiores estímulos. Já o moral, nem tanto. O ideal seria que estivessem na mesma velocidade. Contudo, é sempre importante olhar para a história e verificar que os costumes sociais de alguns séculos anteriores para constatar o progresso moral ocorrido. A experiência prova que a humanidade é moralmente perfectível. Esse processo é lento, pois, primeiro vem o conhecimento, depois as escolhas e, mais tarde, o progresso moral por meio das escolhas corretas.

O caminhar do progresso, da melhora, ocorre por meio dos indivíduos que se esclarecem e arrastam os demais. Por isso que sempre surgem pessoas que dão impulso no progresso da humanidade. Sempre se verificou, em várias ocasiões, que em alguns anos a sociedade avançou muitos séculos. Nesse aspecto, é preciso ressaltar a justiça da reencarnação. Pela pluralidade das existências, o direito à felicidade é sempre o mesmo para todos, porque ninguém é deserdado do progresso. A solidariedade entre a pluralidade de mundos habitados permite que Espíritos que já atingiram o progresso auxiliem aqueles que estão mais atrasados. Esses, também, podem ir a outros mundos para absorver o que falta na sua marcha ascendente.

A barbaridade de outros séculos não subsiste na maioria dos povos encarnados na Terra atualmente, apesar de se verificar, isoladamente, alguns indícios desse estado primitivo. Quando todos os povos estiverem no mesmo nível quanto ao sentimento do bem, a Terra só abrigará os Bons Espíritos. Assim, o planeta viverá uma união fraterna e todo o progresso alcançado servirá a todas as gerações e a todos os Espíritos.

À medida que a civilização se aperfeiçoa faz cessar alguns dos males que engendrou. E esses males desaparecem com o progresso moral. Um povo para ser considerado civilizado é aquele onde se encontra menos egoísmo, cupidez, orgulho; onde os costumes são mais intelectuais e morais do que materiais; onde exista mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; onde os preconceitos de casta e de nascimento são menos enraizados, pois, esses prejuízos são incompatíveis com o verdadeiro amor do próximo.

Nessa civilização as leis não consagram nenhum privilégio e são as mesmas para o último como para o primeiro; a justiça se exerce com o mínimo de parcialidade, o fraco sempre encontra apoio contra o forte; Alí a vida do ser humano, suas crenças e suas opiniões são melhor respeitadas; há menos infelizes e, por fim, todos os que são de boa vontade estão seguros de que não lhes irá faltar o necessário.

Sob a influência de suas paixões, o ser humano criou direitos e deveres que não se conformam às leis divinas. Essa é imutável, as leis humanas são transitórias, variáveis e progressivas. Foi a lei humana e não a de Deus que outorgou direito ao mais forte.

Vimos, portanto que as ideias se transformam com o tempo e não subitamente; elas se enfraquecem entre as sucessivas gerações. Muitas desaparecem com o tempo. Princípios novos surgem com indivíduos imbuídos de novas ideias, a exemplo do que ocorreu com o paganismo e as novas ideias religiosas. O Espiritismo surge como essa alavanca que combaterá a incredulidade e construirá uma nova sociedade, mais fraterna, igual e solidária. O mérito do progresso, no entanto, não advirá de prodigíos, mas por meio da razão.

Uberaba-MG, 13 de Julho de 2021.
Beto Ramos.


terça-feira, 6 de julho de 2021

RESUMO DA LEI MORAL DE SOCIEDADE

Fonte: google internet

Dentre as leis morais contidas em O Livro dos Espíritos encontra-se a LEI DE SOCIEDADE. No capítulo 7 do Livro Terceiro, Allan Kardec trará perguntas e respostas sobre:

a) A necessidade da Vida Social;

b) A vida de isolamento e o voto de silêncio; e

c) Os laços de família.


São 03 importantes temas, cujos objetos se interligam, uma vez que se for verdade que a vida social é uma necessidade do ser humano, não se concebe a correição de comportamento daqueles que buscam se isolar e nem se comunicar uns com os outros. Além disso, a vida de relação social começa pela família.

Segundo as respostas colhidas nesse capítulo, veremos que a vida social decorre de uma Lei Natural, isto é, trata-se de situação conforme a Lei Divina (Q. 614, LE). O ser humano foi dotado de várias faculdades necessárias à vida de relação, como é o caso das palavras, úteis à comunicação humana entre todos os povos.

O ser humano busca viver em sociedade por instinto. O objetivo é que, juntos, cada um conforme seu ponto de vista da encarnação, ajude o outro e, mutuamente, trabalhem para o progresso do conjunto.

Cada ser humano é dotado de um conjunto de faculdades, mas, não possui a totalidade dessas mesmas faculdades. É por isso que uns e outros se completam no contato mútuo. O que busca o isolamento se debilita, se enfraquece e, também, se embrutece.

A vida em conjunto proporciona a cada indivíduo tornar-se útil para o todo. Cada ser humano tem direito à escolher: viver em conjunto ou isoladamente. No entanto, essa autonomia não se conforma à Lei Natural de vida em sociedade. Toda ocupação deverá ser útil. A utilidade é sempre colocada em relação ao outro e não do ponto de vista individual. Isso não passa de egoísmo.

A vida em comunidade, onde os indivíduos buscam fazer maior bem ao próximo, mesmo lutando contra as próprias imperfeições que conduzem a erros e equívocos, demonstra que a Lei de Amor e Caridade não foi esquecida. Nenhum retraimento tem por finalidade a expiação e a renúncia. Não há mérito algum nessa atitude.

Aqueles que, ao contrário, fogem dos gozos do mundo para se dedicarem ao próximo, amparando os infelizes, não são considerados isolados, mas, cumpridores da Lei do Trabalho na prática do bem. O que possui duplo mérito.

Não é isolamento, também, buscar a tranquilidade para realização de certos trabalhos, pois, o que se condena é o retiro absoluto do egoísta. Os que trabalham, o fazem pela sociedade.

Nenhum voto de silêncio está em acordo com a Lei de Deus. A palavra é faculdade conferida pelo Criador. Decorre de uma Lei Natural. O silêncio é útil para aquele que se recolhe em meditação sobre si mesmo, perguntando se aproveitou toda ocasião de ser útil, para passar em revista o progresso próprio. Nessa ocasião, o indivíduo estará se comunicando com Espíritos Superiores. O voto de silêncio por si, é uma tolice. Não se trata de virtude e enganam-se aqueles que o praticam, pois, não compreenderam suficientemente as Leis de Deus.

Quanto aos laços de família, é importante não comparar os seres humanos com os animais. Esses vivem uma vida material e aqueles uma vida moral. Os seres humanos possuem mais que necessidades físicas, carecem de progredir. Por isso que a vida em sociedade decorre de um Lei Natural. O objetivo dos laços sociais, que tem origem nos laços de família, é proporcionar que os seres humanos aprendam a se amarem como irmãos. A família é o pilar que sustenta o edifício social. Relaxar os laços de família é fazer crescer e aumentar mais e mais o egoísmo.

Uberba-MG, 06/07/2021.

Beto Ramos

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