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segunda-feira, 22 de junho de 2020

CASAMENTO, CELIBATO E POLIGAMIA – PARTE 101

- O LIVRO DOS ESPÍRITOS – 
- LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS – 
- CAPÍTULO IV – LEI DE REPRODUÇÃO – 
- III OBSTÁCULOS À REPRODUÇÃO – 
IV – CASAMENTO E CELIBATO 
V - POLIGAMIA 
(Questões 693 a 701) 

Resolvemos, para fins meramente didáticos, ao discorrer do tema deste Capitulo IV, reunir os itens III a IV por entender que objetivam a mesma finalidade consubstanciada no ensinamento dos Espíritos. 

O tema central do capítulo é a Lei Natural de Reprodução, abordando primeiro todos os seres vivos e em seguida trata da raça humana. Especificamente os Espíritos vão abordar a união de dois seres pelo casamento, a poligamia e a reprodução contida pelos obstáculos colocados pelas leis e costumes humanos. 

Quanto ao casamento dois pontos são importantes: a união e a separação. A união, ao seu turno, faz parte do progresso da humanidade. Abolir o casamento é o retorno à vida dos animais. Mas, essa união não é absoluta e permanente, podendo ser dissolvida. O que é contrário às Leis Naturais e tornar o casamento absolutamente indissolúvel. Essa situação pertence ao campo das leis puramente humanas, portanto, mutáveis. 

Se a união de dois seres pertence ao campo das leis naturais, com a poligamia não se dá o mesmo. A abolição da poligamia marca o progresso da civilização. A finalidade da união é alcançar a verdadeira afeição, o que não ocorre na poligamia que não passa de sensualidade. 

Importa recordar que a encarnação dos seres humanos depende da anterior união de dois seres que, reproduzindo-se, permitirão a ocorrência da encarnação do Espírito. Diante disto, tudo que for colocado como obstáculo à marcha da natureza é contrário à lei geral. Todavia, o conhecimento humano gera responsabilidade. A possibilidade de regular a reprodução, pertencendo ao campo do conhecimento adquirido, é um poder que o ser humano deve usar para o bem e não abusar.

Deve, pois, atentar para as necessidades. A ação inteligente do ser humano é uma dádiva de Deus para que, possa restabelecer o equilíbrio. Os animais concorrem para esse equilíbrio usando seu instinto de conservação, se nutrindo de outras espécies animais e vegetais. Os obstáculos à reprodução para fins de satisfação à sensualidade prova a predominância da matéria sobre o Espírito. 

No próximo encontro vamos estudar a LEI DE CONSERVAÇÃO. 

Uberaba – MG, 22 de junho de 2020.
Beto Ramos

OBRAS DA CODIFICAÇÃO - dissertação sobre a autoria

 

“Os satisfeitos da véspera são os impacientes do dia seguinte”. Allan Kardec (O Céu e o Inferno)

No prefácio da Obra O Céu e o Inferno ou “A Justiça Divina Segundo o Espiritismo” temos importantes esclarecimentos do senhor Allan Kardec.

Porém, em todo estudo sério, principalmente o estudo espírita, é sempre bom ter em mente a advertência esposada pelo Codificador na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita para não infirmar comentários com ideias preconcebidas, verbis:

“Para as coisas novas necessitamos de palavras novas, pois, assim o exige a clareza de linguagem, para evitarmos a confusão inerente aos múltiplos sentidos dos próprios vocábulos”.

E assim fez o Codificador do Espiritismo. Vários foram os neologismos criados cujo propósito era não multiplicar as causas já tão numerosas de anfibologia. Mas, a maioria dos Espíritas dá pouca ou nenhuma importância quanto à advertência dos Espíritos Superiores: “Entendei-vos quanto as palavras...”.

Vários são os que afirmam que a “Doutrina Espírita”, incluindo todas as obras da Codificação, foi produto do “ditado” dos Espíritos. Analisando os prolegômenos de O Livro dos Espíritos encontramos a seguinte afirmação:

“Este livro é o compêndio dos seus ensinamentos [dos Espíritos]. Foi escrito por ordem e sob ditado dos Espíritos Superiores para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos prejuízos de sistema. Nada contém que não seja a expressão de seu pensamento e não tenha sofrido o seu controle”.

Além disto, Kardec esclarece quais Espíritos concorreram para a realização de tal obra. Interessante notar as expressões “este livro” e “esta obra”, bem como o objetivo declinado: “estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional”.

O que dizem estas expressões? Que os Espíritos são autores da Doutrina Espírita ou de uma Filosofia Racional? Eis as questões. Há mais! A mensagem dos Espíritos dirigida a Allan Kardec trata de todo o acervo de livros escritos por Kardec, de todas as obras que compõem o número das fundamentais ou somente daquele livro específico?

Uma advertência nessa mensagem chama a atenção: “A vaidade de certos homens, que creem saber tudo e tudo querem explicar à sua maneira, dará origem a opiniões dissidentes”.

De volta à obra O Céu e o Inferno, quanto ao tema, “autoria”, o que encontramos? O Codificador fala sobre autoria e conteúdo das Obras Fundamentais do Espiritismo.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: a pedra angular do edifício que contém as bases fundamentais do Espiritismo, todos os princípios da doutrina e os que devem constituir o seu coroamento.

Mas, há uma observação que nos aponta uma reflexão: “mas era necessário dar-lhes os desenvolvimentos, deduzir-lhe todas as consequências e todas as aplicações, à medida que se desenrolavam pelo ensino complementar dos Espíritos e por novas observações”.

Por desenvolvimento compreendemos o estudo dos temas de modo peculiar e específico. Dedução é a inferência lógica de um raciocínio, trabalho intelectual de Allan Kardec por meio do qual buscava a verdade sobre certas proposições. A observação é o trabalho do cientista pesquisador (Allan Kardec).

Perceba que diferem os trabalhos desenvolvidos em O Livro dos Espíritos, em O Livro dos Médiuns e em O Evangelho Segundo o Espiritismo. O Codificador afirma que os “pontos de vista” foram distintos. Mas, a pergunta é objetiva: a autoria é de...

Vejamos o que escreve Allan Kardec no prefácio da Obra o Céu e o Inferno:

“A primeira parte desta obra, intitulada Doutrina, contém o exame comparado de diversas crenças sobre o céu e o inferno, os anjos e os demônios, as penas e recompensas futuras; o dogma das penas eternas aí é encarado de maneira especial e refutado por argumentos tirados das mesmas leis da natureza e que lhes demonstram não só o lado ilógico, já centenas de vezes assinalado, mas a sua impossibilidade material. [...] A segunda parte encerra os exemplos em apoio da teoria, ou melhor que serviram ao estabelecimento da teoria. [...] Cada um desses exemplos é um estudo em que todas as palavras tem o seu alcance para quem quer que as medite com atenção [...]. Nesses exemplos, em maioria tomados de fatos contemporâneos, dissimulamos os nomes próprios, sempre que julgamos útil, por motivos de conveniência fáceis de apreciar”.

É preciso atentar para o que diz o senhor Allan Kardec sobre O Evangelho Segundo o Espiritismo:

“Para evitar esses inconvenientes, reunimos nesta obra os trechos que podem constituir, propriamente falando, um código de moral universal, sem distinção de cultos. Nas citações, conservamos tudo o que era de utilidade ao desenvolvimento do pensamento, suprimindo apenas as coisas estranhas ao assunto. Além disso, respeitamos escrupulosamente a tradução de Sacy, assim como a divisão por versículos. Mas, em vez de nos prendermos a uma ordem cronológica impossível, e sem vantagem real em semelhante assunto, as máximas foram agrupadas e distribuídas metodicamente segundo a sua natureza, de maneira a que umas se deduzam das outras, tanto quanto possível”.

Pensamos ser útil refletir acerca das expressões reunimos, conservamos, respeitamos, nos prendermos, as máximas foram agrupadas e distribuídas. Kardec está falando do trabalho de quem? Dele próprio, ainda que remetendo a ideia na terceira pessoa do plural (presente e passado) com a ocultação do "sujeito".

Não menos importante é a afirmação seguinte:

“Esse seria apenas um trabalho material, que por si só não teria mais do que uma utilidade secundária. O essencial era pô-lo ao alcance de todos, pela explicação das passagens obscuras e o desenvolvimento de todas s suas consequências, com vistas à aplicação às diferentes situações da vida. Foi o que procuramos fazer, com a ajuda dos bons Espíritos que nos assistem”.

Allan Kardec, com humildade, fala do próprio trabalho (apenas um trabalho material). Não seria respeitoso o fazer referindo-se ao trabalho dos Espíritos. E mais, afirma que o mais importante no trabalho de pesquisa é publicá-lo, isto é, colocá-lo para apreciação geral, a fim de sofrer críticas, análises e estudos.

Não há a menor dúvida, ao nosso sentir, que o autor das obras posteriores ao Livro dos Espíritos, exceto o Livro dos Médiuns, é de Allan Kardec . Para os que usarão a última frase como justificativa do contrário lembre-se que a maioria de nós pede tal assistência em tudo que empreende, e, foi esse o sentido da afirmação do Codificador: com a assistência dos bons Espíritos.

Terminamos, portanto, aduzindo nossa opinião segundo nossos estudos:

1. O Livro dos Espíritos – autoria (ditado) dos Espíritos Superiores com trabalho de organização metodológica de Kardec;

2. O Livro dos Médiuns – autoria (ditado) “em grande parte” dos Espíritos que a reviram e corrigiram com especial cuidado, acrescentando instruções de alto interesse (Introdução ao Livro dos Médiuns).

3. O Evangelho Segundo O Espiritismo – autoria de Allan Kardec.

4. O Céu e o Inferno – autoria de Allan Kardec.

5. A Gênese – autoria compartilhada (verifique, por exemplo, o capítulo "Os Tempos São Chegados") contendo o complemento das anteriores (trazendo um ponto de vista especial), exceto algumas teorias hipotéticas, indicadas como tais, que devem ser consideradas como opiniões pessoais, até que sejam confirmadas ou contraditadas, a fim de que não pese essa responsabilidade sobre a doutrina.

Observação: quanto à obra A Gênese, o Codificador pede muita atenção ao capítulo Caracteres da Revelação Espírita, onde está o nó da questão, isto é, onde explica o Codificador, claramente, qual o papel respectivo dos Espíritos e dos homens na elaboração da nova doutrina.

Entendemos essa afirmação do Codificador um ponto capital para a questão “autoria” da Doutrina Espírita, uma vez que muitos afirmam ser um trabalho eminentemente de origem espiritual, e, em última instância, “obra mediúnica” (quem meditar sobre isto entenderá nossa afirmação).

Se o ser humano concorreu junto aos Espíritos para a elaboração da nova doutrina é preciso mais cuidado ao se fazer tábula rasa das ideias preconcebidas quanto à autoria. Indicamos que antes de fazer afirmações categóricas é preciso estudo profundo de todas as questões, examiná-las sem o espírito de sistema, permitindo-se errar.

É por isso que começamos o texto dizendo que “a nosso sentir” a autoria é de... Talvez alguém possua melhores argumentos, aos quais sempre estaremos abertos, pois, por aqui...

Debateremos, mas, não disputaremos!

Uberaba-MG, 22 de junho de 2020
Beto Ramos

quarta-feira, 17 de junho de 2020

SINAGOGA – uma instituição greco-romana




Os tradutores fundamentalistas, hoje, ofendem o Espiritismo com o uso de neologismos inexistentes nos idiomas originais em que as escrituras sagradas foram escritas (é o caso da expressão médium, Espiritismo, Espiritistas, etc.).

A seguir comprovamos que o judaísmo também sofreu o mesmo com os levianos tradutores anticristãos. 

Veja, por exemplo, o que ocorreu com a palavra sinagoga. A sinagoga surgiu durante o período do exílio na Babilônia. No século I era uma instituição greco-romana que se tornou um local onde os judeus se reuniam para estudo, oração e comunhão

O que significa a palavra grega Συναγωγή (transliterada Synagogí)? Significa “assembleia”. E é dessa forma que tal palavra é traduzida em vários lugares do Novo Testamento.

Infelizmente, synagogí foi traduzida de maneira diferente no livro do Apocalipse. Com uma significação extremamente negativa os "tradutores" usaram todo o seu fundamentalismo para atingir o judaísmo e propagar ideia falsa provocando o dissenso.

O estudante atento, no entanto, observará que tal expressão não apresenta o real significado e nem traz o real sentido do vocábulo original.

A pesquisa séria informa que a maioria das traduções cristãs da Bíblia sofreu a perniciosa influencia do chamado antijudaísmo. No capítulo 3, versículo 9, do livro do Apocalipse, os tradutores, contrariando o Apóstolo Paulo, em vez de usar a palavra neutra “assembleia”, propagaram a expressão cunhada pelos “cristãos”: “sinagoga de Satanás”. 

Estudando atentamente o livro de Atos sabemos que em todas as novas cidades em que o apóstolo Paulo chegava, ele começava seu ministério e sua pregação a partir de uma sinagoga. Deste modo, Paulo não via, por obvio, nada de satânico nela. São vários os versículos do livro de Atos que descrevem Paulo exercendo seu ministério nas sinagogas: 13:14-16; 14:1; 17:1-3; 18:19.

No século I igreja e sinagoga significavam “assembleia” sem qualquer conotação satânica, em razão de sua raiz e do significado de cada expressão no seu idioma original. 

Por isso, ao ler a Bíblia sem conhecimento dos idiomas originais em que foram escritas, bem como o real significado de cada palavra, além de estar seguindo pessoas comuns e não o Cristo, você, também, estará propagando uma notícia falsa, estará espalhando mentira, corroborando para o dissenso.

O dissenso ocorre sempre que se quer desfazer uma assembleia, que é uma reunião de pessoas em torno de um objetivo comum. No caso do século I de nossa era, a reunião em assembleia fundava-se no sentimento divino que liga o ser humano a Deus. Talvez tenhamos nos perdido no caminho. É hora de voltarmos à rota segura.

Uberaba-MG, 17 de junho de 2020
Beto Ramos

terça-feira, 9 de junho de 2020

Progressão do Aprendizado do Ensino dos Espíritos

Espiritismo: ciência da observação

Vários são os temas presentes na Codificação da Doutrina Espírita que podem ser estudados a fim de que o pesquisador possa atestar que Allan Kardec não fazia sobre nenhum tema o que chamamos vulgarmente de “tábula rasa”.

Como ele próprio afirma somente após obter todas as respostas acerca dos assuntos, considerando-os globalmente, estudando-os por todos os ângulos, refutando ou aceitando estudos anteriores, não admitindo de imediato todas as respostas dos Espíritos, é que Kardec elaborava conceitos, dissertações, teorias. Vários são os temas que continuam no campo do ensaio.

De outro lado, mesmo após o uso do método da observação, quando o tema havia se consolidado e a matéria já amadurecida, o Codificador não se comprometia a manter ad eternum uma opinião formada sobre tudo. Deixava, sempre, espaço para corrigir eventuais enganos, equívocos e erros. Foi o que ocorreu com o fenômeno da possessão.

Na Revista Espírita de 1858, Allan irá conceituar os fenômenos da obsessão, da subjugação e da fascinação (nessa ordem). Já, em O Livro dos médiuns, manterá algumas opiniões, apresentará outras que, e mudará a ordem estabelecida na RE/1858 para obsessão, fascinação e subjugação. 

Tudo isto ocorria à medida que progredia a Ciência Espírita e Kardec ia fazendo constatações por meio da Observação.

N’O Livro dos Médiuns falou sobre o domínio de alguns Espíritos inferiores sobre certas pessoas, além de apresentar conceitos para as principais variedades de obsessão, desde a simples, passando pela fascinação, até a subjugação.

Interessante ressaltar que nesta obra, traz-se o pensamento de que na subjugação há constrangimento moral, como uma fascinação, e casos mais agudos onde o constrangimento é físico.

Percebemos que de uma obra a outra, de ano a outro, à medida que observa, interroga e analisa, o Codificador vai enriquecendo as conceituações, às vezes modulando para cima ou para baixo, por assim dizer, a teoria que está sendo construída.

Tanto na Revista Espírita como em O Livro dos Médiuns Kardec irá afirmar que possessão, um nome vulgarmente conhecido, não seria senão sinônimo de subjugação. Explicou, inclusive, por quais motivos a expressão não poderia ser usada. 

A mais interessante é onde afirma que a expressão dá ideia de apoderamento de um corpo por um Espírito estranho, uma espécie de coabitação, quando havia somente constrangimento. Até 1858 pensava que o fenômeno denominado possessão, onde a vontade é afetada e a razão obliterada, tratava-se fascinação aguda.

Todavia, como ensina o Codificador o indivíduo frio e impassível vê as coisas sem se deixar enganar: combina, pesa, amadurece e não é seduzido por nenhum subterfúgio; o que lhe dá força. Veremos, portanto, que o pensamento de Kardec sobre o tema irá evoluir, uma vez que o mesmo não se encontrava seduzido por nenhum subterfúgio.

No ano de 1860, conforme relata na Revista Espírita de Novembro, o Codificador estuda um caso de obsessão física onde percebe que o Espírito encarnado tomava a aparência de um Espírito desencarnado.

Em 1862, o relato daquele jornal de estudos psicológicos fala sobre a epidemia demoníaca em Saboya, onde uma população fica sob o efeito de um tipo de obsessão, aparentando sintomas de alienação mental.

Em abril de 1862 Allan Kardec vai registrar que os Espíritos não só agem sobre o pensamento, mas, também, sobre o corpo, com o qual se identificam e do qual se servem como se fosse seu.

Note-se aqui uma gradual e perceptível evolução da compreensão do fenômeno, pois, o registro é no sentido de que o Espírito encarnado se encontra afetado pela subjugação de um Espírito estranho que o domina.

Mas, é no ano de 1863, precisamente no mês de Dezembro, onde Allan Kardec fará uma correção de rumo e, portanto, reconsiderar seu pensamento sobre a possessão. Nesse caso ele escreve que seu pensamento, que fora posto quase que de forma absoluta, precisa ser reconsiderado, pois, lhe foi demonstrado que pode haver verdadeira possessão.

Trata-se do caso conhecido como de possessão da senhoria Júlia onde Kardec atende pessoalmente. Por se tratar de um assunto importante para o estudante do Espiritismo, não vamos apresenta-lo integralmente nesse espaço e remetemos os interessados à RE DEZ/1863, mas, deixar a informação de que o Codificador constatou que a possessão é um estado transitório de substituição parcial de um Espírito encarnado por um Espírito errante, onde o Espírito encarnado se afasta momentaneamente do corpo ao qual está permanentemente ligado enquanto vive.

Pela observação e prática do Espiritismo, atuando diretamente no caso, usando todo o seu conhecimento da Doutrina e o auxílio dos Espíritos que trataram do tema na Sociedade Espírita, Allan Kardec comprovou a existência de uma anomalia física, semelhante à alienação mental, somente explicada pelo Espiritismo. Falou da modalidade aguda de sofrimento da vítima, do processo de possessão e da cura, enfatizando que conhecimento não basta, mas, também, a força moral.

Após o minucioso estudo sobre o tema, por aproximadamente 15 (quinze) anos, a conclusão será feita no capítulo XIV, Os Fluídos, tema obsessões e possessões, na Obra A Gênese de 1868, ao qual remetemos o nosso atento leitor sedente pelo conhecimento completo da Doutrina Espírita.

Uberaba – MG, 09 de junho de 2020.

Beto Ramos

terça-feira, 2 de junho de 2020

SUCESSÃO E APERFEIÇOAMENTO DAS RAÇAS - PARTE 100



- O LIVRO DOS ESPÍRITOS –
- LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS –
- CAPÍTULO IV – LEI DE REPRODUÇÃO –
- II SUCESSÃO E APERFEIÇOAMENTO DAS RAÇAS –
(Questões 688 a 692-a)

Em nossa publicação anterior comentamos sobre os seres vivos e a reprodução como lei natural. Antes de adentrarmos ao próximo tema é preciso definir o termo raça para o presente estudo. Usado em primeiro lugar para se referir a indivíduos falantes de um idioma comum, posteriormente foi usado para denotar filiações nacionais. 

No século XVII, iniciou-se o uso do termo para relacionar os traços físicos observáveis das pessoas. As concepções sociais e agrupamentos de raças variaram ao longo do tempo, envolvendo descrições, identificações e classificações populares definindo tipos essenciais de indivíduos com base em traços observáveis. 

Na atualidade cientistas consideram o essencialismo biológico obsoleto e desencorajam explicações raciais para diferenciações coletivas em relação a traços físicos e/ou comportamentais. Há amplo consenso científico de que conceituações essencialistas e tipológicas de raça em humanos sejam insustentáveis. A comunidade científica sugere que a ideia de raça é usada de maneira ingênua ou simplista e argumentam que entre os seres humanos não tem importância. Apontam, assim, que todos os humanos vivos pertencem à mesma espécie (Homo sapiens) e subespécie (Homo sapiens sapiens). 

De posse dessas informações o leitor amigo compreenderá que os Espíritos Superiores, usando a palavra RAÇA no capítulo estudado, referem-se UNICAMENTE ao CONJUNTO POPULACIONAL DOS SERES HUMANOS ENCARNADOS NO PLANETA TERRA. Qualquer ilação em contrário ou que venha dar outra ideia É ERRO ou má fé.

Segundo Wagner de Cerqueira e Francisco, Graduado em Geografia, da Equipe Brasil Escola [1]“Somente no final do século XVII e início do século XVIII, o crescimento populacional no mundo se intensificou, visto que antes desse período a expectativa de vida era muito baixa, fato que elevava as taxas de mortalidade. Em 1930, a Terra era habitada por cerca de 2 bilhões de pessoas e, em 1960, esse número atingiu a marca de 3 bilhões, com média de crescimento populacional de 2% ao ano. Durante a década de 1980, a população mundial ultrapassou a marca de 5 bilhões de pessoas”. 

Emmanuel, na obra Roteiro, de 1952 (FEB), dita a Chico Xavier o capítulo 9 cujo título é O Grande Educandário. Descreve o planeta Terra como uma universidade sublime, funcionando, em vários cursos e disciplinas, com dois bilhões de alunos, aproximadamente, matriculados nas várias raças e nações. O estudante deve saber qual o período que ocupa na história, portanto, a compreensão dos termos deve-se ater ao período em que as obras foram escritas. Tanto na Codificação quanto na obra mediúnica os termos foram usados segundo a cultura que possuíam à época de suas edições. Compreenda-se que o Espírito refere-se à espécie humana como um todo (não há outras raças, apenas nações e o seu conjunto é a população humana).

Neste ano de 2020 a Terra conta com uma população em número de 7,8 bilhões de habitantes [2]. Tais estatísticas precisam ser consideradas ao analisarmos as respostas dadas pelos Espíritos Superiores a Allan Kardec quanto ao tema.

Questionou o Codificador acerca da evidente diminuição do número de indivíduos de certos grupos populacionais no planeta naquela metade do século 19 (1954-1957). A resposta foi no sentido de que se tratava de uma afirmação correta, mas, que outros grupos populacionais lhes tomariam o lugar, processo já ocorrido em outras eras.

O questionamento preparatório de Kardec na questão 688 do LE (Livro dos Espíritos) leva à questão seguinte, isto é: “os seres humanos de hoje são uma nova criação ou descendentes aperfeiçoados dos seres primitivos?”.

Para muitos essa não é uma resposta fácil de ouvir, para outros nem tanto. Afirmaram os Espíritos: os seres humanos atuais são os mesmos espíritos que VOLTARAM para se aperfeiçoar EM NOVOS CORPOS, mas que estão longe da perfeição. Segundo ensinaram, há uma curva ascendente de crescimento da raça humana atual (que habitará toda a Terra), mas, que terá o período de decrescimento até a extinção para dar lugar a outros povos com corpos físicos, características e habilidades mais perfeitas. Se imaginarmos como eram os corpos físicos dos seres humanos primitivos vamos entender perfeitamente o que ensinam os Espíritos Superiores.

Evidentemente, pensamos, a Terra será habitada por seres humanos mais civilizados, menos brutos e tampouco selvagens como de tempos primitivos, cujos resquícios ainda se encontram entremeados ao todo populacional atual. Além de nos superar a todos no conjunto uma vez que somos afetados pela Lei do Progresso.

ORIGEM DAS RAÇAS: Aqueles que buscam, mesmo sendo Espíritas, algo fundamentar na origem da raça humana, do ponto de vista físico, a partir da parábola de Adão e Eva devem ter atenção ao seguinte ensinamento dos Espíritos Codificadores: “A origem dos agrupamentos de indivíduos na Terra se perde na noite dos tempos, mas como todos pertencem à grande família humanaqualquer que seja o tronco primitivo DE CADA UM, puderam mesclar-se e produzir novos tipos”.

CARACTERÍSTICAS DA RAÇA HUMANA NO ESTADO PRIMITIVO: desenvolvimento da força bruta, em detrimento da intelectual, sem colocar as forças da Natureza a seu serviço, assemelhando-se as animais (Q. 691).

CARACTERÍSTICAS DA RAÇA HUMANA NO PERÍODO ATUAL: desenvolvimento intelectual, em detrimento da força física, colocando a seu serviço as forças da Natureza para atingir os seus fins (Q. 692).

OS SERES HUMANOS E O APERFEIÇOAMENTO DOS ANIMAIS E VEGETAIS COM O RECURSO DAS CIÊNCIAS: Tudo se deve fazer para chegar à perfeição. O próprio ser humano é um instrumento de que Deus se serve para atingir os seus fins. Sendo a perfeição o alvo para o que tende a Natureza, favorecer a sua conquista é corresponder àqueles fins (Q. 692-a).

Destacamos que tudo na Criação serve a um propósito: atingir a perfeição. Mesmo que, por ora, o ser humano vise apenas o interesse pessoal agindo para aumentar o seu bem-estar, trabalha conforme a Lei do Progresso. Para que o próprio ser torne meritório esse trabalho é preciso ter a intenção voltada a esse objetivo. Contudo, nada é perdido, uma vez que ausente a boa intenção, ainda assim o ser humano estará exercitando e desenvolvendo sua inteligência, tirando maior proveito sob esse aspecto (Q. 692.a).


Uberaba-MG, 01 de Junho de 2020.
Beto Ramos

[2] https://www.ecodebate.com.br/2020/03/13/os-40-paises-com-maior-decrescimento-populacional-entre-2020-e-2100-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/ Acesso em 01.06.2020.

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