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sábado, 25 de julho de 2020

O NECESSÁRIO E O SUPÉRFLUO – PARTE 105


O LIVRO DOS ESPÍRITOS 
LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS
CAPÍTULO V – LEI DE CONSERVAÇÃO
IV NECESSÁRIO E SUPÉRFLUO
(Questões 715 a 717)

Nota de Allan Kardec: 
“O limite entre o necessário e o supérfluo NADA TEM DE ABSOLUTO. A civilização criou necessidades que não existem no estado de selvageria, e os Espíritos que ditaram esses preceitos não querem que o homem civilizado viva como selvagem. Tudo é relativo e cabe à razão colocar cada coisa em seu lugar. A civilização desenvolve o senso moral e ao mesmo tempo o sentimento de caridade que leva os homens a se apoiarem mutuamente. Os que vivem à custa das privações alheias e exploram os benefícios da civilização em proveito próprio não têm de civilizados mais do que o verniz, como há pessoas que não possuem da religião mais do que a aparência”. 

Recordando que Allan Kardec recomenda sempre avaliar o axioma da causa e consequência, quanto ao uso e gozo dos bens da Terra é imperativa a avaliação sobre o que é necessário e o que é supérfluo, pois, se o ser humano tem necessidades que não existiam no estado primitivo, é certo que possui os mecanismos adequados para sopesar a questão. 

Dois pontos relevantes (filtros da razão e da moral): 
a) Aquele que é sensato reconhece o limite do necessário por intuição; 
b) Já o que não faz uso da razão aprenderá a conhecer o limite por suas próprias experiências. 

É certo que a natureza, no que tange à organização física do ser, traçou limites às suas necessidades. As imperfeições do Espírito, isto é, seus maus hábitos alteraram essa organização criando necessidades artificiais. Como efeito da transgressão à lei de Deus, isto é, pela transposição do limite do necessário, todo aquele que causou privação a outrem responderá pelas mesmas: causa e efeito! 

No próximo encontro falaremos sobre privações voluntárias e mortificações. 
Estude e viva. 

Uberaba – MG, 25 de julho de 2020.
Beto Ramos

terça-feira, 21 de julho de 2020

PECADO ORIGINAL OU INTERPRETAÇÃO EQUIVOCADA?


Aqueles que acompanham nossa saga, tanto em nossa fanpage quanto no blog ou mesmo quando tivemos as primeiras oportunidades de publicações em jornais, verifica o nosso especial interesse em chamar a atenção para a chave contida no Espiritismo para se bem compreender a Bíblia, os Evangelhos e os autores sagrados.

Nosso intuito, de alguma maneira, foi ouvir Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, que adverte no item III da Introdução ao Evangelho Segundo o Espiritismo quanto à necessidade de TODOS OS ESPÍRITAS estudarem as Escrituras, uma vez que é necessário conhecer o valor de muitas palavras que são frequentemente empregadas nos textos, e que caracterizam o estado dos costumes e da sociedade judaica naquela época.

Desde os primeiros ensaios, primeiros artigos, primeiras linhas, buscando algo dialogar com esse “repositório de conhecimentos secretos, dos iniciados do povo judeu, e que somente os grandes mestres da raça poderiam interpretá-lo, nas épocas mais remotas”[1] verificamos que “os livros dos profetas israelitas estão saturados de palavras enigmáticas e simbólicas, constituindo um monumento parcialmente decifrado da ciência secreta dos hebreus.[2]

Todos os corações, pensamos, devem aguçar seus olhares para os clarões imortais dessas fontes reveladoras que só uma visão espiritual é capaz de alcançar. A par disso é que oferecemos uma interpretação, dentre várias que são respeitáveis, para uma reflexão sadia à Luz do Espiritismo, isto é, por meio da lógica, razão e bom senso.

Falamos, então, do pecado original. Sem dúvida alguma, por nossa consideração UM DOS PECADOS MAIS GRAVES QUE É POSSÍVEL COMETER DIANTE DAS LEIS DIVINAS. Esse ERRO GRAVE está descrito em Gênesis 3, primeiro livro do Antigo Testamento. Mas, após ler estas linhas que iniciam esse parágrafo, você é capaz de responder, exatamente, o que foi que ocorreu que teria desequilibrado a Obra da Criação? Eu não deveria, mas, vou ajudar... a resposta é: NÃO SABEMOS. Como nenhum historiador bíblico o sabe. TUDO NÃO PASSA DE COMPLETA AÇÃO INTELECTIVA DE INTERPRETAÇÃO. E, para isso, não fazemos o exercício de, antes, nos livrar de todos os preconceitos ou atavismos que carregamos.

Mas, não podemos fugir da reflexão, pois, é preciso extrair, para nosso aprendizado, a consequência moral (ou a moral da história), que é o objetivo daquele que te oferece um "trava-mente" (no caso o autor bíblico).

O fato realmente tratou-se de algo grave , pois, mereceu o relato daquele povo que, repetimos, valia-se de informar por meio de enigmas, do mistério. Esses ditos "mistérios" é, para nós, uma oferta oportuna ao desenvolvimento do raciocínio. Diríamos: “decifra-me ou te devoro”. 

Não é o que acontece quando estamos envolvidos nos problemas? Ou nós os solucionamos ou somos, verdadeiramente, consumidos por eles.

Da mesma forma, com o pecado original, não poderia ser outra a intenção senão trazer uma lição genuína, uma lição imortal, uma lição para o gênero humano, ou, se o quiser, para os Espíritos errantes (que precisam encarnar e reencarnar até chegarem à perfeição).

Sei que você já deve estar perguntando, mas, do que se trata, então? Será que tem algo a ver com a tal maçã? Sexo? Procriação? Não, leitor (a) amigo (a). Aí reside a beleza do monumento parcialmente decifrado. Vamos, portanto, levantar o nosso dedo e pedir a palavra.

O tema central, a nosso ver, nesse capítulo que versa sobre o pecado original é A CULPA. Ora, convido-os a pensar sobre o tema central e, portanto, sairmos da periferia. A ideia é de desobediência? Sim, não há como fugir. Mas, o caso merece avaliação: desobediência é descumprir as Leis Divinas, que são as Leis Naturais.

Nesse passo, o assunto principal não pode ser sexo ou comer ou deixar de comer algo. Tanto uma coisa quanto a outra faz parte das Leis Naturais, das necessidades fisiológicas.

Analisamos, portanto, sob a luz da razão e questionamos: como a individualidade humana poderia saber o que fazer se não experimentasse? O conhecimento é adquirido?

Sim, segundo o Espiritismo é pelo conhecimento que desenvolvevemos o livre-arbítrio. Então, sempre haverá desejo e vontade. A escolha é uma ação intelectiva e é aí que reside o atender ou frear os desejos. Os sentidos humanos são postos à sua disposição para o relacionamento na matéria cedendo ou reprimindo as paixões. Isto quer dizer que é o próprio indivíduo quem reprime o excesso ou o abuso. Todavia, importa considerar que...

"Tudo me é lícito até que eu aprenda o que me convém ou não, pois, até então, sou um ignorante, isto é, não conheço tudo, estou no processo de aquisição". (adaptei).

Voltemos ao pecado original. Não sabemos o que ocorreu de fato, mas, é possível refletir sem medo de errar que o “problema” não está no erro, mas, na ação depois que o erro foi cometido. Que fez aquele que é conhecido em algumas religiões como “Adão” (que advém da palavra hebraica transliterada para “Adama” que significa “terreno, da terra”)?

Após o erro cometido os envolvidos tomaram uma atitude bem terrena, bem humana: colocaram a culpa uns nos outros.
Conectando os textos bíblicos vamos buscar responder o “problema” com o mesmo livro Gênesis 38, onde é contada a história de Tamar e é onde encontramos uma peculiaridade acerca de Judá. Yehuda vem do verbo lehodot que significa “agradecer” ou “admitir, confessar”.

Nesse capítulo que conta a história de Tamar Judá, que mais tarde se tornará uma das 12 tribos de Israel, de onde surge a linha monárquica de Davi, torna-se a primeira pessoa do pentateuco mosaico a assumir a responsabilidade pelos seus próprios atos e, mais,  SE ARREPENDE. Diferente de Adão que disse “a culpa é dela”, e “ela” que disse que a “culpa é da serpente”, Judá disse: A CULPA É MINHA!

Então leitor (a) amigo (a), para uma avaliação sensata, qual é a consequência moral que pode ser extraída dessa história? Para nós, apesar de grave, perante a Lei Divina, a gravidade do fato não residiu em cometer o erro, o equívoco ou errar o alvo, mas, em não assumir a culpa e se arrepender.

Conforme estudamos na obra O Céu e o Inferno, especialmente no Código Penal da Vida Futura, a evolução consiste em adquirir conhecimento e reconhecer as próprias faltas, admitindo a culpa pelas falhas, arrependendo-se e colocando-se à disposição para devolver o equilíbrio que resultou das próprias ações.

Você pensa diferente? Deixe sua opinião. Ela é mais importante do que concordar com nossa reflexão.


Estude e Viva!

Uberaba-Mg, 21 de Julho de 2020

Beto Ramos



[1] Emmanuel. A Caminho da Luz. O Judaísmo e o Cristianismo.

[2] Idem.

domingo, 19 de julho de 2020

OS GOZOS DOS BENS DA TERRA – PARTE 104

- O LIVRO DOS ESPÍRITOS –

 - LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS – 

- CAPÍTULO V – LEI DE CONSERVAÇÃO 

 III GOZOS DOS BENS DA TERRA –

(Questões 711 a 714-a) 


O uso dos bens da Terra não é uma causa, mas, é um efeito. Em face da necessidade de viver, isto é, da causa, pode-se falar em direito ao uso e gozo dos bens da Terra.

Todavia, cumpre fazer uma observação. TODOS OS ESPÍRITOS ERRANTES DEVEM ENCARNAR, ou seja, devem sofrer TODAS as vicissitudes na matéria que os levam à perfeição. O que nos leva a deduzir que VIVER NA MATÉRIA NÃO É UM DIREITO, MAS, UM DEVER DO ESPÍRITO ERRANTE.

Assim, Deus, impondo tal dever aos Espíritos Errantes, concede os meios para que seja cumprido. Esse é o fim de colocar à disposição da humanidade terrestre os bens para seu uso e gozo. 

Encarnado na matéria o Espírito errante possui os chamados cinco sentidos humanos. É por meio desses sentidos que o ser humano interage, se relaciona e se manifesta no contato com os bens da Terra. 

Pode-se afirmar, então, que os seres humanos são “instigados” ao uso do livre-arbítrio, ou seja, escolher usar, gozar e fruir desses bens, assim como, livrar-se dos mesmos, se assim podemos nos expressar, quando tornarem-se, para eles, uma espécie de tentação provocada pelo desejo causado pelas paixões e vícios. 

Nada há na obra da Criação que seja inútil. Neste sentido, o objetivo desse contato da humanidade com os bens da Terra para uso e gozo, provocada pelo desejo causado pelos cinco sentidos, é tão só o desenvolvimento da razão que, à medida que o ser se torna mais esclarecido vai se preservando dos excessos. Em suma, a razão deve conter o ser humano dos abusos que são cometidos quando não há resistência às tentações. 

Toda "tentação", ou, melhor dizendo, todo atrativo possui um termo final. O excesso prejudica o organismo e toda consequência causada pela falta de contenção do indivíduo leva às doenças físicas e psíquicas. Isso quer dizer que a própria pessoa pune a si mesma pelos excessos. Aquele que, ao contrário de conter os excessos através do uso racional do livre-arbítrio, refina o abuso dos próprios desejos, causa a própria morte. 

Desta maneira, aquele que procura nos excessos de toda espécie um refinamento dos gozos, coloca-se abaixo dos animais, vez que estes se limitam à satisfação de suas necessidades. É, na verdade, abdicar do uso razão (um guia seguro). Nesse caso, por escolha própria, o indivíduo abre espaço para ser governado por sua natureza animal que ultrapassa a espiritual. 

Repetimos com Kardec: “As doenças, a decadência e a própria morte, QUE SÃO CONSEQUÊNCIAS DO ABUSO, são também a PUNIÇÃO DA TRANSGRESSÃO DA LEI DE DEUS”. 

Estude e Viva! 

Uberaba-MG, 19 de Julho de 2020. 
Beto Ramos.

terça-feira, 7 de julho de 2020

MEIOS DE CONSERVAÇÃO – PARTE 103

- O LIVRO DOS ESPÍRITOS –
- LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS –
- CAPÍTULO V – LEI DE CONSERVAÇÃO –
- II MEIOS DE CONSERVAÇÃO –
(Questões 704 a 710)

Ao falar sobre a Lei de Conservação, sobre o instinto de conservação como uma lei da natureza, vêm as questões relacionadas com os meios de conservação. 

Cada indivíduo compreende o tema segundo seu ponto de vista, isto é, segundo sua capacidade cognitiva (o grau de compreensão que já atingiu por conta do conhecimento que amealhou no processo evolutivo). Tendo o indivíduo a necessidade de viver, também possui à sua disposição os meios necessários para viver. A Terra fornece o necessário a todos os seus habitantes. 

Nesse sentido é preciso entender o que significa, para os Espíritos Superiores, “o necessário”. Segundo a questão 704 de O Livro dos Espíritos “o necessário é o que é útil” (só o necessário é útil). “O supérfluo jamais o é”. 

Nesse caso, indaga-se: a Terra produz ou não produz o bastante para fornecer o necessário aos seres humanos? Eis a questão. Novamente, voltamos à questão do ponto de vista. O problema fundamental da humanidade terrestre é a ingratidão. Neste caso, aquilo que é  produto da culpa humana (ao contrário de ser uma ação/omissão responsavelmente assumida) é direcionada para “a Natureza”. 

O problema humano com relação ao necessário para viver gira sobre três fatores: negligência, imprudência e imperícia (Q. 705, LE). São os excessos provocados pela vontade. Melhor dizendo: a falta de controle das paixões, cujo propósito é conduzir o ser humano a grandes coisas. Porém, os excessos, isto é, o abuso a que a humanidade se entrega é a “causa do mal”. 

Esse abuso consiste na falta de contentamento ou no fato de que o ser humano não busca reprimir seu desejo pelas coisas inúteis ou, ainda, por não contentar-se somente com o necessário. A verdade é que aquilo que se destina ao necessário é empregado no supérfluo. Recordando a lição de que toda Lei Natural é uma Lei Divina, pensemos no tamanho de um estômago humano, cujo propósito é receber certa quantidade de alimento necessário para saciar a fome. Mas, muitos de nós queremos colocar mais que o necessário para tanto. 

Não é conveniente desperdiçar para, em seguida, lastimar a escassez. Lembramos a parábola das 10 virgens, em que havia 05 (cinco) previdentes e 05 (imprevidentes). A questão gira sobre ter a lâmpada e não ter o azeite, bem como o desconhecimento sobre a hora da chegada do noivo. Como resolver o problema das imprevidentes se cada objeto tem a capacidade para uma quantidade de combustível? Dividi-lo com as virgens imprudentes, negligentes e imperitas faria diminuir o tempo de iluminação e o noivo poderia chegar com todas no escuro. O que pretendemos salientar é que “a cada um segundo suas obras”, isto é, a prudência deve ser uma atitude individual para não prejudicar o coletivo. 

Não é a Natureza que é imprevidente é o Ser Humano que não sabe regular-se, ou seja, dominar os impulsos, as paixões, os desejos. Ter vontade, mas, ter consciência. Como nos ensinou o Apóstolo Paulo: “Tudo me é lícito, mas, nem tudo me convém”. 

Tudo que pode ser usufruído na Terra é produto da fonte primeira de onde decorrem os demais recursos: o solo. Uma das imperfeições que precisa ser burilada é o egoísmo, o qual leva o ser humano a não realizar o que deve. Importante pensar que temos Livre Arbítrio ao mesmo tempo em que temos a nos reger a Lei do Dever. A abundância encontrada na Natureza não exime o indivíduo do Trabalho. Importante sempre ter em mente: buscai e achareis; Mas, não algo mágico ou místico. Procurar considera realizar tudo ao alcance para atingir o objetivo, isto é, procurar com ardor e perseverança, sem displicência ou desânimo. É preciso vencer os obstáculos. Tudo isso, pertencendo ao campo da Lei do Trabalho são oportunidades para colocar à prova a constância, a paciência e a firmeza humanas. Tudo faz parte da proposta feita na Questão 132: “colocar o Espírito em condições de assumir sua parte na Obra da Criação, naquele ponto de vista em que reencarnou”. 

Nesse capítulo sobre os meios de conservação há uma nota de Allan Kardec muito interessante que seria oportuno ao leitor buscar fazer sobre ela uma reflexão após a leitura. 

Na questão 708 vamos encontrar um ensinamento que, talvez, seja pouco ou nada refletido pelos indivíduos. Trata-se do que chamaríamos de planejamento reencarnatório. O indivíduo está passando por uma prova cruel, ou seja, por uma situação que foge ao seu controle, pois, os meios de subsistência não estão à mercê de sua vontade. Há, necessariamente, uma privação como consequência das circunstâncias e não da imprudência, negligência ou imperícia humana. Como se comportar diante dessa situação: 
1. Trata-se de uma prova que o Espírito sabia que seria exposto; 
2. É preciso perseverar para averiguar se a própria inteligência não fornece meios de livrar-se dela; 
3. Resignar-se sem lamentação é o caminho. 
4. Recordar que a morte é a verdadeira liberdade para o Espírito. 
5. Desespero poderá levar à perda do fruto que dá a resignação. 

Novamente a questão da escolha, do livre arbítrio, da vontade.

Por fim, o ensino dos Espíritos Superiores é arrematado, nesse tópico, com uma questão grave. Da questão decorre a seguinte lição: quem mata o semelhante para matar a fome comete duas faltas graves: homicídio e o crime de lesa-natureza. Deve ser duplamente punido. 

A conclusão acerca do tema é com o processo de evolução no que diz respeito aos corpos pelos quais o Espírito se manifesta. À medida que os seres humanos evoluem precisamos de equipamentos (corpos físicos) mais apurados conforme as nossas necessidades. Enquanto na Terra nossos estômagos são grosseiros e precisam de alimentos grosseiros, nos mundos avançados a organização física é mais apurada e os alimentos mais sutis.

Estude e Viva.
Uberaba - MG, 07 de Julho de 2020.
Beto Ramos

sexta-feira, 3 de julho de 2020

INSTINTO DE CONSERVAÇÃO – PARTE 102


- O LIVRO DOS ESPÍRITOS – 
- LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS – 
- CAPÍTULO V – LEI DE CONSERVAÇÃO – 
- I INSTINTO DE CONSERVAÇÃO – 
(Questões 702 a 703) 

De acordo com o título e subtítulo do item I do Capítulo V do Livro Terceiro de O Livro dos Espíritos, pensamos ser adequado, antes de comentar o Ensino Doutrinário, apresentar o significado das palavras. 

Instinto, um substantivo masculino, precisa ser compreendido como um impulso inferior que faz um animal executar inconscientemente atos adequados às necessidades de sobrevivência própria, da sua espécie ou da sua prole. Neste caso temos o chamado instinto reprodutor. 

Também, compreende-se se tratar de um impulso natural, independente da razão, que faz o indivíduo agir com uma finalidade específica. Como é o caso do chamado instinto materno. 

Todavia, é preciso saber que o instinto relaciona-se, de outro lado, com a faculdade de pressentir, de perceber, independente da razão, o que denominamos intuição. 

Finalmente, temos a indicação de que surge entre nós como uma tendência natural, inclinação, dom. O exemplo seria a inclinação musical. 

De posse dessas informações é possível entender perfeitamente cabível a questão formulada por Allan Kardec aos Espíritos Codificadores sobre a natureza do instinto de conservação. Veremos se tratar de uma Lei da Natureza. Todos os seres vivos possuem o instinto de conservação. E não se pode perder de vista esse ensinamento: qualquer que seja o seu grau de inteligência, todo ser vivo possui o instinto de conservação. 

Segundo o Ensino Doutrinário, o instinto de conservação é, para uns, puramente mecânico e, para outros, é racional. Por isto, compreendemos adequado iniciar nosso estudo indicando os vários sentidos que o vocábulo instinto possui. 

Enquanto temos o instinto aparecendo no ser vivo independente da razão, veremos que, mais elaborado, de acordo com o grau evolutivo, seu uso será baseado na lógica, razão, bom senso ou juízo. A ação que considerará o instinto fincará bases numa elaboração mental.

Por isto, em nossa opinião de estudante do Espiritismo, no momento aceitamos colocar a Fé, como algo inato, quando não é cega, mas, raciocinada, ao lado do instinto racional. 

Antes de estudarmos a questão seguinte (703), vamos recordar outra questão de O Livro dos Espíritos que já estudamos por aqui. Trata-se da nº 132, onde o questionamento é sobre a finalidade da encarnação dos Espíritos. Conforme os Espíritos Superiores a Deus impõe a encarnação dos Espíritos com a finalidade de leva-los à perfeição, sendo que para atingir tal objetivo é necessários sofrer todos os problemas da existência corpórea. Mas, a finalidade principal é colocar o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da Criação

Veja que este ensino é muito esclarecedor, vez que traz as seguintes informações: 

a) A encarnação é uma imposição de Deus. OU SEJA: Não há escolha, O ESPÍRITO ENCARNA. É uma LEI DE DEUS; 
b) Sofrer TODAS as vicissitudes da existência corpórea (encarnação) consiste na expiação, tendo em vista que UMA ÚNICA ENCARNAÇÃO NÃO É CAPAZ DE DOTAR O ESPÍRITO DE TODOS OS CONHECIMENTOS NECESSÁRIOS PARA CHEGAR À PERFEIÇÃO; 
c) É somente por meio da encarnação que o Espírito fica em condições de enfrentar sua parte na Obra da Criação; 
d) Cada encarnação, neste planeta ou em outros, é uma oportunidade que o Espírito tem de enfrentar, desde já, sua parte na Obra da Criação, uma vez que irá executar, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. 


Não pode ficar ao longe da reflexão a última frase dessa questão 132 do LE: “E dessa maneira, concorrendo para a obra geral, também pode progredir”. 

Cumprir as ordens de Deus não quer dizer NÃO FALHAR, pois, o Espírito está progredindo. É sofrendo as vicissitudes, encarnando e reencarnando, usando um aparelho em cada mundo, que o Espírito busca executar as ordens de Deus daquele ponto de vista e, concomitantemente concorrendo para a obra geral, também progredindo. O Codificador vai comentar essa questão dizendo que a Lei Divina faz com que tudo se encadeie e seja solidário na natureza. 

Citamos essa questão para conciliar com a resposta da questão 703 do capítulo ora estudado. Todos os seres vivos, segundo o Ensino dos Espíritos Codificadores, devem colaborar no propósito de Deus. Não sendo o ser vivo, ainda, um Espírito (questões 76 e seguintes do LE) será somente um princípio inteligente evoluindo (questões 1 a 75 do LE). Por isto o instinto de conservação é uma Lei da Natureza, ou seja, Deus dotou cada ser vivo do que poderá ser denominado como necessidade de viver.

A VIDA É NECESSÁRIA AO APERFEIÇOAMENTO DOS SERES. 

Essa necessidade de viver, de se aperfeiçoar, de tornar-se Espírito, tornar-se PERFEITO, é o instinto de conservar-se, algo sentindo sem que seja percebido (algo não racional, elaborado). Todavia, mais tarde, conforme o grau de elevação, o instinto será racional. 

Esse foi o nosso estudo de hoje. Deixe sua opinião e um comentário. Estude e Viva! 

Uberaba – MG, 03 de julho de 2020
Beto Ramos


DESTAQUE DA SEMANA

ENTENDA OS SINAIS DOS TEMPOS E O PROCESSO DE MIGRAÇÃO E EMIGRAÇÃO DOS ESPÍRITOS EM CURSO

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