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sexta-feira, 29 de maio de 2020

ESPIRITISMO E PUBLICIDADE: a influência sobre a ordem social


Existindo desde a antiguidade, o Espiritismo ressurgiu em plena luz e à vista de todos. Para alguns simples conjunto de fenômenos sem qualquer importância. Para outros um caso sério que merecia combate porque balançava as estruturas da fé cega. No começo viram no Espiritismo apenas fenômenos materiais que se dirigia aos olhos como espetáculos, divertimentos.


Os observadores conscienciosos encontraram no Espiritismo a chave para uma multidão de mistérios que até seu advento eram incompreendidos. Daí surge toda uma doutrina, toda uma filosofia, até que se eleva à categoria de ciência moral, que falava a um só tempo ao coração e à inteligência.


Em pouco tempo de existência o jornal recém-fundado por Allan Kardec contava com assinantes de Paris, Inglaterra, Escócia, Holanda, Bélgica, Prússia, São Petersburgo, Moscou, Nápoles, Florença, Milão, Gênova, Turim, Genebra, Madri e Shangai, China, Batávia, Caiena, México, Canadá, Estados Unidos e outros tantos. Allan Kardec trocou cartas com brasileiro também.


Mas, o Espiritismo caminhou por sua própria força, fornecendo uma verdade consoladora, criando a esperança da verdadeira satisfação, proporcionando convicções sérias e duradouras, onde qualquer pensamento contrário tornaria o crente infeliz.


Entregue as próprias forças, o Espiritismo deu grandes passos, o que proporcionou a Allan Kardec, Codificador do Espiritismo, vaticinar: “se, por si mesmo, já deu tão grandes passos, que será quando dispuser da poderosa alavanca da grande publicidade! Enquanto aguarda esse momento, vai plantando balizas por toda parte”.


Na propagação do Espiritismo Allan Kardec distinguiu quatro fases ou períodos distintos:

   1. O da curiosidade, no qual os Espíritos batedores desempenharam o papel principal chamando a atenção, preparando os caminhos;

   2. O da observação no qual o Codificador ingressou. Também chamado de período filosófico. É nesse período que o Espiritismo se aprofunda e se depura, tendendo à unidade de Doutrina e constituindo-se em Ciência;


Para o futuro, previu Kardec que viriam em seguida:

    3. O da admissão, no qual o Espiritismo deve ocupar uma posição entre as crenças oficialmente reconhecidas[1];

   4. O período da influência sobre a ordem social. Quando a Humanidade, sob a influência das ideias Espíritas, entrará em um novo caminho moral.


Observação: ao tempo de Kardec a influência moral do Espiritismo atingia apenas a esfera individual e, segundo suas previsões, mais tarde, agiriam sobre as massas, para a felicidade geral.


Na atualidade do século 21, quando elaboramos essas notas, percebemos que a previsão de Allan Kardec quanto às poderosas ferramentas de publicidade encontradas a macheias e à disposição dos Espíritas se cumpriu. Blogs, redes sociais (facebook, whatsapp, instagram e outras), sites, plataformas de vídeos, além do rádio e TV, são alavancas poderosas de publicidade para a Doutrina. Como você percebe aqui, fazemos parte efetiva desse contingente.


Em nossa opinião, o Espiritismo não atingiu o terceiro período (ou fase) previsto por Allan Kardec. Há uma massa considerável de adeptos e simpatizantes, o que não quer dizer que todos sejam Espíritas sinceros ou verdadeiros Espíritas. É possível constatar, sem dúvida, que há uma plêiade de Espíritos encarnados trabalhando para o sucesso das previsões de Allan Kardec, assim como, outros tantos desencarnados engajados na missão.


Cabe-nos fazer mais para a divulgação da Doutrina Espírita como codificada por Allan Kardec. Pelo poder das ferramentas que temos e que não estiveram à disposição do Codificador, precisamos atingir a totalidade do planeta.


Somente assim serão dados os primeiros passos da fase quatro prevista por Kardec: a influência do sentimento de amor, fraternidade, solidariedade e igualdade sobre toda a Humanidade a fim de que sua regeneração moral, como novo caminho, comece a ser trilhado coletivamente.

 

 * Texto adaptado da publicação de Allan Kardec na Revista Espírita de Setembro de 1858, (PDF), Ed. FEB, p. 363-371.

 

Beto Ramos

Uberaba – MG, 29 de maio de 2020


[1] Entre os anos de 2000 a 2010 o Brasil teve um crescimento de 65% no número de adeptos. Segundo a Revista SUPER Interessante o Brasil é a maior nação Espírita do mundo. https://super.abril.com.br/cultura/por-que-o-espiritismo-pegou-tanto-no-brasil/ acesso em 29/05/2020.

sábado, 23 de maio de 2020

A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS - RESUMO


1. Os seres que se manifestam denominam-se como Espíritos.

2. Alguns afirmam que viveram como homens na Terra.

3. O Universo é composto por seres animados e inanimados, materiais e imateriais.

4. O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.

5. O mundo corporal é secundário; pode deixar de existir ou nunca ter existido, sem alterar a essência do mundo espírita.

6. Os Espíritos revestem, temporariamente, um invólucro material perecível e sua destruição pela morte os devolve à liberdade.

7. A espécie humana é a qual os Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento vão encarnar.

8. A espécie humana, em razão da encarnação do Espírito, possui, em relação às diferentes espécies de seres corporais, uma superioridade moral e intelectual.

9. A alma é um Espírito encarnado; O corpo é apenas o revestimento do Espírito.

10. Há no ser humano 03 coisas: a) O ser material (corpo físico) semelhante ao corpo dos animais animado pelo mesmo princípio vital que os anima; b) A alma (ser imaterial), espírito encarnado no corpo; c) O princípio intermediário entre a matéria e o Espírito que une a alma ao corpo (um liame ou elo).

11. O perispírito (princípio intermediário) é, também, uma espécie de invólucro semimaterial.

12. A morte é a destruição do revestimento mais grosseiro: o corpo físico.

13. O perispírito é um corpo etéreo, isto é, mais sutil, invisível para o olho humano, mas, sob certas circunstâncias, poderá ficar visível ou, ainda, se tornar tangível (sujeito ao toque).

14. O Espírito é um ser real, definido que, em certos casos, pode ser apreciado pelos sentidos humanos: visão, audição e tato.

15. Os Espíritos pertencem a diferentes classes, não sendo iguais em poder nem inteligência, saber ou moralidade.

16. Os Espíritos de 1ª Classe se distinguem por: perfeição, conhecimentos, proximidade de Deus, pureza de sentimentos e o amor do bem. Podem ser denominados anjos ou Espíritos puros.

17. As demais classes distanciam mais e mais dessa perfeição (conjunto de atributos do Espírito puro).

18. As classes inferiores são observadas em razão de suas inclinações, isto é, paixões: ódio, inveja, ciúme, orgulho e outros, além de sentir prazer com o mal.

19. Há, também, nessa variedade de ordem de Espíritos, os que não são nem muito bons ou muito maus, são perturbadores, intrigantes, maliciosos e inconsequentes. Esses são denominados levianos ou estouvados.

20. Todos os Espíritos melhoram. Passa pelos diferentes graus da hierarquia espírita. O melhoramento acontece por meio da encarnação.

21. A ENCARNAÇÃO É IMPOSTA A UNS COMO EXPIAÇÃO E A OUTROS COMO MISSÃO.

22. A vida material é uma prova a que DEVEM SUBMETER-SE OS ESPÍRITOS REPETIDAS VEZES até atingirem a perfeição “absoluta”.

23. A encarnação, isto é, a submissão à vida material, é como uma espécie de peneira ou depurador de que eles saem mais ou menos purificados.

24. “Deixando o corpo” a alma volta ao mundo dos Espíritos, de onde havia saído para experimentar uma existência material.

25. Após a morte, de volta ao mundo espiritual, o Espírito aguardará um lapso temporal, mais ou menos longo, até nova encarnação. Esse período coloca o Espírito no estado denominando “errante”.

26. Uma vez que os Espíritos DEVEM passar por muitas encarnações, conclui-se que TODOS NÓS TIVEMOS MUITAS EXISTÊNCIAS e TEREMOS AINDA OUTRAS MAIS OU MENOS APERFEIÇOADAS, na Terra ou em outros mundos.

27. A encarnação dos Espíritos ocorre sempre na espécie humana. É erro pensar que poderia ocorrer no corpo de um animal (metempsicose).

28. O Espírito, quanto as diferentes existências corporais, progride sempre, jamais retrógrada. A rapidez do progresso está em relação aos esforços que faz para chegar à perfeição (pode estacionar por certo tempo).

29. As qualidades da ALMA (Espírito encarnado) são as qualidades do ESPÍRITO. O ser humano de bem é o resultado da encarnação de um bom Espírito; O ser humano perverso é a encarnação de um Espírito impuro.

30. A individualidade da alma é conservada antes e após a morte.

31. No seu regresso ao mundo espiritual a alma reencontra todos os Espíritos que conheceu na Terra e todas as suas existências anteriores se delineiam na sua memória, com a recordação de todo o bem e todo o mal que tenha feito. (recomendamos cuidado na interpretação dessa questão;  os Espíritos relacionam-se por afinidade, conforme seu grau evolutivo; na vida material nos relacionamos com as diversas faixas evolutivas; o que não ocorre no mundo dos Espíritos onde o Superior vem até o inferior e o contrário não é regra).

32. Quando está encarnado o Espírito sofre a influência da matéria. Poderá ou não superar essa influência.

33. SUPERANDO A INFLUÊNCIA DA MATÉRIA. Elevará e purificará seu Espírito aproximando-se dos bons Espíritos com os quais estará um dia. Ou seja: é possível o Espírito encarnado manter intercâmbio com bons Espíritos, mas, a condição para tal é: superar a influência da matéria, o que só ocorre por meio de elevação e purificação da alma (boas práticas, bons hábitos, tornando-se ou buscando tornar-se ser humano de bem).

34. NÃO SUPERANDO A INFLUÊNCIA DA MATÉRIA. Deixa dominar-se pelas más paixões e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros. Ou seja: aproxima-se dos Espíritos impuros e, nesse caso, dá preferência à natureza animal (instinto caminhando para inteligência e distante da razão).

35. HABITAÇÃO DOS ESPÍRITOS. Os encarnados habitam os diferentes globos do Universo.

36. HABITAÇÃO DOS ESPÍRITOS. Os desencarnados (ou errantes – que precisam ainda reencarnar, pois, há impurezas que precisam se desvencilhar; melhor dizendo ainda há influência da matéria e más paixões para dominar) não ocupam nenhuma região determinada ou circunscrita; estão por toda parte, no espaço E ao nosso lado.

37. HABITAÇÃO DOS ESPÍRITOS. Os que estão ao nosso lado dividem espaço conosco e, por isso, mantém contato direto conosco incessantemente.

38. HABITAÇÃO DOS ESPÍRITOS. Os que ocupam o espaço não estão ao nosso lado. Portanto, nós NÃO SABEMOS ONDE ESSES ESPÍRITOS HABITAM. Não sabemos circunscrever onde estão (Circunscrição: limite material bem marcado, localizado).

- Recordemos uma lição de Jesus (625 do LE): O Espírito (ruar) sopra onde quer, NÃO SABEMOS PARA ONDE VAI OU DE ONDE VEM.

39. OS ESPÍRITOS NÃO ENCARNADOS OU ERRANTES compõem TODA UMA POPULAÇÃO invisível que SE AGITA EM NOSSO REDOR. (Observação: nesta explicação introdutória Kardec não tratou da habitação dos Espíritos Puros; "ao nosso redor" não precisa ser exatamente "junto de nós", pode-se, também, compreender como "ao redor do planeta Terra").

40. Os Espíritos exercem influência sobre o mundo material e sobre o mundo espiritual incessantemente (por isso temos dois envoltórios que nos possibilitam manter um tipo de relação dupla). Pelo corpo físico estamos no mundo material e pelo perispírito estamos no mundo espiritual.

41. Os Espíritos agem sobre a matéria e sobre o pensamento (matéria e pensamento são coisas distintas, mas, nem por isso é possível conceituar pensamento como um fluído).

42. Os Espíritos constituem uma das forças da natureza (elemento espiritual).

43. Os Espíritos são a causa eficiente (tem poder de produzir efeitos reais, específicos, criando condições apropriadas ou ideias para alcançar determinada finalidade obtendo resultados efetivos) de produzir uma multidão de fenômenos não explicados pela ciência tradicional ou mal explicados pela religião positiva e que não encontraram, no atual conhecimento humano, solução racional.

44. Os Espíritos se relacionam incessantemente com os encarnados. Os bons induzem ao bem, sustentam nas provas, ajudam a suportá-las; Os maus induzem ao mal a fim de causar a queda tornando o objeto de sua influência em semelhante.

45. AUTONOMIA. Apesar da relação contínua, da influência incessante, CABE a cada Espírito encarnado DISCERNIR as MÁS e BOAS INSPIRAÇÕES.

46. Além das inspirações, para se comunicarem, os Espíritos usam diretamente a escrita, a palavra ou outra forma de manifestação material, ou indiretamente por meio de médiuns que lhe servem de instrumentos.

47. OPORTUNIDADE DE MANIFESTAÇÃO. Os Espíritos poderão se manifestar em duas ocasiões: espontaneamente ou pela evocação.

48. EVOCAÇÃO. Podemos evocar TODOS OS ESPÍRITOS. Em TODOS “incluem-se” obviamente aqueles que animaram seres humanos obscuros (que não se tornaram celebres, sombrios, modestos, humildes, pobres, ignorados, tenebrosos, etc.) e os que foram conhecidos como personagens mais ilustres QUALQUER QUE SEJA A ÉPOCA EM QUE TENHAM VIVIDO.

49. Podemos EVOCAR nossos parentes, amigos e inimigos e deles obter, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se acham no espaço, seus pensamentos a nosso respeito, assim como as revelações que tenham a permissão de fazer-nos.

50. EVOCAÇÃO. Os Espíritos SÃO ATRAÍDOS na razão de sua SIMPATIA pela NATUREZA MORAL do MEIO QUE OS EVOCA. Que meio é esse? Reuniões sérias com predomínio do amor do bem e o desejo sincero de instrução e melhoria.

51. AÇÃO DO MEIO SOBRE A ATRAÇÃO DOS ESPÍRITOS EVOCADOS: A reunião séria repleta do amor do bem e do sincero desejo de instrução e melhoria AFASTA os Espíritos inferiores (não é o Espírito Superior que afasta os maus Espíritos, somos nós que nos colocamos em condições de atrair os Bons). Sem tais requisitos comparecerão apenas os inferiores.

52. TEOR DAS MENSAGENS. Enquanto o ambiente sério proporciona instruções para melhoria ou até revelações permitidas, de outro lado há o livre acesso para os Espíritos inferiores com comunicações frívolas, fúteis ou banais, mentiras, brincadeiras de mau gosto e mistificações, servindo-se de nomes veneráveis para indução ao erro. São guiados pela curiosidade e os maus instintos.

53. DISTIÇÃO ENTRE BONS E MAUS ESPÍRITOS: a) Espíritos Superiores – linguagem constantemente digna, nobre, cheia da mais alta moralidade, livre de qualquer paixão inferior cujos conselhos revelam a mais pura sabedoria e tem sempre o objetivo do progresso e o bem da Humanidade. b) Espíritos inferiores – linguagem inconsequente, quase sempre banal e mesmo grosseira; se dizem, às vezes, coisas boas e verdadeiras misturam-nas com mais frequência às falsidades e absurdos, por malícia ou mesmo por ignorância; zombam da credulidade e se divertem à custa dos que os interrogam, lisonjeando sua vaidade e embalando falsas esperanças.

54. LUGAR ONDE SÃO TRANSMITIDAS “COMUNICAÇÕES SÉRIAS” NA PERFEITA ACEPÇÃO DO TERMO SEGUNDO KARDEC E O ESPÍRITISMO: somente se verificam nos CENTROS sérios, cujos membros estão unidos por uma ÍNTIMA COMUNHÃO DE PENSAMENTOS DIRIGIDOS PARA O BEM.

55. MORAL DOS ESPÍRITOS SUPERIORES (como a do Cristo): resume-se na máxima evangélica “fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam”, ou seja, “fazer o bem e não o mal”. Essa é a regra universal para a conduta humana mesmo nas menores ações.

56. PAIXÕES QUE APROXIMA O SER HUMANO DA NATUREZA ANIMAL E O PRENDE NA MATÉRIA: egoísmo, orgulho e a sensualidade.

57. OBJETIVO DA ENCARNAÇÃO: relacionar-se com a matéria sem a ela se prender; desprezar as futilidades mundanas; cultivar o amor ao próximo; aproximar-se da natureza espiritual;

58. APROXIMAR-SE DA NATUREZA ESPIRITUAL: tornar-se útil segundo as próprias faculdades; usar tais faculdades como ferramentas para tornar úteis os meios colocados por Deus à disposição para nos provar; o forte e o poderoso devem apoio e proteção ao fraco, pois, o abuso da força e do poder para oprimir o semelhante viola a Lei de Deus.

59. NADA FICARÁ OCULTO. No mundo dos Espíritos nada pode estar escondido. O hipócrita será desmascarado e todas as suas torpezas reveladas.

60. “CASTIGOS”. Presença inevitável daqueles a quem prejudicamos é um dos castigos que nos estão reservados (culpa, arrependimento, sintonia, afinidade e o desejo de melhorar, acreditamos, estarão presentes em tais situações).

61. “PENAS E ALEGRIAS DESCONHECIDAS NA TERRA”. Estado de inferioridade e Superioridade dos Espíritos. Nenhuma falta é irreparável. Todas são passíveis de remissão pela expiação.

62. EXPIAÇÃO. O ser humano encontra os meios necessários nas diferentes existências que lhe permite avançar, na via do progresso, em direção à perfeição que é o seu objetivo final.

Uberaba-MG, 23 de maio de 2020.
Beto Ramos

sexta-feira, 22 de maio de 2020

POPULAÇÃO DO GLOBO – PARTE 99

O LIVRO DOS ESPÍRITOS –

- LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS –

- CAPÍTULO IV – LEI DE REPRODUÇÃO –

- I POPULAÇÃO DO GLOBO –

(Questões 686 a 687)

Hoje, especialmente, gostaria de compartilhar com vocês nossa reflexão acerca de duas questões propostas por Allan Kardec aos Espíritos Superiores. O curioso título é: população do globo. Posto dessa forma, restringiríamos o pensamento para os seres humanos apenas. Contudo, a primeira pergunta efetuada pelo Codificador irá mais longe, pois, indaga sobre a reprodução dos seres vivos. Talvez, penso, para nos lembrar que somos parte de um conjunto.

Kardec postulou saber se a reprodução dos seres vivos é uma lei natural. Ora, o que o Codificador quer realmente saber é se a reprodução dos seres vivos é UMA LEI DIVINA, UMA LEI DE DEUS. A resposta dos Espíritos Codificadores é objetiva. Parece até que repreendem Allan Kardec, pois, esclarecem: “isso é evidente”.

O fato de a reprodução dos seres vivos ser uma lei divina implica que é uma lei imutável. Então, os Espíritos concluem: “sem a reprodução o mundo corpóreo pereceria”. Essa resposta também nos faz recordar que o mundo material é perecível, que poderia não existir e o mundo espiritual continuaria existindo normalmente. O que assegura a existência do mundo material são as leis naturais que o rege.

Então, indaga Kardec sobre a progressão constante da população global e se diante disto não chegaria um tempo em que haveria um excesso de pessoas sobre a Terra. A resposta dos Espíritos é interessante, mas, é importante pensar porque Allan Kardec lançou tal questionamento.

No tempo de Kardec viveu um economista britânico chamado Thomas Robert Malthus (1766 – 1834), considerado o pai da demografia, que desenvolveu uma teoria sobre o controle populacional ou demográfico. Essa teoria ficou conhecida como malthusianismo. Seu pensamento consistia na hipótese de que a população humana cresce em progressão geométrica. Pregava que o crescimento populacional era limitado pelo aumento da mortalidade e por todas as restrições ao nascimento decorrentes da miséria e do vício. Malthus usou em seu ensaio vários conceitos cristãos envolvendo o mal, a salvação e a condenação.

Promoveu uma suposta "aliança" daquilo que ele próprio "entendeu" das questões religiosas com questões inerentes à vida das pessoas, o desenvolvimento social, economia, sociologia e política. No fundo, seus preconceitos e como via a si mesmo (possuidor de riquezas) em relação aos demais (pobres deserdados) conduziu sua "ciência". Perceba como o fundamentalismo não ajuda compreender. Conforme alguns críticos esse economista representou o modelo de uma visão que ignora ou rebaixa os benefícios da industrialização ou do progresso tecnológico. Malthus pregava que a diferença entre classes sociais era uma consequência inevitável: a pobreza e o sofrimento eram o destino apropriado para a grande maioria das pessoas.

Uma curiosidade no pensamento de Malthus é que o nível de atividade de uma economia capitalista, dependente da demanda efetiva, a seu ver, justificava os esbanjamentos praticados pelos ricos. Suas análises sobre o mal, salvação e castigo, usando conceitos cristãos (isto é, sacado dos Evangelhos e da Bíblia), visavam fundamentar uma teoria a benefício de uma camada do tecido social: a classe rica.

Penso que, de posse dessa informação, você compreenderá melhor o objetivo de Kardec com a questão. A resposta dos Espíritos para o Codificador não poderia ser de outra, uma vez que na Obra A Gênese, mais tarde ele escreverá sobre a providência divina. Os Espíritos Superiores informam: a Terra não chegará ao momento de ter população excessiva, pois, DEUS a isso provê, mantendo sempre o equilíbrio, nada fazendo de inútil. O ser humano enxerga apenas um ângulo do quadro e, por isso, não tem condições adequadas para julgar e fazer o juízo correto (Malthus, então, estava errado no seu julgamento e na sua teoria).

Reflita sobre as questões e esse tema proposto por Allan Kardec, sobretudo, como surgem teorias para explicar os mais sórdidos meios de exploração do homem pelo homem. Finalmente, é importante algo deixar do Evangelho para nosso estudo espírita:

“Contudo, irmãos, eu vos afirmo que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem o que é perecível pode herdar o imperecível.”

– Paulo, 1CORÍNTIOS, 15:50


Uberaba - MG, 22 de maio de 2020
Beto Ramos

terça-feira, 19 de maio de 2020

A MENTE COMO ESPELHO DA VIDA

PENSAMENTO E VIDA4

Então, a mente é o espelho da vida em toda parte? Se pensarmos que o cérebro é o centro das ondulações, pois, no Espírito encarnado há um conjunto de órgãos para manifestações deste no plano material, poderíamos ser levados ao equívoco de compreender que a sede está no corpo.

Porém, o cérebro, como centro das ondulações, apenas gera a força necessária para que o pensamento, que é proveniente do Espírito, transponha essa barreira (mundo material, corpo físico), uma vez que é comparável a um gerador de força. Mas, é o pensamento que tudo move, cria, transforma, destrói, refaz, acrisola e sublima.

Mas, o que provoca todo esse processo? Ora, sendo a mente (que, pensamos, tem sede no Espírito e não no corpo físico) comparável a um espelho, possui características comparável ao processo de reflexo da imagem.

Vimos nos textos anteriores que em todos os domínios do universo vibra, pois, a influência recíproca. Sendo assim, tudo se desloca e renova sob os princípios de interdependência e repercussão. Ora, nesse processo, interagindo com Espíritos encarnados ou não, isto é, nos relacionando, sofremos a ação do que percebemos no mundo, seja pela captação da onda mental – pensamento alheio -, ou pela emissão da nossa onda mental – pensamentos próprios. Podemos chamar de intercâmbio? Acreditamos que sim.

Portanto, em nossa faixa de vibração, isto é, na faixa evolutiva a que pertencemos, carecendo de comparações para compreender, é possível pensar que o processo de intercâmbio, isto é, de interdependência e repercussão se dá da seguinte maneira:

“O reflexo esboça emotividade; A emotividade plasma a ideia; A ideia determina a atitude e a palavra que comandam as ações”.


Busque a seguinte imagem mental:

- Fios infinitamente sutis, emitidos por aquele centro das ondulações de que falamos antes; tais fios foram gerados pelas nossas manifestações intimas; irradiamos esses fios infinitamente; são eles que vão originar as causas; causa do quê? Lembre que estamos no processo de intercâmbio, nos relacionando; Essas causas proporcionam criar circunstâncias (as relações criam circunstâncias). As circunstâncias, em razão da nossa interdependência, provoca a repercussão, isto é, comparam-se a válvulas que podem ser um obstáculo da evolução ou libertar o Espírito para o progresso e elevação.


Recordamos que válvula, neste texto, compreende-se como uma espécie de dispositivo que irá regular o fluxo das circunstâncias. Mas, todos nós temos o controle desses “dispositivos”? Ninguém ultrapassará de improviso os recursos da própria mente. Estamos falando da compreensão, do entendimento, da educação, da instrução que irá orientar esse processo. Desta forma, pensamos, é imperativo ao Ser dominar a própria existência (como Espírito imortal). Autonomia que lhe proporcionará o controle da vontade, a fim de orientar os desejos e controlar as paixões.

Em cada nova existência nós estaremos em um círculo de atuação; certamente iremos apresentar características refletidas uns dos outros. Daí formarmos nossos grupos de Espíritos reunidos em faixas vibratórias por meio da afinidade e do grau de elevação atingido por cada um, as chamadas famílias espirituais.

A permuta é incessante, projetamos e recebemos imagens. A necessidade de controlar a vontade e imperativa, pois, temos que evitar estacionar sob a fascinação de elementos que vão nos escravizar por um tempo. É preciso detectar por meio da elevação (trabalho, educação, instrução) quais são os influxos que são capazes de nos renovar intimamente para nossa purificação e progresso. Falamos aqui da capacidade de escolha do Espírito.

Estagiamos, aprendemos e nos elevamos, para que, na Criação, possamos refletir os objetivos do Criador.

(Acesse a 1ª parte aqui; a 2ª aqui; a 3ª aqui)

 

4. Texto adaptado da Obra Pensamento e Vida, Cap. 1.

domingo, 17 de maio de 2020

LIMITE DO TRABALHO: REPOUSO – PARTE 98


-
O LIVRO DOS ESPÍRITOS -
- LIVRO TERCEIRO - AS LEIS MORAIS -
- CAPÍTULO III - LEI DO TRABALHO -
- II LIMITE DO TRABALHO, REPOUSO -
(QUESTÕES 682 a 685-a)


Neste tópico de O Livro dos Espíritos, o ensino refere-se, como diz o subtítulo, a trabalho e seu limite, quanto a repouso, mas, também, a exploração do trabalho pelos que se encontram momentaneamente na condição de superiores, isto é, o que tem o poder de dirigir. Não sendo eterno o encarnado e sujeito à Lei da reencarnação, certamente atrai para si a responsabilidade de seus atos, na absoluta aplicação do “a cada um segundo suas obras”.

Atualmente, mormente no Brasil, vê-se que se banalizou o direito do trabalhador ao repouso, porém, ensinam os Espíritos Superiores que o repouso visa reparar as forças do corpo. Para elevar-se acima da matéria o encarnado usa sua inteligência. Nesse caso, o descanso é uma necessidade para que a inteligência fique liberta e atinja seu objetivo.

Hoje, século XXI, ano de 2020, mês de maio, vemos que o Brasil maltrata e desrespeita seus “velhos” (recorde o suicídio de Migliaccio), como se todos não fossem experimentar essa condição física. Ensinam os Espíritos que o ser humano tem direito a repouso na sua velhice, uma vez que o trabalho a que está sujeito está no limite e proporção de suas forças.

Na perspectiva evolutiva do Espírito espera-se que o forte trabalhe para o fraco, isto é, na falta da família, a sociedade deve amparar os seus idosos.

A solução proposta por Allan Kardec em sua nota explicativa destas questões atinentes a trabalho, repouso e exploração, é a educação. Não a encontrada intelectual, mas, a moral que não é encontrada nas enciclopédias, a mora que cria os hábitos, forma caracteres. Ensina o Codificador que a educação é o conjunto de hábitos adquiridos.

É preciso cultivar princípios, freios ou limites, domínio dos próprios instintos, a fim de evitar os desastres e consequências da sua ausência no conjunto da massa populacional. Os indivíduos que formam o tecido social devem educar a mente e o espírito, ponto de partida, o elemento real do bem-estar e garantia da segurança de todos.

No próximo encontro falaremos sobre a Lei de Reprodução. Até lá.

Uberaba-MG, 17 de maio de 2020.
Beto Ramos.


quarta-feira, 13 de maio de 2020

ACERCA DA AURA HUMANA


ACERCA DA AURA HUMANA3


Nos tempos modernos o que a ciência atômica compreende por irradiação? É a onda de forças dinâmicas que nascem do movimento que provocamos no espaço, cujas emanações se exteriorizam por todos os lados. É certo que todos os corpos, uma vez sofrendo agitação ou a produzindo, emitem ondulações. Essas ondas podem ser medidas pelo comprimento cujo tamanho dependerá do emissor que as está difundindo na atmosfera. Faça o teste: jogue pequena pedra na água (pequeno lago). Pequenas ondas serão observadas. Aumente o tamanho e terá ondas maiores.

Se já possuímos o conhecimento, ainda que superficial, acerca das ondas, nos é possível saber o que é frequência. É o número de ondas que o núcleo emissor conseguirá emitir no menor espaço de tempo. Esse fenômeno irá gerar oscilações magnéticas, acompanhadas pela força gravitacional correspondente. É uma Lei da Natureza que cada corpo em movimento, desde os átomos até as galáxias, possua campo próprio de tensão e influência, constituído pela ondulação que produz. Essa ideia é passível da observação: uma lâmpada que ilumina determinada área o faz em razão da emissão de fótons que produz. À medida que tais fótons se distanciam do seu núcleo ou foco gerador (a lâmpada), fragmentando-se ao infinito, diminui o campo iluminado por esse.

Como ocorre à matéria densa, observada pela ciência, o Espírito também é um núcleo emissor de força gravitacional. São as criações mentais, que formam em torno do Espírito um halo (círculo) constituído por emanações eletromagnéticas imperceptíveis e possui teor de força gravitacional que lhe é própria. Portanto, nossos pensamentos tecem uma auréola, por assim dizer, de emanações vitais (pensamento é força criadora) ou a ondulação que nos identifica, representando o campo que desenvolvemos. Nossos pensamentos dizem quem nós somos.

A matéria é regida por leis determinísticas, o Espírito não. No plano da inteligência e da razão, possuímos na vontade o que podemos figurar como um “botão liga-desliga” para controle da nossa movimentação consciente. Assim, é possível direcionar a onda de nossa vida para luz ou para a treva. Sabedoria ou ignorância. Continuar primitivo ou tornar-se Espírito puro. Atua a vontade no controle dos sentimentos, ideias, palavras e atos, que se constituem em nossos recursos íntimos de transformação e purificação de nosso campo vibratório (halo formado em torno do ser por meio da irradiação do pensamento), conforme a direção que lhes impomos. As dores, as provas, as aflições e os problemas são fatores externos de luta que nos impelem a movimento renovador.

“Sentindo e pensando, falando e agindo, ampliamos a nossa zona de influência, criando em nós mesmos a atração para o engrandecimento na vida superior ou para a miséria na vida interior, segundo as nossas tendências e atividades para o bem ou para o mal”.
(Professor F. Labouriau).

A força que rege e impulsiona o ser não se encontra fora, mas, no íntimo do Espírito. A luz é atingida pelas experiências amealhadas, pelo estudo dignamente conduzido e pela ação na caridade que abre ao ser as portas da “salvação”, isto é, colocar-se novamente em direção ao alvo (perfeição espiritual possível para a criatura). O manancial irradiante do Espírito pode ser regenerado. Aprendendo com as experiências do passado, refletidas e corrigidas no presente, habilita o ser para a grandeza do futuro. Somos criações de Deus, mas, sujeitos ao campo das nossas próprias ações. É o que se pode denominar de AUTONOMIA, visto o livre-arbítrio. Nossas irradiações mentais influenciam, do mesmo modo somos influenciados, todos vivendo no campo universal e infinito da força divina.

Sintonizando no mundo a onda de nossa existência com a onda do Cristo, edificaremos nas longas curvas do tempo e do espaço um atalho seguro que nos erguerá da Terra até às bases da gloriosa imortalidade. Para isso é necessário aprimorar o universo interior, buscando o Amor e a Sabedoria que estão reservados a toda criatura de Deus.

Concluímos recordando os ensinamentos do Espírito da Verdade: Espíritas, amai-vos! Eis o primeiro ensinamento; instruí-vos! Eis o segundo.

(Acesse a 1ª parte aqui; a 2ª aqui; a 4ª aqui)

3. Texto adaptado da Obra Vozes do grande Além, Cap. 15.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

NECESSIDADE DO TRABALHO - PARTE 97


- O LIVRO DOS ESPÍRITOS -
- LIVRO TERCEIRO - AS LEIS MORAIS -
CAPÍTULO III - LEI DO TRABALHO -
- I NECESSIDADE DO TRABALHO -
(QUESTÕES 674 a 681)

Qual sua reflexão quando os Espíritos Codificadores respondem a questão proposta por Allan Kardec sobre o trabalho: é ou não uma lei da natureza? Lembramos que as leis naturais são as mesmas que atribuímos o nome de leis divinas (Questão 614, LE).

A princípio, parece que os Espíritos Superiores respondem a algo inerente à matéria somente, pois, usam as expressões necessidade, prazer, homem e civilização. Interessante pensar nisto, pois, na questão 676, afirmam que a imposição do trabalho ao ser humano é consequência de sua natureza corpórea. É uma expiação e, ao mesmo tempo, meio de aperfeiçoar sua inteligência.

Tratam das necessidades primárias,tais como alimentação, segurança e bem-estar, as quais são atendidas pela atividade laboral (trabalho). Usar as mãos e a inteligência é, para os Espíritos, trabalho e possuem o mesmo valor.

Afirmam categoricamente: o trabalho não deve ser entendido como ocupação apenas material, mas, toda ocupação útil é trabalho e que o Espírito também trabalha. Esclarecem que o ser humano sem trabalho permaneceria na infância espiritual. Aduzem, também que a natureza do trabalho (mais ou menos grosseira) está em acordo com a evolução do Espírito. Quano menos necessidades materiais, menos material é o trabalho. Não há, por isso, uma inatividade quando o corpo material vai se tornando mais sutil e as necessidades físicas e corporais vão diminuindo até desaparecer por completo.

Perceba que ao mesmo tempo em que falam do trabalho na matéria, também fazem alusão ao trabalho do Espírito. Importa observar que o trabalho na matéria desenvolve o Espírito. A questão 677, à qual remetemos o leitor, responde sobre o trabalho dos animais.

Neste tópico, os Espíritos Superiores esclarecem sobre a obrigação de TODOS trabalharem, isto é, buscarem uma ocupação útil na proporção de seus meios. Mesmo quem tenha riqueza que não lhe reclame trabalho deve se ocupar utilmente. No caso do rico sua obrigação é ser útil aos seus semelhantes, maior prova que o Espírito pode sujeitar-se.

A sociedade tem o dever de ser solidária, mas, não é lícito a ninguém tornar-se voluntariamente inútil. Todos devem ser úteis na proporção de suas faculdades (Questão 804). Apesar de não ser comum no atual estágio evolutivo da humanidade, o que se espera é que a mesma seja fraterna e solidária, a começar pela família estendendo-se por todo o globo.

Nós nos encontramos no próximo tópico (limite do trabalho e repouso).
Até lá.
Uberaba - MG, 11 de maio de 2020
Beto Ramos


A IMPORTÂNCIA DE ESTUDAR O ESPIRITISMO COM KARDEC


Quando fala-se na importância de estudar o Espiritismo, certamente, algumas questões relacionadas a estudo precisam vir à mente daquele que pretende investigar esse ou aquele objeto. Trata-se, sem medo de errar, do método. Para definí-lo é preciso escolher o objeto de estudo. Notadamente, o pesquisador (aquele que deseja aprender, compreender, investigar, pesquisar, conhecer, saber...), depois de escolher um objeto para o seu trabalho, precisa relacionar as hipóteses possíveis que já tratam do assunto e daquelas que podem surgir, enfrentando, inclusive, as dúvidas e refutações, além, é claro, das objeções.

Para os Espíritas (assim como para todos os que desejam conhecer a Doutrina Espírita) são necessárias algumas considerações e informações sobre o Espiritismo, uma vez que se trata de uma ciência filosófica, assim conceituada por Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo. Falamos muito em codificação, codificador, etc., mas, os "por quês" são nossos  conhecidos? Sabemos, de fato, qual o sentido dessas palavras? Denominamos o Espiritismo como doutrina, mas, e daí? o que isso quer dizer? Significa algo? Faz sentido para o que se intitula espírita?

Você que está lendo com objetivo de aprender, assim como eu que escrevo, ficará com a responsabilidade de responder:
a) Por que denominamos o Espiritismo como "codificação"?
b) Por que Allan Kardec é chamado de o "codificador do espiritismo"?

Nesse texto vou responder as indagações seguintes e conceituar 03 (três) termos que permeiam a Doutrina Espírita, cujo conhecimento ajuda o estudante do espiritismo a afastar ideias preconcebidas, principalmente aquelas advindas do "senso comum". Vamos a elas:

Doutrina: é o conjunto de ideias fundamentais a serem transmitidas, ensinadas; uma doutrina contém ideias básicas que compõem um sistema filosófico, político, religioso, etc.

O Espiritismo, quando conhecido por meio dos ensinos de Allan Kardec, afasta as duas outras hipóteses, isto é, sistema político e religioso. Sim, o Espiritismo É UM SISTEMA FILOSÓFICO. Ora, devemos, pois, definir ao seu turno o termo seguinte.

Filosofia: é o amor pela sabedoria, experimentado apenas pelo ser humano; trata-se da investigação da dimensão essencial e ontológica do mundo real, ultrapassa a OPINIÃO IRREFLETIDA do SENSO COMUM (tudo que está preso à realidade aparente e sensível).

Mas, não sendo o espiritismo uma religião, como ensina Kardec, é preciso ter em mente o significado dessa palavra, pois o que se convencionou denominar religião afasta a possibilidade de uso dessa expressão pelos espíritas.

Religião: sistema de doutrinas, crenças e práticas rituais próprias de um grupo social, estabelecido segundo uma determinada concepção de divindidade e da sua relação com o homem; observância cuidadosa e contrita dos preceitos religiosos; prática, doutrina ou organização que se assemelha a uma religião; culto que se presta à divindade, consolidado nesse sistema.

De posse da significação das palavras usadas na introdução ao estudo da doutrina espírita por Allan Kardec vamos compreender de forma clara o que é o Espiritismo: uma ciência que estuda as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível, ao mesmo tempo que é filosofia, pois, estuda as consequências morais advindas dessas relações. Então, necessáriamente, por último, é preciso significar a palavra ciência, do que não vamos fugir.

Ciência é um corpo de conhecimentos sistematizados adquiridos via observação, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, e formulados metódica e racionalmente.

Para o nosso estudo da doutrina espírita é preciso estar acompanhado de Allan Kardec. Isso se faz buscando subsídios na sua obra, que não se resume a 05 (cinco) livros. A uma: porque Kardec é um nome adotado por um conhecido, famoso e renomado educador, professor, pedagogo, cientista, filosofo e escritor francês. O seu vasto currículo e obra dão notícias de sua formação, do seu conhecimento, do seu caráter e das influências que recebeu antes de realizar sua missão junto ao Espiritismo e à humanidade e que estão presentes na codificação espírita.

A duas: não sendo apenas 05 (cinco) obras é preciso saber que estas são o que vamos chamar de ponto de chegada e não pontos de partida como muitos pensam. As obras de Allan Kardec, no Espiritismo, eram produzidas após muito estudo, muitas investigações, muitas experimentações, muitas trocas de informações e, sobretudo, com o uso de todo o conhecimento adquirido até então em matéria de ciência e filosofia, principalmente o que já se havia produzido em matéria de espiritualismo racional.

Fico por aqui e, no próximo, encontro vamos informar quantas e quais são as obras de Allan Kardec, bem como o conteúdo de cada uma delas. Deixe sua opinião nos comentários, responda as indagações que fizemos e deixe, também, sua impressão sobre o texto.

Até breve!
Uberaba - MG, 11 de maio de 2020
Beto Ramos

DESTAQUE DA SEMANA

O ATO DO DEVER MORAL E A CARIDADE DESINTERESSADA

Quem não tem dúvidas, certamente, é porque não estuda. E, por falar nisto, vejamos quantas perguntas estão presentes apenas em uma proposta ...

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