O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 74


– II INFLUÊNCIA OCULTA

 DOS ESPÍRITOS SOBRE

OS NOSSOS PENSAMENTOS

E AS NOSSAS AÇÕES – (Q-459 a 472) –


De ordinário são os Espíritos que nos dirigem!


Conhecida expressão no meio espírita, é uma resposta sobre a influência dos Espíritos em nossos pensamentos e ações. Há em cada ser uma luta: são os pensamentos contraditórios. Uns oriundos de nós mesmos, outros emanados dos espíritos. São duas ideias que se combatem.

Pensamentos sugeridos são como uma voz que fala em nosso interior. Os pensamentos próprios são os que ocorrem no primeiro impulso. Para a tomada de decisão não é necessário de quem partiu o pensamento. É muito mais útil agir sempre se decidindo pelo bem. Do contrário, escolhendo o mau, aumenta a responsabilidade.

A melhor baliza é agir sempre pelo bem, tendo em vista que a velha crença de que o primeiro impulso é sempre bom supera-se com o conhecimento espírita. Os pensamentos de cada espírito, encarnado ou não, segue seu grau evolutivo (a natureza do espírito encarnado: se bom ou mau).

Sugestões maléficas provêm de espíritos inferiores. Espíritos bons não aconselham senão o bem. Os Espíritos inferiores induzem ao mal em razão de fazer e ver os outros sofrerem, tendo, nesses casos, inveja daqueles seres mais felizes. Mas, é sempre bom lembrar que os sofrimentos experimentados são os que decorrem da própria ordem inferior a que o espírito em sofrimento pertence, bem como por seu distanciamento do Criador.

A verdade é que NÃO É DEUS que permite que os Espíritos sejam influenciados por outros. Isto decorre do grau de inferioridade a que o espírito pertence. A evolução espiritual acontece por meio de experiências por que passam os espíritos, a fim de que progridam na ciência do infinito.

O conhecimento do mal ocorre quando o espírito descobre que existem outras soluções no bem. Passa, então, a possuir a opção entre seguir um ou outro caminho. Até então, não passam de experiências. Quando o Espírito passa a ter vontade de praticar o mal atrai os Espíritos inferiores que vêm em seu auxílio para sua prática. É o que se chama de SINTONIA e PREFERÊNCIA. Como a influência dos Espíritos é permanente, da mesma forma que há os que induzem na prática do mal, há, também, aqueles que buscam influenciar para a prática do bem, a fim de que a balança fique equilibrada. CABE AO ESPÍRITO ENCARNADO DECIDIR QUAL CONSELHO SEGUIRÁ.

Para se afastar dos Espíritos que induzem ao mal é o bastante mudar o pensamento e o sentimento, pois, os Espíritos Inferiores desencarnados são atraídos em razão da sintonia e preferência do Espírito Inferior encarnado. Com a modificação da sintonia os Espíritos maus são afastados, mas, ficam observando até que surja oportunidade de retornarem. A forma de neutralizá-los será praticar o bem e colocar toda a confiança em Deus.

Em contato com os Espíritos é necessário desconfiar daqueles que excitam as más paixões, exaltando o orgulho, pois, suas ações são voltadas para atacar as fraquezas humanas. São as chamadas tentações que induzem à prática do mal.

Não há Espíritos que tenham recebido missão de fazer o mal. Os Espíritos se reúnem em “famílias”, “grupos”, “graus”, “ordens”, que refletem semelhantes pensamentos e sentimentos. Por isto, todo mau espírito é atraído pela vontade, sintonia e preferência.

Após nossos contatos com os Espíritos após o sono é possível experimentar, na maioria das vezes, sentimentos diversos, tais como angústia, ansiedade ou satisfação, dentre outros, que não decorrem tão somente por disposições físicas.

É importante que o Espírito encarnado descubra quais são os desejos próprios, suas paixões, e suas ambições, pois, além das circunstâncias que os Espíritos Inferiores aproveitam, também provocam a ocorrência destas circunstâncias. Seu método é usar o objeto da ambição daquele que está sendo atacado. Este, por sua vez, será influenciado por Espíritos Bons. Nesse caso, possuirá escolha entre o bem e o mal caminho.

E então, você já sabia sobre a influência dos Espíritos sobre nossas ações? Realmente, são eles que nos dirigem mesmo. Cabe a cada um de nós afastarmos as más influências por meio da modificação da sintonia e da preferência que acontece quando o pensamento e o sentimento é voltado para o bem e sua prática.

Abraços, e até o próximo tema!

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 73



INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO -

- I PENETRAÇÃO DO NOSSO PENSAMENTO PELOS ESPÍRITOS -

- (Questões: 456 a 458) -

Estamos sozinhos ou rodeados por Espíritos?

No estudo de hoje vamos verificar que possuímos uma relação íntima com os Espíritos, mesmo sem que tenhamos a real noção de como isso acontece. Será que é possível ocultar nossos pensamentos mais secretos ou dissimulá-los para os Espíritos?

Pois bem!
Para aqueles que acreditam que estamos sozinhos e que não há vida após a morte, ou, que há vida após a morte, mas, que após sua ocorrência os Espíritos não mais se preocupam com os laços terrenos, não temos uma notícia boa.

Conforme ensina O Livro dos Espíritos, estamos INCESSANTEMENTE rodeados por Espíritos. Conforme os laços terrenos que mantiveram, suas ideias e suas preocupações, os Espíritos podem várias coisas para as quais somente devem dirigir suas atenções. Portanto, MUITOS PENSAMENTOS que acreditamos estarem ocultos no mais profundo de nosso ser, são PLENAMENTE CONHECIDOS pelos que já não possuem um veículo físico.

Infelizmente para muitos encarnados, NENHUM PENSAMENTO OU ATO PODEM SER DISSIMULADOS PARA OS ESPÍRITOS. Mesmo aquele que se julga escondido e longe do alcance de pessoas, tem ao seu redor uma multidão de espíritos, observando atentamente, desde que digam respeito a coisas que a eles interessam.

De um lado, aqueles Espíritos inferiores que são levianos riem das pequenas intervenções maldosas que provocam no mundo corpóreo dos encarnados e zombam das impaciências demonstradas no cotidiano. De outro, os Espíritos sérios lamentam as trabalhadas praticadas e buscam ajudar e socorrer no que for necessário e possível.

Desta forma, aprendemos no item I, questões 456 a 458 de O Livro dos Espíritos que NOSSO PENSAMENTO É INVADIDO PELOS ESPÍRITOS, portanto, nada fica oculto. No próximo estudo vamos estudar a INFLUÊNCIA OCULTA DOS ESPÍRITOS SOBRE NOSSAS AÇÕES E PENSAMENTOS.

Até lá.

PRÁTICAS ESTRANHAS


Olá pessoal,

É possível que você já tenha ouvido: "as religiões são caminhos diferentes que levam ao mesmo Deus". O fundo filosófico dessa afirmativa não só está correto, como está em acordo com o que nos ensina o Livro dos Espíritos.

Somos todos regidos pela Lei do Progresso, portanto, tendo todos o mesmo ponto de partida, isto é, a criação como Espíritos simples e ignorantes, tendemos a um mesmo fim: a perfeição. Como ensina o Codificador do Espiritismo Allan Kardec: os seres criados para exercerem a função de administradores da obra da criação são perfectíveis. 

Contudo, termos ciência dessas verdades não nos permite concordar com a enxertia de práticas estranhas à simplicidade que vige na base da Doutrina Espírita. Sendo todas as religiões boas e respeitáveis, não é lícito que situações e personalidades sejam indebitamente lisonjeadas pela suposta capacidade de beneficiar as construções do Espiritismo.

Quem defende a enxertia de práticas estranhas e a lisonja a situações e personalidades age em desacordo com as próprias decisões que toma nas questões mais comezinhas da lógica da vida. Como ensina o benfeitor Emmanuel "não existem caminhos que não sejam viáveis e todos podem conduzir a determinado ponto do mundo. Contudo, somente os viajores irresponsáveis escolherão perlustrar atalhos perigosos e desfiladeiros obscuros, espinheiros e charcos, no dédalo de aventuras marginais, ao longo da estrada justa".

Traduzindo, Emmanuel diz que é irresponsabilidade escolher o caminho escuro, sem pavimento, perigoso e incerto quando temos uma via iluminada, pavimentada, segura, cujo destino é conhecido. Ou, que entre a água de fonte pura e cristalina você não escolherá aquela salobra de fonte duvidosa.

Quanto a questões que envolvem princípios espíritas, lembremo-nos que a Terra é a um só tempo: escola, hospital e penitenciária. Identificar quem é quem no processo reencarnatório, se não é impossível, ainda não foi desvelada outra fórmula que não seja a falível dedução pelo raciocínio humano.

A ordem se mantém pela vigilância. Em O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, Capítulo XXIII, item 239, ensinam os Espíritos: "Já dissemos que muito mais graves são as consequências da fascinação. Efetivamente, graças à ilusão que dela decorre, o Espírito conduz o indivíduo de quem ele chegou a apoderar-se, como faria com um cego, e pode levá-lo a aceitar as doutrinas mais estranhas, as teorias mais falsas, como se fossem a única expressão da verdade. Ainda mais, pode levá-lo a situações ridículas, comprometedoras e até perigosas".

Conforme o pesquisador e escritor espírita Paulo Henrique de Figueiredo, encontramos o Magnetismo, considerado a ciência coirmã do Espiritismo, segundo afirma o próprio Allan Kardec: "O Espiritismo liga-se ao Magnetismo por laços íntimos (essas duas ciências são solidárias uma com a outra [...] Os Espíritos sempre preconizaram o Magnetismo, seja como meio curativo, seja como causa primeira de uma multidão de coisas; eles defendem sua causa e vêm prestar-lhe apoio contra seus inimigos" (RE, 1858, pg. 188).

Ainda que louváveis os objetivos que levaram o grupo espírita a se desviar da simplicidade dos princípios espíritas, ficamos com a orientação de Emmanuel:

"Reflitamos nisso e compreenderemos que assegurar a simplicidade dos princípios espíritas nas casas doutrinárias, para que as suas atividades atinjam a meta da libertação espiritual da Humanidade, não é fanatismo e nem rigorismo de espécie alguma. [...]. Em Doutrina Espírita [...] não podemos aceitar tudo e nem abraçar tudo, a fim de podermos estar certos".

E você já teve alguma experiência com Casas "Espíritas" que não seguem a Codificação e promovem um verdadeiro sincretismo?

Fonte bibliográfica:
  • KARDEC, Allan. Livro dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. (PDF-FEB)
  • FIGUEIREDO. Paulo Henrique de. Revolução Espírita - a teoria esquecida de Allan Kardec. São Paulo - SP: MAAT, 2016.
  • XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Opinião Espírita. Ditado pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. Capítulo 25. Práticas Estranhas. Catanduva-SP: Boa Nova Editora, 2009.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 72



 EMANCIPAÇÃO DA ALMA –

 – VII DUPLA VISTA – 
(Questões: 447 a 454-a)

É possível que o indivíduo, quando acordado, também experimente que seu espírito fique liberto do corpo, de modo a ver, ouvir e sentir além dos limites dos sentidos comuns (visão, audição, tato, olfato e gustação). Esse fenômeno é chamado de dupla vista.
 
Os indivíduos percebem as coisas até onde o perispírito puder estender a sua ação. Allan Kardec, explicando esse fenômeno, esclarece que pela vista ordinária é como se fosse uma espécie de miragem. Modifica-se o estado físico e os olhos ficam como que vagos, do tipo “olhando sem ver”. A fisionomia demonstra uma espécie de exaltação.

Os órgãos da visão podem estar abertos ou fechados que a dupla vista (visão a imagem à distância) persiste. Para os que possuem essa faculdade se afigura natural como a visão comum o é. Tanto que a consideram como um atributo normal. Após essa lucidez passageira segue-se o esquecimento até que a lembrança desapareça por completo, como ocorre com os sonhos.

Não é uma faculdade que se apresenta da mesma maneira nos indivíduos. Há sempre a influência moral do ser. Pode ocorrer como uma sensação confusa até à percepção clara e nítida das coisas presentes ou ausentes.

A dupla vista possui diferentes graus. Em estado rudimentar dá a algumas pessoas perspicácia e segurança nos seus atos e mais desenvolvida desperta pressentimentos. No estágio mais avançado poderá mostrar acontecimentos do passado ou em vias de acontecer.


É importante ter em mente que:


    a) Sonambulismo natural e artificial, o êxtase e a dupla vista, são variedades ou modificações de uma mesma causa (a emancipação da alma);

    b) Assim como os sonhos, são fenômenos naturais e existiram de todos os tempos, desde a mais alta Antiguidade;

  c) Neles se encontram uma infinidade de fatos que os preconceitos fizeram passa por sobrenaturais.


Allan Kardec, na Obra A Gênese (original de 1868), no Capítulo XV, Os Milagres do Evangelho, no item 5, reporta o fenômeno da DUPLA VISTA que ocorreu com a entrada de Jesus em Jerusalém, o beijo de Judas, a pesca miraculosa, a vocação de Pedro, André, Jacó Tiago, João e Mateus, em que afirma o seguinte:


“Esses fatos nada têm de surpreendente quando se conhece o poder da dupla vista, e a causa muito natural dessa faculdade. Jesus a possuía ao supremo grau e pode-se dizer que ela era seu estado norma, o que atestam um grande número de atos de sua vida e o que explica, atualmente, os fenômenos magnéticos e o Espiritismo”.


Afirma o Codificador que muitas passagens do Evangelho atestam o fenômeno quando é dito:

“Mas Jesus, conhecendo seus pensamentos, lhe diz...”. E arremata: “como podia ele conhecer esses pensamentos se não fosse pela irradiação fluídica que os transmitia, assim como pela visão espiritual que lhe permitia ler o foro íntimo dos indivíduos?”.


Desta forma, hoje, possuindo o conhecimento acerca dos fenômenos da dupla vista, bem como da própria faculdade que possuem alguns indivíduos de verificarem em si mesmos a emancipação da alma, em vigília ou dormindo, é importante meditar acerca da afirmação do Mestre lionês:


“[...] quando se crê que um pensamento está profundamente sepultado no recôndito da alma, não suspeitamos levar conosco um espelho que o reflete, um revelador na própria irradiação fluídica que está impregnada dele. Se víssemos o mecanismo do mundo invisível que nos rodeia, as ramificações desses fios condutores do pensamento, que vinculam todos os seres inteligentes, corporais e incorpóreos, os eflúvios fluídicos carregados das impressões do mundo moral, que atravessam o espaço como correntes de ar, ficaríamos menos surpresos diante de certos efeitos que a ignorância atribui ao acaso”. (A Gênese, Livro Segundo, Cap. XV, Os Milagres do Evangelho).


Sobre o pensamento remetemos o leitor à Obra Pensamento e Vida, ditada por Emmanuel a Francisco Cândido Xavier, edição da Federação Espírita Brasileira.


Fontes:

KARDEC, Allan. A Gênese (Original, 1868).

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.

ESPIRITUALIDADE (*)



O ser humano é um espírito encarnado na Terra para adquirir valores da experiência própria.

Segundo nossas ilusões, na oficina terrestre ou na escola planetária, corremos o risco de não valorizar o trabalho ou o ensino, ficando aprisionados no abismo infernal ou estacionados no purgatório.

Conscientes de que somos colocados pelo Senhor nos lugares que ocupamos, é imperioso cuidar das necessidades próprias e lembrar que o Orbe é uma oficina sagrada, para evitar pagar o preço dos terríveis enganos do coração.

A existência humana não é fim, é oportunidade.

A meta é atingir o Cristo latente m cada um.

O ser é aluno em aprendizado.

As relações, o livro de estudo.

No Curso da Elevação Própria, o diploma é de Espírito Superior.

Corpo humano? Apenas o uniforme escolar.

Espiritualismo? Uma filosofia.

Espiritismo? Uma doutrina.

Espiritualidade? aplicação das nossas infinitas potencialidades a serviço do Bem.

(*) Texto adaptado por inspiração no prefácio de Emmanuel ao Livro Nosso Lar, cujo título é “Novo Amigo”.

Uberaba – Minas Gerais, 05 de Janeiro de 2019.
Beto Ramos

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 85

LIVRO SEGUNDO  – CAPÍTULO XI – OS TRÊS REINOS [1] I – OS MINERAIS E AS PLANTAS II – OS ANIMAIS E O HOMEM – (...