JACOB E A FACE DE DEUS (Gn, 25:19 – 33:20) - Criação, aliança, exílio, êxodo, redenção


CRIAÇÃO
Conta-nos o livro Gênesis que Isaac, com 40 anos, tomou Rebeca por sua mulher e sendo esta estéril oraram a Deus para que ela pudesse conceber. Vieram-lhe dois filhos, os quais lutavam desde o ventre, ocasião que Isaac já estava com 60 anos de idade. Rebeca consultou a Deus sobre os motivos desta luta tão precoce. E Deus a esclareceu: “Duas nações há no seu ventre, e dois reinos de tuas entranhas se dividirão; uma nação, mais que outra nação se fortalecerá, e a maior servirá a menor”.

Nasceram Esaú, o primogênito, e depois, agarrado ao seu calcanhar, Jacob. Esaú tornou-se caçador. Jacob habitava em tendas (era íntegro). O patriarca Isaac preferia a Esaú, interessado em comer de sua caça, enquanto Rebeca amava Jacob.

QUEDA
Certo dia, Jacob, aproveitando o cansaço e fome de seu irmão Esaú, lhe propõe adquirir sua primogenitura. Esaú, faminto e cansado, despreza-a em troca de pão, bebida e cozido de lentilhas, que estavam sendo preparados por Jacob.

Mais tarde, Isaac, cego e velho, pede a Esaú para caçar e lhe fazer um cozido, para, assim, receber a benção paterna. Sabendo disto, sua esposa Rebeca trama para que a benção seja dada a Jacob que, mesmo relutante, submete-se à sua mãe, contrariando a própria consciência. Rebeca cozinha um guisado, veste Jacob como se fosse Esaú, engana Isaac, que abençoa Jacob no lugar de Esaú.(O efeito desse ato para Jacob será trabalhar penosamente na casa de Labão, seu tio, onde será humilhado e, também, enganado durante longos anos. E, estes anos o ensinarão que a justiça Divina não desconsidera nenhuma falta cometida. Mesmo que o objetivo seja importante e justo, toda injustiça contra terceiros será penitenciada).

FUGA
Descoberta a farsa, Esaú promete vingança de morte a Jacob. Rebeca, acreditando tratar-se de ira passageira, envia Jacob para a casa de Labão, seu irmão, lugar onde, por lamentação de Rebeca, Isaac determina que Jacob tome por mulher das filhas de Labão. Jacob, então, segue a Padam-Aram, onde ficará exilado por mais de 20 anos.

ALIANÇA
No caminho de Padam-Aram Jacob, após dormir, sonha com uma escada por onde sobem e descem mensageiros de Deus. Estando de pé no alto da escada o Senhor se apresenta como Deus de Abraão e de Isaac e propõe aliança com Jacob, prometendo-lhe terra e descendência abundante. Por sua descendência Deus abençoará todos os povos do mundo. Promete estar com Jacob, acompanha-lo por onde for, fazê-lo voltar à sua terra e não abandoná-lo até que todo o prometido se cumpra.

EXÍLIO
Chegando em um poço, Jacob conhece Rachel, filha de Labão. Conta-nos a história em Gênesis que a pedra da “boca” do poço era tão pesada que precisava de todos os pastores do lugar para move-la. Ao ver Rachel, Jacob, sozinho, movimenta a pedra da boca do poço, dá de beber às ovelhas e se apresenta. Rachel, então, o leva até seu pai e lhe fala sobre o ocorrido. Jacob conta toda a história que o fez chegar até a casa do tio e Labão o convida a ficar em sua casa pedindo que ele ponha preço para servir-lhe. Jacob propõe trabalhar sete anos em troca de se casar com Rachel.

Ao final dos sete anos Jacob pede a Labão que lhe dê sua mulher. Labão convida todos os homens do lugar, dá um banquete, toma Lea, sua filha maior, e a traz para Jacob. A farsa será percebida no dia seguinte. Desapontado Jacob cobra Labão que o enganou. Após uma semana de dias, Labão entrega Rachel em troca de mais sete anos do trabalho de Jacob. Lea levou consigo, por escrava, Zilpá e Rachel levou consigo, por escrava, Bilá. Lea era desprezada por Jacob e Rachel era estéril. Estas irmãs, filhas de Labão e esposas de Jacob, serão as matriarcas do povo de Israel.

EXPIAÇÃO – O enganador enganado.
Jacob pagou logo por sua culpa. O pai, nas trevas pela cegueira; Jacob na obscuridade noturna. O pai subornado pela comida de sua preferência; Jacob pela beleza e pelo desejo. O pai não vê e reconhece pelo tato; Jacob não reconhece antes de ver. Pelo costume o pai não podia mais abençoar a Esaú; Pelo costume Jacob não podia exigir a filha mais nova antes do casamento da mais velha. Jacob amou mais a Raquel do que a Lea. Repartiu seu amor sem faltar a seus deveres, mas, não renunciou à sua preferência.

GERAÇÃO DE JACOB

Lia concebeu:
- Rúben (ra’a = ver); - Simeão (shm’ = ouvir); - Levi (lwh = ligar); Judá (hwdh = dar graças); Issacar (skr = paga); Zabulon (zbl = presentear);

Bilá (a escrava de Rachel) concebeu:
- Dã (dyn = julgar); Neftali (nptl = competir);

Zilpá (escrava de Lea) concebeu:
- Gad (gd = sorte); Aser (‘shr = felicidade);

Rachel concebeu:
- José (ysp = acrescentar)

Findo o tempo (14 anos) de serviços prestados de Jacob a Labão, este deseja partir. Reconhecendo que prosperou por causa de Jacob, Labão lhe propõe salário. Após estarem combinados, algum tempo depois, Jacob prospera e provoca o ciúme dos filhos de Labão, que influenciam a este fazendo-o mudar o salário de Jacob por dez vezes. O Senhor diz a Jacob, “volta à terra de teus pais, tua terra natal, e eu estarei contigo” por duas vezes, mas, somente após a segunda é que Jacob se põe a caminho da casa de seu pai Isaac, na terra cananeia.

ÊXODO
Jacob convoca o conselho familiar e as mulheres estão dispostas a segui-lo. Na fuga a filha Rachel rouba os amuletos do pai (deuses penates ou lares – politeísmo?). Jacob foge com tudo que lhe pertence e se dirige aos montes de Gallad. Três dias depois Labão é avisado, reúne seu pessoal e sai em perseguição a Jacob, por não lhe informar da partida, priva-lo da despedida paterna e pelo “furto dos amuletos”. No sétimo dia Labão alcança Jacob nos montes de Gallad.

Antes do encontro entre Labão e Jacob Deus aparece em sonho para Labão e lhe adverte: “Cuidado para não te envolveres com Jacob para o bem ou para o mal!”. No encontro são feitas cobranças de parte a parte. Temendo a Deus Labão propõe uma aliança a Jacob que a aceita. Dessa aliança elegem um monte por testemunha, sob o qual Jacob ofereceu um sacrifício e convidou seu pessoal para comer. Despediram-se todos. Labão beijou seus filhos e filhas e retornou. Jacob prosseguiu seu caminho. Durante a jornada encontrou mensageiros de Deus e ao vê-los comentou: “É um acampamento de Deus”. Chamou o lugar de Maanaim.

REDENÇÃO
Na volta à casa de seu pai Isaac, Jacob envia mensageiros ao seu irmão Esaú, chamando-o de “meu senhor” e propondo reconciliação. Os mensageiros retornam a Jacob dizendo que Esaú vinha ao seu encontro com 400 homens. Com medo e angústia Jacob dividiu seu pessoal em duas caravanas com ovelhas, vacas e camelos, calculando que em caso de ataque uma delas se salvaria.

Jacob, neste momento de aflição ora a Deus: “Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaac! Senhor que me mandaste voltar à minha terra natal, para me coroar de benefícios. Não sou digno dos favores e da lealdade com que trataste teu servo; pois com um bastão atravessei este Jordão e agora conduzo duas caravanas. Livra-me do poder de meu irmão, do poder de Esaú, pois tenho medo que venha e mate as mães com os filhos. Tu me prometeste cumular-me de benefícios e tornar minha descendência como a areia incontável do mar”.

Do que estava à mão em sua caravana Jacob escolhe presentes para Esaú e os envia pelos seus criados mandando-os dizer: “Da parte de seu servo Jacó, um presente que ele envia a seu senhor Esaú. Ele vem atrás”. Com isto Jacob pensou em aplacar a ira de Esaú, pretendendo ser bem recebido. E passou o presente adiante.

Naquela noite Jacob dormiu no acampamento. Talvez por receio, levantou-se, tomou suas duas mulheres, suas duas servas, seus onze filhos e os fez cruzar a passagem do rio laboc e fez passar o que era dele. E ficou Jacob só, e lutou Um Homem com ele, até levantar-se a aurora.

O Homem vendo que não podia com ele tocou-lhe na juntura de sua coxa e o desconjuntou, pedindo a Jacob para deixá-lo ir porque o dia já estava raiando. Jacob disse só o deixaria ir se recebesse a bênção. O Homem pergunta a Jacob qual o seu nome e depois de Jacob responder o Homem lhe diz: teu nome será Israel, pois lutaste com Deus e homens e venceste. Jacob então pergunta o nome do Homem que não lhe responde, mas, lhe abençoa. Jacob então chamou o lugar Peniel porque viu Deus face a face e teve salva a sua alma.

De volta à jornada, quando se encontram, Jacob prostrou-se diante de Esaú por sete vezes. Todos da família Jacob prostraram-se diante de Esaú. Esaú correu para receber Jacob, abraçou-o, lançou-se ao pescoço dele e o beijou chorando. Ao final, Esaú aceitou os presentes e separaram-se indo Esaú para Seir e Jacó para Sucot. Em Siquém Jacob compra terra de Hemor e ergue um altar dedicando-o ao Deus de Israel.

CONCLUSÃO:
A narrativa sobre a vida de Jacob ainda continuará e se confundirá com a história de José, um de seus filhos.Mas, o que podemos aprender de lição da história de Jacob desde seu nascimento até o reencontro com o seu irmão Esaú? Falamos sobre o Livro de Gênesis Capítulo 25:19 ao Capítulo 33:20.

Lembremo-nos que Deus esclareceu a Rebeca que “Duas nações há no seu ventre, e dois reinos de tuas entranhas se dividirão; uma nação, mais que outra nação se fortalecerá, e a maior servirá a menor”.  Cumpriu-se a profecia. O maior serviu ao menor. Neste caso, Jacob se postou como o que serve (o maior). Esaú o que é servido (o menor). Um ensinamento que será repetido por Jesus em Lucas 22:24-27: [...] o mais importante entre vós seja como o mais jovem, e quem manda seja como quem serve. Quem é maior: Aquele que está à mesa ou aquele que serve? Não é o que está à mesa? Pois eu estou no meio de vós como quem serve”.

A história que parece não fazer sentido, observada atentamente, assim se desenrola:

Jacob nasce agarrando o calcanhar de seu irmão Esaú. Além de não se manter firme e errar, sofre quedas morais. Desconfortável em enganar seu pai sucumbe à ideia descaridosa de sua mãe. E qual é o objetivo de toda a farsa? Colher a bênção do pai que estava reservada ao irmão. É a criatura humana sempre em busca de apreço humano, valorizando convenções humanas e se esquecendo dos bens espirituais. Vemos que nenhum mérito tem a bênção buscada por Jacob.

Depois da queda a aplicação da Justiça Divina - Lei de Causa e Efeito. Jacob aprende a duras penas que nenhuma falta ficará impune diante das leis divinas, e expia no exílio por mais de 20 anos. Aqui, nos lembramos do Espírito Telésforo, no livro “Os Mensageiros”, ditado pelo Espírito André Luiz ao médium Francisco Xavier, no capítulo 6, cujo título é “Advertências Profundas”: “Cesse, para nós outros, a concepção de que a Terra é o vale tenebroso, destinado a quedas lamentáveis, e agasalhemos a certeza de que a esfera carnal é uma grande oficina de trabalho redentor. Preparemo-nos para a cooperação eficiente e indispensável. Esqueçamos os erros do passado e lembremo-nos de nossas obrigações fundamentais”.

Em todo o processo Jacob está perante a Justiça de Deus. O benfeitor Emmanuel no prefácio do livro “No Mundo Maior”, ditado pelo Espírito André Luiz ao médium Francisco Xavier, cujo título “Na Jornada Evolutiva” nos lembra como somos avaliados perante a Suprema Justiça: “Perante a suprema Justiça, o malgaxe (habitante da República Democrática de Madagascar) e o inglês fruem os mesmos direitos. Provavelmente, porém, estarão distanciados entre si, pela conduta individual, diante da Lei Divina, que distingue invariavelmente, a virtude do crime, o trabalho da ociosidade, a verdade e a simulação, a boa vontade e a indiferença”.

Jacob e Esaú representam estes indivíduos que tem o mesmo ponto de partida (são gêmeos, compartilharam o mesmo ventre), mas, são avaliados por sua conduta individual. Apesar dos erros cometidos por cada um, vemos que Esaú trai um princípio evangélico básico: honrar pai e mãe. Para aquela sociedade patriarcal a primogenitura era algo de suma importância, mas, Esaú a troca por um cozido. Por sua vez, Jacob a desejava.

Perante a Lei Divina, podemos escolher a horizontalidade terrena ou a verticalidade para Deus, representada pela Escada de Jacob, na qual os mensageiros de Deus desciam e subiam. Mas, no seu topo, na parte mais Alta, encontra-se Deus, de pé, pronto para estar conosco. De nossa parte temos que estar prontos para ouvir a “vontade do Senhor” e cumpri-la.

Mas, há em Jacob uma luta. Veremos essa luta sendo travada com “um homem” e travada com Deus. Luta que acontece à noite, nas trevas. Quando vence já é dia, então está diante da Luz. E nessa aurora um renascimento. Já não é mais Jacob quem vive, mas Israel. Os detalhes dessa luta são importantes. Jacob se agarra ao seu oponente e o segura firme. Repete o mesmo ato praticado ao nascer quando segurou o calcanhar de Esaú. Para soltar o mensageiro pede algo que nunca recebeu quando criança: a bênção. Mas, uma que fez por merecer e que não é dada por iguais, por humanos: a bênção de Deus. Por isso o novo nome: Israel (aquele que luta com Deus). Jacob lutou intimamente contra todos os seus defeitos. Quando passou a ouvir Deus, venceu o “homem velho”, venceu a si mesmo. Vencido Jacob surge Israel, o novo homem. Um evento tão importante na história dos patriarcas, pois, até então o povo de Israel era conhecido como Hebreus e agora passam a ser conhecidos como “o povo de Israel”.

Outro fato muito importante: durante sua luta Jacob declara que viu Deus face a face e ao encontrar seu irmão Esaú reconciliando-se, obtendo o perdão e vendo bondade em seu rosto, Jacob diz que é como ver a face de Deus. Lembramos, então, de Emmanuel, no Capítulo 1 do Livro “Pensamento e Vida” denominado “O Espelho da Vida”, ditado ao médium Francisco Xavier: “A mente é o espelho da vida em toda parte. [...] definindo-a por espelho da vida, reconhecemos que o coração lhe é a face e que o cérebro é o centro de suas ondulações, gerando força do pensamento que tudo move, criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar”.

Ora, porque Jacob menciona a face de Deus por duas vezes e diz ter visto Deus face a face? Jesus, nas “Bem Aventuranças”, em Mateus 5:8, vai ensinar como Deus é visto: “Bem aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus”. Ao vencer a si mesmo na sua luta íntima Jacob se depura. Penitenciando suas faltas, passa a ouvir Deus. Fazendo o caminho de volta permite a reconciliação com o irmão. Temendo, mas, confiando em Deus e fazendo a Sua vontade Jacob permite que seu irmão o perdoe.

Conclui-se, portanto, que Jacob que viu Deus face a face, limpou seu coração e, também, pode ver o coração de Deus. Deus, então, é visto com o coração limpo. Essa depuração passa por vencermos o homem velho que trazemos em nosso íntimo. Jacob venceu o seu "homem velho", pois, reconciliou com seu adversário enquanto estava a caminho com ele (Mateus, 5:25), passando a valorizar os bens espirituais.

A EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO NO REINO MINERAL

Crônicas e Artigos
Ano 5 - N° 236 - 20 de Novembro de 2011

ALESSANDRO VIANA VIEIRA DE PAULA
vianapaula@uol.com.br - Itapetininga, SP(Brasil)

No Evangelho consta a orientação segura de Jesus no sentido de que Deus trabalha incessantemente. Uma das ações constantes da Divindade, certamente, é a criação contínua de princípios espirituais (o Espírito nas suas expressões iniciais, somente com a aquisição da razão, no reino hominal, é que passa a ser denominado Espírito, que, conceitualmente, é o nome que se dá aos seres inteligentes da criação), uma vez que, conforme as recentes descobertas científicas, o Universo está em expansão. A física quântica revela-nos que o espírito, na sua essência, é energia pura, portanto, à medida que somos criados por Deus, inicia-se a nossa trajetória evolutiva no rumo da plenitude.

Sabe-se que o princípio espiritual é criado simples e ignorante, sem complexidade, de forma que estagiará milhões de anos nos reinos inferiores da criação (mineral, vegetal e animal), onde desenvolverá funções mais complexas e conquistará a individualidade, habilitando-se para o despertar da inteligência e do senso moral. Em nosso nível de evolução, ainda é para nós uma incógnita a forma como Deus cria o princípio espiritual, e como o reino mineral aproxima-nos desse período inicial da criação. Naturalmente notamos que os Espíritos superiores são muito econômicos quando tratam desse assunto, porque nos faltam palavras e conhecimento para uma compreensão mais abrangente. Certamente, com o avanço da ciência, que se dá em um ritmo acelerado, futuramente teremos mais orientações sobre a evolução do princípio espiritual no reino mineral.

A benfeitora Joanna de Ângelis, na obra “Iluminação Interior”, na primeira lição (A Divina Presença), assevera que: ”... Manifestando-se em sono profundo nos minerais através dos milhões de milênios, germina, mediante processo de modificação estrutural, transferindo-se para o reino vegetal...”. Nesse mesmo sentido, Emmanuel, na obra “O Consolador”, diz que: “A escala do progresso é sublime e infinita. No quadro exíguo dos vossos conhecimentos, busquemos uma figura que nos convoque ao sentimento de solidariedade e de amor que deve imperar em todos os departamentos da natureza visível e invisível. O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade”. (Obra citada, questão nº 79).

Registre-se que tais Espíritos, conforme mencionaram Divaldo Franco e Chico Xavier, fizeram parte da equipe de benfeitores espirituais que atuaram na codificação do Espiritismo e revelam seus compromissos superiores nos livros que ditaram aos aludidos médiuns, portanto, como é que nós, os espíritas, colocamos em dúvida ou simplesmente supomos que Joanna de Ângelis e Emmanuel estão nos enganando (desculpem-me a franqueza, mas é um desabafo deste subscritor, que estuda o Espiritismo há quase 30 anos). Aliás, não nos esqueçamos de que Joanna de Ângelis foi Joana de Cusa, portanto, imaginemos o nível de compromisso que esse Espírito tem com o Cristo. (Vale a pena ler a história de Joana de Cusa na obra “Boa Nova”, de Francisco Cândido Xavier.)

Ademais, o mais importante é que as mensagens de Joanna e Emmanuel estão em perfeita sintonia com a codificação espírita, portanto, com Allan Kardec, mesmo quando afirmam que a evolução do princípio espiritual inicia-se no reino mineral. É sabido que o mineral é um corpo natural sólido e cristalino formado pelo resultado de processos físico-químicos em ambientes geológicos e possuem como características a cor, o brilho, a tenacidade, a dureza, a clivagem, o traço, a densidade e a tenacidade. O mineral está submetido às forças de atração e repulsão, que terão um efeito evolutivo sobre o princípio espiritual recém-criado, notadamente na sua estrutura energética inicial, conforme orientação de Joanna de Ângelis.

Assim sendo, percebemos a exatidão da informação dos benfeitores espirituais quando, na questão nº 540 de “O Livro dos Espíritos”, dizem que “... É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele sempre começa pelo átomo”. Enfatize-se que o benfeitor espiritual Camilo, na obra “Nos Passos da Vida Terrestre”, no capítulo I, através da mediunidade do confrade José Raul Teixeira, além de ratificar a informação de que o princípio espiritual desenvolve-se em contato com as forças do reino mineral, ainda nos esclarece que o átomo primitivo referido na questão acima é o átomo da matéria cósmica primitiva, ainda ignorado pelos estudos humanos.

Vejamos, ainda, a brilhante resposta que consta da questão nº 607-A, de O Livro dos Espíritos, quando Allan Kardec pergunta se a alma foi o princípio inteligente dos seres inferiores da criação: “Não dissemos que tudo se encadeia na natureza e tende à unidade? É nesses seres, que se está longe de conhecer plenamente, que o princípio inteligente se elabora, individualiza-se pouco a pouco, e ensaia para a vida. De certa forma, é um trabalho preparatório, como o da germinação, em seguida ao qual, o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito...”.

A questão nº 607-A está inserida no capítulo XI, da 2ª parte de O Livro dos Espíritos, que trata dos reinos inferiores (mineral, vegetal e animal), portanto, quando os Espíritos superiores aduzem que é nesses seres inferiores da criação que o princípio inteligente se elabora e individualiza-se, incluem, obviamente, o reino mineral. Quando se utiliza a frase de que Deus jamais uniria um Espírito a uma pedra (“A Gênese”, capítulo XI, item 10), convém assinalar que tal assertiva é verdadeira, porque seria um retrocesso da evolução que o Espírito, já no estágio da razão, ou que ainda estivesse como princípio espiritual nos reinos vegetal e animal, com a sua estrutura energética inicial elaborada, tivesse que regressar ao reino mineral.

Convém citar a obra “Evolução Anímica”, de Gabriel Delanne, com o escopo de compreendermos um pouco mais o significado da evolução do princípio espiritual no reino mineral. Esse autor, numa comparação magnífica, nos diz que no reino mineral propicia a solidez, a conquista simbólica da estrutura óssea do princípio espiritual. (Capítulo II, item “A Evolução da Alma”.) Dessa forma, dentro de nossa linguagem ainda empobrecida, poderíamos dizer que Deus cria o princípio espiritual, que se expressa inicialmente como um foco de energia dispersa, sendo que no reino mineral essa energia se submeteria à ação da lei de atração e repulsão, que basicamente gera a aglutinação da matéria, a fim de que possa conquistar a solidez, obtendo uma estrutura energética mais individualizada, no rumo da complexidade.

É por esse motivo que Joanna de Ângelis fala de modificação estrutural, não obstante nos faltem conhecimento e palavras para melhor nos expressarmos quanto a esse período evolutivo do princípio espiritual. Quando falamos que o princípio espiritual é um foco de energia, obviamente não se trata de uma energia qualquer, porque no ato da criação Deus está gerando seus filhos, que povoarão o Universo, tanto que na questão nº 27 de O Livro dos Espíritos os benfeitores espirituais revelam que existem três coisas que são o princípio de tudo, isto é, Deus, espírito e matéria - a trindade universal.

Na escalada evolutiva, após estagiar no reino mineral, que apenas servirá para questões estruturais do princípio espiritual, este irá para o reino vegetal, onde começará a desenvolver funções mais complexas, pois já começará a experimentar as sensações rudimentares, a respiração, a alimentação, a sensibilidade e terá um sistema nervoso ainda embrionário, portanto, estará submetido a uma vida mais organizada, onde estará presente a vitalidade.

Após milhões de anos, estará habilitado a ingressar no reino animal, onde, através do instinto, começará a desenvolver as bases da inteligência, que permitirá ao princípio espiritual converter-se em espírito, quando adquirir a razão, permitindo-o o ingresso no reino hominal, não podendo ser esquecido que há os elos de transição entre esses reinos, que poderão se dar em outros mundos ou nas regiões espirituais. Por esse motivo, mostra-se inquestionável e verídica a frase de Léon Denis, na obra “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, a saber: “Na planta, a inteligência dormita; no animal sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente”.

Note-se que Léon Denis fala da inteligência e não do espírito. Este, sim, dorme no mineral, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no hominal, numa representação da escalada evolutiva do espírito, que, fatalmente, atingirá a perfeição relativa.Reflitamos sobre a seguinte frase: “Deus prossegue criando sem cessar. O Seu psiquismo dá nascimento a verdadeiros fascículos de luz, que contêm em germe toda a grandeza da fatalidade do seu processo de evolução”. (Joanna de Ângelis, na obra “Iluminação Interior”, no capítulo “A Divina Presença”.)

Diante do exposto, passamos a compreender a profunda assertiva de João, o discípulo de Jesus, quando diz que “DEUS É AMOR”, de tal sorte que somos expressões do seu infinito amor e estamos destinados à angelitude, cabendo-nos a tarefa de desenvolver o “deus interno” que há dentro de nós, através da busca da verdade e do bem. 

Fonte: O Consolador - Revista Semanal de Divulgação Espírita

APRECIAÇÃO DA OBRA A GÊNESE - por São Luís

Esta obra vem na hora certa, na medida em que a doutrina está hoje bem estabelecida do ponto de vista moral e religioso. Seja qual for a ...