BEM MAIS QUE “PARTIR O PÃO”




"Se não há refeição, não há Torá; e se não há Torá, não há refeição”
(Avot 3:17).

Muitos cristãos supõem que as palavras “partir o pão” se referem à comunhão. Eles imaginam os crentes se reunindo para receber uma pequena fatia de pão e tomar um pouco de vinho, como é feito hoje nas igrejas. Lucas, no entanto, está descrevendo os lares de Jerusalém do primeiro século, não uma igreja cristã moderna: os primeiros crentes realmente faziam refeições juntos! Ele deixa ainda mais claro adiante: “Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria” (Atos 2:46).

SEM REFEIÇÃO, SEM ESCRITURAS
No entanto, essas refeições não eram apenas eventos sociais. O estudo das Escrituras tem sido sempre o elemento central da vida judaica e todas as áreas da vida tinham que estar ligadas a este estudo. Portanto, Lucas nos diz que ao fazerem as refeições juntos, os primeiros crentes se dedicavam ao ensino dos apóstolos. 

O CONTEXTO JUDAICO
Compartilhar refeições sempre foi uma parte importante da vida judaica. Os crentes faziam refeições juntos, revezando-se para receber uns aos outros. Na tradição judaica, era sempre o anfitrião quem proferia a benção tradicional e partia o pão no início da refeição.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS - PARTE 87



LEIS NATURAIS OU DIVINAS

O Livro dos Espíritos traz interessante capítulo que trata da Lei Divina ou Natural. Na questão 614 os Espíritos Superiores respondem o que se entende por Lei Natural: trata-se da Lei de Deus. Segundo ensinam a Lei Natural “é a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta”.

Para ilustrar essa ideia, buscamos no Livro de Êxodo, capítulo 15, a partir do versículo 22, um relato sobre a 1.ª etapa dos Israelitas no deserto de Sur. Algumas lições podem ser extraídas à luz do espiritismo, da fé raciocinada. Conta-se que que aquele povo estava caminhando no deserto por três dias em busca de água. Quando afinal a encontram a mesma não servia para consumo. Era amarga, salobra. Os israelitas então protestam a Moisés questionando o que beberiam, pois estavam com sede.

Moisés, então, clamou ao Senhor, que lhe mostrou uma planta. Realizou-se, portanto, verdadeiro tratamento químico daquela água salobra, que foi transformada em água potável, boa para consumo. Depois deste verdadeiro "fenômeno" o versículo 25 relata: “aí lhes deu leis e mandamentos, e os pôs à prova...”.

Refletindo no incidente das águas, percebe-se que diante do obstáculo ou da privação, o indivíduo reagiu. A murmuração de Israel demonstra o seu sofrimento e, claramente, a natureza do ser humano diante da provação. Conforme 1 Co 10:11 a humanidade diante das provações da vida lamenta. Todavia, pensamos, trata-se da Lei de Causa e Efeito. Vejamos o que Moisés diz ao povo:

“Se obedeceis ao Senhor, vosso Deus, fazendo o que ele aprova, obedecendo a seus mandamentos e cumprindo suas leis, não vos enviarei as doenças que enviei aos egípcios, porque eu sou o Senhor que te cura”.

Apesar da distância no tempo que temos das palavras do Profeta, vemos que o indivíduo é livre para alcançar o que ele chamou de bênçãos de Deus. Isto é, depende do nosso comportamento diante das leis. Todavia, durante muitas gerações somos levados a interpretar que tais leis seriam aquelas exteriores onde seu "cumprimento" depende de rituais (também exteriores). O Espiritismo revelando o processo de evolução do ser (instinto, inteligência, senso moral, vontade) mostra que erramos por séculos na interpretação (preocupamos com a forma e não com o fundo).

Certamente cumprir as Leis de Deus, obedecer ao Senhor e fazer o que Ele aprova, obedecendo Seus mandamentos está em acordo com as Leis Morais e, portanto, é preciso saber o que é a Lei Divina ou Natural. Sem dúvida, é a vontade revelada de Deus. Voltemos, então, ao ensino dos Espíritos.

A questão 617 esclarece que TODAS AS LEIS DA NATUREZA SÃO LEIS DIVINAS. E, TODAS as Leis Divinas estão gravadas na consciência humana (621). Á medida que o ser evolui por meio das várias experiências na várias existências e em uma variedade de mundos vai acessando as Lei Divinas gravadas em sua consciência, de onde forma o senso moral, uma vez que ao ser criado por Deus simples e ignorante, também o foi com NULIDADE MORAL.

a) O que podemos depreender da passagem bíblica usada em nosso exemplo?
- Moisés quando usou uma planta para neutralizar a salinidade da água não usou mágica, místico ou maravilhoso, muito menos “um milagre”, aplicou uma Lei Natural. A química, como ciência, fornece instrumentos e ferramentas necessárias para compreensão desse processo;

b) Como obedecer a Deus e fazer o que Ele aprova para fins de não adoecer o corpo? Como receber a cura relatada a partir do versículo 22 do capítulo 15 de Êxodo?
Veja a constituição física humana, principalmente os órgãos do corpo humano. Observe o estômago. Ele tem tamanho e capacidade. Entre outras coisas, quando não respeitados esse tamanho e capacidade ocorrem as reações naturais que os excessos cometidos provocam, sujeitando o indivíduo a sofrer uma infinidade de males. Cumprir a Lei Divina ou Natural nesse caso é respeitar a capacidade e tamanho do estômago. Feito isto o indivíduo estará CURADO antecipadamente de grande quantidade de doenças que essa falta acarreta. Para todos os demais excessos ou falta do dever de cuidado a regra é a mesma.

Conforme ensina Allan Kardec: “Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: as leis físicas, cujo estudo pertence ao domínio da Ciência. As outras dizem respeito especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas suas relações com Deus e com seus semelhantes. Contém as regras da vida do corpo, bem como as da vida da alma: são as leis morais” (Q-633 do LE).

Quando Moisés advertiu o seu povo, apresentava-lhes um guia seguro, pois, como no exemplo acima, comer em excesso faz mal e esse limite ou medida nos é dado por Deus. Ao exceder a azia e a má-digestão é a punição imediata. A lei natural traça o limite para as necessidades humanas. O sofrimento é a pena por infringi-lo. Em toda situação há uma voz interna que carece ser ouvida em todas as circunstâncias a fim de evitarem-se males maiores.

Ao tratar desse tema, sem qualquer caráter absoluto, dividiu-se a Lei de Deus em 10 partes, a qual pode ser seguida sem espírito de sistema. São elas: lei de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a de justiça, amor e caridade.

Estude e Viva!
Uberaba - MG, 11 de setembro de 2019
Beto Ramos

ESCLARECIMENTOS SOBRE A PRÁTICA ESPÍRITA

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