ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – DOS ESPÍRITOS - PARTE 33

- V – DIFERENTES ORDENS DE ESPÍRITOS
(Questões: 96 a 99)
“Admira-se de haver sobre a Terra tantas maldades e tantas paixões inferiores, tantas misérias e enfermidades de toda sorte, concluindo-se que miserável coisa é a espécie humana. Esse julgamento decorre de uma visão estreita, que dá uma falsa ideia do conjunto. É desnecessário considerar que toda a humanidade não se encontra na Terra, mas apenas uma pequena fração dela. Porque a espécie humana abrange todos os seres dotados de razão, que povoam os inumeráveis mundos do Universo. Ora, o que seria a população da Terra, diante da população total desses mundos? Bem menos que a de um lugarejo em relação à de um grande império. A condição material e moral da humanidade terrena nada tem, pois, de estranho, se levarmos em conta o destino da Terra e a natureza de sua população”. (Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo III – Há Muitas Moradas na Casa de Meu Pai. Item 6: Destino da Terra e Causas das Misérias Humanas).


   1.       O Que é a Terra?
   2.      Quem são os seus habitantes?

   Segundo Santo Agostinho, para responder tais questões, basta considerar a Terra em que habitamos. Nos itens 13/14 do Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo III, diz esse magnífico Espírito: “A superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo [...], mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral. [...] Não são todos os Espíritos encarnados na Terra que se encontram em expiação”.

E prossegue, no item 14, dizendo que na Terra há os Espíritos saídos da infância, educando-se e desenvolvendo-se ao contato dos mais avançados. A seguir há as raças semicivilizadas em progresso. Também, há aqueles em expiação, tais como estrangeiros, pois, viveram em outros mundos e foram excluídos por sua obstinação no mal, vez que perturbavam os bons.

Assim, pois, Santo Agostinho diz que a Terra é um tipo de mundo expiatório, servindo de lugar de exílio para Espíritos rebeldes à lei de Deus, onde devem lutar contra a perversidade dos homens e a inclemência da natureza. “Trabalho duplamente penoso, onde desenvolverá, a uma só vez, as qualidades do coração e as da inteligência. Desta forma, Deus, na sua bondade, torna o próprio castigo proveitoso para o progresso do Espírito”. 

É possível você indagar: o nosso estudo não é de O Livro dos Espíritos? A nossa resposta é positiva: SIM. Porém, é extremamente importante que o aprendiz do espiritismo nunca se esqueça: Allan Kardec foi o CODIFICADOR do Espiritismo. Não produziu, portanto, a partir das instruções dos Espíritos, apenas uma obra. Não. Kardec organizou uma magnífica obra produzida pelos Espíritos Superiores sob a direção do Espírito da Verdade. Desta forma, ao estudar o Espiritismo – SEJA QUE ASSUNTO FOR –, o aprendiz DEVE conciliar sua pesquisa COM TODA A OBRA PRODUZIDA PELOS ESPÍRITOS. Portanto, é pertinente usar o Evangelho e as demais obras para responder às indagações que partem de um estudo de quaisquer das obras. O ESPÍRITA DEVE CONHECER O TODO!

Feitas estas considerações, voltamos para o tema de hoje: DIFERENTES ORDENS DE ESPÍRITOS.

Não nos esqueçamos de que uma pergunta é recorrente em vários estudos. Os aprendizes perguntam: QUAL O LUGAR QUE OCUPO NA ESCALA ESPÍRITA?

Talvez tal pergunta busque uma resposta diferente daquela que o próprio aprendiz já a tenha. Isto é, VOCÊ NÃO É ESPÍRITO PURO. Em sendo assim, baseado na explicação dada pelo Espírito Santo Agostinho de que A TERRA É UM MUNDO EXPIATÓRIO, e, conforme o texto dos itens 6 e 7 do Capítulo III do Evangelho Segundo o Espiritismo desenvolvido pelo Codificador,  não sendo o planeta a morada de toda a humanidade, quem nele se encontra é um habitante de um arrabalde, um hospital, uma penitenciária, um pantanal.

Diante de todas essas informações é importante aprender que:
a)     Os Espíritos não são iguais, pois há diferentes ordens, decorrente da PERFEIÇÃO MORAL A QUE TENHAM CHEGADO;
b)     O número dessas ordens ou graus de perfeição é ilimitado e não uma há linha divisória ou barreira entre elas; Podem ser multiplicar ou restringidas à vontade;
c)      Existem 3 grandes ordens para que se possa pensar em uma classificação, onde na 1ª estão os que chegaram à perfeição; na 2ª os que chegaram ao meio da escala e desejam o bem e à sua preocupação;
d)     Na 3ª, os que estão na base da escala, os Espíritos imperfeitos; Caracterizam-se pela ignorância, desejam o mal e possuem todas as más paixões que lhes retardam o desenvolvimento;

    Veremos no próximo estudo, com Allan Kardec, que estas três grandes ordens foram distribuídas de modo a propiciar conhecimento sem fechar questão, eis que os graus de perfeição (questão 97) e o número dessas ordens são ILIMITADOS. Todavia, podemos adiantar que o Codificador descreve dentre os Espíritos Imperfeitos os caracteres gerais que são muito conhecidos de todos nós.
   
   Assim sendo, ao tratarmos das DIFERENTES ORDENS DE ESPÍRITOS, precisamos lembrar: é a nossa evolução moral e material que nos colocará na faixa vibratória em que nos moveremos. 

   Vale dizer, e buscando o item V do Livro Terceiro, Capítulo XII, intitulado Perfeição Moral, em que SANTO AGOSTINHO responde as questões 919 e 919-a de O Livro dos Espíritos em que o Codificador questionou: Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal? 
   
    Resposta: - Um sábio da Antiguidade vos disse: “Conhecete-te a ti mesmo”. 

    Na questão seguinte, a respeito de qual o meio de chegar a conhecer a si próprio, a resposta é: - [...] no fim de cada dia interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e me perguntava [..] se não tinha faltado ao cumprimento de algum dever, se ninguém teria tido motivo para se queixar de mim. [...] 

    Finalmente, queremos concluir que não nos enganemos, pois, SABEMOS A QUE DEGRAU DA ORDEM (escala espírita) PERTENCEMOS. Se ainda ficou difícil lembre-se de questionar-se:
    1.       Qual a categoria do planeta que vivemos?
    2.      Quais são as virtudes que possuo verdadeiramente e, da mesma forma, quais as más   paixões que tenho inclinação;
   3.      Interrogue sua consciência diariamente fazendo um inventário das ações cotidianas;
   4.      Qual a distância há entre EU e o HOMEM DE BEM descrito no Evangelho Segundo o Espiritismo?

   E se tudo que apresentamos ainda não convenceu seu arguto raciocínio convido-lhe a estudar, em profundidade, a Justiça Divina Segundo o Espiritismo, que, na verdade se trata de um processo de julgamento onde os homens e as instituições são acusadas e o juiz pronuncia a sua sentença, contidos na Obra O CÉU E O INFERNO. Examine, ainda, o item 8 do Capítulo II de O Evangelho Segundo o Espiritismo e ...
  
   "CONHEÇA-TE A TI MESMO!”.

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- IV – PERISPÍRITO – 

(Questões: 93 a 95)

“Limita-se o Espiritismo a admitir o mundo invisível como hipótese e como meio de explicação? Não, porquanto seria explicar o desconhecido pelo desconhecido”. (Revista Espírita, 1862, pg. 400).


“O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá. [...] Uma questão complexa requer, pra ser esclarecida, perguntas preliminares ou complementares. Quem quer adquirir uma ciência deve estuda-la de maneira metódica, começando pelo começo e seguindo o encadeamento de ideias”. (Livro dos Espíritos. São Paulo: LAKE, 2013, p. 39).


Nossa reflexão de hoje será sobre o PERISPÍRITO. Todavia, as questões 93 a 95 de O Livro dos Espíritos são muito objetivas e esclarecem acerca do tema sem deixar quaisquer dúvidas. Assim, pedimos vênia para relembrar algumas questões que foram colocadas por Allan Kardec na Revista Espírita.


Nos dias 15 e 29 de novembro de 1861, o Senhor Emile Deschanel publicou dois artigos a respeito de O Livro dos Espíritos onde argumentou que “a doutrina espírita se refuta por si mesma, basta expô-la. Não é nem espiritual nem espiritualista, ao contrário, está fundada sobre o mais grosseiro materialismo” (FIGUEIREDO, SÃO PAULO, MAAT, 2016, pg. 318/319). Essa acusação foi efetuada por seu autor após citar diversas descrições do corpo espiritual reproduzidos em O Livro dos Espíritos, esforçando-se por provar que o perispírito deve ser de matéria.


Diante dessa acusação Kardec responde:


“[...] mas é exatamente o que dizemos com todas as letras! [...] o corpo espiritual não é senão um envoltório independente do espírito. Onde ele viu que tenhamos dito que é o perispírito que pensa? Ele não quer o perispírito, seja; mas que nos diga como pode explicar a ação do espírito sobre a matéria sem intermediário? [...] explicamos assim um fato até então inexplicado e, certamente, somos menos materialistas do que aqueles que pretendem que é o próprio espírito que se transforma em matéria para se fazer ver e agir”. (Revista Espírita, 1861, pg. 48).


No ano de 1862 o espiritismo foi novamente acusado, agora, de materializar a alma, que segundo a religião seria puramente imaterial. Retomando o tema, Allan Kardec esclareceu que tal acusação partia de um estudo incompleto e superficial, pois, o espiritismo jamais definiu a natureza da alma, que escapa às nossas investigações, explicando que:


“Nunca disse que o perispírito constitui a alma: a palavra perispírito diz positivamente o contrário, uma vez que especifica um envoltório ao redor do espírito. A doutrina espírita não tira nada à imaterialidade da alma, só lhe dá dois envoltórios em lugar de um durante a vida corpórea, e um depois da morte do corpo, o que é, não uma hipótese, mas um resultado da observação, e com a ajuda desse envoltório ela faz conceber melhor a individualidade e explicar melhor sua ação sobre a matéria” (Revista Espírita, 1862, pg. 239).


Portanto, conforme Kardec, o perispírito não se confunde com o Espírito.


Paulo Henrique de Figueiredo afirma que “[...] o conceito de perispírito tem origem na observação experimental da ciência dos espíritos e foi transmitido a nós pelo ensinamento dos espíritos superiores, portanto, não é uma hipótese filosófica, teológica ou mesmo mística”. (Revolução Espírita, São Paulo, MAAT, 2016, pg. 319).


Finalmente, o Codificador elucida cristalinamente a questão acerca do assunto explicando que:


“[...] os Espíritos são revestidos de um envoltório vaporoso, formando para eles um verdadeiro corpo fluídico, ao qual damos o nome de perispírito, e cujos elementos são colhidos do fluido universal ou cósmico, princípio de todas as coisas. Quando o Espírito se une a um corpo, aí vive com seu perispírito, que serve de ligação entre o Espírito propriamente dito e a matéria corporal; é o intermediário das sensações percebidas pelo Espírito. [...] Mas, o perispírito não está confinado no corpo, como numa caixa; por sua natureza fluídica, ele irradia para o exterior e forma em torno do corpo uma espécie de atmosfera, como o vapor que dele se desprende”. (Revista Espírita, 1862, pg. 487).


Avançado um pouco com o tema em questão, o Codificador faz importante observação acerca do perispírito, sua natureza fluídica e esta atmosfera criada com o vapor desprendido pelo mesmo. Uma vez que poderá ser um vapor impregnado de qualidades ou de enfermidades, como se pode depreender do texto a seguir:


“[...] o vapor liberado de um corpo enfermiço é igualmente insalubre, acre e nauseabundo, o que infecta o ar dos lugares onde se reúnem muitas pessoas doentes. Assim como esse vapor é impregnado das qualidades do corpo, o perispírito é impregnado de qualidades, isto é, do pensamento do Espírito, e irradia tais qualidades em torno do corpo”.


Salientamos, finalmente, que o assunto PERISPÍRITO tem um vasto campo de estudo para os Espíritas, posto que, quando falamos em atmosfera psíquica, mundo mental, entre outros, não podemos esquecer-nos do instrumento de irradiação de nossas qualidades e enfermidades.

GÊNESIS, PAULO DE TARSO, JOÃO E NÓS: A CAMINHO DA LUZ

Os antigos referiam-se à Criação usando expressões contendo uma ideia concreta, fazendo referência a evento que ocorreu pela primeira vez ...